quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Receitas gostosas e nutritivas com Quinoa

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Gastronomia

Foto: Divulgação

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Cada vez mais presente na mesa dos brasileiros, a Quinoa é uma ótima opção para quem procura um alimento saudável, nutritivo e saboroso. Consumir diariamente este alimento pode trazer benefícios como a redução do colesterol ruim (LDL), além de ajudar no reforço do sistema imunológico, no fortalecimento dos ossos e no bom funcionamento do sistema nervoso. Por ter baixo índico glicêmico, também oferece muita energia para quem ama um exercício físico. A Vapza, em parceria com a chef Camile Fiuza, separou algumas receitas saborosas, fáceis e cheias de sabor para quem deseja incluí-la em sua dieta. 

 

Pão de Quinoa  

 

Ingredientes

 

3 ovos

1 colher de sopa de azeite

1 xícara de Quinoa Orgânica

¹/² xícara de farinha de aveia 

 

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Modo de Preparo

 

Bata bem em um processador ou liquidificador, os ovos, o azeite de oliva e a quinoa, até ficar uma massa homogênea, bem cremosa. Você vai bater por aproximadamente uns 7 minutos.

 

Em uma tigela, misture as farinhas peneiradas e despeje todo o creme e vá mexendo até incorporar tudo. Depois, adicione o fermento e misture devagar.

 

Despeje a massa em uma forma retangular untada. Se quiser, pode finalizar com um mix de sementes por cima do seu pão Leve para assar, em forno pré-aquecido a 180º graus, por uns 30 minutos ou até dourar, mas fique atento, pois o tempo pode variar de forno para forno Tire o pão do forno e espere esfriar para desenformar.

 

Maionese de Quinoa

 

Foto: Divulgação

maionese de quinoa

 

 

Ingredientes

 

1 xícara de Quinoa Branca Orgânica
2 colheres de sopa de azeite de oliva
1 dente de alho pequeno
1 colher de sobremesa de mostarda Dijon
Sal a gosto
Colheres de sopa de suco de limão (se usar o siciliano dá um sabor especial)
15 g de salsinha
300 ml de água (ou o quanto for necessário
até chegar na consistência que você deseja)

 

Modo de preparo

 

Separe os grãos com a mão da Quinoa Branca (vamos usar meio pacote. Coloque todos os ingredientes no liquidificador, exceto a água Vá colocando a água aos poucos até ficar bem cremoso ou na consistência que você deseja Deixe bater bem, até virar um creme bem liso.

 

Os grãos da quinoa devem sumir por completo Coloque em um pote com vedação e mantenha sob refrigeração. Como é uma maionese que não leva ovo, tem uma validade maior. Então, se sobrar, dá para consumir sem medo.

 

Dica

 

Para montar o prato, utilize a Batata Inteira cozida no vapor. Corte em tamanhos iguais, misture delicadamente com a maionese de quinoa, coloque tempero e decore com salsinha ou o que sua criatividade quiser.

 

Tabule de Quinoa


Risoto de Quinoa
Pão de Quinoa
Maionese de Quinoa
Ingredientes
500 gramas de Mix de Quinoa Orgânica
75 gramas de cebola roxa (cubos pequenos)
75 gramas de pepino japonês meia lua
150 gramas de tomate salada (cubos pequenos)
20 gramas de salsinha picada
20 gramas de hortelã picada
20 ml de azeite de oliva
10 ml limão tahiti espremido
Sal e pimenta-do-reino a gosto

 

Modo de Preparo

 

Abra os pacotes de Quinoa Branca conforme orientação descrita na caixa Misture em uma tigela o mix de Quinoa com a cebola, tomate, pepino. Tempero com o limão, azeite de oliva, sal e pimenta a gosto. Decore com a hortelã e a salsinha. Sirva frio.

 

Risoto de Quinoa

Foto: Divulgação

risoto de quinoa

 

 Ingredientes

 

(Porção para 2 pessoas)
1 caixa de Mix de Quinoa Orgânica
¹/² caixa de Arroz Integral Orgânico
¹/² bandeja de cogumelo Paris cortado em lâminas
¹/² cebola bem picadinha
2 dentes de alho
1 unidade pequena de alho poró bem picadinha
¹/² lata de molho de tomate pelati
2 colheres de sopa de leite de coco
¹/² xícara de ervilha congelada
¹/4 de xícara de azeite de oliva
Cebolete para decorar
30gr de lâminas de amêndoas
Sal
Pimenta do reino a gosto
Noz moscada raladinha na hora (dá um sabor especial)
Tofu defumado ralado para finalizar (opcional)

 

Modo de Preparo

 

Antes de cortar os cogumelos, limpe um por um com papel toalha, não os lave, pois eles absorvem muita água Em uma panela fria, coloque metade do azeite de oliva, acrescente o alho, o alho poró, a cebola e deixe refogar bem.

 

Quando começar a ficar transparente, você vai acrescentar as colheres de sopa de água, pois isso vai postergar o processo de refogar, e vai agregar mais sabor na receita.

 

Depois de bem refogado, acrescente o leite de coco e deixe e fogo alto para poder reduzir bem e engrossar. Esse processo deve levar uns 10 minutos.

 

Acrescente o molho de tomate pelati (corte os tomates em pedaços menores) e deixe em fogo baixo, com a panela semi-tampada por aproximadamente uns 15 minutos. A ideia é deixar reduzir e engrossar bem nosso molho.

 

Enquanto isso, abra o seu pacote de arroz integral e mix de quinoa e solte bem os grãos com as mãos mesmo e reserve Engrossou o molho? Acrescente um pouco de sal e pimenta do reino e rale um pouco da noz moscada Acrescente o arroz integral e o mix de quinoa, as lâminas de cogumelo e a ervilha.

 

Misture e deixe incorporar o sabor do molho Mantenha em fogo baixo, se for necessário vá acrescentando um pouquinho de água, pois nosso risoto deve ficar bem cremoso Antes de desligar o fogo, prove e acerte o tempero, talvez seja necessário acrescentar um pouco mais de noz moscada Para finalizar, jogue a cebolete picada, as lâminas de amêndoas, e se quiser, pode acrescentar o tofu ralado também.

 

Misture delicadamente, e aí é só servir.

 

Receitas deliciosas com peixe

Gastronomia

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Rita Comini

Foto: Assessoria

Foto: Assessoria

Conhecido por ser uma importante fonte de proteínas, tanto em qualidade como quantidade, o pescado, de uma maneira geral,apresenta baixo teor de gordura e bons índices de vitaminas, minerais e, principalmente, ácidos graxos da família ômega 3. É uma boa fonte de ferro, cálcio, fósforo, iodo e cobalto e ainda de vitaminas do complexo B, e também de vitaminas A e D. Seu consumo está associado a uma dieta saudável e à redução do risco de doenças cardiovasculares e a funções importantes nas fases iniciais do desenvolvimento humano. Tanto que é utilizado na alimentação humana desde os primórdios.        

 

Em relação a outras carnes, é de fácil digestão e apresenta menor quantidade de gorduras saturadas, que está relacionada ao risco de doenças cardiovasculares, e maior teor de gorduras insaturadas (mono e poliinsaturadas), verdadeiras vedetes no mundo dos lipídios, tanto que, receberam o apelido de “gorduras boas”.      

 

Difundir e aumentar o consumo do produto é o foco da campanha Semana do Pescado, iniciada nacionalmente neste 01 de setembro e que se estende ao longo do mês. Em Mato Grosso, um festival de 10 a 25 de setembro vai contar com a participação de vários restaurantes que irão desenvolver pratos com pescado à preços promocionais.

  

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A presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Mato Grosso (Abrasel MT), Lorena Bezerra, reforça que as inscrições para os estabelecimentos participarem do festival podem ser feitas até domingo, dia 5.

 

Foto: Arquivo

Moqueca

 

Ela lembra que o pescado e um produto que o consumidor adora, por ser um dos alimentos mais saudáveis que temos. “O peixe faz parte da cultura cuiabana. Os bares e restaurantes são um dos maiores consumidores do pescado em geral, pois temos restaurantes especializados em pescados, como as peixarias e os restaurantes japoneses, sem falar nos pratos à base de pescado presentes nos cardápios de várias casas”.

 

Sobre a campanha que visa aumentar o consumo de pescado no país, enfatiza que bares e restaurantes são os grandes consumidores e revendedores do pescado e os pratos que servem são uma inspiração para criação dos almoços e jantares em família.

 

Não bastassem tantas qualidades e benefícios à saúde, o pescado é um alimento saboroso e um ingrediente muito versátil, permitindo as mais diversas preparações.

 

Confira aqui algumas preparações

 

Foto: Arquivo

Peixe assado com legumes

 

Peixe assado com legumes

 

Ingredientes

600 g de filé de peixe sem espinho
1 cebola
2 colheres (de sopa) de manteiga
Sal a gosto
Pimenta-do-reino branca a gosto
3 tomates
1 xícara (chá) de salsão
1 xícara (chá) de cenoura
1 xícara (chá) de batata

 

Modo de preparo


Cozinhe em água o salsão, a cenoura e a batata, al dente. Disponha as cebolas no fundo de uma travessa refratária.


Coloque as postas de peixe por cima e distribua 1 colher de manteiga. Salpique os tomates, o sal e a pimenta. Asse em forno pré-aquecido a 200ºC por 15 minutos. Junte os legumes cozidos e distribua o restante da manteiga. Asse por 20 minutos e sirva.

 

Peixe cremoso

Foto: Arquivo

Peixe cremoso

 

Ingredientes

100 g de ervilha congelada
1 vidro pequeno de leite de coco
5 filés de peixe sem espinho
Pimenta-reino-branca a gosto
1 colher (sopa) de salsinha picada
1 tomate pequeno
5 azeitonas pretas
Suco de 1 limão

Modo de preparo

 

Tempere os filés de peixe com o sal, a pimenta do reino e o suco do limão Disponha os filés em um refratário e despeja o leite de coco. Acrescente o tomate picado em cubos, as ervilhas e as azeitonas fatiadas. Salpique a salsinha e leve ao forno médio por cerca de 30 minutos ou até dourar o peixe.

 

Sirva em seguida.

 

Tambaqui assado

Foto: Arquivo

Tambaqui assado

 

 

Ingredientes
1 peixe grande tambaqui ou outro
do tipo redondo escamado e limpo
1 maço de salsa e cebolinha
1 maço de coentro
1 folha de louro
Suco de 2 limões
2 dentes de alho
2 pimentas dedo-de-moça
10 g de gengibre picado
2 copos de saquê seco
60 g de manteiga
Azeite, pimenta-do-reino e sal a gosto

 

Modo de preparo

 

Depois de bem lavado e enxuto, faça alguns cortes transversais profundos no peixe, dos dois lados. Passe pelo processar a salsa e a cebolinha com o coentro, o louro, a pimenta dedo-de-moça, o gengibre e o alho, temperando com sal.

 

Esfregue cuidadosamente todo o peixe com esta pasta, regue com o suco dos limões, cubra com as cebolas em rodelas, espalhe a pimenta-do-reino e deixe repousar por 40 minutos.

 

Em seguida, coloque-o numa travessa refratária untada com 30 g de manteiga, regue-o com a manteiga restante derretida e fios de azeite. Cubra com papel alumínio para levar ao forno e, durante o cozimento, vá regando com o molho em que foi temperado misturado com o saquê.

 

Quinze minutos antes de retirar do forno, cubra todo o peixe com rodelas de tomate, intercaladas com rodelas de cebola, regadas com azeite e volte a assar, retirando o papel alumínio.

 

Na hora de servir, salpique com salsa e coentro. Batatas cozidas podem acompanhar! 

 

CHARGE

GD 

Fonte: Gazeta Digital

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O que os donos do poder não querem que você saiba (Eduardo Moreira)

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"O que os donos do poder não querem que você saiba" (vídeo Eduardo Moreira) 

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Governo BOLSOnaro deixa vencer R$ 243 mi em vacinas, testes e remédios

    Estoque deve ser incinerado; diretor de logística diz que situação é indesejável, mas normal


    Brasília

    O Ministério da Saúde deixou vencer a validade de um estoque de medicamentos, vacinas, testes de diagnóstico e outros itens que, ao todo, são avaliados em mais de R$ 240 milhões. Agora, todos esses produtos devem ser incinerados.

    O cemitério de insumos do SUS está em Guarulhos (SP), no centro de distribuição logística da pasta. Ali estão 3,7 milhões de itens que começaram a vencer há mais de três anos. Quase todos expiraram durante a gestão de Jair Bolsonaro (sem partido).

    Presidente Jair Bolsonaro em primeiro planto. Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, em segundo plano. Ambos aparecem à frente de um banner azul onde se lê "Ministério da Saúde".
    O presidente Jair Bolsonaro participa com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, de cerimônia de assinatura do contrato de transferência de tecnologia da Astrazeneca para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para a Vacina contra a Covid-19. - Pedro Ladeira/Folhapress

    Todo o estoque é mantido em sigilo pelo ministério. A pasta usa documento interno de 2018 para negar pedidos de acesso aos dados sobre produtos armazenados ou vencidos, argumento já apontado como inadequado pela CGU (Controladoria-Geral da União).

    Mas a Folha teve acesso a tabelas do ministério com dados sobre os itens, número de lote, data de validade e valor pago pelo governo. A lista de produtos vencidos inclui, por exemplo, 820 mil canetas de insulina, suficientes para 235 mil pacientes com diabetes durante um mês. Valor: R$ 10 milhões.

    O governo Bolsonaro também perdeu frascos para aplicação de 12 milhões de vacinas para gripe, BCG, hepatite B (quase 6 milhões de doses), varicela, entre outras doenças, no momento em que despencam as taxas de cobertura vacinal no Brasil. Só esse lote é avaliado em R$ 50 milhões.

    Os produtos vencidos também seriam destinados a pacientes do SUS com hepatite C, câncer, Parkinson, Alzheimer, tuberculose, doenças raras, esquizofrenia, artrite reumatoide, transplantados e problemas renais, entre outras situações.

    Alguns itens que serão incinerados estão em falta nos postos de saúde.

    No fim de agosto, o governo da Bahia reclamou do atraso na entrega de medicamentos pelo ministério, como o metotrexato, usado para alguns tipos de câncer. Há 24 mil frascos-ampola vencidos no almoxarifado do governo Bolsonaro.

    O Ministério da Saúde também guarda cerca de R$ 420 mil em produtos perdidos dos programas de DST/Aids —sendo R$ 345 mil em testes de diagnóstico—, além de R$ 620 mil em insumos para prevenção da malária.

    Dados internos do governo mostram que devem ser incinerados mais de R$ 32 milhões em medicamentos comprados por ordem da Justiça. A maior parte desses fármacos é de alto custo e para tratamento de pacientes de doenças raras, uma bandeira do governo. Ao lado da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, o ministro Marcelo Queiroga (Saúde) lançou no último dia 31 a “Rarinha”, nova mascote do SUS.

    No meio deste estoque há um frasco-ampola de nusinersena, avaliado em R$ 160 mil, e 908 frascos de eculizumab, que custaram R$ 11,8 milhões. São medicamentos usados em dois dos tratamentos mais caros existentes.

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    A entidade calcula que 15 milhões de pessoas vivem com doenças raras no Brasil. “Eu nunca vi uma situação tão difícil em 12 anos. Não conseguimos nem falar com eles [representantes do ministério].”

    Parte dos medicamentos de doenças raras foi devolvida ao ministério por pacientes que deixaram de usar os produtos ou morreram. A Saúde não respondeu se fez o remanejamento dos fármacos.

    O deputado Luis Miranda (DEM-DF), que também teve acesso aos dados, fez questionamentos ao Ministério da Saúde sobre o volume de material desperdiçado. Para o deputado, que denunciou suspeitas de irregularidades na compra da vacina Covaxin à CPI da Covid, os medicamentos vencidos são ainda mais preocupantes.

    “A conduta é um escárnio com a saúde do Brasil. Medicamentos e recursos públicos, que poderiam salvar vidas, estão apodrecendo. Qual a razão para a compra desses medicamentos não utilizados? Qual o motivo de mantê-los armazenados depois de vencidos? Enriquecer empresas?”, disse.

    Em plena pandemia, o governo Bolsonaro também perdeu cerca de 2 milhões de exames RT-PCR para Covid, avaliados em mais de R$ 77 milhões.

    A fabricante fez uma doação de exames da Covid novos à Saúde para repor o estoque vencido, mas o intervalo e a burocracia até a chegada do produto fizeram cair a entrega dos exames ao SUS, como mostrou a Folha.

    O ministério ainda guarda 2,2 milhões de exames sem validade para o diagnóstico de dengue, zika e chikungunya, todos vendidos pelo laboratório público Bahiafarma. Estes lotes custaram cerca de R$ 60 milhões e foram interditados em 2019 por ordem da Anvisa. A Saúde não informou se pediu ressarcimento ou reposição destes exames.

    Com isso, ao todo, os testes de diagnóstico sem validade respondem por cerca de 60% (R$ 140 milhões) do valor dos insumos vencidos.

    O diretor do Dlog (Departamento de Logística) da Saúde, general da reserva Ridauto Fernandes, disse à Folha que a perda de validade de produtos “é sempre indesejável”, mas ocorre “em quase todos os ramos da atividade humana”. Ele afirmou que “não pode comentar” sobre o estoque.

    “Em supermercados, todos os dias, há descarte de material por essa razão”, disse o general. “Nos esforçamos para que isso não ocorra”, completou.

    Área que atua na ponta da linha da gestão dos insumos, o Dlog ficou sob comando de Roberto Dias, indicado do centrão, durante a maior parte do governo Bolsonaro. Ele só foi exonerado em 29 de junho, após o cabo Luiz Paulo Dominghetti afirmar à Folha que recebeu de Dias cobrança de propina para destravar a venda de vacinas.

    Em alguns casos, como de falha do produto ou quando ele é fornecido com validade curta, o governo consegue repor parte do estoque vencido por acordos contratuais com as fabricantes, mas a operação pode atrasar os tratamentos.

    Mas há situações de prejuízo total aos cofres públicos e aos pacientes, como no caso das canetas de insulina. Apesar da alta demanda, a Saúde não entregou e vai incinerar cerca de 20% da compra de estreia deste produto no SUS, feita em 2018.

    O endocrinologista Fadlo Fraige Filho, presidente da Anad (Associação Nacional de Atenção ao Diabetes), afirmou que erros cometidos ainda em gestões anteriores à de Queiroga levaram ao atraso na entrega das canetas aos pacientes.

    Ele disse que, além de demorar para comprar agulhas para as canetas, o governo exigiu que os produtos fossem liberados em centros especializados e após a apresentação de laudos complexos. "Elas deveriam ser distribuídas como são as (insulinas) regulares, nas unidades básicas, eventualmente no Farmácia Popular", disse.

    Procurada, a Saúde não explicou por que os produtos perderam a validade e qual o tamanho e valor do estoque que conseguiu repor nas negociações com fabricantes. Também não apresentou dados da série histórica dos estoques nem disse qual valor paga para armazenar e descartar os insumos vencidos.

    Em nota, a Bahiafarma disse que a diretoria da Anvisa ainda não julgou recurso sobre a interdição dos lotes. Também afirmou que os testes vencidos já começaram a ser recolhidos e que estão estocados em armazéns dos estados. Dados do ministério obtidos pela Folha, porém, apontam que há exames vencidos deste laboratório na central de distribuição do governo federal em Guarulhos.

    Para o presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), Carlos Lula, o estoque é desproporcional. “A situação é gravíssima e precisa ser apurada. Pode derivar não só de má gestão, mas ser ato de improbidade.”

    Representante da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), Wagner Gastão afirma que o volume de insumos vencidos é sinal de “degradação e desmonte” do ministério.

    “É uma máquina complexa, mas a história do ministério não é essa. Sempre há produtos vencidos, mas tem de ser algo residual, senão é indicador grave de ineficiência”, afirma Gastão. Ele também é professor de medicina da Unicamp e ex-secretário-executivo da Saúde (2003 a 2005).

    Ministério da Saúde esconde cemitério de insumos do SUS

    Dados obtidos pela Folha mostram estoque de medicamentos, testes e vacinas vencidos avaliado em mais de R$ 240 milhões. Há cerca de 3,69 milhões de itens, que podem servir a um número muito maior de pessoas no SUS, pois cada frasco de vacina, por exemplo, têm até dezenas de doses.

    Produtos vencidos

    CGLAB (Coordenação Geral de Laboratórios): R$ 140,73 milhões

    Mais de 2 milhões de testes RT-PCR de Covid, além de exames de dengue, zyka, chikungunya, leishmaniose e diversos reagentes.

    Vacinas: R$ 49,59 milhões

    Cerca 12 milhões de imunizantes para BCG, gripe, pólio, hepatite B, tetra viral, soros para diversas doenças, além de diluentes

    Remédios comprados por ordem judicial: R$ 32,99 milhões

    Principalmente medicamentos de alto custo para doenças raras, como eculizumab (HPN) e atalureno (Distrofia Muscular de Duchenne).

    Medicamentos excepcionais: R$ 17,72 milhões

    Caneta de insulina e tratamentos para hepatite C, esclerose múltipla, Alzheimer, Parkinson, entre outras doenças

    Outros: R$ 1,93 milhão

    Hemoderivados, tratamentos de raiva, tuberculose e produtos de prevenção à malária​

    Programas de DST/Aids: R$ 420 mil

    Principalmente kits de diagnóstico de HIV e HCV

    Fonte: documentos internos do Ministério da Saúde

 

CHARGE

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segunda-feira, 6 de setembro de 2021

As maiores águias do mundo estão morrendo de fome por causa do desmatamento na Amazônia

Águias harpias 

Nova pesquisa revela que essas aves, que se alimentam de preguiças e macacos-prego, não têm alimento suficiente para seus filhotes devido ao corte de árvores

Mais informações

As maiores águias do mundo estão em perigo. O desmatamento na Amazônia brasileira fez com que as harpias [ave mais conhecida no Brasil pelo nome de gavião-real], que podem pesar mais de sete quilos e medir até um metro de comprimento e dois de envergadura (distância entre as extremidades das asas), não tenham presas suficientes para manterem-se saudáveis e para alimentar seus filhotes, segundo revelou uma nova pesquisa publicada na quarta-feira na Nature.

Everton Miranda, professor da Escola de Ciências da Vida da Universidade de KwaZulu-Natal, na África do Sul, e primeiro autor do trabalho, conta que quando o desmatamento do habitat destas aves ultrapassa 50%, os filhotes começam a morrer de fome. “Durante o estudo, vimos filhotes de harpia que só recebiam comida a cada 15 dias durante meses antes de morrer”, diz Miranda.

A alimentação da harpia, o principal predador aéreo da Amazônia, se baseia exclusivamente em mamíferos que vivem nas copas das árvores, especialmente preguiças, macacos-prego marrons e macacos-lanudos cinzas. “Com o corte de árvores e a queima das matas tropicais da região de Mato Grosso, estas presas se vão e as harpias não encontram o que comer nem como alimentar os filhotes”, diz o pesquisador.

Harpia adulta chega com um braço de macaco a um ninho monitorado por uma armadilha fotográfica.Everton Miranda.

Os biólogos de todo o mundo sabem com certeza que os predadores ápice, que estão no topo da cadeia alimentar e não têm outros predadores, estão seriamente ameaçados e que suas extinções locais se devem frequentemente a falhas na aquisição de presas. No entanto, até agora nenhum estudo tinha examinado o impacto da perda de floresta na ecologia alimentar destas grandes aves.Miranda e seus colegas monitoraram com armadilhas fotográficas 16 ninhos de harpia ativos no meio de paisagens da Amazônia brasileira que sofreram de 0 a 85% de perda florestal.

Descobriram que apesar da redução de possíveis presas, estas águias não puderam mudar de dieta e continuaram buscando, sem sucesso, os mesmos mamíferos que antes viviam nas copas das árvores.

Só em 2020 a Amazônia brasileira perdeu 11.088 quilômetros quadrados de árvores, de acordo com o balanço anual divulgado pelas autoridades, um aumento de 9,5% em relação ao ano anterior. Carlos Peres, professor da Faculdade de Ciências Ambientais da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, e coautor do trabalho, explica que as conclusões do estudo demonstram que estas águias necessitam de um habitat florestal de alta qualidade para se reproduzir. “A área total da floresta ao redor dos ninhos ativos deve ser suficientemente grande”, explica Peres.

O estudo também mostrou que as presas alternativas que existem em áreas desmatadas não são adequadas para alimentação dos filhotes. “As áreas com mais de 50% de desmatamento não são aptas para que as harpias criem seus filhotes com êxito”, se lê nas conclusões do estudo. Os autores estimam que desde 1985 o desmatamento possa ter causado uma diminuição substancial no número de casais reprodutores, aproximadamente de 3.256.

Harpia pousada em uma árvore na floresta do Mato Grosso, na Amazônia brasileira.Lailson Marques

Peres diz que as harpias estão muito ameaçadas e são as menos conhecidas de todas as grandes águias existentes na Terra. “O desmatamento em seu bastião da Amazônia está destruindo grande parte do habitat dentro de sua área de distribuição geográfica. Como biólogos da conservação, estes se tornam temas urgentes para investigar”, diz o pesquisador brasileiro. Além do desmatamento, Peres afirma que outra ameaça a estas aves é a caça indiscriminada. “Trabalhei durante muito tempo no norte do Mato Grosso e sei que os agricultores mataram muitas harpias ao longo dos anos.”

Os dois cientistas, que há décadas estudam os efeitos do desmatamento sobre a biodiversidade da Amazônia, concordam que os primatas e as preguiças que ainda vivem nas florestas são muito poucos para atender às demandas alimentares da harpia: “Cada adulto consome 800 gramas de carne por dia”, diz Miranda. E acrescenta: “As taxas de alimentação diminuíram substancialmente com a perda de florestas e vimos três indivíduos mal alimentados morrer de fome”.

Miranda e Peres explicam que o desmatamento no estado de Mato Grosso chega a 35% dos 428.800 km2 de floresta que existiam antes da chegada do homem. “É um percentual altíssimo se considerarmos que só foi colonizado há 45 anos”, diz Miranda. Em apenas cinco décadas, o habitat dessa espécie foi reduzido em mais de um terço.

Harpia adulta chega ao ninho sem presa para alimentar seu filhote. Everton Miranda.

Outra descoberta do trabalho mostrou que nas partes da floresta onde o desmatamento ultrapassou 70% as águias nem sequer podiam fazer ninhos. Os autores concluem que, como as harpias reprodutoras dependem de alimentos específicos e raramente caçam em áreas desmatadas, sua sobrevivência depende da conservação da floresta.

Nesse sentido, os pesquisadores propõem uma ação decisiva de conservação florestal. É fundamental interromper o corte de árvores e assim tentar preservar a conectividade da floresta que ainda existe, levar as águias jovens para habitats com mais árvores e fornecer suplementos alimentares aos filhotes recém-nascidos. “As estratégias imediatas são o fornecimento controlado e responsável de alimentos complementares aos filhotes em ninhos em lugares com mais de 50% de perda de floresta”, diz Miranda, e conclui: “É urgente e necessário que o Governo reprima adequadamente o desmatamento ilegal”.

 

CHARGE

Eliane Brum | Bolsonaro é mito, sim

domingo, 5 de setembro de 2021

Paulo Gala traça o cenário da economia brasileira

https://youtu.be/0ZyTVzikKJ8

 

Clique no link acima (entrevista com o economista Paulo Gala)

Meritocracia bloqueia a classe média e perpetua a desigualdade, diz autor

(Foto: Getty Images)
(Foto: Getty Images)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Premiar talento e esforço parece justo, à primeira vista, já que a meritocracia promete substituir os privilégios de herança por um modelo mais eficaz. Em seu "A Cilada da Meritocracia", no entanto, o autor britânico radicado nos Estados Unidos Daniel Markovits aponta que não é bem assim. 

"Mérito é uma farsa", escreve o professor da Escola de Direito da Universidade Yale, nos Estados Unidos, na primeira linha do livro. Para ele, a meritocracia bloqueia oportunidades para a classe média, leva a sociedade ao ressentimento e deixa a elite acreditar ser parte de uma casta que está nessa posição apenas por mérito próprio. 

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A obra combina conceitos de economia e sociologia, discutindo os embates entre classes ao refazer um caminho percorrido por autores importantes, como Thorstein Veblen havia feito ao descrever o papel, o comportamento e as contradições da "classe ociosa" do fim do século 19. 

Agora, Markovits argumenta que a "ociosidade" foi substituída pelo mito da mobilidade social por mérito, gerando uma amargura crescente na classe média nos Estados Unidos (e não apenas lá), que se vê apartada dos melhores empregos e das escolas de ponta para seus filhos. 

A armadilha dos tempos atuais é que a meritocracia pretende justificar as desigualdades que produz e cria uma elite que se considera virtuosa e trabalhadora, diz o autor, em entrevista à Folha de S.Paulo

"O truque ideológico da meritocracia é que isso é verdade em certo sentido —ao contrário dos aristocratas que simplesmente herdaram riqueza e status, os meritocratas devem trabalhar (e fazer seu trabalho de forma cada vez mais árdua e produtiva) para progredir e manter suas conquistas." 

Em seu livro, ele ressalta que, embora existam grandes exemplos de pessoas que saíram de condições sociais difíceis e conseguiram mudar de vida, é preciso olhar para a desigualdade estrutural. Ainda que seja importante valorizar dedicação e talento, um sistema de mérito não pode se basear na exceção para se considerar funcional. 

Ao mesmo tempo que as elites da meritocracia se consideram fruto do mérito próprio, elas se beneficiam das enormes desigualdades em investimentos educacionais e se empenham para dar a seus filhos a mesma formação de ponta que só elas podem pagar. 

"Desse modo, a meritocracia forma novas castas e se torna um novo método pelo qual as famílias da elite podem passar privilégios de geração a geração, criando uma nova barreira para o aumento da igualdade de oportunidades", afirma o autor. 

Por outro lado, a classe dominante também entrou em uma espécie de armadilha, ao ter de municiar seus filhos para a competição por melhores empregos e oportunidades, investindo em padrões de formação cada vez mais elevados. 

Esse sistema aumenta também as expectativas e cobranças sobre as novas gerações no topo da pirâmide meritocrática, que hoje precisam se esforçar muito mais que seus pais e avós para manter um padrão de vida semelhante. 

É como uma maratona para superar todos os outros competidores, em que algumas pessoas largam com vantagem, a maior parte fica pelo caminho e os vencedores depois justificam as recompensas como resultantes apenas do "mérito" individual. 

Nesse sentido, Markovits argumenta que, embora ajude a perpetuar a baixa mobilidade social dos mais pobres, a meritocracia (e suas promessas de status e riqueza como recompensas por desempenho) também não é boa para a elite. 

Segundo o autor, as elites estão chegando à maturidade cada vez mais exaustas, e mesmo quem está no topo já começa a se rebelar contra a qualificação intensiva e competitiva como forma de manter o status social. 

Ele lembra o número crescente de "filhos da meritocracia" que começam a questionar a busca sem fim por mais produtividade e reconhecimento —uma semente que já se nota tanto em universitários norte-americanos quanto em jovens chineses. 

A elite da meritocracia teme não conseguir alcançar uma realização verdadeira e mesmo os que ficarem ricos nunca atingem um nível de satisfação pessoal, caminhando para uma ansiedade coletiva e um medo de não estar à altura, complementa o autor. 

Ao contrário do discurso meritocrático, ele argumenta também que o Estado deve trabalhar para reduzir as enormes desigualdades sociais, sobretudo com investimentos em educação, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. 

"Isso é absolutamente essencial para alcançar a justiça econômica. Também é importante ressaltar que o atual sistema de meritocracia não está, de fato, isento de intervenção do Estado, longe disso." 

Ele afirma que há uma série de leis e políticas públicas no sentido contrário —incluindo, por exemplo, o status de isenção de impostos concedido às escolas e universidades privadas de elite, o que equivale a um subsídio público maciço em favor dos mais ricos. 

Ruim para os mais pobres, ao perpetuar desigualdades, e aprisionador também para a elite, a quem serviria, então, o mito meritocrático? Segundo o autor, a falsa recompensa pelo mérito já não funciona e serve para criar um clima de ressentimento entre a parcela da população que não consegue progredir. 

Esse rancor ajuda a inflamar discursos de populistas, como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Jair Bolsonaro, no Brasil. Eles conseguiram responder ao ressentimento crescente com promessas vagas, como a de "um Brasil acima de tudo" ou "fazer com que a América seja grande novamente". 

O poder ideológico da meritocracia faz a desigualdade que ela promove parecer justificada, tendo por base o esforço e a habilidade de uma elite, explica Markovits. Ao mesmo tempo, pessoas de fora da elite sentem que o sistema atual não serviu para abrir oportunidades e dá aos ricos e aos pobres chances imensamente desiguais. 

"Essa tensão, entre as reivindicações da elite por aumentar seus direitos e o maior entendimento da maioria sobre privilégios injustos, acaba por tirar crédito das elites, incluindo as instituições de ensino da elite, aos olhos das pessoas comuns. O populismo decorre naturalmente dessa perda de confiança no conhecimento e nas instituições."

 

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Arroz de forno delicioso

Por Redação


Arroz de forno extraordinário, um almoção completo e bem gostoso!
Foto: Reprodução/ Gabriel Freitas


Ingredientes

  • 4 xícaras de arroz cozido
  • 4 linguiças frescas (eu coloquei aquela para churrasco)
  • 1 bife de carne de boi picado
  • 1 colher de sopa de azeite
  • 1/2 colher de sopa de alho picado
  • 1 cenoura picada
  • 1/2 pimentão verde picado
  • 2 tomates picados
  • 1 cebola picada
  • 1/2 lata de milho verde
  • 1/2 lata de ervilha congelada (usa a lata de milho como medida)
  • 1 ovo
  • 1 pitada de sal e pimenta do reino
  • Farinha de rosca e queijo ralado a gosto

Modo de Preparo

  1. Pré-cozinhar as cenouras e a ervilha, reservar.
  2. Fazer um refogado com a carne as linguiças, cebola e o alho.
  3. Acrescentar o milho, ervilha, cenoura, pimentão, tomate, sal e pimenta.
  4. Colocar em uma travessa a metade do arroz, acrescentar o refogado e o restante do arroz.
  5. Por último bata um ovo, despeje sobre o arroz, salpique farinha de rosca e queijo parmesão ralado.
  6. Dourar no forno por cerca de 15 minutos.


 

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FONTE: GAZETA DIGITAL

Câmara aprova texto-base da reforma do IR com apoio da oposição

Para conseguir aprovar a proposta, relator negociou mudanças como deixar irrestrita a adesão à declaração simplificada e a ampliação de incentivos fiscais; placar foi de 398 votos favoráveis a 77 contrários

Camila Turtelli e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2021 | 19h17
Atualizado 02 de setembro de 2021 | 00h34

BRASÍLIA - Com apoio dos partidos de oposição, o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), conseguiu a aprovação, por 398 a 77, do texto-base da reforma que altera o Imposto de Renda para pessoas físicas, empresas e investimentos. Para conseguir o aval dos deputados, o texto foi modificado para deixar de fora a restrição do acesso à declaração simplificada. Além disso, o parecer aprovado amplia incentivos fiscais para setores específicos.

Depois de três tentativas frustradas, Lira usou o rolo compressor e surpreendeu na hora da votação, patrocinando o acordo com os partidos da oposição, capitaneados pelo PT, mas com apoio até mesmo do PSOL. Novas concessões foram feitas, com redução da arrecadação federal, sem que cálculos tenham sido apresentados pela equipe econômica. A votação começou sem que os parlamentares tivessem acesso ao texto final.

O acordo não obteve, porém, a anuência de toda a oposição. Alguns deputados veem como um erro dar uma vitória para o projeto do governo Bolsonaro às vésperas das manifestações do feriado da Independência de 7 de setembro. O discurso acordado para a votação foi de que não se tratava mais de um projeto do governo Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes, mas da Câmara. Os deputados ainda vão analisar nesta quinta-feira, 2, 26 sugestões de alteração do texto-base, chamadas de destaques. Depois, a reforma segue para o Senado.

Câmara dos Deputados
Acordo com oposição ajudou a destravar votação da reforma do IR na Câmara. Foto: Cleia Viana/Agência Câmara - 1/9/2021

Mudanças para pessoas físicas

Para atender os partidos de oposição, o relator do projeto, deputado Celso Sabino (PSDB-PA), propôs retirar a restrição ao uso do desconto simplificado na tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). Os contribuintes que optam pela simplificada podem abater 20% do imposto sobre a soma dos rendimentos tributados. No projeto inicial, enviado pelo governo, só os contribuintes com renda anual de R$ 40 mil (pouco mais de R$ 3 mil por mês) poderiam aderir à modalidade. Com o acordo, esse limite caiu. 

Além disso, o desconto máximo na declaração do IR (que hoje é de R$ 16.75,34) caiu para R$ 10.563,60 pelo texto-base aprovado pelos deputados. O governo queria uma redução maior, para R$ 8 ml. 

Outra alteração é a ampliação da faixa de isenção da tabela do IR, que passa a ser para todos os contribuintes que ganham até R$ 2,5 mil (hoje, esse limite é de R$ 1,9 mil). Os valores das demais faixas do IR também serão reajustados, em menor proporção. Segundo o governo, a atualização vai isentar 5,6 milhões de novos contribuintes. Com isso, os isentos passariam dos atuais 10,7 milhões para 16,3 milhões. Já os demais trabalhadores com carteira de trabalho assinada terão um desconto menor no contracheque.

Mudanças para empresas

Sem citar em plenário, o relator fez mudanças na redução da alíquota do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Ele apresentou cinco versões do parecer. Na última, protocolada nesta quarta-feira, 01, prevê uma redução de 15% para 8% da alíquota-base do IRPJ (portanto, de sete pontos porcentuais). A alíquota adicional fica mantida em 10%. Dessa forma, a alíquota do IPRJ cairá dos atuais 25% para 18%. 

O texto aprovado ainda prevê uma redução adicional da carga tributária das empresas por meio da diminuição das alíquotas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) em até um ponto procentual. Mas essa queda está condicionada à revogação de benefícios fiscais do PIS/PASEP e da COFINS destinados a setores específicos.

No último parecer antes da votação, a redução do IRPJ era mais agressiva, de 8,5 pontos porcentuais, passando de 25% para 16,5%. A CSLL cairia 1,5 ponto porcentual. Ele mudou de ideia para angariar apoio de governadores e prefeitos, que alegam perda de recursos com a reforma, já que a arrecadação do Imposto de Renda das empresas é compartilhada com Estados e municípios, e a da CSLL, não. Com esses cortes, a carga tributária cobrada das empresas deve cair dos atuais 34% para 26% (sete pontos porcentuais do IR e um ponto porcentual da CSLL).

Sabino afirmou que não haverá perda alguma para os cofres de Estados e municípios, mas não explicou como. O Estadão apurou que o acordo envolve a aprovação de uma proposta para os municípios parcelarem as dívidas previdenciárias e ganharem alívio de R$ 31 bilhões. 

Lucros e dividendos

Sem dar detalhes, Sabino informou que manteve a taxação sobre a distribuição de lucros e dividendos como estava no seu parecer, em 20%. Atualmente, não é cobrado imposto sobre esse tipo de remuneração a acionistas. Parlamentares que participaram das negociações finais informaram que há um destaque (sugestão de mudança) ao parecer para aprovação de uma alíquota menor, de 15%.

Ficam isentos da cobrança os lucros e dividendos distribuídos por empresas que estão no Simples Nacional e por empresas optantes do regime de lucro presumido que faturam até R$ 4,8 milhões.

Dividendos até R$ 20 mil distribuídos por pequenos negócios e os distribuídos entre integrantes do mesmo grupo econômico também permanecem isentos de cobrança.

Sabino também manteve o fim do chamado Juros de Capital Próprio (JCP), mecanismo usado pelas grandes empresas para remunerar os seus acionistas com a possibilidade de deduzir essa despesa do imposto a pagar. Essa era também uma bandeira da oposição, mas que já estava no último parecer.

O líder do governo, Ricardo Barros (Progressistas-PR), fez um compromisso de que não haverá vetos do presidente à taxação na distribuição de lucros e dividendos, isenta desde 1995, e nem ao fim do JCP. Se houver vetos, por razão jurídicas, o líder disse que será feito acordo para derrubar o veto.

'Ajustes finos'

Sabino informou que fez "ajustes finos" para atender o setor agropecuário e manteve a possibilidade de dedução do que as empresas gastam no chamado PAT (vale-alimentação e vale-refeição dos funcionários).

Na contramão do que pretendia a equipe econômica, Sabino ampliou as isenções do Imposto de Renda. Sem falar claramente em valores, ele informou que “multiplicou” o porcentual de dedução das doações, gastos e patrocínios com cultura (Lei Rouanet), obras audiovisuais, incentivo ao esporte e fundos de apoio à criança, ao adolescente e de amparo ao idoso. Essa seria uma forma, segundo a oposição, de esses incentivos não serem prejudicados pela redução da alíquota base do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).

O acordo também prevê a prorrogação por mais cinco anos da dedução das doações e patrocínios ao Pronan e Pronas, programas de incentivos voltados para atendimento de pessoas com câncer e com deficiência. Segundo Sabino, a medida atende entidades filantrópicas que atuam no apoio ao tratamento do câncer. Esses incentivos seriam encerrados ao final de 2021. Também foram prorrogados incentivos ao esporte, que seriam encerrados no final de 2022.

“Acabamos de participar de uma Olimpíada onde vários jovens, atletas que participaram receberam incentivo, receberam patrocínio através da lei de apoio ao esporte”, disse Sabino. Segundo ele, a Lei de Incentivo ao Esporte permite que as empresas possam doar até 1% do seu imposto de renda para essas entidades.

Num tom ufanista, o relator disse que votar a favor do projeto é votar a favor das empregadas domésticas, dos professores e de todos os contribuintes que pagarão menos imposto.

Embora inicialmente Sabino tivesse encerrado a desoneração de embarcações, aeronaves e suas partes e peças, no texto aprovado o benefício fiscal permanece em vigor.

A versão aprovada também aumenta de 4% para 5,5% a alíquota sobre ferro, cobre, bauxita, ouro, manganês, caulim e níquel da Compensação Financeira por Exploração Mineral (CFEM), cobrada por uma autarquia do Ministério de Minas e Energia. Ainda, inclui o nióbio e o lítio no rol desses minérios.

Originalmente, o relator havia sugerido repassar a parte da União na arrecadação para Estados e municípios, a fim de compensar as perdas na arrecadação com o IRPJ. Entretanto, o texto aprovado mantém a fatia com a União.

Elogios

Sabino foi muito elogiado pela oposição, que não ouviu muitos especialistas ligados à esquerda que apresentavam restrições ao texto por aumentar ainda mais a chamada regressividade do sistema tributário, quando os ricos pagam proporcionalmente menos impostos. O texto manteve, por exemplo, incentivos à chamada pejotização, quando profissionais liberais (como advogados, médicos, economistas e contadores) atuam como pessoa jurídica (PJ) para pagar menos impostos.

“Eu quero aqui, publicamente, elogiar relator pela integridade com que conduziu esse debate difícil. Esse é um tema que está longe de um acordo imediato. Os interesses contrários são muito fortes”, disse o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ), líder da minoria.

“Até 2015, nos governos do PT, a revisão da tabela era feita acima da inflação e, desde 2015, apesar de o presidente Bolsonaro ter dito que faria uma faixa de isenção de R$ 5 mil, nós não temos revisão da tabela do Imposto de Renda. O projeto faz essa revisão”, disse o líder do PT, Afonso Florence (PT-BA). 

Críticos do atropelo da tramitação alertaram que uma votação dessa forma é inconstitucional por violação ao devido processo legislativo. A equipe econômica passou ao largo dessas negociações e cálculos não foram apresentados.

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Reforma do Imposto de Renda: o que muda com o texto-base do projeto aprovado na Câmara

Câmara fez mudanças de última hora para ter apoio da oposição e aprovar o projeto; saiba o que muda no Imposto de Renda para pessoas e empresas e como fica a declaração simplificada

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2021 | 23h28

BRASÍLIA - Por 398 votos a 77, a Câmara dos Deputados  aprovou na noite de quarta-feira (1º) o texto-base da reforma do Imposto de Renda (IR) de pessoas físicas, empresas e os investimentos. A sessão foi encerrada antes da análise dos chamados destaques (sugestões de alteração na matéria), que podem ser votados nesta quinta, 2. Depois, a reforma segue para o Senado. 

Para conseguir o aval dos deputados, o texto foi modificado para deixar de fora a restrição do acesso à declaração simplificada. Além disso, o parecer aprovado amplia incentivos fiscais para setores específicos.

Arthur Lira
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira. Foto: Cleia Viana/ Agência Câmara

Depois de três tentativas frustradas para votar o projeto, o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL),  usou o rolo compressor e surpreendeu na hora da votação, patrocinando o acordo com os partidos da oposição, capitaneados pelo PT, mas com apoio até mesmo do PSOL. Novas concessões foram feitas, com redução da arrecadação federal, sem que cálculos tenham sido apresentados pela equipe econômica.

Veja o que muda com a reforma do Imposto de Renda:

Imposto de Renda Pessoa FísicaA faixa de isenção sobe de R$ 1.903,98 para R$ 2,5 mil, uma correção de 31%. Com isso, mais de 5,6 milhões passarão a ser considerados isentos. As demais faixas do IR também foram ajustadas, mas em menor proporção (cerca de 13%).

Desconto simplificado na declaração do IR:

  • Pelas regras atuais, todas as pessoas físicas podem optar por esse desconto, e o abatimento é limitado a R$ 16.754,34. Pela proposta inicial, somente quem tem renda abaixo de R$ 40 mil por ano (pouco mais de R$ 3 mil por mês) poderia optar pelo desconto simplificado na declaração anual do IR — que estaria limitado a R$ 8 mil. O projeto aprovado libera o uso do simplificado todos os contribuintes.  O desconto simplificado caiu do teto de 16.754,34 para 10.563,60.

Ganhos de capital com imóveis:

  • O governo propôs reduzir a alíquota do Imposto de Renda (IR) sobre ganhos de capital na venda de imóveis para 4% se o contribuinte atualizar o valor da propriedade. 
  • Pelas regras atuais, a alíquota do IR sobre ganhos de capital é de 15% e 22,5% e a incidência ocorre quando o contribuinte vende ou transfere a posse do imóvel.
  • O prazo para atualizar o valor do imóvel, e pagar uma alíquota menor, pela proposta do governo, será de janeiro a abril de 2022.

Imposto de Renda para empresas:

  • Guedes propôs a redução da alíquota, que atualmente é de 15%. A proposta era de que o valor caísse em 2,5 pontos percentuais em 2022 (para 12,5%) e mais 2,5 pontos percentuais a partir de 2023, chegando a 10%.
  • O relator chegou a propor uma queda de 12,5 pontos porcentuais, mas, entre idas e vindas, a queda ficou mais tímida. O corte ficou em 7 pontos porcentuais, com a diminuição de 15% para 8% da alíquota-base do IRPJ. A alíquota adicional fica mantida em 10%. Dessa forma, a alíquota do IRPJ cairá dos atuais 25% para 18%.  
  • A alíquota da CSLL (hoje são de três tipos: 9%, 15% e 20%) cai até um ponto porcentual. Mas essa queda está condicionada à revogação de benefícios fiscais do PIS/PASEP e da COFINS destinados a setores específicos

Lucros e dividendos:

  • O governo propôs o retorno da tributação sobre a distribuição de lucros e dividendos das empresas a pessoas físicas, que vigorou até 1995. Atualmente, não há cobrança.
  • O projeto aprovado prevê uma alíquota de 20% na fonte. Mas os deputados ainda vão votar uma sugestão de mudança e devem derrubar a alíquota para 15%. Empresas do Simples e do lucro presumido (muito usado por profissionais liberais) com faturamento de até R$ 4,8 milhões por ano permanecem isentas.

Juros sobre capital próprio: 

  • A proposta ainda prevê o fim dos juros sobre capital próprio, que consiste na distribuição dos lucros de uma empresa de capital aberto (que tem ações na Bolsa) aos seus acionistas. Atualmente, as empresas são isentas e há incidência do IR de 15% quando os recursos são depositados nas contas dos acionistas.

Cortes de benefícios fiscais:

  • Para compensar a perda de arrecadação com a redução do imposto das empresas, o relator propôs cortar alguns benefícios: isenção de IR sobre auxílio-moradia de agentes públicos; crédito presumido aos produtores e importadores de medicamentos; redução a zero das alíquotas de determinados produtos químicos e farmacêuticos; desoneração para termelétricas à gás natural e carvão mineral.
  • Embora inicialmente Sabino tivesse encerrado a desoneração de embarcações, aeronaves e suas partes e peças, no texto aprovado o benefício fiscal permanece em vigor.

Royalties de mineração:

  • A versão aprovada também aumenta de 4% para 5,5% a alíquota sobre ferro, cobre, bauxita, ouro, manganês, caulim e níquel da Compensação Financeira por Exploração Mineral (CFEM), cobrada por uma autarquia do Ministério de Minas e Energia. Ainda, inclui o nióbio e o lítio no rol desses minérios.
  • Originalmente, o relator havia sugerido repassar a parte da União na arrecadação para Estados e municípios, a fim de compensar as perdas na arrecadação com o IRPJ. Entretanto, o texto aprovado mantém a fatia com a União.

Benefícios estendidos:

  • Como parte do acordo com partidos da oposição, foi mantida a dedução de doações para os Fundos do Idoso e da Criança e do Adolescente, em favor de projetos desportivos e paradesportivos, de projetos culturais, de obras audiovisuais brasileiras de produção independente e de serviços e ações do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon) e do Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência (Pronas/PCD).