
[Imagem: Ju-Hyun Lee et al. - 10.1038/s41593-022-01084-8]
Insucessos no combate ao Alzheimer
Décadas de uma teoria científica cada vez mais questionada, conhecida como "hipótese beta-amiloide", não resultaram em tratamentos eficazes contra a Doença de Alzheimer.
Com inúmeros estudos contestando a teoria das proteínas amiloides como causa de Alzheimer, alguns deles incluindo até mesmo fenômenos quânticos no cérebro, os cientistas começaram a propor novas perspectivas sobre o Alzheimer.
Para resumir os inúmeros estudos na área, uma equipe internacional de cientistas fez uma nova revisão sobre os estudos mais recentes e confirmaram que as intervenções focadas em um único fator se mostraram insuficientes - não apenas as intervenções baseadas nas proteínas amiloides, mas também nas menos conhecidas proteínas tau.
Com isto, os cientistas argumentam que a complexidade do Alzheimer - impulsionada por uma interação multifacetada entre a deposição de beta-amiloides, emaranhados de proteína tau, predisposições genéticas, envelhecimento biológico e saúde sistêmica - exige uma abordagem terapêutica mais integrada.
Visão holística sobre o Alzheimer
A revisão analisou em profundidade áreas críticas das pesquisas sobre Alzheimer. Veja as principais conclusões.
- Além das beta-amiloides: Embora as proteínas beta-amiloides continuem ocupando o centro das atenções da maioria das equipes científicas, seus resultados clínicos decepcionantes destacam as limitações de se utilizá-la isoladamente. Terapias emergentes estão começando a focar na hiperfosforilação da proteína tau, que leva à formação de emaranhados neurofibrilares e à perda neuronal.
- O panorama genético: A genética é responsável pela grande maioria das variâncias da doença de Alzheimer, mas não pela doença em si. Além do conhecido fator de risco APOE ε4, os pesquisadores estão agora explorando sítios específicos de ancestralidade e a edição genômica (CRISPR/Cas9) como potenciais intervenções pontuais.
- Envelhecimento: O envelhecimento é o principal fator de risco para a doença de Alzheimer, envolvendo disfunção mitocondrial, senescência celular e danos ao DNA. O caminho adotado aqui tem sido o de terapias "senolíticas", que eliminam células gliais envelhecidas para melhorar a função cerebral.
- Saúde sistêmica: Condições como resistência à insulina, hipertensão e até mesmo disbiose intestinal exacerbam significativamente a patologia da doença de Alzheimer. A reutilização de medicamentos para diabetes e o direcionamento ao eixo intestino-cérebro representam vias sistêmicas promissoras.
Do reducionismo para a integração
Os autores da revisão defendem uma transição de abordagens "reducionistas" para "estratégias integradas".
Isso inclui o desenvolvimento de terapias com múltiplos alvos, a utilização de organoides derivados de células-tronco pluripotentes induzidas humanas para validação de medicamentos e a implementação de tratamentos de precisão baseados em biomarcadores precoces, como a proteína pTau217 plasmática.
"O sucesso no combate ao Alzheimer depende da colaboração interdisciplinar e da inovação holística," concluem os autores, defendendo que esta revisão deve servir como um guia para transformar a doença de Alzheimer de um fardo incurável em uma condição controlável ou até mesmo evitável.
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