O meu blog é HOLÍSTICO, ou seja, está aberto a todo tipo de publicação (desde que seja interessante, útil para os leitores). Além disso, trata de divulgar meu trabalho como economista, escritor e compositor. Assim, tem postagens sobre saúde, religião, psicologia, ecologia, astronomia, filosofia, política, sexualidade, economia, música (tanto minhas composições quanto um player que toca músicas de primeira qualidade), comportamento, educação, nutrição, esportes: bom p/ redação Enem
Apesar de causarem preocupação quanto a perda de
empregos, avanços na IA requerem um exército de trabalhadores para
treinar as máquinas. Colaboradores dedicam de 5 minutos a 40 horas
semanais ao serviço.
Inteligência artificial precisa ser aprendida por robôs
A inteligência artificial (IA) precisa ser ensinada. Para treinar um
carro a conduzir sozinho e em segurança, por exemplo, ele deve aprender a
reconhecer pedestres e sinais de trânsito. Por trás disso, estão
centenas de milhares de trabalhadores.
Empresas enviam milhares
ou mesmo milhões de fotos para suas plataformas customizadas, e
funcionários avaliam e processam cada foto, criando uma plataforma de
dados, que finalmente habilitarão o carro a dirigir. Leia também:A inteligência artificial vai mudar o futuro da música?
As
companhias que treinam inteligência artificial perceberam que esse tipo
de dados poderia ser processado por qualquer pessoa com acesso
constante à internet. Empresas como Clickworker, Neurala e Alegion Inc.
utilizam colaboradores online para impulsionar a criação da IA.
Com mais de um milhão dos chamados clickworkers inscritos,
neste momento, provavelmente, por volta de cem mil pessoas estão
logadas, examinando informações e dando um toque humano ao treinamento
robótico. Os colaboradores podem passar de 5 minutos a 40 horas por
semana realizando tarefas simples em seus computadores ou smartphones,
tornando a IA mais inteligente e eficiente.
As categorias que
precisam de mais colaboradores incluem a definição de imagem para a
condução autônoma, a transcrição da língua e fala, e a categorização de
mídia. Para algumas tarefas, o pagamento pode ser inferior a um dólar, e
para trabalhos mais complicados, como identificar raios-x, pode-se
ganhar até mil dólares por foto.
Assistir ao vídeo04:24
Mercado de sistemas inteligentes já domina diversas áreas
Um
estudo recente da consultoria PricewaterhouseCoopers estima que a IA
possa contribuir com até 15,7 trilhões de dólares (50,8 trilhões de
reais) para a economia global até 2030. Estima-se que 6 trilhões de
dólares provenham do aumento da produção e da automação, e outros 9
trilhões de dólares, de "efeitos colaterais no consumo", como mudanças
nós hábitos de compra como resultado de melhoras tecnológicas.
Investidores
vêm apostando em startups baseadas em IA há anos, e a lista de grandes
clientes continua crescendo, com companhias como Facebook, Amazon,
Apple, Microsoft e Google buscando maneiras de simplificar os negócios
por meio de novas tecnologias. Empresas como a Clickwork oferecem
métodos de controle de qualidade e interfaces usadas para catalogar os
dados. Fator humano
Enquanto a demanda por clickworkers pode diminuir
com o tempo, provavelmente não haverá um momento em que pessoas não
estejam trabalhando em conjunto com a IA ou ao menos fazendo a sua
manutenção.
Ainda há desentendimentos dentro da indústria sobre o
quão robusta será a economia de empregos que apoiará a IA. Massimiliano
Versace, CEO da Neurala, acredita que haverá uma diminuição do crowdsourcing, ou seja, o recrutamento de colaboradores.
"A
necessidade de humanos para ensinar IA irá diminuir muito ao longo do
tempo, já que as empresas descobrem maneiras de reduzir a carga de
trabalho de taggers humanos [colaboradores], fazendo com que os dados sejam alimentados pela IA."
Já
Vito Vishnepolsky, diretor de desenvolvimento de negócios da
Clickworker, acha o contrário, afirmando que IA está tomando empregos de
empresas de segurança e criando outros em firmas de software de alta
tecnologia e inteligência artificial.
"Este mundo está em
constante evolução e sempre serão necessários engenheiros para manter os
sistemas atualizados e sempre será preciso recrutar trabalhadores para
criar os conjuntos de dados para treinar os sistemas", diz ele.
Brasilianista Peter Hakim ressalta importância de
melhorar o sistema econômico para evitar que nomes antidemocráticos
tenham ainda mais elementos para explorar a insatisfação popular antes
das eleições.
A salvação do presidente Michel Temer pela Câmara e a corrupção
generalizada do seu governo provocaram danos graves à democracia
brasileira. Mas a má gestão da economia nos últimos anos também fez com
que a população perdesse fé no sistema democrático.
Essa é a
opinião do brasilianista americano Peter Hakim, presidente emérito do
Instituto de Análise Política Inter-American Dialogue, com sede em
Washington.
Segundo ele, é preciso que Temer use o restante do
seu mandato para pelo menos melhorar o sistema econômico e assim evitar
que forças mais antidemocráticas, como o pré-candidato Jair Bolsonaro,
tenham ainda mais elementos para explorar a insatisfação popular.
"Muitos
brasileiros afirmam que é impossível que Jair Bolsonaro consiga vencer.
Mas, como cidadão americano, eu também ouvi que era impossível que
Donald Trump chegar longe”, diz. A denúncia contra o
presidente Temer reunia acusações ainda mais graves do que a primeira,
que já havia sido rejeitada em agosto. Mas isso não parece ter feito
diferença na Câmara. Qual é o efeito disso para a democracia
brasileira?
Esse tipo de voto ocorre em uma arena
política. O Congresso não deve ser considerado como um órgão judicial.
Ele leva em conta as condições políticas do presente. Então a decisão
não vai ser baseada nas questões legais e até morais que um tribunal
comum consideraria. É pura política.
O cientista político Peter Hakim
Mas
isso afeta o bom funcionamento da democracia? Veja, só sobraram duas
narrativas no Brasil. Uma é de que o Judiciário é um dos poderes que
está funcionando de maneira eficiente e está expondo a corrupção, dando
esperança de que o Brasil possa conservar sua democracia. A segunda
narrativa também aponta que é verdade que a corrupção é ruim para a
democracia, mas, por outro lado, a prolongada estagnação econômica
também não é boa.
Nesta última visão, Temer é o único com a
capacidade política para realizar as reformas necessárias para reavivar a
economia. Ele tem até tido algum sucesso nessa área, considerando as
circunstâncias e sua falta de popularidade. Então existem aqueles que
argumentam "nós queremos nos livrar da corrupção, mas a volta do
crescimento econômico também é muito importante, talvez mais até mais
importante do que processar cada corrupto”.
Acho que é possível
combater a corrupção e favorecer o crescimento econômico, mas as pessoas
no Brasil só estão escolhendo um lado ou outro. No final, a visão
econômica acabou influenciando muitos votos a favor de Temer. Alguns
deputados, de fato, justificaram seus votos afirmando que trocar o
presidente mais uma vez em pouco mais de um ano seria um fator de
desestabilização. Mas esse não é um pragmatismo cínico?
Esse
argumento faz sentido quando não há uma pessoa ou um grupo se
apresentando como possíveis substitutos, e, além disso, como substitutos
mais honestos do que Temer. A alternativa óbvia seria o presidente da
Câmara, Rodrigo Maia, mas ele também está sendo investigado pela
Justiça.
Nesta visão, esse argumento pragmático tem algum
sentido. Mas é claro que, por outro lado, isso também causa danos ao
Estado de Direito e à noção democrática de que todos são iguais perante a
lei.
A democracia brasileira foi, sem dúvida, terrivelmente
ferida por mais esse episódio e pela corrupção, mas ela também já havia
sido ferida por uma desastrada política econômica. Temer
conseguiu menos votos na votação dessa segunda denúncia do que em
relação à primeira, em agosto. Isso mostra que o presidente vai ter
ainda mais dificuldade em aprovar o pacote de reformas, em especial a da
Previdência?
Essa é uma visão bem difundida no Brasil,
até porque a série de concessões que ele fez para assegurar a vitória o
enfraqueceu ainda mais. Além disso, as reformas que ele promove não são
lá muito populares. Ele, sem dúvida, não está em uma boa posição, mas
ele também já recebeu bastante crédito de vários analistas pelo que já
conseguiu fazer, considerando as circunstâncias.
As eleições de
2018 já começam a dominar as atenções. Mas, se a economia melhorar, o
que é bem possível nos próximos meses, ele vai receber algum crédito por
isso, mesmo que não consiga passar suas reformas. Lembre que os
presidentes são elogiados por seu desempenho até quando o preço das
commodities sobe. Em 1989, o naufrágio econômico e moral
do governo Sarney abriu o espaço para Fernando Collor. O último ano de
Temer à frente do governo pode abrir caminho para novos aventureiros em
2018?
Com certeza. E o risco atual é muito mais grave do
que aquele representado por Collor em 1989. Ainda é um mistério
determinar quais vão ser os dois candidatos a emergir do primeiro turno.
Muitos brasileiros afirmam que é impossível que Jair Bolsonaro consiga
passar e depois vencer. Mas, como cidadão americano, eu também ouvi que
era impossível que Donald Trump chegar longe.
Apoiadores de
Hillary Clinton diziam "impossível, os eleitores nunca vão votar em um
candidato assim”. As pesquisas hoje mostram que Bolsonaro está em
segundo lugar. Comparado com Collor, Bolsonaro é um homem extremamente
perigoso para a sociedade, especialmente em um momento em que as pessoas
estão questionando a democracia e os partidos estão se esfarelando. Colocado
desta forma, já que o governo Temer não deve fazer nada para impedir a
corrupção, ele precisa pelo menos acertar a economia para recuperar
alguma confiança no sistema e ajudar a evitar que figuras como
Bolsonaro, que já se aproveitam do discurso anticorrupção, a chegar mais
longe?
Exatamente. Isso é colocar em forma de pergunta o
que estou dizendo. Má gestão econômica também sabota a democracia.
Basta ver o que aconteceu na Argentina. Os brasileiros já se referem a
alguns de seus políticos pela definição "rouba, mas faz”. É uma questão
ética difícil.
Não esqueça que o PT, a principal força de
oposição, vai lançar Lula, que já foi condenado por corrupção. A maior
parte do PT votou contra Temer, mas também não oferece uma alternativa
ética a tudo que está acontecendo.
O Brasil está em uma situação
terrível. Acredito que é possível combater a corrupção e incentivar a
economia, mas o quadro de opções no Brasil está bastante limitado.
Unicef alerta para "desastre social e econômico" e pede
investimentos urgentes em educação e saúde no continente. Alta taxa de
fecundidade e diminuição da mortalidade infantil contribuem para
crescimento demográfico.
População infantil em toda a região deverá aumentar em 170 milhões nos próximos 13 anos
As Nações Unidas alertaram nesta quinta-feira (26/10) para a
possibilidade de um "desastre social e econômico" na África nos próximos
anos devido ao forte crescimento demográfico no continente. Um estudo
divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) afirma
que até 2100 metade das crianças e jovens do mundo viverá na África.
Somente
nos próximos 13 anos, a população com menos de 18 anos em toda a região
deverá aumentar em 170 milhões, para 750 milhões, aponta o estudo,
intitulado Geração 2030 África 2.0. Em 2050, a população infantil africana já deverá corresponder a 40% da mundial – cem anos antes, em 1950, eram apenas 10%. Leia também:Casamento infantil ilegal atinge 20 mil meninas por dia
O
Unicef aponta que continente precisará de um adicional de 4,2 milhões
de profissionais da área da saúde e 4,5 milhões de professores do ensino
fundamental até 2030 para evitar que milhões de pessoas sejam forçadas a
migrar em busca de condições melhores de vida.
"Estamos na
conjuntura mais critica para as crianças na África", alertou Leila
Pakkala, diretora regional do Unicef para o leste e o sul da África. "Se
agirmos corretamente poderemos livrar milhões de pessoas da pobreza
extrema e contribuir para o aumento da prosperidade, estabilidade e da
paz."
O Unicef atribui a explosão demográfica no continente nos
próximos anos a uma alta taxa de fecundidade, a um aumento do número de
mulheres em idade reprodutiva e à diminuição da mortalidade infantil.
Se
essas crianças tiverem acesso a educação e saúde até atingirem a idade
de começar a trabalhar, poderão proporcionar um grande impulso ao
crescimento econômico do continente. Mas, segundo Pakkala, para que isso
seja possível, é necessário investir urgentemente nesses dois setores.
Professores
e profissionais da saúde devem ser treinados e encorajados a permanecer
em suas comunidades de origem, ao invés de sair em busca de melhores
perspectivas nos grandes centros urbanos ou em outros países. Educação e saúde como prioridade
Há,
porém, um longo caminho a ser percorrido. Atualmente, mais de uma em
cada cinco crianças africanas de idade entre seis e 11 anos não
frequentam a escola. Particularmente as meninas têm a maior
probabilidade de serem afastadas dos estudos em razão do casamento
infantil e da gravidez precoce.
Hoje, seis em cada dez africanos
não possuem acesso ao saneamento básico. Em média, há 1,7 médico para
cada mil pessoas, número bem abaixo do padrão mínimo internacional
estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de 4,5.
"Até
2030, investir em atenção sanitária e na proteção à educação das
crianças deve se converter em prioridade absoluta para a África",
afirma Pakkala.
De acordo com estimativas da ONU, a população
total da África, que hoje é de 1,2 bilhão, duplicará até 2050, chegando a
2,5 bilhões de pessoas.
RC/rtr/dpa
Descoberta revolucionária será útil no tratamento de doenças
25 out 2017
Considerada um dos maiores avanços da ciência nos últimos anos, a
técnica de edição genética conhecida pela sigla CRISPR garantiu uma
forma simples, eficiente e barata de manipular o DNA. Nesta quarta-feira
(25), a revista "Science" publicou um estudo no qual cientistas
anunciaram o desenvolvimento de novas versões que permitem alterar uma
única "letra" do DNA.
De acordo com o estudo liderado por David Liu, da Universidade de
Harvard, nos Estados Unidos, a Crispr já permite que cientistas
"recortem" e "editem" o genoma com precisão, mas agora, a principal
diferença é que ela permitirá a edição de RNA, que pode alterar produtos
de genes. Essa mudança tem potencial para ser usada tanto na pesquisa
quanto no tratamento de doenças.
O DNA tem todas as informações sobre o corpo humano e isto é chamado de
"livro da vida", que é "escrito" usando praticamente só quatro
"letras": as moléculas citosina (C), adenina (A), guanina (G) e timina
(T), também conhecidas como nucleotídeos.
O RNA funciona como um intermediário entre o DNA e a produção de
proteínas. Ele "transcreve" as informações contidas no DNA e permite a
síntese de proteína.
A nova técnica foi batizada de "REPAIR" (sigla em inglês para "Edição
de RNA Programável para Substituição de A a I"). A estratégia permite a
substituição de adenosina por iosina, por exemplo. Segundo o estudo, os
pesquisadores conseguiram editar bases específicas do RNA com eficiência
de até 51% em alguns casos.
Para os cientistas, essas estruturas estão envolvidas em mutações que
estão associadas a mutações humanas. A troca no material genético de G
para A, por exemplo, é comum e está associada a casos de epilepsia e
Parkinson.
"Essa edição do RNA abre muitas oportunidades para recuperar funções e
tratar muitas doenças em quase todos os tipos de célula", diz a
pesquisa.
O mundo economizaria trilhões de dólares se parasse de
investir em guerra. "Poderíamos alcançar avanços surpreendentes no
contexto da mobilização para a paz", afirma pesquisadora em entrevista à
DW.
Soldados iraquianos lutam contra o "Estado Islâmico"
A violência tem um grande impacto na economia global, aponta Talia
Hagerty, pesquisadora do Instituto de Economia e Paz (IEP), com sede em
Sydney, na Austrália.
"Vamos comparar a fabricação de
computadores com a produção de armas e perguntar o que faz mais sentido
economicamente", diz ela em entrevista à DW.
Apesar de reconhecer
que os avanços tecnológicos resultantes da Segunda Guerra Mundial ou da
Guerra Fria, por exemplo, Hagerty aponta que o que se observa é que
"organizar seres humanos em torno de um objetivo comum pode alcançar
coisas incríveis". DW: Quanto custam a guerra e a violência armada por ano? Talia Hagerty:
Quantificamos o impacto econômico da violência na economia global. O
que constatamos foi que, em 2016, os custos diretos e indiretos da
violência totalizaram por volta de 14,3 trilhões de dólares (46,3
trilhões de reais) em paridade de poder de compra (PPC), incluindo
efeitos multiplicadores. Esse número inclui não apenas os custos de
guerras, mas também de outras formas de violência, como terrorismo,
homicídios e crimes violentos.
Talia Hagerty pesquisa no Instituto de Economia e Paz (IEP), em Sidney
Como se calculam os custos da guerra?
Quando
um soldado é ferido na guerra, há custos diretos, como seus cuidados
médicos, e custos indiretos, como perda salarial se ela ou ele ficar
inválido. Mas isso não é tudo. Suponhamos que o tratamento de um soldado
ferido custe 100 mil dólares, além dos cinco anos de salários perdidos
por incapacidade de trabalhar, totalizando 250 mil dólares. Esse não é o
custo total, porque esse dinheiro poderia ter sido gasto em algo
produtivo, que agrega valor.
Quando se fabrica uma bomba, no
melhor dos casos, ela nunca é usada. No pior cenário, ela é lançada e
destrói valor em forma de vidas humanas ou capital físico, ou
provavelmente os dois. Então, vamos comparar a fabricação de
computadores com a produção de armas e perguntar o que faz mais sentido
economicamente. Mas a guerra e a ameaça de guerra não são
positivas para a economia de países como EUA, Rússia, Reino Unido,
França ou outros que têm grande poderio militar e exportam muitas armas?
Se
é bom para esses países? Não. Pode ser rentável para certo número de
empresas? Certamente. Mas isso não é tudo. As economias nacionais
mencionadas prosperam num contexto de comércio globalizado. O impacto
econômico da violência na economia global supera em muito aquele
provocado pela crise financeira de 2008, por exemplo.
Então, se
quisermos ter nações prósperas num mundo globalizado, isso significa que
temos que olhar para o panorama completo – não apenas mensurar a
prosperidade de nações ou setores individualmente, como empresas de
fabricação de armas. Mas não é verdade que despesas
militares também geram uma grande e valiosa inovação tecnológica? Por
exemplo, os transistores e a internet são ambos resultados do
financiamento da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos
EUA (Darpa). E os alemães fizeram progressos surpreendentes em tudo,
desde turbinas a foguetes, durante os seus seis anos de fúria, de 1939 a
1945. A urgência da guerra ou a competição bélica parece estimular a
alta criatividade e o desempenho em termos tecnológicos e, portanto,
também em termos econômicos.
Claro. É inegável que um
grande número de avanços tecnológicos veio de pressões militares. Mas
acho que o que se observa aqui é que organizar seres humanos em torno de
um objetivo comum pode alcançar coisas incríveis. Então, devemos
investir dinheiro em pesquisa? Claro que devemos. Mas precisa ser uma
pesquisa militar? O fato é que, na verdade, esses avanços surgiram
devido a elevados níveis de paz positiva, não apesar deles. Paz positiva? O que é isso?
A
paz positiva são atitudes, instituições e estruturas que sustentam
sociedades internamente pacíficas e criam ambientes ideais para que o
potencial humano floresça. Identificamos oito fatores principais que
estão associados estatisticamente com a ausência de violência e altos
níveis de paz interna dentro de um país:
1. Bom funcionamento do governo;
2. Distribuição equitativa de recursos;
3. Livre fluxo de informações;
4. Boas relações com os vizinhos;
5. Altos níveis de capital humano que aumentam a expectativa de vida e a alfabetização;
6. Aceitação dos direitos dos outros;
7. Baixos níveis de corrupção;
8. Ambiente comercial saudável.
Isso
leva a uma combinação de fatores que contribuem para a segurança humana
básica, diversidade produtiva e justiça. Por diversidade produtiva,
quero dizer, não estamos "tolerando" a diversidade, estamos abraçando-a e
acionando-a para reunir diferentes pontos de vista e gerar resultados
produtivos. Como tudo isso se relaciona com a Guerra Fria e as tecnologias incríveis que dela resultaram?
Não se viram avanços tecnológicos que deram origem à internet, por exemplo, acontecer sem altos níveis de capital humano. Mas houve a pressão da Guerra Fria como também a ameaça de aniquilação mútua entre os EUA e a antiga União Soviética.
Sim.
Mas os erros do passado não precisam definir o futuro. Numa
interpretação generosa, as pessoas durante a Guerra Fria fizeram o
melhor que puderam com a informação e as narrativas que tinham na época.
Mas o estudo da economia da paz está, na verdade, apenas começando.
Se
analisarmos a questão de forma diferente, poderemos alcançar,
certamente, esses tipos de avanços surpreendentes no contexto da
mobilização para a paz e a prosperidade em vez de para a guerra.
Se já pôs de parte o telemóvel na hora de deitar, bem como o café e o
exercício, já seguiu outras tantas dicas e mesmo assim as insónias fazem
parte da rotina, não custa, pelo menos, experimentar este truque,
avançado por um popular psicólogo britânico
"Não
me odeiem, mas eu durmo mesmo muito bem e normalmente durmo oito horas
seguidas. É raro acordar de noite e não preciso de despertador para me
levantar". É com estas palavras que o britânico Richard Wiseman se
apresenta num artigo que escreveu para o Daily Mail com uma série de sugestões para quem não tem a mesma sorte.
Responsável
pela única disciplina do Reino Unido dedicada ao "entendimento público
da psicologia", Wiseman é um nome reconhecido internacionalmente, tanto
pelos seus vários livros publicados com investigação em áreas pouco
comuns da psicologia como seu canal no YouTube, que conta com mais de 2 milhões de subscritores.
No
artigo, em que recorda que a falta de sono está comprovadamente
relacionada com vários problemas de saúde (só para recordar dois: Privação de sono leva cérebro a comer-se a si próprio e Como os problemas em dormir afetam a vida sexual),
o psicólogo contextualiza que passou décadas a estudar os problemas em
dormir para encontrar técnicas capazes de ajudar os que não conseguem
uma boa noite de sono ou enfrentam uma luta diária para adormecer. E
neste capítulo fica o alerta para quem acha que é bom "apagar" mal a
cabeça chega à almofada. "É um indicador de que não está a dormir o
suficiente", garante o especialista, que adianta que o ideal é um
período de oito a 12 minutos desde que alguém se deita até adormecer.
Mais
do que esses 12 minutos já é um sinal de problemas (excluindo casos de
dores crónicas, por exemplo), e muito provavelmente de ansiedade.
"Quando tem alguma coisa que não lhe sai da cabeça, isso mantêm-no
demasiado alerta para dormir. Precisa de alguma coisa para sossegar a
mente", escreve. "Mas tentar convencer-se a si próprio a dormir só vai
dificultar as coisas", continua. A solução? Tentar ficar acordado.
"Tente
usar um pouco de psicologia inversa e tente ficar acordado.
Paradoxalmente, isto parece fazer-nos sentir menos ansiosos e ajudar a
adormecer", garante.
A técnica foi estudada por investigadores da
Universidade de Glasgow, que tiveram o seu sono monitorizado durante
duas semanas. Aos elementos de um grupo foi pedido que tentassem
manter-se acordados tanto tempo quanto possível, enquanto aos restantes
não foi dada qualquer indicação. Conclusão: Os instruídos para se
manterem acordados sentiam-se menos ansiosos na hora de ir para a cama e
adormeciam mais rapidamente.
Wiseman explica que o problema em
tentar relaxar para adormecer é que, nesse processo, estamos
constantemente a monitorizarmo-nos, o que mantém o cérebro ativo e...
tem o efeito contrário.
O psicólogo deixa ainda outras dicas. A
uma delas chama "o jogo do alfabeto" e consiste em tentar nomear animais
ou países que comecem com cada uma das letras do alfabeto, por ordem;
Contar de 100 para trás de três em três é outra forma de distrair o
cérebro (e o exercício é aborrecido o suficiente para dar sono...).
Em entrevista à VISÃO, James R. Doty, neurocirurgião e filantropo,
revela como "ser compassivo tem repercussões na fisiologia e traduz-se
em ganhos de saúde, desde a diminuição das proteínas inflamatórias no
sangue até ao fortalecimento do sistema imunitário"
James
poderia ter sido apenas mais um miúdo pobre, com fome, condenado a
crescer numa família disfuncional e a viver à margem até final dos seus
dias numa pequena aldeia da Califórnia. Tinha 12 anos quando entrou numa
loja de magia. A misteriosa mulher que o atendeu foi o seu porto de
abrigo: durante um mês e meio, ensinou-lhe "truques" que lhe mudariam a
vida. Meio século depois, o prestigiado neurocirurgião dedica-lhe o
livro Dentro da Loja Mágica (Lua de Papel, 230 págs, €14,90).
Nesta
obra, o médico explica como superou a adversidade e alcançou o sonho de
vencer na vida através de técnicas milenares - relaxando o corpo,
acalmando a mente, visualizando o que desejava. James teve tudo -
tornou-se milionário - e quase tudo perdeu, na bolha das dot.com.
Restavam-lhe ações de uma empresa que valiam 30 milhões de euros,
aplicadas num fundo universitário. Apesar de ter dívidas de 3 milhões de
euros, Doty decidiu doar todas essas ações ao fundo, aplicando a quarta
técnica que a tal mulher misteriosa lhe ensinara: abrir o coração.
Hoje, continua a acreditar que a generosidade e a compaixão transformam o
mundo. Decidiu fundar o Centro de Investigação e Educação da Compaixão e
Altruísmo (CCARE), apoiado pelo Dalai Lama. Aos 61 anos, James vive
cada dia como se fosse único. Porque é mesmo. Dorme pouco por natureza?
Por
norma, costumo precisar de quatro a seis horas. Mas, se estiver
realmente muito cansado, sou pessoa para dormir 12 horas seguidas.
Outras vezes opto por fazer uma pequena sesta. É raro encontrar médicos e investigadores que tenham um discurso próximo do místico.
Se
pensarmos no que nos torna humanos, seja através da religião, da
cultura ou da sociedade, chegamos sempre à compaixão. Deve haver uma
razão para isso. Como cientista, sou ateu. Não acredito num Deus que
olha por mim nem que existe algo mais para além do presente. Tal não
impede que haja uma maioria a acreditar nisso, nem que eu reconheça a
beleza da vida e a capacidade para amar e cuidar que as pessoas têm.
Fascina-me como os líderes filosóficos e religiosos estão disponíveis
para motivar as pessoas a serem melhores. Os budistas, por exemplo, usam
técnicas validadas pela ciência para melhorar a saúde física e mental. Diz que o coração é um órgão inteligente. Quer explicar isso um pouco melhor?
Começa
a provar-se cientificamente o que diziam os líderes espirituais: a
ligação entre a mente e o coração, que está ligado ao nervo vago,
situado entre a base da cabeça e o tronco cerebral. Estes dois órgãos
comunicam entre si através do sistema nervoso autónomo, que é formado
por dois sistemas, o simpático e o parassimpático. Um gera a resposta de stresse e o outro a de relaxamento, é isso?
Sim.
O sistema nervoso simpático é ativado em face de uma ameaça ou perigo e
conduz à libertação de neurotransmissores. A pressão arterial e o ritmo
cardíaco aumentam, o fluxo sanguíneo é desviado da zona abdominal para o
sistema musculoesquelético, de modo a podermos correr e as pupilas
dilatam para que possamos ver melhor. Quando a sobrevivência não está em
jogo, o sistema nervoso parassimpático, cujo lema é "descansar e
digerir", permite funcionar sem correrias e com discernimento. À
primeira vista, a "loja mágica" confunde-se com "pensamento mágico" e
"profecias que se autorrealizam", que são considerados sintomas de
perturbações psicológicas...
Suspeito que quer saber se
sou alvo de críticas. Entendo que quem nunca é criticado dificilmente
estará a fazer algo interessante. Dito isto, tive educação científica e
vivi coisas invulgares, diria mágicas até, como o estar entre a vida e a
morte, e que aceitei apenas como ocorrências. Ter passado por uma experiência de quase-morte, depois de um acidente de carro, abalou as suas crenças?
Pessoas
que passaram por isso passaram a acreditar na vida depois da morte, mas
tal não se passou comigo. Eu reconheço que há uma validação científica
para certos fenómenos. Atribui a sua realização a "truques" aprendidos numa loja de magia e que são validados pela ciência. O que quer dizer ao certo?
Cada
ser humano é o somatório das experiências de vida que teve. Se eu não
tivesse conhecido Ruth, a misteriosa mulher da loja de magia, talvez não
fosse quem sou hoje. Quando não se tem acesso a dinheiro ou a mentores,
ou se cresce em condições adversas, como pobreza, violência, abuso de
drogas ou doença, a probabilidade de ser alguém na vida é zero. Foi vítima de bullying, tinha uma mãe suicida e um pai alcoólico. Como superou esses traumas?
As
pessoas que fazem bullying foram, elas próprias, vítimas de agressão.
Sofrem com isso. Parte do meu padrão de frustração, raiva e impotência
tinha a ver com o sentimento de desilusão face aos meus pais e às
condições em que me criaram. Mais tarde pude perceber que também eles
estavam embrenhados no seu próprio sofrimento, incapazes de satisfazer
as minhas necessidades. Reconhecer isto permite perdoar e quebrar o
padrão de agressão. "Um verdadeiro mágico acredita na sua
magia e transporta a audiência para um mundo onde o inacreditável se
torna credível." Fala assim aos seus formandos?
Claro!
Cada pessoa tem potencial para exercer um impacto transformador na vida
dos outros. Sou médico. Sei que manifestar interesse pela vida de alguém
através de um simples "olá" afeta a fisiologia, do mesmo modo que o tom
da voz ou o toque. A mente é poderosa, mas é a compaixão que nos
transforma. Mesmo em situações críticas, de vida ou de morte, como numa sala de operações?
Falámos
há pouco do sistema nervoso simpático que está envolvido nas reações de
medo. O modo de sobrevivência limita as funções executivas e a
capacidade de ver outras opções. Numa emergência cirúrgica, isso pode
ter efeitos negativos. No caso que descrevo no livro [rompimento de vaso
numa cirurgia à cabeça de uma criança, que seria fatal], a turbulência
emocional era muita; o que fiz foi estimular o meu sistema nervoso
parassimpático, respirar e, num estado relaxado, visualizar a veia com
olho da mente e estancar a hemorragia. Como define "o olho da mente", numa perspetiva científica?
É
o modo como a intenção e a repetição se manifestam em neuroplasticidade
e no fortalecimento de vias neuronais. Em certa medida, foi isso que me
permitiu desenvolver resiliência. De resto, a mensagem que transmito no
livro está a ser usada nos manuais escolares como forma de dar
ferramentas às crianças para lidarem com a adversidade. Teve tudo, perdeu tudo. O sucesso e o dinheiro não trazem mesmo a felicidade?
O
facto de atrairmos para a nossa vida o que desejamos, com visualização,
intenção e repetição pode funcionar ao contrário. As crenças negativas e
a falta de compaixão aprisionam-nos. O que quer dizer com isso?
Eu
era um miúdo pobre que queria ter dinheiro para ter poder, para ter
controlo. Achava que o reconhecimento profissional e a riqueza
financeira bastavam para ser feliz, mas quando os alcancei senti-me mais
miserável. A vida mudou, sofri perdas. Refleti sobre essa prisão. Para
sair dela, tinha de abrir o coração. Como se abre o coração?
É
algo que passa por ser generoso, empático e estar ao serviço. Posso
fazer coisas muito boas, mas serão sempre transitórias e, em última
análise, insignificantes. Era isso que aquela mulher misteriosa que
conheci queria dizer-me, e que só mais tarde compreendi plenamente. Qual é a meta do Centro de Investigação e Educação da Compaixão e Altruísmo?
No
CCARE temos vários programas que permitem aprender a ser compassivo.
Isso tem repercussões na fisiologia e traduz-se em ganhos de saúde,
desde a diminuição das proteínas inflamatórias no sangue até ao
fortalecimento do sistema imunitário. Os resultados preliminares de
alguns estudos já feitos no meio educativo sugerem que o treino da
compaixão reduz o bullying e permite regular emoções, além de melhorar a
atenção e o rendimento académico. Pode dar exemplos do impacto da ciência da compaixão no quotidiano social?
Um
clima de abertura e de confiança laboral reflete-se em melhores níveis
de produtividade com impacto no mercado de capitais. Nos cuidados de
saúde, a compaixão contribui para baixar os níveis de ansiedade,
acelerar processos de cura e reduzir o tempo de internamento. Na
justiça, permite reduzir a violência e as recaídas em pessoas que
cumpriram pena. De que fala no seu podcast, Alfabeto do Coração?
Começou
a partir da mnemónica que fiz para apresentar na palestra dirigida a
futuros estudantes de medicina, na universidade de Tulane (em Nova
Orleães), que vai de C a L, ou seja, CDEFGHIJKL. Compaixão, Dignidade,
Equanimidade - manter-se presente e sereno em todas as circunstâncias.
Perdão (Forgiveness), Gratidão, Humildade, Integridade, Justiça,
Generosidade (Kindness) e Amor (Love), que contém todas as anteriores. O
Alfabeto do Coração teve tanto eco que ganhou a forma de podcast, com
vários milhares de visitas. Havendo tantas possibilidades de conexão, porque é que o mundo está tão assustador?
Uma
das características que permite a sobrevivência humana é o tribalismo.
Num cenário de medo, real ou imaginário, o sistema nervoso simpático é
ativado e a reatividade toma o lugar da sensatez. As pessoas associam-se
em função de crenças, e daí a cometerem atrocidades vai um passo.
Olha-se para o outro como o inimigo, uma ameaça. Há recursos no planeta
que chegam para todos.
O problema é quando gente movida pelo ego cria uma narrativa baseada no medo para conquistar poder.
A
maioria das pessoas só quer viver a sua vida, mas acaba por ceder ao
medo e ser cúmplice da ideia de que as diferenças são perigosas. Como se sai desse ciclo?
Todos
queremos comida, segurança, paz e uma vida melhor para os nossos
descendentes. Basta uma mudança de circunstâncias para sermos nós a
estar no lugar de refugiados, a fugir da violência como eles, arriscando
estar numa situação ilegal. Um dos erros do colonialismo foi não haver
uma verdadeira intenção de implementar direitos iguais para os que
ficaram independentes, mas sem as mesmas oportunidades que os outros
para terem uma vida melhor, que levou a condutas hostis. Colocar-se no
lugar do outro e recusar-se a ser manipulado é libertador. Teve convites de instituições do governo para usar o altruísmo na política, na economia?
Ainda
não, mas reconheço que alguns decisores têm uma visão distorcida do
mundo e tentam impô-la aos outros, como sucede com o discurso em torno
das alterações climáticas e outras, assentes em dogmas religiosos. O
desafio é alterar este estado de coisas com amor e paciência.
Entrevista publicada na VISÁO 1263 de 18 de maio
Faltam docentes em várias disciplinas e jovens não têm
interesse em seguir a profissão, que paga baixos salários e é uma das
menos valorizadas pela sociedade. Plano Nacional de Educação pode ser
uma saída.
Fundamental para a formação de cidadãos conscientes de seus direitos
e deveres e bem preparados para o mercado de trabalho, a carreira de
professor é uma das menos procuradas pelos jovens brasileiros. Salários
baixos, ausência de planos de carreira, instabilidade no emprego devido
ao alto percentual de contratações temporárias e também a falta de
respeito em sala de aula são alguns dos motivos para a profissão ser uma
das menos valorizadas no país.
As estatísticas do último
vestibular compravam essa falta de interesse – os cursos que
possibilitam uma carreira na docência do ensino básico estão entre os
menos concorridos.
Enquanto os cursos mais procurados no
vestibular da Fuvest, que seleciona alunos para a USP, têm mais de 50
candidatos por vaga, a concorrência nas licenciaturas e na pedagogia não
chega a 10. Na Unicamp, a situação não é muito diferente: apenas a
licenciatura em letras ultrapassa os 10 candidatos por vaga.
"A
carreira de professor não é atraente e não consegue empolgar a juventude
por não oferecer uma perspectiva de futuro que permita ao trabalhador
transcorrer o tempo de trabalho com tranquilidade", afirma Roberto Leão,
presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação
(CNTE).
O desinteresse acaba se refletindo nas salas de aula.
Apesar de o último censo da educação básica de 2012 apontar que o país
tem mais de dois milhões de docentes, faltam professores nas disciplinas
de matemática, física, química e inglês.
Aos profissionais que
optaram pelo magistério resta tentar melhorar suas condições de trabalho
com greves e protestos. Ao longo de 2013, muitas dessas ações foram
manchete em jornais no país inteiro. No Rio de Janeiro, os professores
municipais pararam de trabalhar por 77 dias e chegaram a ocupar a Câmara
Municipal, de onde foram retirados à força pela polícia militar. Brasil no fim do ranking
A péssima situação da carreira de professor no Brasil ficou evidente no
ranking de valorização elaborado pela fundação educacional Varkey Gems,
em 2013. Com base em quatro indicadores – interesse pela profissão,
respeito em sala de aula, remuneração salarial e comparação com outras
profissões –, a instituição avaliou a carreira em 21 países.
O
Brasil ficou em penúltimo lugar. Numa escala que vai de 0 a 100, a
avaliação do país ficou bem abaixo da média de 37 pontos, atingindo
apenas 2,4 pontos. O país ficou à frente apenas de Israel. A China
recebeu 100 pontos, sendo o local onde mais se valoriza a profissão,
seguida da Grécia, com 73,7, e da Turquia, com 68.
Mas a grande
contradição revelada pelo estudo fica por conta da questão da confiança
no professor. Embora a profissão tenha uma péssima reputação, o Brasil é
o país que mais confia nos docentes para oferecer uma boa educação. Falta de profissionais
Para a pesquisadora Gabriela Miranda Moriconi, da Fundação Carlos
Chagas, as razões que levam a maioria dos jovens a desistir de seguir
uma carreira nessa área são os baixos salários, o desrespeito por parte
dos alunos e a falta de valorização da profissão pela sociedade.
O atual piso salarial nacional para professores de nível médio, com uma
jornada de trabalho de 40 horas é de 1.697,37 reais. Mas muitos estados
não pagam nem mesmo esse valor, que já é bem inferior aos ganhos de
outras profissões. Segundo Leão, um profissional de educação ganha, em
média, 60% do que outros profissionais empregados no serviço público com
a mesma formação.
"Para melhorar a remuneração, a saída
encontrada é duplicar ou triplicar, quando possível, a jornada de
trabalho como professor ou, em alguns casos, arranjar uma segunda
ocupação. Isso prejudica tanto a vida pessoal do profissional como a
qualidade do trabalho que ele pode realizar", completa Moriconi. Medidas para melhorar a situação
Para reverter esse cenário, a profissão precisa passar por um processo
de valorização, começando com a criação de um plano de carreira nacional
que estimule o aperfeiçoamento dos profissionais e valorize seu tempo
de trabalho e também o serviço realizado na escola, afirmam os
especialistas.
Outras medidas apontadas são um maior reajuste
dos salários, a diminuição das contratação temporárias e o incentivo a
uma formação continuada.
Nesse sentido, o Plano Nacional de
Educação (PNE), em votação no Congresso Nacional e que deve valer até
2024, pode ser um dos caminhos para tornar a carreira de professor
atraente. O PNE prevê equiparar a remuneração dos docentes com a média
salarial de outras ocupações de nível superior e a criação de planos de
carreira em todos os municípios.
"No entanto, vai ser
necessário que o governo federal defina estratégias concretas para
garantir que os recursos adicionais previstos no plano cheguem aos
estados e municípios e sejam efetivamente empregados para a melhoria dos
salários do magistério", afirma Moriconi.
O PNE já foi aprovado na Câmara e no Senado, onde sofreu modificações, e por isso precisa ser novamente votado pelos deputados.
O vice-coordenador da diretoria de educação da Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Econômico, Andreas Schleicher é otimista em
relação às mudanças que estão acontecendo nesse setor no Brasil.
"O governo fez coisas importantes, melhorando as condições de trabalho,
aumentando os salários. Em muitos aspectos o Brasil está mudando na
direção certa, mas ainda precisa criar um plano de carreira que
proporcione o desenvolvimento dos profissionais", opina Schleicher.
Mistura entre ônibus, trem e bonde é movido a baterias
recarregáveis. Custos equivalem a 20% dos de sistema convencional.
Veículos elétricos são aposta da China em indústria promissora e contra
poluição.
Veículo conhecido como ART é testado em Zhuzhou
O primeiro sistema público de transporte
rápido sem motorista do mundo foi testado com sucesso na cidade chinesa
de Zhuzhou, na província de Hunan, informou nesta terça-feira (24/10) a
agência oficial de notícias Xinhua.
Com capacidade para
transportar até 300 passageiros, o veículo testado é uma mistura entre
ônibus, trem e bonde. Ele tem três vagões, mede 32 metros de
comprimento, tem uma velocidade máxima de 70 quilômetros por hora e está
equipado com sensores para ler as dimensões das ruas. Ele é movido à
eletricidade, com baterias recarregáveis.
A empresa que construiu
o Autonomous Rail Rapid Transit (ART) quer ampliar o veículo para cinco
vagões, o que deverá aumentar a capacidade de transporte para 500
passageiros. No teste, o veículo fez um percurso de três quilômetros,
levando passageiros por pistas virtuais nas ruas de Zhuzhou durante 24
horas.
O
sistema e o veículo foram desenvolvidos pelo braço de pesquisas da CRRC
Zhuzhou Locomotive, empresa que produz peças para a ferrovia de alta
velocidade da China.
"Operando em pistas virtuais por meio de
sensores montados no veículo, o trem pode ajustar sua tração, frenagem e
indicações às ordens do sistema central", disse Feng Jianghua,
engenheiro-chefe da CRRC Zhuzhou Locomotive. Ele acrescentou que o
veículo será lançado oficialmente em 2018.
A CRRC Zhuzhou
Locomotive salientou ainda que o sistema custa apenas o equivalente a
20% de um sistema de bonde tradicional – uma solução que facilitaria a
ampliação de sistemas de transporte público especialmente em localidades
que não têm recursos financeiros para novas linhas de metrô e trem. Veículos elétricos
Novas
ideias no âmbito do transporte público são bem-vindas na China, um país
assolado por altíssimos níveis de poluição atmosférica e por
engarrafamentos.
A China tem os planos governamentais mais
agressivos do mundo para promover o desenvolvimento de carros elétricos,
por exemplo. Os líderes comunistas os enxergam como uma indústria
promissora e uma maneira de limpar cidades mergulhadas no smog (mistura de fumaça e neblina).
No
último domingo, os primeiros dez ônibus elétricos começaram a circular
nas ruas de Pequim, onde até finais deste ano as autoridades esperam que
4.500 desses veículos estejam em pleno funcionamento, segundo informou
também a Xinhua.
Os ônibus têm 18 metros de comprimento e são
pintados de vermelho. Serão alimentados por baterias que podem ser
carregadas em apenas 15 minutos e têm a possibilidade de percorrer até
130 quilômetros com apenas uma carga, segundo a autoridade de transporte
de Pequim.
A cidade é considerada uma das capitais mais
contaminadas do mundo. O trânsito, as usinas termoelétricas e os
sistemas de calefação são alguns dos principais causadores da poluição,
algo que Pequim tenta combater com limitações à circulação de veículos e
a substituição gradual do carvão por gás natural como fonte de energia.
Segundo a Xinhua, o número de veículos elétricos que atualmente circulam pela capital chinesa é de cerca de 151.500.
RK/efe/ap/ot
Próximo à borda da cordilheira dos Andes dois desertos de sal se
formaram ao longo dos anos em território boliviano. Veja as imagens do
satélite da Agência Espacial Europeia.
Assistir ao vídeo01:40
Esta planície de sal perto da borda dos Andes já fez parte de um lago
gigante. O lago secou, originando dois desertos de sal. O maior deles,
Salar de Uyuni, ontém 70% das reservas de lítio conhecidas no mundo. O
deserto de sal é quase desprovido de vida animal ou vegetal, mas, em
novembro, se transforma numa zona de reprodução de flamingos rosados.
Carro a
hidrogênio Afinal, o carro elétrico e o híbrido são o ponto de chegada da
tecnologia do combustível para veículo automotor? Não são. O ponto de chegada é
o carro movido a hidrogênio ou células de combustível. Ele já existe
comercialmente no Japão. É o Toyota Mirai, que custa US$ 70 mil e faz o
equivalente a 29 km/l, comentou, em Porto Alegre, o chefe de comunicação e
relações públicas da marca no Brasil, Erick Boccia. Mas a Toyota anunciou, no
Japão, o lançamento de ônibus a hidrogênio, com uma vantagem adicional: em situação
de emergência, ele também pode operar como gerador de alta potência de
alimentação externa. Sua célula de combustível será executada em plataforma
mais poderosa do que a Mirai, com até 10 tanques de combustível segurando 600
litros de H2 e produzindo 235 kWh, ou quase três vezes a saída de uma bateria
de Tesla Model S.
A Reforma Trabalhista tem mobilizado a sociedade. Por isso, convidei
um especialista em Direito do Trabalho, o Dr. Felipe Penteado Balera,
doutorando em Direito Constitucional pela PUC/SP e Professor da
Universidade Paulista – UNIP. Ele escreveu o artigo abaixo para nosso
blog.
O primeiro movimento de proteção individual e garantia de direitos se
deu com a limitação da autoridade estatal e reconhecimento da autonomia
individual. A noção de liberdade restou magnificamente definida na
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que sucedeu a Revolução
Francesa, consagrando que: “A liberdade consiste em poder fazer tudo
que não prejudique o próximo: assim, o exercício dos direitos naturais
de cada homem não tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros
membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites apenas
podem ser determinados pela lei”.
Para garantir a liberdade, a mesma Declaração de 1789 ousou reconhecer que os homens nascem e são livres e iguais em direitos.
O papel da Revolução foi fundamental para proclamar essa
liberdade de cada qual, até então, súditos do arbítrio do Estado,
comandado por seu monarca soberano. Porém, o reconhecimento da liberdade
e igualdade em direitos desconsiderava as desigualdades de fato, e não
conseguia sair do papel para produzir efeitos no mundo real. Ao
contrário do que anunciavam os liberais, não havia liberdade, muito
menos igualdade. Recorda-se que havia escravidão, sustentada, inclusive,
por importantes personagens do liberalismo como John Locke e Thomas
Jefferson, defensores e praticantes da escravidão.
É certo que, em quase todos os países, a escravidão foi abolida ainda no século XIX, mas nem a abolição conseguiu extingui-la [1].
Além disso, o trabalho escravo foi substituído pelo trabalho
injustamente remunerado, obrigando muitos empregados a dedicarem mais da
metade de suas vidas à satisfação das necessidades e interesses
alheios, sem receberem, em troca, uma mínima parte do ganho e do
reconhecimento social de seus empregadores.
A falsa afirmação do liberalismo de que os homens nascem livres e são
iguais apenas provocou ainda mais desigualdades, condenando à igual
miséria os que já eram miseráveis e, para que alguns poucos pudessem
concorrer em liberdade, a grande maioria se tornou mão de obra, meros
membros não autônomos de corpos jurídicos que não lhes pertencem, com a
liberdade de escolher entre tentar sobreviver, satisfazendo vontades que
não são suas, ou morrer de fome.
Assim, diante desta grave contradição do Estado Liberal, que com o
justo temor da intervenção do Estado na vida social, permitiu-se, por
meio da liberdade de contrato entre os desiguais, sem qualquer
participação ou regulação estatal, a exploração dos mais fracos
economicamente pelos mais fortes, resultando em injustiça social. O
individualismo exacerbado do liberalismo impediu que o direito à
liberdade fosse igual para todos. Não se poderia admitir um conceito de
liberdade que servisse só para alguns.
Deste modo, com a finalidade de permitir a justiça social e a redução
das desigualdades, surge o Estado Social e uma nova dimensão na
proteção dos direitos fundamentais, que passaram a ser consagrados nas
Constituições que emergiram na época, como a Constituição Mexicana de
1917 e a Constituição de Weimar, na Alemanha, de 1919. Para garantia dos
direitos sociais (direitos do trabalho, saúde e educação, entre
outros), nascidos no novo modelo de Estado, a postura deste não poderia
mais ser apenas de abstenção, passando a se exigir conduta positiva do
ente estatal com o fim de implementar direitos, que visam tornar a
sociedade mais justa e igualitária.
Neste contexto, ao Estado, por meio de suas instituições e órgãos, se
impõe uma nova maneira de intermediar conflitos, especialmente quando
disputam polos tão antagônicos do ponto de vista econômico, como é o
caso das relações trabalhistas e de consumo. Em tais relações, o papel
Estado como mediador do conflito não pode ser o mesmo que se espera nas
relações paritárias, pois para permitir a justiça na solução do embate
desequilibrado, se torna necessário criar e aplicar regras que amenizem a
desigualdade. Ilustra esta ideia o exemplo de um jogo de futebol entre
jogadores profissionais e crianças de 10 anos de idade, no qual para
permitir certo equilíbrio, algumas medidas favorecendo a equipe de
crianças hão de ser adotadas, como permitir maior número de jogadores e
reduzir a baliza em que atacará a equipe adversária.
Por outro lado, não pode se afirmar que com o Estado Social a
autonomia individual e todas as demais liberdades conquistadas no
Liberalismo ficaram totalmente superadas. Assim como os demais direitos
fundamentais, a autonomia privada deve ser protegida na maior medida do
possível.
A autonomia privada permanece como valor inerente à pessoa e sua
dignidade. O ser humano é autossuficiente e capacitado para escolher o
melhor destino para sua vida, suas preferências, vantagens e deveres. No
entanto, nem toda manifestação de autonomia privada merece proteção
constitucional com a mesma intensidade. Isto porque certas escolhas não
são propriamente preferencias individuais, mas decisões emergenciais
visando a própria sobrevivência. Logo, quando a autonomia privada está
relacionada a decisões existenciais ou preferências, referentes à
personalidade, imagem ou privacidade da pessoa, seu valor será maior do
que escolhas meramente patrimoniais ou econômicas, especialmente aquelas
que são frutos de escolhas necessárias.
Na contramão da evolução da proteção estatal aos direitos sociais e
do próprio Estado Social, a Lei Federal nº. 13.467, de 13 de julho de
2017, popularmente conhecida como “Reforma Trabalhista” limitou a
competência do Poder Judiciário no exame de convenção ou acordo coletivo
de trabalho apenas aos aspectos formais e de validade do consenso,
tendo como baliza o princípio da intervenção mínima na autonomia da
vontade coletiva (art. 8º, §3º, CLT). Além disso, a convenção coletiva e
o acordo coletivo passaram a ter prevalência sobre a lei em uma série
de assuntos (arts. 611-A e 611-B).
Assim, ainda que permaneça a distância econômica, social e de
organização entre empregadores e empregados, em gigantesco desfavor dos
segundos, o Estado, nem por via legislativa, nem por meio do Poder
Judiciário, poderá intervir na relação trabalhista.
Parece claro que tais normas são claramente inconstitucionais, pois
permitem a redução de direitos sem previsão legal, bem como atentam
contra a livre apreciação do Poder Judiciário. Mas, sem entrar no mérito
da constitucionalidade da norma, a Lei de 2017 retrocede 100 anos no
tempo, quando a Constituição Mexicana de 1917 inaugurou, no âmbito
constitucional, a proteção social.
Ao invés da justiça e busca pela redução das desigualdades sociais,
que são objetivos fundamentais do nosso Estado e servem como baliza para
os Poderes da República, a Lei passa a preferir a autonomia privada,
ainda que sobre temas e assuntos meramente patrimoniais e econômicos, e
nos quais a escolha individual é feita muito mais por necessidade e
sobrevivência do que com base em valores e preferências individuais.
Como demonstrado acima, a relação de trabalho, em que a desigualdade
entre os polos é imensa, não pode ser mediada como se as partes fossem
paritárias. A autonomia privada não pode ser a única baliza. Sem a
intervenção do Estado, sobra ao empregador a autonomia de oprimir seus
funcionários ou aplicar a lei, enquanto que aos empregados resta
sobreviver.
Esquema da migração das nanopartículas presentes nas tintas de tatuagens dentro do corpo humano. [Imagem: Christian Seim]
Tatuagem superficial, efeitos profundos
Os elementos que compõem a tinta usada nas tatuagens viajam dentro do
corpo humano na forma de micropartículas e nanopartículas e atingem os
gânglios linfáticos.
É a primeira vez que foram encontradas evidências analíticas do
transporte de vários desses pigmentos orgânicos e inorgânicos e
impurezas de elementos tóxicos, o que exigiu a caracterização em
profundidade dos pigmentos ex vivo em tecidos tatuados.
Os resultados, obtidos por uma equipe da França e da Alemanha que
utilizou o Laboratório Síncroton Europeu (ESRF) para caracterizar os
tecidos e os contaminantes, foram publicados na revista Nature Scientific Reports.
"Quando alguém quer fazer uma tatuagem,
frequentemente [essas pessoas] são muito cuidadosas na escolha de um
estúdio onde se usa agulhas estéreis que não foram usadas anteriormente.
Ninguém verifica a composição química das cores, mas nosso estudo
mostra que essas pessoas deveriam fazer isto," resumiu o professor Hiram
Castillo, membro da equipe.
As
imagens de fluorescência de raios X mostram as nanopartículas já
depositadas no tecido - incluindo partículas de dióxido de titânio. [Imagem: ESRF/Ines Schreiver]
Colorindo os gânglios linfáticos
Segundo a equipe, pouco se sabe sobre as potenciais impurezas na
mistura de cores aplicada à pele durante as tatuagens. A maioria das
tintas de tatuagem contém pigmentos orgânicos, mas também incluem
conservantes e contaminantes como níquel, cromo, manganês ou cobalto.
Além disso, depois do carbono negro, o componente mais encontrado nessas
tintas é o dióxido de titânio (TiO2) que, na forma de nanopartículas, pode ser ativado pela luz do Sol e tornar-se tóxico no interior do corpo humano.
"Nós já sabíamos que os pigmentos de tatuagens viajam para os
gânglios linfáticos devido à evidência visual: os gânglios linfáticos
ficam coloridos com a cor da tatuagem. É a resposta do corpo para limpar
o local de entrada da tatuagem. O que nós não sabíamos é que os
pigmentos viajam de forma nano, o que implica que eles podem não ter o
mesmo comportamento que as partículas em um nível micro. E esse é o
problema: não sabemos como as nanopartículas reagem," explicou o pesquisador Bernhard Hesse.
As medições de fluorescência de raios X mostram uma ampla gama de
partículas, com até vários micrômetros de tamanho, na pele das pessoas
que se tatuaram, mas apenas partículas menores (nano) foram detectadas
nos gânglios linfáticos. Isso pode levar ao aumento crônico do linfonodo
e à exposição ao longo de toda a vida.
A equipe também relata fortes evidências tanto da migração quanto da
deposição a longo prazo dos elementos tóxicos e dos pigmentos das
tatuagens, bem como de alterações conformacionais de biomoléculas que
têm sido associadas à inflamação cutânea e outras adversidades após a
tatuagem.
O próximo passo da equipe será inspecionar novas amostras de tecidos
de pacientes com efeitos adversos em suas tatuagens, a fim de verificar
se há ligações entre esses efeitos e as propriedades químicas e
estruturais dos pigmentos usados para criar as tatuagens.
Em uma
virada histórica, o maior país comunista do planeta investe no livre
mercado e na globalização para se tornar a principal potência econômica
nas próximas três décadas
PAÍS DO FUTURO Em discurso, Xi Jinping defende economia pautada pelo livre mercado (Crédito: AP Photo/Andy Wong)
Ao construir sua Grande Muralha, a China empreendeu ao longo de
séculos um esforço colossal para se proteger de ameaças e manter sua
ordem interna. A estratégia foi a do isolamento. Hoje, enquanto os
Estados Unidos de Donald Trump declaram a intenção de construir muros
para preservar seus interesses de hegemonia econômica, o presidente
chinês Xi Jinping dá provas de que a direção a ser seguida por seu país é
exatamente a oposta. A “nova era” da China, como anunciou na semana
passada o líder chinês, consiste em criar um mundo sem barreiras
protecionistas, onde a nação mais populosa do planeta se imponha pela
força de seu crescimento econômico. É esse o cenário ideal para que a
nação asiática assuma o status de maior potência global.
O momento é favorável. Com Donald Trump no poder e seu arrogante
senso de diplomacia, que resulta em desastrosas políticas
isolacionistas, o espaço para a China no cenário internacional é um
horizonte bastante alargado. A segunda maior economia do mundo, cuja
meta é crescer 7% ao ano, quer a liderança. “Como disse em seu discurso
de campanha e mostra agora nas decisões que tem tomado, Trump está
governando os Estados Unidos para os americanos e deixando o mundo para
China”, diz o professor e cientista político Alexandre Uehara, diretor
acadêmico das Faculdades Rio Branco. NOVA ERA
O movimento feito agora pelo gigante asiático é histórico e terá
consequências importantes para a nova formulação geopolítica do planeta.
Maior nação do mundo sob o regime comunista, a China dá passos rumo a
uma espécie de socialismo à chinesa. O governo central continua
defendendo um Estado forte, mas vem sistematicamente adotando medidas
que são chaves do sistema capitalista.
O presidente Xi Jinping havia sinalizado essa mudança em janeiro,
durante a reunião dos mais importantes líderes mundiais em Davos, na
Suíça. Na semana passada, sacralizou o novo rumo. Na quarta-feira 18, o
líder discursou por mais de três horas na abertura do Congresso Nacional
do Partido Comunista — evento que iria confirmar sua permanência no
poder por mais cinco anos. Aplaudido assim que entrou no salão do
Palácio do Povo, em Pequim, Jinping falou para uma plateia de 205
membros do Comitê Central e 2,3 mil delegados. Durante seu
pronunciamento, repetiu diversas vezes a palavra “nova era” ao se
referir à economia do país. Declarou que pretende abrir o mercado a
investimentos estrangeiros, defendeu que o crescimento seja mais
sustentável e garantiu que seguirá empenhado em fazer as reformas
econômicas e financeiras necessárias para a exploração de uma economia
pautada pelo livre mercado. E foi enfático ao afirmar que o país ocupa
hoje uma nova posição no mundo. “Precisamos continuar nos esforçando por
mais trinta anos para alcançarmos a completa modernização e nos
tornarmos uma nova potência global.” “A abertura traz progresso para nós, enquanto o isolamento nos deixa atrasados” Xi Jinping, presidente chinês (Crédito: Johanes Eisele/AFP/Getty Images)
Para um país que até pouco tempo atrás era acusado de praticar
dumping, Xi Jinping também surpreendeu ao prometer tratamento
igualitário a empresas estrangeiras. “A abertura traz progresso para
nós, enquanto o isolamento nos deixa atrasados”, disse. A China de
Jinping não fechará suas portas para o mundo. Ao contrário. Estará cada
vez mais aberta. “A fala de Xi está mais próxima do que os estrangeiros
querem ouvir da China. E isso só o favorece”, diz Uehara. Com
crescimento econômico na faixa dos 6,5% ao ano, o país asiático responde
hoje por 30% do PIB mundial. Sua abertura e adesão à globalização devem
deslocar o eixo de importância econômica e política dos Estados Unidos,
hoje a linha mestra do mundo, em direção à Asia.
Isso está sendo possível especialmente por causa da habilidade
política de Xi Jingping para se manter no poder desde 2013. Dois de seus
méritos à frente do governo chinês foram o de ter tirado 60 milhões de
pessoas da pobreza e o esforço para combater a corrupção. Politicamente,
porém, adota um tom conservador em seu discurso e não permite
divergências no partido comunista, do qual também é presidente. “Cada um
de nós precisa fazer o possível para defender a autoridade do partido e
o sistema socialista chinês e se opor de forma resoluta a toda palavra
ou ação que vise solapá-lo”, afirmou durante sua fala na semana passada.
Jinping não permite que lhe façam sombra. E assim deve se consolidar no
poder até 2022, conduzindo a potência chinesa à liderança do mundo.