segunda-feira, 12 de junho de 2017

COMPOSIÇÃO 21

                                                                     A RAZÃO




A razão é rasa
Mas alcança grandes profundidades
Não tem aliança com a maldade
E é o caminho da felicidade

A razão felicita a quem merece
Mesmo quando entardece
Credita na conta caliente
Refresca a mente contente

A razão não é tudo
Tudo é que é a razão
É do mundo o pulmão
É o arqueiro da expressão
É o veleiro da fraterna comunhão
                   (Refrão)

A razão dialoga alucinadamente
Com a toga, sua cliente
E joga limpo, é transparente
E ainda roga a Deus, comumente


A razão inclina-se para o bem
E feliz quem a tem
Ela é a canção de ninar
Pela qual sempre devamos lutar

A razão não é tudo
Tudo é que é a razão
É do mundo o pulmão
É o arqueiro da expressão
É o veleiro da fraterna comunhão
                   (Refrão)

A razão não zomba
Mas apenas assombra
Com a forma acolhedora
A sua verdadeira mantenedora

Mantida pelos céus
Percebida nos véus
Refletida nos fogaréus
Recebida como os grandes troféus

A razão não é tudo
Tudo é que é a razão
É do mundo o pulmão
É o arqueiro da expressão
É o veleiro da fraterna comunhão
                    (Refrão)


A razão é rasa
Mas alcança grandes profundidades
Não tem aliança com a maldade
E é o caminho da felicidade

A razão felicita a quem merece
Mesmo quando entardece
Credita na conta caliente
Refresca a mente contente

A razão não é tudo
Tudo é que é a razão
É do mundo o pulmão
É o arqueiro da expressão
É o veleiro da fraterna comunhão
                   (Refrão)


A razão dialoga alucinadamente
Com a toga, sua cliente
E joga limpo, é transparente
E ainda roga a Deus, comumente

A razão inclina-se para o bem
E feliz quem a tem
Ela é a canção de ninar
Pela qual sempre devamos lutar

A razão não é tudo
Tudo é que é a razão
É do mundo o pulmão
É o arqueiro da expressão
É o veleiro da fraterna comunhão
                   (Refrão)

A razão não zomba
Mas apenas assombra
Com a forma acolhedora
A sua verdadeira mantenedora

Mantida pelos céus
Percebida nos véus
Refletida nos fogaréus
Recebida como os grandes troféus

A razão não é tudo
Tudo é que é a razão
É do mundo o pulmão
É o arqueiro da expressão
É o veleiro da fraterna comunhão

Nem a razonete da contabilidade
Reflete em verdade
A essência da razão
Ah! Não reflete, não!
     (Refrão final)

As raízes da corrupção no Brasil

Como o modelo de colonização lançou as bases para a difusão da corrupção, que seguiu encontrando terreno fértil para se manter na esfera pública, alimentada pela falta de punição e pela manutenção de elites no poder.
Quadro retrata a chegada de Pedro Álvares Cabral no Brasil Quadro retrata a chegada de Pedro Álvares Cabral no Brasil
A cordialidade da elite do município de Curuzu enganou Policarpo Quaresma. No início, o personagem central da obra de Lima Barreto chegou a pensar que a intimação assinada pelo simpático presidente da Câmara era apenas uma brincadeira. Mas o documento era uma vingança. Ao se recusar a entrar no jogo da corrupção local, Policarpo se tornou alvo de represálias.
No romance de 1911, a corrupção na esfera pública não surge como fenômeno novo, mas aparece como mal característico da sociedade, o qual a República não demonstra interesse em suprir. As represálias sofridas por Policarpo escancaram o uso do patrimônio público para interesses privados.
Leia também: "Descrença é parte da história do Brasil"
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Essa confusão tem sua origem séculos antes da publicação do romance. A ausência de distinção entre público e privado (patrimonialismo) e favorecimento de indivíduos com base nos laços familiares e de amizade (clientelismo) foram características do modelo de colonização aplicado no Brasil.
Tolerada pela Corte e ignorada pela Justiça, a corrupção encontrou, desta maneira, em solo brasileiro, condições propícias para sobreviver e se difundir na cultura do novo país durante a sua formação.
Sem uma ruptura real com as práticas patrimonialistas e clientelistas, depois das duas primeiras grandes mudanças no sistema político – a independência e a proclamação da República – a corrupção continuou ganhando terreno em instituições públicas e no cotidiano brasileiro.
"Desde a colônia, temos um Estado que nasce por concessão, no qual a instituição pública é usada em benefício próprio. A corrupção persiste no Brasil devido a essa estrutura de colonização", diz a historiadora Denise Moura.
Plantando a semente
Diante da dificuldade de encontrar súditos dispostos a deixar o conforto da Corte em troca de aventuras no território selvagem recém-descoberto, a concessão de cargos foi o mecanismo usado por Portugal para garantir seu domínio e explorar as riquezas da nova colônia.
Para os que aceitavam vir ao Brasil, esses cargos trariam não somente prestígio social, mas, principalmente, vantagens financeiras. Durante o período colonial, o pagamento de propinas a governantes e funcionários reais era uma prática tolerada e até regulamentada por lei.
A colonização com as concessões institucionalizou na sociedade a percepção do bem público como privado. Ao ganhar um cargo público do rei, os beneficiários tornavam-se donos destes postos e, com o aval da Corte, os utilizavam para o favorecimento próprio, além de amigos e familiares.
Essas práticas foram se difundido por todo o país durante os mais de três séculos do período colonial e, com a manutenção da mesma elite no poder depois da independência do país, em 1822, elas continuaram a encontrar um terreno fértil para prosperar.
"A diferença em relação ao Antigo Regime era que a Coroa não concedia mais mercês que implicavam em gastos de dinheiro público. Ela usava apenas a moeda simbólica dos títulos de nobreza para premiar as pessoas. Mas as práticas clientelistas, ou seja, o favorecimento dos amigos à margem da lei, eram vistas pelos chefes políticos como indispensáveis para manter e conquistar apoio político", afirma o historiador José Murilo de Carvalho.
Pouco mudou neste cenário 67 anos depois da independência, em outro grande momento da histórica política do Brasil: a proclamação da República, em 1889. De acordo com Carvalho, o patrimonialismo e o clientelismo, embora entrassem em conflito como os valores republicanos, continuaram presentes no novo sistema.
"Os valores republicanos, sobretudo a valorização da coisa pública e sua distinção da coisa privada, até hoje não foram totalmente absorvidos no Brasil por ricos ou pobres. A proclamação da República implicou mudança na forma de governo, não nos valores", ressalta o historiador.
Fontes históricas sugerem, por exemplo, a continuidade da prática de pagamentos de propina, como no caso de concessões para construção de ferrovias durante a Primeira República.
Mesma prática, percepção diferente
Apesar da propagação de determinadas práticas, ocorreu ao longo da história uma mudança na maneira como essas ações eram vistas pela sociedade. Um exemplo seria o pagamento de propina: que foi tolerado no período colonial e que, mais tarde, passou a ser considerado corrupção. Há também uma transformação na percepção da própria corrupção em si.
De acordo com a historiadora Lilia Moritz Schwarcz, a partir da década de 1880, o Império passa pela primeira vez a ser acusado por prática de corrupção, com casos sendo noticiados na imprensa. As acusações dizem respeito, porém, ao sistema – e não ao indivíduo.
A percepção da corrupção associada ao sistema predominou durante o Império e a Primeira República. Segundo Carvalho, nesta época, na visão de quem denunciava a prática, a monarquia ou a república eram corruptas por não promoverem o bem público e serem consideradas despóticas e oligárquicas.
Somente a partir de 1930 começa uma mudança neste entendimento, que culmina na alteração do seu sentido, em 1945, com a criação da União Democrática Nacional (UDN), que passou a associar a corrupção a indivíduos. Anos depois, acusações de corrupção individual resultaram na queda de Getúlio Vargas, acusado de ter criado um mar de lama no Catete.
Mesmo com a mudança de percepção, com indivíduos sendo acusados nominalmente, a corrupção continuou encontrando terreno para se manter presente na esfera pública. Essa persistência, de acordo com especialistas, se deve principalmente à impunidade.
"Outro fator que contribuiu para a situação atual, inédita no que se refere à dimensão adquirida pela corrupção, foi a tradição de impunidade dos poderosos, essa sim, presente desde a Independência, e que atribuo à fragilidade dos direitos civis. Vários privilégios protegem os poderosos, como o foro privilegiado, a prisão especial, as múltiplas possibilidade de recurso e a capacidade de contratar advogados caros", afirma Carvalho.
Segundo Moura, a impunidade, assim como a corrupção, também faz parte da cultura brasileira e impediu o combate a essas práticas ao longo da história. A historiadora afirma que estão ocorrendo avanços nos últimos anos, mas uma verdadeira mudança ainda deve demorar para acontecer.
"A sociedade avançou muito no sentido de punir, mas não dá para varrer em poucos anos uma cultura. Não devemos esperar que a corrupção, no caso brasileiro, será suprimida da noite para o dia. Para mudar uma mentalidade são necessários séculos", ressalta Moura.

sábado, 10 de junho de 2017

A nova revolução educacional com que a Finlândia quer preparar alunos para a era digital

Apesar de sempre figurar no topo dos rankings internacionais, país está implantando sistema baseado no conceito de habilidades; críticos temem que nova abordagem afete resultados.

Há muito tempo a Finlândia é reconhecida pela qualidade de sua educação. Mas apesar de sempre figurar no topo dos rankings internacionais, o país passou a repensar seu modelo diante da era digital. Como parte disso, tem focado seus esforços tanto no ensino de habilidades quanto no de matérias.
Sala de aula na Finlândia
Sala de aula na Finlândia
Foto: BBCBrasil.com
Mas nem todo mundo está feliz - há temores de que as mudanças enfraqueçam o ensino, como relata a repórter Penny Spiller, da BBC.
Confira o relato dela.
Em um dia gelado em uma região remota no sul da Finlândia, os pensamentos dos alunos de 12 anos na sala estão em um lugar distante: na Roma Antiga.
O professor está mostrando uma reconstrução em vídeo - projetada sobre a lousa inteligente e interativa - do dia em que a erupção do monte Vesúvio destruiu a cidade de Pompeia. Os estudantes formam grupos e começam a usar seus minilaptops.
A tarefa dada a eles é comparar a Roma Antiga com a Finlândia moderna. Um grupo analisa os banheiros romanos e os spas de luxo de hoje; outro compara o Coliseu aos estádios esportivos atuais. Eles usam impressoras 3D para criar uma versão em miniatura dos edifícios da época, que logo serão parte de um jogo que envolverá toda a classe.
Trata-se de uma aula de história diferente, conta o professor Aleksis Stenholm, que trabalha na Escola Hauho, de Ensino Médio. Nela, os alunos também estão aprendendo habilidades tecnológicas, de investigação, comunicação e compreensão cultural.
"Cada grupo está virando especialista no seu tema, que logo será apresentado ao resto da sala", explica ele.
O jogo marca o fim do projeto, que é realizado em conjunto com aulas normais.

Ensino do século 21

Há quase duas décadas, a Finlândia é famosa internacionalmente por ter um dos melhores sistemas educacionais do mundo.
Estudantes em escola finlandesa
Estudantes em escola finlandesa
Foto: BBCBrasil.com
Seus estudantes de 15 anos ficam geralmente nos primeiros lugares dos rankings do Pisa, teste internacional que avalia conhecimentos em leitura, matemática e ciências (na edição mais recente, o Brasil amargou a 66ª posição em matemática, por exemplo, de um total de 72 países avaliados).
A habilidade da Finlândia em produzir resultados acadêmicos impressionantes é fascinante para muitos, já que as crianças do país só começam a frequentar a educação formal aos sete anos.
Além disso, eles têm jornadas mais curtas, férias mais longas, poucos deveres de casa e não fazem provas.
Mas, apesar desse sucesso, a Finlândia está reformando seu sistema, algo que o país considera vital em uma era digital na qual as crianças não dependem mais apenas dos livros e das aulas para adquirir conhecimento.
Em agosto de 2016, tornou-se obrigatório para todas as escolas finlandesas ensinar de maneira mais colaborativa.
Agora, permite-se que os alunos escolham um tema que seja relevante para eles - e suas matérias serão baseadas nessa escolha.
Uma das chaves da mudança foi fazer um uso inovador da tecnologia e de fontes de conhecimento fora da escola, como especialistas e museus.
O objetivo dessa forma de ensinar - conhecida em inglês como "project or phenomenon-based learning" ou "aprendizagem baseada em projetos/fenômenos" - é oferecer às crianças as habilidades que elas precisam para se desenvolver no século 21.
Assim explica Kirsti Lonka, professora de psicologia educativa na Universidade de Helsinque. Entre as habilidades que ela ressalta estão o pensamento crítico, necessário para identificar notícias falsas e evitar "cyberbullying" (ataques ofensivos pela internet), e a capacidade técnica de instalar software antivírus e conectar o computador a uma impressora.
Escola na Finlândia
Escola na Finlândia
Foto: BBCBrasil.com
"Tradicionalmente, o ensino é definido com uma lista de matérias e informações que uma pessoa deve adquirir - por exemplo a matemática ou a gramática", diz Lonka. "Mas na vida real, nosso cérebro não está dividido em disciplinas; nós pensamos de uma maneira muito holística."
"E quando você pensa nos problemas do mundo atual - crise global, imigração, economia, a era da pós-verdade -, realmente não demos às nossas crianças as ferramentas para lidar com esse universo intercultural", opina. "Acho que é um grande erro fazer as crianças acreditarem que o mundo é simples e que se aprenderem certas informações, estarão prontas para encará-lo."
"Aprender a pensar, aprender a entender - essas são as habilidades que importam. E elas fazem com que aprender seja muito mais divertido, algo que promove o bem-estar", conclui.

Tradições escolares

A Escola Hauho está em uma região de bosques e lagos a 40 minutos de carro da cidade de Hameenlinna. Com apenas 230 alunos de idade entre 7 e 15 anos, tem um ambiente acolhedor.
Os estudantes deixam seus sapatos na entrada. Em algumas salas, em vez de cadeiras, usam bolas de Pilates. Há barras nas portas para fazer flexão de braço.
Os professores não se importam com o uso de celular na aula. Consideram bom que as crianças o valorizem como ferramenta de pesquisa, e não só para se comunicarem com os amigos.
Nesse dia frio, os alunos mais velhos se colam a seus smartphones na hora do almoço, enquanto alguns dos mais novos se amontoam lá fora, na neve, esperando para usar a pista de skate, os campos de futebol ou a quadra de basquete.
O diretor, Pekka Paappanen, é um forte defensor do sistema de ensino baseado em projetos e busca um de várias maneiras integrá-lo oficialmente ao currículo escolar.
"Discutimos ideias com os professores, e depois eu garanto o tempo e o espaço necessários para que elas as desenvolvam", afirma.
"Acredito que isso dá mais poder aos professores, mas eles precisam se dar conta de que não podem fazer tudo. Estamos deixando para trás algumas velhas tradições, mas fazemos isso de forma lenta. O trabalho de ensinar nossas crianças é muito importante e não podemos cometer erros", acrescenta.

Temas correntes em aula

Um dos maiores projetos do ano passado foi sobre o tema da imigração, abordado em um momento em que o fluxo de pessoas entrando na Europa ocupava todas as capas de jornais de todo o mundo.
Aleksis Stenholm explica que eles escolheram esse tema ao perceber que muitos de seus alunos tinham pouca experiência pessoal com imigrantes ou com a imigração.
O tema foi incorporado, por exemplo, às aulas de alemão e de religião.
Os alunos de 15 anos tiveram de fazer pesquisas de opinião com moradores locais sobre a imigração e visitaram um centro de refugiados para entrevistá-los.
Eles compartilharam suas descobertas por meio de uma conferência em vídeo com uma escola na Alemanha, que desenvolveu um projeto similar.
Escola Finlândia
Escola Finlândia
Foto: BBCBrasil.com
"A reação dos alunos foi algo muito forte. Eles começaram a pensar e a questionar suas próprias opiniões", lembra Stenholm. "Se eu sozinho tivesse ensinado sobre o tema, usando duas ou três aulas, por exemplo, o efeito teria sido muito diferente", acrescenta.

Mas funciona?

Apesar das ideias inovadoras, o conceito da "aprendizagem baseada em projetos" tem seus críticos.
Alguns, como o professor de física Jussi Tanhuanppa, temem que esse método não aprofunde suficientemente o conhecimento sobre cada tema - e que isso dificulte sua jornada rumo à universidade.
Ele dá aulas em Lieto, nos arredores da cidade de Turku. Conta que, de um grupo de jovens que aprendia matemática em nível avançado após os 16 anos, 30% precisaram voltar ao nível anterior.
Ele também tem medo de que isso acentue a diferença entre os alunos mais e os menos capazes - uma diferença que, historicamente, é bastante pequena na Finlândia.
"Essa forma de ensinar é genial para as crianças mais 'brilhantes', que entendem quais conhecimentos devem ser levados de um experimento", opina.
"Dá a elas liberdade de aprender no seu próprio ritmo e de tomar o próximo passo quando estão prontas", acrescenta.
"Mas não é a mesma coisa para os alunos que têm menos capacidade de entender e que precisam de maior assistência", ressalva.
Segundo Tanhuanppa, "a diferença entre os mais brilhantes e os menos capazes já começou a aumentar. E eu tenho medo que isso só piore."
Outros críticos argumentam que isso pode aumentar a carga de trabalho dos professores e colocar os mais velhos - dotados de menos connhecimentos digitais - em desvantagem em relação aos mais novos.
Jari Salminen, da Faculdade de Educação da Universidade de Helsinque, afirma que métodos de ensino similares foram testados no passado - inclusive há 100 anos -, mas fracassaram.
"Muitas pessoas de fora me perguntam: 'por que vocês estão mudando o sistema, se ainda conseguem os melhores resultados?'", conta ele.
"E para mim é um mistério, porque não temos nenhuma informação vinda dos colégios de que o método baseado em projetos esteja melhorando os resultados", completa.
Anneli Rautiainen, da Agência Nacional para a Educação da Finlândia, admite que há preocupações a serem levadas em consideração e afirma que mudanças estão sendo introduzidas de maneira gradual.
Por enquanto, de acordo com as novas regras, as escolas só precisam incorporar um projeto por ano para seus alunos.
Escola na Finlândia
Escola na Finlândia
Foto: BBCBrasil.com
"Queremos encorajar os professores a ensinar assim e os alunos a aprenderem, mas estamos começando devagar", diz.
"Ainda se ensinam matérias e existem metas para cada uma delas, mas também queremos que sejam introduzidas as habilidades nesse tipo de aprendizagem", destaca.

Mas quais são os resultados?

"Não somos muito amantes das estatísticas neste país, em termos gerais", conta Rautiainen.
"Então não estamos planejando medir o sucesso disso, ao menos por enquanto. Esperamos que possamos perceber isso nos resultados de aprendizagem das nossas crianças e nas avaliações internacionais, como o Pisa."
Ainda que nem todos estejam convencidos dessa revolução do ensino finlandês, a maioria dos alunos e pais de Hauho a vê como positiva.
Sara, de 14 anos, disse que as aulas "não cansam tanto e que são muito mais interessantes". Ana, também de 14 anos, conta que sua irmã mais velha tem inveja dela porque "a escola é muito mais divertida agora do que era na sua época".
Escola na Finlândia
Escola na Finlândia
Foto: BBCBrasil.com
A mãe Kaisa Kepsu garante que a maioria dos pais que conhece vê com bons olhos as mudanças feitas no currículo.
"Houve uma discussão mais ampla sobre a necessidade de garantir que as crianças ainda estejam aprendendo as informações mais básicas, e eu concordo com isso", afirma.
"Mas também é importante motivá-los mais e fazer que o mundo seja mais interessante. Não vejo mal nenhum em tornar a escola mais divertida", conclui.

O que é diferente nas escolas finlandesas?

- A profissão do professor é altamente respeitada e bem remunerada
- Não há inspeções escolares ou avaliações
- O sistema escolar está muito centralizado e a maioria das escolas é financiada pelo Estado
- A jornada escolar é curta e as férias de verão duram dez semanas
- As crianças são avaliadas pelos professores. O único exame nacional é para aqueles que estudam até os 18 anos
- O sucesso finlandês é atribuído a um tradicional apreço pelo ensino e pela leitura; o fato de o país ter uma população pequena e praticamente homogênea também contribui
- Ainda que continue nas posições do topo, a Finlândia caiu nos rankings do Pisa nos últimos anos
- Assim como outros países, enfrenta desafios de restrições orçamentárias e da crescente imigração

sexta-feira, 9 de junho de 2017

COMPOSIÇÃO 20



UM MENINO

Um menino olhou para trás
E olhou para a frente
Sentiu-se diferente
Diferente como jamais

Jamais desligado (como um além-mundo)
Jamais locupletado (com o submundo)
Jamais calado (como um moribundo)
Jamais desapaixonado (nem por um segundo)
                                    (Refrãos)

Aquele era um dia especial
Aquele era um dia celestial
Pois descobrira-se como rapaz
Descobrira-se bem capaz

Capaz de enfrentar os grandes
Capaz de fortalecer os pequenos
Capaz de neutralizar venenos
Capaz de domar os rudes

Um menino olhou para trás
E olhou para a frente
Sentiu-se diferente
Diferente como jamais

Jamais desligado (como um além-mundo)
Jamais locupletado (com o submundo)
Jamais calado (como um moribundo)
Jamais desapaixonado (nem por um segundo)
                                    (Refrãos)

Capaz de demonstrar carinhos
Capaz de imaginar filminhos
E sem fazer burburinho
Encontrar o caminho

Caminho que cobre
No que desdobre
O desapego ao cobre
E o relevo do caminho nobre

Um menino olhou para trás
E olhou para a frente
Sentiu-se diferente
Diferente como jamais

Jamais desligado (como um além-mundo)
Jamais locupletado (com o submundo)
Jamais calado (como um moribundo)
Jamais desapaixonado (nem por um segundo)
                                    (Refrãos)


Aquele era um dia especial
Aquele era um dia celestial
Pois descobrira-se como rapaz
Descobrira-se bem capaz

Capaz de enfrentar os grandes
Capaz de fortalecer os pequenos
Capaz de neutralizar venenos
Capaz de domar os rudes

Um menino olhou para trás
E olhou para a frente
Sentiu-se diferente
Diferente como jamais

Jamais desligado (como um além-mundo)
Jamais locupletado (com o submundo)
Jamais calado (como um moribundo)
Jamais desapaixonado (nem por um segundo)
                                    (Refrãos)

Capaz de demonstrar carinhos
Capaz de imaginar filminhos
E sem fazer burburinho
Encontrar o caminho

Caminho que cobre
No que desdobre
O desapego ao cobre
E o relevo do caminho nobre

Um menino olhou para trás
E olhou para a frente
Sentiu-se diferente
Diferente como jamais

Jamais desligado (como um além-mundo)
Jamais locupletado (com o submundo)
Jamais calado (como um moribundo)
Jamais desapaixonado (nem por um segundo)
                                    (Refrãos)

As cinco maiores ameaças humanas aos oceanos - e seus antídotos

Comida, transporte, matérias-primas, lixo: há séculos a humanidade trata os mares como se fossem inesgotáveis e invulneráveis. A consciência sobre a necessidade de protegê-los aumenta, mas ainda há muito o que fazer.
Surfar, velejar, nadar, passear pelas praias: claro, os seres humanos adoram os mares – além de precisarem deles para sobreviver. Apesar disso, tratam da pior forma possível essas extensões de água que cobrem mais da metade do planeta.
A DW dá uma olhada de perto nas cinco maiores ameaças de fabricação humana para os oceanos, e por que se deveria tentar salvá-los o mais breve possível – enquanto ainda se tem chance.
1. Sobrepesca exterminadora
Peixes e frutos do mar são alimento saudável. Mais ainda: em todo o mundo, sobretudo em nações em desenvolvimento, muitos dependem dessas fontes proteicas marinhas para sobreviver. Antigamente a humanidade só pescava tanto quanto a natureza podia repor. Mas esse equilíbrio foi destruído.
Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), no ano 2015 foram pescadas mais de 81 milhões de toneladas de peixes e frutos do mar – 1,7% a mais do que no ano anterior. Quase um terço dos estoques pesqueiros do mundo já foi esgotado, mais da metade está no limite máximo.
Pesca descontrolada está esgotando as reservas de alimento humano nos oceanos Pesca descontrolada está esgotando as reservas de alimento humano nos oceanos
As nações de maior atividade pesqueira em 2015 foram a China, Indonésia e os Estados Unidos, com 23 países, a maioria industrializados, respondendo por 80% das pescas em todo o mundo. Durante muito tempo considerou-se que a solução seria criar peixes em culturas aquáticas. Na realidade, porém, elas até pioram a situação.
Ironicamente, a criação industrial em massa, por exemplo em grandes gaiolas ao longo dos litorais, exige enormes quantidades de peixes e frutos do mar – afinal, os animais nos viveiros também precisam ser alimentados. Além disso, os excrementos e medicamentos das fazendas pesqueiras poluem as águas vizinhas e propiciam a disseminação de doenças.
Para corrigir a situação, seriam necessárias quotas de pesca rigorosas e, no geral, uma melhor gestão das reservas pesqueiras. As populações têm melhores chances de recuperar se forem deixadas em paz por um período. Mas para que isso funcione, é preciso agir a tempo.
Do ponto de vista do consumidor, o conselho seria só comer peixes e frutos do mar em quantidades moderadas, atentando para que tipo de animal vem de que parte do mundo.
2. Quando o mar fica azedo
Embora as emissões de dióxido de carbono tenham se multiplicado desde o início da industrialização, a concentração do gás poluidor na atmosfera só aumentou 40%. O motivo é que os oceanos assimilam CO2, que é solúvel em água, e assim desaceleram a mudança climática. Só que o preço ecológico também é alto.
Ostras são particularmente sensíveis a oscilações de pH Ostras são particularmente sensíveis a oscilações de pH
Quando o CO2 se dissolve na água, gera-se ácido carbônico. Em 1870, o pH (coeficiente de acidez) médio do mar era 8,2. Atualmente está em 8,1, devendo, segundo certos prognósticos, chegar a 7,7 até o ano 2100.
Essa variação parece mínima, mas significa que os oceanos conterão 150% mais acidez, tornando inviável a vida para muitas espécies. Sobretudo certos moluscos deixarão de se reproduzir, acabando por extinguir-se. Também extremamente sensível à acidificação é o plâncton, fonte microscópica de alimento para numerosos peixes e mamíferos marinhos.
Em 2005, o declínio das fazendas de ostras no litoral da Califórnia, EUA, ilustrou de forma dramática as consequências desse processo: a água do mar tornou-se ácida demais para as larvas das ostras, que foram exterminadas – e com elas, todo esse setor industrial na região.
Para conter a acidificação dos oceanos é preciso reduzir as emissões de dióxido de carbono, o mais rápido possível.
3. Mar morno e pálido
Os mares não absorvem apenas CO2, mas também cerca de 93% do calor produzido pelas emissões de gases-estufa. A consequência inevitável, contudo, são águas oceânicas mais quentes.
Entre 1900 e 2008, a temperatura superficial dos oceanos subiu, em média, 0,62º C; em certas zonas, como o Mar da China, até 2,1º C. Para muitos organismos submarinos, como os corais, isso representa um grande problema.
Corais são animais que desenvolvem carapaças rígidas de calcário e mantêm simbiose com algas coloridas e ativamente fotossintéticas, as quais vivem em seu interior. No entanto, quando a água fica quente demais, os corais deixam de prover as substâncias necessárias às algas, as expelem e acabam por morrer por falta de alimento. Esse processo, denominado branqueamento dos corais, já matou um terço da Grande Barreira, na Austrália.
Só uma redução das emissões de CO2 poderia evitar o aumento continuado das temperaturas marítimas. Paralelamente, cientistas tentam desenvolver variedades de coral mais resistentes a temperaturas mais elevadas.
Grande parte do lixo plástico volta às costas, como nessa praia de Gana Grande parte do lixo plástico volta às costas, como nessa praia de Gana
4. Sujeira que mata
Durante muito tempo os oceanos constituíram um gigantesco lixão para navegadores, navios de cruzeiro e cidades costeiras. Atualmente, embora a atitude tenha se modificado profundamente, continua se acumulando uma enorme quantidade de resíduos nas águas internacionais.
Nos oceanos formaram-se cinco grandes vórtices de lixo, em que as correntes concentram trilhões de fragmentos de plástico e outros resíduos. Calcula-se sua superfície total entre 700 mil e 15 milhões de quilômetros quadrados.
No entanto, 99% do lixo nunca chega a esses redemoinhos gigantes, sendo lançado de volta nos litorais, onde ameaçam aves, tartarugas e outros animais marinhos. Além disso, grande parte se decompõe em partículas minúsculas. O microplástico resultante se deposita então no fundo do mar ou no gelo dos polos.
Branqueamento já dizima parte dos recifes de coral do planeta Branqueamento já dizima parte dos recifes de coral do planeta
Também os nitratos e fosfatos da agropecuária industrial desaguam nos oceanos, levados pelos rios. Eles estimulam o crescimento de algas que, ao morrerem, são decompostas por bactérias. O processo reduz o oxigênio contido na água, a ponto de criar "zonas da morte" em que nada mais cresce.
As águas residuais da indústria continuam sendo lançadas nos mares, levando consigo substâncias químicas e metais perigosos como chumbo, mercúrio e elementos tóxicos orgânicos de difícil decomposição. Estes se concentram na gordura de baleias, tubarões e outros animais, no fim da cadeia alimentar.
Entre as iniciativas para debelar as montanhas de lixo oceânico está a fundação holandesa The Ocean Cleanup, que em 2018 começará a retirar o lixo plástico do grande redemoinho do Oceano Pacífico, usando um dispositivo flutuante desenvolvido especialmente.
Além disso, é crucial reduzir o despejo de plástico na natureza e adotar leis mais rigorosas sobre o tratamento das águas residuais.
5. Caça aos tesouros marinhos
A grande corrida aos mares provavelmente ainda está por vir. Pois, nas profundezas dos oceanos, incontáveis riquezas esperam para ser extraídas, a fim de satisfazer a cobiça e a sede de progresso humanas. Um exemplo são os nódulos de manganês, elemento empregado na produção de ligas metálicas, sobretudo de aço inoxidável.
Nódulos de manganês são cobiçados para produção de ligas metálicas Nódulos de manganês são cobiçados para produção de ligas metálicas
Calcula-se que haja mais de 7 bilhões de toneladas de manganês no fundo dos mares – mais do que em terra. Diversos países já reivindicaram com sucesso o uso do solo marinho, para poder começar com a extração num futuro próximo. Outros metais valiosos, como níquel, tálio e terras raras, são encontrados nas profundezas.
No entanto, as áreas contendo as rochas compostas de ferro e hidróxido de manganês são também focos de biodiversidade. Em 2016 mesmo, descobriu-se num desses campos uma espécie inédita de polvo, de aparência fantasmagórica, que os cientistas apelidaram "Casper" (o "Gasparzinho, o Fantasminha Camarada" das histórias em quadrinhos).
Atividades mineradoras nessas áreas ameaçariam os ricos, porém sensíveis ecossistemas. Somente a proibição total ou, no mínimo, regras rigorosas para a mineração marítima de profundeza podem evitar o pior.