O meu blog é HOLÍSTICO, ou seja, está aberto a todo tipo de publicação (desde que seja interessante, útil para os leitores). Além disso, trata de divulgar meu trabalho como economista, escritor e compositor. Assim, tem postagens sobre saúde, religião, psicologia, ecologia, astronomia, filosofia, política, sexualidade, economia, música (tanto minhas composições quanto um player que toca músicas de primeira qualidade), comportamento, educação, nutrição, esportes: bom p/ redação Enem
Calma. Você não leu nada errado. Estou desejando a todos um ótimo
segundo semestre de 2018. Com o fim das férias de julho, o segundo
semestre começa agora em agosto, com volta às aulas e retomada da
produção e serviço em geral.
O pensamento positivo ajuda a atrair boas coisas para a sua vida
Foto: primipil / iStock
Sei que o ano não parou. Mas, sempre dá uma “paradinha leve”.
Logo, um excelente 2018, novamente! Que as boas vibrações, pensamentos
positivos e boas energias que você desejou no inicio do ano se
multipliquem e se concretizem durante este período que se inicia.
Mas, para que estas boas vibrações e pensamentos positivos predominem e
estejam com você o ano todo,você terá que, todos os dias, repetir as
vibrações positivas para atrair mais energia positiva e ser feliz.
Não adianta você pensar positivamente uma vez só ou vibrar um desejo
uma vez de vez em quando. Dessa forma, você não terá o efeito para
atrair o que deseja. Se você quer algo para sua vida, você precisa pôr
mais energia no que deseja. Nossa mente é um imã poderoso, mas tem que
ser usado constantemente.
Desejar algo é usar o poder da mente, o ímã, todos os dias para criar o
caminho para chegar onde se deseja ou atrair seus sonhos e metas. Minha
sugestão é criar o hábito todos os dias, e, num horário específico,
meditar e vibrar positivamente para sua vida ser mais feliz, próspera e
atrair seus sonhos. Você deve ler, pensar ou escrever o que deseja
atrair ou ter na sua vida todos os dias.
Você pode fazer decretos ou afirmações para atrair a felicidade. Quando
você começa a incorporar estas afirmações e acreditar nelas, você vai
começar a atrair o que você deseja. Para que as afirmações se realizem
você deve acreditar nelas, por emoção, usá-las no tempo presente e usar
EU SOU.
Eu sou (estou) é uma força criativa diferente de qualquer outra. Você
está simplesmente decretando, através de uma afirmação, que você é feliz
e sua vida será muito feliz em 2018. Quer experimentar? Faça as
afirmações abaixo durante o ano de 2018 e me diga depois os resultados.
1. Eu estou recebendo agora abundância de formas esperadas e inesperadas.
2. Estou cada vez mais confiante na minha capacidade de criar a vida que desejo.
3. Estou agindo a partir da inspiração e de ideias e eu confio na minha orientação interior.
4. Eu estou dando e recebendo tudo que é bom e tudo o que eu desejo.
5. Estou recebendo abundância infinita, inesgotável e imediata.
6. Estou criando a minha vida de acordo com as minhas convicções dominantes, e estou melhorando a qualidade dessas crenças.
7. Estou constantemente esforçando-me para elevar a minha vibração através de bons pensamentos, palavras e ações.
8. Estou fazendo uma contribuição significativa para o mundo e eu sou maravilhosamente compensado pela minha contribuição.
E é muito importante plantar a semente da possibilidade em sua mente – o
que irá elevar a sua vibração porque o otimismo e positividade ajudam a
remover a resistência (medo, dúvida, etc).
9. Estou disposto a acreditar que eu sou o criador da minha experiência de vida.
10. Estou disposto a acreditar que, ao elevar a minha vibração, vou atrair mais do que eu desejo.
11. Estou disposto a acreditar que, ao focar em se sentir bem, eu farei melhores escolhas que levam a resultados desejados.
12. Eu sou digno de amor, abundância, sucesso, felicidade e realização.
13. Eu sou prestável.
14. Eu sou capaz.
15. Eu gosto de mim.
16. Eu sou merecedor de confiança.
17. Eu gosto da maneira como eu sou e das minhas atitudes.
18. Eu tenho méritos.
19. Eu sou uma pessoa flexível e equilibrada.
20. Eu sou feliz.
Ficou com dúvida? Quer saber mais sobre o trabalho de Franco Guizzetti?
Orientação Pessoal, tarô, feng shui, hipnoterapia e coaching holístico?
Para os valores dos trabalhos, entre em contato através do
e-mail franco.guizzetti@terra.com.br. Siga-o nas redes sociais. :
SIM... porque o processo que o condenou, muito diferente do que dizem os petistas, não teve nada de golpista, perseguitório, injusto, etc. Os diferentes tipos de provas coletadas foram suficientes para levar à sua condenação.
NÃO... porque não é de se condenar que um ex-presidente que fez coisas boas para o país (juntamente com algumas erradas também) possa desfrutar de um apartamento de frente para o mar e uma casa de campo para gozar adequadamente a sua velhice... desde que não venha ser adquirida utilizando-se de laranjas e esquemas de corrupção na Petrobrás... mas através do recebimento de um SALÁRIO JUSTO (que não deveria ser menor do que cem mil reais líquidos por mês - aliás, pergunte-se: por que o Faustão pode ganhar 5 milhões de reais por mês, mesmo labutando em um cargo de MENOR IMPORTÂNCIA para o país, e um mandatário maior da nação não? Portanto, Lula errou ao não reivindicar um salário mais justo - o que o livraria da necessidade de cometer ilícitos para gozar de confortos dignos de quem foi o mandatário maior da nação - e que, por isto, entrou para a história mundial... política e policial).
Os poderes curativos da natureza como receita médica
Matt Wasielewski,
The New York Times
29 Julho 2018 |
O dr. Robert Zarr identifica os sintomas o tempo todo. Em
geral, trata-se de um adolescente estressado, ansioso, ou de uma criança
acima do peso. Felizmente, existe uma prescrição simples.
“Prescrevo como mínimo uma por dia ou mais; na
realidade, deixo que o paciente a prescreva”, disse o dr. Zarr, pediatra
de Washington, a “The New York Times”. O tratamento é a vida ao ar
livre.
O
dr. Zarr faz parte de um grupo cada vez maior de médicos e cientistas
que defendem este tipo de tratamento contra doenças físicas e mentais. A
sua empresa, a Park Rx America, criou um site que ajuda os médicos a
encontrar parques locais e a prescrever receitas personalizadas com a
localização de um parque, o tipo do exercício físico e sua duração.
Alguns estudos sugeriram que passar algum tempo na natureza,
principalmente em um bosque, ajuda a baixar o stress e a pressão
sanguínea, a melhorar a variação do batimento cardíaco e a reduzir os
níveis de cortisol.
Aumenta a constatação de que uma caminhada nos bosques pode reduzir o stress (Ramsay de Give/The New York Times)
Foto: Ramsay de Give para The New York Times
Nem todos os pesquisadores estão convencidos dos poderes curativos dos bosques, mas a dra. Hiroko Ochiai está.
“Costumo estimular os participantes a sentar ou deitar ao pé das
árvores e ouvir os sons”, disse a médica, cirurgiã do Tokyo Medical
Center, que estudou terapia da floresta.
A tradição japonesa do shinrin-yoku, ou banho de floresta,
defende os benefícios para a saúde da calma comunhão com a natureza, e
já está chegando ao Ocidente. A Associação da Terapia da Natureza e da
Floresta certificou mais de 300 pessoas em toda a América do Norte para
se tornarem guias da terapia da floresta, inclusive fisioterapeutas,
enfermeiros e médicos.
A dra. Amitha Kalaichandran, de Ottawa, Canadá, encontrou certa
tranquilidade quando ela própria experimentou o banho de floresta. Ela e
outras 10 pessoas organizaram uma caminhada guiada, muito lenta e com
total consciência pela mata.
“Eu comecei sentindo-me relaxada e mais em paz”, ela escreveu no
“The Times”, “embora com pelo menos umas vinte picadas de mosquitos
aparentemente imunes a repelentes”.
Alguns pesquisadores sugerem que as substâncias químicas (óleos)
liberadas pelas árvores, os chamados fitoncidos, exercem um efeito
fisiológico sobre os níveis de stress. Outros destacam os sons da
floresta - o canto dos pássaros e o farfalhar das folhas - como um
verdadeiro bálsamo.
“O mundo natural hipersônico pode ser relaxante, e todas as
coisas estão sempre se movendo, mesmo que nós estejamos parados”, disse a
dra. Ochiai.
Os americanos não esperam que os médicos lhes ordenem de sair de
casa. Segundo a Kampgrounds of America, no ano passado, acamparam 2,6
milhões de famílias americanas a mais do que em 2016.
“Acho que é uma reação”, disse Zach Denes, gerente da Hatchet Outdoor Supply Company de Nova York.
Ele falou a “The Times” que a redução do número de parques
protegidos determinada pelo presidente Donald J. Trump, assim como a
liberação da mineração e da perfuração, está convencendo as pessoas a
procurarem a natureza. “Já se tornou moda acampar, fazer caminhadas,
principalmente aqui, no Brooklyn”.
Foram criadas inúmeras companhias que oferecem uma fuga aos
nova-iorquinos estressados. A Camp Rockaway começou propondo uma
experiência temporária em um acampamento em Fort Tilden, em Queens, no
outono passado; este ano a companhia instalou dez barracas no pátio de
uma antiga casa de banhos Art Deco, perto da praia. (Preços em torno de
200 dólares por noite.)
Diz Kent Johnson, o diretor da companhia, que o maior ponto de
venda é a fogueira da comunidade, na qual pessoas de todos os tipos
assam marshmallows e batem papo. “É um verdadeiro antídoto contra o
vício do celular”, ele disse.
A ciência ainda está fora disso, mas poderá constituir um antídoto para muito mais.
Solução para violência com armas de fogo varia de acordo com a pessoa com quem você está falando
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
A solução para isso varia de acordo com a pessoa com quem você está
falando. Algumas querem revogar os direitos dos cidadãos americanos de
portar armas, enquanto outros defendem armar ainda mais a população. A
maioria dos americanos tem opiniões que se situam entre esses dois
extremos.
Mas o que poderia acontecer se o debate fosse de repente e
irrevogavelmente resolvido pelo desaparecimento repentino de todas as
armas de fogo do mundo, sem uma forma de trazê-las de volta?
Isso não pode simplesmente acontecer como por um passe de mágica. Mas
essa experiência mental nos permite tirar a política da equação e
considerar racionalmente o que poderíamos ganhar - e perder - se
pudéssemos decidir ter menos armas por perto.
O efeito mais óbvio é simples: não haveria mortes por armas de fogo.
Aproximadamente 500 mil pessoas ao redor do mundo são assassinadas por
essas armas a cada ano.
Em países desenvolvidos, mais vidas são perdidas nos Estados Unidos,
onde cidadãos têm de 300 a 350 milhões de armas. Por lá, a taxa de
homicídio por arma de fogo é 25 vezes maior do que as taxas de outras
nações de alta renda combinadas.
"Cerca de cem pessoas morrem no país diariamente por causa de um tiro",
diz Jeffrey Swanson, professor de Psiquiatria e Ciência Comportamental
da Escola de Medicina da Universidade de Duke, nos Estados Unidos.
"Se acabássemos com as armas, muitas e muitas dessas vidas seriam salvas."
Michael Brown, de 18 anos, foi morto pela polícia em Ferguson, no Missouri
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
No topo da lista, estariam as vidas perdidas para o suicídio. Cerca de
60% das 175,7 mil mortes por armas de fogo nos Estados Unidos entre 2012
e 2016 foram casos de suicídio. Em 2015, metade dos 44 mil americanos
que se suicidaram usaram uma arma.
Mais de 80% das tentativas de suicídio com arma terminam em morte.
"Infelizmente, as chances de sobrevivência são muito baixas", diz o
criminologista e sociologista Tom Gabor, autor de Confronting Gun Violence in America (Confrontando a Violência Armada na América, em tradução livre).
E mais: a maioria dos sobreviventes das tentativas de suicídio não chega a tentar tirar a própria vida novamente.
"Algumas pessoas estão decididas a morrer e vão encontrar outra forma
de fazer isso. Mas outras são impulsivas uma única vez e, após o
episódio, passam a ter vidas felizes e produtivas", afirma Ted Miller,
pesquisador-chefe do Instituto do Pacífico para Pesquisa e Avaliação.
"Isto acontece principalmente com crianças".
Desarmento na Austrália levou a menos mortes
A Austrália fornece evidências reais e convincentes de que ter menos
armas disponíveis está relacionado a uma redução significativa em mortes
- por suicídio e violência.
Em 1996, Martin Bryant abriu fogo contra visitantes do ponto histórico
de Port Arthur, na Tasmânia, matando 35 pessoas e ferindo 23. Para os
australianos, aquela tragédia foi um ponto de virada.
Pessoas de todas as inclinações políticas apoiaram o banimento das
armas semiautomáticas e rifles. Em questão de dias, uma nova legislação
foi promulgada.
O governo comprou armas recém-banidas a um valor justo de mercado e,
então, as destruiu, reduzindo o estoque de armas de civis australianos
em 30%.
Após 35 pessoas serem mortas na Tasmânia, Austrália aprovou leis para reduzir a posse de armas
Foto: Getty Images/Robert Cianflone / BBC News Brasil
Philip Alpers, professor da Escola de Saúde Pública de Sydney,
argumenta que foi significativo o impacto dessa legislação sobre o
número de mortes, mesmo levando-se em conta outras possíveis explicações
e declínios pré-existentes em taxas de suicídio e homicídio.
"O resultado foi que o risco de morrer por tiros na Austrália caiu mais
de 50%, e não houve nenhum sinal de aumento nos últimos 22 anos",
afirma.
Suicídios responderam por uma grande parte dessa queda: até 80% deste
tipo de mortes com armas não acontecem mais. "Isso nos surpreendeu
bastante", diz Alpers.
"Estamos mais felizes ainda de perceber que não houve aumento do uso de
outros métodos letais. Em outras palavras, não há evidências de que
aqueles que pretendiam cometer suicídio ou homicídio simplesmente
passaram a usar outra arma."
Não foi só com suicídios. A taxa de homicídios por armas de fogo na
Austrália caiu mais da metade. Além disso, embora críticos americanos
geralmente argumentem que os assassinos simplesmente encontrariam outra
maneira de matar as vítimas, isto não aconteceu na Austrália.
Em vez disso, homicídios sem armas permaneceram quase no mesmo patamar - o que mostra uma queda geral no número de homicídios.
Casos de abusos domésticos tornam-se menos fatais
Isso também se aplica aos casos de abuso doméstico. Um homem violento
com acesso a uma arma tem de cinco a oito vezes mais chances de usá-la
contra a mulher.
Se a arma desaparece, parceiros que atacam em momentos de raiva têm
menos chances de provocar danos fatais - e talvez sejam até menos
propensos a agir de forma violenta.
Embora polêmicas, algumas pesquisas indicam que a mera presença de uma
arma torna o comportamento do homem mais agressivo, um fenômeno chamado
"efeito das armas".
Se as armas desaparecessem, os Estados Unidos - onde 50 mulheres são
mortas por seus parceiros por mês - provavelmente teriam uma experiência
parecida de redução de mortes como na Austrália.
Os Estados Unidos não são diferentes com relação à maioria dos tipos de
crime: suas médias são comparáveis às do Reino Unido, da Europa
Ocidental, do Japão e de outras nações desenvolvidas.
Quando se trata de homicídio, no entanto, os Estados Unidos têm uma
taxa até quatro vezes maior. Isso porque é muito mais provável que uma
arma de fogo - em vez de qualquer outra - seja usada em um ataque, o que
aumenta o risco de morte em sete vezes.
A filha de Holly Dee foi morta a tiros pelo marido, algo que ocorre com 50 americanas por mês
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
"Imagine dois homens jovens imaturos, raivosos, impulsivos e bêbados no
Reino Unido que saem de um bar e começam a brigar", diz Swanson.
"Alguém vai ficar com um olho roxo ou o nariz sangrando".
"Mas nos Estados Unidos é mais provável que um deles tenha uma arma, e isso resultará em morte".
A diferença se resume ao que especialistas classificam como "efeito de
instrumentalidade de armas": o fato de haver uma arma em uso provoca um
efeito no resultado final, diz Robert Spitzer, professor de Ciência
Política da Universidade do Estado de Nova York. "Não há método mais
eficiente para matar alguém que uma arma de fogo".
Como na Austrália, evidências nos Estados Unidos também mostram que menos armas resultam em menos mortes e ferimentos.
Um estudo de 2017 revelou que as taxas de homicídio por arma de fogo
são menores nos Estados americanos com leis mais rígidas sobre armas,
enquanto que uma análise de 2014 com menores internados por trauma
mostrou que o controle de armas aumentava a segurança de crianças.
Armas também têm relação com uma polícia mais mortal. Embora as chances
de uma detenção causar lesões seja a mesma nos Estados Unidos, na
Província canadense de British Columbia e na Austrália Ocidental,
pesquisas mostram que "quase ninguém morre durante uma prisão na
Austrália ou no Canadá", diz Miller - mesmo que a polícia desses três
países portem armas.
Nos Estados Unidos, quase 1 mil cidadãos são mortos a cada ano por policiais
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
Nos Estados Unidos, entretanto, quase 1 mil cidadãos são mortos
anualmente pela polícia. Claro, as razões para a violência policial são
complexas e envolvem preconceito racial contra cidadãos não-brancos,
incluindo contra os próprios policiais afro-americanos. Ainda assim,
muitas mortes seriam prevenidas se armas não estivessem envolvidas.
"Muito da brutalidade policial acontece apenas porque os próprios
agentes têm medo de serem alvejados", diz Miller. "Se a polícia precisa
se resguardar contra uma arma a todo momento, as interações se tornam
mais letais".
O banimento das armas provavelmente geraria condições mais seguras para
a polícia, ele acrescenta. Mais da metade das pessoas mortas pela
polícia em 2016 estava armada, e muitas estavam trocando tiros com
agentes quando foram atingidas.
O policial Sean Gannon, de Massachussetts, foi morto em abril enquanto cumpria um mandado
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
Ataques em massa cometidos por terroristas do próprio país também
seriam reduzidos. Um estudo de 2017 com mais de 2,8 ataques nos Estados
Unidos, Canadá, Europa Ocidental, Austrália e Nova Zelândia revelaram
que armas são de longe a forma mais letal de matar o maior número
possível de pessoas - até mais do que explosivos e atropelamentos com
veículos.
Armas foram usadas em apenas 10% dos ataques, mas representaram 55% das
mortes. Nos Estados Unidos, terroristas preferem as armas: de cada 16
ataques terroristas letais desde o 11/09, com exceção de dois, todos os
outros envolveram armas de fogo.
"É difícil construir uma bomba, mesmo uma simples", diz Risa Brooks,
professora de ciência política da Universidade de Marquette, nos Estados
Unidos.
"Ao dificultar o acesso a armas letais, também se está dificultando a violência praticada por terroristas".
A violência da natureza humana torna a paz improvável
Mas a história mostra que a violência está entranhada na natureza
humana, e armas não são, de forma alguma, um pré-requisito para o
conflito.
"Pense no genocídio de Ruanda (em 1994)", exemplifica David Yamane,
professor de Sociologia da Universidade Wake Forest, nos Estados Unids.
"Houve uma violência tremenda, grande parte sem armas".
Armas são dificilmente um pré-requisito para a violência - como o genocídio em Ruanda
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
Mesmo quando levamos esse experimento mental ao extremo, se todas as
armas desaparecessem da face da Terra, guerras e conflitos civis
continuariam a acontecer.
Mas em vez de olhar para armamentos mais primitivos como lanças,
espadas ou arco e flecha, as nações modernas provavelmente se voltariam
para outras formas de matar, incluindo explosivos, tanques, mísseis,
substâncias químicas e outras armas biológicas.
A guerra nuclear, entretanto, continuaria com pouco apelo dado sua destrutividade extrema, acrescenta Gabor.
As nações também devem inventar novos tipos de armas para preencher as
lacunas, argumenta Brooks, com os Estados mais ricos e poderosos
provavelmente sendo os mais rápidos em inovar nos meios mais eficientes
de matar.
Então, mesmo que a forma de guerra entre os Estados mudasse, "não
necessariamente isso mudaria o equilíbrio de poder", defende Brooks.
O mesmo provavelmente não se aplica a atores não estatais. Em lugares
como Somália, Sudão, Líbia, onde as armas de fogo estão facilmente
disponíveis, seu desaparecimento repentino reduziria a capacidade das
milícias de operar.
"Uma coisa que define atores não estatais é a falta de equipamentos que
requerem altos investimentos", diz ela. "Eles precisam de coisas que
são fáceis de conseguir, fáceis de transportar e fáceis de estocar e
esconder".
Uma redução no poder de várias milícias pode soar como algo bom. Mas,
em alguns casos, contramilícias são compostas de lutadores resistindo à
violência e a governos opressivos, defende Brooks.
Mundo natural
Se as armas desaparecessem, também haveria diferentes resultados para
os animais. De um lado, a caça de espécies ameaçadas cairia
drasticamente.
Por outro, o controle de animais problemáticos - seja guaxinins com
raiva, elefantes em debandada, cobras venenosas ou ursos polares em
ataque - seria mais difícil.
"Há muitas razões para a posse de armas, especialmente em um país como a
Austrália, que é baseado na agricultura e tem uma história de fronteira
semelhante à dos Estados Unidos", explica Alpers.
Se as armas sumissem, haveria desafios extras para a caça e a agricultura
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
Armas também são necessárias para o gerenciamento de espécies invasoras, diz ele.
Milhares de gatos, porcos, cabras, gambás e outras espécies
prejudiciais não nativas são mortas a cada ano na tentativa de se
preservar ecossistemas delicados, especialmente ilhas.
Acabar com as armas tornaria a batalha ainda mais complicada - e mais
desumano. As mortes intencionais de gado ferido e outros animais em
situação similar seriam mais brutais sem as armas.
"Se você tem um animal grande e doente, um machado não é um bom substituto para uma morte rápida com uma arma", comenta Alpers.
Os ganhos e perdas econômicos do desaparecimento das armas
Armas são feitas para matar, mas sua influência se estende a outras facetas da vida e da sociedade, e todas sofreriam mudanças.
Nos EUA, a indústria das armas representa US$ 50 bi, uma parte relativamente pequena da economia como um todo
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
Em termos econômicos, os Estados Unidos são os que mais têm a perder se as armas desaparecerem.
A Associação de Comércio da Indústria de Armas calcula que esse mercado
gera US$ 20 bilhões (R$ 75 bilhões) em contribuições diretas, além de
US$ 30 bilhões (R$ 113 bilhões) em outras contribuições.
Para a economia americana, perder US$ 50 bilhões (R$ 188 bilhões) não
seria muito significativo, diz Spitzer. "Não é zero, mas não é muito
alto se comparado com a economia como um todo".
Provavelmente, haveria um modesto ganho econômico com o banimento das
armas. Mortes e ferimentos por armas provocam gastos de US$ 10,7 bilhões
(R$ 45 bilhões) por ano, e mais de US$ 200 bilhões (R$ 754 bilhões)
quando outros fatores são levados em conta.
"Temos de levar em conta todos os custos financeiros da violência
armada, não são apenas os custos médicos e de reabilitação das pessoas,
mas também os custos do sistema judiciário e a perda de renda das
vítimas, e até os custos com qualidade de vida", sugere Gabor.
De fato, embora os impactos gerais sobre a economia sejam
insignificantes, Miller aponta que os ganhos menos tangíveis seriam
significativos.
Por um lado, muitas pessoas se sentiriam mais seguras. "Nós veríamos
novas gerações que não foram traumatizadas pelo som do disparo ouvido do
quarto", diz. "Isto poderia fazer uma enorme diferença na saúde mental
das crianças".
Os americanos de todas as idades estão cada vez mais com medo de serem
atacados em espaços públicos, acrescenta Gabor, seja na escola, no
cinema, na boate ou na rua.
Mesmo que tais eventos sejam relativamente raros, "esses tiroteios em
massa corroem o tecido social", afirma. "A sensação de segurança e
confiança nos demais é erodida, causando profundos efeitos sociais e
psicológicos."
Manifestações nos EUA tem chamado atenção para o problema da violência armada
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
Muitos poderiam respirar mais tranquilos com as armas longe da vista,
mas alguns donos de armas iriam ter a reação contrária e se sentir mais
vulneráveis.
"Há pessoas que se armam defensivamente - sejam contra pessoas maiores,
ou as que portam facas e armas - para equalizar a situação", diz Yaman.
Acabar com as armas "certamente deixaria pessoas que são potenciais
vítimas de violência incapazes de se defender contra agressores",
completa.
Se as armas realmente ajudam pessoas a ficar seguras e a se defender é
algo polêmico. Mas as poucas pesquisas disponíveis sobre o tema tendem a
indicar que as armas têm o efeito oposto.
Um estudo de 1993 com base em 1.860 homicídios descobriu que a presença
de armas em casa aumenta significativamente o risco de homicídio por um
membro da família ou um conhecido próximo, por exemplo.
Outro meta-estudo de 2014 corroborou que o acesso a armas de fogo está associado a homicídios e tentativas de suicídio.
Na Índia, mulheres estão aprendendo técnicas de autodefesa e tiro para se proteger
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
Então, embora alguns donos de armas possam perder a sensação de
segurança se as armas sumirem, "dados mostram que isto é uma falsa
sensação de segurança", diz Miller.
A cultura em torno das armas também seria algo que muitos donos desses
artefatos sentiriam falta. Mas Miller ressalta que caçadores
recreacionais poderiam trocar o rifle por outros métodos, como o arco e
flecha.
O mesmo serve para aqueles que visitam campos de tiro por hobby - eles
simplesmente poderiam encontrar uma nova atividade. Mas, para muitos
daqueles que têm as armas como uma paixão, isso não traria muito
conforto.
"Eles perderiam um pouco o prazer, porque preferem comprar uma arma a
uma televisão ou qualquer outra coisa. Mas, por outro lado, muitas
pessoas ainda estariam vivas. E acho que isso supera a perda de prazer".
Embora existam centenas de pretendentes
disputando o ilustre título de verdadeiro Santo Graal, a capela do Santo
Cáliz, na Catedral de Valência, na Espanha, lidera a lista.
Quinn Hargitai - BBC Travel
30 jul 2018
É difícil chegar na Catedral de Valência, na Espanha, sem sentir
certo fascínio. Logo na entrada, fui recebido com ecos de canto
gregoriano que reverberavam nas abóbadas. Estendia-se diante de mim uma
longa procissão de arcos guiando-me a uma plataforma baixa na outra
ponta da catedral. E mais poucos degraus levavam até o altar, que estava
protegido por uma meia cúpula impecavelmente adornada com esculturas e
pinturas que retratavam cenas de anjos e apóstolos.
Catedral de Valência, na Espanha. diz guardar o verdadeiro Santo Graal
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
Mas eu não tinha vindo à terceira maior cidade da Espanha apenas para
conhecer a catedral. Em vez disso, dirigi-me a uma pequena sala na
lateral, em um lugar tão discreto que eu quase passei direto. Dentro
dessa capela simples, envolto em vidro, pouco depois do altar, estava o
objeto que procurava: um cálice repousado sobre um pedestal de ouro
iluminado. Segundo a legenda, essa foi a taça usada por Jesus Cristo
durante a Última Ceia - ou, como a taça é comumente conhecida, o Santo
Graal.
Presente em histórias desde os épicos medievais do Rei Arthur e seus
cavaleiros até às expedições cinematográficas de Indiana Jones, o Santo
Graal sempre foi um dos tesouros mais procurados da humanidade, uma
misteriosa relíquia que trafega entre a fantasia e a realidade. Embora
plausível a ideia de que um cálice usado por Cristo seja venerado e,
portanto, preservado, um vaso mágico capaz de conceder a vida eterna
nunca chegou a ser mencionado na Bíblia. Trata-se de uma convenção da
lenda arturiana, escrita por nomes como Chrétien de Troyes e Robert de
Boron, dois poetas franceses que influenciaram fortemente o
desenvolvimento da lenda arturiana nos séculos 12 e 13. A primeira
menção escrita ao Graal, como o conhecemos, está no romance "Percival",
de Troyes; e ele é descrito não como um cálice, mas como uma travessa,
provavelmente remetendo aos caldeirões mágicos do mito celta.
Crescendo com as histórias míticas do Rei Arthur, sempre fui um
cético; para mim, o Graal é um tesouro literário. Mesmo assim, não pude
deixar de me sentir intrigado diante do Santo Cáliz (cálice sagrado) de
Valência. Há mais de 200 pretendentes apenas na Europa que disputam o
ilustre título de Santo Graal; e teorias do local de descanso final da
relíquia estão por toda parte, desde a Escócia até Accokeek, em
Maryland, nos EUA.
No entanto, dentre todos da lista que pesquisei, o cálice de Valência
invariavelmente ocupa o primeiro lugar. Ele atrai peregrinos de todo o
mundo e foi usado em cerimônias pelos papas João Paulo II e Bento XVI.
Ansioso pela oportunidade de seguir os passos de Sir Galahad em minha
própria busca pelo Graal, vim até aqui para descobrir o que torna este
cálice tão especial entre tantos outros.
Entrei na Capilla del Santo Cáliz (a capela do cálice
sagrado), que estava vazia. Embora não tenha planejado, cheguei à
catedral no meio da missa do Sábado de Aleluia, o dia antes ao Domingo
de Páscoa. Por isso todos os visitantes estavam preocupados com a
cerimônia no cômodo ao lado. Um único feixe de luz vinha de um vitral
acima do altar. O distante sussurrar do coro gregoriano era o único som
na capela. Embora eu tenha vindo ao local mais como um pesquisador do
que como um peregrino, foi difícil não ser levado pelo solene silêncio
do momento.
Cálice simples
Quando me aproximei do altar para observar o cálice mais de perto,
notei que ele era bem mais elaborado do que pensara. Com duas enormes
alças de ouro e uma base incrustada de pérolas, esmeraldas e rubis, o
cálice imediatamente me encheu de incredulidade. Pois qualquer um que
tenha visto "Indiana Jones e a Última Cruzada" deve lembrar que o Santo
Graal seria algo bem simples - um cálice de um carpinteiro.
Fui informado depois por uma das atendentes fora da sala que a
relíquia verdadeira é meramente a peça no topo, uma taça lavrada com
ágata e polida com mirra. As alças e a base, que têm marcas do
artesanato medieval, foram adicionadas muito mais tarde. Com meu
ceticismo temporariamente amenizado, voltei-me para a tarefa de
descobrir como essa taça supostamente fez a viagem de Jerusalém, onde se
acredita que a Última Ceia ocorreu, até a costa leste da Espanha.
Como em todas as histórias dos pretendentes do Graal, essa também é
complicada. Uma atendente da catedral deu uma explicação básica sobre
como o cálice fez a viagem há 2 mil anos:
"São Pedro, o primeiro papa, levou-o para Roma", ela explicou. "Os
papas eram os únicos que podiam celebrar as missas, então São Pedro e o
resto dos papas usavam o Graal na eucaristia, considerando-o como aquele
usado por Cristo. Depois, quando o Imperador Valeriano começou a
perseguir os cristãos (a partir de 257 aC), ele foi enviado a Huesca,
Espanha, porque Roma não era mais segura".
Ela continuou explicando que o cálice supostamente ficou em Huesca
por algumas centenas de anos. No século 8, durante a conquista árabe na
Península Ibérica, ele foi levado, por medo de ser roubado, para um
mosteiro ao na beira de um penhasco em San Juan de la Peña, no norte da
Espanha.
Pagamento de dívida
As contas desses primeiros mil anos de jornadas do Graal estão além
da capacidade de verificação de qualquer um. Os registros mais
confiáveis aparecem em 1399, quando o cálice se tornou parte do
relicário real do rei Martinho de Aragão. De acordo com os registros da
catedral, depois que Afonso, o Magnânimo, assumiu o trono em 1416, o
relicário foi transferido para Valência e depois entregue à catedral
como pagamento de uma dívida. Embora o cálice tenha sumido outras vezes
por conta da guerra, ele acabou voltando à Catedral de Valência em 1939 -
desta vez para sempre.
Embora seja um relato elaborado, a história por si só não foi
suficiente para me convencer de que aquele era o verdadeiro graal.
Afinal de contas, quase todos os pretendentes ao Graal apresentam
histórias complexas sobre como a relíquia foi transportada através de
mares e montanhas. Como nenhuma delas pode ser verificada, o que fez
tantos acreditarem que esse é o único?
O principal detalhe que distancia o cálice de Valência dos demais é
seu estilo e formato. O arqueólogo espanhol Antonio Beltrán, que estudou
o cálice em 1960, explica que seus traços remetem a um período entre os
séculos 2 aC e 1 dC, provavelmente de uma oficina do Oriente Médio. A
avaliação arqueológica sugere que a taça se encaixa nos parâmetros, pelo
menos geográfica e cronologicamente. Embora isso esteja longe de ser
uma prova definitiva, a descoberta certamente conta a seu favor.
Artefato lendário
Enquanto olhava para a taça de ágata em sua proteção de vidro, um
pensamento continuava a ocupar minha cabeça. Se este era de fato o Santo
Graal, um dos artefatos mais lendários de todos os tempos, seria assim
tão fácil? Esta era supostamente a taça procurada, de tempos em tempos,
pelos heróis e só encontrada por aqueles de coração mais puro. No
entanto, aqui estava, não enterrada nas profundezas de alguma caverna
distante, e sim repousando no centro da cidade, cercado por cafés cheios
de pessoas casualmente tomando expressos.
Quando me dirigia para a saída, perguntei a uma das assistentes sua
opinião. Afinal, será que as histórias das incessantes buscas pelo Santo
Graal não tinham sido manchadas pelo fato de que ele estava aqui
simplesmente para todo o mundo ver?
"Eu acho que o mistério continua", ela disse com um sorriso que me
fez sentir que não era a primeira vez que ela ouvia a pergunta. "Afinal,
este não é o único Santo Graal na Espanha. Você tem que escolher qual é
o real para você".
Depois, enquanto pesquisava sobre o assunto, entendi o que ela queria
dizer. Em 2014, dois historiadores publicaram "Kings of the Grail"
(Reis do Graal, em tradução livre), um livro no qual afirmam terem
encontrado o verdadeiro Graal na Basílica de San Isidoro de León, no
norte da Espanha. A dupla citou como fonte de sua descoberta dois
manuscritos egípcios achados na época. Assim como o cálice de Valência, o
novo pretendente tinha uma história detalhada por trás e também foi
cientificamente datado no prazo apropriado.
Embora a nova descoberta ponha em dúvida o cálice de Valência, não
pude deixar de sentir uma estranha sensação de confiança. Para mim, a
verdadeira maravilha do Santo Graal nunca esteve na descoberta, mas na
busca. O tesouro não é o cálice, mas as histórias que criamos ao longo
do tempo. Senti-me feliz em saber que, enquanto novos competidores
continuarem a aparecer, o mistério irá perdurar, a lenda sobreviverá e a
busca pelo Santo Graal continuará.
Os credores do governo são o público em geral, até mesmo o trabalhador mais humilde
Claudio Adilson Gonçalez
30 jul 2018
"Que me persigam, mas somente com juros, este ano,
gastaram R$ 380 bilhões. É difícil explicar ao povo, mas a sociedade
brasileira está devendo R$ 5 trilhões ao baronato." Assim se expressou
Ciro Gomes, na cerimônia de oficialização de sua candidatura à
Presidência da República. Frase de efeito, sem dúvida. No entanto,
desprovida de conteúdo.
Não faz qualquer sentido tomar o valor nominal dos juros
apropriados à dívida pública como um indicador importante do desajuste
fiscal. Esse valor, bem como sua relação com o PIB, depende da taxa
nominal de juro, e esta, em grande medida, é determinada pela inflação. O
que importa para a dinâmica da relação dívida/PIB é a taxa real de
juros, além, é claro, do crescimento real do PIB e do resultado
primário. Um exemplo hipotético ajuda a deixar a ideia mais clara.
Suponha um país na seguinte situação: PIB = 100 unidades
monetárias (UM); dívida pública = 80 UM; taxa de inflação = 10% ao ano;
juro real = 0; taxa nominal de juro, portanto, igual à inflação, ou
seja, 10% ao ano; superávit primário e crescimento real do PIB = 0.
Nessas condições, a despesa de juro seria de 8 UM (10% sobre a dívida de
80 UM), o que corresponde a 8% do PIB. Uma enormidade, poderia dizer o
candidato, se analisasse as contas desse país. E muitos concluiriam que
não há economia que resista pagar 8% do PIB em juros.
Mesmo se não for economista, o leitor já percebeu que
tal conclusão seria uma tolice. Nesse exemplo, o valor do juro não passa
de mera atualização monetária do estoque da dívida pública. O credor
que o recebeu não poderá gastá-lo, pois se o fizesse estaria dilapidando
o valor real de seu crédito. Ele tenderia a deixar seu dinheiro
aplicado e isso possibilitaria ao governo "rolar" os juros colocando
novos títulos públicos no mercado. Se as condições explicitadas no
parágrafo anterior prevalecerem indefinidamente, a rolagem anual dos
juros manterá a relação dívida/PIB constante nos 80%, dado que dívida e
PIB seriam atualizados anualmente pela taxa de inflação de 10%. Não
haveria, portanto, qualquer aumento de endividamento. Do ponto de vista
econômico, a despesa de juros seria nula (o que vale é o juro real),
apesar de seu valor nominal corresponder a 8% do PIB. Se essa despesa é
nula, não compete com os recursos públicos a serem aplicados em outras
áreas, tais como educação, saúde, segurança, investimentos ou programas
sociais.
O exemplo, embora hipotético, nos ajuda a interpretar corretamente os dados das contas públicas.
Voltemos ao Brasil real. Em 2017, os juros incorridos
pelo governo federal (excluído o valor de R$ 46 bilhões relativos à
remuneração dos títulos que estão na carteira do Banco Central) foram de
R$ 340 bilhões, ou seja, 5,2% do PIB. Esse valor corresponde a uma taxa
nominal de juro sobre a dívida mobiliária federal em poder do público
(R$ 4,3 trilhões, na média do ano) de 7,9% ao ano. Se descontarmos a
inflação de 3,8% (medida pelo deflator do PIB, para manter a coerência
dos dados), chegamos a um juro real bruto de 3,9%, o que corresponde a
R$ 176 bilhões, ou 2,7% do PIB, bem menos do que o valor alardeado.
Esses cálculos ainda não consideram o Imposto de Renda incidente sobre
os juros nominais, cerca de R$ 68 bilhões (alíquota média de 20%) que
retornarão para o governo e ajudarão no resultado primário.
Sim, até mesmo esse valor ainda é alto, mas sua redução
não depende da vontade discricionária do governo, mas sim da melhora do
resultado primário.
Finalmente, a expressão "baronato", utilizada pelo
candidato para se referir aos credores da dívida pública, é pura
retórica eleitoral, distante da realidade. Os credores do governo são o
público em geral, até mesmo o trabalhador mais humilde, que tem grande
parte de seu FGTS aplicada, pelo gestor do fundo, em títulos públicos.
* ECONOMISTA E DIRETOR-PRESIDENTE DA MCM
CONSULTORES. FOI CONSULTOR DO BANCO MUNDIAL, SUBSECRETÁRIO DO TESOURO
NACIONAL E CHEFE DA ASSESSORIA ECONÔMICA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA
Uma nova pesquisa sugere que, se todos nós
comêssemos uma dieta vegetariana, um terço das mortes precoces poderia
ser evitada. Especialistas dizem que, na verdade, podemos estar
subestimando os benefícios de comer alimentos à base de plantas. Dietas
vegetarianas apropriadamente planejadas, incluindo dietas vegetarianas
ou veganas, são saudáveis, nutricionalmente adequadas e podem trazer
benefícios à saúde na prevenção e tratamento de certas doenças.
Especificamente, essas dietas estão ligadas a um menor risco de doença
cardíaca, pressão alta, obesidade, câncer e doenças crônicas.
Inclinar-se mais em direção a uma dieta vegetariana tem um impacto
positivo sobre questões auto-imunes.
Um estudo em 2013 financiado em parte pelo Instituto
Americano para Pesquisa do Câncer (AICR) concluiu que os vegetarianos
tinham um risco quase 10% menor de desenvolver câncer do que os
não-vegetarianos. Mas pode ser difícil mudar para uma dieta mais
saudável sem enfrentar inconvenientes não intencionais, talvez com
impactos de saúde próprios. Para algumas pessoas, pode ser incrivelmente
difícil desistir de queijo, ou um hambúrguer de sexta à noite. O
paciente se sai melhor quando se sente atraído para experimentar a
dieta, em vez de ser instruído a fazê-lo.
PARATY, RJ (FOLHAPRESS) - O ex-prefeito Fernando Haddad, coordenador
do programa de governo do PT e potencial candidato à Presidência caso o
ex-presidente Lula seja barrado de disputar o Planalto, afirmou neste
sábado (28) que "não há consenso" no partido sobre o ponto que prevê
limitar a atuação do STF (Supremo Tribunal Federal), presente numa
prévia do programa de governo da candidatura do partido.
"A maioria não sabe dos efeitos e quer mais tempo pra pensar", disse o
ex-prefeito à Folha de S.Paulo após participar de um debate na Flip
(Festa Literária Internacional de Paraty).
Como revelou, a versão mais recente do texto propõe que a competência
do STF seja "limitada ao controle de constitucionalidade das leis". E
segue: "Em linha com a experiência internacional das democracias
consolidadas, e como elemento-chave de uma República, faz-se necessário
instituir tempo de mandatos para os membros do STF e das Cortes
Superiores de Justiça, não coincidente com a troca de governos e
legislaturas".
Segundo Haddad, a proposta se aplicaria apenas a "novos ministros,
não os atuais". Ele diz que a ideia, ao sugerir limitação nos poderes do
STF, é "desentulhar o tribunal", sem que haja qualquer revanchismo após
a corte ter vetado o habeas corpus que poderia livrar Lula da prisão,
em maio.
"Tem ministros que entendem que é a corte deveria ser
constitucional", disse minutos antes de Luís Roberto Barroso, um dos
titulares do STF, participar de um debate no mesmo espaço.
Em conversa com o candidato do PSOL à Presidência, Guilherme Boulos,
na Casa Época/Vogue durante a Flip, Haddad afirmou que os grandes grupos
de mídia são "contra a democracia", porque querem tirar concorrentes do
ar, e que o debate sobre a regulação da mídia precisa ser retomado.
"El País Brasil, BBC e Intercept estão sendo ameaçados pela nossa
imprensa local. Você quer coisa mais antidemocrática que tirar um
concorrente teu do ar?", disse Haddad.
Haddad mencionou a ação direta de inconstitucionalidade movida pela
ANJ (Associação Nacional de Jornais) em 2016 para que o STF confirme que
sites e portais noticiosos estão sujeitos à lei que limita a
participação de capital estrangeiro no setor jornalístico.
"Nós governamos durante 13 anos e não enfrentamos o debate sobre a
mídia, a gente precisa de lei para pautar esse negócio; conversei com o
Lula (sobre isso)", disse Haddad. "Não pode meia dúzia de políticos
terem concessões de rádio e TVs, mancomunados com grandes grupos de
comunicação, mantendo status quo."
Boulos afirmou ser preciso fortalecer as TVs e rádios públicas e as comunitárias, além de regulamentar a mídia.
"Isso não significa censura: a rainha Elizabeth está longe de ser
bolivariana ou comunista, e a BBC é uma das grandes TVs publicas do
mundo, com modelo de regulação de mídia privada na Inglaterra muito mais
avançado do que o daqui", disse.
"Não podemos deixar que grupos
econômicos sejam os únicos a falar com a sociedade, é preciso ter TV e
rádio públicas fortes e rádios comunitárias. Hoje você monta uma rádio
comunitária, a Polícia Federal vai lá e prende, é um acinte."
PARATY, RJ (FOLHAPRESS) - "Homem não tem peito, mas tem mamadeira",
diz a psicanalista Vera Iaconelli. Especializada em atender mães, pais,
gestantes e casais em crise, a colunista da Folha de S.Paulo afirma que
tem visto cada vez mais um tipo muito específico no consultório:
"Mulheres que se autodiagnosticam com depressão pós-parto e percebem que
louco não é elas, mas o mundo".
O mundo louco, de mães que tentam ser super-heroínas e pais que ainda
não descobriram seu lugar, foi o norte de sua conferência na Casa
Folha, na tarde deste sábado (28), parte da programação da Flip.
Iaconelli substituiu a escritora e roteirista Tati Bernardi, que não
pôde viajar para Paraty por razões pessoais. Os motivos foram tornados
públicos logo no começo da conversa: ela está amamentando a filha de
seis meses e não queria se ausentar.
"Ser profissional e mãe de um bebê envolve escolhas e perdas", disse a
psicanalista, comentando o caso. "A Tati, como artista, ilustra isso de
um jeito muito simpático nos textos dela."
Os textos em questão fazem parte de "Homem-Objeto e Outras Coisas
Sobre Ser Mulher" (ed. Companhia das Letras), obra em que Tati, também
colunista da Folha de S.Paulo, aborda casamento, maternidade e novos
papéis masculinos e femininos, mote da fala de Iaconelli.
O momento atual, segundo a psicanalista, é de "curva de rio". "Muitas
mulheres querem ter bebês e amam seus bebês, mas percebem que com isso
ganham e perdem coisas diferentes. Esses imperativos podem levar a
grandes ressentimentos."
Também pesam na conta as cobranças de outras mulheres, insufladas por
redes sociais e promessas de que a maternidade é um paraíso. "Cada
mulher tem uma experiência, algumas odiando a gestação ou a
amamentação".
Nem buscar a utopia. "Há uma aspiração de que se pode criar filhos
sem traumas, mas seres humanos criam seres humanos. E humanos são falhas
em série."
Outro traço que Iaconelli diz ver muito no consultório é o paradoxo
da mãe super-heroína. "É aquela que não abre mão do seu heroísmo",
descreve. "Quando o trabalho virou realização para a mulher, elas
passaram a exigir dedicação dos homens à figura de pai. Mas quando o
filho passa a ser cuidado pelo pai, elas se ressentem."
Na conversa mediada por Fernanda Mena, repórter especial da Folha de
S.Paulo, Iaconelli também tratou do que chamou de "patrulha das
palavras", muitas vezes acirradas por grupos de pressão, e que, segundo
ela, atrapalham a definição dos novos papéis do homem e da mulher.
"Estamos num processo de mudança de mentalidade. E essa transição é
algo que temos que fazer juntos, e não contra. Há homens que querem
acompanhar a agenda das mulheres."
No mundo masculino, entretanto, ela diz não encontrar uma agenda
específica. "Os homens estão acuados. Estão vindo na nossa cola, mas
ainda não acharam o seu lugar."
A única coisa mais fofa do que assistir a um cachorrinho correndo e se exercitando é vê-lo cair no sono logo em seguida.
É adorável e existem milhões de vídeos no YouTube para provar. E embora
nós, humanos adultos, nunca sejamos tão fofos quanto os filhotes de
cachorro, e a maioria de nós não adormece imediatamente depois de
malhar, há razões para crer que atividade física e exercício também
podem melhorar nosso sono.
“Em geral, a maioria das evidências confirma que o exercício melhora o sono”, diz Christopher Kline,
PhD, professor-assistente no departamento de saúde e atividade física
da Universidade de Pittsburgh. Pode-se dizer que o exercício ajuda a
“queimar energia”, o que faz com que você adormeça. Mas existem algumas
maneiras mais científicas de explicar como esse processo funciona.
A principal teoria é a de que o exercício leva a um acúmulo de adenosina,
um hormônio na parte do cérebro que monitora seus níveis de fadiga, diz
Kline. Quando você apresenta níveis elevados de adenosina, isso lhe ajuda a dormir e pode, na verdade, iniciar o estágio do sono sem movimento rápido dos olhos (REM) ou o sono de ondas lentas. Exercícios também aumentam a temperatura corporal,
o que faz com que os vasos sanguíneos em suas extremidades se dilatem
para se livrar do calor, diz ele. Se você se exercitar à noite, essa
mudança na temperatura do corpo também o ajudará a adormecer.
Além dos fortes efeitos do exercício, sabemos que “manter um padrão
regular e consistente de exercício leva a um sono melhor, no geral”, diz
o Dr. Kline. “Pode ser que seja pelos benefícios que eles têm sobre a
saúde psíquica.” Exercícios ajudam a reduzir o estresse, a ansiedade e
os sintomas de depressão, que podem mantê-lo acordado durante a noite,
diz ele. Em outras palavras, o exercício lhe ajuda a relaxar para que
você tenha mais facilidade para dormir à noite.
Então, agora talvez você esteja se perguntando como programar seus
treinos para que eles lhe ajudem a dormir. Na verdade, não existem
estudos suficientes sobre quais exercícios específicos são os melhores
para melhorar o sono, por isso é difícil dizer, explica o Dr. Kline. Há
algumas pesquisas que analisam as diferenças entre os efeitos dos exercícios aeróbicos e dos de resistência,
mas os resultados não são conclusivos, diz ele. E, como você pode ter
imaginado, os exercícios mentais-corporais, focados no relaxamento, como
yoga e tai chi, também parecem ser bons para o sono.
Mas podemos supor que o nível de intensidade do exercício é
importante, diz Dr. Kline. “Exercícios moderados a vigorosos (como andar
em um ritmo rápido ou correr) tendem a ser melhores do que exercícios
de intensidade mais leve (como tarefas domésticas), por exemplo.
Observa-se empiricamente que exercícios vigorosos tendem a ser um pouco
mais eficazes”, diz ele.
Outro fator importante que parece estar no ar é o melhor horário para se exercitar.
“Eu recomendo em qualquer horário que você puder encaixá-lo, na
verdade. Não acho que haja um horário do dia ideal”, diz o Dr. Kline.
Costumava-se acreditar que você não deve se exercitar logo antes de
dormir, pois isso perturbaria seu sono, mas nos últimos dois anos essa
recomendação mudou, diz ele. “Algumas pessoas reagem muito mais aos
exercícios noturnos, acreditando que eles as deixam ativas e
estimuladas”, diz ele. “Mas eu acho que, para a maioria das pessoas, o
exercício noturno não deveria ser uma preocupação.”
Basicamente, não existe um tipo de treino que seja melhor para o
sono, porque somos todos diferentes. Por esse motivo, se você possui um
distúrbio do sono como insônia, o exercício provavelmente não será uma
solução mágica. Mas independentemente disso, é uma boa ideia encontrar
um treino do qual você goste, para que ele possa se tornar parte de sua
rotina, diz O Dr. Kline.
Se você não tem certeza do tipo de treino que gosta, tente navegar pelos muitos vídeos de treinos gratuitos no YouTube. E, se você não encontrar algo que goste, sempre poderá assistir a um vídeo de filhotinhos dormindo e ver se funciona.