terça-feira, 5 de setembro de 2017

(BIO)ÉTICA PAT(ÉTICA)?


                  Há tempos se discute a (bio) ética da eugenia (tanto aparencial quanto antipatológica do ponto de vista médico), via manipulação genética. Algumas vozes do atraso são radicalmente contrárias ao seu emprego. Argumentam que o homem não pode querer ser Deus ou que se criaria um abismo entre seres superiores fisicamente (pois poderiam pagar por procedimentos genéticos caros) e seres inferiores (que mal têm recursos financeiros para sobreviverem). 
Ora, quanto ao primeiro argumento de tais vozes, temos a dizer que não se pretende ser Deus, mas suavizar suas imperfeições instáveis, cíclicas: com picos de baixa (baixa perfeição). 
Quanto ao segundo argumento, temos a dizer que, num primeiro momento, o Estado (dentro de suas possibilidades financeiras) forneceria tais procedimentos genéticos gratuitamente aos pobres; e que, num segundo momento de longo prazo, a adoção persistente  do controle da natalidade dos outrora pobres faria com que os mesmos conquistassem sua autonomia financeira para tal - com o fim da má distribuição da renda (sendo o apoio estatal uma exceção).
                      Quanto à questão estética, podemos questionar, por exemplo: qual o problema em se escolher uns olhos pretos, cor de ébano, cor de mel, verdes, azuis, etc? Assim, por que não realizar os desejos dos pais - que tenderiam a amar mais os seus filhos que foram concebidos segundo suas predileções? (Nunca nos esqueçamos que a genética também tem suas limitações e não pode tudo, ok?).
Quanto à possibilidade de se livrar de mutações genéticas que possam gerar doenças raras ou graves (probabilisticamente falando) por que não fazê-lo? Afinal, gostamos de soluções ou de problemas, de felicidade (saudabilidade) ou de sofrimento (doença)? Enfim, sejamos inteligentes e não adotemos uma (bio)ética pat(ética), não é mesmo? (Além do mais, lembremo-nos que religiões também prometem paraísos... então, é de se perguntar: a eugenia bifacetada defendida por nós não seria um dos instrumentos para concretizar tais paraísos... só que cíclicos?).

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