terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Gordura bege mantém a PRESSÃO ARTERIAL sob controle

 


27/01/2026

Redação do Diário da Saúde
Gordura bege mantém pressão arterial sob controle
Aorta de cobaia com marcação por imunofluorescência, enfatizando a estreita conexão entre os vasos sanguíneos e o tecido adiposo.
[Imagem: Weslie Janeway/William Janeway/Rockefeller University]

Gordura bege contra hipertensão

Pesquisadores descobriram que a gordura bege, um tipo de tecido adiposo que queima energia em vez de apenas armazená-la, desempenha um papel direto e ativo no controle da pressão arterial.

Mandy Grootaert e Aernout Luttun, da Universidade Rockefeller (EUA), demonstraram que a falta de gordura bege desencadeia uma cascata química que endurece os vasos sanguíneos, explicando por que a obesidade, que frequentemente degrada a qualidade da gordura corporal, é um gatilho tão potente para doenças cardiovasculares.

Embora a conexão entre obesidade e hipertensão seja conhecida há décadas, a biologia exata por trás dessa relação permanece obscura. O que se sabe é que pessoas com maior quantidade de gordura marrom ou bege (tecidos termogênicos) apresentam menores chances de serem hipertensas, mas não se sabia se essa gordura seria apenas um marcador de saúde ou se ela exerce um papel protetor direto sobre os vasos sanguíneos.

O desafio era isolar o efeito da gordura sem as variáveis confusas da obesidade, como a inflamação generalizada, e foi nisto que os dois pesquisadores trabalharam.

Gordura bege mantém pressão arterial sob controle
Mais do que um acúmulo, a gordura marrom é um órgão endócrino que controla o metabolismo.
[Imagem: Francesc Villarroya et al. (2016)]

A enzima do endurecimento vascular

Ao criar modelos animais que mantinham o peso normal, mas careciam especificamente de gordura bege, os cientistas observaram uma transformação drástica: A gordura que envolve os vasos sanguíneos passou a se comportar como gordura branca comum.

Essa mudança ativou a produção da enzima QSOX1, e a presença excessiva dessa enzima no tecido ao redor das artérias desencadeia um processo de "remodelagem" que inclui a fibrose (tecido ao redor dos vasos tornando-se rígido e fibroso), a hipersensibilidade (vasos passando a reagir de forma exagerada à angiotensina II, um hormônio que força a contração das artérias), e, finalmente, à pressão alta (vasos menos flexíveis e mais contraídos), forçando o coração a bombear com mais força, elevando a pressão arterial média.

A pesquisa confirmou que a gordura bege funciona como um freio natural para a enzima QSOX1. Quando essa gordura é saudável, ela mantém a enzima desligada e os vasos relaxados. Em humanos, dados clínicos confirmaram que mutações no gene que controla a identidade da gordura bege (PRDM16) estão diretamente ligadas a uma maior incidência de pressão alta.

A descoberta de que a hipertensão pode ser causada por uma falha de comunicação molecular entre a gordura e os vasos sanguíneos abre caminho para tratamentos muito mais precisos, incluindo o desenvolvimento de fármacos que bloqueiem a enzima QSOX1, para restaurar a flexibilidade vascular, e estratégias para converter gordura branca em bege, não apenas para perda de peso, mas como tratamento direto para a saúde das artérias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário