sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Estilo de vida determina longevidade, alertam médicos

Médicos alertam que estilo de vida determina longevidade. Público ouviu atento as dicas dos profissionais e fez perguntas sobre como melhorar hábitos no dia a dia. Público ouviu atento às dicas dos profissionais e fez perguntas sobre como melhorar hábitos no dia a dia. FREDY VIEIRA/JC Guilherme Kolling e Isabella Sander. Dormir bem, ter uma alimentação saudável, praticar exercícios, conviver com a família e cultivar amizades. São vários os fatores que podem auxiliar o ser humano a ter maior longevidade. E o estilo de vida do indivíduo é determinante para chegar à velhice com qualidade. A avaliação foi feita por quatro especialistas que participaram, nesta quarta-feira (18), do evento “Saúde e bem-estar: vivendo com qualidade”, realizado pelo Jornal do Comércio para marcar o Dia do Médico. Com mediação da editora de Cadernos Especiais e colunista do JC, Ana Fritsch, os convidados falaram sobre o tema a partir de suas experiências. Cardiologista no Hospital São Francisco da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, Fernando Lucchese destacou que hoje não se fala mais em qualidade de vida, mas em estilo de vida, determinante para que, além da expectativa de vida, o tempo de vida saudável também aumente. “Nós, humanos, não fomos feitos para a longevidade. Por isso, temos que correr atrás”, avisou Lucchese. > No vídeo, as lições dos convidados no evento do Dia do Médico: Para Guilherme Rollin, endocrinologista no Hospital Moinhos de Vento, o principal objetivo das pessoas é viver mais e, junto com isso, viver bem. Em sua especialidade, o grande exemplo é a diabetes. “Entender a diabetes nos ajuda muito nisso, porque seu combate envolve conhecimento pelo paciente”, relata. “A prevenção é sempre mais positiva, e, neste quesito, o desafio de nós, médicos, é passarmos as informações para as pessoas.” O cardiologista do Hospital Moinhos de Vento Charles Stefani salientou que 30% dos brasileiros sofrem com hipertensão, e que não há um único remédio para o problema. A solução varia para cada paciente e segue o estilo de vida de cada um. “Alimentar-se adequadamente, fazer exercícios, ter um controle de peso e sono, tudo isso influencia. Mas talvez os melhores remédios do mundo sejam sorrir, olhar para o sol, observar a lua”, cita Stefani. Para o profissional, é importante pensar em como incorporar esses hábitos no dia a dia. O psiquiatra do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs) Marco Antônio Pacheco destacou que a sociedade vive, atualmente, uma mudança de paradigma. “O grande anseio hoje é ser feliz. Saímos da era judaico-cristã, na qual as pessoas aceitavam sofrer na Terra porque entendiam que seriam recompensadas depois da morte”, explica o psiquiatra. "Agora, as pessoas vivem mais e querem ter uma existência feliz", pontua Pacheco. Durante o evento, o diretor de operações do Jornal do Comércio, Giovanni Tumelero, entregou uma placa em homenagem aos 90 anos do Hospital Moinhos de Vento. A distinção foi recebida pelo superintendente financeiro da instituição de saúde, Reimbran Kolling Pinheiro. O público, que lotou o salão de eventos na sede do JC, ouviu atento as dicas dos especialistas e demonstrou grande interesse, com perguntas sobre maneiras de mudar hábitos, além de fazer relatos de casos bem sucedidos. Para a realização da palestra, o JC contou com o apoio da Porto Sabor Eventos e da Andorra Máquinas de Café, que forneceram os serviços de alimentação. Todos receberam o caderno especial do Dia do Médico, encartado na edição desta quarta-feira do jornal e disponível na edição on line. O debate foi transmitido ao vivo pelo www.facebook.com/jornaldocomercio. As pessoas devem aprender a respirar, aponta psiquiatra Marco Antônio Pacheco vê mudança de paradigma e diz que as pessoas buscam uma existência feliz Pacheco vê mudança de paradigma e diz que as pessoas buscam uma existência feliz FREDY VIEIRA/JC O psiquiatra do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs) Marco Antônio Pacheco destacou que a sociedade vive, atualmente, uma mudança de paradigma. Em vez de "ser infeliz na Terra para ser recompensado no céu", Pacheco observa que as pessoas buscam a longevidade e uma existência feliz. A principal queixa agora é sobre depressão, que o psiquiatra chama de “a doença do milênio”. O remédio para esse mal, no entanto, também pode estar na mudança de hábitos. “Quando vocês inspiram, a barriga fica maior ou menor?”, provocou para a plateia. “Para a maioria, fica menor. As pessoas não sabem respirar. Muita gente chega ao hospital achando que está tendo um infarto, mas, na verdade, está tendo um ataque de ansiedade, muito porque não está respirando direito.” Nesses casos, os médicos costumam oferecer um saco de papel para o paciente, que passará a respirar adequadamente. “Cada respiração é uma unidade funcional de vida. Se respirarmos com calma, a vida ficará mais tranquila”, opina o palestrante. Em casos extremos de depressão, tem sido detectada a Síndrome de Burnout. “Quando a pessoa se envolve muito com o trabalho, em atividades como as de médicos, jornalistas, professores, enfim, profissionais que precisam falar muito com outras pessoas, ela gradualmente começa a se estressar”, relata Pacheco. Como o organismo atual é o mesmo da Idade das Cavernas, quando uma pessoa está estressada, o corpo prevê que o indivíduo participará, em breve, de uma luta, e libera uma substância chamada cortisol, que enrijece os músculos. “Como o cortisol é liberado e a luta não vem, isso é prejudicial.” Ao longo dos anos, essa pode ser uma causa de problemas na saúde, como a depressão e a Síndrome de Burnout. A solução para o problema é quebrar este ciclo, valorizando a família, o convívio com os amigos, o relaxamento, o que inclui exercícios físicos, apostando em uma vida mais equilibrada e em um estilo de vida mais saudável. Pouca cama, pouca mesa e muita sola, ensina Lucchese Cardiologista Fernando Lucchese defendeu que as pessoas devem ser inconformadas e buscar sempre melhorar Lucchese defendeu que as pessoas devem ser inconformadas e buscar sempre melhorar FREDY VIEIRA/JC Cardiologista no Hospital São Francisco da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, Fernando Lucchese encerrou sua palestra com um provérbio catalão, que aprendeu com um padre jesuíta que andava sempre de batina pelas ruas de Porto Alegre. “Um dia ele me encontrou e disse: 'Doutor Lucchese, só tem uma solução para viver muito: pouca cama, pouca mesa, muita sola'." Assim, Lucchese diz que o padre resumiu alguns dos quesitos que determinam um bom estilo de vida: cuidados físicos, psíquicos, familiares, financeiros, profissionais e espirituais. “A equação disso tudo aponta o nosso estilo de vida, que equivale à nossa saúde e, por que não, à nossa felicidade. É isso que leva à longevidade”, aponta o cardiologista. Lucchese ainda deu uma dica: estar inconformado e tentar melhorar sempre. “A informação do que fazer, todos nós já temos. É preciso não se conformar”, aponta. O médico lembrou da bióloga molecular Elizabeth Blackburn, que ganhou o Nobel em 2009 por descobrir os telômeros - estruturas constituídas por fileiras repetitivas de proteínas e DNA não codificante, que formam as extremidades dos cromossomos e mostram a capacidade de longevidade da pessoa. “Quem tem um melhor estilo de vida tem um telômero mais longo e, quem tem um pior, mais curto. Descobrimos os motivos do encurtamento da vida”, relata. Exercícios físicos, por exemplo, causam o alongamento do telômero. Inflamações, por outro lado, encurtam. “Uma pesquisa feita por Elizabeth mostrou que até mesmo uma percepção positiva sobre a velhice prolonga a vida por, em média, cinco anos”, citou. “Aliás, isso é muito importante. E a valorização dos idosos é fundamental para uma sociedade viver muito.” Lucchese também mostrou um mapa do globo com as chamadas zonas azuis nas quais há mais centenários. Há algumas semelhanças de comportamento nesses locais, como o consumo maior de azeite e grãos, pouca ingestão de açúcar e sal, alimentação à base de peixe e aves, consumo regular de vinho e a prática de exercícios. Em uma das regiões destacadas, as refeições da população eram 90% de origem vegetal e 10% de origem animal, apesar de não haver vínculo entre vegetarianismo e longevidade. Mas há baixa ingestão de produtos industrializados. O número de amigos por idoso também é um indicador importante, quanto maior, melhor. Enquanto nos Estados Unidos os idosos têm, em média, 1,5 amigo, no Japão as pessoas de mesma faixa etária têm seis. E os orientais vivem mais. Não adianta aumentar expectativa de vida sem qualidade, diz Rollin Endocrinologista salientou a importância do conhecimento e da prevenção Endocrinologista salientou a importância do conhecimento e da prevenção FREDY VIEIRA/JC “As pessoas querem viver mais, mas viver bem. Não adianta aumentar a expectativa de vida com má qualidade”, observa o endocrinologista no Hospital Moinhos de Vento Guilherme Rollin. Para isso, Rollin defende duas palavras-chave: prevenção e conhecimento. O endocrinologista destacou os cuidados com a diabetes como um bom exemplo de como hábitos e comportamentos podem gerar complicações. O estilo de vida moderno, mais sedentário, segundo o médico, gerou um aumento no número de obesos e, em consequência, houve acréscimo na incidência da diabetes. A praticidade aportada pelos alimentos industrializados acabou gerando como efeito colateral pessoas acima do peso, agravante da diabetes. Ao melhorar o estilo de vida com uma alimentação saudável e exercícios, reduz-se a obesidade e se previne doenças. "Mas para prevenir, tenho que conhecer. Sempre dou um exemplo. Se uma pessoa quebra o braço, sente dor e, por isso, procura atendimento. O difícil na minha área é que a pessoa, mesmo estando com índices glicêmicos altos, não sente nada, então, não se conscientiza de que precisa mudar seus hábitos. Por isso, é tão importante procurar conhecimento e se cuidar”, adverte Rollin. Normalmente, o diabético só faz mudanças significativas quando já sofre com alguma complicação, como problemas nos olhos e lesões nos rins, que são danos irreversíveis. “É mais fácil tomar um comprimido do que mudar de hábitos. Só que aí vem o efeito colateral do remédio. ‘Não estou sentindo melhora e ainda fiquei com azia, náusea. Não vou tomar esse remédio’ (diz o paciente). O benefício não é perceptível, mas acontece. Por isso, a importância do conhecimento.” Só assim para convencer a pessoa que não está sentindo nada de que, realmente, é importante fazer exercício, ter uma alimentação saudável, evitando complicações. “Para incentivar uma mudança no estilo de vida, a fim de se obter um benefício, é necessário entender como funciona.” Cardiologista ressalva: 'não existe receita de bolo pronta' Charles Stefani afirma que sorrir e olhar para o sol ou a lua podem ser bons remédios Stefani diz que os melhores remédios são boa alimentação, sono, descanso e convívio com familiares FREDY VIEIRA/JC “Não existe o melhor remédio para pressão arterial. Não existe uma receita de bolo para resolver as doenças cardiovasculares.” A afirmação é do cardiologista do Hospital Moinhos de Vento Charles Stefani, que explica melhor: "não há apenas um remédio para o problema, e a solução varia de acordo com cada paciente". Atualmente, cerca de 30% dos brasileiros sofrem com hipertensão, o que é muito influenciado pelo estilo de vida. Para evitar o mal, há várias medidas. “Alimentar-se adequadamente, fazer exercícios, ter um controle de peso e de sono. Tudo isso influencia. Mas talvez os melhores remédios do mundo sejam sorrir, olhar para o sol, observar a lua”, lista Stefani. Para o médico, é importante pensar em como incorporar esses hábitos no dia a dia. Sempre respeitando a individualidade. “Para cada indivíduo tem um remédio específico.” O cardiologista reitera que é fundamental viver bem consigo mesmo e com o meio, que inclui a família, os amigos etc. Na alimentação, a dica é a moderação. “Qual o sal devemos usar? O sal do Himalaia? O sal negro? O sal marinho? As pesquisas não mostram uma evidência de um melhor tipo”, previne o médico. Mas, de novo, o conselho é uma certa restrição ao uso do sal. O médico citou o comediante, ator e diretor de cinema Charles Chaplin, ao observar que os problemas do dia a dia vão embora. “O pior dia é aquele em que não sorrimos.” E defendeu que os melhores remédios são mesmo a alimentação adequada, sono de qualidade, descanso e conviver bem com a família e os amigos. “Temos que incorporar isso no dia dia. Parece mais fácil ter uma pílula mágica. Mas esses detalhes são muito importantes”, concluiu.

Poluição mata mais que guerra e violência

Estudo americano revela que cerca de nove milhões de mortes anuais podem ser atribuídas a doenças causadas pela contaminação do ar e da água.
default Fábricas ilegais de aço se esquivam de leis de emissão de poluentes na China, um dos países mais afetados pela poluição
A poluição mata mais pessoas anualmente que todas as guerras e violência no mundo, tabaco, fome, desastres naturais, aids, tuberculose e malária, concluiu um estudo americano.
Uma em cada seis mortes prematuras no mundo registradas em 2015 – cerca de nove milhões – podem ser atribuídas a doenças por exposição tóxica, de acordo com um estudo divulgado na quinta-feira (19/10) pela revista científica The Lancet.
Segundo o artigo, a poluição do ar foi responsável por 6,5 milhões de mortes, seguida pela poluição da água, que matou aproximadamente 1,8 milhão de pessoas.
A estimativa de cerca de nove milhões de mortes prematuras por poluição ambiental, considerada conservadora pelos autores do estudo, é um valor 1,5 maior do que o número de pessoas mortas pelo tabagismo e três vezes o número de mortes por aids, tuberculose e malária juntos. A estatística supera também em 15 vezes o número de pessoas mortas em guerras ou outras formas de violência.
 
Assistir ao vídeo 05:03

Filtro retira CO2 do ar e ainda ajuda no cultivo de plantas

Segundo o estudo, 92% das mortes relacionadas à poluição ocorreram em países em desenvolvimento de baixa ou média renda. Uma em cada quatro mortes prematuras na Índia em 2015, ou cerca de 2,5 milhões, foram atribuídas à poluição. Na China, as causas ambientais foram o segundo maior motivo de óbitos, causando mais de 1,8 milhão de mortes prematuras, ou uma em cada cinco.
O estudo é a primeira tentativa de reunir dados sobre doenças e mortes causadas por todas as formas de poluição combinadas, do ar à água contaminada.
"Há muitos estudos sobre a poluição, mas o tema nunca foi alvo dos recursos ou nível de atenção de algo como a aids ou as alterações climáticas", diz o epidemiologista Philip Landrigan, diretor do departamento de saúde global da Faculdade de Medicina Mount Sinai, Nova York, e principal autor do relatório. "A poluição é um enorme problema que as pessoas não estão vendo porque estão olhando para as suas componentes espalhadas."
O relatório estima um prejuízo de 4,6 trilhões de dólares anuais  – ou 6,2% da economia global - relacionado à poluição e às mortes causadas por ela.
"O que as pessoas não percebem é que a poluição prejudica as economias. As pessoas doentes ou mortas não podem contribuir para a economia. Precisam de cuidados", diz Richard Fuller, um dos autores do estudo e chefe da organização Pure Earth, que se dedica à despoluição no mundo em desenvolvimento. "Ministros das Finanças ainda seguem o mito de que, se não deixar a indústria poluir, não haverá desenvolvimento. Isso não é verdade."
De acordo com o estudo, o fardo financeiro atinge mais fortemente os países mais pobres. Os Estados de menor renda gastam em média 8,3% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para combater os danos causados pela poluição, enquanto os países desenvolvidos desembolsam 4,5%.
PV/lusa/afp/rtr/ap

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Bioenergia será estratégica para a economia sustentável

Iniciativas em diferentes setores serão necessárias para reduzir as emissões de gases estufa, manter o aquecimento global abaixo de 2 ºC até o fim do século

18 out 2017 
Por Agência FAPESP
Especialistas estimam que iniciativas em diferentes setores serão necessárias para reduzir as emissões de gases estufa, manter o aquecimento global abaixo de 2 ºC até o fim do século e, dessa forma, minimizar os impactos da mudança climática para a humanidade. Para Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, a bioenergia tem lugar garantido nesse conjunto de soluções.
A avaliação foi feita nesta terça-feira (17/10) durante a palestra de abertura da terceira edição da Brazilian Bioenergy Science and Technology Conference ( BBEST ). Organizado no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), o evento segue até o dia 19 de outubro em Campos do Jordão e tem como foco principal discutir a bioenergia no contexto da bioeconomia, ou seja, na construção de uma economia sustentável.
Foto: Climatempo
Rumos para a bioeconomia pautam debates na abertura da terceira edição da Brazilian Bioenergy
Science and Technology Conference (BBEST) (foto: Phelipe Janning / Agência FAPESP)
"Energia é essencial para o desenvolvimento. Nos próximos anos, países como China, África, Índia, Oriente Médio, Rússia e Brasil vão precisar de mais energia para criar uma vida melhor para sua população. Isso torna ainda maior o desafio de conter as emissões e, portanto, será preciso buscar novas formas de lidar com esse problema", disse Brito Cruz.
A bioenergia, acrescentou, pode ajudar a mitigar as emissões de gases de efeito estufa principalmente no setor de transportes - que atualmente é o que mais demanda energia no mundo (27% de toda a energia consumida).
Para Brito Cruz, a ideia de que os carros elétricos vão substituir totalmente os motores a combustão interna precisa ser vista com cautela. A indústria automobilística ainda precisaria superar o desafio de aumentar a densidade energética das baterias - que determina a autonomia dos veículos entre uma recarga e outra.
"A conveniência de usar combustível líquido é relevante e ainda há espaço para os motores a combustão se tornarem menores e mais eficientes. A eletricidade e os biocombustíveis são soluções complementares e terão de trabalhar juntos. A demanda por biocombustíveis no futuro estará associada principalmente à aviação, navegação oceânica e viagens rodoviárias de longa distância", afirmou.
A fatia representada pelas fontes renováveis na matriz energética cresce em quase todos os países. Em locais como Nova Zelândia, Suécia, Noruega e Islândia já representa mais de 40%.
"No Brasil esse índice é de 41%, algo que poucos conseguem alcançar. A principal fonte renovável brasileira é a cana-de-açúcar, que atende a 17,2% da demanda. Quase 9% da energia elétrica gerada no Brasil hoje é oriunda da queima de biomassa, o que mostra que além dos transportes a bioenergia tem espaço em outros setores", disse Brito Cruz.
Projetando uma Bioeconomia Sustentável

Foto: Climatempo
Foto: Shutterstock
Presente na Cerimônia de Abertura da BBEST 2017, o presidente da FAPESP, José Goldemberg, destacou que até 2050 a bioenergia corresponderá a quase 30% de toda a energia usada no mundo. Atualmente, esse índice está em torno de 10%, segundo dados da International Energy Agency (IEA), organização intergovernamental autônoma criada no âmbito da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
"Por estar ciente dessa situação a FAPESP criou o BIOEN, que desde sua criação em 2008 já recebeu R$ 80 milhões de investimento", disse à Agência FAPESP .
Gláucia Mendes Souza, professora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e membro da coordenação do BIOEN, afirmou que a BBEST nasceu praticamente ao mesmo tempo que o Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia com o intuito de congregar a academia, a indústria e fazer um esforço de comunicar os avanços no campo da ciência e da tecnologia para os formuladores de políticas públicas do setor.
"Nas edições anteriores da BBEST, conseguimos mostrar como a bioenergia pode interagir com questões como segurança alimentar, segurança ambiental, segurança climática e com o desenvolvimento sustentável. Nos últimos três anos, começamos a pensar em todas essas questões de uma maneira mais integrada, buscando o desenvolvimento de uma bioeconomia. Por meio do BIOEN, estamos desenvolvendo tecnologias para usar a biomassa e para fazer muitas outras coisas além do bioetanol, como combustíveis de aviação e bioprodutos que substituam aqueles hoje produzidos pela indústria petroquímica", afirmou.
Para Luuk van der Wielen, diretor do Biotechnology based Ecologically Balanced Sustainable Industrial Consortium (BE-Basic) e organizador da BBEST ao lado de Mendes Souza, a bioeconomia é um caminho para o Brasil superar a turbulência e as dificuldades econômicas atuais. "Há muitas iniciativas nesse sentido que serão mostradas ao longo destes três dias", afirmou.
Também participaram da cerimônia de abertura Heitor Cantarella, pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), e Marcio de Castro Silva Filho, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) - ambos secretários-gerais da BBEST 2017.
Mais informações sobre o BBEST: www.bbest.org.br

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Tratando da questão da gravidez precoce ou na adolescência


Autores: Naiana Dapieve Patias1; Ana Cristina Garcia Dias2
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Como citar este Artigo

Descritores: Gravidez na adolescência, vulnerabilidade, psicologia.
Keywords: Teen pregnancy, vulnerability, psychology.
Resumo:
Objetivo: Nas últimas décadas tem se estudado a ocorrência da gestação na adolescência, sendo que um bom número de trabalhos busca compreender os fatores associados a sua ocorrência bem como suas consequências, em diferentes domínios do desenvolvimento. Fonte de dados: O presente trabalho apresenta uma breve revisão de literatura a respeito desses fatores que contribuem para que ocorra a gestação na adolescência. Síntese dos dados: Constata-se que múltiplos fatores encontram-se envolvidos na gênese da gestação na adolescência, no contexto socioeconômico e cultural, nas relações familiares, nas características dessa fase de desenvolvimento, sendo que todos esses fatores interagem contribuindo para ocorrência do fenômeno. Conclusão: Assim, considera-se necessário levar em conta esses múltiplos fatores (e a interação entre os mesmos) na elaboração e execução de programas de prevenção à gestação, uma vez que a gravidez nesse período de vida pode estar associada a problemas biológicos, psicológicos e sociais.

INTRODUÇÃO

Adolescência é um período de transição entre a infância e a vida adulta, que assume diferentes configurações psicossociais. Em termos cronológicos, segundo a Organização Mundial da Saúde, a adolescência compreende a fase entre os 10 e os 19 anos1. Em termos psicológicos e fisiológicos, esse período do desenvolvimento é marcado por intensas modificações biológicas, psicológicas e sociais, que anunciam a passagem da infância para a vida adulta2. Embora não se resuma à questão biológica, a adolescência frequentemente está associada às transformações físicas decorrentes da puberdade, que transformam o corpo infantil em corpo adulto, capacitando-o à reprodução. Assim, as diferenças sexuais que antes não eram tão evidentes na infância, na puberdade tornam-se explícitas, ficando o exercício da sexualidade mais evidente.

Nesse contexto de transformações biológicas, psíquicas e sociais pode ocorrer a gestação na adolescência, já que os jovens, frequentemente, não são educados a cuidar do próprio corpo3. Benincasa et al.4 observam que há falta de oportunidade para os jovens refletirem sobre os riscos aos quais estão expostos diariamente. Isso os impede de reformular suas opiniões e repensar seus hábitos e possíveis soluções protetoras para tais riscos. Assim, os jovens tornam-se vulneráveis a experiências sexuais sem proteção, que podem lhes trazer consequências irreversíveis (por exemplo: gravidez, doenças sexualmente transmissíveis).

O presente trabalho pretende refletir sobre os diferentes fatores que contribuem para a ocorrência do fenômeno, através de uma breve revisão crítica da literatura, considerando quatro eixos norteadores: 1) a iniciação sexual precoce e o não uso de métodos contraceptivos; 2) representações de gênero e ambiguidade nos valores sociais; 3) fatores socioeconômicos e culturais; 4) o contexto familiar.

Partimos do pressuposto de que a gestação nesse período de vida é um fenômeno complexo, resultado de múltiplos fatores, sendo a ausência de informações sobre sexualidade e métodos contraceptivos apenas um dentre outros fatores que contribuem para a ocorrência do fenômeno3.


INICIAÇÃO SEXUAL PRECOCE E NÃO UTILIZAÇÃO DE MÉTODOS CONTRACEPTIVOS

A atividade sexual do jovem sem medidas contraceptivas adequadas pode resultar em gestação na adolescência. De fato, os comportamentos de risco associados ao exercício da sexualidade têm sido bastante investigados no contexto brasileiro2,5,6.

Ximenes Neto et al.2 destacam que a gestação encontra-se relacionada à idade de surgimento da menarca e da primeira relação sexual da adolescente, para eles: quanto mais cedo ocorre a menarca e o início da atividade sexual maiores são as chances de ocorrência da gravidez. Tanto no que se refere à menarca como à atividade sexual precoce observa-se que quando essas ocorrem em idades precoces, as meninas podem não se encontrar preparadas em termos psicológicos ou mesmo de informações para lidar com a própria sexualidade e com a necessidade de adotar comportamentos preventivos frente ao exercício da mesma. Santos e Carvalho6 apontam que, apesar da maior difusão de informações sobre métodos contraceptivos, cerca de 45 a 60% dos adolescentes brasileiros iniciam sua vida sexual sem a adoção de alguma forma de contracepção. Contudo, não é apenas a falta de informação que interfere na adoção de métodos contraceptivos.

Estudos indicam que os jovens não fazem uso da informação contraceptiva por apresentarem dúvidas quanto à validade das mesmas, por essas informações serem parciais ou ainda por estarem associadas a ideias equivocadas a respeito da sexualidade e contracepção7,8. O estudo realizado por Dias e Gomes8, por exemplo, aponta que a comunicação entre pais e filhos a respeito da sexualidade e contracepção é incompleta e parcial, sendo frequentemente comprometida pela falta de intimidade entre os envolvidos. Assim, os adolescentes podem buscar informações em outras fontes, que nem sempre se apresentam como adequadas ou eficientes no fornecimento dessas informações. Além disso, o receio do uso de certos métodos contraceptivos, o desconhecimento ou impossibilidade de compra dos contraceptivos, as chantagens do parceiro que percebem a relação sexual desprotegida como prova de amor contribuem para o não uso dos contraceptivos de forma adequada2,9.

Além disso, outro estudo mostrou que apesar das adolescentes possuírem um bom nível de conhecimento sobre métodos contraceptivos, 67,3% delas não utilizaram nenhum método na primeira relação sexual. As razões para a não utilização citadas foram: 32,4% não pensarem nisso na hora; 25,4% desejarem a gravidez; 12,7% não esperavam ter relação sexual naquele momento; 11,3% não conhecerem nenhum método contraceptivo; 8,5% os parceiros não queriam que elas usassem; 5,6% não se importavam em ficar grávidas e 5,6% achavam caro ou inconveniente usar alguma forma de método contraceptivo9.

Assim vemos que inúmeros fatores contribuem para a não utilização de contraceptivos. Além dos fatores já descritos, observamos que o amadurecimento orgânico do adolescente ocorre antes do amadurecimento emocional e cognitivo, podendo determinar a vivência da sexualidade de uma maneira imatura8,10.

Em termos afetivos, o surgimento da gravidez pode estar relacionado a dificuldades de assumir a própria autonomia emocional e de identidade, na qual, inconscientemente, por não conseguir separar-se psicologicamente da mãe, a adolescente tentaria manter-se em um estado simbiótico (com o bebê), transferindo esta dependência para o(a) filho(a)7 . Do ponto de vista cognitivo, os adolescentes apresentam dificuldades de prever as situações e relações causais possíveis entre as situações, sendo difícil para os mesmos pensarem nas consequências do ato sexual sem proteção. Além disso, o egocentrismo, característico do pensamento adolescente (comigo não vai acontecer, sou diferente dos outros), pode contribuir para ocorrência da gravidez3.

Até então vimos características mais relacionadas ao indivíduo que podem contribuir para ocorrência da gestação. A seguir veremos como fatores contextuais, sejam sociais ou familiares, contribuem para o surgimento da gravidez adolescente.


REPRESENTAÇÕES DE GÊNERO E AMBIGUIDADE NOS VALORES SOCIAIS

Considera-se, ainda, que há ambiguidade nos valores sociais referentes ao corpo, sexualidade e gênero que são transmitidos aos adolescentes e estão associados ao exercício da sexualidade sem a adoção de métodos contraceptivos. A partir da década de 60 o advento da pílula anticoncepcional proporcionou o surgimento de novos padrões de comportamentos sexuais, desvinculando o sexo da função reprodutiva necessariamente. No entanto, essa desvinculação ocorreu de tal forma que, hoje, parece ser complicado para os jovens associarem esses fenômenos11,12. Cabe lembrar ainda que essas transformações não necessariamente modificaram os papéis de gênero, da mesma maneira que influenciaram o comportamento dos indivíduos.

Um estudo realizado por Desser13, por exemplo, observa que o discurso social veiculado sobre a sexualidade voltado ao público feminino é contraditório. Ao mesmo tempo em que a "mulher moderna" deve possuir um controle de sua sexualidade, exercendo-a livremente, ela deve legitimá-la através de sua "inocência". Nesse sentido, o ato sexual está vinculado à ideia de descontrole emocional, provocado por uma "grande paixão", não sendo jamais planejado ("inocência" torna-se inerente ao ato). Essa produção de "inocência" na jovem sexualmente ativa substitui o valor que a virgindade antes possuía na regulação da sexualidade feminina, assumindo um papel fundamental na construção da identidade feminina. Para Desser13 (p. 140), "o não sancionamento do exercício da sexualidade e utilização da virgindade como método contraceptivo são os principais fatores associados ao não uso ou uso ineficaz de contracepção, seja a adolescente ainda virgem, seja depois de iniciada sua atividade sexual" (p. 140).

Essa ambiguidade de valores ainda é vivida, sendo descrita em alguns estudos5,11. Observa-se que ainda é predominante a representação que o homem é ativo e deve exercer sua sexualidade de maneira livre, levando em conta apenas a obtenção da satisfação das necessidades corporais e busca de prazer. No entanto, as meninas que adotam os mesmos comportamentos ou valores que eles são consideradas promíscuas e "mal vistas". Assim, é reprovada a curiosidade e as iniciativas femininas frente à sexualidade, assim como a prática de relações sexuais fora do casamento pelas meninas. Essas concepções afetam diretamente a utilização de métodos contraceptivos, uma vez que utilizar os mesmos significa a antecipação do exercício da atividade sexual, fato que não permitiria a associação ao descontrole emocional fruto da paixão e, consequente, legitimação através da "inocência". Assim, em alguns segmentos, podemos encontrar a ideia de que usar métodos contraceptivos pode ser sinônimo de promiscuidade.

De fato, Heilborn et al.11 consideram que é utilizada uma lógica assimétrica, na qual o gênero masculino é dominante, sendo essa lógica desigual um importante fator de risco que predispõe a gestação na adolescência. Essa lógica dificulta a negociação do uso de contraceptivos e práticas preventivas entre os parceiros, quando os mesmos vão exercer sua sexualidade.


FATORES SOCIOECONÔMICOS E CULTURAIS

O contexto econômico, histórico, político e cultural é importante de ser analisado na situação de gestação adolescente, pois essa pode ser vista como um problema de saúde pública ou não, dependendo desses fatores3. De fato, alguns estudos2,7,11,12,14,15 mostram que a gravidez nesse período ocorre predominantemente em um contexto no qual os jovens possuem menores oportunidades de vida, tanto em termos educacionais como profissionais. A gestação e a maternidade, nesse contexto, podem fazer parte de um "projeto de vida", que possibilita à adolescente a inserção no mundo adulto, de maneira valorizada, através do papel de mãe11.

Dadoorian7 considera que, nas camadas populares, o papel e status feminino estão associados à maternidade; assim, é possível que as jovens sejam estimuladas, mesmo inconscientemente, a engravidar, para encontrar reconhecimento. Além disso, a gestação e a consequente maternidade, ao constituírem um novo núcleo familiar, podem representar a autonomia econômica e emocional em relação às figuras paternas.

É possível que nos estratos populares o desejo de ter um filho apareça mais cedo, uma vez que a maternidade funciona como uma estratégia de aliança, na qual uma rede de arranjos domésticos e de consanguinidade é revisada e fortalecida. A criança, nesse contexto, produz sentido para a vida, sendo, muitas vezes, desejada e considerada um objetivo a ser alcançado e não um problema a ser tratado12,15.

Rangel e Queiroz16, por sua vez, ao compararem jovens de dois estratos socioeconômicos diferenciados, mostraram que para as jovens de camadas populares a gravidez representa o destino natural do feminino e a forma única de realização pessoal. O mesmo não acontece com as jovens dos estratos médios, para as quais a gravidez é representada como algo que destruiria os planos futuros de continuação dos estudos e uma inserção profissional qualificada no mercado de trabalho.


O CONTEXTO FAMILIAR

Além dos valores presentes no contexto social próximo, os fatores e valores familiares são fundamentais tanto para compreender como os mesmos podem influenciar para a ocorrência da gestação adolescente quanto para entender como a mesma será vivenciada e representada pela jovem. Por exemplo, Caputa e Bordin17 observam que a baixa escolaridade paterna e o uso frequente de drogas ilícitas por um familiar residente no domicílio podem ser fatores de risco importantes para ocorrência da gestação. Esses fatores geram estresse e dificultam as relações familiares, tornando a comunicação mais difícil entre os membros do grupo.

Além disso, outros autores7,12,14,15,18, por sua vez, demonstram que práticas educativas parentais abusivas, bem como a presença de uma configuração familiar monoparental, podem fazer com que a jovem se torne mais vulnerável à ocorrência da gestação precoce. Nesse contexto, a menina pode se sentir menos apoiada e pode perceber na gestação uma forma de receber afeto e compreensão. Brandão e Heilborn19 observam que a gravidez ainda pode representar tanto uma atitude de rebeldia contra a família como a busca de libertação de um ambiente familiar hostil.

Outro fator familiar que contribui para a ocorrência da gestação é a repetição da história reprodutiva da família. Estudo de Persona, Shimo e Tarallo20 demonstra que meninas grávidas possuem pais que, em sua maioria, passaram por essa experiência durante a adolescência. Além disso, a presença de outros membros da família (tias, irmãs, primas) que estão passando pela experiência de gravidez adolescente está mais associada à ocorrência do fenômeno, no caso de certas meninas.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir de uma breve revisão de literatura não sistemática acerca dos fatores que tornam as jovens mais vulneráveis à gestação na adolescência, compreendeu-se que esta é multideterminada e não deve ser considerada a partir de um único fator. Falar de gestação na adolescência é falar de um fenômeno complexo e multifatorial. Nesse sentido, é importante ressaltar a importância de se conhecer os diferentes fatores e a interação entre os mesmos que possibilitam a ocorrência de gestação na adolescência para a elaboração e desenvolvimento de programas de prevenção, promoção e atendimento a essa população. Assim, é fundamental que os profissionais de saúde possam ampliar seus olhares, percebendo os diferentes significados envolvidos nesse fenômeno. Considera-se que a gestação deve ser, de fato, uma opção, mas isso só será possível se as jovens dos diferentes estratos sociais tiverem oportunidades similares de escolarização, profissionalização e inserção social.

ONU: mulheres pobres precisam ter controle sobre natalidade

17 out 2017 

Fracassar em dar às mulheres mais pobres o controle sobre seus corpos pode ampliar a desigualdade em países em desenvolvimento e prejudicar o progresso rumo a metas globais que visam a erradicar a pobreza até 2030, disse o Fundo de População das Nações Unidas (FPNU) nesta terça-feira.
Refugiada curda segura criança em campo de refugiados na cidade de Suruç, na Turquia
Refugiada curda segura criança em campo de refugiados na cidade de Suruç, na Turquia
Foto: Reuters
Incontáveis mulheres e meninas do mundo todo não têm o direito de opinar em decisões sobre sexo e natalidade e têm dificuldade de acesso a serviços de saúde, como planejamento familiar, correndo o risco de gestações indesejadas e abortos, informou um relatório do FPNU.
O acesso ao controle de natalidade permite que as mulheres adiem e criem intervalos entre os nascimentos, reduzindo a mortalidade de mães e filhos, fortalece economias liberando as mulheres para o trabalho e induz famílias menores nas quais os pais conseguem dedicar mais tempo à saúde e à educação dos filhos.
Mesmo assim, muitas das mulheres mais pobres do mundo --especialmente as mais jovens, menos educadas e moradoras de áreas rurais-- não usufruem destas oportunidades porque tais serviços são escassos, muito caros ou desdenhados por suas famílias e comunidades, dizem especialistas.
Isso pode agravar a diferença de gêneros, reforçar a desigualdade entre os mais pobres e os mais ricos e em última instância enfraquecer as economias, alertou o FPNU em seu relatório anual "Estado da População Mundial".
Negar às mulheres o acesso a serviços de saúde reprodutiva também pode minar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), um plano global para acabar com a pobreza e a desigualdade até 2030, segundo o levantamento.
"Hoje a desigualdade não diz respeito só a ter ou não ter... diz respeito cada vez mais a poder e não poder", disse a diretora-executiva do FPNU, Natalia Kanem, em um comunicado.
"As mulheres pobres que carecem dos meios para tomar suas próprias decisões sobre o tamanho da família ou que estão com a saúde ruim por causa de cuidados de saúde reprodutiva inadequados dominam as fileiras do 'não poder'", afirmou ela antes do lançamento do relatório em Londres.
Ao menos 214 milhões de mulheres de países em desenvolvimento não conseguem ter acesso a contraceptivos, o que resulta em 89 milhões de gestações indesejadas e 48 milhões de abortos por ano, segundo o FPNU.
Mas um número crescente de países vêm prometendo elevar seus gastos com serviços de saúde reprodutiva, parte da iniciativa Planejamento Familiar 2020, que almeja oferecer acesso a métodos de controle de natalidade a 120 milhões de mulheres a mais em todo o planeta.

Origem de ondas gravitacionais é observada pela primeira vez

Especialistas comprovaram a existência de kilonova, fusão de duas estrelas de nêutrons. Acontecimento inaugura "nova era" de observação e pode aproximar cientistas da origem do universo.
Gráfico simula ondas gravitacionais geradas por estrelas binárias de nêutrons Gráfico simula ondas gravitacionais geradas por estrelas binárias de nêutrons
Uma equipe internacional de astrônomos anunciou nesta segunda-feira (16/10) que conseguiu observar, pela primeira vez, a origem de ondas gravitacionais, inaugurando o que os especialistas chamaram de "o início de uma nova era" na observação do universo.
No último dia 17 de agosto, os cientistas testemunharam simultaneamente a luz e as ondas gravitacionais produzidas pela fusão de duas estrelas de nêutrons a 130 milhões de anos-luz da Terra, podendo observar as consequências do fenômeno em vários telescópios.
Leia mais:
 Nobel de Física vai para estudo de ondas gravitacionais
O que são ondas gravitacionais e por que elas são importantes?
As observações sugerem que os sinais captados pelos cientistas são resultado de uma fusão chamada de kilonova, cuja existência se postulava há 30 anos, mas que nunca tinha sido provada. Esta é a primeira observação confirmada do fenômeno.
Observação revolucionária
"É realmente emocionante viver um acontecimento assim, que muda a nossa compreensão de como funciona o universo", disse France Córdova, diretora da Fundação Nacional de Ciências (NSF) dos Estados Unidos.
Durante cerca de dois minutos, os detectores dos observatórios Ligo (Laser Interferometer Gravitational Wave Observatory), nos Estados Unidos, e Virgo, na Itália, registraram pequenas ondas – como se fosse uma oscilação – no espaço-tempo, uma nova dimensão que resulta da fusão entre espaço e tempo, segundo a Teoria Geral da Relatividade do físico alemão Albert Einstein.
Quase ao mesmo tempo, se produziu uma explosão de raios gama, detectada por um satélite da Nasa, que enviou um alerta para a Terra. Os astrônomos da equipe internacional do Ligo e do Virgo calcularam rapidamente o local de origem das ondas gravitacionais, encontrando um novo ponto claro na galáxia NGC4993.
Após as primeiras análises, os especialistas chegaram rapidamente à conclusão de que se tratava de uma kilonova.
"Versão light" do buraco negro
As estrelas de nêutrons podem ser comparadas a uma versão "light" dos chamados buracos negros, que surgem após o colapso de estrelas maciças, definiu reportagem do jornal alemão Süddeutsche Zeitung. As estrelas de nêutrons são sobras de estrelas menores. Quando acaba o combustível dessas estrelas, elas se desmantelam, causando uma pressão inimaginável que derrete prótons e elétrons. Acontece uma violenta explosão. O que sobra é um objeto extremamente comprimido, composto quase que exclusivamente de nêutrons.
A detecção de ondas gravitacionais já havia sido observada – o prêmio Nobel de Física deste ano foi concedido aos americanos Rainer Weiss, Barry C. Barish e Kip S. Thorne pela comprovação da existência de ondas gravitacionais previstas por Albert Einstein há mais de cem anos. Porém, nas quatro ocasiões em que se detectaram essas oscilações que distorcem o espaço-tempo e se propagam com a velocidade da luz, a causa havia sido a fusão de buracos negros.
As ondas gravitacionais são resultado de leves perturbações do espaço-tempo sob efeito do deslocamento de um objeto maciço. Frequentemente, essas oscilações são ilustradas com a imagem de rugas que se propagam na superfície de uma lagoa depois que se joga uma pedra dentro dela. Quanto mais longe se está do local onde a pedra mergulhou, menor é a onda.
"Novos óculos"
Com os detectores Ligo e Virgo, os astrônomos agora possuem novos instrumentos para observar fenômenos violentos – como a fusão de dois buracos negros ou de duas estrelas de nêutrons – no universo e que até hoje não podiam ser observados. "É como ter novos óculos, novos olhos", afirmou o físico Thibault Damour, do Instituto de Altos Estudos Científicos (IHES), próximo a Paris.
"Elas [as ondas gravitacionais] são produzidas permanentemente. Estamos imersos num fluxo de ondas gravitacionais, mesmo se não nos damos conta", explica Benoît Mours, diretor de pesquisas do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) da França.
Essa nova astronomia também pode ser definida como "uma janela para o passado", segundo considera Jon Butterworth, professor de física da UCL (University College London). "Isso não nos permitirá voltar até o Big Bang, mas poderá nos aproximar muito" da origem do universo, disse o cientista.
RK/efe/dpa/afp/ots

domingo, 15 de outubro de 2017

COMPOSIÇÃO 29

AS CIRCUNSTÂNCIAS COSTUMAM VARIAR


O sol se punha humildemente
Hora de jantar
E depois comer um manjar
Lenta e tranquilamente


Hora de pensar nela
Uma olhada na janela
E ela nunca vinha
Mais uma olhada rapidinha
E nada dela
Paciência e sem xurumela


Viu? Lá vem ela
Perguntei-lhe sobre seu dia
Mas ela não respondia
Permanecia quieta
Fiquei alerta

Mas era preocupação à toa
Pensei: apenas TPM ou estressada?
Talvez amanhã ela já esteja boa, pois

Cada dia é diferente
De descontente a contente
Com isso devemos nos acostumar
As circunstâncias costumam variar
Costumam variar
Variar, é, variar
(Refrão)

Novamente o sol se punha
Corri para a janela a esperá-la
Como um raio ela chegava irradiante
Beijou-me ardentemente
E pôs-me a abraçá-la
Como eu supunha ela se recompunha


Às vezes preocupações por nada
Às vezes o diabo ganha de lavada
Ás vezes o diabo está em nossa cabeça
Não há quem mereça, pois






Cada dia é diferente
De descontente a contente
Com isso devemos nos acostumar
As circunstâncias costumam variar
Costumam variar
Variar, é, variar
(Refrão)


Nada melhor do que um dia após o outro
Pois nem todo dia é torto
Então, por que ficar afoito
Melhor perder tempo com o coito

Hoje levo a via numa boa
Do passado ingênuo ela destoa
Não pensar no pior
É bem melhor, pois


Cada dia é diferente
De descontente a contente
Com isso devemos nos acostumar
As circunstâncias costumam variar
Costumam variar
Variar, é, variar
(Refrão)


Tudo é passageiro
Nada é eterno
Sem inferno
E formigueiro


Deus é sábio
Fez o ciclo
Com isso me reciclo
E recarrego meu lábio, pois


Cada dia é diferente
De descontente a contente
Com isso devemos nos acostumar
As circunstâncias costumam variar
Costumam variar,
Variar, é, variar
(Refrão)


O sol se punha humildemente
Hora de jantar
E depois comer um manjar
Lenta e tranquilamente


Hora de pensar nela
Uma olhada na janela
E ela nunca vinha
Mais uma olhada rapidinha
E nada dela
Paciência e sem xurumela


Viu? Lá vem ela
Perguntei-lhe sobre seu dia
Mas ela não respondia
Permanecia quieta
Fiquei alerta

Mas era preocupação à toa
Pensei: apenas TPM ou estressada?
Talvez amanhã ela já esteja boa, pois

Cada dia é diferente
De descontente a contente
Com isso devemos nos acostumar
As circunstâncias costumam variar
Costumam variar
Variar, é, variar
(Refrão)

Novamente o sol se punha
Corri para a janela a esperá-la
Como um raio ela chegava irradiante
Beijou-me ardentemente
E pôs-me a abraçá-la
Como eu supunha ela se recompunha


Às vezes preocupações por nada
Às vezes o diabo ganha de lavada
Ás vezes o diabo está em nossa cabeça
Não há quem mereça, pois


Cada dia é diferente
De descontente a contente
Com isso devemos nos acostumar
As circunstâncias costumam variar
Costumam variar
Variar, é, variar
(Refrão)


Nada melhor do que um dia após o outro
Pois nem todo dia é torto
Então, por que ficar afoito
Melhor perder tempo com o coito

Hoje levo a via numa boa
Do passado ingênuo ela destoa
Não pensar no pior
É bem melhor, pois


Cada dia é diferente
De descontente a contente
Com isso devemos nos acostumar
As circunstâncias costumam variar
Costumam variar
Variar, é, variar
(Refrão)


Tudo é passageiro
Nada é eterno
Sem inferno
E formigueiro


Deus é sábio
Fez o ciclo
Com isso me reciclo
E recarrego meu lábio, pois


Cada dia é diferente
De descontente a contente
Com isso devemos nos acostumar
As circunstâncias costumam variar
Costumam variar,
Variar, é, variar
(Refrão)


terça-feira, 10 de outubro de 2017

O bom modelo português de descriminalização do uso das drogas

O momento em que o diretor-geral do SICAD, João Goulão (à esquerda) cumprimentou o Papa Francisco, em novembro quando participou num seminário da Academia Pontifícia das Ciências, tendo apresentado o modelo português de descriminalização das drogas
Descriminalização do consumo e os resultados obtidos são objeto de estudo por muitos países que enviam delegações a Portugal
O modelo português de descriminalização do consumo de drogas e apoio e tratamento aos consumidores atrai cada vez mais as atenções mundiais. Do realizador norte-americano Michael Moore ao Vaticano, aos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, ao Reino Unido ou ao jornal The New York Times, a legislação portuguesa aprovada em 2000, e em vigor desde 2001, tem merecido muita atenção ao ponto de os responsáveis nacionais que mais de perto lidam com o tema serem convidados para participar em inúmeros seminários onde explicam como Portugal lida com o assunto. Além disso, o Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) recebe frequentemente delegações de países e instituições que querem ver como o país lida com a questão.
João Goulão, diretor-geral do SICAD, confirma as visitas e tem como prova "uma galeria de fotos com personalidades notáveis no meu gabinete. Uma é com o Papa Francisco". Imagem obtida em novembro de 2016 quando participou num seminário organizado pela Academia Pontifícia das Ciências -também com o envolvimento da rainha Sílvia, da Suécia -, onde diversos especialistas mundiais falaram sobre as várias questões relacionadas com a droga. Este encontro, em que a legislação e os resultados obtidos por Portugal foram apresentados, teve lugar nos dias 23 e 24 daquele mês e, no final, ficou feito um retrato global sobre os problemas relacionados com a droga a nível mundial.
Foi também divulgado um documento com 13 recomendações. Por exemplo, sobre a necessidade de se conseguir maior apoio para os três tratados das Nações Unidas que permitem o uso de droga com fins medicinais e instituem normas muito restritas para evitar a venda e o consumo sem ser para fins terapêuticos; um outro ponto alerta para a urgência de se combater o tráfico; o documento refere também que os países devem elaborar uma estratégia para coordenar os sistemas penais e de saúde. Os participantes defendem que tem de se fazer prevenção nos jovens (até aos 21 anos) para evitar que consumam produtos estupefacientes.
O exemplo português
O sucesso do modelo nacional que já tem 16 anos - a legislação que descriminaliza o consumo entrou em vigor em 2001 - é assente em resultados comprovados. "Temos uma das mais baixas taxas do mundo de óbitos por overdose", sublinha João Goulão. Em Portugal são seis mortes por milhão de habitantes, nas idades dos 15 aos 64 anos, enquanto nos Estados Unidos são 312, na Suécia 100, na Noruega 76 e em Espanha 15, por exemplo, como sublinhou o jornal norte-americano The New York Times num artigo intitulado "How to Win a War on Drugs" (em português, "Como ganhar a guerra às drogas"), publicado no dia 22 de setembro, que compara o falhanço da política norte-americana (64 mil cidadãos morreram de overdose nos Estados Unidos no ano passado) com o sucesso do modelo português. O jornalista Nicholas Kristof entrevistou o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, o "arquiteto" (como lhe chamou) desta política, João Goulão, mas igualmente toxicodependentes e técnicos.
A razão para tanto interesse é que a opção portuguesa é única no mundo: adotou uma abordagem de saúde pública, deixando de penalizar os consumidores para os encaminhar para uma consulta na comissão de dissuasão, um organismo que só existe em Portugal. "O modelo mais próximo do nosso é o da República Checa. Os checos descriminalizaram o consumo mas não criaram as comissões de dissuasão. E estas são importantes porque visam encaminhar as pessoas para as respostas adequadas ao seu grau de consumo de drogas", explicou ao DN o diretor do SICAD. João Goulão tem recebido dezenas de delegações internacionais no seu gabinete, como um autêntico "embaixador" desta política portuguesa.
Em novembro do ano passado, o diretor do SICAD foi a Vancouver (Canadá), para um congresso sobre políticas de combate às dependências e recebeu, em Lisboa, o diretor de um programa de pesquisa sobre hepatite nos Estados Unidos, responsável pelo programa de controlo desta doença.
Mais recentemente, na última semana de setembro, não teve mãos a medir: "Recebi uma comissão parlamentar constituída por senadores e deputados australianos, um deputado escocês, um vereador do município brasileiro de São Paulo e uma delegação técnica do estado de Santa Catarina, no Brasil." Antes, esteve em Viena de Áustria a participar numa reunião das Nações Unidas em que fez uma intervenção sobre o modelo português. "Tem sido uma atividade louca de partilha da experiência e dos bons resultados que temos obtido. Hoje em dia uma das atividades que consomem mais do meu tempo é receber as delegações de todos os cantos do mundo", conta. Após a publicação de um primeiro relatório sobre os resultados da política portuguesa, assinado pelo jurista norte-americano Glenn Greenwald em 2009, começaram a chegar as delegações estrangeiras, na média de "uma ou duas por semana". Até hoje.
A visita das ministras do Canadá
A 27 de julho vieram a Lisboa as ministras da Justiça e da Saúde do Canadá, Jody Wilson-Raybould (que é também procuradora-geral do país) e Ginette Taylor, respetivamente, para conhecer a abordagem portuguesa em matéria de opioides e dar a conhecer a reforma em curso relativa à legalização e regulação da canábis no Canadá, bem como a reforma do sistema de justiça penal canadiano. Foram recebidas pela ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, que as levou a visitar uma ala livre de drogas no Estabelecimento Prisional de Lisboa mas também estiveram com o diretor do SICAD.
"Acharam o programa português muito bom, porque evitava o flagelo e a perseguição de consumidores nas ruas da cidade. Viram demonstrado que a abordagem curativa é mais eficaz, não a repressiva. Também lhes foi explicado como o Laboratório de Polícia Científica da Judiciária procura atualizar-se à medida que vão aparecendo novas drogas, como as sintéticas, e manter a par a legislação e a informação junto das polícias", explicou fonte do Ministério da Justiça ao DN.
João Goulão também recebeu as ministras canadianas: "No Canadá há um compromisso eleitoral do primeiro-ministro em legalizar o uso da canábis para fins recreativos. O grande interesse no modelo português tem que ver com o enorme problema que estão a atravessar: as mortes por overdose de opiáceos sintéticos, o cetanil está a matar quatro pessoas por dia em Vancouver. Por isso também fui lá falar da nossa experiência."

segunda-feira, 9 de outubro de 2017


COMPOSIÇÃO 28

O IDEAL


O ideal é que religiões falsas percam seguidores
É  ter regimes políticos sem ditadores
É  ter sexualidade relativamente livre e responsável
É ter mulher linda e adorável


É ter parceiro romântico
É experimentar cruzeiro no Atlântico
É dar beijos na boca
É comer queijo numa casa barroca


(É dar beijo na boca)
(É comer queijo numa casa barroca)

É ter emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver uma vida maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)


É ter justiça implacável e rápida
É namorar uma mestiça intrépida
É encontrar a cara-metade
É amar de verdade


É expor os sentimentos
É compor incrementos
É encontrar o ponto de equilíbrio
É deixar de ser um ébrio

(É expor os sentimentos)
(É compor incrementos)

É ter emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver uma vida maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)

É se divertir a valer
É curtir ler
É curtir teatro
É não cair de quatro

É exalar felicidade
É falar com idoneidade
É viver o presente
É desenvolver contente

(É viver o presente)
(É desenvolver contente)

É ter emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver uma vida maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)

É preservar e também inovar
É reservar e também gastar
É manter o astral
É esconder o final

É voltar a ser criança
É não se descuidar da balança
É pôr o corpo em movimento
É dispor de anticorpo no tratamento

(É manter o astral)
(É esconder o final)

É ter emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver uma vida maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)

É não pecar comendo a maçã
É pensar no amanhã
É se aliviar no divã
É se alongar com uma falastrã

É dar o respeito para ser respeitado
É evitar o trejeito para não ser imitado
É demonstrar simpatia
É se esbaldar na alegoria

(É demonstrar simpatia)
(É se esbaldar na alegoria)


É ter emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver uma vida maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)


O ideal é que religiões falsas percam seguidores
É  ter regimes políticos sem ditadores
É  ter sexualidade relativamente livre e responsável
É ter mulher linda e adorável


É ter parceiro romântico
É experimentar cruzeiro no Atlântico
É dar beijos na boca
É comer queijo numa casa barroca


(É dar beijo na boca)
(É comer queijo numa casa barroca)

É ter emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver uma vida maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)


É ter justiça implacável e rápida
É namorar uma mestiça intrépida
É encontrar a cara-metade
É amar de verdade


É expor os sentimentos
É compor incrementos
É encontrar o ponto de equilíbrio
É deixar de ser um ébrio

(É expor os sentimentos)
(É compor incrementos)

É ter emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver uma vida maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)

É se divertir a valer
É curtir ler
É curtir teatro
É não cair de quatro

É exalar felicidade
É falar com idoneidade
É viver o presente
É desenvolver contente

(É viver o presente)
(É desenvolver contente)

É ter emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver uma vida maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)

É preservar e também inovar
É reservar e também gastar
É manter o astral
É esconder o final

É voltar a ser criança
É não se descuidar da balança
É pôr o corpo em movimento
É dispor de anticorpo no tratamento

(É manter o astral)
(É esconder o final)

É ter emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver uma vida maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)

É não pecar comendo a maçã
É pensar no amanhã
É se aliviar no divã
É se alongar com uma falastrã

É dar o respeito para ser respeitado
É evitar o trejeito para não ser imitado
É demonstrar simpatia
É se esbaldar na alegoria

(É demonstrar simpatia)
(É se esbaldar na alegoria)


É ter emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver uma vida maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O tão falado déficit da previdência é real?

Em nova tentativa de aprovar a Reforma da Previdência governo divulga dados distantes dos 700 bilhões arrecadados em 2015. 

Marta Gueller
05 Outubro 2017 | 

Com arrecadação de R$ 30,3 bilhões e gastos com pagamentos de benefícios na ordem de R$ 47,2 bilhões, o Governo anuncia que há urgência na aprovação da Reforma da Previdência.
Estamos vivendo tempos difíceis. De crise econômica e política. A Previdência Social depende da solidariedade entre as gerações. Enquanto os mais jovens trabalham e contribuem para regime, os mais velhos que contribuíram para o mesmo regime recebem benefícios. Evidente que o desemprego faz cair a arrecadação e aumentar o gasto com benefícios.
O cálculo apresentado pelo Governo para apontar o déficit, no entanto,  considera apenas as contribuições dos empregadores e empregados, ignorando as outras contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, entre elas contribuições sobre o lucro liquido das empresas, sobre o consumo de bens e serviços (Cofins), PIS/PSEP, sobre importações, sobre concurso de prognósticos, entre outras.

Em 2015 foram arrecadados 700 bilhões de reais e foram gastos de 688 bilhões. O sistema de seguridade (saúde, assistência e previdência) é, portanto, superavitário.
O objetivo da Reforma é a convergência entre os regimes, ao longo dos anos, para que todos os trabalhadores (regime geral, servidores públicos e militares), no futuro próximo tenham as mesmas regras para obtenção da aposentadoria.
Pense nisso. Fale sobre isso com as pessoas que você conhece. A defesa dos direitos é algo muito importante. Ela faz parte da nossa condição de brasileiros e de cidadãos. Não vamos deixar que a crise econômica e politica coloque em risco a proteção social fundamentada em falsa premissa de que há déficit na Previdência.
A Reforma alterará drasticamente os requisitos para obtenção de aposentadoria e a forma de cálculo. Caso seja aprovada, fará com que tenhamos saudade do Fator Previdenciário, aquele redutor que leva em consideração a expectativa de vida, o tempo de contribuição e a idade do segurado na data da aposentadoria.
Os direitos constitucionalmente alcançados pelos trabalhadores não podem se transformar em moeda de troca no Congresso Nacional.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Vazio x conteúdo: pancadas x palavras

Esta questão é bem dialética. Expliquemos: peguemos, por exemplo, a questão da educação dos filhos. Pois bem, os pais menos cultos tendem a educar ou corrigir seus filhos na pancada - ao passo que os pais mais cultos tendem a recorrer às palavras ou argumentos. Assim, onde há um vazio (intelectual) tende a haver um maior uso da matéria (pancada) no lugar do conhecimento (vazio energético ou conhecimento). E quais são as consequências disso? A mais relevante é que violência física não educa ninguém. Assim, obedece-se não porque se concordou (utilizando-se de argumentos)... mas porque se foi vencido no uso da força física. E, o pior de tudo é que o processo acaba se tornando um círculo vicioso ou autoreprodutor: quem apanha do pai acaba batendo no seu filho pois acha que se trata do processo correto de "educação" - pois quando há o vazio de conhecimento (o qual é penoso, trabalhoso de se adquirir) recorre-se a mais primitiva e fácil medida a ser tomada: a pancada.