quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Qual o melhor ATUM em lata?

Paladar testou

Testamos 8 marcas de atum sólido natural vendidas no supermercado; confira o ranking do júri

Paladar Testou 8 marcas de atum em lata disponíveis nos supermercados. Foto: Leo Martins/EstadãoPaladar Testou 8 marcas de atum em lata disponíveis nos supermercados. Foto: Leo Martins/Estadão

Quem nunca adicionou uma, ou algumas latas, de atum ao carrinho do supermercado com um único objetivo: resolver uma entradinha, enriquecer um molho de macarrão ou uma salada, cobrir uma pizza de frigideira ou um preparar um clássico sanduíche de atum para o lanche ou jantar frugal?

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Atum em lata é garantia de ter na despensa um ingrediente curinga, muitas vezes relegado apenas à função de resolver uma refeição em um dia corrido. O peixe enlatado de boa qualidade, porém, pode ser um ótimo aditivo de sabor às receitas do dia-a-dia e, curiosamente, é um dos produtos mais complexos da indústria de conservas.

Como o atum vai parar na lata?

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O processo é uma coreografia industrial de alta precisão, desenhada para preservar o frescor do peixe sem a necessidade do uso de conservantes químicos. Após a pesca e o descongelamento, o atum é limpo e pré-cozido no vapor. É esse processo que facilita a retirada da pele, espinhas e das partes escuras, restando apenas o lombo do peixe.    As 8 marcas foram degustadas às cegas pelos jurados, acompanhadas de goles de vinho branco para limpar o paladar

No caso do atum sólido, os lombos são cortados em cilindros que preenchem quase todo o espaço da lata. No caso do atum ralado, as partes menores são trituradas.

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A próxima etapa inclui a adição dos ingredientes conservadores: água e sal (para a versão ao natural, avaliada neste Paladar Testou) ou óleos vegetais / azeite. Só então a lata é selada hermeticamente e passa pela autoclave, uma espécie de panela de pressão gigante onde o peixe é cozido novamente e esterilizado a altas temperaturas. É esse calor extremo que elimina qualquer micro-organismo, permitindo que o atum dure anos na prateleira apenas com o vácuo e o sal como conservantes.

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Atum em água ou em óleo?

O segredo de um bom atum sólido em água é a qualidade da matéria-prima. Diferente da versão em óleo, em que a gordura ajuda a mascarar a secura, o atum ao natural não tem disfarces. Como não há gordura adicionada para potencializar o sabor, o frescor do peixe no momento do processamento é o que define a qualidade do produto.   O recorte do teste foi o atum sólido conservado em água, ou seja, ao natural

Para avaliar as 8 marcas de atum em lata na versão “sólido” e “natural”, conservado em água e sal, convidamos um time de especialistas composto pelos chefs Marcelo Correa Bastos, do Sororoca, Fábio Simbo, do Azur do Mar, Vinícius Ikeda, do The Oriental, e Martin Casilli, do Sky Hall.

O teste foi realizado no restaurante Sororoca, na Vila Madalena. Entre uma prova e outra, às cegas, os jurados limparam o paladar com goles de vinho branco gelado.

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Conheça o regulamento do Paladar Testou

Em todas as provas realizadas por Paladar, a reportagem faz um levantamento das marcas disponíveis no mercado. E, nos dias anteriores ao teste, as amostras são adquiridas* em grandes redes de supermercado e empórios da capital paulista. No caso de produtos artesanais, eles são comprados nas lojas on-line das próprias marcas de forma anônima. Ou seja, em ambos os casos, as marcas não sabem que seus produtos serão submetidos a uma degustação às cegas. O Paladar Testou é uma iniciativa 100% editorial. Além disso, o júri também não tem conhecimento de quais marcas fazem parte da seleção antes do resultado da apuração.

Leia na íntegra o regulamento do Paladar Testou 2025

*Preços apurados na primeira quinzena de janeiro de 2026

A história do atum em lata é fruto do improviso. Em 1903, uma escassez de sardinhas forçou Albert P. Halfhill, um empacotador de peixes da Califórnia, nos Estados Unidos, a experimentar o atum albacora — até então considerado um peixe de descarte por pescadores. Para sua surpresa, ao ser cozida no vapor, a carne escura tornava-se branca e suave, como frango. Adicionar óleo à conserva do peixe foi o golpe de mestre para os norte-americanos se apegarem ao produto.

No Brasil, a indústria de conservas de pescado ganhou força em meados do século XX, inicialmente focada na sardinha. O atum em lata começou a se consolidar nas prateleiras brasileiras entre as décadas de 1950 e 1960, acompanhando a urbanização e a busca por alimentos práticos que não exigissem refrigeração.

Nas últimas décadas, o país deixou de ser apenas um importador para se tornar um produtor relevante, com parques industriais modernos no litoral de Santa Catarina e do Rio de Janeiro, que hoje entregam desde as versões básicas até linhas premium do produto.

O que os jurados avaliaram?

No quesito aparência, o júri deu preferência a amostras com postas mais íntegras e coloração levemente rosada e limpa. A textura foi um desafio. O produto não pode ser fibroso demais, nem desmanchar ao toque do garfo. O sabor deve ser suave, com sal equilibrado e livre de qualquer tipo de gosto metálico ou amargor residual.

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A escolha entre água, óleo ou azeite não é apenas uma questão de calorias, mas de química culinária. O atum em água é menos calórico, mais seco, quando comparado às versões em óleo, e com textura mais fibrosa. Por isso pede a adição de ingredientes untuosos no preparo, como manteiga, maionese e azeite.

Abaixo, você confere as 3 marcas de atum em lata melhor avaliadas pelo júri e, na sequência, o ranking com as demais marcas, em ordem alfabética, com os comentários do time de especialistas convidado para este Paladar Testou.

As melhores marcas de atum em lata sólido ao natural    O atum Gomes da Costa foi o favorito do time de especialistas

Gomes da Costa

O atum campeão apresentou postas íntegras, coloração bonita e o melhor ponto de sal entre os demais avaliados. O aroma de peixe fresco também agradou, assim como o teor de umidade das postas (R$ 14,70, 170 g, peso líquido)O segundo lugar no ranking é do atum da marca portuguesa Ramirez

Ramirez

O atum português que conquistou o segundo lugar no ranking foi avaliado pelo júri como uma conserva de peixe úmida, com boa salinidade e “sabor de mar presente”, na avaliação de um dos jurados (R$ 19,99, 120 g, peso líquido)

Tours

Um produto de “aspecto visual incrível”, na definição de um integrante do júri. O aroma “de mar” também agradou o time de especialistas. O sabor foi avaliado como muito bom, poderia ser um pouco mais úmido (R$ 25,60, 255 g, peso líquido)

Outras marcas avaliadas pelo júri, em ordem alfabética

Coqueiro

Na avaliação do júri, o atum se apresentou muito pastoso e com retrogosto levemente metálico no final. A umidade do peixe rendeu pontos positivos à marca (R$ 11, 170 g, peso líquido)

88

Os pedaços inteiros e a cor do peixe agradaram; a falta de sal e a textura seca do produto deixaram a desejar (R$ 12,79, 140 g, peso líquido)

Pescador

O atum com ótima umidade e pouco sal. Não agradou visualmente e apresentou retrogosto desagradável no final, na avaliação do time de especialistas (R$ 6,79, 140 g, peso líquido)

Qualitá

Um produto neutro em todos os aspectos avaliados. A coloração rosada do peixe agradou os jurados. O bom ponto de cozimento das lascas foi outro ponto positivo do produto (R$ 10,79, 170 g, peso líquido)

Robson Crusoé

Um atum de aspecto bonito, bem clarinho, e com boa apresentação das lascas. O retrogosto levemente amargo no final não agradou (R$ 13,98, 170 g, peso líquido)

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