sábado, 30 de novembro de 2019

"IMPRENSA LIVRE"? KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

A imprensa é considerada o quarto poder (depois do executivo, legislativo e judiciário). E não é por acaso. Ela é o, digamos, "cão de guarda" INTELECTUAL do status quo estabelecido pelas elites de um país. O que isso quer dizer? Que o amparo a pequenas demandas da população é permitido (por exemplo, defender um consumidor que foi lesado por uma má empresa).
Já quando se pede apoio contras os GRANDES da elite, ele é vertiginosamente negado! (E, nem me venham com a conversa mole de que "é proibido proibir", ok?). Querem um exemplo? Vamos lá. Anos atrás eu entrei em contato com a revista ISTO É (muita, muita safadeza!) para fazer uma denúncia contra a Rede Globo de Televisão. Sabem qual a foi a resposta que recebi da jornalista Luiza Villaméa? Minha denúncia, simplesmente, "NÃO TINHA INTERESSE JORNALÍSTICO"... KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK! Ridículo; parece piada, não é mesmo? Mas, ainda tem mais: eu enviei à revista picareta já citada, por fax, um trecho da minha monografia de conclusão de curso (e mais outras coisas). Ora, logo depois, apareceu tal trecho na revista - e cuja capa tinha uma arma apontada para o leitor (para eu, entenderam?)

Mas, já que estamos falando de "cão de guarda", vamos tratar também dos papéis da polícia e das forças armadas. Pois bem, essas duas já representam o instrumento não intelectual, mas físico ou material (transformado em violência). Assim, temos que considerar que a função precípua da polícia é combater a criminalidade. Mas, ela também pode ser direcionada para reprimir as demandas sociais (dependendo de quem esteja no poder).
Da mesma forma, a função precípua das forças armadas é defender o país em caso de ataque estrangeiro. Mas, ela também pode ser acionada para impedir conquistas sociais legítimas da sociedade (como foi o caso do golpe militar de 1964, no Brasil e por exemplo)

Concluindo: "imprensa livre"? B A L E L A! Uma sociedade capitalista (que concentra a renda) não pode ser livre. Ela é "livre", sim, para reprimir as demandas sociais (principalmente quando um "peixe grande" do status quo está sob ataque dos oprimidos ou dos pequenos - que anseiam por justiça ou conquistas sociais). Finalmente, sugiro que não elejam policiais e militares (gente reacionária e de visão simplista... que só enxerga a superfície ou a aparência das coisas).

Nível de formação dos professores faz diferença no desempenho dos alunos?

É mais relevante o professor ter um bom nível acadêmico geral e conhecer bem o conteúdo que leciona do que ter títulos de mestrado e doutorado.


Se você conhece a evidência científica sobre o tema ou está acompanhando esta série poderá antecipar a resposta: as evidências dizem que o nível formal de titulação dos professores não impacta o desempenho dos alunos.
De fato, esta figura mostra que tanto os cursos de aperfeiçoamento quanto os de mestrado e doutorado não fazem diferença no desempenho dos alunos. E isso vale tanto para os alunos do 5º quanto do 9º ano.
O tamanho da diferença é muito pequeno – praticamente desprezível: vai de ¼ de um ponto a mais para alunos das séries iniciais cujos professores fizeram cursos de aperfeiçoamento para o máximo de 2,31 pontos adicionais para alunos de séries finais cujos professores possuem título de mestrado ou doutorado.
Dado que o desvio-padrão da Prova Brasil é de 50 pontos, esse incremento é totalmente irrelevante. No entanto, na maioria dos planos de cargos e salários, a obtenção desses títulos leva a aumento salarial, tornando o sistema, portanto, mais caro e mais ineficiente.
Por que esses cursos não surtem efeito?
Há várias hipóteses. Uma delas foi discutida no post anterior – o nível de base dos professores é limitado. Portanto, os efeitos de cursos adicionais também serão limitados pela capacidade de absorção desses conhecimentos de nível mais elevado.
Outra hipótese é a da irrelevância. Por exemplo, é possível que muitos dos conteúdos dos cursos de especialização se refiram mais a teorias genéricas do que à aquisição de instrumentos práticos para usar em sala de aula.
É possível, ainda, que os cursos de mestrado e doutorado, mesmo em áreas específicas, abordem conhecimentos em níveis avançados que ou não foram assimilados devidamente ou não possuem relação com o que o professor efetivamente precisa saber para lecionar no nível de ensino em que atua.
As evidências internacionais corroboram a ideia de que é mais relevante o professor ter um bom nível acadêmico geral e conhecer bem o conteúdo que leciona do que simplesmente dominar conteúdos mais avançados de sua disciplina.

MACARRÃO ao leite gratinado

Receita de Macarrão ao leite gratinado. Enviada por TudoGostoso e demora apenas 30 minutos.

Ingredientes

  • 1 colher (sopa) de manteiga
  • 1 cebola picada 
  • 3 xícaras de água 
  • 3 xícaras de macarrão mini penne
  • 1 xícara de couve-flor 
  • 1 xícara de brócolis
  • 200 g de presunto em cubos 
  • 1 colher (sopa) de requeijão
  • 3 colheres (sopa) de ketchup
  • 100 g mussarela ralada
  • noz-moscada a gosto
  • sal a gosto
  • pimenta-de-reino a gosto
  • mussarela a gosto

Modo de Preparo

  • Em uma panela, aqueça a manteiga e refogue a cebola. 
  • Adicione o leite e a água e espere ferver.
  • Coloque o macarrão e deixe ferver por 7 minutos. 
  • Acrescente a couve-flor, o brócolis, o presunto, o requeijão, o ketchup e a mussarela ralada. 
  • Tempere com noz-moscada, sal e a pimenta-do-reino. 
  • Transfira para uma travessa e salpique a mussarela. 
  • Leve ao forno até gratinar.


Tempo de preparo

30 MIN
Macarrão ao leite gratinado
Macarrão ao leite gratinado
Foto: TudoGostoso / TudoGostoso

Porções

1 porções




sexta-feira, 29 de novembro de 2019

O desafio da economia diante das mudanças climáticas

Meio Ambiente

Apesar de crescimento econômico ameaçar o clima, ele é necessário, sobretudo em países mais pobres. Perante este impasse, especialistas defendem que o capitalismo passe a priorizar investimentos sustentáveis.
Painel solar e área de floresta ao fundo Painel solar: produção de energia renovável é um dos pontos-chave para uma guinada rumo à economia verde
Em seu romance de ficção científica de 2012 News From Gardenia (Notícias de Gardênia, em tradução livre), o autor Robert Llewellyn observa um mundo que acaba ficando bem. Os seres humanos vivem harmoniosamente com o ambiente natural ao seu redor. O capitalismo de mão pesada parece ter entrado em colapso, substituído por uma troca local de bens e serviços. As comunidades parecem mais saudáveis ​​e felizes, mas é uma catástrofe global inespecífica na história que forçou a mudança.
O arco narrativo é tal que Greta Thunberg também concordaria com ele. O crescimento econômico é um "conto de fadas" que mata o planeta, disse a jovem ativista em setembro. "Desacelerem por opção agora", pediu ela aos líderes da Cúpula da Ação Climática da ONU, "ou as mudanças climáticas nos forçarão a fazê-lo – talvez mais cedo do que mais tarde".
Sublinhando seu ponto de vista, o movimento Greve pelo Futuro (nome internacional: Fridays For Future) de Thunberg convoca um Dia sem Compras nesta sexta-feira (29/11), em plena Black Friday, uma tradição comercial dos EUA que se segue ao Dia de Ação de Graças e dá a largada para a temporada de compras de Natal.
Para a maioria dos economistas, no entanto, uma solução de baixo ou nenhum crescimento para as mudanças climáticas não é algo a ser levado a sério e certamente não pode ser aplicado em escala global. "O campo da Greta é mais um fenômeno econômico avançado", diz à DW Adam Tooze, professor de história da economia na Universidade de Columbia. "Está no domínio da política razoável para economias avançadas dizer que não precisamos de mais crescimento."
Assistir ao vídeo 04:53

A agricultura e as mudanças climáticas

Ele acrescenta, entretanto, que isso não se aplica às economias mais pobres e em desenvolvimento, que enfrentam uma "genuína escolha difícil" entre atender às "necessidades humanas existenciais" – como água potável, saneamento e assistência médica – e buscar a rápida descarbonização necessária para atender às metas do Acordo de Paris sobre o aquecimento global.
"Isso coloca a maior parte do ônus da descarbonização nos países ricos", frisa Tooze. "Neles, o desafio é menor, mas de modo algum é uma questão fácil em termos de tecnologia e política". Economistas como Tooze defendem, ao invés de uma escolha radical por um não crescimento, puxar as alavancas existentes do capitalismo global para alcançar o crescimento sem pegada de carbono.
Uma dessas alavancas são os bancos centrais, que, segundo Tooze, poderiam projetar políticas monetárias que favoreçam soluções climáticas como energias renováveis, tecnologia de baterias e captura de carbono em larga escala, além de tornar menos atraentes os investimentos sujos.
Com a flexibilização quantitativa (QE, na sigla em inglês) de volta à caixa de ferramentas do banco central para estimular as economias estagnadas, Tooze quer que o Banco Central Europeu "se comprometa a comprar tantos títulos verdes quanto puder, sem excluir investidores privados".
"Não há realmente nenhum caso para bancos centrais ou gestores de reservas cambiais estrangeiras ainda continuarem subscrevendo um status quo de combustíveis fósseis, que sabemos que não é sustentável", afirma o especialista.
A ideia causa arrepio a alguns bancos centrais, especialmente ao Bundesbank, o Banco Central alemão, que se opõe à QE de maneira mais ampla e é "muito crítico" à chamada QE verde. "Nossa missão é a estabilidade de preços, e a neutralidade do mercado é fundamental para nossa política monetária", disse o presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, no mês passado em Frankfurt.
Capital verde
Em outras palavras, é trabalho dos políticos, não dos bancos centrais, colocar o dedo na balança, despejando trilhões de dólares de capital em prol da desaceleração do aquecimento global.
Outras instituições financeiras são menos nervosas. No início deste mês, o Banco Europeu de Investimento (BEI) anunciou que deixaria de apoiar projetos de combustíveis fósseis até o final de 2021. Isso retiraria de hidrocarbonetos cerca de 2 bilhões de euros em financiamento anual proveniente da União Europeia (EU).
Os analistas de financiamento climático saudaram a decisão do BEI, observando que ainda há muito mais a ser feito. O financiamento climático global total atingiu 612 bilhões de dólares em 2017, um recorde, antes de cair para 546 bilhões de dólares em 2018, de acordo com um relatório anual divulgado neste mês pela Iniciativa de Política Climática (CPI), think tank ambientalista que presta consultoria sobre investimentos verdes.
A entidade calcula que sejam necessários 3,8 trilhões de dólares a cada ano para atingir as metas climáticas de Paris.
Usinas termoelétricas vistas no horizonte, diante do pôr do sol "Intervenção governamental para deter mudanças climáticas tem que ser muito mais agressiva", alerta especialista
"A verba não basta", diz Barbara Buchner, diretora de finanças climáticas da CPI. "Mas reservar apenas alguns pontos percentuais do investimento total para a ação climática nos levaria muito mais longe."
Buchner quer ver uma "transformação econômica total", que, antes de mais nada, significa acabar com o carvão, eletrificar o transporte, além de produzir e distribuir energia renovável suficiente para assegurar que a eletricidade seja livre de carbono. "A tecnologia existe", diz. "Ou pode existir em breve, caso sejam dados incentivos suficientes para pesquisa e desenvolvimento em larga escala."
Revolução Industrial como exemplo
"Esse tipo de transformação já aconteceu anteriormente", afirma Ashoka Mody, economista da Universidade de Princeton. Ele deposita suas esperanças de crescimento econômico climaticamente neutro em parte, e talvez ironicamente, no ponto de virada histórico que iniciou a mudança climática: a Revolução Industrial. Naquela época, como agora, o sistema econômico global mudou fundamentalmente; e então, como agora, a transição produziu vencedores que lucraram e perdedores que precisaram de compensação.
A comparação de Mody, no entanto, vem com uma ressalva: sem uma ameaça iminente, a revolução industrial do século 19 foi se desenvolvendo à medida que a tecnologia e as práticas de negócios evoluíam. A adoção foi mais orgânica.
O rápido aumento da temperatura global, como previsto no relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) de 2018, significa que "não podemos esperar", diz ele. "A intervenção governamental precisa ser muito mais agressiva", alerta.
Embora exista um amplo consenso de que tanto uma taxação séria sobre o carbono quanto uma regulamentação forte são necessárias, Mody defende principalmente a última. "Normas funcionam. Restrições levam à inovação", afirma, citando como exemplo o Clean Water Act (lei da água limpa) de 1972, que forçou a indústria dos EUA a encontrar modos de limitar a poluição da água e continuar lucrativa.
Para Mody, a questão não é se a economia pode crescer, mas como. "Tantas pessoas ainda são desesperadamente pobres", observa. "Em seu nível mais básico, o crescimento econômico é o que permite que as crianças se saiam melhor que seus pais", diz. "Sem crescimento, as pessoas vão perder o incentivo para participar da vida cívica."
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"Aumento da pobreza extrema é resultado de uma maior DESIGUALDADE"


Brasil

Em entrevista à DW Brasil, pesquisador da USP diz que a pobreza extrema no Brasil, que atingiu seu nível mais alto em seis anos, está mais ligada ao aumento da concentração de renda do que ao fraco desempenho econômico.
Crianças dormindo em um colchão na rua em Salvador A conclusão é de um estudo em elaboração pelo pesquisador Rogério Barbosa
O crescimento da pobreza extrema no Brasil, que atingiu no ano passado seu nível mais alto desde 2012, com cerca de 13,5 milhões de pessoas com renda mensal de até 145 reais, decorre mais do aumento da concentração de renda do que do fraco desempenho econômico no período.
A conclusão é de um estudo em elaboração por Rogério Barbosa, pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole da USP, em parceria com Pedro de Souza e Sergei Soares, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a partir de dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no início do mês.
A pesquisa separou e calculou o efeito da evolução da renda total e o efeito da desigualdade sobre a pobreza extrema, no período de 2015 a 2018. A evolução da renda sozinha, se tivesse beneficiado toda a população, teria reduzido o percentual dos brasileiros em pobreza extrema em 0,25 ponto percentual. Porém, o aumento da desigualdade de renda, isolado, foi responsável por aumentar a taxa de pobreza extrema na população em 1,98 ponto percentual.
Somados os dois efeitos, o percentual de brasileiros em extrema pobreza aumentou 1,72 ponto percentual de 2015 a 2018, ou cerca de 3,6 milhões de pessoas a mais vivendo na miséria. "Apesar de o bolo ter crescido, as pessoas que extraíam dali uma menor quantidade extraem agora ainda menos", diz Barbosa à DW Brasil.
O pesquisador explica que a elevação da concentração de renda, nesse caso, não diz respeito ao 1% mais rico contra o resto da população, mas entre a população com acesso ao mercado formal de trabalho, que conseguiu se proteger dos efeitos da crise econômica, em contraste com os que estavam fora do mercado ou que trabalham por conta própria.
Para ele, o resultado mostra a fragilidade da tese de que uma nova classe média teria surgido durante a gestão dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Segundo Barbosa, as pessoas no meio da distribuição de renda, que em 2018 recebiam cerca de 800 reais per capita por mês, mantiveram um vínculo frágil com o mercado de trabalho formal e não conseguiram se resguardar dos efeitos da recessão. "Quem sobreviveu à crise foi a velha classe média", diz.
Barbosa também chama atenção para o fato de que houve redução do número de beneficiários do Bolsa Família, enquanto aumentava o número de pessoas em pobreza extrema no país. "Seria esperado que as políticas de proteção social funcionassem como um alcochoamento […], mas isso não foi verificado."
DW Brasil: Por que a pobreza estava caindo até 2014 e depois voltou a subir?
Rogério Barbosa: O mercado de trabalho formal estava crescendo, com carteira de trabalho e benefícios como férias remuneradas e décimo terceiro salário, incluindo parte das pessoas que antes se vinculavam de forma frágil ao mercado e podiam ser demitidas sem qualquer justificativa ou que prestavam serviços por conta própria.
No terceiro trimestre de 2014, a gente começa a sentir as consequências da crise econômica, e isso afeta o mercado de trabalho. Empresas demitem pessoas, que passam a não ter dinheiro para comprar, gerando um ciclo vicioso. No meio desse processo, seria esperado que as políticas de proteção social funcionassem como um alcochoamento dos que saíram do mercado de trabalho, mas isso não foi verificado. Para aqueles que têm pouco tempo na formalidade, ou que estão na informalidade, não há nenhum recurso se não houver programas assistenciais.
Em 2014, cerca de 35% das pessoas estavam no mercado de trabalho informal, e foram essas as que mais se prejudicaram na crise. O avanço da formalidade ainda era recente, ainda tinha muita gente desprotegida. Como era frágil, esse processo foi desfeito de forma relativamente rápida.
Como isso afetou a classe média?
Existe um mito de que estava surgindo uma nova classe média. Mas a ideia de classe média não é simplesmente quem está no meio da distribuição de renda. Quem estava no meio da distribuição em 2018 recebia mais ou menos 800 reais per capita, o que não é nada do ponto de vista do sonho da classe média, não permite que você tenha carro, casa própria.
[Até 2014] existiu uma melhora de renda e de acesso a bens duráveis para essas pessoas, mas como o vínculo era muito instável, nem todos ascenderam ao mercado formal, e a maioria não conseguiu de fato fazer grande gastos ou ter algum seguro, pessoal ou estatal, contra as crises. Isso bota em xeque a ideia de uma nova classe média. Quem sobreviveu à crise foi a velha classe média.
No seu estudo, vocês concluíram que a evolução da renda apropriada pelas famílias de 2015 a 2018 isolada teria reduzido a pobreza, mas o aumento da desigualdade teve um efeito mais relevante no sentido contrário. Por que isso ocorreu?
A ideia do bolo é uma metáfora bem conhecida no Brasil. Quando há crescimento, o bolo cresce. Se todas as fatias continuam no mesmo lugar, elas também crescem proporcionalmente e tudo mundo se apropria do crescimento. O problema é que as fatias estreitas se tornaram ainda mais estreitas. Apesar de o bolo ter crescido, as pessoas que extraíam dali uma menor quantidade extraem agora ainda menos. Foi isso que aconteceu.
O que cresceu foi a renda dos mais ricos, e esses não são exatamente os milionários. Os mais ricos são pessoas que puderam se proteger contra a crise. Estamos falando de famílias cuja renda domiciliar per capita é de 2.700 reais. Se você tem duas pessoas, é uma renda de 5.400 reais, não é ninguém que possa financiar uma casa em bairro de classe média em São Paulo.
O que essas pessoas têm que as demais não tiveram? Em primeiro lugar, vínculo formal, que garante acessar determinados benefícios, não poder ser demitidas facilmente e não ter o salário reduzido. Não existem mecanismos de proteção similares ou alternativos à metade inferior da distribuição, que é muito mais frágil e sofreu perdas. E aqui não se trata de culpar o 1% mais rico, o comportamento do topo da distribuição durante a crise pode ter piorado as coisas ainda mais, mas há pontos cegos que não estamos vendo.
Apesar de a extrema pobreza ter crescido, o número de beneficiários do Bolsa Família caiu de 2015 a 2018, de 39,3 milhões para 38,6 milhões. Por que isso ocorreu?
Estou pesquisando esse ponto agora. Há medidas políticas e administrativas que podem modificar o comportamento do Bolsa Família. Não posso dizer ainda o que aconteceu, mas isso depende de uma sequência de elos. Da existência de centro de referência de assistência social nas localidades, com assistentes sociais que fazem visitas presenciais a domicílios, fazem um diagnóstico e eventualmente concedem benefícios.
Isso envolve ação do estado tanto no âmbito federal, para induzir os centros de referência locais, como no âmbito local, para coordenar e executar essas políticas. Mesmo que inexista um problema de concessão de verbas – suponha que não mudou o orçamento do Bolsa Família – é certo que algum elo falhou ao longo dessa cadeia.
O ministério pode ou não mudar as regras de acesso e induzir a ação local, e existe nas localidades a necessidade de apoiar ações de busca ativa. São decisões de repercussão politica, e era responsabilidade do Estado se preocupar em garantir prioridade para os mais desfavorecidos.
A Câmara dos Deputados discute aprovar uma "agenda social", elaborada pela deputada Tábata Amaral (PDT-SP) com o apoio do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que aumenta o orçamento do Bolsa Família e cria um benefício adicional para crianças de até seis anos de idade. Como o senhor avalia essa proposta?
Não posso dar uma opinião qualificada porque não li a proposta, mas a princípio a ideia do benefício para as crianças é interessante. Um dos problemas mais crônicos é a pobreza na infância. Se fizermos qualquer recorte etário e calcularmos o percentual de indivíduos em condições de pobreza, o ápice são sempre as crianças. Isso é decorrência da fecundidade, que ainda é maior entre os pobres – a classe mais alta já está abaixo da taxa de reposição de 2,05 filhos por casal, e os mais pobres ainda um pouco acima.
A probabilidade de nascer numa família pobre é maior, e as crianças não podem fazer nada sobre isso. Se elas não completarem a escolarização, a probabilidade de ter empregos piores e reproduzir a pobreza é ainda maior. Se você faz um grande investimento na infância, você consegue precaver e evitar uma série de problemas na vida adulta, tem um retorno muito grande.
O que o Brasil precisa fazer para acabar com a pobreza extrema?
Há uma situação emergencial, e somente um programa de transferência de renda pode resolver. Uma melhora no Bolsa Família, tanto na cobertura como nos valores e critérios de condicionalidades. Isso é anterior a qualquer outra medida, afeta a quantidade de calorias que você come, mas não garante de fato a inclusão, que é participar dos âmbitos que a sociedade valoriza, seja no mercado de trabalho ou os espaços políticos.
A inserção produtiva é outros aspecto importante, porque não existem simplesmente vagas que vão abrir independentemente de induções políticas ou do mercado. Nos anos 1960 e 1970, o que se chamou de milagre econômico foi basicamente uma continuação do processo de substituição de importações em que o parque industrial cresceu muito com máquinas, e não tanto com trabalho. O boom das commodities foi também basicamente fundado em mecanização da agricultura.
Se você não cria incentivos para contratação de mão de obra em setores variados, os que dão lucro não são aqueles necessariamente que mais contratam. A inserção produtiva para além do comércio e dos serviços imediatos pessoais depende de uma política que envolva qualificação específica para o trabalho e construção de parcerias entre mercado e Estado.
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Para ter boa saúde, comece DORMINDO BEM

Redação do Diário da Saúde
Sono bom melhora diversidade do microbioma e garante saúde melhor
A relação entre sono e boa saúde é complexa e tem efeitos complexos: Por exemplo, várias doenças autoimunes afetam mais as mulheres devido a diferenças nas bactérias intestinais.
[Imagem: Robert P. Smith et al. - 10.1371/journal.pone.0222394]
 
Sono, microbioma e saúde
Se você anda com preocupações que lhe vêm tirando o sono, é melhor deixar para pensar nelas somente durante o dia.
Cientistas constataram que um sono ruim afeta negativamente o microbioma intestinal, o que, por sua vez, pode levar a problemas adicionais de saúde.
"Dada a forte comunicação bidirecional entre cérebro e intestino, eles têm possibilidade de se influenciarem [mutuamente]", disse o professor Jaime Tartar, da Universidade Nova Sudeste (EUA). "Com base em relatórios anteriores, acreditamos que um sono ruim provavelmente exerce um forte efeito negativo sobre a saúde intestinal e a diversidade do microbioma".
O que você pode estar se perguntando é: "Que negócio é esse de microbioma intestinal?" Simplificando, são todos os microrganismos - bactérias, vírus, protozoários e fungos - e seu material genético encontrados no trato gastrointestinal.
Diversidade do microbioma
Sim, todos nós temos tudo isso em nosso sistema gastrointestinal, mas nem todos nos mesmos níveis - há diferenças pessoais nessa diversidade.
E é justamente essa diversidade que pode ser a chave para a nossa saúde.
Então, o que determina o microbioma intestinal de alguém? Existem alguns fatores que entram em jogo.
Uma é a genética, algumas pessoas parecem estar predispostas em nível genético a ter um microbioma intestinal mais diversificado do que seus amigos e vizinhos. Outro fator são os medicamentos - certos medicamentos, incluindo antibióticos, podem afetar, neste caso negativamente, a diversidade do microbioma intestinal. A dieta, é claro, também desempenha um fator.
Sono bom melhora diversidade do microbioma e garante saúde melhor
As bactérias comensais, ou bactérias benéficas variam de indivíduo para indivíduo, ou seja, cada pessoa tem seu próprio time de bactérias saudáveis.
[Imagem: Nair/Abt/Artis/UPenn]
Microbioma e sono
Para este estudo, os voluntários usaram o que o professor Tartar chamou de "relógio inteligente com esteroides" na cama, um conjunto de equipamentos que monitorava todos os tipos de sinais vitais. Dessa forma, foi possível determinar o quão eles dormiam a noite toda. De manhã, seus microbiomas intestinais eram avaliados por exames de fezes e urina.
Os voluntários que dormiam bem apresentaram sistematicamente um microbioma intestinal mais diversificado - ou "melhor".
Tartar lembra que a diversidade do microbioma intestinal, ou a falta dela, está associada a outros problemas de saúde, como a doença de Parkinson (Parkinson pode ir do intestino ao cérebro pelo nervo vago) e doenças autoimunes, além da saúde psicológica (ansiedade e depressão). Quanto mais diverso o microbioma intestinal de alguém, maior a probabilidade de que ele tenha melhor saúde geral.
"Sabemos que o sono é praticamente o canivete suíço da saúde," disse Tartar. "Dormir uma boa noite de sono pode levar à melhoria da saúde e a falta de sono pode ter efeitos prejudiciais. Todos nós vimos os relatórios [artigos científicos] que mostram que a falta de sono adequado pode levar a problemas de saúde de curto prazo (estresse, problemas psicossociais) e longo prazo (doenças cardiovasculares, câncer). Sabemos que [esses efeitos ocorrem] nos estágios mais profundos do sono quando o cérebro 'retira o lixo', uma vez que o cérebro e o intestino se comunicam. O sono de qualidade afeta muitas outras facetas da saúde humana."

Você aprende mais com seus ACERTOS do que com seus erros


Redação do Diário da Saúde
Você aprende mais com seus acertos do que com seus erros
Outros pesquisadores testaram a relação entre sucesso e fracasso levando em conta o aspecto religioso.
[Imagem: Manuel Dohmen/Wikimedia]
Aprendendo com sucessos e fracassos
Os psicólogos e cientistas ainda não chegaram a um acordo sobre a conexão entre os sucessos e fracassos de uma pessoa.
Há poucos dias, uma equipe demonstrou uma relação causal entre um fracasso inicial e um sucesso futuro nas carreiras científicas.
Agora, Ayelet Fishbach e seus colegas da Universidade de Chicago (EUA) garantem que, ao contrário das crenças comuns sobre aprender com o fracasso, você aprende mais com os seus sucessos.
"Somos ensinados a aprender com o fracasso, a celebrar o fracasso. Os discursos de formatura costumam falar sobre o quanto você deve ousar falhar e aprender com seus fracassos. E os gerentes falam sobre as lições que eles tiveram pessoalmente dos fracassos. Se você apenas ouvir o público falando, você pensaria que estamos bem ajustados para falhar. No entanto, não é esse o caso," disse a professora Fishbach.
Para chegar a essa conclusão, ela e seus alunos realizaram uma série de experimentos em que "o fracasso fez o oposto: minou o aprendizado".
Esquecemos dos fracassos
Os pesquisadores realizaram cinco experimentos em que cada um dos mais de 1.600 participantes respondeu a uma série de perguntas de escolha binária. Como havia apenas duas respostas possíveis, assim que os voluntários recebiam feedback sobre suas respostas, eles deveriam saber a resposta correta - quer tenham marcado corretamente ou não.
Em seguida, os pesquisadores testaram novamente os participantes sobre o conteúdo das perguntas iniciais para verificar se haviam aprendido com o feedback.
De forma consistente, os participantes aprenderam menos com os erros do que com os acertos - mesmo quando os pesquisadores reprojetaram o experimento para tornar o aprendizado com erros menos exigente em termos cognitivos, e mesmo quando o aprendizado era incentivado. Aqueles que receberam feedback sobre erros também se lembraram menos de suas opções de resposta.
"Com mais experimentos, o que pudemos ver é realmente uma questão de autoestima," diz Fishbach. "Não é bom fracassar, então as pessoas se desligam do fracasso."
Melhorar o aprendizado
Os resultados têm implicações em como otimizar o aprendizado, dizem os pesquisadores.
"Na medida em que as falhas estão sendo ignoradas, na medida em que realmente desligamos em vez de nos conectarmos, não há aprendizado algum com as falhas," disse Fishbach. "E, quando não há aprendizado com as falhas, isso contrasta com a impressão geral de que as falhas foram momentos de aprendizado em nossa vida. Na maioria das vezes, quando falhamos, simplesmente não damos atenção".

OBJETIVOS HUMANOS dividem-se em quatro categorias


Redação do Diário da Saúde
Objetivos humanos
Categorizar os objetivos das pessoas tem sido um desafio para os cientistas, com uma ampla discordância em relação a qualquer conjunto de termos que visem cobrir todos os fatores que motivam o comportamento humano.
Em uma tentativa de superar esse problema, uma equipe de psicólogos conduziu um estudo exaustivo de palavras relacionadas a objetivos.
Com base nessa análise, eles afirmam que os objetivos humanos podem ser amplamente classificados em termos de quatro objetivos: "destaque", "inclusão", "prevenção da negatividade" e "tradição".
"Poucas perguntas são mais importantes no campo da psicologia do que 'O que as pessoas querem?', mas nenhum conjunto de termos para definir essas metas ganhou aceitação ampla. Decidimos que a melhor maneira de abordar a questão era examinar as palavras que as pessoas costumam usar para descrever seus objetivos, e esperamos que nossas conclusões ajudem a obter um consenso máximo," disse o professor Ben Wilkowski, da Universidade de Wyoming (EUA).
Categorias de objetivos pessoais
Os pesquisadores começaram com uma lista de mais de 140.000 substantivos. Por meio de um intenso processo de classificação, a lista foi reduzida para 1.060 substantivos considerados relevantes para os objetivos humanos.
Então eles realizaram uma série de sete experimentos, envolvendo pesquisas com centenas de pessoas sobre seu compromisso de perseguir metas, o que permitiu chegar aos quatro componentes sob os quais todos os motivos humanos podem ser categorizados:
  • 1.Proeminência, ou destaque, que abrange objetivos que vão do poder e do dinheiro à perfeição e glória, mas reflete mais fortemente a busca pelo status social, o desejo de conquistar o respeito, a admiração e a deferência dos outros por meio de realizações.
  • 2.Inclusão, que abrange um objetivo de aceitar de forma aberta pessoas de todos os tipos.
  • 3.Prevenção da negatividade, que abrange metas para evitar uma ampla variedade de resultados negativos, incluindo conflito, desacordo, isolamento e discórdia social.
  • 4.Tradição, que inclui o desejo de defender as instituições de longa data da cultura de uma pessoa, incluindo religião, família, nação e outros valores de grupo.
"Nossos resultados sugerem que os aspectos mais amplos da motivação humana são de natureza predominantemente social," disse Wilkowski. "A 'necessidade de pertencer' e nossa natureza ultrassocial se refletem nas quatro categorias".
Objetivos humanos dividem-se em quatro categorias
Pode ser bom compartilhar seus objetivos - mas tenha cuidado com quem.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]
Condição humana
Embora os pesquisadores acreditem que as quatro categorias provavelmente se apliquem a muitas outras culturas industrializadas, eles reconhecem que são necessárias pesquisas em outros idiomas, uma vez que sua análise lidou apenas com o idioma inglês usado na cultura norte-americana.
"Por exemplo, 'igreja' não serviria como um bom marcador de tradição em culturas não-cristãs; e 'gordura' não serviria como um bom marcador de prevenção de negatividade em culturas onde a fome é uma preocupação maior que a obesidade," escreveram eles. "No entanto, sugerimos que os conceitos mais profundos subjacentes a essas quatro construções são relevantes para a condição humana em geral - pelo menos como experimentado em grandes culturas industrializadas".

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Bolsonaro diz que excludente de ilicitude em GLO impedirá certo tipo de protestos


TALITA FERNANDES, Folhapress 

Melhor do que não cometer erros é ASSUMÍ-LOS


No mercado de trabalho, reconhecer deslizes significa responsabilidade

Por Bernt Entschev

No mercado de trabalho, reconhecer deslizes significa responsabilidade
Não há situação mais desagradável no mercado de trabalho do que um gestor, ou mesmo um dono de empresa, se deparar com desculpas vazias, que tentam ofuscar algum deslize ou erro cometido por um funcionário. Na verdade, em nosso dia a dia, como cidadãos, como clientes ou até mesmo como membros familiares, não queremos ser impactados por esse tipo de atitude. 
Na ânsia de tentar tapar o sol com a peneira, pessoas que gostam de dar desculpas para tudo acabam por provocar o efeito contrário ao que almejam. Além do erro propriamente dito, começam a ter fama de serem boas em se tratando de arranjar “desculpas”. Cuidado para não fazer parte deste time. Se somos humanos, é claro, erramos – aliás, somente erra quem efetivamente faz algo. Se esse é o seu erro, não tenha medo; vá em frente, assuma a responsabilidade e procure não cometer esses deslizes.  
1. Eu não sabia – frase clássica que provoca a seguinte pergunta no interlocutor: “Então o que você está fazendo aqui?”. 
2. Não recebi o e-mail – Em vez disso, diga: “Não abri o seu e-mail. Vou checar e lhe dar o retorno o mais breve possível”. 
3. Isso sempre foi feito dessa maneira – Frase de quem não está nem um pouco preocupado com a empresa, ou com o seu público. 
4. Só fiz o que me mandaram – Demonstra limitação e falta de vontade. 
5. Já enviei o e-mail – Nem tudo é realizado somente por e-mail. Há situações em que o face to face é necessário. 
6. Fiz a minha parte – Demonstra individualismo e desinteresse pelo trabalho e pelas pessoas. 
7. Isso não é minha função – Foge do espírito de camaradagem, tão importante para o êxito das empresas. 
8. Já deu o meu horário – Demonstra que a pessoa é limitada e só está na empresa para receber um salário no final do mês. 
9. Esse cliente não é meu/esse problema não é meu – demonstra total falta de alinhamento com o todo. O cliente pode até não ser seu, mas é da empresa para a qual você trabalha e certamente ajuda a pagar os salários de todos. 
O ano vem se aproximando do final e aquelas famosas oportunidades de trabalho temporário começam a surgir. Então, preste atenção, principalmente você que deseja transformar o transitório em vaga efetiva ou descolar aquela boa referência para o mercado de trabalho: não cometa esses deslizes. Fuja das desculpas e prefira a responsabilidade e a sinceridade – seja qual for a situação. 

China e Índia: como vender mais o que tem MAIS VALOR?


O desafio para o Brasil continua sendo o de aumentar a participação de manufaturados na pauta de exportações

Por Milton Pomar

O desafio para o Brasil continua sendo o de aumentar a participação de manufaturados na pauta de exportações para China e ìndia
Passada a euforia proporcionada pelas possibilidades geradas nas reuniões em Brasília, dias 13 e 14 de novembro, dos presidentes e ministros da China, Índia, Rússia, África do Sul e Brasil, cabe agora se perguntar o básico: o que governos e empresas brasileiras farão, a partir de agora, para vender mais o que tem maior valor, principalmente para a China e a Índia, que serão as duas maiores economias do mundo, segundo o estudo “World in 2050: The Long View”, da PwC – cabendo aos Estados Unidos então um honroso terceiro lugar, seguido à distância pela Indonésia e o Brasil. Hoje, as populações da China e Índia somadas ultrapassam 3,7 bilhões de habitantes, dos quais mais de 1 bilhão consumidores efetivos.
Ainda que seja ótimo que as vendas de carnes para a China tenham aumentado muito em 2018 e este ano, e que tenham continuado em alta as dos demais produtos tradicionalmente exportados para lá, o desafio para os governos e empresas brasileiras continua sendo o de aumentar a participação de manufaturados na pauta de exportações para os dois países, e não apenas as quantidades de produtos básicos que a China e a Índia compram do Brasil. Isso porque a análise qualitativa do comércio em 2018 com os dois gigantes asiáticos revela que continuamos comprando quase que só manufaturados da China (97,8%) e da Índia (94,9%), e vendendo muito mais produtos básicos (88,9% e 40,7%, respectivamente), de acordo com os dados disponíveis no site do MDIC.
Na prática, esse desafio de alterar significativamente a pauta de exportações do Brasil para seu maior parceiro comercial desde 2009 (China), e também para a Índia – que poderá se tornar o segundo maior importador em poucos anos –, implica em grandes mudanças estruturais no tocante à logística, disponibilidade e custos do capital, recuperação da importância da indústria na economia nacional e expansão da economia criativa. Tudo isso é imprescindível para que o Brasil possa encarar a concorrência mundial em preço, qualidade e inovação tecnológica.
Os números da balança comercial são eloquentes a esse respeito: a maior venda do Brasil para a Índia ocorreu em 2012, com US$ 5,5 bilhões exportados. Ano passado as vendas caíram para US$ 3,9 bilhões. Em contrapartida, o recorde de vendas da Índia para o Brasil ocorreu em 2014, com US$ 6,6 bilhões, quase o dobro dos US$ 3,7 bilhões de 2018. Com a China, as exportações em 2018 foram recordes, com US$ 63,9 bilhões e saldo positivo para o Brasil de US$ 29,2 bilhões. Como as importações do Brasil representam menos de 3% do que a China compra do mundo, e apenas 1,2% de tudo o que a Índia importa, há ainda muito espaço para crescimento das vendas brasileiras para os dois países. Saberemos que essa realidade estará começando a mudar, quando houver menos empresários brasileiros indo comprar nas centenas de feiras que ocorrem anualmente na Índia e na China, e mais estandes de empresas brasileiras vendendo, a exemplo do que fazem as empresas alemãs, espanholas, norte-americanas e francesas.

ICMS é um dos predadores da indústria brasileira de fertilizantes

“O ideal seria um imposto único sobre valor agregado”, defende Lair Hanzen

Por Karine Menoncin

karine.menoncin@amanha.com.br
Para Lair Hanzen, ICMS é um dos predadores da indústria brasileira de fertilizantes
Se o Brasil é o celeiro do mundo, muito deve-se aos fertilizantes, que possibilitaram o aumento da produção independentemente da expansão das terras agriculturáveis. Dos anos 1990 até 2018, o consumo global subiu 40%, enquanto o uso nacional de fertilizantes praticamente quadruplicou. Ano após ano, o agronegócio verde-e-amarelo bate recordes no consumo de fertilizantes, mas boa parte do que é utilizado no solo brasileiro vem de fora. Fatores como tributação e indisponibilidade de recursos naturais fazem com que mais de 80% dos químicos sejam importados. 
A alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) de fertilizantes é um dos grandes impeditivos para a competitividade do setor, defende Lair Hanzen (foto), presidente da Yara Brasil, já que a venda interestadual é taxada em um percentual acima do imposto que incide para os fertilizantes estrangeiros entrarem no país. “O governo, em geral, está endereçando questões. Mas a maior batalha será a Reforma Tributária, que interfere diretamente no agronegócio. O ideal seria um imposto único sobre valor agregado”, acredita Hanzen. Aliado à precariedade da infraestrutura e da logística local, também há a questão dos fretes. “Balizar preços é fora da sintonia com uma economia moderna. É um exemplo muito negativo da interferência do Estado”, exemplifica. O executivo esteve no evento Tá na Mesa, tradicional evento promovido pela Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul) nesta quarta-feira (27), em Porto Alegre. 
Com expectativa de crescimento entre 1% e 2%, o setor assiste de forma positiva a alta do câmbio. Ainda que substâncias químicas, como cloreto de potássio, nitrogênio e fosfato, sejam massivamente importadas, o dólar favorece a comercialização de commodities. “Dólar forte é bom para a agricultura. Mais preocupante que o valor, é a variação cambial. O produtor está mais capitalizado e os bancos também estão vendo nisso uma oportunidade”, acredita Hanzen. 
Para diminuir a dependência das importações, a Yara tem focado em dois projetos. O Complexo Mineroindustrial de Serra do Salitre (CMISS), em Minas Gerais, está em fase de conclusão da planta química, com entrega total do projeto já no ano que vem. A planta permite substituir a importação de 400 mil toneladas por ano do composto químico P2O5. Já no Rio Grande do Sul, as obras do Complexo de Rio Grande (RS) devem terminar na metade de 2020. O empreendimento está recebendo investimentos de quase R$ 2 bilhões para ser transformado no maior em fertilizantes na América Latina. “Vai duplicar a capacidade de produção e mistura e será a nossa primeira planta totalmente automatizada. A primeira do país com ensaque e carregamento sem contato humano. Queremos terminar com o carregamento das sacas por trabalhadores em todas as nossas novas plantas”, revela o presidente. A empresa pretende chegar a 2025 com capacidade produtiva anual de 2,6 milhões de toneladas. Hoje, a Yara detém 25% do market share nacional e 35% do mercado gaúcho.
A estimativa é que o complexo situado no Rio Grande do Sul suprirá a demanda dos agricultores brasileiros de vários estados nos próximos 25 anos. O projeto prevê a inauguração de novos armazéns, instalação de novas plantas de granulação, de acidulação e de ensacados (50 quilos) e big bags (1 tonelada) totalmente automatizadas. Em produção, a Yara vai passar, após a conclusão dos investimentos, de 750 mil de toneladas para 1,2 milhão de toneladas de fertilizantes/ano, enquanto em distribuição, a empresa irá de 1,7 milhão para 2,5 milhões da capacidade de ensaque e mistura (para o cliente final), além de mais 1 milhão de toneladas endereçadas à outras unidades da Yara. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Qaundo NÃO ESPERA NADA de ninguém, você vive muito melhor!

4min. de leitura
Muitas vezes em nossas vidas, temos a tendência de esperar que outras pessoas resolvam nossos problemas ou nos forneçam aquilo que falta em nós mesmos.

Podemos fazer isso inconscientemente, porque a dependência se instala em nós com muita sutileza, e quando percebemos já estamos nesse ciclo vicioso de depender do outro para vivermos bem e felizes.

No entanto, depender de outra pessoa nunca nos trará uma felicidade completa, porque nós somos os donos do nosso próprio destino, e não nascemos para seguir os direcionamentos de outras pessoas.
Libertar-nos da dependência de outras pessoas é a melhor coisa que podemos fazer por nós mesmos. Quando isso acontece, aprendemos a confiar mais em nós e alcançamos a paz de não viver de expectativas.
Além disso, nosso relacionamento com nós mesmos e com as pessoas ao nosso redor se tornam mais verdadeiros, fortes, honestos.

Quando aprendemos a viver por nós mesmos, sem esperar nada de ninguém, permitimos que nossa vida flua naturalmente e nos surpreenda.

Não nos limitamos por conta de outras pessoas, pelo contrário, vivemos e deixamos viver, entendemos que cada um é responsável pela própria felicidade e que colocar sua vida na mão do outro é falta de autorrespeito.
Ao deixarmos de esperar que as pessoas resolvam nossos problemas e começarmos a nos responsabilizar totalmente por eles, temos mais liberdade para criar as vidas que realmente desejamos viver e criamos um ambiente mais positivo ao nosso redor, elevando nossas vibrações.
Por mais que nem sempre isso nos impeça de criar expectativas por algumas coisas, ao menos nos impede de sabotarmos nossas próprias vidas, porque muitas vezes passamos mais tempo pensando no que outro está fazendo do que em nós mesmos.

Devemos aprender a nos colocar em primeiro lugar e guiarmos as nossas vidas da maneira que nos faz mais felizes.

Faz parte do direito de cada um decidir o que fazer com a própria vida e ser feliz assim, mesmo que as escolhas não correspondam aos desejos do outro. A vida não espera por ninguém e cada dia que passamos vivendo uma realidade que não nos agrada é uma oportunidade que perdemos de ser felizes.
Quando paramos de esperar o outro, vivemos muito melhor.
As coisas nem sempre sairão como esperamos, mas ainda assim é melhor sabermos que estamos no controle de nossas vidas do que nos conformarmos em sermos guiados por outras pessoas, que muitas vezes nem têm os melhores interesses em seus corações.
Aprendamos a agradecer pelas bênçãos e lições que a vida coloca em nossos caminhos ao invés de nos lamentarmos pela má sorte e entregarmos nosso futuro nas mãos de outras pessoas.
Assuma a responsabilidade por criar a vida dos sonhos, mas comece aceitando a sua realidade atual e crescendo a partir daí. Não se iluda imaginando que o outro poderá resolver tudo para você em um piscar de olhos.

Espere mais de si mesmo e menos dos outros. Comece a agir e perceberá que quanto mais você age, mais a vida coloca em seu caminho.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: Oleksandr Storozhuk / 123RF Imagens



O BOM HUMOR é mais atraente do que a beleza física

O bom humor é bem mais atraente do que a beleza física. De nada adiantam músculos em quem vive com cara amarrada.

Em tempos de competitividade exacerbada em todos os setores possíveis, de status social sobrepujando as interações afetivas, de valores éticos atropelados pelo sucesso a qualquer preço, de violência e de tristeza generalizada, o bom humor virou artigo de luxo. Muitos de nós sorrimos apenas para cumprir formalidades, de tantas atribulações que nos consomem diariamente.
Por isso mesmo, é preciso manter algo de bom dentro de si, rir do que é engraçado, brincar com o que é permitido, gargalhar de si mesmo, inclusive. Não se trata de rir feito bobo, de tudo, indiscriminadamente, ou rir de nervoso, mas sim de realmente ter prazer e ânimo frente ao que é bom, engraçado, divertido. Conseguir achar graça no que carrega humor é uma das melhores coisas que existem.

Infelizmente, muita gente confunde bom humor com imaturidade, como se precisássemos ser sérios e sisudos para parecermos adultos maduros e respeitados.

Tem gente que não se permite rir num ambiente de trabalho, em lugares estranhos, ou perto de desconhecidos. São pessoas que atrelam a maturidade e a responsabilidade tão somente ao silêncio e a expressões faciais em que não há esboço de sorriso algum. Mal sabem que dá para ser maduro, comprometido, responsável e bem humorado.

Sim, o bom humor pode ser acompanhado de seriedade, responsabilidade, comprometimento, maturidade, simplesmente porque quem sorri transmite mais cordialidade e sentimentos, e isso denota confiabilidade. Tendemos a confiar em quem tem bom humor, porque nossa alma precisa de respiro, de descanso, de ternura, e o ato de rir contém tudo isso. O bom humor, inclusive, denota sabedoria, pois humor inteligente não é para qualquer um.
Em vista disso, o bom humor acaba se tornando bem mais atraente do que a beleza física, principalmente por ser uma característica das pessoas inteligentes e, fato inconteste, a inteligência é afrodisíaca, é sexy.

O bom humor acompanhará a pessoa pelo resto da vida, enquanto a beleza física quase sempre terá fim. No mais, de nada adiantam músculos em quem vive com a cara amarrada.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: vagengeym/123RF Imagens.