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O meu blog é HOLÍSTICO, ou seja, está aberto a todo tipo de publicação (desde que seja interessante, útil para os leitores). Além disso, trata de divulgar meu trabalho como economista, escritor e compositor. Assim, tem postagens sobre saúde, religião, psicologia, ecologia, astronomia, filosofia, política, sexualidade, economia, música (tanto minhas composições quanto um player que toca músicas de primeira qualidade), comportamento, educação, nutrição, esportes: bom p/ redação Enem

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Os melhores livros do século XXI

Um júri de 84 especialistas escolheu os títulos mais relevantes das duas primeiras décadas do milênio 

Javier Rodríguez Marcos
 
01 Dec 2019
SETANTA
"Fazer listas", escreve Alberto Manguel em seu O Diário de Leituras, "dá origem a certa arbitrariedade mágica, como se a simples associação pudesse criar sentido". Pois bem, que sentido se pode encontrar em uma lista que tenta fazer um balanço das duas primeiras décadas do século XXI? Vamos começar pelo princípio. Naquela terça-feira de 11 de setembro de 2001 dois aviões de passageiros sequestrados por terroristas suicidas derrubaram as Torres Gêmeas de Nova York, mataram quase 3.000 pessoas e mudaram o mundo para sempre. De passagem, mandaram para o quarto de despejo a hipótese hegeliana do fim da história reciclada por Francis Fukuyama depois da queda do muro de Berlim e resolveram a discussão sobre se o século XXI começava no ano de 2000 ou em 2001. A guerra das galáxias ficou no choque de civilizações. O computador passou no teste de efeito 2000, mas seu usuário –a nova grande palavra– entrou na era do medo, da insegurança, da precariedade, da intimidade (pública) e da realidade (virtual).
O futuro tinha chegado tão cedo em forma de estilhaços que os cinemas ficaram repletos de remakes; as livrarias, de cânones, coletâneas e resumos e listas do melhor melhor e dos mais mais (que se deveria ver, ler e escutar... antes de morrer). Também de escritos com um fundo de história universal e livros de não-ficção ou autoficção que dão tanto valor ao enredo como a seu making-of. Incapaz de imitar uma realidade presente que parecia de romance, a literatura se voltou para o passado, a memória (histórica apenas), a investigação jornalística, em primeira pessoa e na própria literatura, que se tornou metatudo.
Daí o triunfo absoluto de 2666, um livro total composto por cinco partes e publicado no segundo semestre de 2004, no ano seguinte à morte de seu autor. Desde Borges –meticulosamente retratado por Adolfo Bioy Casares em um diário já inevitável -, nenhum escritor influenciou tanto as novas gerações como Roberto Bolaño. O fato de seus livros começarem a ser publicados na Espanha pela Anagrama e atualmente pela Alfaguara –as duas editoras espanholas mais presentes na lista da Babelia– é outro sintoma do peso de alguns selos na criação do gosto contemporâneo.
O escritor chileno Roberto Bolaño, em 1997.
O escritor chileno Roberto Bolaño, em 1997.MANOLO S. URBANO
Talvez por uma mera questão geracional, a literatura canônica das duas primeiras décadas do século XXI se ocupou de cutucar as feridas do século XX. As guerras mundiais, a guerra civil espanhola, o período pós-guerra, a descolonização, as migrações, o apartheid, as ditaduras latino-americanas, a queda do império soviético, os feminicídios em Ciudad Juárez ou as turbulências no Oriente Médio podem ser rastreados na obra do próprio Bolaño e de Ian McEwan, WG Sebald, Javier Marías, Javier Cercas, Tony Judt, Mario Vargas Llosa, J.M. Coetzee, Zadie Smith, Svetlana Aleksiévich, Emmanuel Carrère, Marjane Satrapi e Edmund de Waal.
Se esses autores começam a ser canônicos, não é apenas por causa dos tópicos que abordam, mas também pela maneira como o fazem: misturando realidade e ficção, narração e reflexão, dinamizando os gêneros tradicionais ou deixando que sua intimidade sem filtros discutia com a história. Universal. Esse eu com vontade de nós é o que produziu, além do mais, títulos como os de Joan Didion, Lucia Berlin, Anne Carson e Raúl Zurita –que deu à sua obra magna o próprio sobrenome–, e sobretudo os seis volumes de Karl Ove Knausgård.
A grande história e a intimidade bruta também estão presentes em títulos de sucesso do século XXI, como O Código Da Vinci, O Menino do Pijama Listrado ou Cinquenta Tons de Cinza. Por que não estão nesta lista? Talvez porque não se encaixem na definição que o crítico Northrop Frye cunhou para "grande literatura": aquela que é "dona de uma visão sempre mais vasta do que a de seus melhores leitores". O poeta Wystan Hugh Auden fez a seguinte ponderação: “Existem livros que foram injustamente esquecidos; ninguém é lembrado injustamente”.
A crise econômica de 2008 acrescentou a indignação à insegurança e deu razão a um romance premonitório publicado na Espanha um ano antes: Crematorio, de Rafael Chirbes. Por tabela, empoderou –o verbo do século– um gênero e uma geração. O feminismo e o ambientalismo são, por ora, a resposta mais contundente a uma tendência insustentável que está a caminho de transformar em realismo puro um romance de, digamos, ficção científica como A Estrada, de Cormac McCarthy. Protagonizado por dois homens sozinhos –pai e filho– que vagam por um planeta devastado, a distopia do autor norte-americano inclui em suas páginas algo que se assemelha a uma definição da literatura de hoje: “Deus não existe e nós somos os seus profetas”.

1. '2666', Roberto Bolaño

“2666 é o melhor de uma produção literária prematuramente interrompida", escreveu Ana María Moix em Babelia em 2004, "Amalfitano, um dos protagonistas da segunda das cinco partes ou romances que compõem 2666, obra póstuma de Roberto Bolaño (1953- 2003), originalmente publicada na Espanha pela Anagrama e atualmente disponível na Alfaguara, rememora do México uma conversa mantida anos antes em Barcelona com um jovem farmacêutico que passava suas noites de serviço lendo. O jovem gostava de ler romances curtos como A Metamorfose de Kafka. Bartleby, o Escrevente, de Melville; Um Coração Simples, de Flaubert, ou Um Conto de Natal, de Dickens, títulos que escolhia, em vez de O Processo, Moby Dick, Bouvard e Pécuchet ou As Aventuras do sr. Pickwick, longos romances dos autores citados. "Que triste paradoxo, pensou Amalfitano", escreve Bolaño. "Nem mesmo os farmacêuticos esclarecidos se atrevem mais às grandes obras imperfeitas e torrenciais que abrem caminhos no desconhecido. Escolhem os exercícios perfeitos dos grandes mestres (...) '. E, de fato, isso é 2666: uma grande obra torrencial, que abre caminhos no desconhecido." Moix ressalta que as cinco partes dessa grande obra podem ser lidas separadamente, mas se perderia a grandeza que elas alcançam juntas. Editora: Companhia das Letras

10. 'O ano do pensamento mágico', Joan Didion

“A obra de não ficção de Joan Didion (1934) exemplifica bem o gênero conhecido como ensaio pessoal, uma forma de escrita cujo objetivo é submeter as circunstâncias históricas ou sociológicas a um exame de uma perspectiva radicalmente subjetiva", escreveu Eduardo Lago em 2005 nestas páginas. Este livro de luto é, nas palavras do escritor, "o mais pessoal, pela temática íntima e dolorosa": a morte de seu marido. Editora Nova Fronteira.

2. 'Austerlitz', W. G. Sebald

O romance do alemão W. G. Sebald (1944-2001) narra a odisseia vital de um homem sem história chamado Jacques Austerlitz em busca desse tecido perdido no tempo que são os seus pais. O protagonista caminha sobre os restos de uma devastação insuportável após duas guerras. “Austerlitz é uma representação formidável do destino do homem moderno levado a um extremo: o do desenraizamento extremo; e da capacidade de sobrevivência do ser humano”, escreveu nestas páginas José María Guelbenzu em 2002. Editora Companhia das Letras

3. 'La belleza del marido', Anne Carson

Anne Carson (1950) abordou em The Beauty of the Husband o conflito desencadeado por sua separação. “Há neste poemário”, escreveu o crítico Ángel Rupérez em 2003, “uma tensão entre a idealização inicial do marido (…) e o colapso desse ídolo que consegue exceder em muito o anedotário mais estritamente autobiográfico e confessional, constantemente transformado em matéria poética contaminada por uma respiração lírica contínua e subterrânea –não explícita– feita de elegia contida e crença incondicional na beleza”.

4. 'A Festa do Bode', Mario Vargas Llosa

A Festa do Bode é uma história sobre o ditador dominicano Rafael Leónidas Trujillo Molina e, ao mesmo tempo, um impressionante retrato da corrupção destrutiva das ditaduras. Em sua crítica de 2000, o argentino Tomás Eloy Martínez definiu o livro do Prêmio Nobel Mario Vargas Llosa (Arequipa, 1936) como "um retrato implacável do poder absoluto em um romance que se lê do começo ao fim sem pausa para respirar". Editora Alfaguara.

5. 'Reparação', Ian McEwan

Com rigor e um talento infinito, o britânico Ian McEwan (Aldershot, 1948) vem construindo uma obra tão variada como imprevisível. Reparação é um de seus romances mais célebres, muito antes de ser levado ao cinema. Em sua crítica, Andrés Ibáñez descreveu o romance em 2002 como "uma história de ambição e um alcance pouco frequentes". "É, acima de tudo", prosseguiu, "um triunfo da imaginação criativa, uma obra que justifica em si a existência da arte do romance". Editora Companhia das Letras.

6. 'Limónov', Emmanuel Carrère

Emmanuel Carrère (Paris, 1957) construiu seu próprio gênero, no qual mistura autobiografia com o retrato de personagens insólitos. Foi assim que o autor definiu seu protagonista em 2013: “Ele era um pilantra na Ucrânia, um ídolo do underground soviético, um mendigo e depois um mordomo de um milionário em Manhattan; escritor em Paris, soldado nos Bálcãs e, agora, no imenso bordel do pós-comunismo na Rússia, velho chefe carismático de um partido de jovens desesperados. Ele se vê como um herói, mas também pode ser considerado um descarado: não me atrevo a julgá-lo”. Editora Alfaguara.

7. 'Seu Rosto Amanhã', Javier Marías

Javier Marías encerrou sua trilogia Seu Rosto Amanhã em 2007 com Veneno e Sombra e Adeus (Volume 3), em que reflete sobre o egoísmo, a verdade e a culpa. José-Carlos Mainer qualificou a obra como exemplo do gênero de autoficção: “Marías alcançou a construção mais sustentada, complexa e importante que essa vontade (de estilo e gênero) produziu nas novas letras espanholas”. Mainer descreve a obsessão pela "natureza da verdade" e acredita que "o ponto de partida da existência é o egoísmo". Editora Companhia das Letras.

8. 'Borges', Adolfo Bioy Casares

“Das 20.000 páginas de cadernos íntimos que Bioy (1914-1999) escreveu ao longo de sua vida, seu relacionamento com Borges ocupa 1.700", explicou Javier Rodríguez Marcos em um texto de 2006. São as que ele preparou para este volume antes de morrer: “Embora o livro se estenda entre 1931 e 1989, Bioy resume os primeiros 15 anos em uma dezena de páginas. Claro, brilhantes. Os diários borgianos de Bioy estão cheios de literatura”. Borges disse que a relação entre eles era de uma profunda amizade "sem intimidade", cuja pedra angular eram os livros.

9. 'Verão', J. M. Coetzee

Verão, a terceira parte das memórias do sul-africano J.M. Coetzee (1940), "revela uma audácia literária que embora consequente com a última parte de sua obra não deixa de ser um desafio original", escreveu José María Guelbenzu em 2010. Neste livro, cinco entrevistados criam com seu testemunho um Coetzee pessoal e íntimo, em um documento que expressa a vivacidade do espírito do escritor e seu compromisso irredutível com a verdade literária. Editora Companhia das Letras.

11. 'Minha Luta', Karl Ove Knausgård

O norueguês Karl Ove Knausgård (1968) narra sua vida em seis volumes, sob o título de Minha Luta, como autobiografia de Hitler. "Um despejar documental que precisa existir para que surja, de vez em quando, um prodígio que por si só pareceria puramente retórico, mas que, nascido do esmagador acúmulo de detalhes, se torna uma epifania", opinou Alberto Manguel em 2014. Editora Companhia das Letras.

20. 'Persépolis', Marjane Satrapi

Em Persépolis, a única história em quadrinhos da lista, a autora iraniana fala da revolução islâmica de 1979 vista por uma menina, que Marjane Satrapi era então, aos 10 anos, quando teve que passar a usar um lenço pela primeira vez para ir à escola. "Eu tinha um dever para com o meu país", disse ela a Jaume Vidal em uma entrevista em 2002. Uma história em quadrinhos em preto e branco porque, de acordo com Satrapi, "o vermelho do sangue poderia ser muito dramático". Editora Companhia das Letras.

12. 'A Estrada', Cormac McCarthy

Um pai e seu filho, sobreviventes de uma catástrofe nuclear, caminham em direção a um sul que, apenas talvez, seja sua salvação. "Unidos pelo amor e pelo medo, são a expressão de uma solidão intolerável", escreveu J. M. Guelbenzu em sua crítica a este romance de Cormac McCarthy (1933). Editora Alfaguara.

13. 'Crematório', Rafael Chirbes

Rafael Chirbes (1949-2015) narrou neste romance a corrupção urbanística na Espanha. “Com uma escrita de precisão clínica em que, às vezes, perpassa um lirismo medido, o escritor não cede ao esquecimento da grande e pequena história de nosso país. Como se Galdós vigiasse”, escreveu J. E. Ayala-Dip sobre o autor e sua obra.

14. 'Dentes brancos', Zadie Smith

“O traço mais característico da escrita de Zadie Smith (1975) é sua propensão à sátira. No entanto, Dentes Brancos não é um romance engraçado”, escreveu Francisco Solano em 2001.“ Retrata o espaço multirracial habitado por filhos de imigrantes, cuja assimilação à metrópole, junto com o confronto com os pais, os leva a serem vítimas de uma miscelânea ideológica e religiosa que produz claros efeitos de atordoamento”. Editora Companhia das Letras.

15. 'Manual da Faxineira: Contos Escolhidos', Lucia Berlin

A norte-americana Lucia Berlin (1936-2004) começou a publicar (não a escrever) muito tarde e somente no final do século passado passou a ser reconhecida como uma narradora excepcional. Manual Da Faxineira: Contos Escolhidos é uma antologia de histórias baseada na vida itinerante da autora, alcoólatra, que trabalhou em todos os tipos de empregos para manter seus filhos. "Tudo o que ela relata tem cheiro de verdade", afirmou José María Guelbenzu em 2016. Editora Companhia das Letras.

16. 'Zurita', Raúl Zurita

“A primeira impressão produzida por Raúl Zurita (Santiago, 1950) é a de um poeta perdido no mundo do mistério e da espiritualidade", escreveu o cronista Patricio Fernández em 2012. "Ele não lê, canta, se lamenta e reza." E esse poeta publicou naquele ano sua particular autobiografia, um poema de 800 páginas em que se expõe cruamente como jamais antes.

17. 'Pós-Guerra - Uma História da Europa desde 1945', Tony Judt

O historiador britânico (1948-2010) conseguiu com este livro uma façanha, misturando as máquinas de lavar roupa, os Beatles e Margaret Thatcher. Ou seja, a vida cotidiana, a cultura e a política. "A nova Europa constitui um sucesso notável, vitalmente ligado a um passado terrível", escreveu Santos Juliá em sua resenha. "Para que os europeus sempre conservem esse vínculo vital é preciso ensiná-lo de novo a cada geração." Editora Objetiva.

18. 'Soldados de Salamina', Javier Cercas

Em sua crítica de Soldados de Salamina, em 2001, J. Ernesto Ayala-Dip falou da mistura entre “o relato real” que se aborda no livro de Cercas e “a obra de ficção” que realmente é. A história do fracassado fuzilamento de Rafael Sánchez Mazas, escritor e fundador da Falange, se desenvolve com "essa prosa que desliza com a naturalidade que a maturidade dá", acrescentou Ayala-Dip sobre esse romance. Editora Biblioteca Azul.

19. 'O Fim do Homem Soviético', Svetlana Aleksiévich

Quando Svetlana Aleksiévich (Ucrânia, 1948) recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, muitos leitores descobriram a força de uma obra, a meio caminho entre o jornalismo e a história. O Fim do Homem Soviético oferece as vozes daqueles que viveram o fim do comunismo. "Sua obra também é uma revanche do jornalismo", escreveu Lluís Bassets sobre o livro, “que busca as fontes mais modestas e as experiências mais simples para explicar o que foi silenciado durante as sete décadas soviéticas". Editora Companhia das Letras.

21. 'A Lebre com Olhos de Âmbar', Edmund de Waal

Por meio da história de 264 miniaturas japonesas chamadas netsukes –entre elas, a lebre que dá título ao livro–, Edmund de Waal (Nottingham, 1964) constrói a história de sua família, embora ele vá muito além em um retrato da história recente da Europa e de suas profundas feridas e ausências. Editora Intrínseca.

Do 22 ao 50

22. O Grande, Juan José Saer
23. Não me Abandones Jamais, Kazuo Ishiguro
24. Anatomia de um Instante, Javier Cercas
25. Felicidade Demais, Alice Munro
26. Tábula Rasa, Steven Pinker
27. Os Anos, Annie Ernaux
28. Hurricane Season, Fernanda Melchor
29. Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, Yuval Noah Harari
30. Kafka à Beira-Mar, Haruki Murakami
31. El Nervio Óptico, María Gainza
32. Anos de Formação: Os Diários de Emilio Renzi, Ricardo Piglia
33. O Romance Luminoso, Mario Levrero
34. Na Presença da Ausência, Mahmud Darwish
35. Incêndios, Wajdi Mouawad
36. Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar, Daniel Kahneman
37. As Correções, Jonathan Franzen
38. O Adversário, Emmanuel Carrère
39. A Marca Humana, Philip Roth
40. Canadá, Richard Ford
41. Elizabeth Costello, J. M. Coetzee
42. Terror e Utopia, Karl Schlögel
43. Lectura Fácil, Cristina Morales
44. Las Poetas Visitan a Andrea del Sarto, Juana Bignozzi
45. Ordesa, Manuel Vilas
46. Distância de Resgate, Samanta Schweblin
47. La Noche de los Tiempos, Antonio Muñoz Molina
48. Teoria King Kong, Virginie Despentes
49. The Blazing World, Siri Husvedt
50. Os Testamentos, Margaret Atwood

Do 51 ao 100 (por ordem alfabética do sobrenome do escritor)

51. Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie
52. Diccionario de autores latinoamericanos, César Aira
53. Experience, Martin Amis
54. Pátria, Fernando Aramburu
55. A Worldly Country: New Poems, John Ashbery
56. Fun Home, Alison Bechdel
57. Gênio: os 100 autores mais criativos da história da literatura, Harold Bloom
58. Vida precária, Judith Butler
59. El día del Watusi, Francisco Casavella
60. Reveries of the Wild Woman: Primal Scenes, Hélène Cixous
61. Homem lento, J. M. Coetzee
62. A contraluz, Rachel Cusk
63. A fantástica vida breve de Óscar Wao, Junot Díaz
64. Jamais o fogo nunca, Diamela Eltit
65. El olvido que seremos, Héctor Abad Faciolince
66. Un ángulo me basta, Juan Antonio González Iglesias
67. The Swerve, Stephen Greenblatt
68. O tecido do cosmo, Brian Greene
69. Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã, Yuval Noah Harari
70. Trabajos del reino, Yuri Herrera
71. Submissão, Michel Houellebecq
72. A possibilidade de uma ilha, Michel Houellebecq
73. A Doutrina Do Choque, Naomi Klein
74. La casa de la fuerza, Angélica Liddell
75. Berta Isla, Javier Marías
76. Asterios Polyp, David Mazzucchelli
77. Necropolítica, Achille Mbembe
78. C, Tom McCarthy
79. Aqui, Richard McGuire
80. Tudo o que Eu Tenho Trago Comigo, Herta Müller
81. A Fugitiva, Alice Munro
82. Suite francesa, Irène Némirovsky
83. Faithless: Tales of Transgression, Joyce Carol Oates
84. Stag's Leap: Poems, Sharon Olds
85. O Capital no Século XXI, Thomas Piketty
86. Un apartamento en Urano, Paul B. Preciado
87. Diccionario sánscrito-español. Mitología, filosofía y yoga, Òscar Pujol
88. Retaguardia roja, Fernando del Rey
89. Complô contra a América, Philip Roth
90. Harry Potter e o enigma do Príncipe, J. K. Rowling
91. A última noite, James Salter
92. Clavícula, Marta Sanz
93. O Artífice, Richard Sennett
94. La estupidez, Rafael Spregelburd
95. A poesia do pensamento, George Steiner
96. O Preço da Desigualdade, Joseph Stiglitz
97. Os Vagantes, Olga Tokarczuk
98. Rien ne s'oppose à la nuit, Delphine de Vigan
99. Consider the Lobster, David Foster Wallace
100. Building Stories, Chris Ware
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segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Espanha, modelo de políticas pró-crescimento, se rebela

Finanças

Bloomberg Jeannette Neumann,Bloomberg sex, 29 de nov 2019
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(Bloomberg) -- A imagem da Espanha como garota-propaganda da Europa de políticas econômicas de estímulo ao crescimento começa a se desgastar.
As reformas trabalhistas aprovadas há sete anos ainda são citadas com admiração por autoridades de Frankfurt e Bruxelas como exemplo a ser seguido por outros países. Mas a paralisia política na quarta maior economia da zona do euro ameaça deteriorar ainda mais um dos mercados de trabalho mais disfuncionais da região.
No início do mês, os espanhóis elegeram um parlamento ainda mais dividido que o anterior, minando as esperanças de que os parlamentares pudessem aproveitar meia década de crescimento robusto com a injeção de mais adrenalina da economia. Enquanto a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, anseia por um novo “mix de políticas” para a região com o objetivo de impulsionar a expansão, a Espanha corre o risco de se tornar sua primeira decepção.
“Muitas das reformas que precisam ser implementadas - reformas do mercado de trabalho, pensões e educação - dependem muito do ciclo político”, disse María Jesús Fernández Sánchez, economista do think tank espanhol Funcas. “Elas não serão implementadas da maneira que precisam. Na verdade, há um risco real de que algumas das reformas anteriores sejam desfeitas. ”
As últimas grandes mudanças estruturais da Espanha ocorreram em 2012, após a dupla recessão do país. Uma das medidas permitiu reduzir os custos trabalhistas das demissões, e outra deu às empresas mais controle sobre as negociações salariais.
A saudável expansão econômica que se seguiu provocou aplausos de formuladores de políticas. Em fevereiro, a Comissão Europeia atribuiu o crescimento mais equilibrado a essas reformas. O ex-presidente do BCE, Mario Draghi, e colegas também elogiaram a Espanha, e o economista-chefe da instituição Philip Lane fez o mesmo na semana passada.
‘Missão inacabada’
“Veja a Espanha, por exemplo, que vem crescendo muito, muito bem”, disse Labe ao jornal italiano “La” Repubblica. “Há um forte consenso de que algumas das políticas adotadas em termos de reformar, por exemplo, o mercado de trabalho, ajudaram.”
A Espanha também pode tipificar o que Lagarde identificou em seu depoimento em setembro ao Parlamento Europeu como um exemplo de “missão inacabada” em políticas estruturais.
“Não há reformas há sete anos”, disse Toni Roldan, ex-parlamentar do partido de centro Ciudadanos, agora diretor do Centro de Política Econômica e Economia Política da Universidade ESADE. “É uma grande oportunidade perdida.”
Esse cenário é parcialmente resultado da fragmentação política. Três novos partidos criaram um Parlamento cada vez mais fraturado, dificultando as tentativas de apostar nas reformas.
A paralisia corre o risco de não curar os males de um sistema educacional ineficaz e de uma taxa de desemprego de 14%, a segunda maior da região depois da Grécia. Apesar da mão de obra ociosa, as empresas espanholas se queixam com frequência de que não conseguem encontrar trabalhadores qualificados.
Postado por Joselino Ferreira Gomes às 17:03:00 Nenhum comentário:
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A saída para uma economia global endividada? Mais dívida

Finanças

Bloomberg Enda Curran,Bloomberg 
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(Bloomberg) -- Empresas zumbis na China. Estudantes endividados nos Estados Unidos. Hipotecas altíssimas na Austrália. Outra ameaça de default na Argentina.
Uma década de crédito fácil injetou um recorde de US$ 250 trilhões em dívidas contraídas por governos, empresas e consumidores. O volume é quase o triplo do PIB global e equivale a cerca de US$ 32,5 mil para cada indivíduo no planeta.
Grande parte desse legado decorre das iniciativas de governos de usar empréstimos para manter a economia global funcionando após a crise financeira. Taxas de juros mais baixas nos últimos anos facilitaram o pagamento de empréstimos e permitiram que a pilha de dívidas continuasse crescendo.
Agora, com um crescimento mais lento da economia desde a crise, governos avaliam um conjunto de opções para aquecer a atividade econômica que compartilham um denominador comum: ainda mais dívida. De novos acordos ecológicos à Teoria Monetária Moderna, os defensores de investimentos financiados por dívidas argumentam que os bancos centrais estão esgotados e que gastos fiscais em larga escala são necessários para resgatar empresas e consumidores.
Por outro lado, os que defendem maior rigor fiscal argumentam que tais propostas apenas plantarão as sementes para mais problemas. Mas as discussões agora apontam para quanta dívida uma economia pode suportar.
Presidentes de bancos centrais e formuladores de políticas, como a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, e o Fundo Monetário Internacional, pedem aos governos que façam mais, argumentando que é um bom momento para pedir empréstimos para projetos que colherão dividendos econômicos.
“O conhecimento convencional anterior sobre os limites de velocidade de economias avançadas em termos da relação dívida/PIB pode estar mudando”, disse Mark Sobel, ex-funcionário do Tesouro dos EUA e do Fundo Monetário Internacional. “Dadas as taxas de juros mais baixas e a demanda reprimida do mercado por ativos seguros, as maiores economias avançadas podem ser capazes de sustentar maiores cargas de dívida.”
A crescente expectativa de medidas de estímulo fiscal em todo o mundo contribuiu para uma recuperação no rendimento dos títulos de dívida, estimulada por sinais de que a desaceleração econômica mundial atingiu seu limite. Os rendimentos das notas de 10 anos do Tesouro dos EUA ficaram acima de 1,80% novamente na segunda-feira, enquanto os títulos japoneses chegaram mais perto de zero.
Uma restrição para os governos, no entanto, é o legado dos gastos passados, já que bolsões de estresse de crédito estão espalhados pelo mundo.
Postado por Joselino Ferreira Gomes às 16:46:00 Nenhum comentário:
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Política de drogas holandesa: Os efeitos colaterais da liberalidade

Coluna Contra a Corrente

O crime organizado permeia tudo, quando se deixam espaços para ele. A Holanda se tornou um dos maiores exportadores de drogas sintéticas devido à atitude tolerante em relação a entorpecentes, afirma Anabel Hernández.
Letreiros coloridos e mesas de bilhar no interior escuro de um coffee shop Coffee shops vendem drogas mas não têm permissão para comprar
A Holanda é um dos principais produtores mundiais de drogas sintéticas, afirma Pieter Tops, cientista social da Universidade de Tilburg e professor da Academia de Polícia nacional. Tops pesquisa o crime organizado em seu país e investiga como ele vem ganhando aceitação em certos setores da sociedade – um fenômeno similar ao do México. Isso é, segundo ele, consequência da famosa tolerância holandesa a drogas leves, praticada desde o final da década de 1970.
Segundo sua tese, trata-se de uma consequência da política pública do consumo de drogas instaurada na Holanda, na época. "Acreditávamos que estávamos dando um exemplo ao mundo [...], estivemos muito satisfeitos com ela por muito tempo, agora não mais", explica Tops em sua provocadora conferência "Tráfico de drogas. O exemplo holandês. A legalização funciona?", à qual assisti em novembro, em Barcelona.
Algo para que eu alertava há cinco anos, numa conferência em Amsterdã, se tornou uma terrível realidade de que pouco se fala, mas com que é possível se aprender muito: a máfia da droga pode permear tudo, se se abrem os espaços para ela.
Os conhecimentos e experiências compartilhados por Tops, baseando-se em informações de autoridades da Holanda, fazem pensar que o crime organizado não é um problema que só ocorre nos países em desenvolvimento, como o México, ou em nações em forte crise econômica, como a Espanha, mas também em países com um sistema político e econômico sólido, onde há garantias sociais e de Justiça.
A Holanda descriminalizou o uso de drogas. E em sua política de saúde pública, os viciados não são vistos como criminosos, e sim como pacientes. As chamadas "drogas brandas", derivadas da maconha, são semilegalizadas.
"Organizamos a venda legalizada nos famosos coffee shops, que, de um ou outro modo, se converteram em atrações turísticas. Em Amsterdã, há cerca de 160 lugares onde se pode comprar maconha, o que é muito." Tops explica que a legalização do consumo na Holanda, sofre de um vício de origem, com consequências graves ao longo dos quase 30 anos em que está em vigor.
"A realidade é que permitimos que as pessoas comprem legalmente drogas brandas nos coffee shops mas, por outro lado, os proprietários desses estabelecimentos não podem comprar essas drogas brandas. É uma situação muito estranha, mas de alguma forma conseguimos viver assim por mais de 30 anos. Agora há uma grande discussão sobre isso no meu país, as pessoas acham que o sistema fracassou."
Tops destaca que atualmente a Holanda produz e distribui diversos tipos de drogas: maconha, drogas sintéticas, ecstasy e metanfetaminas, cocaína e heroína: "Temos um alto nível de produção e distribuição." Segundo um estudo, a produção de drogas sintéticas na Holanda gera 19 bilhões de euros por ano, e grande parte é exportada principalmente para os Estados Unidos e a Austrália.
Anabel Hernández Anabel Hernández é vencedora do Prêmio Liberdade de Expressão da DW
De acordo com informações da imprensa, as autoridades da Holanda acreditam que cartéis mexicanos dão assessoria a seus colegas da Holanda sobre a produção e o tráfico de metanfetaminas. E podem ser responsáveis por distribuir essas substâncias no mercado americano.
O traficante mexicano José Rodrigo Aréchiga conhecido como "El Chino Ántrax" foi detido em 2013 no aeroporto de Schiphol em Amsterdã. E ainda que fosse líder de um grupo de matadores do Cartel de Sinaloa, de acordo com documentos confidenciais a que tive acesso, seu principal papel no cartel era de operador logístico.
"Um comprimido de ecstasy, produzido na Holanda por cerca de 0,20 euro, pode ser vendido nas ruas da Austrália, por exemplo em Sidney, por 18 euros", explica o especialista holandês Tops. Acredita-se que dos 19 bilhões de euros em faturamento, os criminosos holandeses podem tirar pelo menos 900 milhões de euros de lucro.
O especialista cita três razões pelas quais a Holanda, "este pequeno, decente e próspero país", se tornou um centro de operações dos barões da droga. A primeira é que tudo o que torna a Holanda atraente para o comércio legal o torna também para a economia ilegal.
"É uma economia muito aberta ao comércio internacional, somos a porta de entrada para o norte da Europa e temos excelente infraestrutura: portos, aeroportos, sistemas de comércio, o transporte da Holanda a outros países [da Europa] é muito fácil", enumera Tops.
"É muito caro fazer controles mais rigorosos do tráfego de mercadorias, e isso retardaria o movimento do comércio, o que prejudicaria a competitividade da Holanda em relação a outros países. Por isso preferimos ignorar os riscos. Não atacamos o problema por querer proteger nossa competitividade comercial."
A segunda razão, segundo o especialista holandês, é a atitude tolerante do governo e da sociedade em relação às drogas e seu uso. "Em consequência, não investimos numa força de ordem forte para combater a ilegalidade", e só há cinco anos o governo holandês começou a tomar medidas para enfrentar o problema.
Atualmente há poucas mortes por overdose na Holanda. Em 2016, elas foram 250, o que, "num país de 17 milhões de habitantes, é quase nada". Tops afirma, ainda, que não há corrupção em alto nível, nem os partidos políticos são influenciados por grupos criminosos.
Mas aí entra a terceira razão: "Acredito que o verdadeiro problema são as quantidades enormes de dinheiro envolvidas nesse negócio ilegal, e a atração que ele exerce, não só sobre os criminosos. As pessoas podem dizer: se você tem a oportunidade de ganhar tanto dinheiro, e a probabilidade de acabar atrás das grades é tão reduzida, e as penas tão baixas, então porque não tomar parte no negócio?", resume Tops.
A mensagem de Tops é clara: a impunidade do narcotráfico na Holanda e a aceitação social impulsionam a produção de metanfetaminas, o que afeta diretamente vizinhos como a Alemanha.
 --
A jornalista e escritora Anabel Hernández escreve há anos sobre cartéis de drogas e corrupção no México. Após ameaças de morte, teve que deixar o país, e vive na Europa desde então. Por seu trabalho, recebeu o Prêmio Liberdade de Expressão da DW em 2019, durante o Global Media Forum, em Bonn.
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Organizações que atuam na Amazônia relatam medo e intimidação


Brasil

Lideranças e ONGs denunciam casos de roubo e vigilância e alertam contra o aumento das invasões e da violência em terras indígenas. Grupos condenam prisões injustificadas e veem tentantiva de intimidação do governo.
Queimada na Amazônia
Alessandra Munduruku, uma das lideranças mais ativas de sua etnia, que habita as margens do rio Tapajós, convive há anos com ameaças. Mas o roubo que sofreu no último sábado (30/11) elevou a tensão: ladrões arrombaram a casa dela, em Santarém, no Pará, e levaram computador, pen drives, celular, cartões de memória e relatórios de atividades e pesquisas do povo munduruku.
Na última semana, eles denunciavam em Brasília o aumento das invasões de madeireiros e garimpeiros nas terras indígenas, que ainda aguardam demarcação.
"Estou preocupada com meus filhos. A gente sabe que corre risco porque faz denúncias e briga pelo nosso território e pelo rio", disse Alessandra Munduruku à DW Brasil por telefone.
Ela acredita que os grupos de invasores que foram denunciados estejam por trás do roubo. "Antigamente eles tinham medo da represália, da Polícia Federal, do Ibama. Agora eles não têm mais. A situação piorou. Eles estão atacando e querem nos eliminar", afirma Alessandra, que deve registrar o boletim de ocorrência nesta segunda-feira.
Recentemente, a Indigenistas Associados (INA), associação que reúne servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai), emitiu uma nota alertando para a gravidade de várias medidas legislativas e administrativas atualmente em elaboração ou implementação que visam atender interesses de grupos econômicos nacionais e internacionais sobre as terras indígenas.
A organização denuncia ainda o aumento das invasões de terras indígenas e da violência perpetrada por invasores que, segundo a INA, culminou nos assassinatos do cacique Emyra Wajãpi, em julho, do colaborador da Funai Maxciel Pereira dos Santos, em setembro, e do guardião indígena Paulo Paulino Guajajara, em novembro.
Entre diversas organizações não governamentais que defendem os direitos indígenas na Amazônia, o clima é de intimidação. Recentemente, uma delas recebeu telefonemas e uma visita surpresa de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que se disseram interessados em conhecer os projetos da ONG na região. A informação é da própria organização, que prefere não ter o nome divulgado.
Há relatos ainda de advertências sobre o uso de algumas palavras em relatórios de atividades. "Mobilização social", por exemplo, passou a ser um termo proibido dentro de algumas organizações que trabalham em projetos em parceria com o governo federal. O uso da expressão em relatórios seria reprovado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro, segundo afirmou um membro da equipe em condição de confidencialidade.
Investigação contra ONGs no Pará
Uma semana depois da ação de policiais na sede do Projeto Saúde e Alegria (PSA), Caetano Scannavino, diretor e irmão de um dos fundadores da organização, diz que a situação é a mesma: o grupo continua sem saber do que é acusado.
Em 26 de novembro, policiais armados levaram documentos, notas fiscais e computadores da sede da ONG em Santarém com um mandado policial. "Aquela foi a pior manhã da nossa história. Em 32 anos, nunca passamos por nada parecido", disse Scannavino à DW Brasil.
No mesmo dia, policiais prenderam quatro brigadistas voluntários de Alter do Chão, no Pará, acusados de terem provocado incêndios na Floresta Amazônica para se beneficiar com doações de dinheiro de ONGs. Um dos voluntários trabalhava no Projeto Saúde e Alegria, organização que já recebeu vários prêmios por sua atuação na Amazônia.
A operação policial foi duramente criticada por outras entidades e por órgãos como o Ministério Público Federal (MPF), por não apresentar provas contra os acusados.
Neste domingo, a ONG Repórter Brasil revelou o conteúdo de mensagens de áudio trocadas entre o prefeito de Santarém, Nélio Aguiar (DEM), e o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB). Nelas, Aguiar afirma que o incêndio em Alter do Chão foi causado por "gente tocando fogo para depois fazer loteamento, vender terreno", e que essas pessoas contam com o apoio de policiais.
"Eu me solidarizo muito com os meninos brigadistas", diz Scannavino sobre os voluntários acusados sem provas. "Menos mal que agora eles estão soltos, mas eles estão muito abalados. Existe toda uma pressão psicológica, uma humilhação pública. Eles tiveram a cabeça raspada, os passaportes estão apreendidos", lamenta. "Foi uma coisa que jamais acontece com um grileiro, ou um fazendeiro, quando é preso. Mesmo quando a pessoa é culpada com provas cabais."
"'Pirotecnia' para tirar o foco de problemas graves"
Após a devassa policial na sede do Projeto Saúde e Alegria, mais de 200 entidades assinaram uma nota em defesa da organização.
"Esperamos que essa ação não se trate de mais uma 'pirotecnia' para tirar o foco dos graves problemas de desmatamento, queimadas, grilagem de terras e perseguição aos povos tradicionais e agricultores familiares que estão ocorrendo na região oeste do Pará e em toda a Amazônia e, por outro lado, proteger os verdadeiros responsáveis por esse grave crime de degradação sociocultural e ambiental e assim envolver e criminalizar os movimentos sociais, organizações de trabalhadores agroextrativistas e ONGs que sempre estiveram ao lado das lutas populares", diz trecho da nota.
Sobre o caso em Alter do Chão, Scannavino pede que a sociedade "cobre uma apuração rigorosa dos fatos, com toda a transparência necessária".
"Num contexto de país polarizado, clamamos para que as autoridades tenham responsabilidade sobre suas falas acusatórias para que possam garantir a segurança de todos nós: dos voluntários, das equipes, dos familiares", alerta o membro do Projeto Saúde e Alegria.
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PEQUENOS NEGÓCIOS geram mais empregos do que grandes empresas

Enquanto micro e pequenas empresas geraram 73 mil postos em outubro, médias e grandes ficaram com saldo negativo de 2 mil postos, segundo levantamento do Sebrae com dados do Caged

Mateus Apud 
 
30 de novembro de 2019 
No lugar das contratações de profissionais no atacado nas grandes corporações, as micro e pequenas empresas fizeram um trabalho de formiguinha ágil e preciso no mercado de trabalho neste ano. As chamadas MPES foram as únicas responsáveis pela criação de vagas com carteira assinada no mês de outubro e as que mais contribuíram no ano para aplacar a alta taxa de desemprego no País, que chega a 11,6% e atinge 12,4 milhões de brasileiros.
LEIA TAMBÉM >Disponibilidade do funcionário e economia para a empresa são atrativos de home office
Segundo levantamento feito pelo Sebrae com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), as micro e pequenas empresas criaram 73.398 postos de trabalho com carteira assinada (CLT) em outubro, o melhor resultado dos últimos cinco anos. Enquanto isso, as médias e grandes corporações registraram saldo negativo de 2.119 empregos – mais demitiram do que contrataram. O mesmo aconteceu na administração pública, que dispensou 427 trabalhadores.
Os dados gerais do Caged, divulgados na semana passada, mostravam justamente que o País teve um saldo final de 70,8 mil empregos com carteira assinada em outubro, o melhor resultado para o mês desde 2017.
Ao longo do ano, as micro e pequenas empresas abriram 752,4 mil vagas em todo o Brasil, 10 vezes o saldo de empregos registrado pelas médias e grandes corporações. Segundo o presidente do Sebrae, Carlos Melles, a proximidade com o Natal também ajudou a aquecer as contratações, principalmente no comércio e nos serviços.
No mês de outubro, os micro e pequenos negócios do comércio lideraram a geração de empregos, sendo responsáveis por 32,5 mil novas vagas. Esse é o setor em que as médias e grandes empresas vão melhor também, tendo gerado 11,4 mil vagas.
Kelson Santos, que foi contratado neste ano pela HotBass Som e Acessórios, pequena empresa de São Paulo. Foto: Werther Santana/Estadão
Já no setor de serviços, enquanto as pequenas criaram 22,8 mil ocupações, as médias e grandes corporações tiveram uma baixa de 3,6 mil vagas.
Os pequenos negócios da construção civil e da indústria de transformação também se destacaram contratando, respectivamente, 10,9 mil e 10,5 mil empregados. E o pior setor para os médios e grandes empreendimentos foi a agropecuária, com 4,1 mil demissões.

Carreira na pequena empresa

De acordo com dados do setor de estratégia da Catho, site de classificados de empregos, entre 2017 e 2018 as micro e pequenas empresas foram responsáveis por um aumento de 12% em anúncios de vagas na plataforma, enquanto grandes empresas registraram crescimento de 6% no mesmo período.
Segundo a diretora de Operações B2B e B2C da empresa, Regina Botter, o profissional que queira seguir carreira em uma pequena empresa vai encontrar um ambiente de trabalho diferente do da grande corporação.
“De modo geral, uma pequena empresa tende a ser mais informal e possuir menos níveis hierárquicos. O profissional que desejar se inserir nesse modelo de empresa irá encontrar funções mais fragmentadas, exigindo que esse tenha versatilidade em exercer diversos tipos de atividades e conhecimentos em outras áreas”, diz ela.
A diretora destaca que é importante o profissional ter claro seu próprio plano de carreira, pois as oportunidades de crescimento são diferentes dependendo do porte da empresa. “De modo geral, a tendência é que em determinado momento ele procure uma empresa de grande porte. Porém, se o auge de sua carreira for alcançar um patamar de grande expertise, isso não se apoiará necessariamente no porte de empresa, reforçando mais uma vez a necessidade desse profissional ter em mente como quer construir sua carreira.”
Em relação à preparação que o funcionário deve ter para atuar em uma MPE, ela conta que as qualificações devem ser as mesmas, visto que o profissional será cobrado da mesma forma em relação ao cargo, independentemente do tamanho da empresa. “A preparação está muito mais ligada à área de atuação e à senioridade da função do que ao porte da empresa, seja ela pequena, média ou grande.”
O proprietário da HotBass Som e Acessórios Automotivos, Fernando Caminsk Júnior, concorda. Em sua empresa, que funciona com dois funcionários na zona leste de São Paulo, a baixa oferta de profissionais experts no tipo de serviço que ele presta determina o vaivém de funcionários. “Todo dia eu entro em sites e aplicativos para procurar candidatos.”
De acordo com o empreendedor, o aquecimento desse mercado de serviços é notado em outras lojas de instalação de som e acessórios automotivos. “No nosso grupo do Whatsapp ou Facebook, chove gente querendo contratar, porque todo mundo na área precisa.”
* Estagiário sob a supervisão do editor de Economia, Alexandre Calais
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O fim da OMC como a conhecemos

Efeito do bloqueio de Trump à nomeação de juízes para o órgão de apelação da organização será difícil de reverter

O Estado de S.Paulo
01 de dezembro de 2019 | 
“O inverno está chegando”, alertou o representante norueguês em 22 de novembro durante reunião da Organização Mundial do Comercio (OMC). O sistema de comércio multilateral que a organização supervisiona desde 1995 está prestes a congelar. No dia 19 deste mês, dois juízes do seu órgão de apelação, que analisa os recursos em disputas comerciais e determina sanções contra os contraventores, devem se aposentar, e um bloqueio americano a novas nomeações indica que eles não serão substituídos. Apenas um juiz ficará na função. E não terá mais possibilidade de analisar novos casos.
LEIA TAMBÉM >G-20 assume compromisso de reformar OMC
A OMC é base de sustentação de 96% do comércio global. Segundo uma estimativa recente, a afiliação dos países à organização, ou seu predecessor, o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (Gatt, na sigla em inglês), impulsionou o comércio entre seus membros em 171%. Quando iPhones mudam da China para os Estados Unidos ou as garrafas de uísque da União Europeia vão para a Índia, é a OMC que decide se as tarifas e barreiras não tarifárias têm de permanecer baixas e dá às empresas a segurança que necessitam para planejar e investir.
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Reclamação. Trump diz que disputas se arrastam por muito tempo Foto: Tom Brenner/Reuters
A ideia é que o sistema se imponha automaticamente. Muitos países cumprem as regras da OMC. Mas se um deles entende que um outro as transgrediu, lançará uma discussão comercial individual que poderá se transformar numa disputa formal na organização. Se a decisão da OMC desagradar a uma das partes, esta pode recorrer. Os julgamentos do órgão de apelação têm grande impacto. Se o perdedor não cumprir as regras, o vencedor tem direito a impor tarifas acima daquele valor que os juízes consideraram ser o custo pela transgressão. É essa punição que constitui um freio, em primeiro lugar, à violação de normas.
Não surpreende o fato de o presidente Donald Trump ter descartado esses árbitros estrangeiros diante do seu desagrado geral com regras estabelecidas internacionalmente. Em 12 de novembro, ele disse estar “muito incerto” em relação à OMC. Mas os problemas são mais profundos do que a aversão às instituições multilaterais. Eles decorrem de uma quebra de confiança na maneira como a lei internacional funciona e uma falência mais geral da divisão de negociação da OMC. 
Se os americanos sentissem que conseguiriam resolver suas queixas, seus ressentimentos em relação ao órgão de apelação poderiam não se intensificar. Mas com tantos membros relutando a uma liberalização do comércio, incluindo países menores que temem a abertura para a China, isso é impossível.
Os EUA tiveram algumas vitórias na organização: contra a UE pelos subsídios concedidos à Airbus; e contra a China pelos seus subsídios domésticos, roubo de propriedade intelectual, controle das exportações de metais de terras raras utilizados na fabricação de celulares e mesmo contra suas tarifas sobre a carne de frango americana. Mas também foi levado várias vezes ao órgão de apelação por países que se opuseram ao seu uso autocrático de “remédios comerciais”, ou seja, tarifas adotadas supostamente para defender seus produtores contra uma concorrência desleal.
Se governos anteriores nos EUA resmungaram e ocasionalmente interferiram nas nomeações dos juízes, desta vez a administração Trump foi mais longe. Ele se queixa de que as disputas com frequência se arrastam por muito mais tempo do que o prazo máximo de 90 e, mais sério, de que as decisões do órgão de apelação vão além daquilo a que os membros se comprometeram. E deixou claro que, salvo se essas questões não forem solucionadas, nenhum novo juiz será confirmado.
O excesso judicial está nos olhos de quem vê. Os perdedores sempre acharão que não foram tratados de maneira justa, e os EUA são rápidos em comemorar decisões da OMC quando saem vitoriosos. Mas, para muitos outros países, o órgão extrapolou sua função. Uma pesquisa recente com pessoas envolvidas com a OMC, incluindo representantes nacionais, concluiu que 58% concordam com esse veredicto.
Conseguir que um número tão grande de países aderisse à OMC foi um êxito notável. Com 164 membros, a OMC ficou mais inclusiva, mas incapaz de ter a concordância de todos. Cada membro tem poder de veto sobre qualquer nova liberalização comercial multilateral. E sem novas negociações, o ressentimento com relação ao órgão de apelação aumentou.
Se o sistema multilateral tivesse sido mais eficiente na condução da ascensão da China, talvez seu maior problema atualmente, então os apelos para salvá-lo seriam mais vigorosos em Washington. Embora vários governos americanos tenham interposto e vencido vários casos, os EUA afirmam, com razão, que, quando quiseram chamar a China à responsabilidade por suas violações, não tiveram muito apoio. Agora que o governo Trump ignorou a OMC e entrou em disputa direta com a China, não há nada que ele particularmente deseje da organização. E assim, as chances de que ceda e permita a nomeação de juízes no dia 10 são mínimas. 
Tudo isso significa que o comércio global está prestes a se tornar muito menos previsível e muito mais contencioso. Sem o órgão de apelação para agir como um intermediário de confiança, as disputas entre os membros de mais peso devem se intensificar. De todas as políticas comerciais adotadas por Trump esta talvez seja a mais difícil de reverter e terá os efeitos mais duradouros. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO
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domingo, 1 de dezembro de 2019

China: Sinais de estresse financeiro se espalham pela economia

Finanças

Bloomberg Bloomberg News,Bloomberg sex, 29 de nov de 2019
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(Bloomberg) -- Ondas de saques de correntistas em bancos rurais, consumidores endividados e uma reestruturação de títulos de dívida sem precedentes são sinais de crescente estresse financeiro na China, colocando autoridades à prova.
O governo do presidente Xi Jinping enfrenta o desafio cada vez mais difícil de tentar estimular a segunda maior economia do mundo sem incentivar o risco moral e gastos imprudentes. Embora as autoridades tenham até agora relutado em resgatar empresas endividadas e aumentar o estímulo, os custos de manter essa postura aumentam com a maior inadimplência e desaceleração econômica na China.
Membros do governo tentam fazer o “mínimo necessário para manter a economia nos trilhos”, disse Andrew Tilton, economista-chefe para Ásia-Pacífico do Goldman Sachs, em entrevista à Bloomberg TV.
Entre os desafios mais complicados da China está a deterioração da saúde de bancos de pequeno porte e de empresas estatais regionais. Uma reformulação de dívida proposta esta semana pela Tewoo Group, uma trading estatal de commodities, levantou preocupações sobre mais turbulência financeira em sua cidade natal, Tianjin.
Preocupações surgiram em todo o país nos últimos meses, muitas vezes centradas em bancos de pequeno porte. A confiança nessas instituições diminuiu desde maio, quando reguladores assumiram o controle de uma instituição na Mongólia Interior e impuseram perdas a alguns bancos. Desde então, autoridades intervieram para reprimir pelo menos duas ondas de saques e orquestraram resgates para outras duas instituições.
O Banco Popular da China e outros reguladores há muito tempo alertam sobre os riscos da excessiva dívida corporativa, que subiu para um recorde de 165% do PIB em 2018, segundo a Bloomberg Economics.
Por enquanto, investidores parecem apostar que o governo pode administrar os riscos financeiros do país e manter a economia em movimento.
--Com a colaboração de Jun Luo.
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Cidades da Alemanha testam transporte público gratuito


Alemanha

Münster e Karlsruhe estão entre os municípios que promovem ação voltada a incentivar mudança no trânsito. Em Hannover, prefeitura disponibiliza mais opções de transporte para evitar superlotação.
Ônibus e metrô em ponto em Hannover Neste sábado, habitantes de Hannover podem usar transporte público sem pagar
Diversas cidades da Alemanha testam neste sábado (30/11) o transporte público gratuito. Hannover, Münster e Karlsruhe estão entre os municípios que participam da ação para promover uma mudança no trânsito ao incentivar cidadãos a deixarem de lado o carro e utilizarem ônibus, metrôs e bondes.
"Se quisermos levar a proteção do clima a sério e alcançar uma mudança no trânsito, é necessário também coragem para experimentar", afirmou o chefe da Üstra, empresa de transporte público de Hannover, Volkhardt Klöppner.
Na cidade localizada no noroeste da Alemanha, a prefeitura disponibilizou ônibus e trens extras para evitar a superlotação. Além disso, em algumas linhas foram oferecidos mais horários de partida. Partes do centro de Hannover foram ainda bloqueadas para a circulação de carros. O dia de experimento deve custar aos cofres públicos 600 mil euros, mais de 2,8 milhões de reais.
"Queremos encarar tudo que já foi dado como desculpa para não usar o transporte público", disse o chefe do departamento de transportes de Hannover, Ulf-Birger Franz.
Ele destacou o caráter de teste da ação, que pretende observar "como cidadãos reagem a esse tipo de oferta" e se aqueles que não usam o transporte público estariam dispostos a mudar de comportamento. A iniciativa está sendo acompanhada cientificamente.
Ações semelhantes ocorrem em Münster e Karlsruhe, onde, porém, o transporte público gratuito será oferecido em todos os próximos sábados até o Natal. Outras cidades dos estados de Baden-Württemberg e da Baviera também participam do movimento.
Em janeiro deste ano, Luxemburgo foi o primeiro país europeu a anunciar que passará a oferecer transporte público gratuito. A medida faz parte do novo conceito de mobilidade do país, voltado para reduzir emissões que causam o aquecimento global.
CN/afp/ots                      
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'A distância entre nós e os países avançados será ampliada', afirma Glauco Arbix

Estadão Conteúdo
01/12/19 
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O fato de a já escassa e disputada mão de obra brasileira da área de tecnologia estar deixando o Brasil deve resultar em uma distância ainda maior entre a economia brasileira e as mais avançadas, segundo o professor Glauco Arbix, coordenador do Observatório da Inovação do Instituto de Estudos Avançados da USP. Para tentar reverter essa tendência, segundo ele, é preciso ampliar o centro motor das inovações “caso contrário, vai gerar uma desigualdade maior entre os países e dentro deles também”, modificar a estrutura de salário e ambiente das empresas, além de reorganizar o ensino brasileiro.
O êxodo de profissionais de TI deve ter quais impactos na economia brasileira?
A distância entre a economia brasileira e as mais avançadas do mundo já é muito grande. Se pegar a indústria, a distância na área de tecnologia é gigantesca. Estamos em um estágio incipiente. O impacto é que vamos ampliar ainda mais essa diferença. Esse é o grande problema da tecnologia atual: os grandes avanços não acontecem em todos os países e, mesmo nos países avançados estão concentrados nas principais universidades e empresas. O centro motor dessas inovações tem de ser ampliado. Caso contrário, vai gerar uma desigualdade maior no mercado de trabalho, no sistema educacional e nos salários.
O que as empresas e o governo podem fazer para reter profissionais de TI?
Como esse movimento de digitalização é recente, parte das empresas não está preparada: não tem uma carreira montada e o profissional muitas vezes é submetido a chefias que não entendem o que ele propõe. Sem um ambiente empresarial adequado para abrigar os profissionais, a produtividade e o grau de inovação são baixos. Carreira significa uma remuneração progressiva e vinculada ao tipo de resultado que esse profissional dá. Salário, ambiente, estrutura de comando adequada, com gente qualificada, capaz de compreender o grau de sofisticação do que está sendo proposto. Grandes profissionais não saem necessariamente por salário. Saem porque têm desafios e estruturas diferentes. Os profissionais têm de ser desafiados permanentemente. Tem gente que chama isso de problema cultural das empresas brasileiras. A economia brasileira não inova muito. Tudo isso está ligado com o que o mercado se dispõe a pagar. Uma empresa só vai aumentar salários se precisar de profissionais com qualidade. Se a minha intenção é fazer algo superficial, numa escala de inovação de uma a dez, quero fazer algo dois, por que vou pagar esse profissional?
Como mudar isso?
A economia tem de aumentar o nível de digitalização. Isso é lento e não é fácil.
O País tem preparado profissionais para isso?
Um trabalho multidisciplinar é fundamental nessa área hoje. Ninguém faz um trabalho puramente de estatística, é preciso também fortalecer todas as áreas de ensino. A CNI (Confederação Nacional da Indústria), com todos seus problemas, tem grupos de trabalho com escolas e com as principais universidades tratando das qualidades das engenharias. Claro que é mais difícil mudar aqui do que em países que já têm tradição em educação orientada. Aqui há uma resistência grande das nossas escolas, mas tem de mudar. As escolas vão formar cada vez mais gente que não vai encontrar onde trabalhar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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