sexta-feira, 2 de junho de 2017

COMPOSIÇÃO 18



O EQUILÍBRIO

Os excessos são seu inimigo
Desde o tempo antigo
Os extremos representam perigo
São na pele o vitiligo

Mas o desequilíbrio cavalga silenciosamente
Para não despertar suspeita
Quer calar a voz da razão ainda presente
E está a serviço da besta rarefeita

O equilíbrio é o bem mais importante da vida
Independe de milagre, impede ferida
Palavra divina
Palavra poética
É o que determina
O que é ética e dialética
          (Refrão)

É um bem escasso, reprimido, entalado
Fruto do estrago
Causado pela ambição
Fruto de um mundo a ferro calado
Pelo dinheiro pago
Mundo em ebulição e decomposição

O equilíbrio é o respeito
É a dosagem no jeito
É um canal estreito
É o Estado de direito
É pausa, é causa, é efeito
É o mundo satisfeito

O equilíbrio é o bem mais importante da vida
Independe de milagre, impede ferida
Palavra divina
Palavra poética
É o que determina
O que é ética e dialética
          (Refrão)

O equilíbrio é o sóbrio que sobra
É o que sobra de bom
É o límpido tom
É a ausência de manobra

É a falência da mentira
É o desejo de partilha
É a inclusão irmã
É o futuro, o amanhã

O equilíbrio é o bem mais importante da vida
Independe de milagre, impede ferida
Palavra divina
Palavra poética
É o que determina
O que é ética e dialética
          (Refrão)

Os excessos são seu inimigo
Desde o tempo antigo
Os extremos representam perigo
São na pele o vitiligo

Mas o desequilíbrio cavalga silenciosamente
Para não despertar suspeita
Quer calar a voz da razão ainda presente
E está a serviço da besta rarefeita

O equilíbrio é o bem mais importante da vida
Independe de milagre, impede ferida
Palavra divina
Palavra poética
É o que determina
O que é ética e dialética
          (Refrão)

É um bem escasso, reprimido, entalado
Fruto do estrago
Causado pela ambição
Fruto de um mundo a ferro calado
Pelo dinheiro pago
Mundo em ebulição e decomposição

O equilíbrio é o respeito
É a dosagem no jeito
É um canal estreito
É o Estado de direito
É pausa, é causa, é efeito
É o mundo satisfeito

O equilíbrio é o bem mais importante da vida
Independe de milagre, impede ferida
Palavra divina
Palavra poética
É o que determina
O que é ética e dialética
          (Refrão)

O equilíbrio é o sóbrio que sobra
É o que sobra de bom
É o límpido tom
É a ausência de manobra

É a falência da mentira
É o desejo de partilha
É a inclusão irmã
É o futuro, o amanhã

O equilíbrio é o bem mais importante da vida
Independe de milagre, impede ferida
Palavra divina
Palavra poética
É o que determina
O que é ética e dialética
           (Refrão)

Equilíbrio, alívio... bom convívio!

Schwarzenegger dá uma boa lição a Trump






O ator e antigo governador da Califórnia gravou um vídeo com uma mensagem para o presidente a propósito da decisão de sair do Acordo de Paris sobre o clima
"Um homem não pode destruir o nosso progresso. Um homem não pode parar a nossa revolução de energia limpa. Um homem não pode voltar atrás no tempo. Só eu posso fazer isso". Arnold Schwarzenegger começa a brincar e a recordar a personagem T-800 que interpretou no sucesso cinematográfico "Exterminador Implacável" para dar início ao discurso contundente que enviou a Donald Trump, depois de este ter anunciado, ontem, a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas. Mas a mensagem é bastante séria: pede que olhe para o futuro, lembra que para a memória só ficam os grandes líderes e alerta para uma possível revolta ambiental por parte da população.
O ator e antigo governador da Califórnia gravou um vídeo em que dirige palavras duras ao presidente dos Estados Unidos. "A minha mensagem para si, sr. Trump, é que, enquanto funcionário público e especialmente enquanto presidente, a sua primeira e mais importante responsabilidade é proteger as pessoas", diz, passando a relatar algumas consequências das alterações climáticas: as 200 mil pessoas que morreram anualmente nos Estados Unidos devido à poluição e o facto de metade dos rios norte-americanos estarem demasiado poluídos

quinta-feira, 1 de junho de 2017

país desenvolvido também elege toupeiras ou ignorantes

O trumpateta, senhor Donald, já tem mostrado suas garrinhas de ignorante para todo o mundo ver.  Em primeiro lugar, não compreende que as mudanças climáticas não são invencionices esquizofrênicas de cientistas bêbados ou desocupados ou irresponsáveis catastrofistas. Eu não vou usar argumentos científicos ou estatísticos para provar isso. Vou recorrer a uma constatação prática. Pois bem, há uns 15 anos atrás mais ou menos eu me lembro bem que chegavam aqueles invernos intensos de rachar os lábios, coisa que, desde então, nunca mais vi acontecer de lá para cá. Isto tem ocorrido no estado de Mato Grosso, Brasil, onde moro. Assim, como os invernos atuais não chegam aos pés dos invernos de antigamente, o trumpateta comporta-se, de fato, como um imbecil irresponsável. Ou seja, ele não compreende que os desastres econômicos advindos dos desastres climáticos que ocorrerão mais à frente superarão em muito um possível crescimentozinho de curto prazo baseado em energias poluentes ou sujas. 
A segunda patetada dele refere-se ao fato de querer construir um muro na fronteira com o México e ainda ter a ousadia de mandar a conta para seu país vizinho - como se este tivesse ordenado a execução de tal projeto estapafúrdio. Ora, a diferença fundamental entre, por exemplo, o México e o Canadá é que este fez o dever de casa MAIS IMPORTANTE de todos: O PLANEJAMENTO FAMILIAR (desde que métodos contraceptivos como a pílula anticoncepcional, por exemplo, foram inventados - antes disso só restava a todos a opção de fazer filhos maciçamente, apesar de a mortalidade infantil também ser alta), coisa que o México não fez - e por isto é mais atrasado ou menos desenvolvido que o Canadá. Assim, ao invés de construir muros, o trumpateta deveria usar os bilhões de dólares requeridos por tal projeto para injetar dinheiro em organizações não governamentais que ensinam o planejamento familiar às pessoas mais pobres, além de usar tal dinheiro para custear a entrega gratuita de contraceptivos a tais pessoas já referidas. Feito isto, acabaria a pobreza no México e ninguém iria deixar sua terra natal para virar um imigrante ilegal em outro país e muito menos tirar empregos de cidadãos de outro país (como alega o trumpateta). Outro desastre político, caso seja colocado em prática, é a promessa de grande redução de imposto para empresas. Ora, quem acompanhou de perto a catacombe do governo Dilma sabe muito bem que tudo começou a degringolar quando seu governo fez as desonerações das folhas de pagamentos das empresas - o que comprometeu em muito o equilíbrio fiscal do governo e foi o início de uma bola de neve que só cresceu e arrebentou a economia brasileira. Então, senhor trumpateta, tome muito cuidado ao correr o risco de quebrar as finanças do tesouro americano e jogar o EUA num grande atoleiro, como ocorreu no Brasil. Além do mais, lembre-se de que a dívida pública americana já está num nível expressivo e qualquer agravamento do desequilíbrio fiscal vai ter um custo alto para a economia. Enfim, Sr. Trump, tome cuidado para não deixar seu sonho de fazer os EUA novamente grande, usando de ignorância e desnorteamento, levá-lo a que os eleitores americanos lhe digam: VOCÊ ESTÁ DEMITIDO!!

SOS PLANETA

O Acordo de Paris foi um dos grandes assuntos da cimeira do G7, em que se reuniram os chefes de Estado de Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão, Reino Unido e, claro, dos Estados Unidos. No coro de vozes que se juntaram, a desafinação em matéria ambiental foi de Donald Trump, que teimou em não assumir o compromisso norte-americano com o Acordo de Paris. "Os Estados Unidos estão atualmente a reavaliar a política climática" foi a frase lacónica que resumiu o assunto no final da cimeira. A notícia da retirada dos Estados Unidos deste acordo não tardou a chegar.
O Acordo de Paris é uma proposta insuficiente para a redução dos gases com efeito de estufa. A própria ONU dizia que este acordo é demasiado pouco e chega demasiado tarde. A proposta é a de limitar o aquecimento global a um aumento de 2° C acima dos níveis pré-industriais. Se esta meta for alcançada, não evitará a subida do nível do mar e o aumento de situações de seca, com particular impacto nos Estados insulares e países mais pobres. Contudo, mesmo este objetivo tímido obriga a uma alteração relevante e a cortes mais drásticos nas emissões globais com origem no carvão, petróleo e gás. Se o Acordo de Paris não for cumprido, os cientistas dizem que a subida da temperatura média global será de 4º C, o que terá resultados devastadores. Se o acordo é mau, não haver cumprimento do acordo é um desastre.
O caminho de Trump não tinha deixado grandes dúvidas sobre as suas intenções. Começou por negar a existência de alterações climáticas dizendo que é "mentira global muito cara" e acusou os cientistas que se dedicam ao tema de serem "impostores". O alinhamento com vários dos falcões da indústria petrolífera é clara e entre os seus primeiros decretos executivos estão a garantia e a continuação de dois oleodutos (Keystone e Dakota), isentando-os de avaliação de impacto ambiental e reduzindo os requisitos legais. O resultado está à vista: já há fugas reportadas e comunidades afetadas por estes derrames.
A escolha de Scott Pruitt para a Agência de Proteção Ambiental (EPA), profundamente alinhado com os interesses da indústria petrolífera, foi mais um marco da (in)sensibilidade ambiental de Trump: O novo chefe da EPA é o autor da frase: "Não concordo que [o dióxido de carbono] seja o responsável pelo aquecimento global." Esta terraplanagem dos factos científicos, que descredibilizou os próprios técnicos da agência ambiental que lidera, é a marca da sua visão ambiental. Não estranha portanto que uma das suas primeiras medidas tenha sido o corte em mais de 30% no orçamento da EPA, eliminando programas de eficiência energética e de produção limpa de energia.
O passo seguinte de Trump foi dar a ordem para rever os limites dos parques naturais federais e o enquadramento legal para permitir a prospeção de petróleo, eliminando igualmente uma moratória para a extração de carvão em terras federais. E, last but not the least, é claro que o sonho antigo das petrolíferas para explorarem as reservas no Alasca também está a ser atendido e o processo está em curso. Os milhões que as petrolíferas investiram na campanha de Trump estão rapidamente a ser pagos com juros elevados.
A ideia de Trump resume-se facilmente: as preocupações ambientais são um empecilho ao seu modelo económico. Porquê? Porque a América great again é uma declaração de guerra ao planeta, sem preocupações ambientais (ou laborais, já agora), que pretende a pilhagem rápida dos recursos naturais e nega as alterações climáticas. O quero, posso e mando é o lema. Conclusão: o projeto de Trump é uma ameaça ao nosso presente e ao nosso futuro.
Os Estados Unidos são a maior economia do mundo e o segundo país com mais emissões de gases com efeitos de estufa. Só a China lhes passa à frente na emissão destes gases nocivos. A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris não é só uma questão de egoísmo nacional ou saudosismo produtivista, é um ataque a todos nós.
As alterações climáticas já estão a afetar a maior parte da vida na Terra, tendo já impacto em 82% de todos os ecossistemas. O tempo está a esgotar-se para impedir uma situação irreversível e garantir a salvação da biodiversidade e dos ecossistemas. Exige-se uma ação mundial concertada para fazer frente ao desrespeito ambiental da liderança norte-americana. Não vamos deixar Donald Trump mandar no planeta!

Com envelhecimento, países desenvolvidos vivem 'bomba-relógio da aposentadoria', diz Fórum Econômico mundial

Segundo organização, deficit previdenciário de seis países somará US$ 225 trilhões em 2050 se não forem aplicadas mudanças como aumento da idade de aposentadoria para 70 anos.


Equilibrar as contas da Previdência, desafio que está no centro do debate da reforma brasileira, é uma tarefa bem maior para as nações desenvolvidas. O deficit previdenciário de seis grandes economias mundiais poderá chegar a US$ 225 trilhões (R$ 733 trilhões) na metade do século, três vezes o valor do PIB global hoje, segundo o Fórum Econômico Mundial (FEM).
Japonês idoso trabalha em confecção. Expectativa de vida da população que nasce hoje será de 107 anos.
Japonês idoso trabalha em confecção. Expectativa de vida da população que nasce hoje será de 107 anos.
Foto: TORU YAMANAKA
Os seis países com os maiores sistemas de pensão do mundo - em termos de investimento total em fundos de pensão -, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Holanda, Canadá e Austrália estão sentados numa "bomba-relógio" que poderá provocar a "maior crise previdenciária da história", diz um relatório divulgado recentemente.
O estudo compara o quadro da situação previdenciária com o das mudanças climáticas. "Temos que tratar disto agora ou aceitar que as consequências adversas assombrarão as gerações futuras", escreveu o diretor de sistemas financeiros e de infraestrutura do FEM, Michael Drexler.
Se incluídos os países mais populosos - China e Índia -, o deficit dos países, que atualmente é de US$ 70 trilhões (R$ 230 trilhões), passará para US$ 400 trilhões (R$ 1,3 quatrilhão) em 2050, valor cinco vezes maior que o da economia global.
O cálculo do deficit previdenciário feito pelo FEM inclui gastos dos governos, investimentos de trabalhadores e empregadores em fundos de pensões e aplicações.

Expectativa de vida

Pessoas nascidas hoje nos seis países analisados terão uma expectativa de vida acima de 100 anos, o que reduzirá pela metade a proporção de trabalhadores por aposentados - hoje ela é de oito para um; em 2050, será de quatro para um.
O aumento da longevidade aumenta, também, o tempo em que as pessoas recebem o benefício da aposentadoria. No Japão, por exemplo, que terá a mais alta expectativa de vida - de 107 anos -, as pessoas se aposentam aos 60 anos, o que significa que poderiam receber aposentadoria por mais de 45 anos, um período maior que o tempo de contribuição.
Uma consequência óbvia de se viver mais, diz o documento, é que as pessoas terão que trabalhar por mais tempo. A organização sugere que a idade para aposentadoria seja de pelo menos 70 anos em 2050 nos países com expectativa de vida acima dos 100 anos.
Alguns desses países já preveem revisão da idade da aposentadoria, mas em nenhum dos casos, por enquanto, para acima de 70 anos.
No Brasil, a expectativa de vida projetada para 2050 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de 80,7 anos. O estudo do FEM não inclui o país, mas Michael Drexler, um dos editores do estudo, disse à BBC Brasil que a situação no país é menos preocupante.
"Os países que analisamos, como Japão e China, têm a demografia como o principal gerador (do deficit); na China, por causa da política do filho único , e no Japão, por conta da tendência de envelhecimento. Já o Brasil, do ponto de vista demográfico, parece ter uma situação mais esperançosa", afirmou Drexler.
A atual proposta do governo brasileiro para a reforma da Previdência estabelece a idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres, e 5 anos de contribuição para aposentadoria com 70% do valor da aposentadoria. Para se aposentar com valor integral, o tempo de contribuição seria de 40 anos. Há regras diferentes ainda para o regime de transição; a reforma prevê poucas alterações no caso de militares e servidores públicos. Em 2016, o deficit previdenciário do governo brasileiro foi de R$ 227 bilhões, 3,5% do PIB do país.
O porta-voz do FEM evitou comentar especificamente sobre a reforma proposta pelo governo de Michel Temer. Ele ponderou que, em linhas gerais, o aumento da idade de aposentadoria é uma das medidas possíveis quando existe um deficit previdenciário. "Mas seria simplista demais dizer que o Fórum Econômico Mundial defende apenas a extensão do tempo de trabalho (para nações com esse deficit)", acrescentou.
Ele também diz que o estudo não levou em conta as características específicas de cada país, e sim, equacionou alguns pontos centrais para eventualmente serem debatidos pelos legisladores.
Segundo relatório, com envelhecimento da população, deficit previdenciário de seis países somará US$ 225 trilhões em 2050 se não forem aplicadas mudanças como aumento da idade de aposentadoria para 70 anos.
Segundo relatório, com envelhecimento da população, deficit previdenciário de seis países somará US$ 225 trilhões em 2050 se não forem aplicadas mudanças como aumento da idade de aposentadoria para 70 anos.
Foto: BBCBrasil.com

Acesso à aposentadoria

O FEM alerta, também, que metade dos trabalhadores no mundo são informais ou de setores desorganizados que não contribuem com programas de previdência e que acabam fragilizando ainda mais o sistema; e que 48% da população na idade de se aposentar não recebe aposentadoria.
Essa é uma característica da Índia, onde a cada dez trabalhadores, nove são informais, segundo o FEM. No Brasil, dados do Ministério do Trabalho divulgados em 2015 indicavam que 56% dos empregos no país eram formais.
"O desafio da Índia, portanto, não é demográfico; ele decorre da grande economia informal, cujos indivíduos não têm acesso ao sistema previdenciário. E no caso do Brasil, esta também seria uma preocupação, não tão grande quanto na Índia, mas um dos desafios do governo", afirmou Drexler.
A falta de acesso ao sistema previdenciário também preocupa em algumas economias desenvolvidas, segundo Han Yik, chefe de Investidores Institucionais do FEM.
"Até mesmo em Nova York, 57% dos trabalhadores não têm acesso a planos de pensão, ou porque são autônomos ou porque ganham abaixo do limite permitido para sua empresa incluí-lo no esquema", diz.
Por isso, outra recomendação do FEM é criar políticas para melhorar o acesso aos planos de aposentadoria, especialmente do trabalhador informal, autônomo e daqueles com contratos flexíveis.

Responsabilidade do trabalhador

Para calcular o deficit previdenciário do relatório, o FEM usou médias baseadas em aposentadorias pagando 70% do último salário, o que está de acordo com recomendações internacionais para manter o padrão de vida do aposentado.
Isso pressupõe contribuições de diferentes fontes: do governo, dos fundos de pensão do empregador (público ou privado) e dos investimentos de cada indivíduo. Na maioria dos países pesquisados - com exceção, por exemplo, da Holanda -, o idoso teria a aposentadoria do governo e a complementaria com outros ganhos para atingir os 70%.
O FEM entende que o trabalhador terá progressivamente mais responsabilidade sobre a sustentabilidade de sua aposentadoria, através, por exemplo, de aplicações financeiras.
Por isso, o FEM cobra mais iniciativas para a educação financeira dos trabalhadores, especialmente dos mais vulneráveis, em lidar com esses investimentos.
No exemplo do Brasil, Drexler ressalta que, embora o sistema bancário seja desenvolvido, as opções de produtos financeiros disponíveis à população são menores do que em países mais desenvolvidos. E que o país deveria investir mais a educação financeira.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Tabagismo causa enorme dano ao meio ambiente, alerta OMS

No Dia Mundial sem Tabaco, organização afirma que componentes tóxicos do cigarro prejudicam não apenas fumantes, mas também a natureza. Dois terços dos 15 bilhões de cigarros vendidos por dia são lançados no solo.
cigarros descartados Entre 340 milhões e 680 milhões de quilos de resíduos de tabaco são gerados a cada ano
O consumo de produtos derivados do tabaco não apenas prejudica a saúde das pessoas, mas também causa um "enorme dano" ao meio ambiente, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS) por ocasião do Dia Mundial sem Tabaco, comemorado nesta quarta-feira (31/05).
As cifras mais recentes indicam que, apesar dos esforços internacionais para diminuir o tabagismo, este provoca em um ano a morte de 7 milhões de pessoas e gera despesas de 1,4 trilhão de dólares, pelos custos em saúde, perda de produtividade e degradação ambiental – pouco menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.
Em relatório, a OMS quis evidenciar neste ano o que ocorre depois que o cigarro foi consumido, onde vai parar a bituca e como os seus efeitos funestos persistem até mesmo após ter sido lançado em um cesto de lixo ou nas vias públicas.
"Esta análise é a primeira que relaciona o impacto ambiental com o cultivo, manufatura, uso e resíduos do tabaco, apesar de a informação ser limitada, porque a indústria não reporta dados e os governos não os exigem", disse o coordenador da OMS para o Controle de Tabaco, Vinayak Prased.
Os especialistas determinaram que os resíduos de tabaco contêm mais de 7 mil substâncias químicas tóxicas, que envenenam não só atmosfera, mas também os solos, mares e os rios. Dos 15 bilhões de cigarros vendidos diariamente, 10 bilhões acabam no meio ambiente, contendo uma mistura de nicotina, arsênico e metais pesados.
 
Assistir ao vídeo 03:03

Fumar prejudica espermatozoides e compromete fertilidade

Com dois terços dos cigarros lançados no solo, entre 340 milhões e 680 milhões de quilos de resíduos de tabaco são gerados a cada ano. Nas áreas urbanas e litorâneas, eles representam de 30% a 40% de todos os resíduos que são recolhidos. Mas não só o resíduo do cigarro se transformou numa dor de cabeça para os serviços de limpeza municipal, mas também os plásticos e os maços de cigarros.
O tabaco gera efeitos nocivos ao meio ambiente desde o cultivo da folha de tabaco, que requer o uso de agroquímicos, reguladores de crescimento e novas substâncias e contribui para o desflorestamento, alertou a OMS. O plantio, a produção e distribuição também requerem o uso extensivo de água e energia. Outra forma de contaminação são as emissões de fumo, que representam toneladas de gases cancerígenos, tóxicos e de efeito estufa.
Impacto econômico
A organização também evidenciou o efeito financeiro do tabaco para o fumante e sua família. "Muitos estudos mostram que nos lares mais pobres, a despesa em produtos de tabaco pode representar mais de 10% do investimento familiar, o que significa menos dinheiro para comida, educação e atendimento médico", disse Prased.
Para os governos, o fumo também gera despesas colossais em termos de saúde. As despesas totais ligadas ao tabaco são dez vezes maiores àquelas gastas mundialmente em ajuda humanitária ou de emergência; e 40% do que em 2012 gastavam os governos de todo o mundo em educação.
Para a OMS, a proibição da publicidade de cigarros e de fumar em lugares públicos fechados e locais de trabalho, além de um aumento dos impostos e dos preços de produtos de tabaco, podem ajudar a reduzir o consumo de tabaco.
PV/lusa/efe/rtr

segunda-feira, 29 de maio de 2017

10 motivos para proibir smartphones para crianças menores de 12 anos

Como controlar o uso das novas tecnologias nos bebês e nas crianças

O acesso das crianças às novas tecnologias parece não ter freios. Antes a preocupação se limitava a que as crianças não ficassem tanto tempo em frente à televisão, entretanto hoje existe uma grande preocupação dos pais em relação ao contato que as crianças têm, inclusive os bebês, com os smartphones e tablets. Especialistas no tema alertam sobre o risco do uso desses aparelhos por bebês e crianças. São os telefones móveis e os tablets as novas babás das nossas crianças?

Como e quanto as crianças podem usar os smartphones

10-motivos-para-proibir-smartphones-menores-12-anos A 

Há alguns meses, a Associação Japonesa de Pediatria começou uma campanha para restringir o uso prolongado dos celulares e tablets, sugerindo controle e mais brincadeiras entre pais e filhos. Agora são a Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria as que revelam 10 razões pelas quais crianças menores de 12 anos não devem utilizar esses aparelhos sem controle. Eles têm muito claro que os bebês entre 0 e 2 anos não devem ter contato algum com a tecnologia; entre os 3 e 5 anos, deve ser restringido a uma hora por dia; de 6 a 18 anos a restrição deveria ser de duas horas por dia.

Por que limitar o acesso das crianças aos celulares ou tablets 

1 – Desenvolvimento cerebral das crianças 
Um desenvolvimento cerebral causado pela exposição excessiva às tecnologias pode acelerar o crescimento do cérebro dos bebês entre 0 e 2 anos de idade, e juntamente com a função executiva e o déficit de atenção, atrasos cognitivos, problemas na aprendizagem, aumento da impulsividade e da falta de controle (birras).
2 – Atraso no desenvolvimento da criança 
O excessivo uso das tecnologias pode limitar o movimento e consequentemente o rendimento acadêmico, a alfabetização, a atenção e capacidades.
3 – Obesidade infantil 
O sedentarismo que implica o uso das tecnologias é um problema que está aumentando entre as crianças. Obesidade leva a problemas de saúde como o diabetes, problemas vasculares e cardíacos.
4 – Alterações do sono infantil 
Os estudos revelam que a maioria dos pais não supervisiona o uso da tecnologia pelos seus filhos nos seus quartos. Isso faz com que seus filhos tenham mais dificuldades para conciliar o sono. A falta de sono afetará negativamente seu rendimento escolar.
5 – Doença mental 
Alguns estudos comprovam que o uso excessivo das novas tecnologias está aumentando as taxas de depressão e ansiedade infantil, distúrbios do processo de vinculação entre pais e filhos, déficit de atenção, transtorno bipolar, psicose e outros problemas de conduta infantil.
6 – Condutas agressivas na infância 
A exposição das crianças a conteúdos violentos e agressivos pode alterar sua conduta. As crianças imitam tudo e a todos. Assim que os pais devem vigiar o uso de smartphones e tablets pelas crianças.
7 – Falta ou Déficit de Atenção 
O uso excessivo das novas tecnologias pode contribuir para o déficit de atenção, diminuir a concentração e a memória das crianças, graças à grande velocidade dos seus conteúdos.
8 – Vício infantil 
Os estudos demonstram que uma em cada 11 crianças são viciadas às novas tecnologias. Cada vez que as crianças usam os dispositivos móveis, elas se distanciam do seu meio, de amigos e familiares.
9 – Muita radiação
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica os celulares como um risco na emissão de radiação. As crianças são mais sensíveis a esses agentes e existe o risco maior de contrair doenças como o câncer.
10 – Superexposição 
A constante e superexposição das crianças à tecnologia as tornam vulneráveis, sujeitas a serem exploradas e expostas a abusos.
Além disso, os especialistas concordam que ficar horas conectadas ao celular ou tablet é prejudicial ao desenvolvimento das crianças. Os estudiosos acreditam que geram crianças mais passivas e que não sabem interagir ou ter contato físico com outras pessoas. E ainda que entendam que as novas tecnologias façam parte da sua vida, eles acreditam que não devem substituir a leitura de um livro ou o tempo de brincadeira com irmãos, pais e amigos.
Vilma Medina
Diretora de Guiainfantil.com

sábado, 27 de maio de 2017

COMPOSIÇÃO 17



QUERO

Quero um sonho em pedaços
Em cada pedacinho de seus braços
Uma andorinha voando no céu azul
Uma frente fria vinda do sul

Uma resposta dada a esmo
Um petisco de torresmo
Um beijo atrevido
Com cara de ultraje removido

Se querer é poder
Eu quero você
Mesmo sem entender
Apenas por merecer
        (Refrão)

Quero um escrito a bico de pena
Um chamego de uma morena
Uma experiência carnal
Junta com um bálsamo espiritual

Uma oração sem sujeito
Um sujeito sem oração
Um concerto sem canção
Uma união sem desrespeito

Se querer é poder
Eu quero você
Mesmo sem entender
Apenas por merecer
        (Refrão)

Quero o núcleo do sujeito
Um sujeito sem núcleo
Uma homenagem sem graça
Como um busto na praça

Vidas dignas para todos
Vidas sem engodos
Vidas muito felizes
Vidas com raízes

 Se querer é poder
Eu quero você
Mesmo sem entender
Apenas por merecer
        (Refrão)

Quero um sonho em pedaços
Em cada pedacinho de seus braços
Uma andorinha voando no céu azul
Uma frente fria vinda do sul

Uma resposta dada a esmo
Um petisco de torresmo
Um beijo atrevido
Com cara de ultraje removido

Se querer é poder
Eu quero você
Mesmo sem entender
Apenas por merecer
        (Refrão)

Quero um escrito a bico de pena
Um chamego de uma morena
Uma experiência carnal
Junta com um bálsamo espiritual

Uma oração sem sujeito
Um sujeito sem oração
Um concerto sem canção
Uma união sem desrespeito

Se querer é poder
Eu quero você
Mesmo sem entender
Apenas por merecer
        (Refrão)

Quero o núcleo do sujeito
Um sujeito sem núcleo
Uma homenagem sem graça
Como um busto na praça

Vidas dignas para todos
Vidas sem engodos
Vidas muito felizes
Vidas com raízes

 Se querer é poder
Eu quero você
Mesmo sem entender
Apenas por merecer
        (Refrão)

Quero apenas brincar com as palavras
Com as palavras sérias
Apenas acabar com as misérias
Com as misérias bravas
      (Refrão final)

A ideia de que 'prender todo mundo' acaba com a corrupção é ingênua, diz cientista político

Em meio àqueles que comemoram as mais recentes denúncias e prisões da operação Lava Jato, muitos veem nelas um motivo adicional para uma descrença total nos políticos brasileiros.
Foto: BBCBrasil.com
O clima de revolta com os políticos se acirrou ainda mais após a divulgação na semana passada das delações dos executivos da JBS e das conversas mantidas por um dos donos da empresa com o presidente Michel Temer e, em outra ocasião, com o senador Aécio Neves (PSDB-MG).
Nas redes sociais, têm sido comuns manifestações de revolta que vão desde "prendam todos os corruptos" e até a negação quase total da política - "ninguém presta".
Para o economista e cientista político Bruno Pinheiro Wanderley Reis, as duas lógicas são perigosas - e nenhuma delas resolverá a crise política que assola o país desde 2014, porque "prender corruptos não significa extinguir a corrupção".
"A leitura aí é que você prende os corruptos, e então vão ficar só os não-corruptos. Isso é conversa fiada, uma bobagem", afirma.
"É ingenuidade achar que a Lava Jato vai extinguir a corrupção", acrescenta.
Reis compara a corrupção aos vírus de computador - por mais que se criem antivírus, eles não vão ser capazes de extinguir todos os vírus existentes.
  • Reformas são mais importantes para elite econômica do que a preservação de Temer, diz analista
"Você tem que combater corrupção, sim, é uma tarefa permanente do Estado, mas é mais ou menos como empresa de computação criando antivírus. Ela não vai conseguir extinguir os vírus. Ela vai fazer antivírus o tempo todo. Isso não tem um ponto de chegada", exemplifica.
Reis diz ainda que o desafio do Brasil não é descobrir como se livrar de políticos corruptos, mas sim como proteger o político da corrupção ativa praticada pela sociedade.
Para o professor na UFMG e pesquisador do estudo Dinheiro e Política: A Influência do Poder Econômico no Congresso Nacional , no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a corrupção na política brasileira "não é mais fator desviante, e sim comportamento padrão".
E a solução, ele garante, não está em "prender todo mundo", mas em uma boa reforma do atual sistema político - que, em suas palavras, "é corrupto por lei".
Leia os principais trechos da entrevista com Bruno Pinheiro Wanderley Reis.
BBC Brasil: O senhor costuma dizer que a "conduta de corrupção na política brasileira não é mais fator desviante, mas comportamento-padrão". Como e por que se chegou a essa situação?
Bruno P. W. Reis: No Brasil, o dispositivo específico, que só incide aqui, é que o teto de doação (de campanha) tem que ser proporcional ao do doador. Até 2014 (quando doações de empresas eram permitidas), era no máximo 10% do rendimento da pessoa ou 2% do faturamento bruto da empresa. Qual é a lógica que isso cria? O candidato só ia pedir dinheiro às empresas que mais faturam, às pessoas mais ricas. Aí entram bancos, mineradoras, empreiteiras.
Então fica claro que você vai ter um jogo - porque só pouquíssimas empresas podiam doar bilhões dentro dessa regra.Obviamente isso vicia o sistema político e o jogo eleitoral. Vai arrecadar mais o candidato que tiver boas relações e bom fluxo de recursos com as grandes empresas, bancos, empreiteiras, mineradoras. É uma anomalia, essa regra só existe aqui no Brasil.
A gente produz uma competição de centenas de candidaturas individuais disputando dezenas de cadeiras em distritos com milhões de eleitores. E isso é muito difícil de fiscalizar, os TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) são admiráveis, mas é impossível governar um sistema em que concorrem mais de mil candidatos na mesma circunscrição.
Enquanto no resto do mundo você tem uma dezena de chapas disputando favores e doações de milhares de doadores, aqui no Brasil a gente faz uma competição em que milhares de candidatos disputam os favores financeiros de uma dúzia de doadores potenciais.
  • Da pujança ao escândalo: a ascensão dos irmãos Batista, pivôs do escândalo que ameaça Temer
Você vai ter uma elite parlamentar, tanto de vereadores quanto de deputados, extremamente dependente de poucos grandes financiadores. Isso é um sistema que dá um poder sem igual a financiadores, a agentes privados que legitimamente têm seus interesses políticos e as suas prioridades próprias. Só que nenhum país deixa seu representante político tão vulnerável a seu financiador.
São as grandes empresas, as doadoras, quem dá as cartas nesse sistema (brasileiro).
BBC Brasil: Em 2014, o senhor fez uma análise sobre a Lava Jato dizendo que a estratégia adotada por ela com as delações premiadas seria "autodestrutiva" para a política e que ela estaria apenas "enxugando gelo". Por que o senhor acredita nisso?
Reis: A delação premiada foi inventada pra pegar máfias, porque máfias têm uma rede de silêncio. Então você pega um cara que esteja encrencado e oferece algo em troca para pegar mais gente. E isso é eficaz. Você puxa um fio e chega até o topo. Mas para mim esse é o pecado crucial da Lava Jato. A gente quer desbaratar a máfia, mas a gente não quer desbaratar o sistema político todo.
Em vez de a gente usar o sistema de controle, que está cada vez melhor, canalizar as investigações para captar os problemas e solucionar mudando a legislação (do sistema eleitoral), a gente está querendo puxar o fio - e isso é extremamente destrutivo.
  • Líder do DEM diz que acusações são graves, mas que partido vai esperar para decidir se sai do governo Temer
Eu não aplicaria a delação premiada. A exposição do (setor do) petróleo, com identificação de diretores que estavam recebendo propinas, já é um mega choque no sistema, que provavelmente mudaria práticas. Agora, o que você tem é uma clara deterioração institucional, está um salve-se quem puder.
A capacidade da Lava Jato de investigar pessoas tão poderosas deriva da estabilidade relativa do sistema político de 1988 para cá. Essa é a parte mais triste. Esse sistema que está aí agora é o sistema menos malsucedido que esse país já foi capaz de por em pé em toda a sua história. A ideia de que o próximo vai ser melhor é só uma esperança.
BBC Brasil: Como o Sr. vê o futuro da Lava Jato?
Reis: Estamos em uma situação em que todo mundo que é preso a gente já começa a pensar, qual será a delação? É uma bola de neve. Isso não vai acabar. Quando vai acabar? Quando o país todo estiver na cadeia, aí você joga a chave fora? Quando vier um "salvador da pátria"?
Nesse momento, ninguém consegue aprovar no Congresso medidas que limitem a atuação das investigações, mas vai acontecer. No momento em que o sistema se reestabilizar, cedo ou tarde isso acontece, algum salvador da pátria que vai ser eleito vai ter que voltar a ter o dispositivo de poder. Para fazê-lo de maneira confiável, crível pelos atores, vai precisar pôr limite na atuação do Judiciário. E é aí que a ambição de limpeza se mostra destrutiva.
BBC Brasil: Mas não seria tarefa do Estado combater a corrupção em operações como a Lava Jato?
Reis: Você tem que combater corrupção, sim, essa é uma tarefa permanente do Estado. Mas é mais ou menos como funciona em uma empresa de computação que cria antivírus. Ela não vai conseguir extinguir os vírus, aboli-los. Ela vai fazer antivírus o tempo todo. Isso não tem um ponto de chegada. Para isso, você tem que ir aperfeiçoando por rotinas burocráticas, administrativas, etc. a capacidade do sistema de controlar a corrupção. A gente vinha fazendo isso.
Nossa capacidade de combater a corrupção hoje é muito maior do que há 30 anos. Agora, do jeito que vai, vai piorar. Porque o sistema está sendo desarticulado na sua teia de interesses, na sua capacidade de autocontrole. A gente está num processo de autodestruição. O que poderia acontecer de pior seria o desmantelamento do sistema partidário, que foi o que aconteceu na Itália, algo catastrófico.
BBC Brasil: Mas se a 'culpa' pela corrupção que toma conta da política hoje em dia é do sistema eleitoral, a Lava Jato não poderia ajudar a "consertá-lo"?
Reis: Não é função da primeira instância, mas o Supremo tem um papel nisso. E nas declarações dos líderes da operação Lava Jato aparece essa intenção também, de "limpar o sistema". E nisso eles são precisamente ingênuos. Não é que você só pode investigar se for fulano, sicrano e beltrano, mas não pode pegar os graúdos. Não, não é isso. Se você está tocando a investigação e caiu no colo uma prova contra o presidente da República, você tem que denunciar. Agora, o que a gente está fazendo aqui é uma busca retórica de incriminação de políticos importantes, que é guiada por uma ambição ingênua de purificação do sistema - algo que eu entendo que é contraproducente.
A leitura da Lava Jato é a de que você prende os corruptos, e então você vai ter somente os não-corruptos. Mas isso é conversa fiada, uma bobagem. É demagogia.
O desafio não é como a gente se livra de político corrupto, mas como a gente protege o político da corrupção ativa praticada pela sociedade.
  • Mecanismo de Antikythera: o objeto mais misterioso da história da tecnologia
Então em vez de a gente reformar a lei, a gente prende os caras. Os representantes votados pelo eleitorado, induzidos por essa grana. Mas aí foi preso porque estava cheio de dinheiro - e quem é o suplente? De onde ele recebeu dinheiro? Estamos enxugando gelo, desestabilizando um sistema que é estruturalmente viciado e mantido vigente. E ninguém fala em mudar a lei. A discussão não vai a lugar nenhum.
BBC Brasil: Como, então, se combate a corrupção?
Reis: O que me preocupa aí é a sustentabilidade desse combate à corrupção. Eu não vejo isso com bons olhos quando tenho a impressão de que o lastro institucional que viabilizou com melhoria nítida o combate à corrupção está em desarranjo. Pode ser que dê certo? Pode ser, por acaso. O normal é ter conflito, o que se espera de processos como o que a gente está metido é uma desorganização profunda do lastro partidário e subsequente comprometimento do controle da corrupção.
  • A mulher que fugiu para salvar dois bebês intersexuais de seus próprios pais
BBC Brasil: Qual seria o sistema político mais viável para o Brasil - e que não "favoreça" a corrupção?
Reis: Como meu diagnóstico está baseado numa interação infeliz entre o sistema eleitoral e as regras de financiamento, eu mudaria essas duas coisas, no que diz respeito ao início do processo. Quer dizer, você tem que ter tetos nominais para doações, e de números razoáveis, da ordem de milhares de reais. Eu manteria empresa e pessoa física, desde que cada um esteja doando (até) R$ 10 mil, R$ 50 mil... Não resolve todos os problemas, mas fica menos ruim.
A primeira solução seria essa: tetos que não permitam que nenhum doador individual seja o dono de uma campanha. Isso já tenta induzir uma fragmentação da fonte de recurso.
  • Redes sociais validam o ódio das pessoas, diz psicanalista
Do outro lado, se o sistema eleitoral produz uma demanda muito alta por recursos fragmentados, eu tenho que tentar concentrá-lo. O que eu faria? Fecharia a lista (voto em lista fechada significa voto em partidos, e não em candidatos a deputados). E diminuindo o número de candidatos, a eleição fica mais controlável, mais fiscalizável. E por fim, eu subiria o quociente eleitoral, que automaticamente diminuiria o número de partidos no plenário.
É simples, não é inventar a roda.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Bactéria do solo amazônico ajuda a ampliar produção agrícola

Encontrada junto a raízes de plantas, a bactéria Bacillus sp. RZ2MS9 estimulou o crescimento de milho e de soja
Compartilhar no FacebookCompartilhar no Google+Tweet about this on TwitterImprimir esta páginaEnviar por e-mail
As culturas do milho e da soja representam mais de 80% da área cultivada com grãos no Brasil – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
.
Pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, identificou genes relacionados às características de promoção de crescimento vegetal na Rizobactéria Promotora de Crescimento de Plantas (RPCP) Bacillus sp. RZ2MS9. O estudo mostra que a bactéria, encontrada no solo da região amazônica, produz o fitormônio Ácido Indol Acético (AIA), que tem efeito benéfico no crescimento de diversos cultivos, como os de milho e soja, podendo aumentar a produção agrícola. O trabalho da biotecnóloga Bruna Durante Batista foi orientada pelos professores João Lucio de Azevedo e Maria Carolina Quecine Verdi.
Na camada fina do solo ao redor das raízes das plantas, também chamada de rizosfera, está o foco de significativo número de cientistas em busca de um desafio: alimentar quase 10 bilhões de pessoas em 2050. Uma dessas pesquisadoras é Bruna, que em 2010 cursava o último ano do curso de Biotecnologia na Universidade Federal de Alfenas (Unifal), quando veio fazer seu estágio curricular de fim de curso na Esalq. “Naquela época, ingressei em um projeto que buscava isolar bactérias do guaranazeiro visando especialmente o controle de um fungo nas lavouras da planta, mas também com interesse de busca por micro-organismos com algum potencial biotecnológico.”
Dessa primeira etapa, ainda na iniciação científica, resultou a base do seu mestrado, desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Genética e Melhoramento de Plantas, na Esalq. “Da rizosfera do guaranazeiro separamos um grupo de 100 bactérias com o propósito de avaliar o potencial de crescimento das plantas, mas como o cultivo do guaraná em São Paulo não obteve sucesso devido às condições agroclimáticas, adotamos o milho por apresentar uma composição microbiana relativamente compatível com o guaraná.”
Do grupo inicial, a pesquisa seguiu com a Rizobactéria Promotora de Crescimento de Plantas (RPCP) Bacillus sp. RZ2MS9. “Trata-se de um representante da rica biodiversidade amazônica brasileira e uma forte candidata a bioinoculante por seu efeito benéfico em uma ampla gama de culturas, incluindo milho e soja, e facilidade de formulação e sobrevivência em condições adversas, características bastante buscadas em produtos biológicos”, explica.

Solução biotecnológica

Aplicação de Rizobactéria Promotora do Crescimento RZ2MS9 promoveu crescimento de soja (à esquerda) e milho (à direita) – Foto: Bruna Durante Batista
.
Em 2014, parte desse trabalho de mestrado venceu o Prêmio Novos Talentos para Agricultura Sustentável, iniciativa que aproxima jovens universitários da tarefa de aumentar a produção de alimentos e intensificar a sustentabilidade dos sistemas produtivos. A premiação despertou Bruna para a necessidade de encarar um novo desafio, o de levar essa solução biotecnológica, que ainda engatinhava em escala de laboratório, para o campo. “Para alimentar a população mundial crescente é necessário um aumento sustentável na produtividade agrícola. Nesse sentido, RPCPs têm sido continuamente buscadas para formulações inoculantes por sua capacidade de incremento na produção vegetal aliado ao seu potencial de redução e/ou substituição do uso de fertilizantes minerais, insumos que causam grandes impactos ambientais, na saúde humana e econômicos”, avalia a biotecnóloga.
Pesquisa avaliou aplicação da rizobactéria no desenvolvimento e produtividade da soja – Foto: Adauto Rodrigues/Flickr-cc
Da necessidade de refinar os resultados, Bruna dedicou seu doutorado, também realizado na Esalq, à tarefa de entender de forma detalhada os mecanismos de ação dessa rizobactéria, explorando desde seu genoma até seu desempenho em condições de campo. No Laboratório de Genética de Micro-Organismos, sob orientação do professor Azevedo e co-orientação da professora Maria Carolina, identificou genes relacionados às características de promoção de crescimento vegetal a partir do RZ2MS9. “A análise genômica revelou que diversos genes potencialmente contribuem com seu efeito promotor de crescimento vegetal, no entanto pudemos confirmar que a produção do fitormônio Ácido Indol Acético (AIA) por essa bactéria está diretamente envolvido nesse efeito benéfico.”
Na sequência, foi avaliado em condições de campo o efeito sobre o desenvolvimento e produtividade de milho e soja com a aplicação do bacilo. “No milho, o efeito da inoculação bacteriana foi, ainda, associado à adubação nitrogenada para verificar a possibilidade de redução desses insumos”, revela. Segundo a autora do trabalho, bioinoculantes formulados com RPCPs consistem em uma fonte barata e não danosa ao ambiente de suplementação nutricional vegetal. “Por esse motivo, a busca por micro-organismos que possuam a capacidade de manter relações benéficas, especialmente com gramíneas, é cada vez maior.”
E, de fato, os resultados foram animadores. O potencial do Bacillus sp. RZ2MS9 mostrou-se bastante claro pois, com um custo de produção inferior a R$1,00 por hectare, sua aplicação aumentou o desenvolvimento de milho e soja e causou incremento de 16 sacas de milho por hectare com redução de 30% na adubação nitrogenada, assim como um incremento de 11 sacas de soja por hectare, ambos comparados ao controle não inoculado. “As culturas do milho e da soja representam mais de 80% da área cultivada com grãos no Brasil, considerando o tamanho desses mercados, incrementos relativamente modestos de crescimento e produtividade podem gerar riqueza significativa ao País. Portanto, é imprescindível dar continuidade a estudos utilizando o Bacillus sp. RZ2MS9 em diferentes condições para a validação dos resultados”, conclui.
Caio Albuquerque / Assessoria de Comunicação da Esalq

terça-feira, 23 de maio de 2017

5 segredos da felicidade, segundo monge budista

O monge budista Matthieu Ricard é a "pessoa mais feliz do mundo".
Cientistas da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, estudaram o cérebro do monge Ricard e descobriram que produz um nível de ondas cerebrais de gama sem precedentes na literatura científica.
Cientistas da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, estudaram o cérebro do monge Ricard e descobriram que produz um nível de ondas cerebrais de gama sem precedentes na literatura científica.
Foto: BBC
Esse título foi dado por cientistas da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, que estudaram seu cérebro.
Eles descobriram que Ricard produz um nível de ondas cerebrais de gama sem precedentes na literatura científica.
Essas ondas estão ligadas à capacidade de atenção, consciência, aprendizado e memória.
Além disso, Ricard manifesta um nível de atividade no seu córtex pré-frontal esquerdo bem acima do direito, o que reduz sua propensão à negatividade, explicaram os pesquisadores.
"Felicidade não é a busca infinita por uma série de experiências prazerosas. Isso é uma receita para a exaustão", diz o monge tibetano.
Mas qual é, na visão dele, o segredo para tanta felicidade? Aos 70 anos, Ricard dá cinco conselhos.

1. Defina o que é felicidade

"Felicidade é um jeito de ser. É um estado mental ótimo, excepcionalmente saudável, que dá a você os recursos para lidar com os altos e baixos da vida."

2. Seja paciente

"Não seja como uma criança que faz pirraça. 'Eu quero ser feliz agora', isso não funciona. A fruta amadurece com paciência e vira uma fruta e uma geleia deliciosas. Você não pode fazer isso com uma fruta verde. Leva tempo cultivar todas aquelas qualidades humanas fundamentais que geram bem-estar."
“Felicidade não é a busca infinita por uma série de experiências prazerosas. Isso é uma receita para a exaustão”, diz o monge tibetano.
“Felicidade não é a busca infinita por uma série de experiências prazerosas. Isso é uma receita para a exaustão”, diz o monge tibetano.
Foto: BBC

3. Saiba que você pode treinar sua mente

"O que você fizer vai mudar seu cérebro. Se você aprender malabarismo, a mergulhar ou a esquiar, seu cérebro vai mudar. Da mesma forma, se você treinar sua concentração, se você treinar para ter mais compaixão, se você treinar para ser mais altruísta, seu cérebro vai mudar, você será uma pessoa diferente. Todas essas habilidades podem ser aprendidas, assim como tocar piano ou jogar xadrez."

4. Pratique pouco e com frequência

"É como quando você rega as plantas no seu apartamento. Você precisa regar um pouco todos os dias. Se você derramar um balde uma vez por mês, a planta vai morrer. É melhor fazer sessões curtas de meditação com frequência do que uma muito longa de tempos em tempos, porque o processo de neuroplasticidade não será ativado ou mantido."

5. Não deixe o tédio desencorajá-lo

"Devemos perseverar, porque, às vezes, quando está chato é que uma mudança de verdade ocorre. A regularidade é uma das grandes dicas de meditação e treinamento mental para se tornar uma pessoa melhor, mais feliz e mais altruísta."

sábado, 20 de maio de 2017

É O SUBCONSUMO, ESTÚPIDO!

                       Como sabemos, o lucro (positivo ou negativo) se mede pelas receitas menos os custos e, por sua vez, a receita se mede pelas vendas totais. Assim, ampliando-se as receitas e diminuindo-se os custos, maximizam-se os lucros e vice-versa. Mas, então, surge a questão óbvia de como operacionalizar isso num ambiente recheado de SUBCONSUMO (em função da MÁ DISTRIBUIÇÃO GLOBAL DA RENDA). Ora, o capital é teimoso ou ignorante e tenta contornar tal paradoxo sem sucesso, como veremos a seguir (afinal de contas, ele já deveria ter desconfiado que não dá para tirar leite de pedra). Ora, uma forma de ampliar as receitas é via exportação de capital (vendas ao exterior). Mas, isso só funciona durante um certo período, dado que os mercados externos não são ilimitados, mas inelásticos e protegidos. E, também, a renda do consumidor externo não é ilimitada e, uma vez esgotada ou preenchida, não tem como ampliar-se. Portanto, este caminho não representa uma saída consistente a longo prazo. Outra forma de aumentar as vendas é lançar produtos inovadores no mercado. Mas, aqui, a eficácia de tal medida também é passageira pois logo a concorrência lança cópias ou produtos-imitação. Aqui, novamente, a maximização dos lucros encontra barreiras mercadológicas.
                        Mas, se a ampliação das receitas/vendas encontra seus obstáculos naturais para a maximização dos lucros, o outro caminho é a redução dos custos. Uma forma de conseguir isso é incentivar a expansão do exército industrial de reserva ou contingente de desempregados (via, por exemplo, propagandas empresariais que, sutilmente misturam a venda de um produto com uma mensagem disfarçada ou de fundo de incentivo à procriação - e uma empresa de propaganda sabe como fazer isso muito bem), a fim de abaixar os salários. Aqui, também, encontram-se barreiras naturais, como: ampliação problemática dos gastos do governo com o seguro-desemprego, o desgaste político dos partidos que estão no poder e que não querem perdê-lo, os riscos de se estourar revoltas ou revoluções sociais, a diminuição da demanda agregada da economia, o aumento da criminalidade/violência. Outro caminho capitalista tentado para a diminuição dos custos (salariais) é a elevação da composição orgânica do capital ou de tecnificação ou robotização da economia - o que implica substituição de trabalhadores por máquinas, a fim de ampliar a produtividade. Aqui, além do alto custo da tecnificação, constata-se que de nada adianta aumentar a produtividade se o ambiente reinante é de subconsumo em função da concentração global da renda. (No tocante especificamente à robotização, pesquisas mostram que cada robô implantado gera até 6 demissões de trabalhadores e cerca de uns 2 trabalhadores especializados em robôs são admitidos para cuidarem de todos os mesmos robôs, o que evidencia uma perda líquida agregada de consumo no embate entre homem e máquina.) Novamente, percebe-se que o capital encontra obstáculos ou para ampliar as vendas ou para reduzir os custos, num ambiente de subconsumo global. Aliás, uma prova prática de que a Lei da Tendência Decrescente da Taxa de Lucro de Marx é correta e real é que uma das economias mais tecnificadas ou avançadas do mundo, como a japonesa, é simplesmente a mais endividada de todo o mundo - um caso clássico de "eficiência"... FRACASSADA! Concluindo: como mostramos, nenhuma das principais medidas de neutralização da tendência decrescente da taxa de lucro marxista é eficaz a longo prazo num ambiente de SUBCONSUMO OU DE CONCENTRAÇÃO DE RENDA e o futuro da economia mundial será sombrio, por um longo período, se o quadro problemático descrito acima não for revertido.