quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Sabedoria: 10 hábitos diários para se tornar mais inteligente

Dá para exercitar o cérebro e se tornar mais inteligente! Neurocientista aponta maneiras simples de estimular a sua sabedoria

11 out 2022 
Confira 10 hábitos diários para se tornar mais inteligente
Confira 10 hábitos diários para se tornar mais inteligente
Foto: Shutterstock / Alto Astral

A inteligência é um conceito amplo e ainda gera discussão dentro da comunidade científica. Porém, de maneira geral, ela é a capacidade de adquirir novos conhecimentos e utilizá-lo para se adaptar a novas experiências e resolver problemas.

Nesse sentido, para se tornar uma pessoa mais inteligente, é preciso colocar o cérebro para trabalhar! E existem várias formas de se fazer isso, viu? Abaixo, você confere alguns hábitos que ajudam a exercitar a inteligência, de acordo com o neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela. Confira:

1. Leia

Segundo Fabiano, a leitura está em primeiro lugar no exercício da plasticidade cerebral. "A imaginação, o fictício, o abstrato, trabalha mais de uma região no cérebro e reforça células de engrama sobre o filme que imaginou", diz.

2. Abandone um pouco as redes sociais

Para se tornar mais inteligente, você deve deixar as redes sociais de lado. No entanto, o especialista diz que não é preciso abandoná-las em definitivo para não perder a interação e conexões. "Mas sabemos que as redes sociais, comprovadamente, deixam uma pessoa mais burra", afirma o profissional.

3. Escreva

"Quando você escreve precisa pensar, e reforçar o que pensou na escrita, envolvendo as regiões temporal, central, parietal e occipital do cérebro", revela.

4. Altere a sua rotina

Conforme o neurocientista, é importante não viver no piloto automático ou os neurônios não sentirão a necessidade de reforço, passam a ser automáticos e, com isso, deixam de crescer.

A leitura é um hábito imprescindível para desenvolver a inteligência –
A leitura é um hábito imprescindível para desenvolver a inteligência –
Foto: Shutterstock / Alto Astral

5. Metas são motivos de vida

"Siga essa sequência: internalize um hábito > aprenda uma nova habilidade > crie um protótipo > autorreflexão > experimente > aprenda outra habilidade", pondera.

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6. Diga-me com quem andas…

Para se tornar mais inteligente, é importante interagir com pessoas com conhecimento, isto é, com pessoas inteligentes. "Assim, alimentará seu cérebro com mais conhecimento, incentivo e motivação", diz.

7. Otimize o seu tempo

"Procure as horas vagas para se distrair com algo que traga conhecimento profundo e não superficial. Não leia apenas o título da matéria, leia todo o conteúdo e ainda faça pesquisas sobre ele. Não passe seu tempo vago passando o feed para ver o que não te leva a nada", comenta.

8.  Evite vícios

Segundo Fabiano, tudo o que vicia faz mal, pois altera a anatomia do cérebro prejudicando a região relacionada à inteligência. "Consumo excessivo de álcool prejudica a inteligência, assim como outras drogas ainda podem ser piores, o uso da maconha comprovadamente deixa menos inteligente".

9. Seja positivo e ande com pessoas positivas

"Geralmente pessoas pessimistas e negativas não conseguem enxergar satisfações e resultados positivos tão facilmente. Podendo assim frear a tomada de decisão. Transtornos mentais que refletem em pessoas negativas estão relacionados a região frontal do cérebro e o menor volume da massa cinzenta. Seja positivo e procure pessoas positivas, mas cuidado com a positividade tóxica, deve saber diferenciar o que é ser positivo", conta.

10. Trace o seu próprio caminho

Por fim, é importante analisar as experiências dos outros apenas para compreender o certo e o errado, como experiência, mas seguir as próprias metas e dar o melhor de si sem olhar para o lado.

"Crie sua independência e seja seu próprio ídolo sem egocentrismo e com humildade. Conheça a si mesmo, os limites, para sempre evoluir e se desenvolver. Estamos em crescimento em todos os sentidos e nos adaptamos. Isso nos revela que não temos limites para sermos cada vez melhores", finaliza.

Fonte: Dr. Fabiano de Abreu Agrela, Pós PhD em Neurociências, Mestre em Psicologia, Diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito (CPAH), cientista no Hospital Universitário Martin Dockweiler e Chefe do Departamento de Ciências e Tecnologia da Logos University International.

Alto Astral

 

Pizza doce de pera, pêssego e abacaxi

Pizza doce de pera, pêssego e abacaxi
Dá uma conferida nesse bolo do site Caju Mangaba, e inspire-se para fazer o seu também
1h20min
10 Porções
Fácil
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Que tal encerrar o seu rodízio caseiro com uma deliciosa pizza doce de pera, pêssego e abacaxi? Além de ser uma opção diferente, ela é garantia de sabor para fechar com chave de ouro o seu momento culinário. Siga a leitura e saiba mais sobre ela e o seu preparo. 

Contudo, se esta for a sua primeira vez no receitinhas, precisamos lembrar que aqui você encontra de tudo para todos os gostos. Ou seja, não importa o seu nível de experiência na cozinha, aqui você não sai de mãos abanando. Dito isso, queremos sugerir mais dois pratos que podem fazer parte dessa refeição. São elas o ketchup caseiro e o suco de nectarina e laranja.

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Agora sim, é com você. Siga os passos da receita e aproveite esse momento delicioso com as pessoas que você gosta. Desejamos um bom apetite e nos vemos em breve para mais dicas gastronômicas. 

Como fazer pizza doce de pera, pêssego e abacaxi

Pizza doce de pera, pêssego e abacaxi
Dá uma conferida nesse bolo do site Caju Mangaba, e inspire-se para fazer o seu também.
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Ingredientes
  • Massa

  • ¾ de xícara (chá) de água morna

  • 1 colher (sopa) rasa de fermento biológico para pão seco

  • 2 e ½ xícaras (chá) de farinha de trigo

  • ¼ de xícara (chá) de óleo

  • 1 colher (chá) de sal

  • óleo para untar
  • Cobertura

  • 1 xícara (chá) de mel

  • 2 peras sem sementes fatiadas

  • 6 pêssegos em calda fatiados

  • 400g de muçarela ralada

    • 4 rodelas de abacaxi picado
    Modo de preparo

  • Coloque a água morna em uma vasilha.

  • Misture um pouco o fermento com a água.

  • Acrescente, na vasilha com o fermento e a água, a farinha de trigo, o óleo e o sal.

  • Misture (não é necessário sovar).

  • Deixe a massa descansar por 40min.

  • Divida a massa em 2 partes.

  • Com um rolo abra uma das 2 partes da massa.

  • Coloque metade da massa em uma assadeira de 30cm untada com óleo.
  • Cobertura

  • Espalhe o mel, a pera, o abacaxi e o pêssego, sobre a massa.

  • Cubra as frutas com o queijo ralado.

  • Leve ao forno a 180º até o queijo derreter.

    • Sirva quente.
    Dicas

    Acrescente cerejas assim que retirar do forno.

    Receita enviada por Pós graduado em História, fã de literatura e gastronomia. Atuo como redator há 2 anos e sou apaixonado pelo que faço.

     

    Sonho recheado

    Sonho recheado mais delicioso do mundo: de lamber os beiços
    Sonho recheado mais delicioso do mundo: de lamber os beiços
    2h
    14 Porções
    Médio
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    O sonho recheado igual ao de padaria é uma ótima aposta para servir para as visitas no final da tarde, com aquela bebida perfeita para acompanhar (que geralmente é um cafezinho). Ele é simplesmente perfeito, de lamber os beiços. A sua massa pode ser utilizada com todos os tipos de recheios, desde leite condensado, geléias ao doce de leite. 

    O modo de preparo é super fácil. Em menos de uma hora ou uma hora e meia, você estará servindo um dos melhores doces do mundo. Essa massa existe desde 1756 e vem se popularizando com vários formatos de preparo que visam tornar o seu gosto marcante. 

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    Sirva com um delicioso café cremoso de liquidificador, a combinação é mais que perfeita. Outra indicação, inclusive de receita que possuímos em nosso blog, é a café gelado com creme, super intensa e serve tanto para os dias mais frios quanto quentes, fica a seu critério!

    Como fazer um sonho recheado?

    Como fazer um sonho recheado?
    É uma bomba de sabores, metaforicamente!
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    Ingredientes
    • Sonho

  • 4 xícaras (chá) de farinha de trigo

  • 1 xícara (chá) de leite morno

  • 2 e ½ colheres (chá) de fermento biológico seco para pães

  • 2 colheres (sopa) de açúcar

  • ½ colher (chá) de sal

  • ½ xícara (chá) de óleo

  • 2 ovos

  • 1 gema

  • Raspas de 1 limão

  • Açúcar impalpável para polvilhar
  • Recheio

  • ½ xícara (chá) de açúcar

  • 1 e ½ xícaras (chá) de leite

  • ¼ xícara (chá) de amido de milho

  • ½ colher (sopa) de manteiga

  • ½ colher (chá) de essência de baunilha

    • 1 ovo
    Modo de preparo
    • Sonho

  • Bata no liquidificador, o leite, o fermento, o açúcar, o sal, o óleo, os ovos e a gema..

  • Despeje a mistura do liquidificador num bowl e acrescente a farinha de trigo e as raspas de limão..

  • Com uma colher de pau, misture até formar uma massa homogênea..

  • Coloque a mistura numa vasilha e cubra com um pano.

  • Deixe dobrar de tamanho.

  • Abra a massa com as mãos, numa espessura de 2cm, em superfície enfarinhada.

  • Corte os sonhos.

  • Deixe-os dobrar de tamanho.

  • Frite os sonhos em óleo não muito quente.

  • Escorra em papel toalha e polvilhe com açúcar.

  • Corte ao meio e recheie os sonhos.
  • Recheio

  • Em uma panela ferva o leite com açúcar.

  • Em uma batedeira ou com um fouet bata o ovo até que dobre o volume.

  • Junte o leite fervendo aos poucos até incorporar todo o leite.

  • Volte ao fogo baixo e mexa até ferver.

  • Retire do fogo.

  • Adicione a manteiga e a baunilha.

  • Deixe esfriar.

    • Use como recheio para doces e tortas.
    Receita enviada por Em formação em jornalismo pela Uniasselvi. Amante, desde o ano de 2017, pela produção de conteúdos, notícias e redação em geral.

     

    terça-feira, 11 de outubro de 2022

    Família, arrogância e voto

    Vera Iaconelli

    Diretora do Instituto Gerar de Psicanálise, autora de “O Mal-estar na Maternidade” e "Criar Filhos no Século XXI". É doutora em psicologia pela USP.

    Vera Iaconelli

    A ignorância arrogante não é exclusividade do campo conservador

    O Brasil se encontra irmanado na aflição e no medo, embora dividido por um antagonismo terrível. Eliminando aproveitadores, perversos e mal-intencionados de plantão, não conheço quem não esteja apreensivo. O cidadão comum sofre pela convicção de que só ele sabe o que é melhor para o país e pela necessidade de persuadir os outros disso. Mas, quando a única intenção é convencer, a possibilidade de diálogo se revela nula. É fácil dizer que o outro é alienado, difícil é escutar pra valer, colocando certezas à prova e correndo o risco de ferir de morte o próprio narcisismo.

    Qualquer pessoa que tem família sabe que ela nos obriga a nos relacionarmos com o contraditório. A família acabou se tornando o reduto das convivências forçadas entre pessoas cujas ideias se revelam inconciliáveis. Teremos aquelas nas quais respeito e amor são prevalentes, mesmo quando as discussões se mostram infrutíferas. Teremos aquelas que foram pulverizadas pela discórdia.

    Ouve-se a torto e a direito: como é possível que meu irmão-primo-mãe-cunhado, tão gente boa, vote em fulano ou sicrano? A insistência em responder com uma generalização, que divide o mundo em bons e maus, só serve para nos encastelar ainda mais.

    Sombras de um homem e de uma mulher gritando um com o outro
    Gerd Altmann por Pixabay

    Mudanças de mentalidade são processos que levam gerações para acontecer e não se dão de forma homogênea. Convivem na mesma geração a minissaia e o tabu da virgindade, a visão essencialista da mulher e a primeira vereadora trans do Brasil. Não podemos apostar todas as nossas fichas nos desencontros nessa seara, sob pena de recrudescer resistências.

    Lembro de uma senhora evangélica que teve que enfrentar o pastor de sua igreja quando a filha se assumiu lésbica. Embora acreditasse que o lesbianismo era pecado, ela se recusou a cortar relações com a filha, a quem apoiou contra a igreja e parte da família. Sua posição conservadora e preconceituosa sobre as questões de gênero não impediu seu posicionamento ético. No caso, tratava-se de uma eleitora do atual presidente. Quem quiser chamá-la de fascista, em função da escolha de seu candidato, depois de tudo o que essa mulher foi capaz de sustentar para defender a filha, estará afastando qualquer possibilidade de diálogo que poderia emergir desse gesto.

    É compreensível que resistamos à transformação dos costumes devido ao medo de perda de parâmetros. Mas junto com a pauta de costumes, o maior avanço a ser conquistado ainda é a própria possibilidade de diálogo. Nesse ponto, a eleição atual diz respeito não só a dar ponto final a sabidos descalabros, mas ao direito de exprimir opiniões republicanas sem ser morto, metralhado, torturado, preso, exilado.

    O campo progressista, ciente da violência histórica que impera em nosso país, com a onipresença da escravidão, da ditadura e da fome, se afoba em acusar tudo e todos. O temor de retrocesso de conquistas sociais e políticas gera angústia compreensível, mas a acusação fácil queima as pontes que permitiriam avançar na mudança de mentalidades.

    Imaginar um país alijado da opinião dos 51 milhões de cidadãos que votaram em Bolsonaro é de uma arrogância e erro de cálculo preocupantes. Desse montante, sempre existirá uma parcela bem menor de radicais, para quem o diálogo inexiste. No entanto, se engana quem pensa que esses radicais são privilégio de afiliações políticas. A ignorância arrogante nunca será uma exclusividade do campo conservador.

    O que a senhora acima citada fez no caso da filha lésbica não foi uma mudança em seu sistema de crenças, mas a defesa ética do direito de todos a um lugar no mundo. E essa é simplesmente a base da democracia.

     

    segunda-feira, 10 de outubro de 2022

    Como acessar este blog

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    Boa leitura!

    Tecnologia não é sinônimo de inovação

    Entender o que seu público quer muitas vezes não passa por criar startups, digitalizar processos ou contratar consultorias
    Empresas nascem e morrem cada vez mais rápido, o que leva ao tabuleiro um grande desafio: como trabalhar a inovação nos modelos de negócios tradicionais?

    Na última quinzena de junho, Curitiba foi sede de um dos maiores eventos de gestão e inovação no Brasil, em que inúmeras marcas e empresas se reuniram para falar de desafios contemporâneos e da rápida mudança que o mercado exige de profissionais e corporações hoje em dia. Eventos desta natureza ajudam as pessoas a abrirem a mente e a terem a oportunidade de olhar para um mesmo assunto por outras perspectivas. Uma das falas que tenho percebido com frequência nas empresas é de que "necessitamos urgentemente inovar". Sim, esse assunto está na pauta das organizações. Empresas nascem e morrem cada vez mais rápido, o que leva ao tabuleiro um grande desafio: como trabalhar a inovação nos modelos de negócios tradicionais?

    Claro que não tenho essa resposta, contudo, posso afirmar que a questão não é um bicho-papão. Inovar sempre foi um desafio, desde que o mundo corporativo é mundo. Engana-se quem diz que, com a alta tecnologia, hoje tudo fica mais difícil. É preciso entender que inovação não é sinônimo de tecnologia. Ela até pode utilizar-se de muitas de suas ferramentas, mas não é e nunca foi a mesma coisa.

    Inovação é, por si só, a maneira que empresas criativas encontram para dar formato e soluções para atender a determinadas necessidades das pessoas. Ou seja, entender o que seu público quer muitas vezes não passa por sair criando startups, digitalizando processos ou contratando consultorias. Às vezes o que seu cliente quer é somente maior agilidade na entrega e uma personalização maior no atendimento, apena para citar dois exemplos simples. Uma pequena sacada pode ser a inovação no processo, o qual sua empresa necessitava para fidelizar o público. Não é porque ela tem um modelo tradicional, é que agora ela está com os dias contados para existir.

    Mas como agir, então, nesse mundo? Estimular o público interno a pensar diferente, a se colocar no lugar do cliente, buscar cursos, assistir a palestras, estudar sobre o negócio da companhia e a olhar mercados que não sejam somente os seus estimula a inovação. Se você somente se prender à tecnologia, vai achar que sua empresa sempre está atrasada – e isso não é bom. Afinal, você nunca vai acompanhar a velocidade de todo o processo tecnológico. Entender a inovação como uma solução para seu público pode ajudá-lo. O mundo não depende apenas de altos investimentos tecnológicos. Pense nisso!

     

    Só tarifa zero não basta, mostra cidade dos EUA que aboliu cobrança nos ônibus

      Alexandria, na Virgínia, investiu para melhorar sistema; metrópoles enfrentam desafios em testes

      Passageiros em linha de ônibus para o aeroporto de Boston, cidade que testa gratuidades pontuais no transporte Brian Snyder - 19.abr.22/Reuters

      Alexandria (EUA)

      A cidade de Alexandria, nos Estados Unidos, tem um sistema de ônibus quase que dos sonhos: os coletivos passam em intervalos curtos, geralmente chegam com assentos vagos, mantêm o ar-condicionado em temperatura agradável —e são grátis.

      O município de 154 mil habitantes, a 10 km de Washington, recebeu verba do governo da Virgínia para testar, por três anos, o modelo de tarifa zero. A iniciativa começou em setembro de 2021 e tem colhido bons resultados: o sistema recuperou 95% do volume de passageiros que tinha antes da pandemia.

      Nos EUA, mesmo com a reabertura das atividades, o transporte público continua com procura menor. Em todo o país, trens e ônibus receberam, em média, 17,2 milhões de usuários por dia no segundo trimestre de 2022. O número é 60% do registrado antes do início da crise sanitária; no mesmo período de 2019, a média era de 27,7 milhões por dia, segundo a APTA (Associação Americana do Transporte Público). O fenômeno é visto também no Brasil.

      Pontos de ônibus na cidade de Alexandria, na Virgínia (EUA), que adotou tarifa grátis - Rafael Balago/Folhapress

      Assim, várias cidades americanas estão fazendo experimentos com a tarifa para tentar atrair o público de volta. Em Boston, três linhas de ônibus têm tarifa zero desde março e ficarão assim ao menos até 2024. Em Washington, há tarifa mais barata aos fins de semana. Em Nova York, se um usuário fizer 12 viagens em sete dias ou gastar mais de US$ 33 (R$ 171) em tarifas, os demais deslocamentos na semana serão grátis —não é preciso fazer cadastro, basta usar a mesma forma de pagamento todas as vezes, seja cartão de transporte, bancário ou o celular.

      Em Alexandria, porém, o governo percebeu que só a tarifa grátis não seria suficiente para atrair passageiros e fez mudanças nas rotas e na quantidade de veículos. Funcionou. Quando a reportagem esteve na cidade, era raro ver pessoas por mais de cinco minutos no ponto.

      "Se uma pessoa sai de casa e sabe que pegará o ônibus em 10 ou 15 minutos, está disposta a esperar. Se for demorar 20 ou 30 minutos, não. A frequência dos ônibus é ponto muito importante para o sucesso", explica Canek Aguirre, conselheiro da cidade (cargo equivalente ao de vereador) e um dos idealizadores da iniciativa.

      A mudança nas rotas também buscou priorizar o atendimento a idosos, minorias (como imigrantes) e pessoas de baixa renda. A prefeitura também quer que os ônibus ajudem as pessoas a realizar outras tarefas ao longo do dia. "Estamos tentando mudar a mentalidade de levar as pessoas de casa para o trabalho e vice-versa. Elas têm outras coisas a fazer: ir ao médico, ao mercado, buscar as crianças."

      Filho de imigrantes mexicanos, Aguirre usou muito transporte público na infância, em Los Angeles, pagando na época US$ 0,25 (R$ 1,29 na cotação atual) por viagem, e sentiu a diferença quando pôde usar ônibus gratuitos nos tempos da universidade. Democrata, ele tomou posse como conselheiro de Alexandria em 2018 e passou a integrar conselhos regionais de transporte.

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      Em meio à crise sanitária, o governo federal e estados passaram a dar dinheiro para custear operações dos sistemas de transporte, como pagar combustível e salários dos motoristas. Antes, os investimentos eram concentrados em gastos pontuais, como a compra de veículos novos e a realização de obras viárias. Com isso, as cidades conseguiram manter frotas rodando e pensar em novos modelos.

      A tarifa grátis em Alexandria é custeada por um programa estadual, que busca provar se a ideia pode funcionar na prática. Aguirre aponta que o custo anual para manter as 11 linhas de Alexandria operando de forma gratuita é de cerca de US$ 25 milhões (R$ 129,4 milhões) —3% do Orçamento municipal. Depois que o teste acabar, será preciso debater se o gasto poderá ser incorporado de fato às contas públicas, a serem pagas por meio de impostos, ou se haverá outra fonte de recursos.

      Alexandria reúne condições que a tornam indicada para o experimento: é pequena, mas adensada: foi fundada em 1749, quando os EUA ainda eram colônia britânica, e mantém um ar antigo, com ruas estreitas e casas baixas, coladas umas às outras. Em cidades maiores, a tarifa grátis é um desafio mais amplo, pois manter sistemas de transporte para levar milhões de pessoas por dia demanda gastos bem mais altos. E é preciso enfrentar questões como trânsito e falta de espaço físico para intervenções.

      Eric Goldwyn, professor de urbanismo e transporte na Universidade de Nova York, lembra que metrópoles que testaram a tarifa zero acabaram vendo uma questão social se sobrepor ao experimento. "Pessoas sem teto andavam nos ônibus o dia todo, gerando reclamações e servindo como desestímulo para outros passageiros potenciais. Nossas cidades não estão fazendo um bom trabalho social."

      Ele põe a questão, então, em perspectiva. "Se você vai gastar alguns milhões de dólares para ônibus grátis, poderia usar esse dinheiro e os milhões arrecadados com a tarifa para adquirir mais veículos e fazer outras coisas", diz. "O dinheiro é mais bem gasto se for usado para criar um serviço mais frequente e confiável, que pode dar descontos para alguns públicos."

      A adoção da tarifa zero em metrópoles também esbarra na necessidade de acordos políticos amplos, envolvendo municípios e, às vezes, até estados vizinhos. A região metropolitana de Washington, por exemplo, divide-se entre o Distrito de Columbia e os estados de Maryland e Virgínia, e é atendida por um sistema parcialmente integrado de ônibus e metrô. Assim, embora Alexandria fique a menos de dez estações da Casa Branca, a chance de essa viagem ser grátis parece algo ainda distante.

      Questionado sobre a possibilidade, Aguirre suspira. "Não há nada que eu amaria mais do que um sistema de metrô grátis. Não acho que estamos perto disso. Mas pode haver um futuro para isso? Com certeza."

    CHARGE

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