quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Proposta do governo para o SUS desampara ainda mais as cidades

Os gastos com a saúde não respeitam os limites 
inflacionários. Foto:  Antonio Cruz/ABR
Os gastos com a saúde não respeitam os limites inflacionários. Foto: Antonio Cruz/ABR

Historicamente subfinanciado, o Sistema Único de Saúde corre riscos de total asfixia

Criado há 30 anos, o Sistema Único de Saúde nunca esteve tão ameaçado. O governo Bolsonaro apressa a tramitação de um projeto que vai mudar substancialmente a maneira como a verba para a atenção básica é repassada aos municípios. É o Previne Brasil, lançado oficialmente na terça-feira 12. A universalidade, grande pilar do sistema, dará lugar a uma estranha meritocracia. O repasse será feito não mais conforme a população de cada cidade, mas pelo número de cadastros nas unidades públicas de saúde. Outro mote é premiar as localidades que atinjam os “melhores resultados”: tenham unidades informatizadas, horários expandidos, profissionais especializados. Falta combinar com a realidade. “Como avaliar desempenho, se o governo tirou oito dos meus médicos e não repôs?”, pergunta Maria Dalva Amim dos Santos, secretária de Saúde de Embu-Guaçu, na Região Metropolitana de São Paulo. Em julho, CartaCapital esteve na cidade para falar do apagão do Mais Médicos nas periferias. Com o abrupto fim do programa, a cidade perdeu 16 doutores cubanos de uma só vez. Entre idas e vindas de profissionais brasileiros, a prefeitura conseguiu recompor metade da equipe. Quatro meses depois, Embu-Guaçu é de novo espelho dos dramas da saúde pública no Brasil. A cidade tem 68,2 mil habitantes e está distante apenas 47 quilômetros da capital paulista. Vive basicamente do comércio e dos repasses do governo federal – recebe, por exemplo, uma verba extra para preservar os mananciais. Com o repasse unificado, tende a perder verba. Maria Dalva Amim resume de forma categórica: “Estamos desesperados”.

  Talvez inspirado pelo miraculoso trilhão prometido por Paulo Guedes com a Previdência, o Previne Brasil garante incluir 50 milhões de brasileiros no SUS. O economista Francisco Funcia, ex-diretor da Associação Brasileira de Economia em Saúde, desconfia desse número. Vários estudos, aponta ele, mostram que as cidades tendem a subnotificar os atendimentos. Na letra da lei, todo o brasileiro precisa apresentar o cartão do SUS para dar entrada em hospitais ou postos de saúde, mas falta a muitos municípios a tecnologia necessária para repassá-los à base universal do sistema. “Não foi apresentado pelo governo nenhum estudo técnico que dê base a esse cálculo. Sem isso, nem sequer podemos afirmar que haverá perdas ou ganhos.” A mudança saiu com o aval dos gestores municipais, estaduais e federais, mas sem a aprovação do Conselho Nacional de Saúde. A proposta será discutida pela entidade em dezembro e, pela lei, não pode ser efetivada sem essa análise prévia.
A Associação Brasileira de Saúde Coletiva e outras 11 entidades do setor alertam, em nota, para o endosso do governo a um “SUS para pobres”. Um dos pontos mais controversos, segundo essas organizações, é que o novo programa deixa de priorizar o Estratégia Saúde da Família, cujo contato direto com a população contribuiu enormemente para a redução da mortalidade infantil. Cálculos da Abrasco indicam que, a cada aumento de 10% na cobertura do programa, cai 4,6% a morte de crianças de até 1 ano de idade. 
Desalento. Maria Dalva Amim, secretária de Saúde de Embu-Guaçu, ficou sem médicos. Agora 
pode perder a minguada verba federal (Foto: Wanezza Soares)
O número de indicadores monitorados cairá de 720 para 21. Eles precisarão ser informados regularmente para que os municípios possam receber recursos federais. Entre eles estão a realização de consultas pré-natais e vacinação em crianças. As entidades contestam. “Considerando que o SUS é subfinanciado e por isso sua gestão encontra dificuldade para se aperfeiçoar. Apesar da política de austeridade fiscal, não se pode pensar em diminuição de recursos, seja o ano que for e em qualquer área do Ministério da Saúde.”
Um dos únicos estudos a calcular eventuais prejuízos é o do Conselho de Secretários Municipais de Saúde de São Paulo. E os resultados não são nada animadores. Para evitar perdas em pleno ano eleitoral, o governo vai repassar 2 bilhões de reais aos municípios. O dinheiro não está garantido no ano seguinte. Sob essa premissa, a entidade prevê que, em 2021, as cidades paulistas perderão, em média, 732 milhões de reais por conta do novo modelo. Segundo a entidade, só 36% da população do estado mais rico do Brasil é cadastrada nos postos de saúde.
A gestão não é, nem de longe, o maior problema. Ao contrário do que diz o governo
O SUS sempre recebeu menos dinheiro que o necessário. O gasto médio mensal das três esferas com a saúde de cada brasileiro é de 104 reais, pouco mais da metade da média mundial (6,8% contra 11,7%), segundo a OMS. O baixo crescimento leva a baixa receita. Que leva à menor capacidade de investimento em políticas públicas. “Tivemos dois anos de recessão a partir de 2014, depois o PIB cresceu perto de 1%, insuficiente para cobrir o rombo dos anos anteriores. Se você tem uma unidade de saúde aberta para atender a população, você não vai fechá-la”, explica Funcia.
Desde 2014, o orçamento federal para saúde, para o SUS, não repõe o valor da inflação, girando em torno de 220 bilhões de reais. Os gastos com a saúde não respeitam, porém, os limites inflacionários. “As despesas aumentam porque o PIB está caindo, e não porque estão de fato subindo”, completa. O Sistema Único de Saúde está espremido pelo teto de gastos e pelo desalento de um cenário econômico que só entusiasma a Avenida Faria Lima. 
Ciclo vicioso. A crise sobrecarrega o sistema. Mas, sem dinheiro, não há como expandir a rede de atendimentos (Foto: Alexandre Moreira/A2 FOTOGRAFIA/ Flickr Governo do Estado de São Paulo)
Além disso, os custos com saúde são altamente dolarizados. Seringas, luvas, equipamentos, remédios… Tudo varia conforme o sobe e desce da moeda americana. Conforme a população fica mais velha e mais pobre, mais sobrecarregada se torna a saúde pública. Os efeitos começam a aparecer. Mesmo alcançando a meta de cobertura vacinal do sarampo de 2019, com 95% das crianças de 1 ano de idade imunizadas, o Brasil ainda enfrenta um surto da doença. Também há risco de uma nova epidemia de poliomielite. Os casos de sífilis explodiram: são 4.000% maiores do que oito anos atrás. Aumentou ainda a incidência de dengue, 600% de 2018 para cá. “Cortar despesas, neste cenário, é tirar direitos”, acrescenta Funcia.
Uma solução de longo prazo é nacionalizar a produção desses insumos. Mas os investimentos em produção local brecaram. Em julho, o Ministério da Saúde suspendeu os contratos para a compra de 19 medicamentos nacionais, por suspeitas de irregularidades e má qualidade de produtos. Este cenário tem se repetido também nos estados. Em São Paulo, o governo corre para desmontar o maior laboratório público de medicamentos do País. E o Instituto Butantan, o principal produtor nacional de vacinas, tem crescido e ampliado recursos para se tornar um dos grandes da big pharma, nem sempre compatíveis com as demandas da saúde pública nacional.
O programa promete incluir 50 milhões de brasileiros no SUS. Só não explica como
Agora, o SUS vive um processo de desfinanciamento. Uma das promessas do minguado plano de governo de Bolsonaro era, justamente, “fazer mais com menos”. Especialistas da área apontam, porém, que a gestão não é, nem de longe, o principal problemas do SUS. “Aprimorar a administração é sempre necessário, mas não dá para dizer que a saúde tem dinheiro”, diz Funcia. Outra investida recente do governo ao caixa da Saúde é a extinção do DPVAT, o seguro universal contra mortes e acidentes de trânsito. Só no ano passado, a entidade arrecadou quase 4,7 bilhões de reais. Quase metade desse total foi repassada ao SUS. Mesmo sem esse dinheiro, o sistema seguirá obrigado a lidar com as tragédias no trânsito do Brasil, que, em nove estados brasileiros, mata mais que os crimes violentos.
Noutra ponta, parece haver por parte do governo um esforço para compensar eventuais perdas estimulando planos de saúde “populares”. O ministro Luiz Henrique Mandetta defende afrouxar as regras para o setor. É um erro, diz Funcia: “Primeiro, não se pode falar em rede de atenção de saúde privada no Brasil. Segundo, porque os casos de complexidade vão ser repassados, mais uma vez, ao SUS”.
Paradoxo. Sob o mote da prevenção, o governo tira o foco de um dos programas que mais reduzem a 
mortalidade infantil no País (Foto: LF Barcelos/Conasems)
Hoje, sete em cada dez brasileiros dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde. O sistema também oferece assistência integral e gratuita a soropositivos, pacientes renais crônicos e com câncer, tuberculose e hanseníase. E opera o maior modelo público de transplantes de órgãos do mundo. Mais de 90% dessas cirurgias realizadas no País foram financiadas pelo SUS. E ainda há gargalos. A cobertura média é de 65%. E mais da metade dos gastos (53,9%) de um paciente com a saúde ainda sai de suas próprias economias, seja por meio de planos privados, seja com o desembolso em consultas e operações. Em 2000, essa taxa chegava a quase 60%. A média mundial é de 39%. Sem dinheiro, não há, no entanto, como o SUS se expandir.
É possível interromper essa trajetória? O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, hoje deputado federal, pediu a realização de uma audiência pública e de seminários estaduais para debater o Previne Brasil. A audiência está marcada para a quarta-feira 27. Ao menos três projetos de decreto legislativo tentam cancelar a portaria. Dois tramitam na Câmara e um no Senado.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

10 mandamentos do SEXO ORAL

É uma reclamação constante: Homem não sabe chupar bem uma mulher. Esta reportagem propõe que você mergulhe de cara nesse delicioso universo e aprenda de uma vez por todas a fazer um bom sexo oral.

por / Juliano Coelho / fotos / Daniel Spalato

A VIDA SEXUAL de um casal não diz respeito somente às fantasias, vontades e taras do homem e da mulher envolvidos na transa. Muitos dos valores de cada um se refletem naquilo que a pessoa faz na cama e, principalmente, naquilo que ela não faz.
E, homens, é cada vez mais claro, importante e até imprescindível que façamos sexo oral focados no prazer da parceira. Um casal que, ao transar, segue a dinâmica “beijo-boquete-chupada-de-três-minutos-porque-estou-de-bom-humor-britadeira-ejaculação-sono” é um casal que não explora nem 5% das possibilidades do sexo. E quem mais fica triste com isso não é você, né, rapá? Você tá lá dormindo feliz, sonhando sabe-se lá com o quê.
10 mandamentos do sexo oral - Matéria - Revista Sexy
Quem não fica satisfeita – e muitas vezes nem se dá conta disso – é a mulher. Sabe o motivo? Esse jeito de transar, que muitas vezes segue o roteiro clássico de filme pornô e prioriza o prazer do homem, é o reflexo da sociedade patriarcal, que só começou a ser questionada beeem recentemente (dos anos 1960 pra cá, para ser mais exato).
Vivemos em um mundo falocêntrico, focado no pênis: “O homem, desde pequeno, é estimulado a pegar no pênis, a conversar com ele como se fosse seu alterego e a manipulá-lo sem qualquer tipo de vergonha. Já a mulher, pelo contrário, é criada pra ser recatada, muitas mulheres mal conhecem a anatomia de sua própria vagina. Não à toa, o homem se masturba puxando o prepúcio pra fora, expondo a glande peniana, e a mulher, quando se masturba, o faz apertando o clitóris para dentro, criando o que chamamos de clitóris retrusivo”, diz Deva Nishok, que passou mais de 30 anos desenvolvendo uma técnica única que leva seu nome.
E, goste você ou não, o mundo falocêntrico está caindo por terra e, mesmo que você só seja um cara querendo comer um monte de mulher, vai perceber que se dedicar a aprender a chupar uma mulher da forma que ela merece vale a pena até para quem só pensa em si mesmo. Primeiro, porque é uma delícia. Segundo, vai te fazer transar com muito mais mulher. É a lei da seleção natural de Darwin: quem souber chupar vai prevalecer.
A EXTRUSÃO DO CLITÓRIS

A extrusão do clitóris, uma técnica desenvolvida por Deva Nishok, criador do Centro Metamorfose, é, talvez, a maneira mais eficiente de levar sua parceira a um êxtase muito, muito mais intenso. O clitóris é a área mais sensível do corpo feminino, o foco das terminações nervosas ligadas ao prazer: “A glande do pênis e do clitóris são os maiores produtores de oxitocina, o hormônio ligado ao êxtase, à felicidade e à alegria”, diz Nishok. Justamente por isso o foco é no que Nishok chama de pérola, a glande clitoriana. Vamos a ela:
Passe suas duas mãos por baixo das pernas da parceira e use os dedos para, suavemente, expor o clitóris. É sempre bom dizer: em vez de fazer todo o processo como um ginecologista, crie um ambiente que deixe a sua parceira relaxada e pronta para algo inédito.
Use seus lábios para envolver a glande clitoriana e criar uma espécie de ventosa. Conforme você suga a pérola, usa a língua para fazer movimentos horários, anti-horários, transversais e longitudinais na pérola.
Quando perceber que sua parceira está gostando mais de um jeito, foque nele e fique fazendo por 10 a 15 minutos. O abdôme de sua parceira vai começar a contrair, provavelmente ela vai gemer mais do que o que você costumava a ouvir. Conforme você continuar ali, ela vai gozar com uma intensidade e uma duração diferentes do comum. “Enquanto a extrusão continuar, a mulher continuará tendo o orgasmo. No Metamorfose é comum orgasmos de 40 minutos.”
Pode ser que a mulher sinta uma espécie de incômodo, algo que ela revele como uma dor. É importante que o casal perceba se é dor mesmo ou se é um artifício da mente impedindo que a mulher perca o controle do próprio orgasmo. Isso é mais comum do que se imagina. Nesse caso, peça a ela que tente soltar esse incômodo em forma de gemido ou grito. Cultive a liberdade do orgasmo feminino. De acordo com Nishok, há 10 platôs de prazer e a extrusão, com tempo e dedicação, pode atingir cada um deles: “Quando você passa um, o clitóris libera um hormônio doce na sua boca”. Nessa hora, dê um beijo na sua parceira para que ela sinta esse hormônio, uma espécie de realimentação de prazer.
10 mandamentos do sexo oral - Matéria - Revista Sexy
Muitos leitores podem ler essa introdução pensando: “Pô, calma aí! Eu chupo minha esposa/namorada/ficante duas vezes por semana e ela parece gostar”. Se você é um desses, parabéns: alguma preocupação no prazer de sua mulher você tem. É um começo. Ao menos você parece não ter nojo da vagina, como 35% dos homens que responderam a uma pesquisa feita recentemente pela empresa Sex Wipes (fica a dica: em geral, quem tem nojo de ostra, não gosta de ostra). Mas é importante que se saiba que não estamos falando de uma chupadinha mecânica, de cinco minutos, com aquela má vontade típica de quem só faz algo pra tirar “um trabalho” da frente.
Toda chupada deveria ser uma senhora chupada, feita com carinho, tesão e, principalmente, entendendo os sinais que a mulher dá. E, como somos legais, vamos ensinar algumas dessas maravilhosas técnicas para fazer sua parceira uma mulher mais feliz e, consequentemente, criar um mundo melhor.
ANTES DE COMEÇAR

É importante que se diga: não adianta nada você saber 30 mil técnicas para chupar uma vagina se você não gostar de verdade do ato. A má vontade é a pior inimiga do homem que chupa mal. A mulher percebe e, se não perceber – o que é raro -, você vai perder vários minutos fazendo algo entediante.
Se você não sente nojo de vagina, gosta de verdade da sua parceira, mas mesmo assim não gosta de chupá-la, talvez você esteja tão focado em si mesmo que não se excite com a excitação alheia (que é, definitivamente, um dos grandes baratos do cunnilingus). Nesse caso, não adianta tentar nenhuma técnica do planeta. Você precisa, antes de tudo, perceber o motivo de estar tão focado em seu próprio tesão. Pode ser egocentrismo.
Caso contrário, se você for apenas um rapaz latino-americano sem noção da importância de saber chupar uma mulher, você pode ter alguma dificuldade no começo, mas vai se acostumar. Chupar xoxota é como dirigir: quando você para de pensar no ato (ao estilo “vou tirando o pé da embreagem beeem devagaaaar enquanto aceleeeero com o pé direito”) é que você o domina. As técnicas que vamos ensinar são mais como cuidados para se ter ao manobrar o veículo. Ou, ainda na metáfora, vamos ensiná-lo a não fazer o carro morrer. Em pouco tempo, você vai fazer baliza com as mãos nas costas e feliz da vida.
E a grande verdade é que, assim que você começa a entender sobre o assunto, percebe que é um caminho sem fim, um delicioso aprendizado ao qual você pode se dedicar por toda a vida. A vagina é um universo a ser explorado. E cada vagina é um universo diferente. Então não se sinta culpado por não ser um chupador tão contumaz. Sinta-se, na verdade, um felizardo por poder conhecer, pela primeira vez, essa nova arte, essa nova paixão.
10 mandamentos do sexo oral - Matéria - Revista Sexy
OS 10 MANDAMENTOS PARA CHUPAR UMA MULHER

1 – MANTENHA O RITMO

Todos os nossos entrevistados foram unânimes nesse sentido. Por isso, esse é o “mandamento” principal. Depois de toda a introdução, todos os beijos, carinhos e lambidas, quando você – provavelmente um pouco mais focado, com suavidade, na área do clitóris – sentir uma resposta mais excitada de sua parceira, não pare de fazer seja lá o que estiver fazendo. “Procure seguir um ritmo contínuo com a língua, principalmente na parte do clitóris, sem interrupções abruptas”, diz Fátima Moura, que é sensual coaching. Acredite, o ritmo contínuo quando a mulher começa a sentir um prazer mais intenso é a chave para levá-la ao orgasmo.

2 – USE AS MÃOS

Entrevistamos Patrícia e Diana (nomes fictícios), um casal de lésbicas que têm um relacionamento aberto e pequenos casos com outras mulheres. O tipo de pessoa que entende como ninguém de vagina, né? Elas foram bastante enfáticas ao dizerem que é importante explorar todo o corpo da mulher com os dedos e as mãos enquanto a chupa. As duas, inclusive, transaram com uma mesma marcante garota em ocasiões diferentes. A menina era tão fera com as mãos que recebeu o apelido de “Dedos Mágicos”. Segundo as duas, a Dedos Mágicos sabia entender a vagina de cada uma com as mãos (ver mandamento 6) e se mantinha, de forma suave e habilidosa, em áreas que causavam mais excitação, nem sempre somente fazendo o famoso movimento do “homem-aranha soltando teia”, que acaricia a parede superior interna da vagina, onde supostamente fica o ponto G.

3 – ENTENDA OS SINAIS DA MULHER

Se você fizer algo que não está dando resultado, você vai perceber pela sua parceira. Os gemidos, a respiração acelerada, “os pequenos espasmos abdominais, por exemplo, são indicadores de que você está fazendo a coisa da maneira correta, principalmente na técnica da extrusão do clitóris (ver box no fim da matéria), diz Deva Nishok. Aí vai também da parte das mulheres a importância de não fingir excitação quando não há. A cultura de fingir o orgasmo, aliás, é um dos maiores aliados da manutenção da sexualidade falocêntrica de hoje.

4 – O CLITÓRIS É O PÊNIS DA MULHER

#precisamosfalarsobreclitóris. “O clitóris é um minipênis. Ele funciona da mesa forma, tem corpos cavernosos e anéis que se irrigam de sangue, assim como o pênis”, diz Deva Nishok. “O tamanho pequeno do clitóris não impede uma sensibilidade extraordinária: sua superfície contem 8 mil receptores especializados em voluptuosidade”, diz o livro Cunilíngua: a Arte do Sexo Oral em Mulheres, de Gérard Leleu. O divertido documentário Science, Sex and The Ladies vai até mais longe e defende que praticamente não há orgasmo feminino que não seja clitoriano. As mulheres que dizem ter orgasmo com a penetração, segundo o documentário – quando não fingem -, alcançam o clímax por um estímulo indireto no clitóris. Então é bom entender, de uma vez por todas, que o clitóris é a chave do prazer feminino. Mas não vá para ele como um louco com a língua dura (ver mandamento 7).

5 – ELOGIE A VAGINA

Quando você recebe um boquete, não é bom quando a mulher fala que está gostoso, que seu pênis tem um bom sabor e por aí vai? As mulheres também gostam disso e até precisam mais disso do que a gente, porque a “vagina tem sido negligenciada por homens e mulheres por muitos anos”, diz Nishok. Portanto, deixe claro para a parceira que está se deliciando com aquele momento. “É importante que a gente saiba que a nossa vagina é bonita e que é gostoso chupá-la. Muitas mulheres precisam disso para se sentir mais à vontade”, diz Diana.

6 – CADA MULHER É UM UNIVERSO

A sexualidade, caso você não saiba, reflete um pouco de toda a história de vida de cada pessoa. Então, TODOS esses mandamentos podem variar se sua parceira, por exemplo, tem algum trauma sexual ou foi abusada na infância (infelizmente, é mais comum que se imagina). Portanto, nada supera a experiência e a conversa honesta com a mulher com quem você vai transar. É sempre importante ter um diálogo, até durante o sexo, para fazer a coisa certa. Incentive sua parceira a dizer coisas como “continua assim” ou “eu gosto de tal maneira”. Mostre-se interessado e feliz por explorar esse novo universo.
7 – NÃO VÁ DIRETO AO CLITÓRIS

O clitóris é a chave do sucesso, mas – a não ser na técnica da extrusão do clitóris – quem vai direto a ele com muita força na língua pode afastar a parceira. “Quando a mulher está excitada, o clitóris fica muito sensível, então é importante que você explore toda a vagina antes de focar nele. E, quando o fizer, não faça com força”, diz Fátima Moura. Explorar o corpo clitoriano, que é uma espécie de fiozinho que vai até a glande clitoriana, dá bastante resultado. “Muitas vezes é melhor um estímulo em volta do clitóris do que em cima dele. Os dedos também ajudam pra distrair um pouco da sensação muito intensa que o clitóris dá”, diz Patrícia.

8 – NÃO FAÇA ESTÍMULOS FORTES

Nos mandamentos anteriores já deu para perceber que a língua e os dedos têm de agir de forma suave. Muitas mulheres concordam que não há nada pior que uma língua dura, aquela que o pornô infelizmente ainda nos mostra. Muito da fama de que mulher chupa melhor uma xoxota do que homem vem daí: a mulher sabe que a vagina é muito sensível. “O clitóris fica muito sensível e, se o homem fica insistindo ali de uma maneira muito brusca, a mulher começa a se sentir incomodada.”

9 – AUMENTE A INTENSIDADE GRADUALMENTE

“É importante ele começar lentamente e ir aumentando o ritmo. O caminho para o estímulo no clitóris é, em geral, ir aumentando lentamente a intensidade da lambida e da chupada, explorando todas as áreas próximas do clitóris antes”, diz Fátima Moura.

10 – NÃO DEIXE DE PEDIR UMA “MÃOZINHA” SE NECESSÁRIO

Quantas vezes uma mulher conseguiu fazer você chegar ao orgasmo só com o boquete e as mãos? Muitas vezes não foi necessário que você desse uma “ajudinha” com a sua mão? Isso fez alguma diferença pra você? Provavelmente não, né? Pois é, se sua parceira se masturba com alguma frequência, sabe muito melhor que você chegar ao próprio orgasmo. No fim das contas, se você deu uma bela chupada nela, ela não gozou e você precisou de “uma mãozinha”, certamente não há mal nisso. “Eu mesma gozei poucas vezes só com o estímulo de outra pessoa. Não tenho problema em usar minha mão pra ajudar”, diz Patrícia. O importante é gostar de chupar e se dedicar ao prazer dela.

Como masturbar uma mulher - aprenda a ter dedos mágicos


como masturbar uma mulher
Masturbar um homem não tem muito segredo, nem exige muita habilidade, é verdade. O pênis é um órgão relativamente simples e estimula-lo manualmente também. Já não podemos dizer o mesmo das mulheres, não é mesmo? O homem que sabe como masturbar uma mulher sai em vantagem na brincadeira.
O clítoris tem o dobro de fibras nervosas do que o pênis. Mas masturbar uma mulher não consiste em ficar somente nesse ponto, literalmente.
Lembre-se que os pequenos e os grandes lábios também fazem parte da anatomia da vagina. Portanto, essa é uma arte que pede uma mistura de suavidade com pressão, carinho com vigor, físico com emocional.
Pode até ser difícil, mas com as dicas certas é possível aprender como masturbar uma mulher de uma forma que ela jamais esquecerá. E é isso que vamos te ensinar hoje.

Manual prático de como masturbar uma mulher

como masturbar uma mulher
como masturbar uma mulher
Manejar o corpo feminino exige destreza. Mas com as dicas que trouxe hoje (e com a prática constante) você vai aprender rapidinho.
É importante lembrar que você não deve chegar metendo a mão. Antes de iniciar a masturbação na gata, ela precisa estar excitada e molhada. Uma forma de fazer isso é através do beijo.
O corpo precisa se preparar para o ato sexual, então comece com um beijo devagar e vá aumentando o ritmo. A gata precisa perceber onde você quer chegar e entrar no clima. Quando você sentir que ela está bem a fim, aí pode começar os trabalhos.
O canal do YouTube Simple Pickup faz um tutorial prático, usando frutas, para ensinar como masturbar uma mulher. O vídeo está em inglês, mas vou “traduzir” para você a parte que realmente importa.
Também vou deixar o vídeo completo aqui em baixo.

#1 Mulheres preferem movimentos suaves

Para os homens, quanto mais rápido melhor. Para as mulheres não. Então vá com calma, faça um carinho no clítoris formando círculos, ou pressionando de leve. Você também pode apertar delicadamente entre o polegar e o indicador.
Homens que não sabem como masturbar uma mulher acham que precisam esfregar ou apertar o clítoris com força. Por favor, não seja esse cara.

#2 Continue do lado de fora

Imagine que os lábios da vagina são um relógio de ponteiro. Então, deslize os dedos com a calma que você já sabe em volta dos lábios em sentido horário, e depois no sentido anti-horário.
Intercale os estímulos entre os lábios e o clítoris, e tenha paciência.

#3 Hora de entrar

Se tudo estiver indo bem (e você saberá que está porque ela estará muito molhada), é hora de penetrá-la. Use um ou dois dedos (a maioria das mulheres preferem dois), e introduza-os na vagina com cuidado.
Aqui você tem dias opções: usar os dedos curvados virados para cima, a fim de massagear o Ponto G, ou para o lado oposto.
Não, machos, o ponto G não é um mito e a Dra. Daniele Miguel ensina como encontra-lo:
“SUA LOCALIZAÇÃO, TAMANHO E ESPESSURA VARIAM DE MULHER PARA MULHER. PARA ENCONTRÁ-LO, A MULHER DEVE ESTAR BEM RELAXADA PARA QUE AS PAREDES VAGINAIS FIQUEM MUITO BEM LUBRIFICADAS E O PONTO G FIQUE INCHADO, CHEIO DE SANGUE E, PORTANTO, MAIS SENSÍVEL E PROEMINENTE. ELE PODE SER IDENTIFICADO COMO UMA PEQUENA SALIÊNCIA ENRUGADA, UMA ÁREA OVAL, LOCALIZADA EMBAIXO DO OSSO PÚBICO, NA PAREDE FRONTAL INTERNA DA VAGINA”.

Do que as mulheres gostam

Ninguém melhor para ensinar como masturbar uma mulher do que as próprias mulheres, não é mesmo?
O site BuzzFeed fez pediu à suas leitoras que contassem os truques que elas usam na hora de se masturbar. Acho que você vai gostar de ler e, quem sabe, não tem algumas inspirações.

#1 Use mais de um dedo

“A minha dica pode parecer simples, mas faz uma baita diferença: não use apenas um, mas DOIS dedos na “mixagem” do clítoris. A estimulação fica mais intensa. E se combinar direitinho movimentos circulares com a pressão que mais lhe agrada, é felicidade na certa!”

#2 Penetre o dedão enquanto massageia o clítoris

“E continue massageando a parede inferior da vagina, sentindo bem as texturas dessa região e alternando a pressão da massagem. Também é incrível aproveitar a posição e massagear o cu com os outros dedos que ficam livres. Me dou orgasmos fantásticos me masturbando assim.”

#3 Use lubrificante ice

“Pega o dedinho, passa no lubrificante que dá sensação de gelado, põe no clitóris e fica passando de um lado pro outro por cima dele. A masturbação fica muito melhor.”

#4 Deite de barriga para cima com as pernas em posição de borboleta

“Independente de como usar sua mão, essa posição facilita e dá um controle muito bom dos músculos pélvicos!”

#5 Deite de bruços e se esfregue no travesseiro

“Quando eu era pré-adolescente eu tinha um certo receio de me tocar e achava que não iria sentir nada, pois sabia que era minha própria mão que estava me tocando. Então eu usava meu travesseiro no meio das pernas e ficava de bruços me esfregando nele até conseguir gozar. Com o tempo fui descobrindo novas coisas para ‘roçar’.”

#6 Toque outras partes do corpo

“Toque suavemente todo o seu rosto com a ponta dos dedos, cabelo, ombros, até chegar na sua região íntima. Importante: faça movimentos de acordo com o seu ritmo.”

#7 Masturbe por cima da calcinha

“Por ter uma vulva muito sensível, muitas vezes o contato dos dedos nos lábios vaginais pode machucar. Por isso, quase sempre me masturbo por cima da calcinha e com a mão aberta. Assim fico protegida e o tecido produz um calor que deixa até mais fácil de gozar.”

#8 Aperte o clítoris com o indicador e o polegar

Esse movimento está nas nossas dicas de como masturbar uma mulher, machos. Ele funciona.
“Quando você aperta o clitóris com dois dedos (o indicador e o polegar) você sente um “nervinho” dentro dele. No começo você sente uma afliçãozinha, tipo quando mexe no nervo do cotovelo, mas depois que a sensação de aflição passa fica muito, muito bom. Depois que descobri isso só consigo me masturbar assim.”

#9 Contraia os lábios vaginais

“Parece bem óbvio, mas contrair os lábios vaginais intensifica bastante toda a sensação do que está acontecendo lá em baixo.”

#10 Se esfregue na toalha

“Enrole a toalha num rolinho, coloque em uma superfície que torne possível encaixar o rolinho entre as pernas (vaso é bem apropriado) e se esfregue.”

#11 Use um massageador de ombros

Dica valiosa de como masturbar uma mulher usando algo que podemos ter em casa.
“Uma vez vi uma mulher aconselhando se masturbar usando aqueles massageadores de ombros. Testei e faz coisas incríveis pra quem não pode ter um brinquedinho apropriado.”

#12 Experimente o gel excitante Orgasm, da Santo

“Quando eu estou mais animada gosto de usar um produto que se chama ‘Orgasm’ da Santo. Ele ajuda a intensificar o efeito da massagem que você pode fazer com os dedos. Eu comprei e acho incrível, foi um dos melhores que já testei.”

#13 Pressione os lábios com a região tenar das mãos

“Meu truque para uma masturbação 200% prazerosa pode parecer não convencional, mas faço ele desde que me conheço por gente e é M A R A V I L H O S O. Você deita de bruços por cima dos braços. Depois, com uma das mãos você pressiona os lábios com a região tenar – região lateral da base do polegar – e com a outra você dá sustentação. De resto, é só mover a pelve e gozar. Eu prefiro fazer isso de calcinha, dependendo do tecido fica muito mais gostoso.”

#14 Sincronize o orgasmo com os dos atores pornô

“Quando estiver vendo um pornô, tente sincronizar com os atores o momento do orgasmo para você gozar junto. Acho ótimo, até porque chegamos ao ápice juntos.”

#15 Invista em um vibrador do tipo bullet

como masturbar uma mulher
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Vibradores realmente são ótimos na hora de como masturbar uma mulher.
Compre um vibrador do tipo bullet, ele é baratinho, pequeno, super fácil de carregar e é maravilhoso!”

#16 Ou aposte em um vibrador Magic Wand

“Até hoje acho que não criaram um vibrador melhor que esse, tem vários tipos de vibrações e intensidades diferentes.”

#17 Não faça sempre os mesmos movimentos

Outra dica sábia para os machos que querem saber como masturbar uma mulher. Principalmente se ainda não conhecem bem o corpo da parceira.
“E busque sempre novas formas de sentir prazer. Além disso, não esqueça das outras partes do seu corpo. Eu, por exemplo, adoro usar o vibrador no interior das minhas coxas ou nos meus mamilos antes de ir para onde realmente interessa.”
Masturbar uma mulher pode não ser uma tarefa fácil, mas com certeza é bem gostosa de aprender

Pouco mais de 1% do PIB chega aos mais pobres no Brasil

País destina 18,5% da riqueza a políticas e serviços de proteção social, mas gastos com programa de transferência de renda para a camada mais vulnerável são insuficientes para reduzir a desigualdade. Especialistas apontam a expansão do Bolsa Família como saída


 
postado em 25/11/2019 
(foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)
Nas últimas semanas, vários estudos divulgados revelaram o aumento e a extensão da pobreza no Brasil, que fomentaram discussões sobre a desigualdade estrutural no país. Na terça-feira passada, a Câmara dos Deputados entrou no debate quando o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) anunciou que vai começar a tramitar projetos para um pacote social. No Brasil, os gastos com proteção social, incluindo serviços públicos, como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), aumentaram de 15.5% em 1995 para 18.5%, (último dado disponível), de acordo com o Relatório Global de Proteção Mundial da Organização Mundial do Trabalho (OIT). Mesmo assim, o país amarga a nona posição entre os mais desiguais do mundo, de acordo com a Oxfam. 

O dinheiro fica nos andares de cima da pirâmide social e quase não chega à base, afirmam especialistas ouvidos pelo Correio. Eles indicam a expansão do programa Bolsa Família como o melhor caminho para enfrentar o problema; apontam o poder público como promotor da desigualdade, ao alocar recursos de maneira desigual; e veem espaço fiscal para mudar a realidade por meio do remanejamento de gastos e tributos.    

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"O Brasil transfere renda incrivelmente mal. O grosso está indo para a metade de cima, especialmente para os 10% do topo. Do total de transferências, o Bolsa Família representa apenas 0,44% do PIB e o BPC (Benefício de Prestação Continuada), menos de 1%. Depois vem todo o resto, mas esses dois são as transferências que chegam aos mais pobres", explica Sergei Soares, pesquisador do Ipea. 

De acordo com estudo coordenado por Soares, em 2016 e 2017 a proteção social foi fundamental para evitar que os efeitos negativos da crise econômica aumentassem a desigualdade. A participação do salário na renda total da população caiu de 75,3% em 2016 para 74,5% em 2017. No entanto, os rendimentos oriundos de programas de proteção social – previdência, Bolsa Família, BPC e outras fontes, cresceram de 21,1% para 21,8% no período. O coeficiente de Gini apresentou uma queda marginal de 0,18 ponto entre 2016 e 2017: 0,541 para 0,539.

Soares explica que a leve oscilação ocorreu devido às mudanças na composição da renda total, que substituíram, em termos de participação, a do trabalho por outras. "O sistema de proteção foi fundamental para que não aumentasse ainda mais a profunda desigualdade, disse. Em outro estudo, ele propõe a fusão dos orçamentos do Bolsa Família, do Abono Salarial, do Salário-Família e da dedução por dependente para crianças no Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), que somam R$ 52 bilhões, recursos suficientes, para Soares, para formar um único programa mais concentrado com potencial de gerar maior impacto. Sem a pulverização dos programas, ele acredita que os benefícios cheguem a quem realmente precisa por meio de uma eficiente utilização do Cadastro Único para Programas Sociais. 

Entusiasta do Bolsa Família, Pedro Ferreira Cavalcanti, da Fundação Getúlio Vargas, considera os programas de transferência de renda eficientes e baratos e defende gastar mais com eles do que com isenções fiscais. "O Bolsa Família não chega a 0,5% do PIB, enquanto os incentivos tributários somam 4% do PIB", compara 

Ele explica que a compensação da desigualdade pode ocorrer pela transferência direta de impostos cobrados dos mais ricos para os mais pobres, via programas sociais, ou gastando mais com serviços utilizados pela classe desfavorecida. "O Brasil faz mal as duas coisas", avalia. Para ele, um exemplo de desigualdade promovido pelo Estado é manter regimes tributários diferentes para contribuintes com o mesmo potencial contributivo.

Robin Hood às avessas

Recentemente, ao anunciar o Programa Verde e Amarelo, para geração de empregos para jovens, o governo foi na direção contrária da apontada pelos especialistas ao tributar em 7,5% quem recebe o salário desemprego como fonte de receita para oferecer desoneração ao empregador. "Não há evidência internacional de que esse tipo de incentivo tem impacto duradouro no emprego, e tirar de desempregado para transferir para o empregador, me parece um Robin Hood às avessas. Deve haver outras fontes menos regressivas", diz Cavalcanti.   

"Temos outros exemplos, como a isenção tributária da Zona Franca de Manaus até o absurdo de descontar do Imposto de Renda o valor pago a empregados domésticos, subsidiando a vida boa da classe média. Aumentar o valor do Bolsa Família tem um impacto brutal na redução da pobreza. Se dobrasse o benefício, o impacto sobre as pessoas e a economia seria muito grande com reflexo no consumo. Afinal, não é isso que a equipe econômica espera ao liberar saques do FGTS? Por que não aumentar o Bolsa Família?".  

Marcelo Neri, economista da FGV-Social, mostra esse impacto com números. "O Bolsa Família ajuda a girar as rodas da economia e não custa tanto. Aumentar o programa causa impacto econômico, porque os pobres consomem mais da renda do que outros setores da sociedade, portanto o efeito multiplicador é maior. Para cada real gasto com o Bolsa Família, o PIB cresce R$ 1,78. No caso do BPC, o efeito é de cerca de R$ 1,20, já com a Previdência, é de R$ 0,53", explica. 

Sem reajuste, o valor unitário mensal pago pelo Bolsa Família, de R$ 89,00, está abaixo da linha de extrema pobreza estabelecida pelo Banco Mundial, de R$ 145 per capita por mês. "A linha de extrema pobreza e de elegibilidade para o Bolsa Família tem que ser compatível. Atualmente o programa não reflete os indicadores de extrema pobreza, o que é prejudicial. É preciso reajustar os parâmetros", afirma. 

Do pacote com as propostas de combate à desigualdade e à pobreza, anunciado por Maia na terça-feira, consta incluir o Bolsa Família na Constituição e garantir reajustes acima da inflação, além de uma modalidade específica do programa para crianças. O grupo que elaborou a proposta promete apresentar uma PEC na próxima semana com seis projetos de lei que incluem ainda políticas para água e saneamento.        

"Colocar o Bolsa Família na Constituição é uma medida extrema, mas o Brasil tem várias coisas na Carta que não beneficiam os mais pobres, então, é importante proteger o Bolsa Família. Talvez fosse bom que nada estivesse na Constituição e que houvesse uma política de Estado que mantivesse o valor do programa", diz Neri. Para Soares, o foco tem que ser a infância. "No Brasil, infância é igual a pobreza. Temos 53 milhões de crianças, 17 milhões não recebem nenhum benefício e, dessas, dois terços estão na metade de baixo da pirâmide e 50% são o público-alvo do Bolsa Família, que é um superprograma", opina. 

"Não tenho sonhos"

Aureliano Vieira da Silva, 63 anos, está desempregado, e uma dor constante que sente nas pernas dificulta que ele consiga trabalho. Morador da Estrutural, recebe um benefício mensal de R$ 91,00. Ele não tem acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), que transfere um salário mínimo a idosos em situação de extrema pobreza, a  partir de 65 anos, e a deficientes. "Não consigo me manter com o benefício. Preciso de ajuda. Não tenho muitos sonhos, mas, se pudesse, queria ter uma aposentadoria”, disse Aureliano ao Correio, enquanto aguardava atendimento no Cras, unidade de assistência social na Estrutural. 

Ele conta que, às vezes, consegue fazer bicos. "Quando minha saúde permite, eu faço uns bicos de pedreiro. Mas nada muito pesado, pois não dou conta de carregar saco de cimento, areia e subir escadas", relata.

Mãe de quatro filhos e avó de três, Juciléia Alves de Jesus, de 42 anos, também usuária do Cras, recebe o Bolsa Família. "Não dá para o básico. Falta gás e, muitas vezes, o que comer", diz. Ela conta que o marido foi embora quando as crianças eram pequenas. Seu sonho: "morar em uma casa que não seja de madeira e que não alague".

"O arranjo de seguridade social está todo vinculado ao trabalho. Quando se pensou no BPC, foi para pessoas que são estruturalmente vulneráveis, como deficientes e idosos, excluídos do mundo do trabalho. Foi a grande conquista da Constituição de 1988. Nosso grau máximo de civilidade, o entendimento de que há um segmento que o mercado não vai absorver.  E, com o aumento da longevidade e a tecnologia, esse contigente vai aumentar", diz Ieda Maria Nobre, doutora em política social e ex-secretária nacional de assistência social (2015- 2106).  
 

Conferência da sociedade


Nesta segunda (25/11) e terça (26/11) será realizada a Conferência Democrática de Assistência Social. O encontro, que acontece no auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados, vai discutir o impacto do teto dos gastos públicos no financiamento da assistência social. Segundo a presidente do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), Aldenora González, pela primeira vez, desde 1995, o governo federal não convocou a conferência. Por isso, o encontro vai acontecer pela iniciativa da sociedade civil. Por meio de nota, o Ministério da Cidadania informou que "os encontros da Assistência Social devem seguir o rito da Conferência Ordinária e a deste ano seria extraordinária, por isso, não foi convocada".

Segundo Alderina, as conferências ordinárias são realizadas a cada quatro anos e as extraordinárias, a cada dois, desde que o CNAS foi instituído pela Lei Orgânica de Assistência Social (Loas) em 1993. "O CNAS convocou a conferência, mas um dia depois, o ministro Omar Terra baixou uma portaria desconvocando", disse. "Foi solicitado aprovação de dois terços da plenária do Conselho do CNAS para realizar a conferência. Isso é inédito. Nunca aconteceu. Todos os estados realizaram suas conferências este ano, além de mais de três mil municípios, mas o governo federal não quis realizar o encontro nacional", lamenta.

Crise na assistência

Para ela, o governo cria dificuldade para o debate justamente quando a assistência passa por uma crise. "Neste momento de aumento de pobreza, desemprego e congelamento de recursos, é muito importante fazer o debate, ouvir sobre o que está acontecendo no Brasil. É angustiante ver o sofrimento dos municípios com a falta de recursos para a assistência", afirma. Ela conta que, em Umuarama (PR), visitou um sopão, de iniciativa da sociedade civil, que teve 80% de aumento da demanda. "Sem ajuda do Estado, as pessoas recorrerem a esses centro comunitários, que estão sobrecarregados".

A Loas regulamentou o artigo 204 da Constituição de 1988, que determina o direito à assistência social. Em 2005, foi criado o SUAS (Sistema Único de Assistência Social) nos moldes do SUS , para organizar a assistência em todo o território em rede com estados e municípios, que recebem transferência da União de fundos constitucionais da seguridade social.
Ainda em consolidação, o SUAS é formado por 8.387 Cras (centro de acolhimento e abordagem a pessoas vulneráveis), 2.720 Creas (especializado em vítimas de violência), 229 centros pop (para população de rua) e 28 centros dias (para idosos). Normalmente, esses centros oferecem café da manhã, alguns oferecem almoço, orientação sobre acesso a políticas públicas e atenção psicológica, alguns oferecem atividades.  Segundo Aldenira, para 2020, o orçamento da assistência social está 46,11% menor se comparado ao de 2018 e 46,43% menor do que 2019.  Ela afirma que são necesários R$ 2,2 bilhões para complementar o orçamento deste ano e R$ 1,1 bilhão para o do ano que vem. 

*Contribuiu André Phelipe Vieira, estagiário sob supervisão de Cláudia Dianni 

A solidão da robô Yona, que compõe músicas para adolescentes

(Bloomberg) -- Queremos apresentar a Yona. Ela adora ler Margaret Atwood e artigos sobre a vida de adolescentes. Também canta sobre a solidão e relacionamentos em sua nova faixa.Se tudo isso soa um pouco artificial, não é por acaso: Yona não é humana.Yona foi criada pela empresa londrina Auxuman e treinada com inteligência artificial. A robô é alimentada com música e literatura e aprende com as reações às suas músicas publicadas on-line.
A Auxuman foi cofundada por Ash Koosha, Isabella Winthrop e Negar Shaghaghi. A empresa cria personagens usando inteligência artificial e os licencia para entretenimento, branding ou performances ao vivo. Além de Yona, a Auxuman também criou Mony, Zoya, Hexe e Gemini - cada um com suas próprias individualidades.
“A pergunta para mim sempre foi como fazer uma música muito intrigante, completa e complexa usando apenas um computador”, disse Koosha em entrevista.
A inteligência artificial está sendo usada pela indústria da música para inventar ferramentas e sons ou, no caso da Auxuman, músicos inteiramente novos.Um dos primeiros grandes projetos foi lançado há vários anos pelo CSL Research Lab, da Sony, em Paris. O laboratório desenvolveu um sistema chamado FlowMachines, que aprende estilos musicais a partir de um grande banco de dados de músicas.O compositor francês Benoît Carré, que trabalhava com pesquisadores da Sony na época, alimentou a máquina com 470 folhas de chumbo com clássicos de Jazz, da década de 1930 até a década de 1960. O resultado final foi sua primeira música gerada por inteligência artificial, lançada em 2016: “The Ballad of the Shadow”.Carré continua trabalhando com o pesquisador François Pachet, que agora faz parte da equipe do Spotify Technology, onde comanda o Creator Technology Research Lab. Eles criaram outras ferramentas de inteligência artificial que Carré utilizou em seu álbum “American Folk Songs”, lançado em outubro.Apesar dos avanços, a indústria da música ainda está longe de ser absorvida inteiramente por músicas geradas por inteligência artificial, segundo o crítico musical Anthony Fantano, apresentador do canal do YouTube The Needle Drop.Os humanos sempre querem poder tocar música como um canal, disse Fantano, e muitos ainda consideram a música como uma maneira de se relacionar com as dificuldades evocadas pelo artista.“Isso não pode ser simplesmente recriado com inteligência artificial”, disse

Tesouro Direto? Poupança? Saiba onde investir com a Selic baixa

Finanças

Colaboradores Yahoo Finanças,Yahoo Finanças 
A taxa básica de juros, a Selic, está em 5% e deve cair em dezembro para 4,5% ao ano – o menor patamar histórico –, incentivada por um cenário de inflação e crescimento econômico baixo. Para quem investe ou tem uma reserva de emergência, é preciso reavaliar o melhor lugar para colocar seu dinheiro.
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Com a queda da Selic, os rendimentos da poupança vão passar de 3,5% para 3,15% ao ano. Já a inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve fechar 2019 em 3,31% e 2020, em 3,60%, de acordo com estimativas do mercado financeiro.

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Com os juros em baixa, o investidor verá os rendimentos serem corroídos por taxas e impostos. Mas quais seriam as melhores alternativas? Confira a seguir. As informações são do Valor Investe.
Tesouro Selic
Considerado a principal alternativa à poupança, o título público Tesouro Selic rende próximo ao CDI (Selic + 0,02% ao ano) e é uma das aplicações menos arriscadas disponíveis no mercado hoje. O investidor empresta dinheiro ao governo, e não corre o risco de vender o título por um preço abaixo do que comprou.
A liquidez é diária — a qualquer momento o investidor pode pedir o resgate e o dinheiro cai na conta no máximo no dia seguinte. O valor de aplicação mínima é de R$ 103,98.
Fundos Tesouro Selic taxa zero
Essa é a opção menos custosa para aplicar em títulos públicos. A liquidez permanece diária e há cobrança do Imposto de Renda, que só não é cobrado na poupança.
Poupança velha
Desde maio de 2012 a regra da poupança mudou, e quem tinha dinheiro aplicado antes da mudança de regra, teve assegurado o mesmo rendimento pela regra antiga: de 0,50% ao mês mais TR (hoje em zero).
Com isso, a chamada velha poupança rende muito próximo ao CDI e com a vantagem de não ter incidência de Imposto de Renda, o que lhe dá um bônus. Porém, essa regra só vale para quem já tinha o dinheiro na caderneta em maio de 2012 – depois dessa data vale outras taxas.
CDB (Certificado de Depósito Bancário)
O CDB é uma espécie de título que os bancos emitem para se capitalizar. Na prática, quem compra o certificado está emprestando dinheiro para o banco e, em troca, vai ganhar juros por isso, normalmente definida como um percentual do CDI — "X% do CDI’ — com um prêmio além do "CDI + X% ao ano".
Conta de banco digital com remuneração 100% do CDI
As fintechs e diversos bancos digitais estão oferecendo opções de rentabilidade 100% do CDI para o dinheiro parado na conta-corrente.Como a Selic e o CDI são sempre muito próximos, na prática, qualquer opção que renda mais de 70% do CDI já é mais rentável que a poupança
Fundos de Renda Fixa
Outras opções em renda fixa com liquidez diária são os fundos de gestão ativa que operam as oportunidades no mercado financeiro, incluindo diferentes títulos do Tesouro e contratos futuros de DI e, assim, conseguem entregar retornos superiores ao CDI em períodos de um ano ou mais.
Fundos de Crédito Privado
Há também os fundos de crédito que investem em CDBs, LCIs, LCAs, CRIs, CRAs e debêntures de empresas com alta qualidade de crédito. Nesses casos, além do risco de mercado, há o risco de crédito, que é a possibilidade de perdas por piora da situação financeira e econômica dos emissores desses títulos.
Tesouro IPCA+ 2024
Este papel oferece ao investidor um retorno atrelado à inflação. Os títulos do Tesouro IPCA+24 podem ser encontrados com vencimento entre 2024 e 2050, com a opção de receber juros semestrais ou no final do período.

REVOLTA CONTRA ELITES alavanca protestos na América do Sul


América Latina

Revolta contra elites alavanca protestos na América do Sul

Onda de manifestações não se deve apenas às desigualdades sociais, mas também à resistência às classes privilegiadas, avaliam especialistas. Também falta confiança nos partidos políticos.
Fogo em primeiro plano e pessoas chapéu de costas em segundo plano Apoiadores de Evo Morales protestam em El Alto, na Bolívia
Bolívia, Chile, Equador e agora Colômbia: na América Latina crescem os protestos contra os governos. Eles nem afetam tanto países governados autocraticamente, onde muitos esperavam uma maior exacerbação, como Nicarágua e Venezuela, mas outros onde isso era menos esperado, especialmente o Chile.
Antes conhecido como modelo na América do Sul, o país está passando pelos maiores protestos desde seu retorno à democracia. O que começou devido ao aumento relativamente insignificante das tarifas do metrô evoluiu para um debate sobre a desigualdade e a elaboração de uma nova Constituição.
Na Bolívia, dois blocos se opõem de forma inconciliável após uma eleição presidencial presumivelmente manipulada, e a renúncia e exílio do ex-presidente Evo Morales.
No Equador, o presidente Lenín Moreno foi forçado a voltar atrás no início de outubro e reintroduzir subsídios para combustível após violentos protestos. O corte dos subsídios era na verdade uma condição para a concessão de um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI).
E na Colômbia, na última sexta-feira os manifestantes protestaram contra a desigualdade econômica, corrupção e violência contra indígenas e ativistas.
Evo Morales acena na porta de avião branco com bandeira do México na fuselagem Bolívia vive clima de polarização após renúncia e exílio de Evo Morales
"Não devemos cair na armadilha de colocar tudo no mesmo saco. Os motivos também têm raízes locais, embora existam semelhanças. As populações têm uma enorme insatisfação com suas elites, tanto econômicas quanto políticas", analisa Ingrid Spiller, chefe do departamento América Latina da Fundação Heinrich Böll. Para a especialista, as elites nacionais são "completamente alheias à realidade" e "não têm mais noção do que realmente preocupa o povo".
Philipp Kauppert, diretor do escritório da Fundação Friedrich Ebert na Bolívia, também enfatiza que, apesar da diversidade da situação política, há uma "forte insatisfação das populações com suas elites políticas e desconfiança em relação ao partidos".
Na comparação internacional, o continente latino-americano apresenta alto grau de desigualdade social. Mas atribuir os atuais protestos a apenas essa causa, como se costuma fazer na atual cobertura jornalística, parece não ser consistente. Na América Latina está atualmente sendo revelada uma profunda desconfiança em relação às elites, independente de estarem politicamente à esquerda ou à direita.
Outsiders e críticas aos partidos
Normalmente, uma democracia é capaz de integrar os insatisfeitos com o governo num pool de partidos de oposição dentro do sistema político. Por que isso parece não funcionar na América Latina? "Na maioria dos países da região, no passado se votou pela mudança de governo, ou seja: os canais democráticos foram usados para votos de protesto, resultando na vitória de outsiders, como no caso de Bolsonaro no Brasil", diz Philipp Kauppert.
Também na Bolívia ele vê um papel destacado dos outsiders que prometem um caminho completamente novo. Chi Hyun Chung, um político evangélico de direita de ascendência sul-coreana, era considerado um azarão nas eleições presidenciais de 20 de outubro, mas surpreendentemente conquistou 9% dos votos. Algumas semanas atrás, o político local Luis Fernando Camacho ainda era completamente desconhecido de um grande número de bolivianos. Com barulho e palavras de ordem conservadoras, ele agora avança com toda força, tendo o cargo de presidente na mira.
"Muitos não acreditam mais ser possível mudar algo através de eleições ou do trabalho em partidos políticos. A insatisfação é tão alta que já chega às ruas". Kauppert acredita que essa situação reacendeu um debate na América Latina sobre a crise fundamental da democracia. No entanto: "Acredito que ainda seja possível superar esses protestos e crises na região por mecanismos democráticos, e prefiro falar de uma crise dos partidos, já que muitos não se sentem mais representadas por seus partidos e a elite política."
Chamas em torno da cabeça de um manifestante que usa balaclava Conhecido como modelo no continente, Chile passa pelos maiores protestos desde retorno à democracia
Cultura democrática falha e tendências globais
Ingrid Spiller, por sua vez, questiona a cultura democrática em grande parte dos países latino-americanos. "A população pôde ir às urnas, mas no fim o Estado implementou políticas que não serviam a um equilíbrio de interesses entre todos os setores da população e das classes sociais". Por fim, teriam prevalecido outros grupos de influência poderosos, definindo a política estatal.
A especialista ressalta, além disso, que na América Latina também há menos partidos com programas políticos definidos do que na Europa: "Os partidos latino-americanos são mais grupos de interesse e, em grande parte, desacreditados entre a população."
Mas ainda permanece a questão: por que só agora explode esse descontentamento, sentido basicamente por uma geração jovem que não vivenciou nenhuma das ditaduras latino-americanas passadas?
"Em muitos países da América Latina, uma nova classe média surgiu nos anos após a democratização, nas décadas de 80 e 90. E com ela veio a esperança de um futuro democrático e socialmente mais justo. Essa classe média chegou a seus limites econômicos também devido à queda dos preços das matérias primas e outros fatores", avalia Philipp Kauppert. Assim, foi-se o boom dos altos preços das matérias primas, que fortalecera a economia de muitos países da região e também essa jovem classe média, sem ter fornecido a prometida prosperidade estável.
Depois de Equador, Chile e Bolívia, o "vírus do protesto" latino-americano saltou recentemente para a Colômbia. Na última sexta-feira (22/11) ocorreram as maiores manifestações em massa na história recente do país. "É possível irmos além da região", frisa Kauppert. "De Hong Kong ao Líbano até a América Latina, parece haver um maior potencial de mobilização no mundo. Gente que não tinha coragem, ou achava que não faria diferença, está agora indo às ruas para mostrar sua insatisfação e ainda canalizá-la politicamente."
O subdiretor da Fundação Friedrich Ebert postula que a mídia social também está ajudando a criar uma consciência global sobre questões como a desigualdade e a presunção das elites políticas. Caso seja assim, adverte, é possível a onda de protestos se espalhe para outros países.
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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA mata uma mulher a cada três dias na ALEMANHA

Alemanha

Alemanha registra 140 mil casos de agressões e ameaças cometidas por parceiros ou ex-parceiros em 2018: 81% das vítimas eram mulheres. Governo promete mais investimentos em abrigos para vítimas de violência.
Imagem simbólica de uma agressão de um homem contra uma mulher Para efeito de comparação: o Brasil registrou no ano apssado 180 estupros por dia, o número mais alto desde 2009
Mais de 114 mil mulheres foram vítimas de violência ou ameaças domésticas cometidas por parceiros no ano passado na Alemanha, segundo dados apresentados pela ministra da Mulher da Alemanha, Franziska Giffey, em entrevista à emissora pública ARD, nesta segunda-feira (25/11) – data que marca também o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres.
Segundo estatísticas criminais, 122 mulheres foram mortas na Alemanha em 2018 por parceiros ou ex-parceiros. "Todo dia há uma tentativa, e a cada terceiro dia uma tentativa resulta em morte", disse Giffey. A ministra social-democrata manifestou profunda preocupação com os números, que ela classificou de "alarmantes". No geral, 140 mil pessoas sofreram agressões de parceiros no país no ano passado – a proporção de mulheres vítimas chega, portanto, a 81%. 
Em casos computados de estupro, agressão sexual e coerção sexual dentro de um relacionamento, as vítimas eram 98,4% do sexo feminino. Nas queixas de ameaça, perseguição e coerção numa parceria, 88,5% das vítimas são mulheres – seguido dos percentuais de 79,9% nos casos de lesão corporal simples e intencional, além de 77% das vítimas em casos de assassinatos ou homicídios culposos. 
O número de casos de violência por parceiros aumentou um pouco em relação ao ano anterior, embora a quantidade de casos que resultaram em morte caiu. Em 2017, 147 mulheres foram mortas por parceiros ou ex-parceiros. Giffey atribuiu este aumento a uma maior disposição das vítimas de registrar as queixas.
O Brasil, por exemplo, registra um caso de agressão a mulher a cada quatro minutos – neste levantamento estão incluídos casos de violência fora do relacionamento. De quebra, o Brasil registrou no ano passado 180 estupros por dia e 1.173 mulheres foram vítimas de feminicídio no mesmo ano.
A ministra da Mulher aproveitou a data do Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres para lançar a iniciativa nacional intitulada "Mais forte que a violência" (Stärker als Gewalt). A iniciativa conta, por enquanto, com o apoio de 13 organizações. Segunda Giffey, nos próximos quatro anos, 120 milhões de euros serão destinados à expansão da capacidade dos abrigos para mulheres. Atualmente, há cerca de 350 abrigos em todo o país.
A ministra da Justiça da Alemanha, Christine Lambrecht, em entrevista ao diário alemão Frankfurter Allgemeine, classificou as tentativas de agressão contra mulheres por meio de insultos sexistas como um "fenômeno repugnante".
"Muitas vezes é dito que elas não devem ser tão sensíveis, que isso faz parte da liberdade de expressão. Se alguém me insulta com qualquer palavra de baixo calão, isso não tem nada a ver com liberdade de expressão. É simplesmente um insulto", disse Lambrecht.
PV/kna/dpa/ots
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