terça-feira, 15 de agosto de 2017

O que pode causar uma nova crise financeira?

Última quebra dos mercados, há uma década, foi desencadeada por um colapso no setor imobiliário americano. Desta vez, investidores e economistas olham com atenção para outros possíveis gatilhos de um novo "crash".
Apesar de a presidente do Fed (Federal reserve, o banco central americano), Janet Yellen, ter dito no mês passado que - "durante as nossas vidas" - é improvável uma crise financeira no nível da que abalou o mundo em 2007/2008, analistas dos mercados de ações especula que um novo desastre poderia acontecer nos próximos meses.
Jim Rogers, cofundador do Quantum, um grupo privado de fundos hedge (de proteção contra flutuação de preços no mercado de ações), disse ao site Business Insider em junho que um colapso do mercado aconteceria "mais para o final do ano ou no ano que vem".
Numa entrevista ao canal de televisão CNBC, o investidor suíço Marc Faber, também conhecido como "Dr. Catástrofe", previu que alguns acionistas "perderão 50% de seus ativos" durante o que ele descreveu como uma "avalanche" de vendas.
Leia também: O que o mundo aprendeu com a crise financeira global?
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Os dois investidores acusam a classe política de empurrar com a barriga o problema de uma crise financeira iminente, ao não tratarem das fraquezas estruturais na economia global após o último crash.
Problema adiado
A Grande Recessão, como ficou conhecida, foi desencadeada por uma queda no mercado imobiliário americano. Ela levou à inadimplência massiva no mercado de hipotecas subprime, que oferecia empréstimos imobiliários a clientes considerados de alto risco. A falta de pagamento gerou a maior crise bancária internacional desde a Grande Depressão nos anos 1930.
Em 2009, numa tentativa de evitar um colapso do sistema financeiro, o Fed e outros bancos dos Estados Unidos emitiram trilhões de dólares em forma do que em inglês se chama de Quantitative Easing (flexibilização quantitativa). Desde então, o dinheiro criado pelas instituições financeiras vem sendo despejado nos mercados financeiros e de outros ativos, como o imobiliário.
 
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O que é, afinal, protecionismo?

A onda de gastos do Fed levou a uma alta de preços recorde e críticas de que os ganhos da maior parte dos proprietários de ativos – ou seja, os 5% mais ricos dos EUA – não acabaram filtrados na economia real do país.
Analistas apontam também para outros gatilhos de um possível novo colapso financeiro, incluindo um crash da economia chinesa, altamente endividada – e com a qual países do mundo inteiro vêm estabelecendo relações crescentes. Uma crise potencial causada por inadimplência nos empréstimos de estudantes nos Estados Unidos também está na pauta dos observadores de mercados financeiros consultados pela DW.
Segundo o diário britânico Financial Times, graças a um aumento na quantidade de estudantes nas universidades e um encarecimento das mensalidades, o mercado de empréstimos estudantis dos EUA atualmente é maior do que os empréstimos registrados com compras feitas com cartão de crédito ou compras de carros, por exemplo – estas somariam US$ 1,4 trilhão.
O jornal alertou para o fato de que 8 milhões dos 44 milhões de estudantes que recebem créditos dos bancos atualmente não têm capacidade de pagar as cessões temporárias de dinheiro – um problema que provavelmente vai se agravar devido a uma recuperação econômica morna.
Mesmo que não estejam tão pessimistas sobre as possibilidades imediatas para a economia global, analistas financeiros concordam que é insustentável depender da flexibilização quantitativa e apostar em baixas taxas de juros para manter as economias de vários países funcionando.
"Estamos dependendo de preços altos de ativos e continuando a inflar os preços desses ativos, tudo isso combinado com altos níveis de empréstimo do consumidor – e esta é uma mistura um pouco tóxica, que pode gerar instabilidade financeira", diz à DW Fran Boait, diretora executiva da organização não governamental Positive Money, com sede em Londres.
Fundado em 2010, o grupo Positive Money luta por reformas no chamado sistema de reserva fracionária, praticado em vários países do mundo. Esse sistema permite a bancos, por exemplo, fazerem empréstimos ou investimentos em valor muito maior ao valor sob sua guarda. Assim, eles têm de reter apenas uma fração do dinheiro que tomam emprestado para cobrir dívidas. Segundo o Positive Money, esse sistema causou a fraqueza do atual sistema financeiro.
Colapso continua?
Fran Boait acredita que muitos países nunca chegaram a sair da chamada Grande Recessão. Segundo ela, a classe política não percebe o que aconteceu em 2008 como um colapso econômico contínuo.
"Faz parte de uma crise de longo prazo, na qual os padrões de vida estão caindo, os salários reais estão caindo e a vida da maioria das pessoas está ficando mais difícil", diz a representante do Positive Money, acrescentando que a população consegue enxergar claramente a desconexão entre suas próprias vidas e a dos mercados financeiro e imobiliário, que continuam sendo "inflados" pela flexibilização quantitativa.
O economista Iain Begg, da London School of Economics, acha improvável uma nova crise financeira acontecer agora devido a tentativas de reguladores de aumentar a vigilância sobre o setor financeiro como um todo, em vez de contemplar apenas instituições individualmente.
"Sim, as baixas taxas de juros estão voltando a estimular o crédito nas grandes economias mundiais. Mas o 'boom' do crédito não vem sendo alvejado como foi nos Estados Unidos em 2007, especialmente com os créditos imobiliários subprime", diz Begg.
Ele alerta que os políticos precisam exercitar uma vigilância extrema para impedir o surgimento de novos fatores de estresse para a economia mundial. O economista descreve ainda como vários países criaram medidas para assegurar a estabilidade financeira, o que, segundo ele, permitiria que problemas relacionados a dívidas poderiam ser contornados antes de sair do controle.
Fim da emissão de dinheiro
Apesar de não enxergar nenhum "indicador de luz vermelha", Begg afirma que existe atualmente uma grande incerteza sobre quando e em que ritmo o Fed pretende se desvencilhar da flexibilização quantitativa.
 
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Como as previsões são feitas?

Pelo fato de ter sido a primeira vez em que essa política monetária foi usada, prescindir da flexibilização quantitativa – que também permitiu ao Fed manter as taxas de juros em níveis recordes de baixa nos últimos anos – poderia criar uma turbulência econômica própria.
A medida foi utilizada para manter a economia americana sobrevivendo, o fim da flexibilização quantitativa poderia causar uma nova recessão ou, pelo menos, uma diminuição no ritmo de crescimento da economia mundial, o que muitos observadores do mercado acreditam que deixaria o Fed sem opções, a não ser relançar o programa de flexibilização quantitativa.
"Como eles aprenderam a usá-lo, não hesitarão em recomeçar com ele. Não temos dados para saber se isso é um cálice envenenado, no qual as taxas de juros são mantidas bem abaixo do que consideramos normal, e com a criação de novos problemas para o futuro", alerta Begg. "Temos tão pouca experiência."
Já o Positive Money, que apoia a ideia de cancelamento de dívidas e da chamada emissão de dinheiro "para o povo" para ajudar a diminuir níveis recordes de dívida privada, prevê uma bolha muito maior que a dos imóveis em 2008 se a medida da flexibilização quantitativa for repetida.
"Os bancos centrais estão sem munição. Tudo o que eles querem é serem capazes de continuar praticando a flexibilização quantitativa – o que torna os ricos mais ricos e aumenta o preço dos ativos. Precisamos de alternativas porque está claro que essas ferramentas não estão mais funcionando. Não podemos empurrar esse assunto com a barriga por muito mais tempo", afirma Boait.
Picos nas taxas de juros
O aumento nas taxas de juros um outro risco que poderia precipitar uma desaceleração econômica ou até mesmo um crash do sistema imobiliário em vários mercados mundiais, incluindo Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e vários países asiáticos, enquanto os tomadores de empréstimo – viciados nas baixas taxas de juros – lutam para atender a um custo de vida crescente.
"Se você tem uma hipoteca altamente adaptada e for atingido com uma taxa dupla de juros, de 1% para 2%, então há mais o que temer do que se as taxas subirem de 5% para 6%. É puramente aritmético", calcula Begg, o economista da London School of Economics.
Numa outra área da economia, temores com um crescente protecionismo – à luz da promessa de campanha do presidente americano, Donald Trump, de trazer de volta os empregos aos americanos, além de outras possíveis restrições econômicas, como o Brexit – poderiam abalar a confiança tanto das empresas quanto dos consumidores, e se tornar o gatilho de um novo colapso financeiro. Nesse caso, a economia alemã – altamente dependente das exportações de veículos e de outros bens industriais – poderia ser afetada.
"O que aprendemos das crises anteriores é que elas sempre são diferentes de suas antecedentes", diz Begg. Ele ainda dá o exemplo do mais novo modelo de financiamento de automóveis, segundo o qual consumidores fazem o leasing do veículo (aluguel de bens que leva em conta o valor do carro, por exemplo, e uma taxa de juros, com possibilidade de compra no final do contrato). Os contratos são de curto prazo, e os carros são revendidos ao fim de dois ou três anos.
Alguns analistas previram que o mercado de carros de segunda mão poderia entrar em colapso diante de uma oferta maciça de veículos seminovos. Outros alertam que o mercado de leasing de carros poderia reproduzir a crise dos contratos imobiliários subprime, uma vez que consumidores de alto risco continuam tomando emprestadas altas quantias de dinheiro.
Begg alerta que este cenário pode ser algo negligenciado, mas que representa um risco que pode vir a surpreender. "E isso é algo que deveríamos temer mais do que esperar mais do mesmo que vimos em 2007/2008."

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

O financiamento público de campanhas pelo mundo

Mais de uma centena de países concede ajuda estatal para partidos ou campanhas eleitorais. Confira as regras na Alemanha, no México, nos Estados Unidos e na França.
Segundo o Instituto Internacional pela Democracia e Assistência Eleitoral (Idea), 118 países contam com algum tipo de financiamento público para apoiar partidos ou campanhas eleitorais. O sistema é muito usado na Europa Ocidental, onde apenas a Suíça não conta com algum tipo de ajuda estatal.
No Brasil, os políticos já contam com as centenas de milhões de reais do fundo partidário e com a propaganda eleitoral nas TVs e rádios – que custaram pelo menos 576 milhões de reais em abatimento de impostos em 2016 pela emissoras. Agora, a classe política quer criar um fundo exclusivamente para campanhas, que pode custar 3,6 bilhões de reais em 2018.
Em princípio, diversas organizações internacionais apontam que o financiamento estatal é benéfico para diminuir a influência de empresas. Mas o mecanismo deve ser acompanhado de outras fontes de financiamento, como doações de cidadãos, para não criar dependência excessiva do Estado, e necessita também de uma fiscalização severa.
Veja como funciona o sistema em outros países:
Alemanha
O Idea aponta que um exemplo a ser analisado com atenção é o alemão. Não há uma distinção clara entre fundo partidário e financiamento público de campanhas.
No país, os partidos possuem fontes diversas, como recursos públicos, doações privadas e mensalidades dos filiados. O Estado só é responsável, em média, por um terço das receitas – um dos índices de dependência estatal mais baixos da Europa. Existem ainda vários mecanismos para que o partido se aproxime dos eleitores.
O sistema mais conhecido é o de matching funds, em que o partido recebe do Estado 0,38 euro por cada euro que tenha sido doado. Isso cria um incentivo para que as siglas façam um trabalho regular de base entre eleitores e sejam recompensadas com mais dinheiro estatal.
As siglas também levam 0,70 euro por cada voto conquistado para sua lista em eleições nacionais ou europeias. Os únicos partidos que recebem esses recursos são aqueles que conseguem pelo menos 0,5% dos votos nacionais ou 1% em eleições estaduais.
Em 2016, ano de eleições estaduais, o Partido Social-Democrata (SPD) recebeu 50 milhões de euros em recursos estatais. Já a União Democrata Cristã (CDU) da chanceler federal Angela Merkel, combinada com com sua aliada bávara, a União Social Cristã (CSU), recebeu 61,5 milhões de euros. No total foram distribuídos 160 milhões de euros. As doações de empresas são permitidas, apesar de estarem em declínio nos últimos anos. 
Também há um limite para os recursos direcionados pelo Estado: eles não podem ultrapassar o valor que o partido arrecada por conta própria. Os partidos também têm que divulgar seus gastos todos os anos. "Onde a dependência do Estado é alta, esforços de inovação devem ser promovidos", avalia o Idea.
México
O México conta com um fundo partidário e um fundo exclusivo para campanhas e aceita doações de indivíduos. Em relação ao fundo partidário, a divisão do bolo entre partidos parte de um mínimo de 30% dividido igualmente. O restante leva em conta o tamanho da bancada na Câmara Federal. Partidos criados depois de um pleito têm direito a receber 2% do total do fundo.
No caso das campanhas, os partidos são altamente dependentes do Estado. Na campanha presidencial de 2012, 95% das contas foram pagas com dinheiro público.
Em anos de eleições federais (Presidência, Senado e Câmara), os partidos recebem um extra de 50% na sua fatia do fundo partidário.
Em anos em que só há eleições para a Câmara, o adicional é de 30%. Em 2015, os 11 principais partidos do país receberam 260 milhões de dólares de fundo partidário. Também foi ano de eleições legislativas, então o total dado aos partidos subiu para 346 milhões de dólares.
Tal como no Brasil, também existe um sistema de propaganda eleitoral gratuita para candidatos nas TVs e rádios, que é cobrado pelas emissoras com o abatimento de impostos.
Existem limites para os gastos dos candidatos. No caso da corrida presidencial, eles podem gastar no máximo 20% do equivalente ao dinheiro total enviado para todos os partidos financiarem suas campanhas. Em 2012, esse limite foi de 27 milhões de dólares.
O país proíbe doações de empresas, e há um teto para o total que os partidos podem receber de cidadãos, o que acaba tornando o financiamento público tão dominante.
Estados Unidos
Nos EUA, o financiamento de campanhas varia em nível estadual, mas, nas eleições federais, existem regras mais claras.
Na corrida para a Presidência, mesmo durante as primárias partidárias, existe um mecanismo de financiamento estatal, mas são poucos candidatos que fazem uso dele, e o uso de dinheiro público está entrando em declínio.
Em 2016, apenas o pré-candidato democrata à presidência Martin O'Malley aceitou receber do fundo eleitoral. Isso porque quem aceitar dinheiro do fundo está sujeito a um teto de gastos e não pode arrecadar recursos de doações após receber o financiamento.
Em 2016, 96 milhões de dólares estavam disponíveis para os candidatos à presidência. O valor é bem abaixo do arrecadado pelos candidatos. A democrata Hillary Clinton arrecadou 1,2 bilhão de dólares. O republicano Donald Trump, 877 milhões.
Existem limites para o quanto um cidadão pode doar – 2.500 dólares para um candidato à presidência e até 30,8 mil dólares para um partido. Empresas não podem doar diretamente para um candidato, mas elas são livres desde 2010 para jogar dinheiro nos Comitês de Ação Política, os PACs.
Um mecanismo bem americano, os PACs não são oficialmente ligados às campanhas e podem arrecadar dinheiro sem limites de empresas e indivíduos para apoiar um candidato ou atacar adversários. O mecanismo é fortemente criticado por ONGs, juristas e ativistas.
França
Conta com um fundo partidário e financiamento direto de campanhas. Também permite doações de cidadãos. O fundo partidário custa cerca de 61 milhões de euros anualmente. Para terem acesso aos recursos, os partidos precisam conquistar pelo menos 1% dos votos em 50 zonas eleitorais.
A distribuição é proporcional ao tamanho da bancada na Assembleia Nacional. Em 2015, os socialistas abocanharam 28,4 milhões de euros. Seus rivais conservadores, 18,1 milhões. Os partidos também podem receber doações, mas entre 60% e 70% das suas atividades anuais são financiadas pelo Estado.
No caso do financiamento de campanhas, o Estado prevê reembolsos parciais – até 47,5% do total gasto, desde que o candidato tenha conquistado pelo menos 5% dos votos.
Para controlar isso são impostos vários limites sobre quanto cada candidato pode gastar. Durante o primeiro turno de uma eleição presidencial, os candidatos só podem gastar 22,5 milhões de euros. Se passarem para o segundo, podem gastar 5 milhões extras.
Em média, o limite de gastos para uma campanha para o Legislativo é de 60 mil euros por candidato. Em 2012, o governo reembolsou 36 milhões de euros para candidatos presidenciais e 49,3 milhões para aqueles do Legislativo.
Empresas não podem doar desde 1995. E as doações de cidadãos são limitadas a 7.500 euros anuais para um partido e a 4.600 euros para uma campanha presidencial.
No entanto, há brechas no sistema. Candidatos e partidos podem criar micro-partidos de apoio, que repassam mais dinheiro de doações individuais – assim uma pessoa pode fazer várias doações para uma campanha.

Financiamento público de campanhas à brasileira

Mais de cem países contam com algum tipo de financiamento estatal, e ferramenta é tida como importante para a democracia. Mas, no Brasil, modelo ameaça reforçar elementos nocivos do sistema político.
"A democracia custa caro", escreveu o deputado Vicente Cândido (PT-SP) no relatório que propõe um fundo bilionário de financiamento público de campanhas eleitorais, aprovado na quarta-feira (09/08) pela comissão da reforma política.
Desde que a doação por empresas foi proibida, em 2015, o mundo político brasileiro vem tentando encontrar uma forma de reverter a perda de receita.
A primeira medida foi turbinar o já existente fundo partidário, que saltou de 308 milhões em 2014 para 819 milhões de reais neste ano, apesar da crise econômica. Mas eles querem mais.
Deixando a rivalidade de lado, os principais partidos querem agora canalizar 3,6 bilhões de reais dos cofres públicos exclusivamente para custear as campanhas de 2018.
Segundo organizações internacionais e especialistas ouvidos pela DW, o financiamento público é uma importante ferramenta para conter dinheiro da corrupção em campanhas e o lobby de empresas e para equilibrar a disputa entre diferentes partidos.
Para Luciano Santos, codiretor do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), usar dinheiro público pode causar rejeição entre a população, mas em princípio o saldo é positivo. "Os brasileiros pagam mais com a corrupção causada pelas doações de empresas."
O problema é como tudo deve ser implementado no Brasil.
Segundo Luciano Santos, com a fiscalização atual e a falta de exigência de contrapartidas, o fundo eleitoral brasileiro vai acabar reforçando vários aspectos nocivos do sistema político, como a falta de renovação, o apadrinhamento, o distanciamento das siglas da população e o mau uso de recursos.
De alguma forma, mais de 118 dos países do mundo contam com algum tipo de financiamento estatal, seja para partidos ou campanhas, segundo o Instituto Internacional pela Democracia e Assistência Eleitoral (Idea). O sistema também é amplamente usado na Europa Ocidental, onde apenas a Suíça não conta com algum tipo de ajuda.
Dependência e isolamento
Na prática, o Brasil já conta com um sistema indireto para pagar campanhas. Além das centenas de milhões do fundo partidário, o espaço para a propaganda eleitoral também é pago com abatimento de impostos devidos pelas emissoras – foram pelo menos 576 milhões de reais em 2016.
O projeto de Cândido prevê um sistema misto, com financiamento público e doações de cidadãos – neste último caso com limites. O formato é defendido pelo Conselho da Europa, entre outras organizações.
Mas segundo um relatório do Idea disponibilizar tantos bilhões para um fundo pode acabar sendo suficiente para os partidos, não gerando incentivos para que eles formem canais de comunicação com a sociedade para arrecadar recursos individuais, o que acentuaria o isolamento das siglas.
Luciano Santos afirma que isso deve ser ainda pior no Brasil. "Não existe no país uma cultura de buscar doações junto à sociedade. Os políticos se acostumaram a pedir só para empresários. Da forma como desejam, os partidos poderão atuar como centrais que dependem do imposto sindical. O dinheiro cai todo o mês e não é necessário fazer um trabalho de base."
O problema da dependência excessiva ocorre em outros países. No México, 95% dos gastos da campanha presidencial de 2012 foram pagos pelo Estado. Na Espanha, o financiamento público cobre mais de 80% dos gastos dos partidos. Uma forma de contornar isso seria criar mecanismos para incentivar doações e participação popular, mas nada disso é contemplado no projeto brasileiro.
"Os partidos recebem poucas doações particulares por causa da sua reputação terrível. Com mais dinheiro fácil, não têm incentivo algum para melhorá-la. Do jeito que está a proposta acaba causando mais danos ao sistema democrático", afirma Gil Castelo Branco, secretário-geral da ONG Contas Abertas.
Concentração
Nos anos 90, os cientistas políticos Richard Katz e Peter Mair advertiram que o financiamento público de campanhas poderia acabar sendo uma das ferramentas para encastelar os partidos que já estão no poder e que contam com bancadas já estabelecidas.
Reservando a maioria do dinheiro para si, essas siglas garantiriam novas vitórias e barrariam a entrada de novos competidores. Segundo os cientistas políticos, isso ajudava a criar uma "cartelização" do sistema partidário.
Segundo a proposta na Câmara, 2% do valor do fundo será dividido igualmente entre os atuais 35 partidos. O restante, 98%, proporcionalmente à votação que seus candidatos a deputado federal tiveram nas eleições de 2014.
O grosso do fundo de 3,6 bilhões ficará então com PT, PSDB e PMDB. A Rede, de Marina Silva, por exemplo, ficaria com apenas 8 milhões de reais porque seu partido tem apenas quatro deputados e um senador, segundo cálculo do jornal Valor. Bem distante dos 415 milhões do PT e 363 milhões do PSDB.
"Também não há critério sobre quem deve receber o dinheiro dentro do partido e regras para que ele seja direcionado para a inclusão de setores da sociedade. Os líderes partidários vão decidir livremente como distribuir. É apenas a perpetuação de quem já está aí e um incentivo para mais apadrinhamento", afirma Luciano Santos, do MCCE.
Em 2016, quando recursos do fundo partidário foram usados em escala mais ampla pelas siglas para cobrir o fim das doações empresariais, os principais beneficiários internos foram os políticos que já tinham mandato. Houve até ajuda para parentes. No PSL, por exemplo, o filho do presidente da legenda levou 1,3 milhão para custear sua campanha para prefeito em 2016.
Incentivar siglas menores, no entanto, não significa distribuir os recursos igualmente. O próprio Idea afirma que isso levaria a profusão indiscriminada de novas siglas, com o objetivo pegar uma fatia do bolo. Segundo Santos, uma forma de incentivar siglas sem beneficiar organizações sem expressão seria exigir que elas fossem transparentes nos seus estatutos e garantissem renovação das lideranças para ter mais acesso aos valores. Dessa forma, ganhariam legitimidade.  
A fiscalização
Comum entre diferentes projetos brasileiros que envolvem financiamento público é a falta de detalhes sobre a fiscalização. O exemplo do Fundo Partidário já é desanimador. A entrega das prestações de contas para análise era física até abril. No momento, se acumulam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo menos 560 mil páginas relativas a despesas entre 2011 e 2016.
"A fiscalização é pífia, e quem quiser consultar as contas tem que ir pessoalmente revirar centenas de pastas e catar notas fiscais", afirma Gil Castelo Branco. "Antes de se cogitar dar dinheiro para campanhas, seria preciso analisar os gastos do fundo partidário e o uso do horário eleitoral, que já custam mais de um bilhão por ano. Já existe um mau uso dos recursos atuais."
No início do ano, o tribunal ainda estava concluindo a análise das contas de partidos relativas a 2011. Uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo apontou que recursos foram para o aluguel de jatinhos, churrascos e compra de bebidas alcoólicas. Os partidos podem no máximo ser punidos com cortes em sua parte do fundo e as irregularidades prescrevem se não forem analisadas em até cinco anos.
"Isso vai piorar. Os candidatos vão receber de uma só vez de seus partidos, mas devem poder entregar suas contas em separado, sobrecarregando o TSE. É um incentivo para que nada seja fiscalizado", afirma Luciano Santos, do MCCE.
Uma forma de contornar isso seria responsabilizar os dirigentes partidários pelo mau uso dos recursos – o que não acontece hoje – e ainda unificar as campanhas. "Faz uma campanha única, com a adoção de listas. Seria possível entregar apenas uma prestação unificada. E a fiscalização teria que ser rigorosa", completa Santos.
Discussão
A discussão do fundo eleitoral tem ocorrido exclusivamente entre caciques partidários. Isso simplesmente contraria a recomendação de organismos internacionais, que pedem a participação de outros setores na elaboração dos mecanismos de financiamento, como o Judiciário e a sociedade civil.
Luciano Santos, que vem acompanhando o projeto no Congresso, afirma que a falta de transparência vem sendo a norma. "Não há nenhum tipo de consulta pública. As reuniões das comissões não são marcadas com antecedência e simplesmente são adiantadas sem nenhum aviso."
Gil Castelo Branco também critica como o projeto tem avançado. "É descabido que temas que se arrastaram por anos e não são um consenso na sociedade, possam ser aprovados em pouco mais de um mês e meio. Tudo apenas para garantir a sobrevivência dos grandes partidos. Essa reforma não será boa para a democracia, apenas para os caciques."

Escolas para formação de FAMÍLIAS

Esta ideia colocada no título deste post não é originariamente minha. Quem a propôs foi o psiquiatra José Ângelo Gaiarsa, o qual, há muito tempo atrás apresentou um programa curto (em termos de duração) na televisão Bandeirantes. Pois bem, nele, a tal psiquiatra eram apresentados problemas basicamente familiares para que o mesmo profissional, na condição de psicoterapeuta, tentasse propor soluções para os mesmos. Feita a introdução ou apresentação da questão, temos a dizer que tal profissional sempre insistia, em seus programas, que seria de fundamental importância que existissem escolas para formação de famílias (não me lembro se ele atribuía tal função ao Estado ou à iniciativa privada - mas acho que ambos poderiam desempenhar tal espaço, cada qual com total autonomia e abordagem holística). Pois bem, tal psiquiatra achava um absurdo alguém ter formação profissional mas não ter a devida formação para conduzir proficuamente uma família, a célula mais básica ou importante da sociedade. Devo confessar que adorava os programas dele e que concordo com sua grande preocupação: ESCOLAS PARA CASAIS APRENDEREM A GERIREM ADEQUADAMENTE SUAS FAMÍLIAS. E por que esta preocupação? Porque existem casais que não apresentam as mínimas condições para educarem adequadamente seus filhos. Aliás, só para sentirmos a gravidade do problema ora colocado, poderíamos fazer uma pergunta simples aos cônjuges do mundo: "vocês tem uma vida sexual satisfatória, adequada, centrada, confortante, enfim, feliz e responsável"? Muito provavelmente, a resposta majoritária seria "não". Então, se os cônjuges possivelmente não deem conta de sua próprias necessidades (citamos a área afetiva, mas a questão levantada pode ser exportada para qualquer outra área do comportamento humano), como dar conta das necessidades dos filhos, ainda pouco maduros? (Lembrando sempre que maturidade, não necessariamente, se mede por idade - mas por preenchimento do vazio existencial ou aquisição de conhecimentos devidamente calibrados, ajustados, recompensadores ou felicitantes - no seu TODO). E, do mesmo modo, tal gravidade pode ser verificada pelas seguintes manchetes de jornais, especificamente no Brasil: "44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro" ou, ainda, "70% dos brasileiros não leram em 2014".

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

China está preocupada com "rinocerontes cinzentos"

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Depois de prometer derrotar a Disney, o Dalian Wanda Group está vendendo seus parques temáticos e hotéis. (Mark Schiefelbein/Associated Press)  

POR KEITH BRADSHER e SUI-LEE WEE

XANGAI — Enquanto o Ocidente se preocupa com os chamados “cisnes negros”, eventos raros e inesperados que podem conturbar os mercados financeiros, a China está preocupada com os “rinocerontes cinzentos” — grandes e visíveis problemas na economia que costumam ser ignorados até que começam a acelerar.
Os rinocerontes são um bando de magnatas chineses que, graças a uma mistura de conexões políticas e uma ambição feroz, criaram conglomerados globais tentaculares. Companhias como a Anbang Insurance Group, Fosun International, HNA Group e Dalian Wanda Group banquetearam-se com empréstimos baratos fornecidos por bancos estatais, gastando prodigamente para construir seus impérios.
Hoje, estes gigantes atingiram dimensões tão grandes, estão tão endividados e tão entranhados na economia que o governo chinês de repente ordenou que fossem investigados. Recentemente, o presidente Xi Jinping advertiu que a estabilidade financeira é crucial para a segurança nacional, enquanto o “Diário do Povo”, órgão oficial do Partido Comunista, apontou para os perigos dos eventos que envolvem os “rinocerontes cinzentos”.
As agências reguladoras chinesas começaram a se preocupar porque alguns dos maiores conglomerados tomaram tanto dinheiro emprestado que poderiam representar sérios riscos para o sistema financeiro do país. Executivos dos bancos agora realizam exames minuciosos dos balanços destas companhias.
A reviravolta, para a primeira geração de capitalistas chineses pós-Mao, antes considerados exemplares, foi rápida.
No ano passado, Wu Xiaohui, presidente da Anbang, uma seguradora que registrou um crescimento extremamente rápido, e pagou US$ 2 bilhões pelo Waldorf Astoria, em Nova York, e promoveu banquetes magníficos no hotel para empresários norte-americanos. Em junho, ele foi detido pela polícia chinesa por razões não reveladas.
A Fosun, administrada por uma espécie de “Warren Buffett da China”, realizou negócios multibilionários, em dólares, para o Club Med, Cirque du Soleil e outras marcas. Recentemente, a empresa desmentiu que seu presidente, Guo Guangchang, preso por um breve período pela polícia em 2015, tivesse voltado para a cadeia.
Fundada como uma companhia aérea regional, a HNA evoluiu até tornar-se uma poderosa organização com participações em organizações como Hilton Hotels, Deutsche Bank e na companhia Swissport de serviços em terra em aeroportos. As autoridades reguladoras europeias estão investigando o conglomerado. Ao mesmo tempo, um grande banco de Wall Street, o Bank of America, decidiu não mais fazer negócios com o HNA.
A Dalian Wanda equiparava-se às gigantes norte-americanas do entretenimento e prometeu, um ano atrás, derrotar a Disney, na China. Agora, a empresa chinesa está recuando e vendendo seus parques temáticos e hotéis.
“A desvantagem destas novas companhias é que não havia ninguém com poder político ou regulador capaz de controlá-las”, disse Brock Silvers, principal executivo da Kaiyuan Capital, um serviço de assessoria de bancos de investimentos boutique em Xangai.
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O HNA Group, companhia controladora da Hainan Airlines, começou como uma companhia aérea regional e cresceu até se tornar uma potência global. (Agence France-Presse — Getty Images)
Os rinocerontes cinzentos têm uma característica em comum: enormes dívidas e muitos negócios.
Durante anos, os bancos chineses distribuíram generosamente empréstimos, ansiosos por bombear dinheiro na economia. Eles dobraram suas apostas depois da crise financeira global de 2008, a fim de respaldar o crescimento e baixar o valor da moeda.
Os conglomerados, com reputações estelares e enormes lucros, estavam na frente da linha de empréstimos. A HNA garantiu uma linha de crédito de US$ 90 bilhões de bancos controlados pelo Estado. A Anbang gastou mais de US$ 10 bilhões em três anos, negócios que foram financiados na maior parte pela venda dos chamados produtos de gestão de riqueza — investimentos obscuros que prometiam juros elevados e baixo risco.
Com dinheiro do Estado na mão, as companhias decidiram ir além de suas fronteiras, por insistência do governo. Nos últimos cinco anos, Wanda, Anbang, HNA Group e Fosun fizeram pelo menos US$ 41 bilhões de aquisições no exterior, de acordo com a empresa de pesquisa Dealogic.
Os níveis das dívidas no país subiram vertiginosamente. Em 2011, o total do crédito a companhias privadas, não financeiras, era cerca de 120% da produção econômica da China. Hoje, chega a 166%.
“O governo chinês desempenhou o papel de impulsionador indispensável”, disse Minxin Pei, professor da Claremont McKenna College, na Califórnia, que estuda a política chinesa. “E como elas [as empresas] conseguiram se tornar tão grandes? Assumindo dívidas”.
Em dezembro, quatro grandes agências reguladoras chinesas alertaram a respeito de investimentos “irracionais” em imóveis, entretenimento e esportes no exterior, explicando que tais áreas estavam repletas de “riscos e perigos ocultos”. Nos últimos meses, a Fosun quase encerrou suas frenéticas realizações de negócios. As compras da HNA também se reduziram.
As gigantes chinesas agora se parecem mais com rinocerontes cinzentos. O termo não tem nada a ver com a biologia; foi extraído de um livro de negócios de mesmo nome que se tornou popular este ano na China.
O “Diário do Povo” usou o termo em uma enérgica advertência. “Os riscos do setor financeiro são sofisticados”, disse o comentário não assinado. “Portanto, deveriam ser tomadas medidas de precaução para prevenir não só eventos como os ‘cisnes negros’, mas também os ‘rinoceronte cinzentos’”.
Se as agências reguladoras e os bancos tomarem medidas mais decisivas para conter o crédito, os rinocerontes poderão correr o risco de extinção.
Alexandra Stevenson e Brooks Barnes contribuíram para a reportagem, e Ailin Tang e Amy Cheng contribuíram para a pesquisa.

sábado, 5 de agosto de 2017

Como o Canadá se tornou uma superpotência em educação

Sucesso do país, que não tem um sistema nacional de ensino, 

desafia tendências internacionais.

Em debates sobre os melhores sistemas educacionais do mundo, os nomes mais citados costumam ser de países nórdicos, como a Noruega e a Finlândia, ou de potências como Cingapura e Coreia do Sul.

Garota com bandeira do Canadá pintada no rosto
Garota com bandeira do Canadá pintada no rosto
Foto: BBCBrasil.com
Embora seja muito menos lembrado, o Canadá subiu ao topo dos rankings internacionais.
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Na mais recente rodada de exames do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, entidade que reúne países desenvolvidos), o Canadá ficou entre os dez melhores países em matemática, ciências e interpretação de texto.
As provas são o maior estudo internacional de desempenho escolar e mostram que os jovens do Canadá estão entre os mais bem educados do mundo.
Eles estão muito à frente de vizinhos como os Estados Unidos e de países europeus com quem têm laços culturais, como o Reino Unido e a França.
O Canadá também tem a maior proporção de adultos em idade produtiva com educação superior - 55%, em comparação com uma média de 35% de países da OCDE.

Alunos imigrantes

O sucesso do Canadá em testes escolares é incomum ao ser comparado com tendências internacionais.
Os países com melhor desempenho costumam ser pequenos, com sociedades homogêneas e coesas e com cada pedaço do sistema educacional integrado a uma estratégia nacional - como em Cingapura, que tem sido usado como exemplo de progresso sistemático.

Fronteira entre Canadá e Estados Unidos
Fronteira entre Canadá e Estados Unidos
Foto: BBCBrasil.com
O Canadá nem sequer tem um sistema educacional nacional, pois a organização é baseada em províncias autônomas. E é difícil imaginar um contraste maior entre uma cidade-Estado como Cingapura e um país de dimensões continentais como o Canadá.
Em uma tentativa de entender o sucesso do Canadá na educação, a OCDE descreveu o papel do governo federal no setor como "limitado e às vezes inexistente".
Também é bem conhecido o fato de que o Canadá tem um alto número de imigrantes em suas escolas. Mais de um terço dos jovens no Canadá têm ambos os pais oriundos de outro país.
Os filhos das famílias de imigrantes recém-chegados se integram em um ritmo rápido o suficiente para ter o mesmo desempenho de seus colegas de classe.

Cerimônia de recepção de novos cidadãos canadenses
Cerimônia de recepção de novos cidadãos canadenses
Foto: BBCBrasil.com
Quando o último ranking da OCDE é analisado em detalhe, os resultados regionais do Canadá são ainda mais impressionantes.
Se as províncias se inscrevessem no teste como países separados, três delas (Alberta, Quebec e British Columbia) estariam entre os cinco primeiros lugares em ciências, junto com Cingapura e Japão e à frente de lugares como Finlândia e Hong Kong.
  • Ensino de História em Portugal perpetua mito do 'bom colonizador' e banaliza escravidão, diz pesquisadora
Afinal, como o Canadá superou tantos outros países na área de educação?
Andreas Schleicher, o diretor de educação da OCDE, diz a característica que une os diversos sistemas educacionais do país é a igualdade.
Apesar de diversas diferenças nas políticas educacionais, um traço em comum entre todas as regiões do país é o comprometimento em oferecer igualdade de oportunidades na escola.
Schleicher diz que existe um forte senso de equilíbrio e igualdade de acesso - o que pode ser observado na alta performance acadêmica de filhos de imigrantes.
Até três anos depois de chegar ao país, os alunos imigrantes alcançam notas tão altas quanto as de seus colegas. Isso torna o Canadá um dos poucos países em que crianças imigrantes atingem um patamar similar aos das não-imigrantes.
Outra característica distinta é que os professores são muito bem pagos em comparação com os padrões internacionais - e o ingresso na profissão é altamente seletivo.

Oportunidades iguais

David Booth, professor do Instituto para Estudos em Educação da Universidade de Toronto, destaca um forte investimento de base em alfabetização.
Existiram esforços sistemáticos para melhorar a alfabetização, com a contratação de educadores bem treinados, investimento em recursos como bibliotecas nas escolas e avaliações para identificar escolas ou alunos que possam estar tendo dificuldades.
John Jerrim, do Instituto UCL de Educação de Londres, diz que o ótimo desempenho do Canadá nos rankings internacionais reflete a homogeneidade socioeconômica do país.
O país não é uma nação de extremos. Pelo contrário, seus resultados mostram uma média alta, com pouca diferença entre os estudantes mais e menos favorecidos.

Professora canadense
Professora canadense
Foto: BBCBrasil.com
No mais recente Pisa, o exame da OCDE, a variação de notas causada por diferenças socioeconômicas entre os estudantes canadenses foi de 9%, em comparação com 20% na França e 17% em Cingapura, por exemplo.
Os resultados mais igualitários explicam porque o Canadá está indo tão bem em exames internacionais. O país não tem nem uma fatia residual de estudantes com desempenho ruim, o que normalmente é algo relacionado à pobreza.
É um sistema consistente. Além da pouca diferença entre estudantes ricos e pobres, também há uma variação muito pequena entre diferentes escolas, em comparação com a média de países desenvolvidos.
Segundo o professor Jerrim, o alto número de imigrantes não é visto com um potencial entrave ao sucesso nos exames - o fato é provavelmente um dos ingredientes dos bons resultados.
Os imigrantes que vivem no Canadá, muitos de países como a China, a Índia e o Paquistão, têm educação relativamente alta, e a ambição de ver seus filhos se tornarem profissionais bem sucedidos.
O especialista afirma que essas famílias têm "fome de sucesso", e que suas altas expectativas provavelmente influenciam o desempenho escolar de seus filhos.
O professor Booth, da Universidade de Toronto, também cita esse fato. "Muitas famílias recém-chegadas ao Canadá querem que seus filhos tenham sucesso, e os alunos têm motivação para aprender", diz.
Este ano tem sido excepcional para a educação no Canadá. As universidades estão aproveitando o "efeito Donald Trump", com um número recorde de inscrições de estudantes que enxergam o Canadá como uma alternativa aos Estados Unidos após a eleição do atual presidente.
A vencedora do Prêmio Global de Professores também é canadense - Maggie MacDonnel está usando a condecoração para fazer campanha pelo direitos dos estudantes indígenas.
No ano em que celebra seu aniversário de 150 anos, o Canadá reivindica o status de uma superpotência em educação.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Cientistas eliminam mutação genética de embrião humano

Correção bem-sucedida do DNA pode se tornar um marco na luta contra as enfermidades congênitas: com a mudança, doença não seria mais transmitida para gerações futuras.
Os embriões alterados: pesquisa reacende o debate sobre a engenharia genética Os embriões alterados: pesquisa reacende o debate sobre a engenharia genética
Cientistas conseguiram pela primeira vez corrigir uma mutação genética num embrião humano sem danificar outros genes, segundo um artigo publicado na revista Nature, nesta quarta-feira (02/08).
Saiba mais: A cientista que descobriu como "editar" o genoma humano
Os cientistas corrigiram a mutação do gene que produz a cardiomiopatia hipertrófica, uma enfermidade hereditária que atinge uma em cada 500 pessoas e que é causa mais comum de morte súbita de atletas.
 
Assistir ao vídeo 04:21

Crispr-Cas 9, a tesoura molecular que permite alterações genéticas

A alteração, feita com a técnica de edição genética Crispr-Cas 9, ocorreu na etapa inicial do desenvolvimento embrionário. A correção do erro evita sua transmissão para gerações futuras. Os embriões usados nas experiências foram destruídos poucos dias depois, afirmaram os cientistas.
Durante o trabalho de "reparação" não foi danificado nenhum outro elemento genético, destacou a equipe de pesquisadores liderados pelo cientista Shoukhrat Mitalipov, da Universidade de Ciência e Saúde de Óregon, nos Estados Unidos.
Os cientistas afirmaram que os resultados são promissores, mas preliminares, e que são necessárias mais pesquisas para evitar efeitos indesejados. Um dos participantes, o espanhol Juan Carlos Izpisúa, afirmou que o resultado prova que a edição genética é "mais efetiva e segura" do que se pensava.
Os pesquisadores injetaram espermatozoides de um homem com a mutação genética num óvulo em paralelo ao uso da técnica de edição genética Crispr-Cas 9. Como resultado, 72,4% dos 48 embriões utilizados no estudo deixaram de ter a mutação patológica.
A pesquisa pode se tornar um marco na luta contra as enfermidades congênitas e proteger futuros bebês de milhares de doenças e defeitos hereditários. Por outro lado, reacende o debate sobre a engenharia genética e as questões éticas relacionadas a ela.
AS/efe/dpa

Planeta estourou recursos naturais capazes de regeneração

Nesta quarta-feira (2), a humanidade oficialmente esgotou todos os recursos disponíveis no planeta para 2017 - e estamos apenas no início de agosto.

Neste ano, humanidade já consumiu mais recursos do que a Terra é capaz de repôr.
Neste ano, humanidade já consumiu mais recursos do que a Terra é capaz de repôr.
Foto: iStock
Em 1987, o chamado Dia da Sobrecarga da Terra - data em que todos os seres humanos do mundo acabaram com os recursos necessários para viver de maneira sustentável por um ano - caiu no dia 9 de dezembro.
Desde então, o limite do "orçamento natural" do planeta foi ultrapassado de maneira cada vez mais intensa, fazendo com que a data em que essa barreira é atingida seja registrada mais cedo a cada ano. Em 2016, o Dia da Sobrecarga da Terra foi 8 de agosto, seis dias depois deste ano.
"Estamos consumindo nossos recursos naturais como se fossem um produto que podemos comprar quando acaba, consumindo tanto quanto queremos dele", disse Lena Michelsen, consultora de políticas para nutrição e agricultura da rede de desenvolvimento alemã Inkota, em entrevista à DW. "Não podemos continuar desse jeito."
Segundo especialistas em sustentabilidade, atualmente a humanidade precisa de 1,7 planeta para suprir os recursos que consome dos ecossistemas da Terra.
"Hoje, o nosso consumo coletivo excede em 70% o que o planeta pode renovar", avalia Mathis Wackernagel, da Global Footprint Network, um grupo de pesquisas sem fins lucrativos que, anualmente, calcula o chamado Dia de Sobrecarga da Terra (ou Earth Overshoot Day, em inglês).
O cálculo se baseia na biocapacidade do planeta - o montante de recursos naturais disponíveis - e divide essa capacidade pelo montante de recursos consumidos, também conhecido como a "pegada ecológica da humanidade". Esse número, então, é multiplicado pelos dias do ano.
Países ricos x países de baixa renda
A rede Global Footprint Network não calcula apenas a pegada ecológica global da humanidade, mas também avalia o consumo individual dos países. Não é surpreendente que nações ricas como Luxemburgo, Catar, Austrália e Estados Unidos usem bem mais recursos que países de baixa renda, como Eritreia, Haiti, Burundi e Paquistão.
A Alemanha, por exemplo, está bem acima do nível global de consumo dos recursos naturais. "Se toda a população mundial vivesse como se vive na Alemanha, precisaríamos de 3,2 Terras para alimentar a nossa fome de consumo", afirmou Michelsen, responsável pela organização de um protesto em Berlim neste Dia da Sobrecarga da Terra. "Em comparação, se todos vivêssemos como as pessoas em Moçambique, precisaríamos de meio de planeta por ano."
Emissões de carbono aprofundam "pegada ecológica"
Um motivo para esse superconsumo de recursos, segundo Wackernagel, é que a população mundial está aumentando a cada ano - assim como os salários em vários países, o que aumenta também a demanda e a vontade das pessoas de consumir.
Mas um dos principais vilões do esgotamento do "orçamento natural" do planeta são as emissões de carbono, atualmente responsáveis por 60% da pegada ecológica da humanidade. Se as emissões caíssem pela metade, o "Dia da Sobrecarga da Terra" seria adiado em cerca de três meses.
Segundo o especialista da Global Footprint Network, se a humanidade fosse capaz de viver de acordo com os objetivos traçados durante a Conferência do Clima de Paris, seria possível viver consumindo menos que os recursos disponíveis do planeta até 2050.
"É totalmente possível, mas pouco provável neste momento", acredita Wackernagel. "As tendências atuais não apontam nessa direção."
Mudanças necessárias
Segundo Michelsen, há três fatores importantes a serem melhorados para diminuir o consumo de recursos naturais:
produzir energia a partir de fontes renováveis;
introduzir práticas ecológicas na agricultura (a agricultura industrial é responsável por um terço das emissões de CO2);
alterar os padrões de mobilidade, já que voar e dirigir emitem enormes quantidades de gases de efeito estufa.
Para adiar o próximo Dia da Sobrecarga da Terra, líderes políticos mundiais precisam ajustar suas prioridades, afirma Mathis Wackernagel, da Global Footprint Network.
Todos os anos, o Fórum Econômico Mundial publica um relatório de riscos no qual lista as respostas de especialistas e formadores de opinião do mundo todo sobre quais são os riscos mais significativos para o planeta no longo prazo.
Segundo Wackernagel, no ano passado, seis dos dez indicadores tinham orientação ambiental, incluindo escassez de água, mudanças climáticas e assuntos relacionados a recursos naturais.
Ao mesmo tempo, o Relatório de Competitividade Global do Fórum Econômico Mundial enumera 114 indicadores que tornam um país "forte" - nenhum dos indicadores de 2016 fez menção a recursos naturais, ao meio ambiente ou às mudanças climáticas.
"Fico confuso com o fato de fingirmos que os riscos relativos aos recursos naturais, dos quais temos plena consciência, nunca vão nos afetar", afirma Wackernagel

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Como saber se alguém está a fim de você? A ciência pode ter a resposta

Pesquisadores descobriram para onde homens e mulheres olham quando estão interessados em alguém

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Para nós, homens, que temos o hábito de sermos diretos e práticos nos principais assuntos, pode ser uma grande dificuldade saber quando alguém quer apenas amizade ou algo a mais. Aquele jogo de olhares que rola durante a conversa costuma ser um verdadeiro desafio a nossas habilidades de paquera, mas um novo estudo da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, promete desvendá-lo. Acha que quem te olha profundamente nos olhos está a fim de você? Melhor repensar.

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Segundo a pesquisa, divulgada recentemente na revista “Archives of sexual behavior”, as descobertas da equipe de estudiosos sugerem que quem costuma te olhar nos olhos (ou no rosto, em geral) provavelmente não quer nada mais que apenas amizade, enquanto quem direciona o olhar para outras partes do seu corpo está mais inclinado a iniciar um possível relacionamento. 

Para chegar a esta conclusão, que parece contradizer tudo o que achávamos saber a paquera, os pesquisadores foram a fundo. Foram mostrados a 105 estudantes heterossexuais fotos de homens e mulheres. Depois, pediram para que os mesmos dissessem se gostariam de namorar ou ter uma amizade com as pessoas retratadas nas imagens. Enquanto escolhiam a resposta que dariam, os pesquisadores observaram os movimentos dos olhos dos participantes. 

A conclusão foi que quando homens e mulheres heterossexuais consideram iniciar um possível envolvimento romântico com alguém, seus olhos costumam irem da cabeça para a região peitoral. Os homens, por exemplo, direcionam o olhar principalmente para os seios e quadris da mulher, o que pode ter a ver com a "capacidade reprodutiva" da companheira, teoria já levantada por estudos anteriores. Porém, quando o olhar dos participantes era fixado no rosto por um longo período de tempo, os mesmo tendiam a responder que não estavam tão interessados em um possível relacionamento com as pessoas retratadas. 

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Mobilidade compartilhada reduziria em 55% o trânsito nas áreas metropolitanas, diz estudo

De acordo com o relatório, a maior parte das vagas de estacionamento poderia ser convertida para outras funções públicas

Por Instituto Akatu
A implementação em escala de serviços de mobilidade compartilhada traria uma redução de trânsito e emissões de CO2 , segundo estudo da International Transport Forum (ITF) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico ou Econômico (OCDE).
Nas áreas metropolitanas, o número de quilômetros de trânsito nas horas de pico, por exemplo, seria reduzido em 55% em áreas metropolitanas , em comparação a dados de 2011. As emissões de CO2 seriam reduzidas em 62%, de acordo com o relatório "Transition to Shared Mobility - How large cities can deliver inclusive transport services".
Foto: Climatempo
Foto: Shutterstock
A análise do ITF concluiu que serviços de mobilidade compartilhada como de táxis compartilhados serviriam para potencializar as redes de transporte públicas já existentes como as do metrô ou de trem. Além disso, permitiria que o tráfego das pessoas até o trabalho ou até estabelecimentos públicos ficasse mais fácil e equitativo.
Veja como a poluição pode afetar a saúde das crianças dentro do carro!
A necessidade de vagas para estacionar seria reduzida em 95% neste cenário , segundo o relatório. Os 5% remanescentes seriam usadas eventualmente para os serviços de táxis compartilhados - enquanto os 95% das vagas poderiam ser convertidas para outros usos públicos.
Ter um carro pode ser prático, mas tem um custo alto, além do forte impacto no meio ambiente e, consequentemente, em nós mesmos. Os serviços de mobilidade compartilhada valorizam o compartilhamento de produtos , mais que o uso individual, expande ao máximo a capacidade de uso de um produto e atende às necessidades de mais pessoas. Valoriza o uso do produto e não a sua posse. O consumidor consciente reflete sobre a real necessidade de comprar um veículo e pode passar a fazer essa escolha somente nos momentos necessários ou em outra fase da vida.

Como foi feito o estudo da ITF

Foram tomados como referência para o estudo da ITF dois relatórios:
Shared Mobility: Innovation for Liveable Cities (CPB Report, 2016)
Urban Mobility Systems Upgrade (CPB Report, 2015)
O estudo da ITF expandiu essas duas pesquisas, que abordaram anteriormente o impacto da substituição dos carros privados em uma cidade com serviços de mobilidade compartilhada. Na nova abordagem, foram incluídas questões de implementação desses serviços, considerando uma área maior, da região metropolitana, não apenas a cidade.

Melhore sua autoestima!


Melhore sua autoestima!
Autoestima é a opinião e o sentimento que cada pessoa tem por si mesma; é a capacidade de respeitar, acreditar e amar a si mesma. A autoestima é um trabalho diário e exige dedicação na mesma proporção que se dá aos filhos, ao companheiro, ao conhecimento, à carreira, à saúde e à beleza.
Para manter a autoestima, faça a si mesma o que você faz aos outros: incentivar, admirar, elogiar, desejar o melhor, tratar bem, com carinho e atenção. Ao se proteger, você preserva sua dignidade, não permitindo abusos. Se alguém te “atacar”, terá forças para reverter o problema a tempo, pois quem tem autoestima reconhece sua capacidade e confia nela.
A autoestima elevada é a condição vivida por pessoas que são elogiadas, apoiadas, autoconfiantes, que têm amor próprio, não vivem em conflito e não são ansiosas e inseguras. A baixa autoestima é o sentimento que se manifesta em pessoas inseguras, criticadas, indecisas, depressivas e que buscam sempre agradar outras pessoas.
Melhore sua autoestima!

Baixa Autoestima

A baixa autoestima revela uma pessoa que não expressa os seus sentimentos, que os guarda a sete chaves. Na tentativa de ocultar os seus sentimentos para os outros, ela acaba tornando-se mentirosa para si mesma.
Quais são as características mais comuns dessas pessoas?
  • Possuem tendências perfeccionistas e precisam se sentir no controle de tudo o que acontece a sua volta — o que provoca altos níveis de stress.
  • Tendem a ser negativas.
  • Preocupam-se demais com o que os outros vão pensar dela.
  • Culpam os outros pelos seus problemas.
  • Têm pouca concentração e geralmente são causadores de problemas.
  • Não pensam em si, somente nos outros.
  • Evitam emitir suas opiniões, gostos, valores, pensamentos e sentimentos.
Perde-se a autoestima quando se passa por muitas decepções, frustrações; ou em situações de perda, ou quando não se é reconhecido por nada. Também quando não somos valorizados ou nunca recebemos elogios.
O que nos abala na realidade não é a falta de reconhecimento por parte de alguém, mas principalmente a falta de reconhecimento por nós mesmos! Deste modo, sua autoestima, no final das contas, é determinada por você mesma: pare de culpar seus pais, parentes, amigos ou colegas pela deterioração da sua auto-imagem. Quem tem que se preocupar com ela é você, não os outros; não permita que eles a contaminem.
Melhore sua autoestima!

Como aumentar a autoestima?

As pessoas que possuem uma autoestima alta e positiva são capazes de superar qualquer situação que traga uma dificuldade ou desafio todos os dias. No outro lado da moeda, quem mantém uma autoestima baixa só se permite limitar e fracassar. Confira algumas dicas para melhorar a sua autoestima:
  • Não fique presa as coisas que aconteceram no passado. Não generalize as experiências negativas que você viveu ao longo da sua vida. Aceitar que você não é perfeita e que pode ter defeitos é necessário para se permitir fluir desfrutando da sua verdadeira essência, além de aceitar que o que aconteceu uma vez não tem que acontecer de novo.
  • Preste atenção nas suas conquistas e sucessos. Essa é uma das melhores formas de melhorar a nossa autoestima pessoal. Para ter uma boa autoestima, é necessário reconhecer em nós mesmos a capacidade de fazer as coisas bem nas diferentes parcelas que compõem a nossa vida. E nunca podemos nos esquecer de nos esforçarmos para conseguir alcançar os nossos objetivos.
  • Nunca se esqueça de agir de forma coerente com o que você pensa e sente. Acima de tudo, nunca deixe de confiar em si mesma. Lembre-se de todas nós temos nossa própria percepção da realidade, e por isso não precisamos nos preocupar tanto com o que os outros pensam.
  • Acostume-se a perceber e a valorizar as características boas que você tem e das quais sente orgulho. Os seus pontos fortes e fracos são um tesouro, pois fazem com que você seja extraordinário e único para qualquer outra pessoa.
  • Nunca deixe de aceitar a si mesma e aquilo que você é. Em você reside o poder de realizar tudo aquilo que sonha, com suas virtudes e imperfeições. As relações autênticas e sinceras estão ligadas pela aceitação do que realmente somos.
  • Não se compare aos outros. Pode ser que você se considere pior do que os outros, mas lembre-se de que sempre haverá um aspecto na vida em que você vai ser melhor que alguém. Portanto, só vale a pena fazer comparações se a finalidade for para obter uma aprendizagem positiva e prática.
  • Concentre-se em melhorar aquilo que você considera que não está satisfeito consigo mesmo. Esta é uma boa forma de aumentar a sua autoestima pessoal, já que permite evoluir tanto interna como externamente. Identifique o que você gostaria de mudar ou conseguir. Em seguida, trace um plano de ação para começar a avançar nas mudanças necessárias para alcançar seu objetivo.
Melhore sua autoestima!
Ame-se, preocupe-se com você, construa seu amor próprio e seja verdadeira com si mesma. Aceite seus defeitos, seja otimista; cuide do seu corpo, saúde, cabelos — cuide da sua beleza e encare a vida de cabeça erguida!

sábado, 29 de julho de 2017

Pesquisa revela o tipo de seios preferidos pelos homens

Cientistas ouviram homens de quatro países sobre a comissão de frente e chegaram a um resultado sobre o que eles acham ideal

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Motivo de discussões e distrações entre os homens, os seios femininos dividem opiniões e gostos. Afinal, qual é o tamanho e formato ideal? Há quem prefira os grandes e redondos, outros, os pequenos e arrebitados. Diversidade é o que não falta nesse mundo e sabemos que cada um pode ter sua opinião sobre o assunto, mas a Charles University, de Praga, decidiu definir de uma vez por todas o perfil de seios ideal para os homens.
 
Para chegar a um resultado, os pesquisadores entrevistaram homens do Brasil, Camarões, República Tcheca e Namíbia. Foram, ao todo, 267 indivíduos que tiveram suas preferências pessoais a respeitos dos seios anotadas e estudadas. Foram mostrados aos participantes do estudo dois conjuntos de imagens de seios de diferentes tamanhos e firmeza para que eles escolhem os que mais os agradavam.

De volta ao laboratório e depois de analisar todas as respostas, os cientistas chegaram à uma conclusão, que foi publicada na revista Evolution and Human Behavior (Evolução e Comportamento Humano). Entre todas as opções apresentadas, os ganhadores foram, para a grande surpresa, os seios médios, e não os grandes (estes ficaram em segundo lugar) como acredita-se popularmente. Unanimamente, os seios firmes foram os mais escolhidos.

Ao contrário do que muitos podem acreditar, porém, os resultados da pesquisa não tem apenas uma explicação baseada na atração, mas também científica. Como os seios são depósitos naturais de gordura, as mulheres como os seios maiores tendem a ter maiores níveis de estrogênio, portanto com um potencial maior para reprodução

A firmeza dos seios, por sua vez, está relacionada à idade: quanto mais firmes forem, mais jovem é a mulher e, novamente, maiores são as chances de reprodução. Segundos os cientistas, a decisão dos homens, mesmo que inconscientemente, foi baseada em grande parte pelo interesse na reprodução e na seleção natural.

Por isso, da próxima vez que sua namorada brigar com você depois de te pegar admirando a beleza da comissão de frente de outras mulheres, tente apelar alegando ser apenas uma vítima da natureza. Quem sabe não cola?


quinta-feira, 27 de julho de 2017

Os 5 cuidados essenciais para o sucesso de um implante dentário

A colocação de implantes dentário é um tratamento realizado há muitos anos e que têm alcançado taxas de êxito cada vez maiores.
Ainda que este tratamento para substituir a perda de um dente traga conforto e segurança, é importante para manter um conjunto de cuidados para evitar complicações após o procedimento.
Foto: Shutterstock.com
Aqui nós explicamos os cinco cuidados básicos para garantir o sucesso do implante dentário:
Cuidados com a alimentação: é aconselhável esperar pelo menos 2 horas após a cirurgia para começar a beber ou comer alguma coisa. Nas primeiras 24 horas após a cirurgia, você deve manter uma dieta leve, evitando mastigação na área operada.
Use uma compressa fria: é comum que a zona operada fique inflamada por 48 a 72 horas após a cirurgia. Para reduzir o inchaço, recomenda-se aplicar uma compressa fria ou um gelo com uma leve pressão sobre a área afetada.
Reduzir as atividades físicas: aconselha-se que as atividades físicas sejam suspensas por pelo menos dois dias, pois isso pode causar sangramento após a cirurgia.
Parar de fumar: o tabaco é um fator que contribui negativamente, e de uma forma muito importante, o sucesso do implante tanto a curto como a longo prazo. Para aqueles que querem parar de fumar, este é um bom momento.
Sempre cuidar da higiene oral: para que os implantes dentários durem bastante, é necessário cuidar deles. Por isso, é essencial manter as mesmas boas técnicas de higiene e limpeza oral que são aplicadas nos dentes naturais.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Criada técnica para produzir anticorpos humanos em laboratório


Fabricação de anticorpos
Uma equipe internacional de cientistas desenvolveu uma técnica para fabricar rapidamente anticorpos humanos específicos em laboratório.
Esses anticorpos sintéticos prometem acelerar a produção de medicamentos para tratar uma ampla gama de doenças e facilitar o desenvolvimento de novas vacinas.
Anticorpos são produzidos pelos linfócitos, ou células B do nosso sistema imunológico, para combater as infecções por bactérias, vírus e outros agentes patogênicos invasivos.
Quando uma célula B individual reconhece um "antígeno" - uma molécula específica derivada de um agente invasor, ou patógeno -, ela se multiplica e cria células plasmáticas, que segregam grandes quantidades de anticorpos capazes de se ligar ao antígeno, afastando a infecção.
Anticorpos sintéticos
Os pesquisadores sonham há muito tempo em replicar esse processo em laboratório para produzir anticorpos específicos a partir de amostras de sangue de pacientes.
No entanto, além de encontrar um antígeno específico, as células B precisam de um segundo sinal para começar a se proliferar e se desenvolver em células plasmáticas. Este segundo sinal pode ser fornecido por fragmentos curtos de DNA, chamados oligonucleotídeos CpG, que ativam uma proteína dentro das células B chamada TLR9. Mas tratar as células B derivadas de pacientes com oligonucleotídeos CpG estimula todas as células B no tubo de ensaio, e não apenas a pequena fração capaz de produzir um anticorpo específico.
A equipe liderada por Sanjuan Nandin e Facundo Batista, do Instituto Francis Crick de Londres, conseguiu agora produzir anticorpos humanos específicos em laboratório tratando as células B coletadas de pacientes com pequenas nanopartículas revestidas com os oligonucleotídeos CpG e o antígeno apropriado. Com esta técnica, os oligonucleotídeos CpG são internalizados apenas nas células B que reconhecem o antígeno específico, e essas células são, portanto, as únicas nas quais a proteína TLR9 é ativada para induzir sua proliferação e desenvolvimento em células plasmáticas secretoras de anticorpos.
Tratamentos e vacinas
A equipe usou sua técnica para produzir vários antígenos bacterianos e virais, incluindo o toxoide tetânico e proteínas de várias cepas da gripe A.
Em cada caso, os pesquisadores conseguiram produzir anticorpos específicos de alta afinidade em apenas alguns dias. Alguns dos anticorpos anti-influenza gerados pela técnica reconheceram múltiplas estirpes do vírus da gripe e foram capazes de neutralizar sua capacidade de infectar células.
O procedimento não depende de os doadores terem sido previamente expostos a qualquer um destes antígenos através da vacinação ou por infecção. Por exemplo, os pesquisadores conseguiram gerar anticorpos anti-HIV a partir de células B isoladas de pacientes isentos de HIV.
A expectativa é que a nova técnica ajude a produzir rapidamente anticorpos terapêuticos para o tratamento de doenças infecciosas e outras condições como o câncer.
"Especificamente, [a técnica] deverá permitir a produção destes anticorpos dentro de um período de tempo mais curto in vitro e sem a necessidade de vacinação ou doação de sangue/soro de indivíduos recentemente infectados ou vacinados," disse Batista. "Além disso, nosso método oferece o potencial para acelerar o desenvolvimento de novas vacinas ao permitir uma avaliação eficiente de candidatos a antígenos-alvo".
A técnica foi descrita em um artigo publicado no The Journal of Experimental Medicine.