segunda-feira, 31 de maio de 2021

Número de bilionários latino-americanos aumenta 40% durante a pandemia de coronavírus

As 107 pessoas mais ricas da região têm um patrimônio líquido conjunto de 480 bilhões de dólares. O PNUD pede “políticas públicas e regulatórias” para evitar que o fosso continue crescendo

Vista aérea de Punta Mita, um dos destinos mais caros e luxuosos do México.
Vista aérea de Punta Mita, um dos destinos mais caros e luxuosos do México.  
Ignacio Fariza    
28 mai 2021

Mais notícias sobre economia

Os dois extremos da escala econômica latino-americana emergirão da pandemia de coronavírus muito mais populosos do que eram antes do estouro da crise sanitária. O inferior, porque o número de pessoas que vivem na pobreza —como tem documentado todos os anos uma das principais organizações regionais e internacionais— não parou de crescer nos últimos meses, ganhando terreno da ainda incipiente classe média. O superior, porque os mais ricos entre os ricos conseguiram ampliar ainda mais seus ativos já vultosos graças à revalorização das Bolsas de valores.

Os últimos dados da revista Forbes são nítidos: na América Latina e no Caribe —a região mais desigual do mundo— o número de bilionários aumentou 40% desde o início da pandemia. No início de 2020, quando o vírus tinha acabado de irromper e ninguém ainda imaginava o que estava por vir, havia 76 latino-americanos que possuíam 1 bilhão de dólares (5,22 bilhões de reais) ou mais em ativos, com um patrimônio conjunto de 284 bilhões de dólares (cerca de 1,5 trilhão de reais). Na lista de 2021, publicada em março, eram 105, com 448 bilhões de dólares (cerca de 2,4 trilhões de reais) acumulados. E na última atualização, em meados de maio, já havia 107 com um patrimônio conjunto de 480 bilhões. O patrimônio acumulado por essa centena de fortunas, para contextualizar, seria suficientes para comprar uma vez e meia todas as empresas listadas no principal índice da Bolsa de valores do México.

A classificação dos bilionários latino-americanos é encabeçada, uma constante há anos, pelo mexicano Carlos Slim (dono da América Móvil), que com sua família tem uma fortuna de 70 bilhões de dólares. Em seguida, o mexicano Germán Larrea (Grupo México) acumula patrimônio líquido de 26 bilhões de dólares e o brasileiro Jorge Paulo Lemann (Anheuser-Busch InBev), de pouco mais de 20 bilhões de dólares.

De acordo com o estudo desses dados realizado por técnicos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), 75% dos bilionários latino-americanos têm nacionalidade brasileira ou mexicana, de longe os países mais populosos do bloco

 

domingo, 30 de maio de 2021

Arroz doce de micro-ondas

29 mai 2021

Guia da Cozinha - Arroz doce de micro-ondas para saborear em família
Guia da Cozinha - Arroz doce de micro-ondas para saborear em família
Foto: Guia da Cozinha

Já estamos quase em época de festa junina, né? O período de provar deliciosas comidas típicas, como pamonha e milho, está se aproximando. E nada melhor do que colocar a mão na massa para fazer uma receita fácil e queridinha. Estamos falando do saboroso arroz doce! Claro que não separaríamos qualquer receita, esta opção fica pronta em apenas 30 minutos e o melhor: pode ser feita no micro-ondas. Faça hoje mesmo e deixe a casa toda em clima de festa junina! 

Tempo: 30min

Está gostando da notícia? Quer receber nossas receitas fáceis e saborosas?
Ativar notificações

Rendimento: 8 porções

Dificuldade: fácil

Ingredientes do arroz doce de micro-ondas

  • 1 xícara (chá) de arroz lavado e escorrido
  • 3 xícaras (chá) de água
  • 1 lata de leite condensado
  • 100g de coco ralado
  • Canela em pó e em pau para decorar

Modo de preparo

Coloque o arroz e a água em um recipiente de vidro ou de plástico que possa ir ao micro-ondas. Cubra com uma tampa própria para micro-ondas e leve ao forno micro-ondas por 15 minutos, em potência alta, ou até quase secar toda a água e o arroz amaciar.

Retire, misture o leite condensado, o coco e volte ao micro-ondas por 5 minutos ou até o leite condensado incorporar ao arroz, mexendo na metade do tempo para não derramar. Deixe amornar, transfira para refratários ou cumbucas individuais, decore com canela em pó e em pau, e sirva em seguida.

COLABORAÇÃO: Ângela Cardoso/Fernando Santos

Guia da Cozinha
Publicidade

 

sábado, 29 de maio de 2021

Assado de carne-seca e abóbora

29 mai 2021 

Guia da Cozinha - Assado de carne-seca e abóbora para o almoço
Guia da Cozinha - Assado de carne-seca e abóbora para o almoço
Foto: Guia da Cozinha

Que tal uma receita deliciosa e especial para fazer e agradar sua família no final de semana? Experimente esta receita de assado de carne-seca com abóbora, que fica muito saborosa e vai surpreender a todos!

Tempo: 2h30 (+24h de molho)

Está gostando da notícia? Quer receber nossas receitas fáceis e saborosas?
Ativar notificações

Rendimento: 5 porções

Dificuldade: fácil

Ingredientes do assado de carne-seca com abóbora

  • 1kg de carne-seca em cubos
  • 2 cebolas em tiras
  • 3 dentes de alho picados
  • 1/3 de xícara (chá) de azeite
  • 1/2 xícara (chá) de água
  • 1/2 xícara (chá) de molho de tomate
  • Sal e pimenta do reino a gosto
  • 500g de abóbora cabotiã em cubos
  • 1/2 xícara (chá) de cheiro verde picado

Modo de preparo

Coloque a carne-seca em uma tigela, cubra com água e deixe de molho por 24 horas, trocando a água por 4 vezes.

Escorra, coloque em uma fôrma, adicione a cebola, o alho, o azeite, a água, o molho de tomate, sal e pimenta.

Cubra com papel alumínio e leve ao forno médio, preaquecido, por 1 hora e 30 minutos.

Retire, adicione a abóbora temperada com o cheiro verde, sal e, se necessário, coloque mais água.

Cubra com papel alumínio e volte ao forno por mais 30 minutos ou até a carne e a abóbora amaciarem.

Transfira a carne com a abóbora para uma travessa e sirva em seguida.

COLABORAÇÃO: Ângela Cardoso/Fernando Santos

Guia da Cozinha
Publicidade

 

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Imunidade ao coronavírus pode durar anos, dizem cientistas

The New York Times Coronavírus

Estudos sugerem que quem se recuperou da Covid-19 e foi vacinado continuará com níveis altos de proteção contra novas variantes, mesmo sem dose de reforço



Apoorva Mandavilli 
 
The New York Times

A imunidade ao coronavírus dura pelo menos um ano e melhora com o tempo, especialmente depois da vacinação, segundo dois novos estudos. As conclusões podem ajudar a acalmar temores constantes de que a proteção contra o vírus terá curta duração.

Juntos, esses estudos sugerem que a maioria das pessoas que se recuperaram da Covid-19 e depois foram imunizadas não precisarão de doses de reforço.

As pessoas vacinadas que não foram infectadas provavelmente precisarão de mais doses, assim como uma minoria que foi infectada mas não produziu uma reação imune potente.

Os dois trabalhos examinaram pessoas que tinham sido expostas ao coronavírus cerca de um ano antes. Células que guardam uma memória do vírus persistem na medula óssea e podem produzir anticorpos sempre que necessário, segundo um dos estudos, publicado na segunda-feira na revista científica Nature.

O outro estudo, que está sob revisão para ser publicado também na Nature, descobriu que essas células B de memória continuam amadurecendo durante pelo menos 12 meses depois da infecção inicial.

"Os trabalhos são coerentes com o crescente corpo de literatura científica que sugere que a imunidade produzida por infecção e vacinação para o Sars-CoV-2 parece ser duradoura", diz Scott Hensley, imunologista na Universidade da Pensilvânia, que não participou da pesquisa.

Os estudos podem acalmar os temores de que a imunidade ao vírus seja passageira, como é o caso dos coronavírus que causam resfriados comuns. No entanto, aqueles vírus mudam de modo significativo em intervalos de alguns anos, afirma Hensley. "O motivo pelo qual nos infectamos com coronavírus repetidamente durante a vida pode ter muito mais a ver com a variação desses vírus do que com imunidade."

Na verdade, as células B de memória produzidas em reação à infecção por Sars-CoV-2 e reforçadas com a vacinação são tão potentes que dominam até variantes do vírus, negando a necessidade de reforços, segundo o brasileiro Michel Nussenzweig, imunologista na Universidade Rockefeller em Nova York que liderou o estudo sobre maturação da memória.

"As pessoas que foram infectadas e depois vacinadas realmente têm uma reação excelente, um ótimo conjunto de anticorpos, porque elas continuam evoluindo seus anticorpos", afirmou. "Eu acredito que eles vão durar muito tempo."

O resultado talvez não se aplique à proteção obtida só com as vacinas, porque a memória imune provavelmente será organizada de modo diferente depois da imunização, comparada com a que se segue à infecção natural.

Isso significa que as pessoas que não tiveram Covid-19 e foram imunizadas poderão precisar de uma dose de reforço, disse Nussenzweig. "É o tipo de coisa que saberemos muito em breve."

Ao encontrar o vírus pela primeira vez, as células B rapidamente proliferam e produzem anticorpos em grande quantidade. Quando a infecção aguda é resolvida, um pequeno número de células se instala na medula óssea e bombeia para fora constantemente pequenos níveis de anticorpos.

Para examinar células B de memória específicas do novo coronavírus, pesquisadores chefiados por Ali Ellebedy, da Universidade de Washington em St. Louis, analisaram o sangue de 77 pessoas em intervalos de três meses, começando aproximadamente um mês depois da infecção pelo coronavírus. Somente seis das 77 tinham sido hospitalizadas por Covid-19; as demais tiveram sintomas leves.

Os níveis de anticorpos nesses indivíduos caiu rapidamente quatro meses depois da infecção e continuou diminuindo lentamente durante os meses seguintes. Os resultados estão de acordo com os de outros estudos.

Alguns cientistas interpretaram essa redução como um sinal de diminuição da imunidade, mas é exatamente o que se esperava, segundo especialistas. Se o sangue contivesse altas quantidades de anticorpos para cada patógeno que o corpo encontrasse, rapidamente se transformaria em uma gosma espessa.

Em vez disso, os níveis de anticorpos no sangue caem acentuadamente depois de uma infecção aguda, enquanto as células B de memória continuam na medula óssea, prontas para entrar em ação quando necessário.

A equipe de Ellebedy obteve amostras de medula óssea de 19 pessoas aproximadamente sete meses depois que elas foram infectadas. Quinze tinham células B de memória detectáveis, mas quatro não tinham, sugerindo que algumas pessoas podem ter muito poucas dessas células ou nenhuma.

"Isso me diz que mesmo quando uma pessoa é infectada não significa que ela tenha uma ótima reação imune", disse Ellebedy. As conclusões reforçam a ideia de que as pessoas que se recuperaram de Covid-19 devem ser vacinadas, disse ele.

A equipe de Nussenzweig examinou como as células B de memória amadurecem com o tempo. Os pesquisadores analisaram o sangue de 63 pessoas que haviam se recuperado da Covid-19 cerca de um ano antes. A vasta maioria dos participantes teve sintomas brandos, e 26 também tinham recebido pelo menos uma dose de vacina, da Moderna ou da Pfizer/BioNTech.

Os chamados anticorpos neutralizantes, necessários para evitar a reinfecção pelo vírus, continuavam inalterados entre 6 e 12 meses, enquanto anticorpos relacionados, mas menos importantes, lentamente desapareciam, segundo descobriu a equipe.

Enquanto as células B de memória continuavam evoluindo, os anticorpos produzidos por elas desenvolviam a capacidade de neutralizar um grupo ainda maior de variantes. Essa maturação constante pode resultar de um pequeno pedaço do vírus que é sequestrado pelo sistema imune.

Os resultados do estudo de Nussenzweig sugerem que as pessoas que se recuperaram da Covid-19 e depois foram vacinadas continuarão tendo níveis extremamente altos de proteção contra variantes que venham a surgir, mesmo sem terem recebido uma vacina de reforço.

"Parece quase exatamente o que esperaríamos da reação de uma boa célula B de memória", disse Marion Pepper, imunologista na Universidade de Washington em Seattle, que não participou da nova pesquisa.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

Mesmo assintomáticos, vacinados e curados de covid-19 podem transmitir o vírus

Pandemia de coronavírus     

Mesmo assintomáticos, vacinados e curados de covid-19 podem transmitir o vírus

Imunizados propagam o coronavírus quando suas defesas imunológicas não atingem a eficiência total, segundo vários estudos

Profissional colhe amostra de uma mulher para exame PCR no hospital militar de Sevilha (Espanha), neste mês.
Profissional colhe amostra de uma mulher para exame PCR no hospital militar de Sevilha (Espanha), neste mês.
PACO PUENTES   
Raúl Limón  
 
26 mai 2021 - 8:41 GMT-4

Aviso aos leitores: o EL PAÍS mantém abertas as informações essenciais sobre o coronavírus durante a crise. Se você quer apoiar nosso jornalismo, clique aqui para assinar.

Casos de covid-19 entre pessoas que já haviam tido a doença ou se vacinaram são raros. Mas ocorrem e são motivo de atenção: ainda é cedo para o vale-tudo, para a volta à normalidade absoluta. Diversos estudos detectaram infecções entre 10% e menos de 1% das pessoas já imunizadas, segundo o momento, o coletivo, o local da pesquisa e a pauta de vacinação. Estas pessoas, assintomáticas na maioria dos casos graças à imunidade natural ou induzida pelas vacinas, ainda conservam durante um tempo a capacidade de abrigar e propagar o coronavírus, mesmo sem desenvolverem a doença. Para evitar o risco de propagação dos contágios, adverte Guillermo López Lluch, catedrático de Biologia Celular da Universidade Pablo de Olavide (UPO), em Sevilha (Espanha), é preciso “alcançar a imunidade coletiva mais ampla possível no menor prazo de tempo”. “É uma corrida contra o vírus”, diz.

Mais informações

O biólogo viu de perto um imunizado sendo infectado. Tratava-se de uma pessoa próxima a ele, de 92 anos e já vacinada com as duas doses prescritas, que precisou ser internado no setor de ortopedia de um hospital de Córdoba, no sul da Espanha. Ao passar por um exame de rotina, deu positivo para covid-19 apesar de não ter sintomas compatíveis com a doença.

Jocelyn Keehner e Lucy E. Horton, junto a outros membros da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e San Diego (UCSD), publicaram em março na revista The New England Journal of Medicine os resultados de uma pesquisa interna: “O risco absoluto de dar positivo para o SARS-CoV-2 [coronavírus causador da covid-19] depois da vacinação foi de 1,19% entre os trabalhadores sanitários da UCSD e de 0,97% entre os da UCLA; estas taxas são superiores aos riscos notificados nos ensaios da vacina contra o coronavírus ARNM-12731 [Moderna] e a vacina BNT162b2.2 [Pfizer-BioNTech]”.

O estudo aponta as mesmas conclusões, embora com diferentes cifras, de outro trabalho publicado no mês passado pelos Centros para o Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e outros anteriores que saíram na Nature e British Medical Journal.

Todos esses trabalhos confirmam a existência de infecções em imunizados, embora seu registro seja raro. López Lluch aventa uma razão: “É muito provável que os casos sejam mais numerosos que os detectados, já que, na maioria das ocasiões, não produzem sintomas e, portanto, essas pessoas, que são consideradas imunizadas, não são encaminhadas para exame PCR”. Mark Pandori, diretor do laboratório de Saúde Pública de Nevada, concorda: “Estamos subestimando os casos de reinfecção. São muito difíceis de determinar, são necessários equipamentos especializados para fazer esse trabalho ou um laboratório central”, explica ele na Scientific American.

López Lluch remete a um recente estudo publicado na The Lancet para argumentar que, embora a resposta imunológica gerada pela vacinação ou pelo próprio corpo previna o contágio e as sequelas mais graves da covid-19, existem imunizados que se infectam e podem ser um foco de dispersão do vírus, mesmo que mostrem sintomatologia leve ou nula.

O especialista em biologia celular explica que a causa é a carga viral, a quantidade de vírus que circula no organismo do infectado. As pessoas imunizadas dispõem de uma linha de defesa formada pelos linfócitos B e T. “Os primeiros produzem os anticorpos, atrapalham o vírus para que não se introduza na célula. Os segundos o atacam diretamente e geram intermediários, como o interferon, as proteínas que apontam a presença de um vírus e impedem sua proliferação”, diz ele, numa explicação simplificada.

Mas enquanto este sistema age para eliminar a infecção, uma pessoa, embora não desenvolva a doença, pode manter uma determinada carga viral. Nesse sentido, López Lluch explica que “a imunidade é uma questão de dias. Enquanto não estivermos imunes, o vírus ou o agente patogênico tem muito tempo para provocar danos que se refletem nos sintomas, que são mais graves. As defesas de nosso corpo são ineficientes e levam tempo, entre 10 e 14 dias, para se ativarem completamente. Quando estamos imunes, a resposta dos linfócitos B e T é mais rápida, e o agente patogênico tem menos tempo para provocar danos. Porém, se alguém imunizado, mas com carga viral, emite aerossóis na frente de alguém que não tem as mesmas defesas, pode contagiar. Se a outra pessoa estiver imunizada, a possibilidade de a doença se espalhar é mínima”.

Por esta razão, o biólogo da UPO aponta a importância de manter as medidas preventivas comuns até que a vacinação seja geral. Essa realidade mudará, observa López Lluch, quanto mais rápida e abrangente for a campanha de vacinação. “Enquanto não se obtiver a imunidade de rebanho”, conclui o especialista, “as mutações que dão maior infectividade ao vírus terão maior capacidade de se propagarem para mais pessoas”.

As variantes de rápida propagação do coronavírus acarretam mutações que lhe permitem escapar de parte da resposta imunológica criada naturalmente ou pela vacinação, segundo um novo estudo publicado na Science por cientistas dos EUA, Alemanha e Países Baixos. Os pesquisadores se centraram principalmente em três mutações: K417N, E484K e N501Y. Sós ou combinadas, elas se encontram na maioria das principais variantes do SARS-CoV-2 e afetam a espícula, a estrutura pontiaguda que permite ao vírus entrar na célula humana. Os cientistas determinaram que alguns anticorpos perdem a capacidade de neutralizar eficazmente o vírus quando as mutações estão presentes.

Reinfecções

A importância da vacinação maciça que inclua todas as faixas etárias é respaldada também pelo neurologista Seth M. Glickenhaus, da Faculdade de Medicina Monte Sinai (EUA), autor principal de um estudo sobre a reinfecção em jovens publicado na The Lancet. “Nossas conclusões indicam que a reinfecção pelo SARS-CoV-2 acontece em adultos jovens. Apesar de ter sofrido uma infecção prévia, os jovens podem contrair o vírus novamente e ainda podem transmiti-lo aos outros. Este é um ponto importante a conhecer e recordar à medida que as vacinas continuam sendo administradas. Os jovens devem receber a vacina sempre que for possível, já que a vacinação é necessária para aumentar as respostas imunológicas, prevenir a reinfecção e reduzir a transmissão.”

 

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Por que o desmatamento na Mata Atlântica persiste

Meio ambiente

Levantamento anual mostra que, a cada dia, 36 campos de futebol da vegetação mais ameaçada do país desaparecem. A maior parte do desmatamento é ilegal, diz SOS Mata Atlântica.

Mata Atlântica

Dos 1,3 milhão de km² originais da Mata Atlântica, apenas 12% permanecem.

Depois de um ano de alta, o desmatamento na Mata Atlântica registrou uma leve queda entre 2019 e 2020. Um monitoramento anual feito pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostra que 130 km² foram devastados, 9% a menos que no período anterior

A notícia, divulgada nesta quarta-feira (26/05), não é motivo de comemoração. "Essa pequena redução não indica tendência de queda geral, porque foi 14% maior que o observado em 2018", justifica Fernando Guedes Pinto, diretor de conhecimento da SOS Mata Atlântica.

Em 2018, o total da devastação no bioma, o mais ameaçado do país, atingiu o menor índice desde 1989, quando o monitoramento começou. "A gente ainda está numa fase estável de desmatamento, que é considerado muito alto para a situação da Mata Atlântica", afirma Pinto.

É como se, a cada dia, 36 campos de futebol cobertos com a vegetação nativa desaparecessem. Dos 1,3 milhão de km² originais, apenas 12% permanecem.

Dos 17 estados que têm o bioma em seus territórios, Minas Gerais, Bahia e Paraná foram os campeões em destruição, mostra o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica. Nesses locais, a derrubada se deve principalmente ao aumento de áreas de cultivo.

"Ainda temos desmatamento porque há uma grande pressão da expansão da agricultura e das cidades, causada pela especulação imobiliária em volta das grandes cidades e do litoral", detalha Pinto, lamentando a alta registrada em dez estados. "Muitas áreas estão sendo liberadas para a construção de condomínios", complementa.

Em relação ao período de 2018-2019, o grupo de estados onde o desmatamento foi praticamente zero caiu. Isso foi registrado em Alagoas, Ceará, Goiás, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Ilegalidade à brasileira

Segundo a SOS Mata Atlântica, a maior parte do corte da mata ocorre de forma ilegal. "Há uma lei que protege o bioma. Os desmatamentos deveriam ser autorizados em condições excepcionais e não deveriam alcançar todo esse valor", complementa, fazendo referência à Lei da Mata Atlântica (11.428/2006).

Numa outra plataforma de análise de desmatamento, a MapBiomas, 3.070 alertas de destruição do bioma foram registrados em 2020. Desses, mais de 99% vieram de locais que não tinham autorização para o corte das árvores (3.048).

A persistência do desmatamento nessa mata proporcionalmente mais destruída do país teria a ver com o ambiente institucional brasileiro, opina Pinto. "Há um clima que convida ao desmatamento com uma expectativa de impunidade, de retrocessos ambientais, e de enfraquecimento dos órgãos de fiscalização", detalha.

Em abril do ano passado, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, propôs a Jair Bolsonaro alterações na lei da Mata Atlântica. Além de permitir o desmatamento sem um parecer obrigatório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para áreas com até 150 hectares, a norma excluiria alguns tipos de vegetação nativa da obrigatoriedade de proteção.

"O marco legal da Mata Atlântica foi agredido, nessa tentativa de retrocesso, que não houve. Mas não deixa de ser convite para pessoas desrespeitarem a lei na expectativa de não serem punidas", argumenta Pinto.

Agenda de restauração

O Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica mostra ainda que o pouco que sobrou do bioma no país está bastante fragmentado, em áreas reduzidas e particulares - que é o caso de 80% delas.

O potencial para restauração, por outro lado, é grande. Se o Código Florestal fosse cumprido, por exemplo, a floresta poderia ocupar de 40 mil km² a 50 mil km² só de Áreas de Preservação Permanentes (APP). Segundo a legislação, esses territórios precisam ser protegidos devido às suas funções ambientais vitais, como preservação de água, biodiversidade, etc.

Um levantamento específico feito em parceria com o GeoLab, ligado ao Departamento de Ciência do Solo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP), concluiu que só o estado de São Paulo teria um déficit estimado em 77 mil km² de APPs, a maior parte (67 mil km²) de Mata Atlântica.

Para Marie-Anne van Sluys, professora do Instituto de Biociências da USP e membro da coordenação adjunta de Ciências da Vida da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a ciência tem dado valiosas contribuições sobre a importância da restauração.

"Iniciativas de longo prazo na pesquisa continuada permitiram que tivéssemos um conjunto de dados que fortalece a necessidade de conservação. Os resultados mostram que valem a pena sob o ponto de vista da biodiversidade, da geração da água e de diversos serviços ecossistêmicos", afirma van Sluys.

Em 2019, um estudo internacional liderado pelo brasileiro Pedro Brancalion, também da USP, mostrou que o Brasil e a Mata Atlântica são os campeões de áreas importantes para restauração. O mapa gerado durante as análises mostra a costa brasileira, originalmente coberta por floresta tropical, como a área com maior potencial. Nessas zonas, argumenta o artigo, seria mais fácil gerir projetos de recuperação de pastagens ou em declives onde a rentabilidade é baixa.

O reflorestamento é parte importante do esforço global para frear o aquecimento do planeta e as mudanças climáticas. A promessa brasileira feita ao assinar o Acordo de Paris, em 2015, dizia que o país recuperaria 120 mil km² de áreas desmatadas até 2030.

A meta, por outro lado, está longe de ser alcançada: um levantamento feito pelo Observatório da Restauração e Reflorestamento, da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, mostra que, até agora menos de 1% foi cumprido.

Para que essa situação mude, afirma van Sluys, é preciso engajamento. "É urgente envolver toda a sociedade e que haja o entendimento de que essa vegetação é um bem a ser preservado", opina.


Saiba como usar o Pix com segurança


O Pix é sinônimo de segurança.
Por isso, para te ajudar a se manter seguro e aproveitar essa novidade, trouxemos algumas informações para que você saiba como se prevenir de tentativas de golpes que mencionem o Pix.

Veja como acontecem esses golpes:

1

Você recebe uma ligação ou mensagem de um golpista se passando por funcionário do banco, na qual ele busca te induzir a cadastrar ou confirmar a chave Pix;

2

Para confirmar o procedimento, ele solicita a sua senha e/ou código iToken. Em alguns casos o golpista pode solicitar os dados de cartão de crédito, como código CVV, número e validade do cartão;

3

Nas situações em que ele liga, durante o contato, ele informa um site falso do Itaú ou envia uma mensagem SMS com link para ele, orientando que você o acesse para efetivar um cadastro que irá pegar seus dados;

4

Nos casos em que ele envia mensagens, elas já chegam para você com o link e, ao clicar, você será levado para a página falsa que pedirá seus dados;

5

Após você informar senhas e dados pessoais e bancários, o golpista os utiliza para realizar fraudes.

Sabendo disso, veja o que você pode
fazer para se prevenir:

Nunca

forneça senha, código iToken ou dados de cartão de crédito em ligações ou mensagens que receber.

Nunca

realize transferências, TEDs, DOCs ou pagamentos para fazer um teste para o Pix.

Nunca

permita que acessem seu computador remotamente para habilitação do Pix.

Sempre

faça o cadastro das suas chaves Pix nos canais oficiais do banco.

Sempre

ignore ligações ou mensagens que receber pedindo senha, código iToken e/ou dados de cartão de crédito para cadastramento da chave Pix

Sempre

recuse solicitações de acesso remoto para suposta manutenção em seu computador para poder usar o Pix.

 

quarta-feira, 26 de maio de 2021

O que o Google sabe sobre você e como apagar as informações

Que o Google tem funcionalidades muito úteis, isso todo mundo sabe. Mas você pode se assustar com a quantidade de informações que ele tem sobre você. Praticamente um espião informal.

Existe uma galera que acha que isso tudo muito invasivo. Nós separamos algumas dicas pra você continuar tranquilo usando o Google e manter a sua privacidade.

Em seu perfil do Google, no aplicativo Maps, no controle de atividade, você deve:

  • Desativar Atividade na Web

  • Desativar Histórico de Localização

  • Desativar Histórico no Youtube

Na parte de pesquisa, o procedimento é bem parecido, mas deve ser feito no aplicativo do próprio Google. Nesse caso, você precisará fazer isso de forma periódica, pois as dados de suas buscas recentes estarão lá.

Navegação anônima

Uma dica interessante é utilizar a navegação anônima, principalmente no momento de pesquisa para comprar algum item. O Google faz muito uso de "rastros" para divulgar anúncios em nossas telas de produtos que podem nos interessar. Sempre é bom escapar de algumas "promoções" de passagens aéreas.

Mas a mensagem mais importante é: o Google não é um monstro, mas ele sabe coletar informações das pessoas como ninguém. Por isso que alguns cuidados são necessários.

 

Torta de atum de liquidificador saborosa

26 mai 2021 

Guia da Cozinha - Torta de atum de liquidificador saborosa
Guia da Cozinha - Torta de atum de liquidificador saborosa
Foto: Guia da Cozinha

As tortas são fáceis de fazer e uma ótima opção para acompanhar suas refeições. Que tal fazer uma torta para agradar sua família? Confira o passo a passo desta deliciosa torta de atum de liquidificador e prepare-a ainda hoje! 

Tempo: 50min

Está gostando da notícia? Quer receber nossas receitas fáceis e saborosas?
Ativar notificações

Rendimento: 15 porções

Dificuldade: fácil

Ingredientes da Torta de atum de liquidificador

  • 3 ovos
  • 2 xícaras (chá) de leite
  • 1 xícara (chá) de óleo
  • 1/2 xícara (chá) de queijo parmesão ralado
  • 1 colher (chá) de sal
  • 14 colheres (sopa) de farinha de trigo
  • 1 colher (sopa) de fermento em pó
  • Margarina e farinha de trigo para untar

Recheio

  • 2 latas de atum sólido (340g)
  • 1 tomate sem pele picado
  • 1 xícara (chá) de azeitonas verdes picadas
  • 1 cebola picada
  • 1 lata de ervilha escorrida
  • Sal a gosto

Modo de preparo 

Bata no liquidificador os ovos, o leite, o óleo, o queijo, o sal, a farinha e o fermento até ficar homogêneo. Coloque metade da massa em uma fôrma retangular de 35cm x 25cm, untada e enfarinhada. Em uma vasilha, misture o atum, o tomate, a azeitona, a cebola, a ervilha e tempere com sal. Distribua sobre a massa, cubra com a massa restante e leve ao forno médio, preaquecido, por 30 minutos ou até dourar. Corte em pedaços e sirva.

COLABORAÇÃO: Denise Bologna Amantini

Guia da Cozinha

 

CHARGE

https://f.i.uol.com.br/fotografia/2021/05/24/162190512460ac4ee4d4ee0_1621905124_3x2_th.jpg

Reduzir custos dos insumos é essencial, projeta Fiergs

Entrevista

- Publicada em 19h00min, 24/05/2021

Gilberto Porcello Petry, presidente da Fiergs, alerta que elevação nos insumos é preocupante

Gilberto Porcello Petry, presidente da Fiergs, alerta que elevação nos insumos é preocupante


LUIZA PRADO/JC
Cristiano Vieira, editor de Economia
Jornal do Comércio - Quais os caminhos para a retomada econômica do Brasil e do RS neste ano? Estão mantidas para este ano as estimativas feitas em dezembro de 2020 – alta de 4% para o PIB gaúcho e de 3,2% para o do Brasil?
Gilberto Petry - Sim, por enquanto mantemos a nossa expectativa. Já estávamos esperando um primeiro trimestre com setor de comércio e serviços, que representam mais de 60% do PIB, ainda sentindo os impactos da pandemia. Também já projetávamos uma recuperação mais intensa no segundo semestre com o avanço da vacinação. Para o Rio Grande do Sul também já tínhamos a expectativa de uma forte recuperação na produção agrícola, por isso um crescimento mais intenso para o Estado. A depender da publicação dos resultados da safra e do PIB do primeiro trimestre no início de junho, podemos ajustar para cima a previsão de crescimento do Rio Grande do Sul e do Brasil nesse ano, lembrando que no ano passado a queda no PIB gaúcho foi de 7,0%, mais intensa do que a nacional (-4,1%).
JC - O que a indústria precisa para crescer neste ano?
Petry - Ainda estamos muito preocupados com o atual nível dos custos, principalmente de matérias-primas. Se não houver um recuo, a tendência é de preços mais altos e produção menor. Um mercado consumidor mais pobre inviabiliza que as indústrias produzam em escala, o que é fundamental para a redução do custo médio de produção. A indústria vive em constante processo de adaptação para se manter competitiva. As empresas precisam de estratégias em diversas áreas e não apenas nos processos de produção. Hoje em dia, um pequeno diferencial em questões como logística, concorrência, comunicação, qualificação e relações governamentais – para citar apenas algumas – pode ser a diferença para manter ou agregar um novo cliente. Ressalto isso para dizer que a pandemia afetou todos esses segmentos. O frete marítimo, por exemplo, ficou dez vezes mais caro em algumas rotas, isso significa uma necessidade de repensar fornecedores. Outra questão está nas compras on-line, que também exigem agilidade para entrega e devolução, o que aproxima as fábricas dos clientes finais. Destaco também as questões ligadas à Governança Ambiental, Social e Corporativa, o chamado ESG, que ganhou muita popularidade no último ano. Esses são apenas alguns fatores que sofreram forte impacto recentemente.
JC - Pouco mais de um ano após o início da pandemia, o pior já passou para o setor industrial?
Petry - Podemos afirmar que sim. A parada abrupta da demanda e da produção em março e abril de 2020 foi sem precedentes, um período de incertezas como não se via há muito tempo, e que dificilmente irá se repetir tão cedo. Atualmente, o setor já vivencia um processo mais disseminado de recuperação, numa clara indicação de que o pior já passou. Porém, isso não significa que não existam desafios pela frente. Reitero que o alto custo das matérias-primas e a sustentação da demanda são temas que preocupam os industriais em 2021.
JC - Alguns setores reclamam de alta nos preços do aço e de falta de insumos como papelão, vidro e embalagens, o que vem ocorrendo desde o ano passado. Há perspectiva de melhora nesta questão nos próximos meses?
Petry - Realizamos pesquisas com os empresários industriais para entender essa normalização e a maioria, 50,3%, espera que será depois do primeiro semestre, sendo que destes, 40,1% esperam que seja durante o segundo semestre e 10,2% somente em 2022. Esse problema nas cadeias de suprimentos está afetando o mundo todo, e tem levado a paralisação e atrasos nas atividades, sem contar no aumento dos custos. O Rio Grande do Sul ainda tem sorte de ter um polo petroquímico e indústrias metalúrgicas próximas, o que agiliza no processo de logística e abastecimento.
JC - Recentemente, o Copom elevou a Selic para 3,5%, na tentativa de segurar a alta inflacionária. Depois de meses em queda, os juros do Brasil voltaram a subir. É um remédio amargo, mas necessário?
Petry - Sabemos que a inflação elevada e a desordem macroeconômica levam a diversos problemas, geralmente maiores do que os juros um pouco mais elevados. É um remédio amargo, mas necessário no momento. A dívida pública atingiu patamares impensáveis por conta dos gastos da pandemia, e por outro lado, o governo estava conseguindo se financiar com taxas de juros reais negativas. Diante desse cenário, já era possível prever que a taxa Selic em 2% era algo temporário. Por outro lado, historicamente sempre alertamos que o elevado custo de capital é uma das amarras para o crescimento da economia brasileira, principalmente da indústria. Também destacamos as causas disso, uma delas é o elevado patamar da dívida pública e o crescimento dos gastos obrigatórios. Por isso, sempre alertamos os governos da necessidade de manter a responsabilidade fiscal.
JC - O setor industrial já está operando a pleno, a níveis anteriores à pandemia, no Rio Grande do Sul?
Petry - Quando tomamos os números agregados, podemos falar que sim. Os dados da produção industrial do IBGE mostram que o setor retornou ao patamar pré-pandemia em setembro de 2020. Nesse período, o setor trabalhou com uma Utilização da Capacidade Instalada acima da média histórica. Porém, cada segmento da indústria possui a sua realidade. Por exemplo, a produção de máquinas agrícolas sentiu menos os efeitos da pandemia do que o segmento de veículos de passeio. A normalização ainda pode demorar mais tempo dependendo de qual segmento estamos tratando.
JC - O câmbio oscilou no último ano e entrou 2021 em elevação. Agora está se estabilizando, parece, ao redor de 5,20 – o que é bom para os exportadores mas ruim para os importadores. Para as indústrias o câmbio tem afetado a compra de componentes?
Petry - O impacto da desvalorização cambial sobre a indústria depende muito do lapso temporal que analisamos. Num primeiro momento, a desvalorização tende a ser negativa, pois os preços dos insumos são reajustados mais rapidamente do que o preço dos produtos industrializados exportados. Assim, o efeito inicial pode ser sentido como de aumento de custos de produção, pois existem contratos de vendas com preços fixados. Na medida em que os meses passam, as indústrias conseguem obter novos pedidos com uma realidade cambial mais favorável e isso tende a favorecer a rentabilidade das empresas exportadoras. Porém, a estabilidade cambial, ou seja, a menor volatilidade, tende a ser o melhor para a indústria ao longo do tempo. Essas variações tornam muito difícil manter uma estratégia comercial e de preços para o setor.
JC - Quais as demandas mais urgentes do segmento industrial e da FIERGS para tornar o RS mais competitivo frente aos outros estados brasileiros? Redução de imposto, ampliação pista do Salgado Filho, reduzir custos com logística?
Petry - Redução de impostos é sempre uma medida desejável, porém nós sabemos que o nível dos impostos é uma função dos gastos públicos, por isso sempre batemos na tecla da responsabilidade fiscal e da adequação do tamanho do Estado. Só com o controle dos gastos teremos menos impostos. Os investimentos em infraestrutura também são urgentes. A ampliação da pista do Salgado Filho é algo que está limitando o potencial do Estado e diminuindo a rentabilidade de muitas empresas. Porém, para a indústria gaúcha como um todo, a principal medida diz respeito à aprovação da Reforma Tributária, com a criação de um Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) em substituição ao ICMS, nos moldes do proposto pela PEC 45. O IVA faz com que o imposto deixe de ser cobrado na origem e passe a ser cobrado no destino. Isso eliminaria a guerra fiscal, por exemplo. Muitas empresas que optaram por se instalar em outras unidades da federação ou empresas gaúchas que expandiram para fora o fizeram por conta de uma vantagem tributária, não porque o Rio Grande do Sul não dava condições para a produção aqui. Porém, quando se colocava na ponta do lápis quanto se pagaria de impostos, principalmente ICMS, no RS vis-à-vis em outros estados, a decisão era de não investir aqui. Com uma reforma tributária em que os impostos são recolhidos conforme as alíquotas do destino, o Rio Grande do Sul pode voltar a ser muito competitivo na atração de indústrias.
JC - A vacinação começou em janeiro e continua por todo o Brasil, ainda sem uma previsão certa de quando atingiremos toda a população, pois dependemos da disponibilidade de vacinas. Para a entidade, a vacinação é essencial para garantir uma volta à normalidade econômica?
Petry - Quanto mais ágil for, melhor para ajudar na retomada definitiva. A vacinação é importante porque protege a população e permite ao País voltar ao ritmo normal o mais breve possível.

 

CHARGE

https://f.i.uol.com.br/fotografia/2021/05/25/162199320460ada6f4312c6_1621993204_3x2_th.jpg