quarta-feira, 18 de março de 2026

Cientistas afirmam ter descoberto origem da doença de PARKINSON no cérebro

 


  
17/03/2026

Redação do Diário da Saúde
Cientistas afirmam ter descoberto origem da doença de Parkinson no cérebro
A descoberta contesta a visão científica majoritária sobre a doença de Parkinson e aponta para uma nova era de abordagens de tratamento mais precisas e direcionadas.
[Imagem: Jianxun Ren et al. - 10.1038/s41586-025-10059-1]

Endereço da doença de Parkinson

Uma equipe internacional de neurocientistas descobriu uma rede cerebral que eles acreditam ser o ponto central das disfunções causadas pela doença de Parkinson.

A doença de Parkinson é uma condição neurológica progressiva que afeta milhões de pessoas globalmente, manifestando-se através de tremores, rigidez motora e declínio cognitivo. Embora tratamentos atuais, como medicações de longo prazo e a estimulação cerebral profunda invasiva, sejam recomendados para tentar mitigar os sintomas, eles não são capazes de interromper o avanço da patologia ou oferecer uma cura definitiva.

O desafio reside no fato de que o Parkinson é uma doença multissistêmica, impactando não apenas o movimento, mas também o sono, a digestão e o pensamento, o que sugere que sua origem está em uma rede neural mais ampla do que se supunha anteriormente.

É justamente isso que Jianxun Ren e seus colegas acabam de confirmar, conforme eles identificaram a rede neural que eles batizaram de SCAN, sigla em inglês para rede de ação somato-cognitiva (SCAN: Somato-Cognitive Action Network). Ela está localizada no córtex motor e é responsável por traduzir intenções em movimentos físicos.

Tratamentos funcionaram

Os cientistas descobriram que o Parkinson está enraizado em uma conectividade excessiva entre a SCAN e o subcórtex, área ligada às emoções e à memória. Essa "fiação" anormal interrompe a coordenação entre o corpo e a mente.

A análise de dados de centenas de pacientes demonstrou que as terapias mais bem-sucedidas são justamente aquelas que conseguem reduzir essa hiperconectividade, restaurando o equilíbrio no circuito cerebral responsável por planejar e monitorar ações. Ao contrário das abordagens tradicionais, o direcionamento preciso de estímulos para essa área demonstrou uma eficácia duas vezes maior na redução de sintomas em comparação com a estimulação de regiões adjacentes.

"Este trabalho demonstra que a doença de Parkinson é um distúrbio da SCAN, e os dados sugerem fortemente que, se você direcionar a SCAN de forma personalizada e precisa, poderá tratar a doença de Parkinson com mais sucesso do que era possível anteriormente," disse o Dr. Nico Dosenbach, membro da equipe. "Alterar a atividade dentro da SCAN pode retardar ou reverter a progressão da doença, e não apenas tratar os sintomas."

Esta nova compreensão da doença de Parkinson abre caminho para tratamentos de precisão não-invasivos, como a estimulação magnética transcraniana direcionada com precisão milimétrica. No futuro, essa abordagem poderá permitir intervenções precoces, antes que procedimentos cirúrgicos sejam necessários, e o desenvolvimento de novas tecnologias, como o uso de ultrassom focado e eletrodos de superfície, para tratar problemas específicos de marcha e outras funções motoras de forma personalizada.

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