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terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Acordo Mercosul-UE trará ganhos em quase todos os setores do agronegócio do Brasil
Perdas serão concentradas em alguns segmentos industriais, prevê Ipea
Redação
Carnes de suínos e aves seriam alguns dos produtos mais beneficiados pelo acordo com o bloco europeu
O
acordo Mercosul-União Europeia traria efeitos significativos sobre os
níveis de produção de determinados setores no Brasil, com um padrão bem
marcante: ganhos em quase todos os setores do agronegócio e perdas
concentradas em alguns segmentos industriais. Esta é apenas uma das
conclusões do estudo "Avaliação dos impactos do acordo de livre comércio
Mercosul-UE", escrito por Fernando José da Silva Paiva Ribeiro, Admir
Antonio Betarelli Junior e Weslem Rodrigues Faria, pesquisadores da
Diretoria de Estudos Internacionais (Dinte) do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea).
De acordo com os autores, o
agronegócio teria aumento de produção de 2%, o equivalente a cerca de
US$ 11 bilhões em um horizonte de 16 anos. Quase três quartos deste
ganho estaria concentrado em quatro setores: carnes de suínos e aves;
outros produtos alimentares (que inclui basicamente pescado e
preparações alimentícias); óleos e gorduras vegetais; e pecuária (gado
em pé). Apenas carnes de suíno e aves está entre os que iriam se
beneficiar com aumento de cotas de exportação. Nos demais, como carne
bovina, açúcar e arroz processado, as cotas adicionais não se
reverteriam em grande aumento de produção. Isso porque as exportações
para a UE não representam uma fração elevada da exportação total ou da
produção doméstica.
A previsão é corroborada pela Associação
Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Em nota, a entidade observa que no
caso da carne de frango, o acordo não interfere, não altera e não
substitui o sistema de cotas já em vigor entre o Brasil e a UE, que
permanece plenamente válido. "O que o acordo acrescenta é a criação de
um novo contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180
mil toneladas anuais isentas de tarifa, a ser compartilhado entre os
países do bloco. Esse volume será composto por 50% de produtos com osso e
50% de produtos sem osso e terá implantação gradual em seis etapas
anuais iguais, até atingir o volume total anual no sexto ano de
vigência. A partir desse momento, o contingente passa a se repetir
anualmente", sublinha a ABPA. Para a carne suína, o acordo cria, pela
primeira vez, um contingente tarifário preferencial específico para o
Mercosul, inexistente até então para o Brasil. A cota final prevista é
de 25 mil toneladas anuais, com tarifa intracota [alíquota de imposto de importação reduzida aplicada a uma quantidade específica de um produto]
de 83 euros por tonelada, substancialmente inferior à tarifa aplicada
fora da cota. Assim como na carne de frango, a implantação ocorrerá em
seis etapas anuais iguais, com crescimento progressivo do volume até o
atingimento do teto anual.
Indústria de transformação
Com relação ao impacto na indústria de transformação, salta aos olhos o
fato de que a variação da produção total seria levemente positiva, com
ganho da ordem de US$ 500 milhões. A queda de produção em alguns
setores, como veículos e peças; metais ferrosos; artigos do vestuário e
acessórios; produtos de metal; têxteis; farmacêuticos; máquinas e
equipamentos; e equipamentos eletrônicos, seria compensada por ganhos em
calçados e artefatos de couro; outros equipamentos de transporte;
metais não ferrosos; celulose e papel; e produtos de madeira. "Afora
outros equipamentos de transporte, que inclui a produção de aviões e
equipamentos eletrônicos, os demais são setores tradicionais nos quais
a UE é grande importadora, e o acordo permitiria que o Brasil
aumentasse suas vendas para lá, deslocando outros fornecedores do resto
do mundo. Esses resultados, que vão de encontro à ideia de que um acordo
com economias mais desenvolvidas, seria prejudicial para a indústria de
forma geral", detalha o estudo publicado pelo Ipea.
O estudo do Ipea estima um efeito positivo no segmento de
calçados e artefatos de couro. Segundo a estimativa, em 15 anos, o
acordo deve elevar em mais de 62% as exportações de calçados para a
União Europeia. Já na produção, o impacto positivo pode ser de 3,2%
nesse mesmo período - o maior ganho entre os setores da indústria de
transformação. "Resumindo, o acordo comercial tende a elevar a inserção e
competitividade dos calçados brasileiros no mercado europeu, hoje
marcado, além do comércio intra-UE, por forte presença asiática, que
representa mais de 50% dos valores importados, e por acordos já
vigentes, como o firmado com o Vietnã em 2020", avalia Haroldo Ferreira,
presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de
Calçados (Abicalçados).
A análise do comércio exterior
do Brasil com os três grupos de países considerados nas simulações –
União Europeia, demais países do Mercosul e resto do mundo – evidencia
que o acordo geraria tanto criação de comércio quanto desvio de
comércio. Haveria forte crescimento do comércio com a UE, em contraste
com a redução dos fluxos com os demais países, inclusive os sócios do
Mercosul. Segundo o Ipea, as exportações brasileiras para o bloco
europeu cresceriam 22,6%, o equivalente a US$ 10,2 bilhões. Em
compensação, haveria redução das exportações para os demais países do
Mercosul (-3,3%) e para o resto do mundo (-0,5%). O crescimento do
comércio Brasil-UE seria ainda mais expressivo do lado das importações
brasileiras provenientes do bloco europeu, de 72%, também com um nítido
efeito de desvio de comércio, em prejuízo, principalmente, do resto do
mundo, de onde as importações teriam redução de 11%. As compras do
Mercosul teriam queda de 3,3%.
As reduções tarifárias e concessões
de cotas de exportação previstas no acordo entre a UE e o Mercosul
provocariam efeito positivo sobre o PIB do Brasil, de forma que, entre
2024 e 2040, o aumento do PIB em relação ao cenário de referência seria
de 0,46%, o equivalente um montante de US$ 9,3 bilhões a preços
constantes de 2023. Entre os signatários do acordo, o Brasil teria o
maior relativo ganho de PIB, bem maior do que o da União Europeia
(0,06%) e também que os demais países do Mercosul (0,2%). Em valores
absolutos, o ganho brasileiro seria quase igual ao da UE, a despeito da
economia daquele bloco ser bem maior do que a do país. O estudo pode ser conferido na íntegra por meio deste link.
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