quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Consumo de álcool na amamentação reduz habilidades cognitivas de crianças


Por iG Delas | 31/07/2018  

Estudo aplicou testes em mais de cinco mil crianças e concluiu que aquelas cujas mães beberam durante a amamentação tinham menos habilidades de percepção, atenção e motoras do que aquelas cujas mães não tinham bebido
Não é nenhuma novidade que beber e fumar durante a gravidez e em época de amamentação pode ser prejudicial para o bebê. Entretanto, um novo estudo decidiu medir como o consumo de álcool e cigarros nesse dois momentos afetam as habilidades cognitivas, isto é, de percepção, atenção e motoras, dos bebês - inclusive no longo prazo.

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Prejuízos causados por conta do consumo de álcool da mãe durante amamentação seriam perceptíveis aos seis anos

A pesquisa, realizada pela Universidade de Macquarie, na Austrália, e publicada pelo periódico especializado em pediatria “Pediatrics”, avaliou e acompanhou 5.107 crianças desde 2004 - elas eram examinadas a cada dois anos até completarem 11 anos de idade. Suas mães também foram entrevistadas sobre seus hábitos de consumo de álcool e cigarro  durante a gestação e a amamentação dos filhos. Houve, ainda, um grupo de controle de mães e crianças que não passaram pelo momento da amamentação, por algum motivo - mulheres que não podiam amamentar, casos de filhos adotivos, etc.
Nas avaliações das crianças, eram aplicados testes pelos cientistas que mediam seu vocabulário, raciocínio não cognitivo, habilidades de leitura e com números, e outros processos motores e de percepção. Com isso, elas eram “pontuadas” segundo seu desempenho nesses testes e os resultados eram comparados entre crianças de mesma faixa etária.
Conclusões do consumo de álcool e cigarros na amamentação
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Além do consumo de álcool, estudo analisou os efeitos de fumar na amamentação, mas não teve resultados conclusivos

Segundo a pesquisa, os efeitos disso foram perceptíveis principalmente quando as crianças chegavam nos seis anos, momento em que começa o processo de alfabetização. Quanto mais álcool as mães haviam consumido durante a amamentação, piores eram as habilidades cognitivas das crianças nessa idade. Os resultados independiam dos hábitos de bebida da mãe antes de engravidar, do sexo da criança, idade da mãe, peso de nascimento e tempo de amamentação.
Com relação ao fumo, entretanto, o estudo não conseguiu obter resultados conclusivos, mas os pesquisadores reforçam que já existem evidências suficientes sobre os  malefícios do cigarro para a saúde do bebê, ainda que não impacte suas habilidades cognitivas diretamente.
Apesar de a Organização Mundial da Saúde recomendar evitar o consumo de álcool e drogas durante a amamentação, levantamentos distindos, entrevistando mulheres de diversos países, mostraram que de 12 a 83% das mães já beberam ou bebem durante a amamentação. Bem como sete a 16% admitiram já ter fumado ou fumar cigarro no mesmo período.
Fonte: Delas - iG @ https://delas.ig.com.br/filhos/2018-07-31/consumo-de-alcool-amamentacao.html

Humanos explodem no espaço? Há duas luas em agosto? Conheça 8 mitos astronômicos

Ciência
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Por Mayara Rozário - iG São Paulo | 01/08/2018


Reportagem do iG listou algumas falsas informações sobre o espaço em conversa com astrofísico Thiago Signorini, que tira dúvida dos leitores; veja

Reprodução/Shutterstock
Terra plana, Mercúrico como planeta escaldante e experiência espacial sem gravidade são mitos sobre o universo
"Humanos entram em combustão no espaço". "A Terra é plana, e não redonda". "O homem nunca pisou na Lua, é invenção da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa)". Você já deve ter lido ou ouvido alguma das afirmações acima, afinal, há muitas teorias sobre esses assuntos na internet e elas se propagam de forma rápida. Desse modo, será que conseguimos identificar mitos sobre o universo em meio a tantas informações e descobertas científicas com eficácia?
Segundo pesquisadores que se apresentaram no 1º Fórum de Pós-Graduação Einstein: Pesquisa para a Vida, realizado pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein, as fake news e os mitos sobre o universo no meio online se tornaram cada vez mais comuns e têm impactado negativamente o trabalho prestado pela comunidade cientifica à população.
Dados publicados pela Agência Brasil revelaram que a rapidez com que as notícias se espalham pelas redes é positiva e potencializa um maior alcance de indivíduos, no entanto, também atrapalha, se considerada a alta propagação de teses não embasadas, que tendem a confundir indivíduos que não costumam fazer pesquisas mais aprofundadas sobre temáticas de interesse.
Pensando nisso, e em como facilitar a busca do leitor em relação a curiosidades sobre o campo da ciência, a reportagem do iG conversou com Thiago Signorini Gonçalves, doutor e professor de Astrofísica na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e destrinchou oito mitos sobre astronomia que viralizaram nas redes nos últimos anos. Confira!
Mito 1: O homem não pisou na Lua
Reprodução/Nasa
Mitos sobre o universo englobam até a ideia de que a chegada do homem na Lua seja uma mentira
Sim, o homem foi à Lua. A ideia de que isso seja mentira teria iniciado por desconfianças acerca dos dados divulgados pelo governo dos Estados Unidos e por agências cientificas, como as provas coletadas durante a missão Apollo 11, em julho de 1969.
Segundo algumas " teorias da conspiração ", a missão ao satélite natural da Terra não só é uma farsa como teria sido filmada pelo cineasta Stanley Kubrick em um deserto norte-americano, quando teriam sido forjadas pegadas bem desenhadas na terra para que as pessoas pensassem que astronautas estiveram na Lua.
Entretanto, o astrofísico garante que há muitas provas que confirmam a 'visita' humana em solo lunar décadas atrás, como é o caso de imagens atuais das regiões da Lua onde as missões aterrissaram que revelam os mesmos detalhes que as fotografias tiradas por astronautas.
Além disso, há espelhos colocados em solo lunar pelos astronautas do programa Apollo, que são utilizados até hoje para medir a distância entre a Terra e a Lua por meio de  lasers emitidos daqui. Por fim, existem rochas lunares que foram examinadas por cientistas de vários países, incluindo a União Soviética antes do fim da Guerra Fria.
Mito 2: A Terra é plana
Reprodução/Shutterstock
Mitos sobre o universo: a Terra é plana; terraplanistas acreditam que agências científicas escondem real formato da Terra
Há uma quantidade significativa de pessoas que acreditam que o planeta Terra não é redondo, e sim plano. Os chamados 'terraplanistas' sustentam suas teorias por meio de motivações políticas e sociológicas e 'têm certeza' de que a ideia de que o planeta é um globo "não passa de um 'plano conspiratório' criado por líderes mundiais e sociedades secretas".
Apesar de estar em maior evidência atualmente, a afirmação que a Terra é achatada existe há séculos. Astrônomos de grandes civilizações antigas, como a Grécia e a Índia, defendiam o padrão, que passou a ser questionado depois de estudos do filósofo Pitágoras, no século 6 a.C.
Para os ‘terraplanistas’, o mapa correto é o da Projeção Azimutal, que mostra o Polo Norte ocupando o centro. Segundo esses teóricos autônomos, o emblema da Organização das Nações Unidas (ONU) seria uma evidência ‘incontestável’ sobre o conhecimento de autoridades sobre o “real formato terrestre”.
Contudo, há uma série de argumentos que derrubam a teoria sustentada por eles. "A teoria da Terra Plana é muito simples de ser contestada. Eratóstenes, um estudioso grego do século III a.C., foi capaz de medir o tamanho da Terra há mais de dois mil anos, ao observar o tamanho da sombra de uma vareta em diferentes regiões do globo; e ao fazer cálculos geométricos simples. Diversas outras observações básicas demonstram o mesmo resultado”, aponta Signorini.
Mito 3: O planeta Nibiru existe
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Mitos sobre o universo: planeta Nibiru existe; numerólogos creem que 'planeta' esmagará a Terra
O polêmico planeta Nibiru... De tempos em tempos, previsões sobre o fim do mundo surgem trazendo "notícias" do apelidado “Planeta da Morte”, já que muitos numerólogos acreditam que ele será o responsável por esmagar a Terra e exterminar a espécie humana.
Mencionado pela primeira vez em 1976 no livro “O Décimo Segundo Planeta”, de Zecharia Sitchin, Nibiru também é reconhecido por teóricos da conspiração como a “casa de alienígenas do passado”, chamados Annunaki, os criadores da raça humana.
Outro fator que ajudou o falso ‘planeta’ a tomar proporção foi o depoimento de uma mulher chamada Nancy Lieder, que diz ter recebido mensagens extraterrestres sobre o apocalipse  que teriam ligação com o Nibiru.
Sobre todas as teorias relacionadas ao tema, o professor alerta: nenhuma delas tem qualquer fundamento científico. Além disso, trazem algumas problemáticas para a ciência, sendo uma delas a confusão entre planetas inventados e planetas adicionais. “A possível descoberta de planetas adicionais no Sistema Solar, a partir de análises do movimento dos outros corpos no sistema, é algo científico, mas hoje em dia está sendo usado a favor de conspiradores que deturpam informações para propagar suas teorias”, ressalta.
Mito 4: Asteroide Apophis vai destruir a Terra 
Reprodução/Nasa
Mitos sobre o universo: asteroide Apophis esmagará a Terra; astrofísico comenta que chances de colisão são quase nulas
Não tem jeito, é secular o medo de que asteroides atinjam o planeta. Muitas pessoas creem que rochas espaciais de tamanhos variados são "verdadeiras armas destrutivas para a vida terrestre", por isso até mesmo datam o ano de passagem desses corpos como sendo aquele que será o último da existência humana.  
O asteroide Apophis, que ficou conhecido por ter potencial de causar um impacto maior do que qualquer bomba atômica existente, é um clássico exemplo disso.  Chamado de 99942, ele foi descoberto em 2004 pela Nasa, e, de início, gerou uma mobilização online por causa de estimativas que previam uma chance de 2,7% de se chocar com a Terra.  
A informação, contudo, foi corrigida, depois de cientistas realizarem cálculos da órbita e outras observações, chegando à conclusão de que seria quase nula a possibilidade de colisão com a Terra.
Atualmente, estima-se que Apophis chegue a pouco mais de 30 mil quilômetros de distância do ‘Planeta Azul’ no ano de 2029, e a dezenas de milhões de quilômetros em 2036. “Se ainda se fala em colisão, é por puro alarmismo e não por ciência”, frisa Thiago.
Mito 5: Duas luas aparecem no céu em agosto
Reprodução/Twitter
Mitos sobre o universo: Lua dupla em agosto; Marte se aproxima da Terra, porém não é visto do mesmo tamanho que a Lua
Em agosto de 2003, uma mensagem chegou a diferentes endereços de e-mail afirmando que Marte estaria tão perto da Terra que seria possível observá-lo de nosso planeta como se fosse a Lua. O falso evento astronômico tratado na mensagem foi nomeado de "as duas luas de agosto" e viralizou na internet.
A explicação para o surgimento desse mito está relacionada às órbitas de ambos os planetas, já que, por causa disso, a cada dois anos e dois meses, Marte se aproxima do planeta Terra. Porém, engana-se quem pensa que o 'gigante vermelho' se transforma "em uma Lua" por conta disso.
O astrofísico alega que sim, é verdade que quando Terra e Marte estão mais próximos, Marte pode parecer um pouco mais brilhante no céu. Mas é só um pouco. Mas, vale lembrar que o tamanho dos corpos não sofre alteração realmente.
“A Lua ainda é maior que Marte no céu devido à sua proximidade, mesmo durante as oposições. Nunca veremos Marte do mesmo tamanho que a Lua”, expõe Signorini.
Vale mencionar que, nessa terça-feira (31), a Nasa informou que Marte estará a 57,6 milhões de quilômetros da Terra e ficará visível por toda a noite a olho nu. Com o ocorrido, o planeta atingirá o ponto mais próximo da Terra em 15 anos, já que, em 2003, a distância foi de 56 milhões de quilômetros entre ambos os planetas.
Os cientistas da agência americana afirmaram que, na prática, Marte vai parecer uma estrela brilhante vermelha, assim como na noite do eclipse ‘ Lua de Sangue ’, que ocorreu na última sexta-feira (27). A Nasa ainda estima que outra aproximação de Marte e Terra aconteça em 6 de outubro de 2020.
Mito 6: Humanos podem explodir ou ter o sangue evaporado no espaço
Reprodução/Shutterstock
Mitos sobre o universo: pessoas explodem no espaço; dado é falso, pessoas tendem a sufocar se não trajadas de forma certa
Vai dizer que você nunca assistiu a um filme no qual o astronauta acaba exposto "aos riscos do universo" e começa a inchar até explodir como um ‘arroto’ de buraco negro após devorar algumas estrelas? Pois bem, apesar de não haver dúvidas de que humanos não conseguem sobreviver vagando pelo espaço, as cenas trágicas de produções hollywoodianas podem confundir e causar uma ideia deturpada sobre como seria a morte em ambiente extraterrestre.
A fim de tirar dúvidas de espectadores de ficção científica, estudos foram feitos para mostrar o que ocorreria ao ser humano caso fosse exposto a condições rigorosas no espaço. Segundo a Nasa, pessoas suportam cerca de meio minuto de exposição ao vácuo sem sofrer danos permanentes. Mas, depois desse curto período, é provável que venham a óbito.
O motivo? Não tem nada a ver com combustão espontânea, congelamento ou pela evaporação de sangue, e sim pela falta de oxigênio circulando no traje espacial.
Os especialistas ainda afirmam que um fim trágico com certeza se concretizaria se alguém resolvesse segurar a respiração no espaço sem a roupa adequada, por exemplo, já que o ar no corpo do indivíduo se expandiria a ponto de provocar a ruptura dos pulmões.
“Acredito que grande parte desses mitos venham do cinema, Hollywood gosta de exagerar a ciência para efeito dramático. O que acontece, na verdade, é que uma pessoa provavelmente morreria sufocada rapidamente, se não fosse resgatada a tempo”, explica o astrofísico.
Mito 7: Mercúrio é o planeta mais quente do Sistema Solar
Reprodução/Astronoo
Mitos sobre o universo: Mercúrio é o planeta mais quente; professor explica que Vênus é o planeta com maior temperatura
Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol. Por isso, há confusão quanto a sua temperatura, que muitos alegam ser extremamente escaldante. Entretanto, estudos provam que, ao contrário do que se imagina, o menor planeta do Sistema Solar não é tão quente assim!
De acordo com Thiago, para afirmar que um planeta "é o mais quente", seria necessário considerar a superfície e a atmosfera do mesmo, e não sua proximidade em relação ao Sol.
Com isso, Mercúrio não pode ser o planeta de maior temperatura. O posto seria, na verdade, passado a Vênus, que ‘rompe’ a regra da escala de proximidade e mantém temperaturas bastante altas devido a uma grossa camada de nuvens.
“Vênus definitivamente quebra essa regra porque tem uma grossa camada de nuvens que, por meio do efeito estufa, mantém o planeta a incríveis 460 °C. E a gente ainda tem coragem de reclamar do verão carioca”, brinca o especialista.
Mito 8: A experiência no espaço é 100% livre de gravidade
Reprodução/Nasa
Mitos sobre o universo: experiência no espaço é livre de gravidade; professor diz que afirmação se deu por má interpretação
A afirmação de que a experiência espacial é completamente livre de gravidade é e não é um mito. Para o professor, uma interpretação equivocada vem do termo usado para esse caso.
Astronautas na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), por exemplo, experimentam uma gravidade um pouco mais fraca do que a sentida na Terra, pois a gravidade cai com o quadrado da distância. Mas, ainda assim, se a ISS estivesse parada, o seu peso seria aproximadamente 90% do original.
Signorini explica que a impressão de gravidade zero vem do fato de que a estação espacial esteja essencialmente em queda livre. Ela não se choca com a Terra porque também se move rapidamente e horizontalmente, o que faz com que a queda livre se transforme em uma órbita circular ao redor da Terra.
“Você pode ter essa experiência em uma montanha russa quando está despencando e sente aquele frio na barriga”, destaca. Nesse caso, é possível sentir que a gravidade não deixou de existir, mas você está em queda livre e o seu corpo não está sendo sustentado pelo chão ou pelo carrinho do brinquedo, assim como o seu estômago, que não está sendo sustentado pelo resto do corpo, já que todos estão caindo juntos. Entendeu?
Para aqueles que ainda defendem mitos sobre o universo como o de que a gravidade existe no espaço e também para quem diz ao contrário, é possível recriar a experiência de microgravidade em um avião em queda livre por 20 a 30 segundos. A Nasa, por exemplo, é adepta do experimento e o utiliza para o treinamento de astronautas que serão enviados em missões futuras. De resto, é tentar não compartilhar falsas informações. Ponto para a ciência.

Mesmo 2h de desidratação já afeta seu cérebro e corpo

1 ago 2018 
Um novo estudo descobriu que a desidratação não apenas prejudica as pessoas fisicamente. Também pode levar ao declínio cognitivo. De acordo com o recente estudo do Instituto de Tecnologia da Geórgia, em Atlanta, apenas algumas horas de atividade vigorosa no calor sem beber líquidos ou comer podem afetar muito a concentração. Pesquisadores descobriram que pessoas desidratadas que fazem exames que exigem atenção a detalhes ou testes que eram monótonos foram as mais afetadas. Funções como resolução de problemas complexos, coordenação e atenção foram as que mais sofreram, enquanto atividades envolvendo reações rápidas não foram afetadas. As tarefas mais simples de tempo de reação foram menos impactadas, mesmo quando a desidratação piorou, mas as tarefas que exigem atenção foram bastante impactadas.
Alguns dos primeiros sinais de desidratação incluem estar com sede, sentir-se tonto, desenvolver náuseas e dores de cabeça. Quando alguém começa a desenvolver cãibras por calor, pode ser um indicador precoce dos efeitos progressivos da desidratação. Em casos extremos, quando a desidratação não é evitada ou efetivamente tratada em casa, muitas pessoas acabam tendo que ir ao pronto-socorro. As pessoas idosas têm maior risco de desidratação devido à capacidade prejudicada de sentir sede, combinada com uma capacidade reduzida de concentrar a urina, perdendo mais fluido. Por outro lado, crianças mais jovens e bebês correm maior risco, pois possuem menor peso corporal total e maior concentração de água. Eles também entregam eletrólitos e água mais rapidamente, então eles perdem água mais rapidamente que os adultos.
Embora a manutenção da hidratação seja importante, isso deve ser feito com alguma precaução. Beber muita água pode diluir o corpo. Isso pode levar a hiponatremia, ou baixo teor de sódio e sal no sangue. Em casos extremos, isso pode levar ao inchaço do cérebro e até convulsões. Hidratar e comer adequadamente são duas coisas simples que alguém pode fazer para evitar a desidratação. Embora seja bom permanecer ativo, é melhor se exercitar antes de o sol nascer e depois que o sol se põe. Ao fazer isso, usar roupas de cores claras e usar um chapéu também pode evitar a perda excessiva de calor.
Referência
https://www.healthline.com/health-news/2-hours-dehydration-can-affect-body-and-brain?slot_pos=article_3&utm_source=Sailthru%20Email&utm_medium=Email&utm_campaign=daily&utm_content=2018-07-27

Aderência às dietas saudáveis relacionado a menor risco de câncer

1 ago 2018 
Uma dieta que estimula a alimentação saudável e a atividade física e desestimula o consumo de álcool foi associada a um risco global reduzido de câncer, bem como a riscos menores de câncer de mama, próstata e colorretal. O Fundo Mundial para Pesquisa do Câncer / Instituto Americano para Pesquisa do Câncer (WCRF / AICR) estimou que, nos países desenvolvidos, cerca de 35% dos cânceres de mama e 45% dos cânceres colorretais poderiam ser evitados por uma melhor adesão às recomendações nutricionais. É, portanto, muito importante investigar o papel da nutrição na prevenção do câncer. A fim de incentivar a alimentação saudável, muitas organizações emitiram recomendações dietéticas, e este estudo avaliou três recomendações nutricionais previamente validadas: o escore WCRF / AICR; o índice de alimentação saudável alternativa; e o escore das diretrizes do Programa Francês de Nutrição e Saúde, mais um índice relativamente novo, o escore MEDI-LITE, que mede a adesão a uma dieta mediterrânea. Os pesquisadores descobriram que todas as dietas estavam associadas a algum risco reduzido, mas as recomendações da WCRF / AICR, desenvolvidas especificamente com a prevenção do câncer em mente, tiveram a mais forte associação com risco reduzido.
O estudo mostrou que um aumento de um ponto no escore WCRF / AICR foi associado a uma redução de 12% no risco geral de câncer; uma diminuição de 14% no risco de câncer de mama e uma redução de 12% no risco de câncer de próstata. A adesão às outras dietas também foi associada à redução do risco de câncer, mas o índice WCRF / AICR demonstrou maior força estatística e melhor desempenho preditivo, disseram Srour e Touvier. Por essa razão, e porque as outras três dietas não foram projetadas especificamente para a prevenção do câncer, os pesquisadores conduziram uma análise mais aprofundada sobre os escores da WCRF / AICR, excluindo certos componentes para avaliar a importância relativa de cada um. Os pesquisadores concluíram que a "contribuição sinérgica" de uma dieta saudável era mais significativa do que qualquer recomendação dietética única. Por exemplo, antioxidantes de frutas e vegetais podem contribuir para neutralizar parte do dano oxidativo ao DNA causado pela carne vermelha e pela carne processada, e o exercício pode reduzir a pressão sanguínea, neutralizando em parte os efeitos dos alimentos ricos em sódio. Isso enfatiza o papel de um estilo de vida saudável em geral - nutrição, atividade física e evitação do álcool - na prevenção do câncer.

Brasil terá aumento de mortes por ondas de calor, diz estudo

Pesquisa internacional, com participação da USP, coloca País entre os mais afetados pelas altas temperaturas

1 ago 2018

Um novo estudo internacional revela que o número de mortes causadas por ondas de calor aumentará sem parar nas próximas décadas, caso não sejam tomadas providências de adaptação às mudanças climáticas. Entre os 20 países avaliados na pesquisa, o Brasil está em terceiro lugar nas projeções de aumento das mortes ligadas ao calor. Nos dois primeiros lugares estão a Colômbia e as Filipinas.
De acordo com os autores do estudo, o maior aumento das mortes ocorrerá nas regiões tropicais do planeta - em especial nos países de baixa renda -, mas também haverá expressivo aumento das mortes na Austrália, na Europa e nos Estados Unidos. Neste momento, diversos países do Hemisfério Norte estão sofrendo com fortes ondas de calor.
Foto: batuhan toker / iStock
O estudo liderado por cientistas da Universidade Monash (Austrália) foi publicado nesta terça-feira, 31, na revista científica PLOS Medicine. Um dos autores é o médico brasileiro Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP).
Segundo os autores, a pesquisa é a primeira a fazer uma previsão do número de mortes associadas às ondas de calor. Eles esperam que o resultado ajude os tomadores de decisão a planejar estratégias de adaptação e mitigação para as mudanças climáticas.
Para realizar a pesquisa, os cientistas desenvolveram um modelo para estimar o número de mortes relacionadas às ondas de calor em 412 cidades de 20 países, no período de 2031 a 2080. "No futuro, as ondas de calor serão cada vez mais frequentes, mais intensas e terão duração maior", disse um dos autores do estudo, Yuming Guo, da Universidade Monash.
"Se nós não encontrarmos um jeito para mitigar a mudanças climáticas - reduzindo assim o número de dias de ondas de calor - e não ajudarmos as pessoas a se adaptarem a elas, haverá um grande aumento das mortes ligadas a esse fenômeno, especialmente em países pobres mais próximos da região equatorial", afirmou Monash.
Com o modelo desenvolvido pelos cientistas, foi possível projetar o aumento da mortalidade associada às ondas de calor no futuro em diferentes cenários, caracterizados por níveis de emissões de gases de efeito estufa, grau de preparação e estratégias de adaptação e densidade populacional das regiões estudadas.
"O objetivo do estudo era ver o que acontecerá com a saúde humana em diferentes cenários climáticos, em cidades de diferentes latitudes e longitudes. No Brasil, as cidades litorâneas têm um bom controle térmico e têm grandes problemas com ilhas de calor. Mas nossos dados mostram que cidades do Centro-Oeste e do Sudeste, como São Paulo, sofrerão bastante", disse Saldiva ao "Estado".
Segundo Saldiva, não basta apenas fazer projeções sobre a elevação das temperaturas em cada cidade. Para saber os efeitos do futuro aumento das ondas de calor sobre a mortalidade, é preciso levar em conta as características de cada localidade.
"As cidades respondem às variações climáticas de maneiras diferentes. Algumas cidades como Toronto (Canadá) e Helsinque (Finlândia), por exemplo, não têm resposta alguma, se tornaram muito resilientes. Mas muitas respondem ao aumento do calor com um aumento das mortes ", explicou Saldiva.
Outras cidades, como Nova York (Estados Unidos) e São Paulo, respondem tanto ao frio como às ondas de calor, segundo Saldiva, com o aumento das mortes. "Mas cada local tem sua própria definição de onda de calor. Se em São Paulo a mortalidade começa a aumentar quando a temperatura passa dos 28 graus, em Teresina (PI) isso só acontece quando o calor passa dos 34 graus", disse Saldiva.
Quando foram consideradas todas as características das mais de 400 cidades avaliadas no estudo, as que mostraram maior aumento potencial das mortes nas próximas décadas são as colombianas, filipinas e brasileiras, segundo Saldiva.
"A  mensagem do estudo é que o aquecimento global já está em curso - como podemos observar nesse inverno completamente atípico em São Paulo e nas ondas de calor que estão matando gente no Hemisfério Norte - e que os problemas serão mais graves nos locais mais despreparados e com menos recursos."
De acordo com outro autore da pesquisa, Antonio Gasparrini, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (Reino Unido), neste momento vários países - como Índia, Grécia, Japão, Rússia e Canadá - estão sendo afetados por fortes ondas de calor que estão matando milhares de pessoas e deixando dezenas de milhares com doenças ligadas ao calor.
"É bastante preocupante. A pesquisa mostra que é altamente provável que, com as mudanças climáticas, teremos um aumento na frequência e na severidade dessas ondas de calor. No entanto, as evidências sobre os impactos na mortalidade em escala global têm sido limitadas", disse Gasparrini.
"Esse estudo, que é a maior pesquisa epidemiológica dos impactos projetados de ondas de calor no contexto do aquecimento global, sugere que as mortes associadas a ondas de calor podem aumentar dramaticamente, especialmente em países populosos de áreas tropicais e subtropicais", afirmou o cientista.
"A boa notícia é que, se mitigarmos as emissões de gases de efeito estufa o bastante para atingir cenários compatíveis com os compromissos do Acordo de Paris, os impactos terão uma grande redução", declarou Gasparrini.

Recomendações

No estudo, os cientistas fizeram uma série de recomendações para evitar que as ondas de calor cada vez mais fortes causem mortes em grande escala. Eles indicam seis intervenções de adaptações, especialmente importantes para países de regiões tropicais e subtropicais.
No plano individual, a recomendação é que as pessoas se informem mais e passem adiante o conhecimento. No plano interpessoal, é recomendado o compartilhamento de informações, a comunicação, o uso de argumentos persuasivos e o esforço educacional. No plano da comunidade, as recomendações incluem fortalecer as infraestruturas comunitárias, incentivar o engajamento, focar em grupos vulneráveis.
No plano institucional, os cientistas recomendam a adoção de políticas institucionais, padrões de qualidade, procedimentos formais e regulações. No plano ambiental é recomendado o planejamento urbano, aumento da cobertura de árvores e instalação de bebedouros públicos.
No plano das políticas públicas, as recomendações envolvem melhora dos serviços de saúde, redução da pobreza, redistribuição de recursos, educação e um sistema de alerta para ondas de calor.

Política de Trump diminui investimento americano no Brasil

Participação de companhias dos EUA no total de investimento direto feito no Brasil passou de 15,7% no ano passado para 6,6%

1 ago 2018

A nova política tributária do governo de Donald Trump, somada ao cenário eleitoral incerto no Brasil, tem levado multinacionais americanas a investirem menos no mercado brasileiro. Dados do Banco Central mostram que o fluxo de investimentos dos EUA para o País caiu ao menor patamar em quase duas décadas. A participação das companhias americanas no total de recursos aplicados no Brasil passou de 15,7% no ano passado para 6,6% no primeiro semestre. Essa fatia já foi de 30% em 2005.
No fim do ano passado, a maior economia do mundo reduziu o Imposto de Renda (IR) das empresas de 35% para 21%. No Brasil, a alíquota se mantém em 34% - a mais alta entre os países do G-20 e do Brics. A média global é de 22,96%, segundo a consultoria EY.
Um estudo da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) avalia que as mudanças nos EUA podem fazer com que empresas americanas repatriem até US$ 1,9 trilhão que estão em outros países.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington
Foto: Joshua Roberts / Reuters
As multinacionais americanas sempre lideraram com folga o ranking dos maiores investidores na economia brasileira. Segundo o BC, 22% de todo o estoque de empreendimentos e projetos internacionais no Brasil têm origem nos EUA. São mais de US$ 100 bilhões alocados na economia brasileira, sendo US$ 38 bilhões no setor financeiro, US$ 16 bilhões na indústria de transformação e US$ 5,2 bilhões no comércio de veículos.
No primeiro semestre deste ano, no entanto, quem liderou o ranking de investimentos foi a Holanda, com o dobro de recursos trazidos pelas empresas americanas, que entre janeiro e junho aportaram US$ 1,9 bilhão no Brasil.
"A reforma tributária levou a uma revisão completa das estratégias globais de empresas americanas. O Brasil também é vítima dessa mudança", diz a presidente executiva da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham), Deborah Vieitas.
Além da redução da alíquota de Imposto de Renda, a nova legislação americana também permite que as multinacionais repatriem recursos sem ter de pagar impostos adicionais. Antes da reforma de Trump, uma companhia americana que estava no Brasil pagava 35% de imposto para levar seu lucro de volta para os EUA, o que fazia com que ela acabasse deixando o dinheiro aqui e reinvestisse no País. Agora, a mesma empresa tem isenção para repatriar os dividendos. "Com esse benefício, ela pode levar o dinheiro de volta e investir em outros países", diz o advogado Christiano Chagas, do escritório Demarest.
Apesar de reconhecer a influência dessas mudanças sobre o fluxo de investimento direto, a presidente da Amcham afirma que as incertezas domésticas também pesaram. "Empresas estão muito cautelosas pelo cenário eleitoral, há preocupação com as reformas e tivemos redução grande das concessões e privatizações", diz Deborah.
Pesquisa da Amcham perguntou a 130 empresários as razões para a recente queda do investimento direto no Brasil. Entre os ouvidos, 62% mencionaram a incerteza das eleições e um grupo menor, de 34%, mencionou as novas regras tributárias nos EUA.
A redução na alíquota do imposto por Trump, no entanto, tem levado a uma mudança global do fluxo de investimentos. Um estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que o fluxo de investimento direto pelo mundo caiu 44% no primeiro trimestre de 2018 na comparação com o mesmo período do ano passado. A entidade atribui a queda à mudança dos investimentos de empresas americanas.
Dados da OCDE mostram que o fluxo de investimento direto das multinacionais americanas foi negativo em US$ 145 bilhões no primeiro trimestre. Isso quer dizer que essas companhias levaram de volta à sede recursos que estavam em filiais pelo mundo. O fenômeno do fluxo negativo não era visto desde o fim de 2005. O risco, alertam economistas da entidade, é que a reforma tributária resulte em redução estrutural dos investimentos nas filiais das multinacionais dos EUA. /COLABOROU LUCIANA DYNIEWICZ