sábado, 21 de setembro de 2019

As faces da Greve Global pelo clima


MEIO AMBIENTE
Em 20 de setembro começa uma semana de mobilização pelo clima. Espera-se que ação atraia milhões de manifestantes em todo o mundo. DW conversou com participantes de vários países sobre o que os levou a protestar.
    

DW quer saber o que leva pessoas de todo o mundo a ir às ruas protestar pelo clima
Nesta sexta-feira (20/09), milhões vão às ruas em todo o mundo, como parte da mobilização que ganhou a alcunha de Greve Global pelo Clima, um protesto de uma semana iniciado pelo movimento Greve pelo Futuro (nome internacional: Fridays for Future). Os organizadores exigem o fim dos combustíveis fósseis e que os governos implementem o Acordo Climático de Paris.
Por mais diversos que os impactos da crise climática possam ser para cada região, manifestantes de todo o mundo estão se unindo para exigir medidas mais rápidas e drásticas de seus governos.
A DW conversou com vários participantes, do México às Filipinas, sobre o que os motivou a se unir aos protestos em massa.
A gerente de produção
"Vivenciamos o cenário 'dia zero', quando as torneiras estarão fechadas." (Chantal Dette, 20 anos – Cidade do Cabo, África do Sul)


"O que mais me motiva é que, há cerca de um ano, meu país sofreu escassez de água e estiagem. Vivenciamos o cenário 'dia zero', quando as torneiras estarão fechadas. Moradores de Cape Flats [área na Cidade do Cabo] estavam realmente sofrendo com a situação.

Sou uma pessoa de cor e vivo numa comunidade realmente acostumada à violência e ao crime. Se esse 'dia zero' chegar, as pessoas das áreas mais privilegiadas poderão instalar poços em suas propriedades – o que é muito caro – enquanto as torneiras dos desfavorecidos vão, literalmente, secar. Isso foi muito assustador para mim.
Não acho que a mudança climática possa ser separada das questões sociais. É uma questão social. É uma questão de justiça humana, de direitos humanos, de justiça hídrica, de segurança alimentar. Ela afeta todos os aspectos de nossas vidas."
O taxista
"Farei tudo ao meu alcance para dirigir ecologicamente." (Emilio Barco de la Rosa, 29 anos – Madri, Espanha)

"Todo verão, eu costumava viajar com meu pai para muitos países – muitos. Estivemos na França, na Itália, na Holanda, em Luxemburgo, na Bélgica. Adoro dirigir e adoro conhecer novos lugares.
Meu pai foi motorista de táxi, e agora eu também sou taxista. Para o meu negócio, decidi dirigir um carro ecológico, um híbrido de motor elétrico e a gasolina. Se tivéssemos uma economia sustentável, teríamos que impulsionar ainda mais as alternativas já existentes e também oferecê-las a um preço acessível.
Exijo que as companhias que ainda fabricam veículos com altos índices de emissões assumam tanta responsabilidade quanto eu. Estamos pensando em iniciar uma campanha com alguns outros motoristas. Queremos oferecer nosso serviço gratuitamente por uma semana, para podermos informar aqueles que não estão protestando.
Também quero mudar a imagem que têm os taxistas."
A especialista em seguros
"Somos ricos e estamos vivendo muito encasulados." (Sherebanu Frosh, 42 anos – Nova Délhi, Índia)

"Nós somos os ricos, você sabe. Infelizmente, vemos que gente como eu está queimando combustíveis fósseis de forma desproporcional, produzindo uma quantidade desproporcional de emissões, com que então o resto da Índia sofre. A principal coisa que me motiva é a poluição do ar, porque agora meus filhos são pequenos e no momento o que eles estão respirando é ar ruim.
O que acontece em nível local é que todo mundo está tentando salvar suas próprias matas e árvores. Tudo isso está sendo ameaçado pelo governo, que tenta vender bolsões das florestas.
Estávamos nos esforçando tanto para os pais saírem e lutarem por seus filhos. Tentamos, tentamos, e só conseguimos que três ou quatro venham.
Sinto que, como pais, não fizemos jus ao que podíamos ter feito, como um dever perante os nossos filhos. Mas as crianças estão tomando a frente, e isso é sensacional."
O fornecedor de gêneros alimentícios
"Havia muitas frutas e legumes que costumávamos cultivar, mas agora não é mais possível." (Wessim Khiari, 25 anos – Túnis, Tunísia)

"Estou trabalhando com agricultores. Eles estão realmente sofrendo com a situação. Às vezes não temos água, e às vezes estamos nos afogando em chuva. Havia muitas frutas e legumes que costumávamos cultivar, mas agora não é mais possível."
Os verões estão mais longos e mais quentes, e o inverno não é mais inverno. Em vez de cultivar tomates durante cinco meses por ano, agora só é possível cultivá-los por dois meses. Muitos agricultores não entendem a conexão entre seus problemas e a poluição ambiental.
Temos muita indústria poluente. Mesmo se mudarmos nosso comportamento ou tentarmos convencer as pessoas a serem mais cuidadosas com o meio ambiente, isso não será suficiente. Temos que agir em nível maior.
No momento estamos elegendo um novo parlamento e um novo congresso, então mais do que nunca é hora de agir para mostrar aos políticos que, se não entrarem em ação, perderão futuros eleitores. Na verdade, só um dos 26 candidatos menciona questões ambientais em sua campanha."
A consultora econômica
"Você precisa assumir uma posição, quando vê que a coisa afeta vidas." (Damaris Yarcia, 43 anos – Manila, Filipinas)

"Se eu pudesse escolher qualquer ação a ser tomada imediatamente, escolheria descartar plásticos nos estabelecimentos. O lixo é um problema por aqui, especialmente quando ele chega ao oceano. Na verdade, quando chove, nosso sistema de esgoto fica bloqueado pelo lixo.
Minha consciência sobre essas coisas mudou quando um tufão passou por aqui alguns anos atrás. Foi um grande furacão e muitas pessoas morreram.
Você precisa assumir uma posição, quando vê que a coisa afeta vidas. Quero dizer, se só se vê lixo nas ruas, às vezes até se faz vista grossa. Mas quando se assiste na TV gente sendo apanhada pelas enchentes, sem conseguir fugir da enxurrada, é realmente traumático, muda sua perspectiva sobre o assunto. Torna-se algo pessoal.
Vai ser a primeira vez que vou a uma manifestação, é mais como um protesto pessoal. Para mim, realmente não importa se vai haver muitos manifestantes ou apenas um punhado, desde que haja gente disposta a se colocar."
O vigilante
"Muitos dizem que protestar não muda nada". (Eduardo Dominguez, 21 anos – Tuxtla Gutiérrez, México)

"Aqui vivemos em escassez, somos cada vez mais, e há cada vez menos produtos alimentares. A mudança climática gera pobreza. Todos os anos há mais calor, mais e mais espécies ameaçadas. O lixo também é um grande tema por aqui. As ruas estão cheias de lixo, e então tudo entra nos rios e depois no mar.
Ainda não há muito apoio aos protestos aqui. Alguns já ouviram falar das mudanças climáticas, mas ainda não se tomaram muitas medidas. Muitos dizem que protestar não muda nada, e que vamos morrer de qualquer jeito.
Mas, pessoalmente, penso no que vi das Greves pelo Futuro, que o protesto é útil. Se houver um esforço, poderá haver uma mudança mesmo contra o governo, que, nesse caso, tem grande parte da responsabilidade.
Em julho fizemos a primeira marcha. Minha principal motivação é minha sobrinha de seis anos. Gostaria que ela tivesse um futuro digno e as mesmas oportunidades que eu já tive."
As declarações foram editadas com o fim de condensá-las e torná-las mais claras.
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Desmatamento, assassinatos e sabotagem do governo: ONG denuncia impunidade na Amazônia 'sem lei'



Relatório da Human Rights Watch revela que indígenas, pequenos agricultores e defensores ambientais foram assassinados por conflitos pelo uso da terra na Amazônia.
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O desmatamento na Amazônia deixa não só um rastro de queimadas e destruição, mas também extração de madeira ilegal, invasões em terras indígenas e perdas de vidas humanas que tentaram defender reservas ambientais. Foi o que constatou o novo relatório da organização não-governamental Human Rights Watch (HRW), divulgado na madrugada desta terça-feira (17). 
O documento intitulado “Máfias do Ipê: Como a violência e impunidade impulsionam o desmatamento na Amazônia brasileira” conta com 169 páginas mostrando como acontece o desmatamento ilegal da Amazônia, os atos de violência contra locais, profissionais do Ibama e demais defensores da floresta. Segundo a ONG, redes criminosas de extração ilegal de madeira estão por trás dos casos investigados. 
O relatório atesta o fracasso do Estado brasileiro em investigar e punir os responsáveis. E também critica a postura do presidente Jair Bolsonaro com a crise ambiental. Segundo o relatório, o presidente retrocedeu na aplicação das leis de proteção ambiental, enfraqueceu agências federais responsáveis, além de atacar em diversas ocasiões as organizações e pessoas que agem em defesa da floresta. 
A Human Rights Watch entrevistou cerca de 170 pessoas, incluindo 60 membros de povos indígenas da região e moradores dos estados do Maranhão, Pará e Rondônia, além de servidores públicos em Brasília na região amazônica.
Segundo dados compilados pela HRW, mais de 300 pessoas foram assassinadas durante a última década por causa de conflitos pelo uso da terra e recursos naturais da Amazônia. Boa parte dos crimes teve relação com a extração ilegal da madeira.
Os dados são coletados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e utilizados pela Procuradoria-Geral da República, além de casos documentados pela própria ONG.
As vítimas são, sobretudo, indígenas ou moradores da região e agentes públicos que denunciaram a exploração ilegal de madeira. 
São ao menos 28 assassinatos, a maioria a partir de 2015, nos quais há evidências sólidas de que os responsáveis por esses crimes estavam envolvidos no desmatamento ilegal e mataram pessoas que ofereciam obstáculos para suas atividades criminosas. 
Em 2018, o casal de pequenos agricultores encontrou duas covas com cruzes de madeira, simuladas em seu quintal ― um recado claro do que poderia acontecer a eles se continuassem denunciando as redes criminosas.
Entre os casos, há o assassinato da defensora ambiental Dilma Ferreira Silva e de mais cinco pessoas no estado do Pará em 2019 a mando, segundo a polícia, de um fazendeiro envolvido com extração ilegal de madeira. O fazendeiro temia que Dilma denunciasse suas atividades.
Já outro caso relatado por entrevistados é o assassinato do líder do povo indígena Suruí Paiter, Naraymi Suruí. Ele foi atacado por homens armados duas semanas depois de confrontar madeireiros dentro da Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondônia, dois anos atrás. 
Além de povos indígenas e defensores ambientais, criminosos também intimidam e atacam pequenos agricultores. Há mais de uma década, Osvalinda Marcelino Alves Pereira e seu marido Daniel Alves Pereira têm sofrido repetidas ameaças de morte por denunciarem a extração ilegal de madeira no assentamento Areia, no estado do Pará. Em 2018, eles encontraram duas covas com cruzes de madeira, simuladas em seu quintal ― um recado claro do que poderia acontecer a eles se continuassem denunciando as redes criminosas. 
As mortes e ameaças ocorrem porque a impunidade prevalece nestas regiões. O relatório constatou que dos mais de 300 assassinatos que a Comissão Pastoral da Terra registrou desde 2009, apenas 14 foram levados a julgamento. Além disso, dos 40 casos de ataques ou ameaças, nenhum foi julgado. 
A polícia local, por sua vez, reconheceu as falhas nas investigações, mas as atribuiu em grande parte ao fato de que os crimes ocorrem em comunidades ou locais remotos, longe de delegacias.
Porém, a Human Rights Watch investigou os casos que chegaram à polícia e identificou falhas graves na condução dos casos. Em alguns deles, investigadores da polícia sequer visitaram a cena do crime, e em outros casos, não houve autópsia. 
As investigações de ameaças de morte também pouco acontecem, revelou o relatório. Servidores públicos e vítimas contaram à ONG sobre casos em que as polícias nos estados do Maranhão e do Pará se recusaram a registrar ocorrências de ameaças. 
A falta de investigação, inclusive, faz vítimas. Pelo menos 19 dos 28 casos de assassinatos documentados pela ONG mostram que os ataques foram precedidos de ameaças contra as vítimas ou suas comunidades.
Se as autoridades tivessem realizado investigações minuciosas sobre esses atos anteriores de intimidação, poderiam ter evitado os assassinatos.
Sem verba, sem fiscalização, Amazônia é uma terra sem lei


Entre 2004 e 2012, segundo o relatório, o Brasil reduziu o desmatamento na Amazônia em mais de 80% ― quase 28 mil quilômetros quadrados de floresta destruída por ano caiu para 4.600 no período. Mas, a partir de 2012, o desmatamento voltou a subir e, em 2018, atingiu 7.500 quilômetros quadrados por ano. 
Antes de 2012, o Brasil foi bem-sucedido no combate ao desmatamento, em parte, por causa do uso de imagens de satélite em tempo quase real para localizar e fechar sítios de extração ilegal de madeira. Também foram criadas áreas protegidas e restrições legais de proteção à Floresta Amazônica. 
Mas, vários outros fatores combinados agora estão revertendo os progressos. Entre eles, segundo o relatório, está o uso frequente pelos madeireiros de técnicas de remoção de árvores que dificultam a detecção por satélites. Além disso, agências federais de fiscalização ambiental brasileiras sofreram cortes no orçamento e redução de pessoal que culminam com menos fiscais em campo — para as operações de monitoramento em reservas.
Os ‘Guardiões da floresta’ e as políticas anti-ambientais de Bolsonaro
Dentro desses novos cenários, os povos indígenas e moradores locais começaram eles mesmos a fiscalizar áreas e alertar autoridades sobre as atividades ilegais. No estado do Maranhão, por exemplo, a falta de fiscalização por parte das agências federais fez que quatro comunidades indígenas criassem os “guardiões da floresta”, grupo que patrulha seu território e denuncia a exploração ilegal.
Apesar dessas iniciativas terem sido fundamentais para a continuação da proteção local, os indígenas têm sido ameaçados e atacados por madeireiros. As falhas nas investigações e o prevalecimento da impunidade também acabam alimentando represálias, crimes e criam “um clima de medo que reduz a probabilidade de que mais pessoas, tanto indígenas quanto moradores locais, assumam esse risco”, enfatizou o relatório.
A HRW também criticou as medidas e postura do presidente Bolsonaro diante da crise ambiental desde o início de seu governo. 
O relatório argumenta que, para dar fim ao desmatamento ilegal até 2030 e cumprir seus compromissos no âmbito do Acordo de Paris, o Brasil precisa de um governo comprometido em defender o Estado de Direito da Amazônia, o que significa adotar uma posição clara para proteger os defensores da floresta — incluindo agentes públicos —, defender legislação ambiental e combater redes criminosas envolvidas na extração de madeira. 
“Em vez disso, o Brasil tem um líder que parece determinado a fazer exatamento o contrário”, pontuou o relatório. “O presidente Jair Bolsonaro nomeou um ministro de Relações Exteriores que se opõe aos esforços internacionais para lidar com as mudanças climáticas (...) bem como um ministro do Meio Ambiente que vê o aquecimento global como um assunto de importância ‘secundária’”. Acrescentou que o governo também age de forma agressiva para tornar leis ambientais pouco ou nada fiscalizáveis.
A ONG cita, por exemplo, que o orçamento discricionário do Ministério do Meio Ambiente foi reduzido em 23% e eliminou recursos destinados à fiscalização e ao combate a incêndios na Amazônia. Em fevereiro, pontuou, o governo exonerou 21 dos 27 diretores regionais do Ibama que eram responsáveis pela aprovação de operações de combate à extração ilegal de madeireira. Agora, o governo tem adotado políticas que, na prática, sabotam o trabalho dos agentes que permaneceram. 
“Entre essas políticas está o desmantelamento do departamento que coordenava as principais operações de combate ao desmatamento. Outra delas é a exigência ― comunicada verbalmente aos agentes, mas não formalizada por escrito ― de que os agentes mantenham intactos os veículos e equipamentos utilizados na extração ilegal de madeira encontrados em locais remotos, ao invés de destruí-los como autoriza a legislação brasileira”, denuncia a Human Rights Watch. 
“Os brasileiros que defendem a Amazônia enfrentam ameaças e ataques por parte de redes criminosas envolvidas na extração ilegal de madeira”, contou Daniel Wilkinson, diretor de direitos humanos e meio ambiente da HRW.
A situação só está piorando com o presidente Bolsonaro, cujo ataque aos órgãos de proteção do meio ambiente coloca em risco a floresta e as pessoas que ali vivem.
Nos primeiros oito meses do governo Bolsonaro, o desmatamento quase dobrou em comparação com o mesmo período de 2018, segundo dados preliminares. Em agosto, queimadas ligadas ao desmatamento na Amazônia ocorreram em uma escala que não era vista desde 2010.
Tais incêndios, observou a ONG, não ocorrem naturalmente no ecossistema úmido amazônico, mas são iniciados por pessoas como parte do processo de desmatamento após removerem as árvores de maior valor.
Recomendações da HRW
Por fim, a Humans Rights Watch recomenda uma série de medidas urgentes para o governo adotar e, assim, acabar com a impunidade nos atos de violência relacionados ao desmatamento ilegal na Amazônia. 
O primeiro deles é um chamado ao ministro da Justiça, Sérgio Moro, para convocar autoridades federais e estaduais para elaborar e implementar um plano de ação para tratar dos atos de violência e intimidação contra defensores da floresta. 
Outras sugestões são fazer do combate à violência na Amazônia uma das principais prioridades do procurador-geral da República e a criar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquéritos) no Congresso Nacional para identificar as redes criminosas responsáveis pelo desmatamento ilegal. 
A ONG também sugere que o governo Bolsonaro deveria apoiar e proteger defensores da floresta, assim como reparar os danos causados aos órgãos ambientais e “dar um fim aos ataques verbais e às acusações sem fundamento contra organizações ambientais e outras organizações não-governamentais e restabelecer a colaboração entre agências de fiscalização e grupos de sociedade civil que trabalham para proteger os defensores da floresta, os direitos dos povos indígenas e o meio ambiente.”

Livre-se dos bajuladores!



Ao conquistar um cargo de liderança, é preciso prestar mais atenção nas relações profissionais
Por Bernt Entschev
  

Quando alcançamos um determinado patamar profissional, é comum que pessoas venham nos procurar para propor projetos, ações ou até mesmo favores para suas carreiras. Na verdade, essa procura está mais ligada ao cargo, e não necessariamente a quem o ocupa. Afinal, pessoas passam; posições nas organizações permanecem. É neste momento que o profissional que assume uma nova posição de liderança precisa de maturidade para identificar ‘bajuladores’ que querem apenas se aproveitar das situações. 
No mundo político, conseguimos ver isso nitidamente. O próprio Barack Obama, ex-presidente dos EUA, certa vez afirmou: “Livre-se dos bajuladores! Mantenha por perto pessoas que te avisem quando você erra”. A frase também nos faz pensar. Não é porque você assumiu um novo posto que está blindado e não cometerá mais erros. Você não deixará de ser um humano suscetível a deslizes. Portanto, confiar desconfiando é um cuidado que se deve ter neste momento. Muitas vezes os bajuladores são convincentes, tecem elogios a trabalhos, à sua vida, à uma atitude tomada. Na verdade, eles não estão nem aí para aquilo que você fez, e querem mesmo é tentar tirar alguma vantagem. Livre-se dessas pessoas. 
Contudo, também haverá pessoas bem-intencionadas. Por isso, avalie bem uma crítica que eventualmente receber. Se for consistente, não deixe de manter por perto o profissional que fala com franqueza e que, mesmo sabendo que você pode não gostar, avisa quando você erra, querendo tão somente o seu bem e o melhor para a empresa. O tempo vai moldar o seu relacionamento com as pessoas após ter se tornado líder. É ele que vai dizer o que é bom para você, para a sua carreira e para a corporação para a qual você trabalha; e você decide se aceita aquela forma de se relacionar ou não. Mas, enquanto isso não acontece, é bom ficar atento e tratar com naturalidade todas as formas de relacionamento.

A tranquilidade de não ter nada a esconder é impagável




Luiza Fletcher   27 de outubro de 2018

Poucas coisas na vida são tão gratificantes quanto deitar a cabeça no travesseiro com a consciência limpa, e esse é um privilégio das pessoas que não têm nada a esconder.
Elas agem sempre com muito respeito e dizem a verdade porque sabem que só assim podem viver em paz. A mentira é apenas uma forma de adiar temporariamente a realidade, e não nos traz nada de bom.

As mentiras são uma parte de nós mesmos, e uma de nossas maiores fontes de infelicidade e sofrimento. O primeiro passo para nos libertarmos delas é compreendê-las melhor, em todas as suas nuances.
Uma delas é a famosa “mentira de cortesia”, que praticamos muitas vezes em nossas vidas, quando mesmo devastados por dentro, respondemos a quem nos pergunta que estamos ótimos, que tudo vai muito bem.


Essa contradição em que vivemos constantemente é um dos maiores motivos para estarmos infelizes, inseguros e com baixa autoestima. Para mudarmos essa realidade, precisamos de muita atitude e coragem, e também trabalhar todos os dias para mudar nossas vidas de dentro para fora, desde o menor até o maior dos incômodos, que nos impedem de vivermos realmente felizes.


A tranquilidade de ser honesto é impagável
Um estudo realizado por Joshua Greene, médico em psicologia experimental e neurologia na Universidade de Harvard, mostrou que o que realmente promove uma convivência adequada, bem como um elevado senso de autoestima dentro de cada um de nós, é capacidade de sermos honestos com nós mesmos e com as pessoas ao seu redor.
E o que realmente é honestidade? É se conhecer de verdade e viver de acordo com seus princípios, valores e missão no mundo. É nunca trair quem você é por um benefício temporário. É respeitar aqueles ao seu redor e a si mesmo o suficiente para escolher dizer sempre a verdade, mesmo quando os resultados não são os melhores.

Quem não esconde nada de ninguém, espera o mesmo em retorno
Nossa sociedade prega a verdade, mas nós sabemos que muitas vezes é a mentira que abre mais portas e acaba por convencer mais pessoas. Isso acontece desde os relacionamentos familiares e amizade, e até na publicidade, que nos convence com falsas ideias de felicidade e realização.

No entanto, esse tipo de falsidade é mais fácil de aceitar do que as mentiras que vêm daqueles que estão próximos a nós, aqueles que amamos. Nós desejamos reciprocidade em nossos relacionamentos, desejamos ser amados e respeitados pelas pessoas que estão ao nosso lado, mas isso nem sempre acontece, e ficamos perdidos e magoados.
Nesse cenário, precisamos buscar nos proteger, porque costumamos não receber o mesmo tratamento das pessoas ao nosso redor, que acreditam que a sinceridade é uma farsa, uma agressão disfarçada. Preservar nossa honestidade é essencial para nossa evolução.
A alma e a mente das pessoas que não escondem nada é limpa, existe espaço para a luz passar e para a felicidade ficar. Essas pessoas vivem em harmonia e equilíbrio, e fazem as melhores escolhas para as próprias vidas, sempre dedicadas a iluminar as vidas daqueles ao redor.



Pin212


Há quatro anos escreve para o site O Segredo, um dos maiores portais do Brasil sobre desenvolvimento pessoal. Sua missão...
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Brasil abraça tecnologias mais sustentáveis e produtivas no campo, diz bióloga



Diretora-executiva do CIB afirma que maus produtores são minoria no País, mas critica cortes do governo em pesquisas.
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A agropecuária brasileira está no olho do furacão nas últimas semanas devido aos incessantes incêndios na Amazônia. A pecuária e o cultivo de soja ilegal na região foram apontadas como razões para o aumento de queimadas nos estados que constituem a Amazônia Legal.
Diante do cenário em que muitos consumidores se perguntam de onde vem seus alimentos — e qual a influência dessas produções ao meio ambiente, a bióloga Adriana Brondani, diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), ressalta que o agronegócio no Brasil adota práticas sustentáveis e que os produtores que vivem na ilegalidade, que desmatam e queimam florestas, “são minoria”.
“O que vemos aí na TV [agricultura ilegal], na verdade, não é a regra. Vemos por parte do produtor uma preocupação muito grande para atender os requisitos de produção de forma sustentável”, conta Brondani, que é doutora em Bioquímica e Biologia Molecular e professora do MBA em Agronegócio da USP. 
Diante das críticas ao agronegócio brasileiro, a cientista sai em defesa dos agricultores e diz que o Brasil investiu muito em tecnologias dentro do campo, com as quais é possível produzir mais e utilizar menos recursos naturais, como terras e água.
Em entrevista ao HuffPost, ela explica os instrumentos mais utilizados pelos produtores brasileiros, os avanços do setor para uma agricultura mais sustentável e menos exploratória e os desafios do setor em um governo que não investe em pesquisa ― que para ela, é peça-chave para suprir demandas de um futuro próximo, com mudanças climáticas e população crescente.

Adriana Brondani é diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia, uma ONG e associação civil sem fins lucrativos.

HuffPost: O Brasil está caminhando para uma produção sustentável? O que a agricultura brasileira está fazendo para economizar recursos naturais, como terra e água?
Adriana Brondani: Acho que um caminho que estamos seguindo cada vez mais é utilizar o máximo de tecnologia dentro do campo. Por exemplo, utilizamos sementes que têm um máximo de produtividade, e dados já mostram que há economia de terra. Economizamos no momento em que fomos criando sementes mais resistentes. Ao incorporar essas ferramentas do campo para ter economia dos recursos naturais, como terra, vou economizar consequentemente outros insumos de modo geral. O Brasil teve um aumento de produção de grãos, que chega a 70%, ao longo destas últimas décadas. No mesmo período, não tivemos aumento de áreas de produção, seja soja ou milho. Ou seja, é possível, com tecnologia dentro da semente, ter lavouras mais produtivas e, assim, usar menos áreas.
Existem também sementes que são tolerantes a áreas degradadas, pouco produtivas. Então, produtos que são alimentos e que conseguem ser produzidos nesses ambientes inóspitos significam economia de terras. 
Outra tendência é o uso de tecnologia para aumentar produção com alta precisão. Hoje já existem ferramentas que mostram a quantidade de água para lavoura, sensores monitoram a questão hídrica dessa planta, se está faltando água ou manifestando doença. Isso se chama agricultura digital e já é realidade.
O Brasil abraça tecnologias para que possa lidar com fatores globais, como mudanças climáticas e produzir mais alimentos sem utilizar mais recursos. Existem diversas empresas privadas, universidades e centros de pesquisa trabalhando em uma série de ferramentas, que vão da semente até tecnologia para trabalhar com alta precisão de insumos, sejam naturais ou artificiais. 
Em que passo o Brasil está nestes avanços tecnológicos? A agricultura brasileira está competitiva em comparação a outros países?
O Brasil tem alta tecnologia, mas ela precisa chegar aos pequenos produtores. É necessário desde educação até mais recursos financeiros para que nossa tecnologia possa ser estendida para toda a cadeia. Mas grandes produtores já têm mais acesso do que tiveram no passado. Somos um País que adota tecnologia, até porque agricultura é de extrema importância pra nossa economia. 
Mas é preciso sempre continuar pesquisando, por isso considero lamentável o corte do governo para pesquisas, porque temos recursos humanos para desenvolver essas tecnologias e interesse do produtor, que quer mais produtividade e rentabilidade. Temos excelentes consumidores. 
Mas falta alguma tecnologia? Podemos melhorar nessa questão? 
Sempre dá para melhorar, mas somos muito competitivos. Tenho visto muitas empresas que trabalham em softwares para o campo. Temos condições, sim, de fazer agricultura com alta precisão e preservar o meio ambiente. O que vemos aí na TV [agricultura em áreas ilegais], na verdade, não é a regra. Vemos por parte do produtor uma preocupação muito grande para atender os requisitos de produção de forma sustentável. 
Os inseticidas e fungicidas entram para o controle de pragas e doenças, porque isso precisa ser feito como tratamento de qualquer saúde — da planta, dos animais ou do homem.
Existem outros modos de produzir que agridem menos o meio ambiente, como a agroecologia, mas ela ainda representa muito pouco de tudo que produzimos. Por que não temos mais produtores utilizando esses meios de cultura sustentáveis? Quais as principais barreiras?
Agroecologia é mais uma forma de produzir, como a cultura orgânica. A limitação que a gente encontra é desse atendimento de produção em maior escala. Ela tem condições de atender, em algumas esferas, pequenas produções, pequenas demandas, mas nossa dificuldade é em âmbito nacional. Seria interessante se conseguirmos aplicar alguns princípios da agroecologia em larga escala.
Mas a agroecologia, como a cultura orgânica, são modos que estão crescendo porque existe mercado e preocupação do consumidor. No entanto, não se sustenta do ponto de vista do tamanho do Brasil e das condições ambientais que temos. Você já deve ter ouvido que nosso país é tropical e, portanto, temos todos os desafios que envolvem uma agricultura tropical. Existem regiões que a agroecologia consegue atender, mas 100% do território é muito complicado. 
Então seria impossível, na sua opinião, ter uma produção agrícola sem agrotóxicos?
Não diria só agrotóxicos, mas insumos no geral. Estamos falando de insumos que são colocados no solo, porque só matéria orgânica não consegue suprir. Existem solos no Brasil que são muito pobres, e sabemos que solo pobre não produz alimento. As adversidades são altíssimas para alguns produtores.
A solução, ao meu ver, é dar condições para esses produtores usarem ferramentas com alta precisão. Assim, se utiliza menor quantidade de insumos e tem uma aplicação mais correta. 
Quando fala insumos, o que entra nisso? 
Fertilizantes, inseticidas, fungicidas. Fertilizantes compõem o que o solo acaba exigindo, os inseticidas e fungicidas entram para o controle de pragas e doenças, porque isso precisa ser feito como tratamento de qualquer saúde, pode ser da planta, da saúde animal ou humana. Tudo isso com bastante respeito ao consumidor, ao meio ambiente e ao solo. Muitos produtores têm bastante consciência e preocupação com o solo, pois ele precisa perdurar ao longo de várias gerações.  
É possível, com tecnologia dentro da semente, ter lavouras mais produtivas e, assim, usar menos áreas de produção.

"Existem regiões que a agroecologia consegue atender, mas 100% é muito complicado", explica bióloga sobre condições do solo brasileiro.
Quais sistemas de produção que o Brasil utiliza ou pode utilizar que são  sustentáveis?
O Brasil é um dos poucos países que utilizam uma prática que se chama plantio direto, que não revira a terra entre uma safra e outra. É uma estratégia importante do ponto de vista da sustentabilidade. Existem outras como rotação de cultura e também pecuária integrada no ambiente, num sistema de lavoura. 
Além dessas, o plantio direto não mexe demais nesse solo, não utiliza vários mecanismos e maquinários que retiram parte da umidade e acabam agredindo o ambiente. No plantio direto o cultivo conserva a palhada anterior e tem mais umidade. O primeiro impacto é a preservação de água, porque fica mais úmido, segundo é que este sistema tem mais microorganismos — o que é bom para o solo. 
O Brasil adota essa prática em quase 60% das suas terras de agricultura, e no restante do mundo essa porcentagem é super baixa. Na Europa representa apenas 5%. É uma prática conservacionista do ponto de vista ambiental que deve ser utilizada porque preserva as condições do solo. 
Outra tecnologia que pode ser aprimorada é ter produtos com valor nutricional maior, produtos alimentares com mais fibras, mais vitaminas. Isso faz que se consiga produzir no mesmo espaço produtos mais nutritivos, o que é bom para o meio ambiente e para as pessoas.
Qual diferença destes produtos para os transgênicos?
Estas sementes não receberam genes de outros organismos, são melhoradas geneticamente. Transgênicos recebem genes de outros organismos, que podem ser de bactérias do solo, de outra espécie.
Esses outros produtos foram desenvolvidos para entender como a gente pode trabalhar silenciando o gene ou aumentando a expressão de outro gene, fazendo melhoramento genético — e não recebendo gene de outros organismos. 
Tudo o que a senhora falou agora me remete à importância da pesquisa. Por outro lado, se vê contingenciamento de recursos por parte do governo nessa área. Qual é o impacto do corte de verbas para a ciência na agricultura brasileira nos próximos anos? 
Desmanche de pesquisa e falta de recursos de pesquisa, eu só consigo lamentar muito mesmo. Somos apoiadores da ciência, pesquisadores brasileiros, e nessa entrevista estou citando tecnologias que muitos institutos de pesquisa públicos têm testado e desenvolvido. Vejo que o impacto na agricultura brasileira é ter uma limitação de oferta de produtos para própria agricultura, vejo como algo muito ruim.
[Sem verba para pesquisa] A gente pode deixar de promover o conhecimento, o desenvolvimento do conhecimento e geração de produtos num futuro próximo. Uma pena mesmo que o governo tenha essa percepção.
Ao mesmo tempo que as verbas para pesquisas são cortadas, tem aumentado a aprovação de mais agrotóxicos. Só neste ano, o governo liberou mais de 209 novos agrotóxicos, além de ter a mudança da classificação. Há um risco real de sermos contaminados com estes agrotóxicos presentes nos alimentos?
Agrotóxicos são uma das ferramentas para o produtor. Assim como eu e você, que somos consumidores, queremos produtos seguros, a cadeia [produtiva] tem se organizado bastante nesse sentido, até porque ela tem que atender às normas. A forma como as coisas são divulgadas parece que é muito maior e pior do que realmente é, porque o nível de resíduo que fica no alimento não tem impacto na nossa saúde. Nossa grande preocupação sobre os agrotóxicos, na verdade, é com quem aplica, com que manuseia, porque precisa utilizar equipamentos de proteção. Isso envolve educação no campo. 
O produtor é o sujeito com maior possibilidade de exposição ao produto tóxico. Nós consumidores estamos distantes disso, mas também é preciso ficar atento aos níveis de resíduos.
Eu gostaria que o supermercado abraçasse essa causa e premiasse cada vez mais produtores que seguem as normas para entregar pra gente os melhores produtos.
Enquanto a pecuária desmata Amazônia, a soja desmata o cerrado. Como o consumidor hoje poderia rastrear a origem de seus alimentos e se certificar que eles não estão vindo “de desmatamento”?
Essas crises relacionadas ao meio ambiente acabam conscientizando o consumidor sobre de onde está vindo esse produto. Vejo que isso vai trazendo consciência por parte do consumidor, e uma vez ele exigindo, a cadeia vai se organizando dessa forma. Já existe soja certificada e ela é uma soja altamente valorizada no mercado internacional — e tem que ser valorizada aqui.
Por isso eu defendo que a gente premie a produção sustentável e a gestão agrícola ambiental. Temos que valorizar o bom agricultor, que esteja vinculado à sustentabilidade, e não deixar isso ser visto de uma forma pejorativa e prejudicar os bons profissionais.  
Quando você fala bons profissionais e maus profissionais, quem é maioria na agricultura brasileira?
Os bons profissionais são maioria, com absoluta certeza. Infelizmente, os maus profissionais têm maior visibilidade e as tragédias ganham mais visibilidade, mas os bons produtores são maioria. Temos que entender que os produtores estão produzindo no campo, eles não estão fazendo propaganda, mandando mensagens, não estão se comunicando. Por isso é importante reconhecer as boas práticas do mercado.