quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A luta de classes está de volta

Desenganem-se os que desvalorizam Donald Trump pensando que é um franco-atirador isolado, perigoso mas agindo por conta própria. Ou os que o consideram apenas uma caricatura do populismo, da ignorância, da arrogância, do autoritarismo e da grosseria política. Trump é tudo isso, mas é muito mais. E o mais importa.
1. Trump tem um programa político nacionalista e autoritário de direita e tem uma base social de apoio que se revê nas decisões que já tomou. É um programa simultaneamente de desregulação dos mercados e de protecionismo nacional, um programa contra o trabalho e contra os mínimos de Estado social que, num passado ainda recente, eram património comum, na Europa, de sociais-democratas e democratas-cristãos. E é esse programa que tem o apoio não apenas de cidadãos republicanos nos EUA, mas, embora de modo ainda envergonhado, de setores importantes da direita em vários países europeus, incluindo em Portugal, como foi assinalado por Pacheco Pereira.
2. As políticas sociais-democratas não visam anular o mercado. Visam, sim, a promoção da igualdade nas sociedades capitalistas através da regulação dos vários mercados e do desenvolvimento de mecanismos de compensação do seu funcionamento e de delimitação do seu âmbito. Visam, em suma, a construção de sociedades ao mesmo tempo prósperas e decentes.
Políticas de regulação, no caso de mercado de trabalho, para equilibrar a relação de poder entre empregados e empregadores, reduzir as desigualdades de rendimentos do trabalho e minimizar a pobreza entre os que trabalham, como são as políticas de promoção da liberdade sindical, de contratação coletiva e de definição de um salário mínimo. Políticas de compensação do funcionamento do mercado de trabalho, como são o rendimento social de inserção, as pensões mínimas ou o complemento solidário para idosos, que servem para proteger e combater a pobreza extrema daqueles que, estando dentro ou fora do mercado de trabalho, não têm rendimentos para sobreviver decentemente. Políticas de delimitação do âmbito dos mercados que, recusando a transformação das economias de mercado em sociedades de mercado, estiverem na origem da criação de serviços públicos universais e gratuitos. Em muitos países, a educação e a saúde constituíram-se como importantes exemplos de organização da vida social em moldes não mercantis, permitindo, naqueles domínios, a criação de patamares de bem-estar social para a generalidade da população.
3. O programa de Trump é definido contra estas políticas, ou melhor, contra as variantes fracas destas políticas nos EUA. E é por isso que agrada à direita mais radical, defensora de um capitalismo sem regras.
Proclamando o right of work, Trump propõe-se acabar com o que resta das políticas de regulação do mercado de trabalho, diminuindo os efeitos da contratação coletiva e colocando obstáculos à ação dos sindicatos e à sindicalização dos trabalhadores. Nomeando para ministra da Educação uma milionária que defende políticas de privatização das escolas e de generalização do cheque-ensino, ao mesmo tempo que inicia o processo legislativo de desmantelamento do Obamacare, Trump propõe-se limitar drasticamente a prestação pública de serviços sociais. Reduzindo os impostos e as contribuições das empresas, Trump propõe-se alienar a possibilidade de desenvolvimento de políticas públicas redistributivas e de promoção do bem comum. E, finalmente, com a desregulação do sistema financeiro, Trump está a tornar mais atrativo o investimento especulativo, valorizando a economia de casino em detrimento da economia produtiva e criando condições para uma nova crise financeira.
4. O que está a emergir não é novo. Trump está a reeditar os loucos anos 20 do século passado, quando o brilho das festas milionárias coexistia com o desespero das filas de desempregados e da sopa dos pobres. Ou quando a desregulação do sistema financeiro terminou de forma inglória na crise de 1929. Trump está a reabrir feridas antigas que pareciam saradas.
A incorporação, no funcionamento das democracias ocidentais, desde o pós-guerra, de princípios do ideário social-democrata, com variantes mais ou menos alargadas, adormeceu-nos e fez-nos esquecer o caminho percorrido. Fez-nos esquecer que para afirmar e defender o valor do trabalho perante o capital, para construir sociedades mais decentes, foi necessário um combate longo, uma luta de classes como então se dizia. A forma radical, sectária e agressiva como Trump está a avançar com o seu programa revela predisposição para abrir uma verdadeira guerra do capital contra o trabalho. A luta de classes está de volta, mas a iniciativa mudou de mãos.

QUEM MERECE O QUÊ?

Leandro Karnal
08 Fevereiro 2017 | 04h00
Uma palavra cresceu muito recentemente: meritocracia. Sua raiz está em muitos lugares. Começa com a crítica à sociedade estamental do Antigo Regime. No mundo dos reis absolutos, as pessoas eram definidas pelo nascimento. No século de Luís XIV, por exemplo, a nobreza tinha privilégios de foro jurídico, acesso a cargos, presença na Corte, precedências sociais e, até, o direito de usar certos tecidos e cores (leis suntuárias).
A maioria da população (o povo) viu com desconfiança um mundo definido pela loteria do nascimento e não pela capacidade de alguém. Reivindicou-se a isonomia, ou seja, a igualdade diante da lei. Quem garantiria que era melhor ter como comandante militar um duque ou príncipe de sangue, se um humilde oficial poderia ter mais preparo e melhor estratégia, mesmo que nascido de berço simples? 
Uma das reações ocorreu no novo modelo de exército liderado pelo puritano Oliver Cromwell contra as tropas absolutistas de Carlos I Stuart. O sucesso de um exército disciplinado com oficiais promovidos por mérito foi evidente: o rei foi decapitado e os ingleses conheceram uma inédita República. A meritocracia era eficaz.
Ao final do Antigo Regime, a ascensão de Napoleão Bonaparte foi a consagração da capacidade sobre a origem. O corso venceu vários imperadores. Claro que tudo tem seu custo e, mesmo Napoleão, tão prático, fez uma concessão simbólica ao se coroar. 
O conceito de meritocracia aumentou em importância com a ascensão do capitalismo liberal, especialmente no século 19. De Adam Smith a Stuart Mill, domina a ideia de que o esforço pessoal seja o distintivo de cada ser. Riqueza e pobreza eram fruto de uma correlação entre capacidade e trabalho. 
Nos Estados Unidos, o empreendedor bem-sucedido transformou-se na encarnação do Liberalismo. A meritocracia seria similar à evolução das espécies: em um mesmo ambiente, apenas as mais adaptadas e hábeis sobrevivem. 
Quase ao mesmo tempo, ideias socialistas deram explicação contrária. A sociedade capitalista era concentradora de renda e impedia a ascensão de forma igualitária. Para liberais clássicos, a desigualdade era uma decorrência natural dos diferentes talentos e esforços. Para os socialistas, era uma situação artificial criada para garantir o domínio de uma pequena elite. A meritocracia era uma construção ideológica para parte da esquerda e era uma verdade pétrea para uma parte dos conservadores. Parte dessa crítica está na obra de Thomas Piketty, O Capital no Século XXI.
Liberais gostam de citar, no Brasil, Machado de Assis. Nascido em condição social humilde, mulato, educou-se e galgou postos profissionais por exclusivo esforço pessoal. O fundador da Academia Brasileira de Letras seria o exemplo de que todos têm oportunidades, basta empenho. 
Os inimigos da ideia do esforço como motor maior pensam em Machado como exceção. Usá-lo seria como dizer a todo atleta de várzea: jogue bastante bola porque Neymar ficou milionário assim. Para críticos da meritocracia, os exemplos excepcionais de um Machado só servem para reforçar a ideia de que, para a maioria, os caminhos estariam fechados. 
O tema é complexo e não tem apenas dois polos: é preciso lembrar que o pensamento aristocrático continuou a encontrar eco em boa parte do século 20, negando a ideia de mérito e as críticas socialistas. Sándor Márai capta essa terceira via no romance As Brasas, ao narrar o quase monólogo do general Henrik acusando seu amigo de infância, Konrad, de invejar seu berço aristocrático e sua vida abastada na corte de Francisco José. Konrad era mais inteligente e esforçado, tinha mais mérito em tudo. Vinha de origem mais humilde. Mas jamais seria como Konrad por uma questão de nascimento. Isso tudo em 1941! Arno J. Mayer analisa a persistência da nobreza como referência até 1914 no clássico A Força da Tradição. 
No plano individual, um aluno que se esforce mais tem mais chances de sucesso. Não seria justo que todos colhessem o mesmo com sementes e esforços de plantio bem distintos. No plano mais amplo, uma formação ruim e até uma ingestão insatisfatória de alimentos em alguns momentos pode representar danos muito difíceis de serem superados. Em processo de ensino, nem todo degrau pode ser recuperado. A pergunta incômoda é se todos possuem condições de esforço. Em outras palavras: querer é poder, mas... será que todos podem querer? Eu não tenho resposta clara. Sempre achei que somos mais livres do que deterministas de toda espécie imaginam, mas menos autônomos na vontade do que liberais idealizam.
Óbvio concluir que dar boas condições a alguns também não garante o êxito. O esforço é necessário independentemente da origem do esforçado. Seria ele suficiente? Responder a esta questão complexa sobre meritocracia está na base de políticas como Bolsa Família e cotas em processos seletivos. Na verdade, toda política pública dessa natureza nasce da ideia de que as condições não são iguais para todos e que seriam necessárias medidas para garantir, de fato, meritocracia.

As perguntas básicas são: A) há condições de crescimento para todos mediante esforço? B) a meritocracia ainda é o critério básico para distinguir sucesso e fracasso? Talvez o questionamento derradeiro seja: quem merece o quê? 

SOBRE OS PROTETORES SOLARES

Todo mundo está cansado de saber que o sol em excesso é o maior vilão para acelerar o envelhecimento da pele e o câncer de pele. Mas, na hora de escolher o protetor solar do dia a dia, muita gente acaba desconsiderando os fatores mais importantes na compra.

O Protetor Solar Facial: Sua Escolha Mais Importante

O rosto é a parte mais sensível ao sol. Para o rosto em especial, os cuidados devem ser diários — não só em momentos de férias ou praia. O fotoenvelhecimento causado pela exposição ao sol prolongada do dia a dia, resulta em uma pele enrugada, sem elasticidade e com manchas de sol. Eu seja, esse é o tipo de protetor solar mais importante; aquele a qual sua escolha deve ser mais criteriosa.
Você sabe escolher seu protetor solar?

O que levar em consideração na hora da compra?

Vários fatores devem ser avaliados na escolha do melhor protetor solar para o rosto, por exemplo, o seu tipo de pele, cor da pele, e o quanto se expõe ao sol.
  • Se tiver a pele sensível, com alergia ou rosácea, verifique os componentes e escolha um específico para peles sensíveis.
  • Compre um de acordo com o seu tipo de pele. O importante é acertar para não obstruir os poros de sua pele.
  • Fique atenta à composição do protetor solar. Os filtros solares brasileiros em sua maioria contêm como agente principal uma substância chamada 4-metil benzilideno cânfora (4-mbc). Nem sempre é fácil, mas o ideal é evitar essa substância. Ela bloqueia a função da tireóide e com isso a atividade estrogênica cresce, juntamente com o nível de estrogênio. O 4-mbc é absorvido através da pele e desencadeia uma maior produção de estrogênio que é um hormônio feminino. Além desses fatores, o 4-metil benzilideno cânfora é tido por muitos como cancerígeno. Essa substância está proibida em muitos países, mas infelizmente é liberada no Brasil.
  • Verifique se possui proteção UVA e UVB. Além disso, verifique o PPD, que protege contra raios UVA. É preciso que seja informado o valor do PPD na embalagem para que proteja também contra os raios UVA (veja mais informações abaixo).
Você sabe escolher seu protetor solar?

Qual a diferença entre UVA (PPD) e UVB (FPS)?

O Fator de Proteção Solar (FPS) é responsável pela proteção da pele contra os raios UVB. Esses são os raios causadores de queimaduras, ardência e vermelhidão. Esses raios têm maior incidência durante o verão, quando as temperaturas são mais altas e os dias mais ensolarados.
O fator de proteção PPD (Persistent Pigment Darkening), também conhecido como PA +++, é responsável pela proteção da pele contra os raios UVA. Diferente dos raios UVB, os raios UVA afetam nossa pele o ano todo, independente da estação. Esse tipo de radiação traz prejuízos à pele, desde lesões mais simples, manchas e até o câncer de pele.
O PPD ideal é a partir de 10. Como regra geral, o PPD deve representar a metade do FPS. Por exemplo, se seu protetor tem FPS 30, o nível de proteção PPD deve ser 15. Dessa forma, você garante a proteção da sua pele de forma eficaz e evita o surgimento ou o agravamento das manchas do melasma.

A Importância da Proteção UVA

Segundo o médico Dr. Lair Ribeiro, o que causa os maiores estragos na pele são os raios UVA. Infelizmente, a maioria dos filtros solares brasileiros só protegem contra os raios UVB. Ou seja, a maioria das pessoas usam filtros solares comerciais sem saber que não estão sendo protegidas dos raios UVA.
As marcas de filtros solares costumam citar na embalagem “proteção UVA/UVB” e logo em seguida citam algo como “proteção de largo espectro”. Isso quer dizer que a proteção UVB é a indicada no rótulo: FPS 15, 30 ou qualquer outro, mas para a proteção UVA (que é medida em PPD), não há informação. Por isso, na embalagem deveria estar escrito o valor do PPD. Em muitos protetores comercializados no exterior (especialmente os asiáticos), essa informação é sempre indicada.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

10 dicas para o sucesso profissional

O sucesso profissional é um conceito subjetivo. Reconhecimento no mercado, conforto financeiro, carro da empresa, viagens internacionais, "virar chefe", ter o próprio negócio ou alcançar um cargo no alto escalão da empresa podem ser a medida do sucesso para algumas pessoas. Para outras, a ideia de sucesso profissional está ligada a ter mais tempo para a família, ter desafios intelectuais, ou até trabalhar menos. Independentemente do que você considera sucesso profissional, existem atitudes que podem ajudá-lo a trilhar o caminho para atingir e manter seus objetivos de carreira.
Sucesso Profissional
Sucesso Profissional
Foto: Guia da carreira
Confira dez ótimas dicas para obter o sucesso profissional e comece a colocá-las em prática agora mesmo!
1. Autoconhecimento
Saiba quais são seus pontos fortes e que aspectos você precisa melhorar, tanto no âmbito profissional como no pessoal. Assim, você pode tirar partido de suas qualidades e ter uma visão clara do que precisa desenvolver ao longo da carreira
2. Objetivos Profissionais
Saber aonde você quer chegar é fundamental para alcançar o sucesso profissional. Defina metas de curto, médio e longo prazo e trabalhe para alcançá-las. Revise seus objetivos e metas periodicamente, corrija o rumo se for preciso.
3. Desenvolvimento Contínuo
Um profissional de sucesso está em constante desenvolvimento. Não pare de estudar, faça cursos relacionados aos seus objetivos profissionais e aproveite as oportunidades de treinamento oferecidas pela empresa. Seu desenvolvimento deve ser uma combinação de competências técnicas (na sua área de interesse) e comportamentais (negociação, liderança, gestão do tempo, resolução de conflitos etc.). Algumas empresas têm programas de "mentoração" ( mentoring ) ou coaching . Geralmente são executivos e outros profissionais mais experientes da empresa que dedicam uma parte do seu tempo a desenvolver pessoas dentro da empresa. Informe-se sobre essa possibilidade.
4. Comprometimento
Comprometimento significa dedicação e responsabilidade. Mantenha o foco na satisfação do cliente, na qualidade do seu serviço, no cumprimento das regras da empresa, na organização do seu espaço de trabalho e no respeito aos prazos estabelecidos. Comprometer-se não significa virar noites trabalhando, estar sobrecarregado e falar que "veste a camisa". É muito mais profundo do que isso: empenhar o máximo de sua inteligência e capacidade para que a empresa cresça. Um funcionário comprometido é reconhecido por suas atitudes, é pontual e está disposto a ir além para ajudar a empresa a alcançar seus objetivos.
5. Colaboração
O profissional que "esconde o jogo", sonega informações e quer brilhar sozinho está em baixa no mercado. Por outro lado, pessoas que compartilham ideias e conhecimentos, contribuem para aprimorar processos e sabem trabalhar em equipe são cada vez mais valorizados. A generosidade, o trabalho em time e o respeito à diversidade (de ideias, crenças etc.) estão ligados ao sucesso profissional.
6. Resiliência
A resiliência é a capacidade de superar obstáculos, resistir à pressão ou lidar com momentos de estresse sem se desequilibrar emocionalmente ou desanimar. Nas empresas, profissionais resilientes, que conseguem atravessar adversidades de forma madura e tranquila, são cada vez mais valorizados.
7. Confiança
A confiança em si mesmo não significa arrogância. Trata-se de ter clareza sobre suas capacidades, estar comprometido com seus objetivos, ter convicção de seus valores e segurança ao expor ideias e realizar uma atividade. A confiança é fundamental para sair da zona de conforto, inovar e assumir riscos calculados, características importantes e valorizadas pelo mercado. Um profissional confiante também inspira os demais e pode se tornar um líder.
8. Persistência
Uma trajetória de sucesso quase sempre inclui momentos de fracasso. Basta olhar para a história de grandes líderes da humanidade, inventores e artistas para perceber que muitos deles foram desacreditados, receberam críticas severas, ou erraram repetidas vezes até acertarem. Um profissional de sucesso sabe aprender com seus erros e não desistir facilmente dos seus objetivos. Ser persistente é não "jogar a toalha" diante da primeira adversidade. Persistência também não é sinônimo de teimosia. É importante saber a hora de parar ou corrigir a rota para atingir o resultado esperado.
9. Networking
Ter uma rede de contatos e alimentar esses relacionamentos contribui para a troca de conhecimentos, experiências, apoio e, porque não, indicações. É importante frequentar eventos de sua área de interesse e almoçar com seus colegas, mas também não esqueça de cultivar relacionamentos em outras esferas. Praticar esportes coletivos, viajar, conhecer novas pessoas, fazer trabalho voluntário, ter um hobby e participar ativamente da vida em sua comunidade também ajudam a formar sua rede. Não procure seus conhecidos somente na hora em que tiver um problema, crie o hábito de manter contato regularmente e esteja disposto a ajudar também. Aproveite para exercitar a escuta, falando menos e ouvindo mais. Profissionais de sucesso são bons observadores.
10. Ética
Postura ética e sucesso andam de mãos dadas.
Um profissional ético respeita os limites de sua função, zela pelo patrimônio da organização, segue regras de conduta e contribui para o bom rendimento da equipe e da empresa, mantendo assim relações de qualidade com seus colegas e a confiança dos líderes.

Inseticidas imitam melatonina: Risco de diabetes e problemas de sono

Inseticidas imitam melatonina: Risco de diabetes e problemas de sono
Esta imagem gerada por computador mostra como a melatonina (em amarelo) e o carbaril, (em turquesa claro), um inseticida largamente utilizado, se ligam diretamente à mesma região de ligação no receptor de melatonina humano.
[Imagem: Raj Rajnarayanan/UB]
Acertando o relógio biológico
Compostos químicos presentes em inseticidas e em alguns produtos de jardinagem ligam-se aos receptores que governam nossos relógios biológicos.
O resultado é que a exposição a esses inseticidas afeta a sinalização do receptor de melatonina, criando um risco mais elevado para doenças metabólicas, tais como obesidade e diabetes, além de diversas outras possíveis alterações, uma vez que a melatonina está associada com diversos processos no organismo - com o sono, por exemplo.
Para chegar a essa conclusão, uma equipe da Universidade de Buffalo (EUA) combinou uma abordagem de megadados, usando modelagem por computador de milhões de produtos químicos, com experimentos padrão em laboratório.
"Este é o primeiro relato demonstrando como substâncias químicas ambientais encontradas em produtos domésticos interagem com os receptores da melatonina humana," disse a professora Margarita Dubocovich. "Ninguém imaginava que o sistema de melatonina fosse afetado por esses compostos, mas é isso o que a nossa pesquisa mostra."
Carbaril e carbofurano
Perturbações nos ritmos circadianos humanos colocam as pessoas em maior risco de diabetes e outras doenças metabólicas, mas o mecanismo envolvido na geração desses efeitos ainda não é bem compreendido.
A análise divulgada agora centrou-se em dois produtos químicos, o carbaril, um dos inseticidas mais utilizados no mundo, embora já seja ilegal em vários países, e o carbofurano, o mais tóxico inseticida do tipo carbamato, que foi proibido para aplicações em plantações para consumo humano desde 2009, mas que ainda é usado em muitos países, além de ter deixado traços persistentes em alimentos, plantas e na vida selvagem.
"Nós descobrimos que os dois inseticidas são estruturalmente semelhantes à melatonina e que ambos demonstram afinidade pela melatonina, [através dos] receptores MT2, que podem potencialmente afetar a homeostase da glicose e a secreção da insulina," acrescentou Marina Popevska-Gorevski, coautora do estudo. "Isso significa que a exposição a eles pode colocar as pessoas em maior risco de diabetes e também afetar os padrões desono."
Bioensaio
Os resultados sugerem que é necessário passar a avaliar os produtos químicos industriais também em termos de sua capacidade de interromper a atividade circadiana, algo que não está sendo considerado pelas autoridades de saúde.
Para ajudar nessa triagem, os pesquisadores anunciaram que já estão trabalhando no desenvolvimento de um exame rápido para medir a concentração de substâncias químicas ambientais para este tipo de bioatividade.

Os resultados foram publicados na revista científica Chemical Research in Toxicology.

Sobre o livre arbítrio

Livre arbítrio e cultura
O livre arbítrio descreve a capacidade de fazer escolhas independentes, onde o resultado da escolha não é dirigido por eventos passados ou por outras pessoas.
Ocorre que diferentes culturas têm diferentes perspectivas sobre o livre arbítrio, e esses diferentes pontos de vista permeiam nosso pensamento sem que o percebamos, colorindo de forma diversa conceitos como responsabilidade pessoal, culpa, ambição etc. E isso molda múltiplos sentimentos e emoções e a forma como as situações são encaradas.
Isto tem levado os psicólogos a considerar que acreditar ou não no livre arbítrio teria efeitos diferentes no ocidente e no oriente, devido às visões de mundo bastante distintas entre as duas culturas.
A cultura ocidental é descrita como individualista, onde as pessoas estão em grande parte focadas nas realizações pessoais, tornando a competição algo comum e natural. Em culturas como as da China e do Japão, por outro lado, muito mais coletivistas, as pessoas tendem a se concentrar mais em objetivos do grupo - da família ou da empresa, por exemplo - e há menos ênfase nos graus pessoais de liberdade.
Livre arbítrio e felicidade
O que se demonstrou agora é que essas diferenças de abordagem não alteram o efeito final de acreditar no livre arbítrio nas duas culturas.
A crença no livre arbítrio, tanto em estudantes ocidentais quanto orientais, mostrou uma forte associação com maior felicidade, melhor desempenho no trabalho e na escola e menos comportamentos negativos.
Além disso, Jingguang Li e sua equipe da Universidade Dali (China), constataram que 85% dos adolescentes chineses expressam uma crença espontânea no livre arbítrio, e que essa crença está positivamente correlacionada com a felicidade - exatamente como diversos estudos feitos no Ocidente já demonstraram.
O estudo publicado foi publicado pela revista Frontiers in Psychology.

Observação deste blogueiro: o livre arbítrio tem limitações do MEIO (social, temporal, geográfico, corporal, etc.), que o artigo original ignora e erra ao não relativizar o mesmo livre arbítrio.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Berlinenses querem abrir restaurante antidesperdício

Somente na Alemanha, 18 milhões de toneladas de alimentos são descartados por ano. Para reaproveitar sobras, grupo de Berlim pretende inaugurar um restaurante que só utilize ingredientes que iriam parar no lixo.

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As panquecas já estão nos pratos. Leoni Beckmann coloca uma colher de compota de pera com vinho do Porto sobre cada uma delas e, então, derrama calda de chocolate por cima. Poderia ser uma sobremesa comum, mas não na cozinha experimental do clube Restlos glücklich (em português, algo como "Sem sobras e feliz").
"Utilizamos produtos que normalmente teriam sido jogados no lixo para fazer receitas criativas e saborosas", explica Beckmann, que faz parte do clube com sede no bairro de Kreuzberg, em Berlim.
Para a sobremesa do dia, as peras eram sobras de um grande fornecedor. O chocolate havia ficado parado na alfândega, sob o sol, durante muito tempo e, por isso, não podia mais ser vendido. O sabor, contudo, não foi alterado.
Criatividade obrigatória
O objetivo do Restlos glücklich é conscientizar as pessoas, alertando sobre um problema que assola os países industrializados: o desperdício de alimentos. De acordo com um novo estudo da WWF, somente na Alemanha, 18 milhões de toneladas de comida vão parar no lixo anualmente, e estima-se que cerca de 10 milhões de toneladas desse contingente ainda poderiam ser consumidas.
Beckmann e seus colegas querem mostrar que é possível agir de outra forma. "Pretendemos abrir o primeiro restaurante da Alemanha contra o desperdício de comida", diz. O estabelecimento deve ter capacidade para 30 pessoas, e 90% dos alimentos utilizados no restaurante devem ser ingredientes resgatados do lixo.
"Estamos falando de frutas e verduras que não correspondem às normas comerciais, que tiveram de ser descartadas por causa de uma limpeza do estoque ou que simplesmente foram etiquetadas de forma errada", explica a colega Aline Henkys. Se com todas essas sobras ainda faltar algo para completar uma receita, os membros do clube poderão comprá-los na região ou plantá-los.
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Equipe do "Restlos glücklich" (a partir da esq.): Aline Henkys, Leoni Beckmann, Wiebke Hempel, Lena Becker, Stefan Wingendorf, Anette Keuchel
Porém, as compras devem ser limitadas, o que faz da administração de um restaurante como esse um desafio. "Nunca sabemos quais produtos vamos receber no dia seguinte", conta Becker, também do Restlos glücklich. Logo, um cardápio fixo está fora de cogitação. O novo estabelecimento deve surpreender os clientes diariamente.
"Como sempre podemos ir ao supermercado, onde há de tudo, não precisamos ser criativos para cozinhar com aquilo que temos no momento", comenta Beckmann.
Um restaurante de Copenhague com conceito parecido virou modelo para a iniciativa berlinense. Assim como na capital dinamarquesa, além de dois cozinheiros e um gerente, voluntários deverão ajudar a tocar o projeto em Berlim. "Em Copenhague, por exemplo, um gerente de TI lava os pratos uma vez por semana por várias horas para mudar um pouco de ares, sair da frente do computador e fazer algo que tem sentido para ele", diz Henkys.
Tamanho não é documento
No dia da reportagem, o prato principal preparado por Wiebke Hempel foi panqueca de abobrinha e restos de pão. "Sempre há muito pão, por isso, fazemos várias experiências com ele", explica a chef amadora, que no clube é chamada de gerente de recursos.
As abobrinhas vieram do agricultor Johannes Erz, cuja fazenda fica a 70 quilômetros de Berlim. Erz fica contente por encontrar, com o novo empreendimento, um destino para os produtos que não consegue vender. Nesta manhã, foram entregues 30 abobrinhas gigantes, que, apesar de serem de ótima qualidade, não podem ser comercializadas.
"Tudo o que não se enquadra nas normas, seja grande ou pequeno demais, exige esforço na comercialização", conta o agricultor. "Por quê? Isso significa que preciso explicar a meus clientes porque é assim." Erz prefere poupar esse tempo.
O agricultor quer arrumar uma forma de, por exemplo, oferecer maçãs com defeitos pela metade do preço, para serem usadas na produção de cereais ou de suco – ou fornecê-las ao restaurante de sobras. Tomates e batatas grandes ou pequenos demais para serem comercializados também não faltam na fazenda de Erz.
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O agricultor Johannes Erz fica feliz em encontrar destino para abobrinhas "gigantes"
Além da cozinha
A cozinha do Restlos glücklich ainda está em fase de testes, promovendo eventos como o "Brunch dos salvadores de comida". Para abrir, o restaurante precisa sobretudo de uma coisa: dinheiro. Com uma campanha de crowdfunding, os envolvidos pretendem angariar 50 mil euros para investir em mesas, utensílios e licenças de funcionamento. A campanha começou a todo vapor, e em apenas dois dias, o projeto arrecadou 6 mil euros.
Se a iniciativa der certo, os membros do Restlos glücklich prometem repassar os lucros do restaurante a projetos educativos. "Com as crianças, queremos abordar toda a trajetória dos alimentos, da plantação até o prato", conta Becker. "Com os adultos, queremos oferecer workshops sobre a durabilidade dos alimentos."
Contudo, as noites no restaurante serão dedicadas à boa comida, garante Beckman, acalmando aqueles que não gostam de ouvir discursos enquanto apreciam uma refeição. "Mas nosso desejo é que, quando nossos clientes voltarem para casa, possam abrir a geladeira, olhar para aquele tomate pequeno e murcho e pensar no que podem preparar com ele", completa.
Como um restaurante contra o desperdício de comida deve fazer de tudo para evitar jogar alimentos fora, o Restlos glücklich servirá porções menores do que de costume. Mas todo mundo deve ficar satisfeito, e, por isso, quem quiser pode repetir sem custo adicional. Porém, também na segunda vez, a ideia é servir apenas o bastante para que não haja desperdício.

O melhor da tecnologia verde para 2016

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O vilarejo que produz tudo de que precisa

Comunidade autossuficiente na Holanda deve produzir comida e energia necessária aos moradores, além de reaproveitar lixo gerado no local. Idealizadores esperam que projeto sirva de modelo para países em desenvolvimento.

Projeto Regen Village, nos arredores de Amsterdã
Projeto do Regen Village, nos arredores de Amsterdã
A primeira coisa que vai chamar a atenção quando alguém se aproximar do novo vilarejo nos arredores de Amsterdã é o vidro. Haverá muito dele, por todo lado. Ele estará ao redor de todas as casas, como uma cápsula protetora que fornece calor e abrigo. As unidades de produção de comida também terão uma cobertura de vidro, mas chamá-las de estufa seria pouco. Tudo isso porque o Regen Village pretende fazer o melhor uso possível de todos os recursos e ser totalmente autossuficiente, servindo de modelo para cidades do futuro.
A autonomia vai muito além de apenas gerar energia elétrica e calor, o que já tem sido alcançado com sucesso em vilarejos semelhantes. A pequena comunidade também vai alimentar a si mesma, cultivando toda a comida de que necessita dentro dos limites das paredes de vidro.
"Hoje gastamos 40% da superfície dos nossos continentes para a produção de comida", afirma Sinus Lynge, cofundador do escritório dinamarquês de arquitetura Effekt, que projetou o vilarejo. "A produção de comida é o maior emissor isolado de gases do efeito estufa, o maior causador de desmatamento e é responsável por 70% do consumo global de água doce. Transportamos nossa comida de um canto a outro do planeta para desperdiçar 30% da produção total antes de consumi-la", diz.
Projeto Regen Village, na Holanda
Comida plantada junto à sala de jantar
Integração inteligente
A construção do bairro Regen Village na Holanda deve começar entre junho e agosto deste ano e ser concluída em 2017. A ideia veio do empreendedor e construtor norte-americano James Ehrlich, que fundou a empresa Regen Villages para construir o novo vilarejo na Holanda e, talvez, outros como ele no futuro.
Foi Ehrlich quem contratou o Effekt para projetar o assentamento. "A Regen Villages está projetando e facilitando o desenvolvimento de vizinhanças off-grid, integradas e resilientes, que fornecem energia e alimentos para famílias mundo afora", disse o empresário. Off-grid são sistemas autossuficientes, que não dependem de infraestrutura remota para se manter, como rede elétrica.
 
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A importância da natureza no planejamento de cidades

A integração inteligente de todos os diversos aspectos da vida no bairro será crucial, e o sistema é complexo. Por exemplo, lixo doméstico deverá ser compostado ou transformado em biogás para gerar energia. Se for orgânico, deverá servir como alimento para insetos (entre outros usos). Por sua vez, os insetos são comidos por peixes, enquanto os resíduos de peixe se tornam fertilizantes naturais para plantas comestíveis em sistemas aquapônicos.
Aquaponia combina a aquicultura convencional – criação de organismos aquáticos como peixes e camarões em tanques – com a hidroponia, técnica que permite o cultivo de plantas em água. Esse processo simbiótico requer 98% menos espaço do que a agricultura tradicional e aproveita o lixo produzido no local.
Tecnologia a serviço da natureza
Há outros ciclos parecidos para a criação de rebanhos, captação de água, reciclagem, armazenamento e geração de energia por painéis solares e biogás.
Viver nesse novo vilarejo não significará, no entanto, uma existência ludita. Os moradores ainda serão capazes de ter uma vida confortável, com todas as comodidades modernas. Eles terão uma vida melhor em vários aspectos, já que contarão com comida produzida localmente e de alta qualidade, ressaltam os responsáveis pelo projeto.
"As Regen Villages são pura tecnologia aplicada", esclarece Lynge. "Estamos simplesmente aplicando o que já existe de tecnologia a um projeto integrado de comunidade." E os métodos de produção eficiente de comida têm outro efeito positivo: como o bairro não precisa de muita terra para plantar, as florestas e campos no entorno podem ser preservados.
Projeto Regen Village, na Holanda
Espaço mínimo para cultivar e criar peixes e pequenos animais: sobra mais terra para florestas e jardins no entorno
Opção para viver no deserto?
Para Lynge, esse é apenas o começo. "Estamos lançando um protótipo em Almere, na Holanda, mas o grande potencial do projeto está em países em desenvolvimento, onde bilhões de pessoas estão deixando áreas rurais em busca de melhores condições de vida", aposta.
Depois de encarar os desafios do clima frio e úmido do norte da Europa, o escritório Effekt pretende desenvolver outro Regen Village, usando os mesmos conceitos de eficiência de recursos, mas adaptados para condições quentes e secas.
"Vamos buscar soluções para as áreas com clima mais árido", avisa Ehrlich. "A partir daí, teremos escala global para alcançar a Índia rural, a África subsaariana, que são locais onde sabemos que a população vai aumentar e ascender à classe média. Se todos na Índia e África quiserem ter o mesmo tipo de moradias que construímos até agora, o planeta não vai aguentar", alerta.
Ainda não há detalhes disponíveis sobre a aparência possível da primeira comunidade em um clima quente ou sobre quando e onde exatamente ela será construída. Arábia Saudita, Malásia, Índia e China são alguns candidatos.

Meditação e música revertem perda de memória

Meditação e música revertem perda de memória
meditação fortalece o cérebro, beneficiando memória, sono, humor e raciocínio - entre outros.
[Imagem: LONI/UCLA]
Meditação, música e memória
As práticas de uma meditação simples, para iniciantes, ou de um programa de escutar músicas selecionadas, apresentaram múltiplos benefícios para idosos com indícios de perda de memória.
Na verdade, a meditação e a música mostraram-se capazes de reverter a perda de memória nas pessoas com maior risco de doença de Alzheimer.
No ensaio controlado e randomizado - o tipo mais rigoroso de pesquisa clínica -, 60 idosos com declínio cognitivo subjetivo, uma condição que pode representar um estágio pré-clínico da doença de Alzheimer, foram distribuídos em grupos para uma meditação iniciante, chamada Kirtan Kriya, ou para um programa de escuta musical. Os dois grupos praticaram 12 minutos por dia durante 12 semanas.
Melhorou tudo
Tanto o grupo de meditação quanto o de música apresentaram melhorias marcantes e significativas na função de memória subjetiva e no desempenho cognitivo objetivo ao final dos três meses.
As melhorias incluíram os aspectos do funcionamento cognitivo com maior probabilidade de serem afetados nos estágios pré-clínicos e iniciais da demência - por exemplo, atenção, função executiva, velocidade de processamento e função de memória subjetiva. Os ganhos substanciais observados na memória e na cognição foram mantidos ou melhoraram 6 meses depois - ou seja, 3 meses após o final da intervenção.
Os dois grupos também mostraram melhoria do sono, humor, estresse, bem-estar e qualidade de vida, com ganhos particularmente acentuados no grupo de meditação; novamente, todos os benefícios foram sustentados ou melhorados 3 meses após a intervenção.
Meditação contra Alzheimer
Os resultados sugerem que estas duas práticas mente-corpo muito simples - meditação Kirtan Kriya e ouvir música - não só podem melhorar o humor, o sono e a qualidade de vida, mas também reforçar a cognição e ajudar a reverter a perda de memória percebida em idosos com sinais de perda de memória, concluiu a equipe da professora Kim Innes, da Universidade da Virgínia Ocidental (EUA).

O ensaio clínico foi documentado em um artigo publicado peloJournal of Alzheimer's Disease.

Ressaca emocional existe de fato e influencia memória

Ressaca emocional
A experiência emocional cria um estado que "colore" todos os eventos ocorridos durante esse período de ressaca emocional.
[Imagem: Becky Wetherington/Wikimedia]
Ressaca emocional e memória
Experiências emocionais fortes podem induzir estados psicológicos e estados internos da mente que persistem por muito tempo após a experiência emocional ter terminado.
A comprovação da existência dessa "ressaca emocional", publicada na revista Nature Neuroscience, mostra que esse período de turbulência emocional influencia a maneira como abordamos e como nos recordamos das experiências tidas a seguir, por mais simples que sejam.
Sabe-se há algum tempo que experiências emocionais importantes - como casamentos, funerais, primeiros beijos, eventos históricos, parto ou a morte de um ente querido - são mais lembradas do que as não-emocionais, mesmo anos mais tarde.
No entanto, agora se demonstrou que as experiências não-emocionais que se seguem à experiência emocional também são melhor lembradas no futuro - justamente porque elas ocorrem no período de "ressaca emocional".
Colorindo as experiências
"A forma como nos lembramos dos eventos não é apenas uma consequência do mundo externo que experimentamos, mas também é fortemente influenciada por nossos estados internos - e esses estados internos podem persistir e colorir as experiências futuras," explica Lila Davachi, da Universidade de Nova York (EUA).
"A emoção é um estado de espírito. Estes resultados deixam claro que nossa cognição é altamente influenciada por experiências precedentes e, especificamente, que os estados cerebrais emocionais podem persistir por longos períodos de tempo," acrescentou.
Para identificar esse período de ressaca emocional, os pesquisadores analisaram imagens de ressonância magnética funcional (fMRI) do cérebro dos voluntários. Os exames mostram que os estados cerebrais associados com experiências emocionais alteram o modo como outras experiências tidas a seguir, sem cunho emocional, são lembradas no futuro - sua memorização é significativamente mais forte.

Em resumo, a experiência emocional cria um estado que "colore" todos os eventos ocorridos durante esse período de ressaca emocional, reforçando a capacidade de sua recordação posterior em comparação com eventos similares ocorridos fora do período de ressaca emocional.

Robô-cirurgião opera veia dentro do olho e evita cegueira

Robô-cirurgião opera veia dentro do olho e evita cegueira
A agulha e o robô-cirurgião foram desenvolvidos especificamente para realizar a cirurgia de altíssima precisão, operando uma veia dentro do olho.
[Imagem: KU Leuven]
Cirurgia robótica no olho
Cirurgiões e engenheiros da Universidade de Lovaina (Bélgica) construíram um robô-cirurgião capaz de realizar operações de altíssima precisão dentro do olho - o primeiro paciente já foi operado com êxito com a ajuda do equipamento.
Controlado por um cirurgião ocular, o robô usou uma agulha de apenas 0,03 milímetro para injetar um medicamento trombolítico na veia retiniana do paciente - a oclusão retiniana é uma condição que pode levar à cegueira.
A operação foi bem-sucedida, mostrando que é possível dissolver com segurança um coágulo sanguíneo de uma veia interna do olho - com um adequado suporte robótico.
O equipamento agora passará para um ensaio clínico de fase 2, onde será possível demonstrar o impacto clínico da cirurgia robotizada para os pacientes, com um acompanhamento de longo prazo.
Oclusão da veia retiniana
A oclusão da veia retiniana é marcada pela formação de um coágulo sanguíneo em uma das veias da retina. Isso causa redução da visão ou mesmo cegueira no olho afetado. Hoje, o tratamento consiste em injeções mensais no olho, um tratamento que apenas reduz os efeitos colaterais da trombose, mas não consegue reverter seus efeitos.
A retirada total do coágulo deverá ser uma solução definitiva para a ampla maioria dos casos.

"O tratamento atual para a oclusão da veia da retina custa à sociedade €32.000 por olho [quase R$110.000], um preço elevado, especialmente se você sabe que está apenas tratando os efeitos colaterais e que há pouco mais que se possa fazer do que evitar a diminuição da visão. O robô-cirurgião nos permite tratar a causa da trombose na retina pela primeira vez. Então, estou ansioso para o próximo passo: se conseguirmos, vamos literalmente ser capazes de fazer pessoas cegas enxergar novamente," disse o professor Peter Stalmans, coordenador da equipe.