segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A conta das mudanças climáticas

Quanto vai custar a luta contra o aquecimento global? E quais são os investimentos que valem a pena? Economistas tentam encontrar respostas – mas as perguntas talvez estejam erradas.
A economia não é uma ciência exata. Mesmo assim, políticos e economistas esperam obter as respostas mais precisas possíveis ao desafio das mudanças climáticas. Concretamente, às seguintes perguntas: qual é a extensão do possível dano do aquecimento global? E quanto custa evitar esse dano ou, pelo menos, restringi-lo?
Até agora, o Stern Review on the Economics of Climate Change, um relatório de 700 páginas apresentado pelo economista Nicholas Stern a pedido do governo britânico em 2006, foi a tentativa mais abrangente e influente de encontrar uma resposta a essas questões.
COP23: Cúpula leva adiante Acordo de Paris
Opinião:Opinião: Não é hora de desistir do clima
Caso não se faça algo, diz o documento, os danos causados pelas mudanças climáticas poderiam gerar uma perda anual de 5% no Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Previsões mais pessimistas falam em ou mais.
Já os custos da ação contra o aumento da temperatura global, segundo o relatório de Stern, somam cerca de 1% do desempenho econômico global. Em outras palavras, financeiramente, vale a pena combater o aquecimento do planeta.
Alguns economistas criticaram o estudo por, em sua visão, superestimar os riscos e os danos das mudanças climáticas, mas, em geral, predominou uma recepção positiva. Enfim, diziam os analistas, as mudanças climáticas recebiam uma etiqueta com preço que permitia negociações políticas.
Modelando o mundo
Economistas desenvolvem complexos modelos para estimar custos econômicos. Eles se baseiam numa infinidade de hipóteses sobre evoluções que, em parte, só vão se concretizar daqui a algumas centenas de anos. Cada uma das hipóteses pode ser encarada como demasiadamente otimista ou pessimista.
Como evolui a população mundial? Até onde vai subir o nível do mar, e quanto custa proteger os litorais? Como fica o balanço custo-benefício quando o aumento da temperatura na atmosfera impossibilita o cultivo de certas plantas numa determinada região, mas o favorecem numa outra? E como se calcula a poluição de hoje com custos que só serão "cobrados" daqui a 300 anos?
 
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Comunidades tentam sobreviver às mudanças climáticas na Mongólia

William Nordhaus, economista da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, afirma que o desenvolvimento desse tipo de modelo é uma arte.
"Dê uma olhada nesses livros pesados que o IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas] publica, todo esse material que não é digerido: uma tabela aqui, um gráfico ali, uma declaração. Fazer disso algo que se possa entender, ilustrar e testar, é esta a arte de criar modelos".
O próprio Nordhaus desenvolveu modelos amplamente difundidos no contexto da avaliação das consequências do clima. Desde 1975, o estudioso também é conhecido como o inventor da meta de limitar o aumento da temperatura global a entre 2 e 3°C para evitar danos maiores ao planeta.
Para atingir as metas de temperatura, os economistas começam pelo preço do dióxido de carbono. Cada tonelada de CO2 que é emitida com a queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás deveria ser vinculada a custos. Se o preço aumenta, diminui a demanda – e aumenta também a pressão pela busca de fontes alternativas de energia.
"Qual deveria ser o preço? Um dólar? Dez dólares? Cem dólares? Mil dólares?", indaga Nordhaus. "É para isso que se aplica esses modelos – para definir qual o efeito do preço das emissões nas metas de limitação da temperatura".
Durante a Conferência do Clima de 2015, em Paris, 195 países fecharam um acordo para limitar o aumento da temperatura global a abaixo de 2°C – sem, porém, definir os compromissos necessários para atingir esse objetivo.
Expectativa e realidade
"Para alcançar a meta de dois graus, o preço inicial para uma tonelada de CO2 teria de ser de cerca de cem dólares", afirma o economista ambiental Robert Medelsohn, que também pesquisa na Universidade de Yale e trabalhou frequentemente com Nordhaus. Uma comissão sob a batuta de Nicholas Stern e do Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz faz recomendações parecidas.
Mas, na realidade, o preço da tonelada de CO2 é bem mais baixo, entre cinco e dez dólares. "Com esse preço, só é possível limitar o aumento da temperatura global a 4°C", diz Mendelsohn.
Para ativistas pró-meio ambiente, isso é uma catástrofe. Mas Mendelsohn vê poucos motivos de preocupação. "De um lado, existem os danos, do outro, os custos para a limitação dos danos. Cada sociedade deveria se esforçar em manter a soma das duas coisas no mínimo possível."
Segundo os cálculos de Mendelsohn, os custos da limitação dos danos aumentam de forma exponencial, quanto mais ambiciosa for a meta do clima (veja no gráfico abaixo).
"O custo depende de quantos combustíveis fósseis o mundo ainda poderá consumir", explica o economista. "Se a meta de temperatura foi aumentada de 2 a 3 para 4°C, pode-se usar mais combustíveis fósseis. Assim, ganhamos mais tempo para desenvolver fontes alternativas de energia."
O pesquisador de Yale acredita que 4°C "provavelmente seja uma boa meta" com a qual todos podem concordar. "Durante 30 anos, procurei argumentos econômicos para justificar a meta de 2°C e não encontrei", relata Mendelsohn. "Onde está o estrago que justificaria as despesas necessárias para coibi-lo?"
O presidente do Banco Mundial, Jim Yong-kim, contraria. "Um mundo 4°C mais quente pode e deve ser evitado", disse, já em 2012, durante a apresentação de um estudo para a análise das consequências do clima. Num cenário como esse, haveria grandes perturbações no abastecimento de água e alimentos.
"As piores consequências afetam especialmente as pessoas mais pobres nos países mais pobres", segundo Kim.
Se o mundo ficar 1°C mais quente, os estragos somariam entre 100 e 200 bilhões de dólares por ano, estima o economista Mendelsohn. Outros estudos chegam a custos ainda mais altos. É muito – mas é o suficiente para justificar os custos extras de temperaturas mais altas?
Seca em Bangladesh, uma das nações mais afetadas pelo aquecimento global no mundo Seca em Bangladesh, uma das nações mais afetadas pelo aquecimento global no mundo
Visão restrita
No máximo neste ponto, passa a fazer sentido a questão sobre o sentido de ponderações custo-benefício. "É muito problemático reduzir as alterações climáticas a valores monetários", constata o pesquisador do clima Mike Hulmes, da universidade britânica de Cambridge. "Dá-se às pessoas a ilusão de que o aquecimento global é um problema econômico".
Mas, segundo Hulmes, há questões muito mais essenciais ligadas às mudanças climáticas. "Como vivemos nesse planeta? Ligadas a isso, existem perguntas relativas à justiça, à distribuição de renda, à ética e à natureza humana. Isso supera em muito os valores monetários."
A visão restrita dos economistas também é visível em seus modelos, afirma Hulmes. "Tudo o que não tem um mercado passa a ser negligenciado", completa. "Como se estima a natureza? Que valor têm os ecossistemas para pessoas em diferentes culturas?"
A análise de custos que surgem em países ricos com estragos cujas consequências são sentidas por pessoas em países pobres mostra a injustiça de comparações econômicas. E isso ficou especialmente evidente num dos primeiros relatórios do IPCC, diz Hulmes.
"Naquela época, os economistas avaliavam a vida de um cidadão dos Estados Unidos como cem vezes mais valiosa que a de um queniano", exemplifica. Na discussão sobre as mudanças do clima, conclui, é necessário haver menos, e não mais cálculos de custo-benefício.

Ciência descobre como barrar pensamentos indesejáveis

Pesquisadores identificaram que neurotransmissor presente no cérebro pode ajudar a controlar a mente

Pensamentos sabotadores chegam sem serem convidados, causando uma percepção distorcida sobre nós mesmos e impedindo que vivamos experiências diferentes em nossa vida.
Ciência descobre como barrar pensamentos indesejáveis
Ciência descobre como barrar pensamentos indesejáveis
Foto: Getty Images / Minha Vida
Mas a ciência parece ter descoberto uma forma de impedir que pensamentos indesejados venham à tona, possibilitando que cada um tenha o controle sobre sua mente. A novidade foi publicada recentemente na revista científica Nature Communications.
Para entender como a pesquisa funciona, é preciso saber como age um neurotransmissor chamado GABA (ácido gama aminobutírico). O Gaba é fabricado pelo nosso organismo e é responsável por inibir o sistema nervoso. Por isso, é capaz de atenuar os sintomas da ansiedade, como o estresse, inquietação e falta de atenção.
O que os cientistas descobriram é que quanto maiores as concentrações de gaba no organismo maior o controle sobre possíveis pensamentos indesejáveis.
Para a realização do estudo, os pesquisadores solicitaram a um grupo de voluntários a decorar uma sequência de palavras sem conexão. Em seguida, foi solicitado para que eles se lembrassem ou ignorassem a palavra de acordo com uma cor específica. Sendo assim, se a cor fosse verde era necessário lembrar, se a cor fosse vermelha ela deveria ser ignorada.
Enquanto os participantes faziam essa atividade, os pesquisadores observaram a atividade cerebral dos voluntários com auxílio de um equipamento de ressonância magnética. Os pesquisadores observaram, então, que, nos momentos em que as palavras precisavam ser ignoradas, aumentava a concentração de GABA no cortex pré-frontal.
Os cientistas estão animados, pois acreditam que a descoberta pode auxiliar na criação de medicamentos compostos por GABA e, portanto, capazes de contribuir para a inibição de pensamento indesejáveis.

Como os super-ricos usam paraísos fiscais para esconder seus segredos


Novo vazamento massivo de informações financeiras expõe os meios utilizados pelos super-ricos (inclusive a rainha da Inglaterra) para investir em paraísos fiscais

6 nov 2017

Um imenso vazamento de documentos financeiros revela os meios utilizados pelos ricos e poderosos (incluindo a rainha da Inglaterra) para investir grandes somas de dinheiro em paraísos fiscais.
O vazamento mostra que cerca de 10 milhões de libras (R$ 43 mi) da rainha estavam investidos em offshores
O vazamento mostra que cerca de 10 milhões de libras (R$ 43 mi) da rainha estavam investidos em offshores
Foto: BBCBrasil.com
O vazamento mostra como o secretário de Comércio de Donald Trump, Wilbur Ross, mantinha dinheiro em uma firma que negociava com cidadãos russos que eram alvo de sanções do governo americano - do qual Ross faz parte.
A série jornalística, batizada de Paradise Papers, é baseada em 13,4 milhões de documentos. A maioria deles veio de uma das principais firmas de criação de empresas offshores no mundo, a Appleby. Os documentos dizem respeito a 19 paraísos fiscais, como as ilhas Cayman e Bermudas, Aruba, Barbados, Trinidad e Tobago e Vanuatu, entre outros.
A BBC participou da investigação por meio do programa de TV Panorama , do canal de TV BBC One.
Assim como ocorreu no ano passado, com a série Panama Papers, as informações foram obtidas pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung, de Munique. O jornal dividiu as informações com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês), que supervisionou o trabalho de investigação. No Brasil, participaram da apuração jornalistas do site Poder360.
Ao todo, participaram da investigação 382 jornalistas de 67 países, atuando em 96 veículos de mídia. A apuração durou cerca de um ano.
A publicação das reportagens começou no último domingo, e mais personagens e empresas serão reveladas ao longo dos próximos dias. Reportagens mostrarão como políticos, multinacionais, celebridades e bilionários de todo o mundo usam estruturas complexas de offshores, trustes e fundações para proteger e manter em segredo seus recursos.
A maioria das transações não envolve práticas criminais.

Qual é o envolvimento da rainha da Inglaterra?

Os Paradise Papers mostram que cerca de 10 milhões de libras (em torno de US$ 13 milhões) dos recursos privados da rainha Elizabeth 2ª da Inglaterra estavam investidos em paraísos fiscais.
O dinheiro foi investido em fundos nas ilhas Cayman e em Bermuda pelo Ducado de Lancaster, que administra o patrimônio privado da chefe de Estado fornecendo uma receita à soberana. O fundo administra cerca de 500 milhões de libras.
Não há nada de ilegal no investimento, e nada sugere que a rainha esteja sonegando impostos, mas a reportagem levanta questões sobre se é adequado que a rainha invista em empresas offshores.
Em nota, o Ducado de Lancaster explicou que segue rigorosamente as recomendações de consultores na escolha das aplicações feitas. "O Ducado investiu apenas em fundos privados altamente renomados seguindo recomendações de nossos consultores de investimentos; todas operações são legítimas e estão devidamente declaradas."
Um porta-voz do Ducado de Lancaster acrescentou que a rainha "paga todos os impostos sobre as receitas que recebe do Ducado".
Segundo os documentos revelados, os fundos privados usados pelo Ducado teriam feito, entretanto, investimentos menores em uma empresa varejista (BrightHouse), que foi acusada de explorar a população de baixa renda, e em uma rede de bebidas alcoólicas (Threshers). Esta última empresa foi à falência, deixando uma dívida de 17,5 milhões de libras em impostos e cerca de 6 mil pessoas sem emprego.
O Ducado diz que não participou das decisões de investimento feitas pelos fundos, e que a rainha não tinha conhecimento de qualquer investimento específico feito em seu nome.

Constrangimento para Ross e Trump?

Wilbur Ross ajudou Donald Trump a escapar da falência em 1990. Anos depois, foi nomeado secretário de Comércio no governo do republicano.
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Foto: BBCBrasil.com
Os documentos mostram que Ross manteve participações em uma companhia de logística que lucrou milhões de dólares transportando óleo e gás para uma empresa russa de energia. Entre os controladores da empresa russa estão um genro do presidente russo Vladimir Putin e duas pessoas atingidas por sanções do Estado americano.
A reportagem levanta questionamentos sobre as ligações da equipe de Donald Trump. Desde que foi eleito, o mandatário enfrenta acusações de que russos teriam atuado para influenciar o resultado das eleições dos EUA em 2016. Trump chamou as acusações de "fake news".

De onde vem o vazamento?

A maior parte dos dados vem de uma empresa chamada Appleby, um escritório de advocacia baseado em Bermuda. Trata-se de uma das principais empresas da indústria de offshores, e ajuda clientes a constituir empresas em jurisdições além-mar com pouca ou nenhuma taxação.
A documentação da Appleby e de registros públicos em várias das jurisdições foi obtida pelo jornal Süddeutsche Zeitung. A fonte do vazamento não foi revelada.
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Foto: BBCBrasil.com
Os veículos jornalísticos que participam da investigação dizem que o material possui interesse público, já que vazamentos da indústria de firmas offshores já revelaram evidências de crimes em várias ocasiões.
Em resposta ao vazamento, a Appleby se disse "satisfeita com o fato de o vazamento não ter mostrado qualquer malfeito, nem da nossa parte e nem de nossos clientes". A empresa acrescenta que "não tolera comportamentos ilegais".

O que exatamente são empresas offshores?

Resumidamente, trata-se de companhias em lugares não submetidos às leis e regulamentações de um país, para onde indivíduos e empresas podem mandar recursos para tirar vantagem de impostos mais baixos ou inexistentes.
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Foto: BBCBrasil.com
Estas jurisdições são conhecidas como paraísos fiscais, no dito popular, ou "centros financeiros offshore (OFCs, na sigla em inglês)", no jargão da indústria financeira. Geralmente são lugares com estabilidade política e regras que garantem o sigilo e a confiabilidade dos depósitos. Muitas vezes os paraísos fiscais estão em pequenas ilhas, mas não necessariamente. O grau de vigilância contra crimes financeiros também varia bastante.
O Reino Unido tem um papel importante nesta indústria: muitos dos paraísos fiscais são dependências da Coroa britânica ou territórios britânicos. Além disso, vários dos principais advogados, contadores e banqueiros da indústria offshore estão sediados na City londrina, que é o distrito financeiro da capital inglesa.
Trata-se também de uma indústria para os megarricos. A socióloga Brooke Harrington é autora do livro Capital Without Borders: Wealth Managers and the One Percent (Capital sem fronteiras: gestores de riqueza e o um porcento, em tradução livre). Segundo ela, o uso de offshores não é para o 1% mais rico, mas para o 0,001%. Valores da monta de US$ 500 mil simplesmente não cobrem as taxas exigidas por esta indústria, diz.

Por que isto importa para você?

O primeiro motivo: trata-se de uma quantidade gigantesca de dinheiro. O Boston Consulting Group diz que cerca de US$ 10 trilhões estão hoje em empresas offshore. Isto equivale ao PIB do Japão, do Reino Unido e da França - juntos. Equivale também a cinco vezes e meia o PIB do Brasil em 2016. E esta pode ser ainda uma estimativa conservadora.
Críticos da indústria offshore dizem que ela está baseada principalmente em manter e proteger segredos - o que abre caminho para malfeitos e para a manutenção da desigualdade. Dizem ainda que a ação dos governos para conter este problema tem sido lenta e pouco eficaz.
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Foto: BBCBrasil.com
Brooke Harrington diz que, se os ricos estiverem sonegando impostos, os pobres acabarão pagando a conta. "Há um montante mínimo de recursos que os governos precisam para funcionar, e eles acabam repondo o que perdem para os ricos e as corporações retirando dos nossos lares", diz.
"Precisamos saber o que está acontecendo além-mar. Se as offshores não fossem secretas, uma parte destas transações simplesmente não poderia acontecer. Precisamos de transparência e precisamos que a luz do Sol chegue até lá", diz Meg Hiller, uma congressista inglesa do partido Labour e presidente da Comissão de Contas Públicas do Parlamento inglês.

O que diz a indústria offshore?

Os OFCs argumentam que, se eles não existissem, não haveria limite prático para o aumento dos impostos cobrados pelos governos. Eles argumentam que não estão simplesmente sentados em montanhas de dinheiro, e que atuam como agentes que ajudam a bombear recursos ao redor do globo.
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Foto: BBCBrasil.com
Bob Richards, que era ministro de Finanças de Bermuda quando foi entrevistado pelo programa de TV Panorama, disse que não cabia a ele cobrar impostos em nome de outros países, e que estes deveriam tomar contas dos próprios assuntos.
Ele e Howard Quayle, ministro-chefe da ilha de Man (uma dependência da Coroa britânica, localizada entre a Irlanda e a Grã-Bretanha) negam que seus países sejam paraísos fiscais, uma vez que seriam bem regulamentados e atenderiam todas as normas internacionais da indústria bancária.
A Appleby também já disse, no passado, que os OFCs "protegem pessoas vitimadas pelo crime, corrupção e perseguição, blindando-as contra governos venais".

sábado, 4 de novembro de 2017

COMPOSIÇÃO 30

VOCÊ PODE VOAR


Acredite em você
Você pode voar
Sem asas, basta querer
Você pode decolar
(Refrão)


Mas, antes, tem que descolar
Mas, antes, tem que descolar


Descolar dos medos
Construir rochedos
Escrever enredos
Plantar arvoredos
Desvendar segredos


Voando pelo conhecimento
Crescendo como fermento
Voando pela fé
Permanecendo em pé

Permanecendo em pé, dando um olé
Permanecendo em pé, dando um olé

Acredite em você
Você pode voar
Sem asas, basta querer
Você pode decolar
(Refrão)


Voando pelo discernimento
Voando pelo embasamento
(voando)
Voando pela verdade
Voando pela liberdade
(eh, voando)

Voando pela descoberta
Voando pela escolha certa
(Voando)
Voando pelo mérito
Voando pelo crédito
(eh, voando)



Acredite em você
Você pode voar
Sem asas, basta querer
Você pode decolar
(Refrão)


Voando pela reflexão
Voando pela conexão
(voando)
Voando pelo trabalho
Voando sem atalho
(eh, voando)
Voando pela ética
Voando pela genética


Voando pela bondade
Voando pela realidade
(voando)
Voando pela virtude
Voando pela atitude
(eh, voando)


Acredite em você
Você pode voar
Sem asas, basta querer
Você pode decolar
(Refrão)

Voando pela justiça
Voando por quem enfeitiça
(voando)
Voando pela educação
Voando pelo coração
(eh, voando)

Voando pela emoção
Voando pela imaginação
(voando)
Voando pela sinceridade
Voando pela responsabilidade
(eh, voando)

Acredite em você
Você pode voar
Sem asas, basta querer
Você pode decolar
(Refrão)


Voando pela investigação
Voando pela participação
(voando)
Voando pelo respeito
Voando pelo adequado jeito
(eh, voando)

Voando pela conscientização
Voando pela iluminação
(voando)
Voando pela correção
Voando pela determinação
(eh, voando)

Acredite em você
Você pode voar
Sem asas, basta querer
Você pode decolar
(Refrão)


Mas, antes, tem que descolar
Mas, antes, tem que descolar


Descolar dos medos
Construir rochedos
Escrever enredos
Plantar arvoredos
Desvendar segredos


Voando pelo conhecimento
Crescendo como fermento
Voando pela fé
Permanecendo em pé

Permanecendo em pé, dando um olé
Permanecendo em pé, dando um olé

Acredite em você
Você pode voar
Sem asas, basta querer
Você pode decolar
(Refrão)



Voando pelo discernimento
Voando pelo embasamento
(voando)
Voando pela verdade
Voando pela liberdade
(eh, voando)

Voando pela descoberta
Voando pela escolha certa
(Voando)
Voando pelo mérito
Voando pelo crédito
(eh, voando)


Acredite em você
Você pode voar
Sem asas, basta querer
Você pode decolar
(Refrão)


Voando pela reflexão
Voando pela conexão
(voando)
Voando pelo trabalho
Voando sem atalho
(eh, voando)
Voando pela ética
Voando pela genética


Voando pela bondade
Voando pela realidade
(voando)
Voando pela virtude
Voando pela atitude
(eh, voando)


Acredite em você
Você pode voar
Sem asas, basta querer
Você pode decolar
(Refrão)

Voando pela justiça
Voando por quem enfeitiça
(voando)
Voando pela educação
Voando pelo coração
(eh, voando)
Voando pela emoção
Voando pela imaginação
(voando)
Voando pela sinceridade
Voando pela responsabilidade
(eh, voando)

Acredite em você
Você pode voar
Sem asas, basta querer
Você pode decolar
(Refrão)


Voando pela investigação
Voando pela participação
(voando)
Voando pelo respeito
Voando pelo adequado jeito
(eh, voando)

Voando pela conscientização
Voando pela iluminação
(voando)
Voando pela correção
Voando pela determinação
(eh, voando)

Acredite em você
Você pode voar
Sem asas, basta querer
Você pode decolar
(Refrão)

Enfim, há várias formas de voar
Escolha pelo menos uma delas
E, diante de tantas mazelas
Faça o mundo melhorar
(Refrão final)

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Como o sexo se tornou tabu na Índia, o país do Kama Sutra e dos templos eróticos

Tradicionalmente, país sempre celebrou e tolerou, mesmo sob comando de governantes muçulmanos, a sexualidade e o erotismo - até a chegada dos britânicos.

3 nov 2017
A celebração do Dia dos Namorados (ou Dia de São Valentim) causa tumultos todos os anos na Índia. De um lado, os namorados que não veem nada de mal em demonstrações públicas de afeto como trocar rosas e andar de mãos dadas. De outro, patrulhas formadas por hindus radicais que creem se tratar de uma falha moral grave, e que se dedicam a intimidar os casais.
Detalhe de um templo erótico em Khajuraho, na Índia central.
Detalhe de um templo erótico em Khajuraho, na Índia central.
Foto: BBCBrasil.com
A ação desses autoproclamados patrulheiros da moral contrasta com a ideia que muitos têm da Índia fora do país. Basta pensar que se trata do berço do Kama Sutra e lar de uma rica tradição em esculturas eróticas.
Uma mulher de burca admira esculturas eróticas em um templo
Uma mulher de burca admira esculturas eróticas em um templo
Foto: BBCBrasil.com
"Na cosmovisão indiana, o universo foi criado pelo desejo cósmico. A sensualidade é parte do sagrado", diz à BBC a historiadora da religião Madhu Khanna.

O prazer como um sentido da vida

Ela explica que o prazer é cultivado e parte do propósito da vida humana e de sua transcendência. "A sensualidade não é algo para se envergonhar, muito pelo contrário. Tem um papel muito importante para os indianos. Não apenas no sexo, mas como uma estética da vida", diz Khanna.
Foi neste contexto que surgiram na Índia expressões de sensualidade que seriam impensáveis em outras culturas, inclusive para os ocidentais de hoje em dia.
Esculturas eróticas nos templos de Khahurajo, na Índia.
Esculturas eróticas nos templos de Khahurajo, na Índia.
Foto: BBCBrasil.com
O Kama Sutra, manual de práticas eróticas, foi compilado no século 3. E fala de práticas ainda mais antigas. "Kama, em sânscrito, não significa sexo, e sim prazer, desejo", diz Nybdi Aditya Haksar, autor de uma tradução do livro.
O livro se concentra na busca por prazer em cada aspecto da existência. Haksar contextualiza: "Esta busca (pelo prazer) é apenas um dos três princípios da vida humana. Os outros são a busca da bondade e da virtude, e a busca da prosperidade e da riqueza", diz ele.

Relevante até hoje

Dos sete capítulos que compõem o Kama Sutra, somente o segundo trata de sexo, propriamente. "É muito gráfico, explica com grande detalhe as posições que podem ser usadas na relação sexual", diz Haksar à BBC Mundo (serviço em língua espanhola da BBC).
Sandhya Mulchandani, autora do livro O Kama Sutra para Mulheres , diz que apesar de algumas das posições parecem estranhas, muitos dos princípios do livro continuam válidos em nossos dias. "É um livro muito moderno em vários aspectos. Por exemplo, reconhece o desejo da mulher e o fato de que elas podem tomar o controle em uma relação sexual", explica.
templos eróticos de Khajuraho, na Índia central.
templos eróticos de Khajuraho, na Índia central.
Foto: BBCBrasil.com
"O Kama Sutra é como uma revista que ensina os rapazes a ir a um encontro. Diz como comportar-se, recomenda que tomem banho, ponham roupas limpas, cortem as unhas, e mais importante, a escutar a mulher e não ser egoísta", diz ela.
Mulchandani diz que o Kama Sutra só poderia ter surgido em uma cultura muito madura e tolerante, em que "se celebra a vida em toda a sua glória".

Templos eróticos

Outra evidência desta abertura sexual no passado da Índia são os templos de Khajuraho As impressionantes esculturas em pedra de Khajuraho continuam espantando - e encantando - os visitantes nesta cidade na região central da Índia. Algumas representam ninfas voluptuosas em poses sugestivas. No entanto, outras mostram casais em posições sexuais incríveis e acrobáticas.
"São poucos os templos que têm essas esculturas eróticas. Representam posições sexuais como outras obras, de outras culturas, mostram homens em guerra", explica Haksar.
Vista geral dos templos de Khajuraho.
Vista geral dos templos de Khajuraho.
Foto: BBCBrasil.com
Assim como outros especialistas, Haksar diz que é errada a crença popular de que a repressão sexual na Índia começou quando ela esteve sob o domínio muçulmano, que perdurou por quase 300 anos. "O Império Mogol (do início do século 16 a meados do século 19), apesar de não ser tão aberto, permitiu o florescimento cultural da Índia e avalizou um grande refinamento nas artes", diz a historiadora Khanna.
Ness período, os governantes eram islâmicos, mas isso não interferiu na vida diária dos habitantes da Índia. "A cultura islâmica teve momentos de maior abertura. Na Índia, a poesia persa produzida durante o período mogol, apesar de falar sobre a divindade, possui uma carga homoerótica", diz Saleem Kidwai, especialista em história medieval e coautor do livro Amor Homossexual na Índia .
Hinduistas fundamentalistas queimando corações de tecido no dia dos namorados
Hinduistas fundamentalistas queimando corações de tecido no dia dos namorados
Foto: BBCBrasil.com

Imposição da Coroa britânica

A mudança na Índia, de celebrar o sexo a transformá-lo em tabu, é "um processo complexo, não muito fácil de explicar", diz Kidwai. "Mas em linhas gerais, podemos dizer que é uma mudança da metade do século 19. Um ponto de referência é a revolta de 1857 contra a East British Company, que dominava a Índia", diz.
A revolta foi reprimida violentamente e a Índia passou ao controle direto da Coroa britânica que passou a criar leis de acordo com os próprios valores, baseados à época na moralidade vitoriana. Este conjunto de normas, consolidado durante o reinado da rainha Vitória (1837-1901), "se caracterizava por uma moral muito puritana, com regras sobre a família e sobre como homens e mulheres deveriam conduzir-se", diz Kidwai.
Um casal se abraça na orla da cidade de Bombai, na Índia
Um casal se abraça na orla da cidade de Bombai, na Índia
Foto: BBCBrasil.com
"Uma parte da sociedade indiana, ao sentir-se fracassada e escravizada, começou a reexaminar a própria cultura e a imaginar quais mudanças deveriam ser feitas. Alguns, especialmente aqueles educados pelos britânicos, chegaram à conclusão de que a atitude indulgente em relação ao sexo era uma coisa ruim", diz o historiador Kidwai.
"O colonialismo prejudicou muito nossa liberdade de pensamento", afirma Khanna. "Não só na Índia, mas em todas as partes; quando as pessoas se sentiram mais 'racionais', começam a questionar suas tradições e mitos", diz Mulchandani.
Representação dos deuses Krishna e Radha.
Representação dos deuses Krishna e Radha.
Foto: BBCBrasil.com
Além das visões estrangeiras, há também algumas correntes mais estritas do hinduísmo que consideram o sexo um tabu. Entre estas correntes, está a que inspira o partido BJP, que hoje governa o país. As patrulhas de fundamentalistas que caçam namorados do dia de São Valentim são mais ativas nos Estados governados pelo partido.
"O hinduísmo é tradicionalmente aberto, mas alguns setores políticos de direita têm uma visão menos tolerante à sexualidade", diz Kidwai.
Mulchandani diz que, apesar da celebração da sexualidade ser parte da cultura indiana, ela acabou sendo mais apreciada na esfera privada. "Posso ser um ser muito sexual, mas não posso demonstrá-lo publicamente", diz ela.
A sensualidade, porém, é algo mais difícil de ocultar. "É da natureza da sociedade e do povo. Se expressa a todo momento na Índia", diz Mulchandani.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Afinal, existe mesmo rombo na Previdência?

CPI acusa Ministério da Fazenda de exagerar problema nas contas das aposentadorias, mas outros economistas rebatem conclusões de relatório aprovado no Senado; entenda os principais argumentos dos dois lados.

2 nov 2017 

Vencidas as denúncias criminais que ameaçavam seu mandato, o presidente Michel Temer concentra agora seus esforços em aprovar a polêmica reforma da Previdência.
Idoso
Idoso
Foto: BBCBrasil.com
Na última quarta-feira (1), justamente quando a Câmara mandava para a gaveta o pedido para processar o presidente, no Senado, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência imprimia uma derrota ao governo ao aprovar por unanimidade um relatório que nega a existência de deficit nas contas da aposentadoria e rejeita a necessidade de mudanças.
"A reforma não anda (no Congresso). Como é embasada em premissas falsas, conforme a CPI comprovou, ela vai empacar por si só", disse o senador Hélio José (Pros-DF), autor do relatório baseado em uma investigação de seis meses.
Essas supostas premissas falsas podem ser resumidas em três itens principais: inclusão de servidores federais (civis e militares) no rombo, projeções "exageradas" de envelhecimento da população e má gestão dos recursos.
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reagiu dizendo que o rombo na Previdência é inquestionável. O governo considera essencial a reforma para tirar as contas públicas do vermelho. "Não é momento para demagogia", criticou.
Mas afinal, há ou não deficit? A BBC Brasil ouviu autoridades e especialistas e explica abaixo os principais argumentos dos dois lados dessa discussão.

1) O que deve entrar nessa conta?

Quando se fala em rombo, o primeiro ponto de discórdia é o que deve entrar nesta conta.
O governo aponta para um desequilíbrio tanto no regime que atende os trabalhadores do setor privado (INSS), quanto no de aposentadoria dos servidores públicos.
No caso dos servidores federais, as aposentadorias e pensões de 982 mil pessoas (civis e militares) registrou um deficit em 2016 de R$ 77,2 bilhões. Já o INSS, que atendeu cerca de 27 milhões de aposentados e pensionistas no ano passado, teve deficit de R$ 149,7 bilhões. A diferença fica mais clara quando se calcula o tamanho do deficit por pessoa nos dois regimes. No INSS, equivale a R$ 5,5 mil por pessoa, enquanto entre servidores federais civis e militares chega a 77,2 mil.
A conclusão da CPI se baseia no argumento de economistas que defendem que os regimes de aposentadoria dos setores público e privado são diferentes e devem ser tratados separadamente.
Além disso, sustentam que, segundo o artigo 194 da Constituição Federal, as contas da Previdência dos trabalhadores privados devem ser contabilizadas dentro da Seguridade Social, que inclui ainda as receitas com outras contribuições sociais e despesas com Saúde e benefícios como o Bolsa Família.
Audiência pública na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência no Senado, em maio
Audiência pública na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência no Senado, em maio
Foto: BBCBrasil.com
Segundo cálculos da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip) citados pela CPI, a Seguridade Social apresentou em média saldo anual positivo de R$ 50 bilhões entre 2005 e 2016. O único saldo negativo desse período, de R$ 57 bilhões, ocorreu no ano passado - segundo a Anfip isso foi reflexo da crise econômica, que reduziu a arrecadação de tributos, mas trata-se de uma situação conjuntural que será revertida com a retomada da economia.
Para chegar a essa cálculo, a Anfip desconsiderou a aplicação da DRU (Desvinculação de Receitas da União), mecanismo que permite ao governo usar 30% das receitas da Seguridade Social para outras despesas.
Já o governo estima resultados muito diferentes para o mesmo período. Segundo os dados do Ministério da Fazenda, a Seguridade Social registra deficit há muitos anos e o rombo chegou a R$ 243 bilhões no ano passado. A grande diferença nos cálculos é que o governo inclui nessa conta o impacto da DRU e também o deficit da aposentadoria dos servidores públicos.
Segundo o procurador do Tribunal de Contas da União Júlio Marcelo de Oliveira, a DRU (R$ 92 bilhões em 2016) na prática é quase toda usada para cobrir o rombo da Previdência do setor público.
"A discordância central é sobre a metodologia para apurar se há deficit. Olhar o resultado global da seguridade não significa que não existe rombo. Na prática, isso tira recursos da saúde e assistência social", diz Oliveira.
Agência da Previdência Social
Agência da Previdência Social
Foto: BBCBrasil.com
"Não se trata de contabilidade heterodoxa. É o que a Constituição Federal manda", rebate o presidente da ANFIP, Floriano Martins.

2) O deficit do setor público está "equacionado"?

Para críticos da CPI da Previdência, o relatório final joga o rombo do regime público para debaixo do tapete. Eles ressaltam que as aposentadorias pagas aos servidores são bem mais altas que as recebidas pelos trabalhadores da iniciativa privada. Dessa forma, esse déficit, coberto pela receita de impostos, significa uma transferência de renda de toda a sociedade para setores que já ganham mais.
Segundo o Ministério do Planejamento, a média paga aos inativos do Poder Executivo em 2016 foi de R$ 7.620. Já o Poder Judiciário, pagou em média R$ 22.245, enquanto os aposentados do Poder Legislativo receberam em média R$ 28.593 por mês. No INSS, por sua vez, o benefício médio está em R$ 1.287.
Questionado sobre a falta de recomendações da CPI para reverter o rombo do regime público, o senador Hélio José disse à BBC Brasil que a previdência dos servidores "já está equacionada pelas reformas anteriores", adotadas desde os anos 90.
O teto das aposentadorias de quem foi contratado depois de 2013, por exemplo, é igual ao do INSS (hoje em R$ 5.531,31). Quem quiser receber mais precisa aderir a um sistema de previdência complementar.
A questão é que, como essas regras só valem para novos funcionários, seu impacto sobre o orçamento vai demorar décadas. As projeções do governo federal indicam que o rombo na previdências dos servidores civis da União continuará crescendo até 2048, ano em que atingirá R$ 268,6 bilhões. Apenas a partir daí o deficit deve começar a recuar, chegando a zero no final do século.
"O atual sistema concentra renda", crítica o economista Nelson Marconi, professor da FGV-SP.
Por outro lado, os dados mostram uma estabilidade desse rombo em relação ao PIB (riqueza gerada pelo país) no patamar de 0,6% nos últimos anos, com pequenas variações. Para a economista Denise Gentil, professora da UFRJ, um das principais acadêmicas a negar a existência do deficit da Previdência, esse é o indicador que importa.
Michel Temer
Michel Temer
Foto: BBCBrasil.com

3) O problema é de má gestão?

Outro argumento do relatório da CPI é que o rombo apontado pelo governo seria problema de má gestão das contas da Previdência. O documento ressalta que houve um grande volume de descontos nas contribuições previdenciárias concedidas nos últimos anos, como por exemplo a desoneração da folha, que visava evitar o desemprego, mas acabou mostrando pouco resultado nesse sentido. Além disso, o governo dá também isenções a alguns setores, como pequenas empresas e entidades filantrópicas. A Receita Federal estima que essas desonerações significam menos R$ 65 bilhões em arrecadação neste ano.
Além disso, o relatório da CPI também destaca o grande volume de dívida previdenciária - cerca de R$ 450 bilhões de contribuições não pagas pelas empresas. Segundo a Procuradoria da Fazenda Nacional, no entanto, somente R$ 175 bilhões correspondem a débitos recuperáveis, já que muitas das empresas com dívidas são falidas.
À BBC Brasil, o secretário da Previdência Social, Marcelo Caetano, reconhece ser importante acelerar os processos de recuperação dessas dívidas e a necessidade de rever desonerações, mas diz que isso não resolve o problema da previdência no longo prazo, já que o processo de envelhecimento da população manterá as despesas com aposentadoria em alta. "Recuperar dívidas e reverter desonerações são um paliativo", afirmou.
Já Denise Gentil diz que o problema maior é de má gestão de política econômica. Na sua visão, a "agenda neoliberal" adotada pelos governos nos últimos anos, como corte de investimentos e juros altos, deprimiu o crescimento, impactando diretamente a arrecadação de impostos, inclusive a receita da Previdência.
"Temos que nos perguntar: a quem interessa essa reforma? Aos bancos, aos planos de previdência privada. É um rombo produzido para atender a esses interesses", argumenta a professora. Floriano Martins reforça o argumento: "Se tiver crescimento econômico, a previdência some das manchetes de jornal", diz.

4) Temor exagerado com envelhecimento?

A CPI também acusa o governo de prever um envelhecimento exagerado da população. "Ao longo deste relatório é possível verificar a inconsistência de dados e de informações anunciadas pelo Poder Executivo, que desenham um futuro aterrorizante e totalmente inverossímil", diz o documento.
O relatório cita estudo realizado por Gentil e outros economistas. Ele diz, por exemplo, que o governo faz suas projeções com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) de 2014 em vez de usar os dados do Censo de 2010, que seriam mais completos.
Ambas são pesquisas do IBGE - enquanto o Censo vai a todos os domicílios do país a cada dez anos, com um conjunto menor de perguntas, a Pnad faz levantamentos amostrais, mas com questionários mais amplos.
Gentil afirma que fez projeções com base no Censo que indicam um crescimento menor da população idosa, o que resultaria numa evolução mais lenta dos gastos da previdência.
Outros especialistas em dados demográficos e projeções ouvidos pela BBC Brasil discordaram das conclusões da professora. "O envelhecimento populacional no Brasil é real e é um dos mais velozes do mundo", afirma o demógrafo José Eustáquio Alvez, professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE.
Já o especialista em projeções previdenciárias Luís Eduardo Afonso, professor da USP, disse à BBC Brasil que o cálculo do governo pode ser melhorado, mas considerou que algumas premissas adotadas, como a evolução da produtividade do trabalhador brasileiro, estão, na verdade, otimistas demais.
À BBC Brasil, o Ministério da Fazenda negou que use apenas dados da Pnad em suas projeções. O órgão afirmou que considera em seu modelo "a evolução das quantidades absolutas de pessoas por sexo e idade ao longo do tempo, que são extraídos das matrizes populacionais do IBGE (projeções até 2060 baseadas no CENSO)". Depois disso, "para fins de modelo de projeção previdenciária, aplicam-se taxas obtidas a partir da Pnad (taxas de urbanização, de ocupação, entre outras) às quantias absolutas de população do IBGE".
O IBGE, por sua vez, disse que seus "métodos demográficos estão em consonância com as recomendações da ONU".

Ioga e meditação melhoram funções cerebrais e níveis de energia

Ioga e meditação melhoram funções cerebrais e níveis de energia
Apenas 10 minutos de meditação já são suficientes para colher benefícios. Treinamentos mais focados podem inibir genes da inflamação e funcionar como terapia anti-alcoolismo.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]
Foco
Praticar sessões breves de Hatha ioga e meditação da mente alerta melhora significativamente a função cerebral e os níveis de energia do praticante.
As avaliações, que envolveram sessões de apenas 25 minutos de uma das duas práticas por dia, mostraram um reforço das funções executivas do cérebro, das habilidades cognitivas ligadas ao comportamento dirigido por objetivos e da capacidade de controlar respostas emocionais rápidas e padrões de pensamento e ações repetitivos.
"A Hatha ioga e a meditação da atenção concentram o poder de processamento consciente do cérebro em um número limitado de alvos, como a respiração e a postura, e também reduzem o processamento de informações não-essenciais. Essas duas funções podem ter certo efeito de transferência positiva no curto prazo após a sessão, de modo que as pessoas possam se concentrar mais facilmente no que eles escolheram para lidar no cotidiano," disse o professor Peter Hall, da Universidade de Waterloo (Canadá).
A Hatha ioga é um dos estilos mais comuns de ioga praticados nos países ocidentais, envolvendo posturas físicas e exercícios de respiração combinados com a meditação. A meditação consciente envolve a observação de pensamentos, emoções e sensações corporais com abertura e aceitação, sem críticas.
Benefícios cognitivos e energia
Para chegar a esses resultados, a equipe dividiu trinta e um participantes para fazer 25 minutos de Hatha ioga, 25 minutos de meditação consciente ou 25 minutos de leitura silenciosa. Todos fizeram todas as sessões em ordem aleatória e em dias diferentes.
Após as sessões de ioga e meditação, os participantes apresentaram desempenho significativamente maior em tarefas de função executiva, em comparação com a tarefa de leitura.
"Este resultado sugere que pode haver algo especial em relação à meditação, em comparação com as posições físicas, responsáveis por muitos dos benefícios cognitivos da ioga," disse Kimberley Luu, responsável pelos experimentos.
Tanto a meditação consciente como a Hatha ioga também melhoraram os níveis de energia em comparação com a leitura silenciosa, mas a ioga teve efeitos significativamente mais fortes do que a meditação.
"Há uma série de teorias sobre por que exercícios físicos como a ioga melhoram os níveis de energia e desempenho em testes cognitivos," disse Luu. "Isto inclui a liberação de endorfinas, o aumento do fluxo sanguíneo para o cérebro e a redução no foco em pensamentos ruminativos. Em última instância, porém, ainda é uma questão em aberto."

Mídia no Brasil ainda é controlada por poucos, diz estudo

Repórteres Sem Fronteiras lista donos das 50 maiores empresas do país, pertencentes a 26 grupos econômicos. ONG denuncia que políticos são proprietários de veículos de comunicação, apesar de Constituição proibir.
Mão de telespectador diante de TV, com controle remoto Quatro grandes redes de TV detêm mais de 70% da audiência no Brasil
Em pleno século 21, o mercado de mídia no Brasil é dominado por "dinastias familiares”, que concentram poder político e econômico e detêm uma ampla rede de poder, cuja malha se estende por todo o território brasileiro. Essa é a conclusão de um relatório divulgado nesta terça-feira (31/10) pela organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF).
"Nem a tecnologia digital nem o crescimento da internet ou esforços regulatórios ocasionais limitaram a formação desses oligopólios”, ressaltam os autores do levantamento, realizado pela RSF em parceria com a ONG brasileira Intervozes.
O Monitoramento da Propriedade da Mídia no Brasil – ou, em inglês, Media Ownership Monitor (MOM) – compara a concentração de mídia às propriedades de terra no país.
"Assim como os ruralistas, antes chamados de latifundiários, os proprietários dos meios de comunicação possuem um vasto território nas ondas das TVs e das rádios, combinando interesses econômicos e políticos com o controle rigoroso da opinião pública”, acrescenta o texto.
Pior dos 11 países pesquisados
A pesquisa, financiada peloMinistério de Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha, revela o nível de concentração da mídia brasileira, mostrando quem são seus proprietários e sua atuação no setor da economia. A investigação, realizada durante quatro meses, abrange os 50 veículos de comunicação com maior audiência no Brasil e os 26 grupos econômicos que os controlam.
O Brasil ocupa a pior colocação dos 11 países já analisados pela RSF – Colômbia, Peru, Camboja, Filipinas, Gana, Ucrânia, Peru, Sérvia, Tunísia e Mongólia também foram alvo da pesquisa.
O país recebeu a pior nota em quase todos os indicadores, nos quais o estudo se baseia para medir os riscos para a pluralidade da mídia, avaliando itens que vão desde concentração de propriedades e de audiência, passando por regulamentação sobre propriedade de mídias, até o nível de transparência sobre o controle das empresas. Apenas um dos indicadores brasileiros não foi considerado como "de alto risco para a pluralidade da mídia”.
A falta de transparência no Brasil sobre o controle acionário das principais empresas de comunicação chamou a atenção. "Até agora, o Brasil foi o primeiro país pesquisado em que nenhuma das empresas respondeu a nossas perguntas sobre quem são os seus proprietários”, relata Olaf Steenfadt, diretor do projeto MOM e integrante da Repórteres Sem Fronteiras Alemanha, em entrevista à DW. "Isso, nunca tínhamos visto antes”, acrescenta.
A pouca transparência sobre a propriedade dos grupos de comunicação, segundo o levantamento, se deve também à falta de uma obrigatoriedade legal para divulgação da estrutura acionária, além da inexistência de um monitoramento pelo poder público. Alguns grupos de mídia se negaram a responder, alegando razões "estratégicas" ou relacionadas à concorrência.
Bulgarien verschiedene TV-Kanäle (BGNES) Grandes redes de TV pertencem a grupos que também controlam emissoras de rádio, portais de internet, revistas e jornais
Concentração
"Falta no Brasil um quadro regulador", diz Steenfadt. "As poucas leis que existem não são implementadas. E as empresas não veem motivo para se abrirem de alguma forma, para serem transparentes”, lamenta. "A mídia não é como qualquer outro setor econômico. É importante saber quem a controla", opina o especialista. "Os cidadãos têm direito de conhecer os interesses por trás dos meios de comunicação que consomem."
O MOM-Brasil disponibiliza esses dados em uma página de internet, em português e inglês. O site contém um banco de dados com os nomes dos proprietários dos veículos de mídia, revelando também as ligações deles com grupos econômicos e empresas em outros setores, sistematizando as informações e as tornando acessíveis não só a pesquisadores, como também ao público em geral.
O levantamento mostra haver concentração dos centros de poder da mídia nas regiões Sul e Sudeste do país. A sede de três em cada quatro desses grupos fica na maior cidade do país, São Paulo.
No segmento de televisão, mais de 70% da audiência nacional é concentrada em quatro grandes redes, das quais uma detém mais da metade da audiência: a Rede Globo. Essas grandes redes nacionais ampliam ainda mais seu poder sobre a informação, destaca o MOM, através do domínio adicional de múltiplos segmentos. Grandes redes nacionais de TV aberta pertencem a grupos que também controlam emissoras de rádio, portais de internet, revistas e jornais impressos, segundo o estudo.
"Coronelismo eletrônico”
A pesquisa constata que, embora a Constituição brasileira proíba que políticos controlem empresas de mídia, 32 deputados federais e oito senadores possuem meios de comunicação, ainda que não sejam seus proprietários formais.
"Outras famílias proprietárias, como os Câmara, Faria e Mesquita, também têm membros em cargos políticos”, diz comunicado divulgado pelo MOM-Brasil. "A família Macedo, que controla o grupo Record e a Igreja Universal do Reino de Deus, também domina um partido político, o Partido Republicano Brasileiro (PRB), que conta com um ministro no governo federal, um senador, 24 deputados federais, 37 deputados estaduais, 106 prefeitos e 1.619 vereadores”, contabiliza o levantamento.
O estudo chama a concentração de poder na mídia brasileira de "coronelismo eletrônico”. Os autores da pesquisa afirmam que em vários estados as afiliadas das grandes redes de televisão e rádio são controladas por empresas de políticos ou de famílias com tradição política.
"Um exemplo disso é o grupo do qual fazem parte a TV Bahia (afiliada da Rede Globo) e o jornal Correio da Bahia, controlado pela família Magalhães, do atual prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto, e do ex-governador da Bahia, senador e ministro das Comunicações Antônio Carlos Magalhães”, ressaltam os editores do levantamento.

As diferenças entre as igrejas Protestante e Católica

Passados 500 anos da Reforma introduzida por Martinho Lutero, diferenças entre as duas Igrejas persistem, passando pelo celibato, a adoração de santos e a eucaristia.
O presidente do conselho da Igreja evangélica da Alemanha aperta a mão do papa Francisco O presidente do conselho da Igreja Evangélica da Alemanha com o papa Francisco
Na Alemanha, onde nasceu a Reforma da Igreja, católicos e protestantes ainda viviam em profunda hostilidade até algumas décadas atrás. Agressões mútuas, condenações doutrinais, conflitos e guerras de motivação religiosa acompanharam essa cisão.
A razão para isso aconteceu há 500 anos, com a separação da Igreja em Católica e Protestante. A ideia inicial do monge Martinho Lutero (1483-1546), de reformar a Igreja Católica, acabou não se concretizando. Pelo contrário, a publicação de suas 95 teses em 31 de outubro de 1517 contra o que considerava teologicamente inoportuno na Igreja de seu tempo é considerada a base da Igreja Protestante e o ponto de partida da divisão em confissão católica e evangélica luterana na Alemanha.
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O especial do ano do jubileu da Reforma, que começou em 31 de outubro de 2016, é o aspecto ecumênico. No passado, a cada ano as Igrejas protestantes reverenciavam seu fundador, Martinho Lutero, numa espécie de "aclamação ao herói". Mas dessa vez é diferente.
Em 2017, a intenção da Igreja Evangélica na Alemanha (EKD, da sigla em alemão) é celebrar os 500 anos da Reforma ao lado da Igreja católica como uma festa cristã. Já em setembro do ano passado, ambas publicaram o documento comum "Curar a memória, testemunhar Jesus Cristo".
Dois meses depois, houve uma peregrinação conjunta dos principais representantes alemães de ambas as confissões à Terra Santa. E em 7 de fevereiro deste ano, uma delegação da EKD, liderada pelo seu presidente, Heinrich Bedford-Strohm,foi recebida pelo papa Francisco.
Na ocasião, as duas confissões homenagearam Martinho Lutero e enfatizaram seu anseio de superar a divisão da Igreja. Em 11 de março, então, na cidade alemã de Hildesheim, aconteceu um culto ecumênico de reconciliação. Apesar dos esforços de ambos os lados pela superação das diferenças, não há perspectiva de que algum dia as duas confissões voltem a se unificar. As duas Igrejas definem sua relação como "diferença conciliada".
Muito do que Lutero quis reformar na Igreja católica há 500 anos diferencia e divide as duas confissões até hoje. Estas são as oito principais diferenças:
1. Interpretação da Bíblia
O catolicismo e o protestantismo têm diferentes pontos de vista sobre o significado e a autoridade de fé da Bíblia. Desde Lutero, está claro para os protestantes: a Bíblia é "sola scriptura", ou seja, ela é a única palavra inspirada por Deus, com revelações que nos permitem a comunhão com Ele.
Página do Novo Testamento da Bíblia no Museu Histórico Alemão, em Berlim O Novo Testamento, traduzido por Martinho Lutero
Já os católicos questionam a validade dessa doutrina de quase 500 anos. Eles não acham que a Bíblia, por si só, seja suficiente. Por isso, além da Sagrada Escritura, também a tradição católica romana é vinculativa para os cristãos.
2. A Igreja
Católicos e protestantes têm uma visão diferente da natureza da Igreja. A Igreja católica (do grego katholikós, universal) se vê como a única Igreja verdadeira, em todo o mundo, sob a liderança do papa.
Para as Igrejas que emergiram da Reforma (evangélica, derivada do Evangelho), não há uma única no que tange a denominações, mas há várias denominações cristãs que compõe a única Igreja Cristã (católicos, luteranos, calvinistas, batistas, etc.), espalhadas pelo mundo. Oficialmente, todas elas se consideram equivalentes.
3. Papado
Os protestantes não são tolerantes em relação ao papado, pois alegam que ele não condiz com a Bíblia. Os católicos veem no Sumo Pontífice o sucessor do apóstolo Pedro e, portanto, o chefe de sua Igreja, nomeado por Jesus Cristo. Isso é explicado por uma cadeia de consagrações que supostamente nunca foi interrompida, desde o século 1º até o presente.
4. O cargo de sacerdote
Segundo o catolicismo, ao receberem o sacramento da Ordem, bispos, sacerdotes e diáconos ganham para sempre a legitimação de servir a Deus. Por isso, o cargo de sacerdote é superior ao de leigos católicos. Essa ordenação, aliás, é reservada aos homens.
Já o Protestantismo não vê na profissão religiosa uma consagração da pessoa. O cargo é uma função pretendida por Deus que, em princípio, pode ser transferido para qualquer cristão, mesmo para mulheres, ainda que algumas igrejas luteranas também não as ordenem.
5. Eucaristia ou Santa Ceia
Na Eucaristia católica, fica evidente a autoridade do sacerdote e o quanto isso influencia a convivência ecumênica. A Eucaristia, ou Santa Ceia, em um culto religioso representa a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Ela remonta à última refeição de Jesus com seus discípulos na véspera de sua crucificação.
A Eucaristia católica pode ser ministrada somente por um sacerdote ordenado. Apenas ele, em nome de Jesus, pode transformar pão e vinho no corpo e no sangue de Cristo. Não é permitida a participação de não católicos.
Na igreja evangélica, qualquer pessoa batizada pode tomar a Santa Ceia. Também é permitido que leigos auxiliem o pastor na distribuição do pão e do vinho. Esta é uma das razões pela qual o lado católico rejeita a Santa Ceia conjunta com protestantes.
Os católicos veem a Eucaristia como uma constante repetição do sacrifício de Jesus Cristo. Em sua interpretação, a hóstia se transforma no corpo de Jesus e pode ser adorada. Já para os luteranos, a Santa Ceia é o verdadeiro corpo e sangue de Jesus, no pão e no vinho. Algumas igrejas luteranas exigem que, além de batizados, os membros tenham tido instrução prévia nas doutrinas da igreja para serem admitidos à Comunhão do Altar.
6. Sacramentos
Na Igreja Católica Apostólica Romana, há sete atos sagrados, os chamados sacramentos: o batismo, a crisma, a Eucaristia, a confissão, o casamento, a ordenação dos sacerdotes e a extrema-unção. O catolicismo crê que Deus salva através destes sacramentos.
Na Igreja Protestante existem apenas dois sacramentos: o Batismo e a Eucaristia (Santa Ceia).
7. Maria e os santos
A Igreja Católica reverencia Maria, a mãe de Jesus, como "rainha celestial" e, em alguns aspectos, a equipara a Ele. Como não há evidências bíblicas para dogmas marianos da Igreja Católica como a salvação de Maria do pecado original e sua glorificação corporaleles são rejeitados pelo lado protestante.
A Igreja católica pratica a veneração dos santos. Os modelos de fé canonizados ao longo da história da Igreja são vistos como mediadores para interceder junto a Deus a favor do crente. Há mais de 4 mil santos, os quais os fiéis podem adorar através de relíquias.
O culto aos santos é categoricamente rejeitado pela Igreja Protestante, por não condizer com os escritos bíblicos. Segundo a fé luterana, todo ser humano pode e deve recorrer a Deus diretamente, em oração, apenas em nome de Jesus.
 8. Celibato
O compromisso de não se casar e manter abstinência sexual é obrigatório para sacerdotes católicos. O celibato sacerdotal é compreendido como sinal da sucessão de Cristo, que segundo a Bíblia era virgem e solteiro.
As igrejas evangélicas rejeitam que o celibato seja um dever, pois não há mandamento de Jesus nem dos apóstolos nesse sentido. Já em 1520, o ex-monge Martinho Lutero exigiu sua abolição e, cinco anos mais tarde, casou-se com a ex-freira Katharina von Bora. Por seu casamento, fundaram o "presbitério protestante", que se tornou uma característica da paróquia luterana ao longo dos séculos.