quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

7 receitas de arroz de forno para o ano novo

O ingrediente promete trazer sorte para 2021 e permite variações deliciosas!

29 dez 2020 17h50
Receitas de arroz de forno: 7 versões para saborear na ceia de Ano Novo
Receitas de arroz de forno: 7 versões para saborear na ceia de Ano Novo
Foto: Shutterstock / Alto Astral

Além da lentilha, o arroz é um dos ingredientes que não podem faltar nas refeições da maioria dos brasileiros, certo? Porém, na ceia de Ano-Novo, o alimento ganha um novo significado… O da prosperidade. Em algumas culturas, como a japonesa, esse grão é atribuído à fortuna e boa sorte - já que dobra de tamanho quando cozido. Para fugir do tradicional do dia a dia, listamos algumas receitas de arroz de forno para você apreciar na primeira refeição do ano, atraindo muitas coisas boas em 2021. Confira e escolha a sua!

Receitas diferentes de arroz de forno para fazer no Réveillon

Arroz de forno simples

Uma das principais vantagens do arroz de forno, além do sabor delicioso, é a praticidade no preparo. Essa receita simples, por exemplo, fica pronta em apenas 20 minutos!

Foto: Guia da Cozinha / Alto Astral

Ingredientes:

  • 2 xícaras (chá) de arroz branco cozido
  • 4 gemas peneiradas
  • 3 colheres (sopa) de manteiga amolecida
  • 50g de queijo parmesão ralado
  • 2 colheres (sopa) de salsa
  • Margarina para untar

Modo de preparo:

Em uma tigela, misture todos os ingredientes delicadamente até ficar homogêneo. Transfira para um refratário untado, cubra com papel-alumínio e leve ao forno médio, preaquecido, por 15 minutos. Retire o papel-alumínio e sirva em seguida.

Arroz de forno cremoso com frango

A receita clássica de arroz de forno cremoso não poderia ficar de fora da lista, não é mesmo? Por ser a variação mais popular do prato, promete agradar qualquer paladar!

Foto: Guia da Cozinha / Alto Astral

Ingredientes:

  • 4 gemas
  • 2 caixas de creme de leite (400g)
  • 1 copo de requeijão cremoso (200g)
  • Sal a gosto
  • 5 xícaras (chá) de arroz branco cozido
  • 2 xícaras (chá) de queijo mussarela ralado

Ingredientes do refogado:

  • 4 colheres (sopa) de manteiga
  • 1 cebola picada
  • 2 dentes de alho amassados
  • 2 tomates sem sementes picados
  • 3 xícaras (chá) de frango cozido e desfiado
  • 1/2 xícara (chá) de milho verde escorrido
  • 1/2 xícara (chá) de azeitona verde picada
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo:

Em uma panela, em fogo médio, derreta a manteiga e frite a cebola e o alho por 3 minutos. Junte o tomate, o frango e refogue por 3 minutos. Misture o milho, a azeitona, sal, pimenta. Reserve. Para o arroz, misture em outra tigela as gemas, o creme de leite, o requeijão e sal. Acrescente o arroz até incorporar.

Em um refratário médio, faça uma camada com metade do arroz, o refogado, metade da mussarela e o restante do arroz. Polvilhe com a mussarela restante e leve ao forno médio, preaquecido, por 25 minutos. Retire e sirva.

Arroz de forno com lentilha e linguiça

A lentilha é outro ingrediente típico do Ano-Novo, que atrai prosperidade e pode resultar em uma receita saborosa, se combinada com arroz de forno e linguiça. Vale a pena provar!

Foto: Guia da Cozinha / Alto Astral

Ingredientes:

  • 3 colheres (sopa) de óleo
  • 2 cebolas fatiadas
  • 3 gomos de linguiça calabresa fatiada
  • 2 tomates picados
  • 1 lata de molho de tomate (340g)
  • 1/4 de xícara (chá) de salsa picada
  • 3 xícaras (chá) de arroz branco cozido
  • 2 colheres (chá) de orégano
  • 3 xícaras (chá) de queijo mussarela ralado
  • 2 xícaras (chá) de lentilha cozida
  • 2 xícaras (chá) de requeijão cremoso
  • 50g de queijo parmesão ralado
  • Margarina para untar

Modo de preparo:

Em uma panela, em fogo médio, aqueça o óleo e doure a cebola. Reserve. Em uma tigela, misture a linguiça, o tomate, o molho de tomate, a salsa, o arroz, o orégano, metade da mussarela e reserve. Em outra tigela, misture a lentilha e o requeijão. Em um refratário médio untado, intercale camadas da mistura de arroz e de lentilha. Polvilhe com o restante do queijo mussarela, o queijo parmesão e leve ao forno médio, preaquecido, por 20 minutos ou até gratinar. Retire, decore com a cebola reservada e sirva.

Arroz de forno vegetariano

Com essa receita caprichada em legumes, as vegetarianas também não ficam de fora quando o assunto é arroz de forno. Já para as veganas, vale substituir o requeijão e o queijo por suas versões sem derivados do leite!

Foto: Guia da Cozinha / Alto Astral

Ingredientes:

  • 3 xícaras (chá) de arroz integral ou branco cozido
  • 1 cenoura pequena ralada
  • 1 abobrinha italiana ralada
  • 1/2 pimentão vermelho em cubos
  • 1 caldo de legumes
  • 1/2 xícara (chá) de água quente
  • 1/2 xícara (chá) de requeijão cremoso
  • 5 colheres (sopa) de azeitona verde picada
  • Sal, pimenta-do-reino e manjericão fresco picado a gosto
  • 2 tomates fatiados
  • 1/2 xícara (chá) de queijo mussarela ralado

Modo de preparo:

Misture o arroz, a cenoura, a abobrinha, o pimentão, o caldo de legumes dissolvido na água, o requeijão, a azeitona e tempere com sal, pimenta e manjericão. Despeje em um refratário médio e cubra com as fatias de tomate. Polvilhe com o queijo e leve ao forno médio, preaquecido, por 20 minutos. Sirva polvilhado com manjericão.

Arroz de forno aos 4 queijos

É quase uma unanimidade… Não há quem não adore uma boa combinação entre queijos. Por isso, aposte nessa receita de arroz de forno e se surpreenda na ceia de Réveillon!

Foto: Guia da Cozinha / Alto Astral

Ingredientes:

  • 2 colheres (sopa) de manteiga
  • 1/2 colher (chá) de cúrcuma ou açafrão-da-terra
  • 3 xícaras (chá) de arroz branco cozido
  • 1/2 xícara (chá) de peito de peru em cubos
  • 1/2 xícara (chá) de requeijão tipo Catupiry®
  • 5 colheres (sopa) de queijo gorgonzola esfarelado
  • 1/2 de xícara (chá) de queijo provolone ralado
  • 1/2 de xícara (chá) de queijo mussarela ralado

Modo de preparo:

Aqueça uma panela com a manteiga, em fogo médio. Polvilhe a cúrcuma e frite por 1 minuto. Adicione o arroz e mexa até ficar homogêneo. Retire do fogo, misture o peito de peru e disponha em um refratário médio. Cubra com colheradas de Catupiry®, polvilhe com os queijos gorgonzola, provolone e parmesão. Leve ao forno alto, preaquecido, por 15 minutos para dourar. Retire e sirva em seguida.

Arroz de forno com bacalhau

Outro prato que não pode faltar no Ano-Novo de muitas famílias é o bacalhau. Uma maneira de inovar na receita é unindo o peixe ao arroz de forno!

Foto: Guia da Cozinha / Alto Astral

Ingredientes:

  • 2 colheres (sopa) de azeite
  • 2 colheres (sopa) de cebola picada
  • 1 dente de alho picado
  • 1 e 1/2 xícara (chá) de arroz branco lavado e escorrido
  • 2 colheres (sopa) de extrato de tomate
  • 3 xícaras (chá) de água fervente
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto
  • 1 e 1/2 xícara (chá) de queijo mussarela ralado

Ingredientes do molho:

  • 2 colheres (sopa) de azeite
  • 1 cebola em cubos
  • 600g de lascas de bacalhau
  • 4 tomates sem pele e sem sementes em cubos
  • 1 pimentão amarelo em cubos
  • 1 lata de ervilha escorrida
  • 1/2 xícara (chá) de azeitona preta fatiada
  • 1 xícara (chá) de água
  • Sal, pimenta-do-reino e salsa picada a gosto

Modo de preparo:

Deixe o bacalhau de molho em água na geladeira por 12 horas, trocando a água por 3 vezes. Aqueça uma panela com o azeite, em fogo médio, e refogue a cebola e o alho até dourar. Adicione o arroz, o extrato de tomate e frite por 2 minutos. Despeje a água quente, tempere com sal, pimenta e cozinhe por 15 minutos, em fogo médio, com a panela semitampada, ou até a água secar quase totalmente e o arroz cozinhar. Desligue e mantenha tampado. Reserve.

Para o molho, aqueça o azeite em uma frigideira, em fogo médio, e refogue a cebola por 3 minutos ou até ficar transparente. Acrescente o bacalhau escorrido, o tomate, o pimentão, a ervilha e a azeitona. Despeje a água, refogue por 5 minutos, desligue e misture salsa. Se necessário, tempere com sal e pimenta. Intercale camadas de arroz, de molho e de queijo em um refratário grande, terminando em arroz. Polvilhe com o queijo e leve ao forno médio, preaquecido, por 20 minutos ou até gratinar. Sirva em seguida.

Arroz de forno com frutas

Quem curte a combinação agridoce entre frutas e alimentos salgados irá amar essa receita de arroz de forno, que inclui uvas-passas e banana. Experimente!

Foto: Guia da Cozinha / Alto Astral

Ingredientes:

  • 2 colheres (sopa) de margarina
  • 3 dentes de alho amassados
  • 1 cebola picada
  • 60g de uva passa preta sem caroço
  • 300g de peito de frango cozido e desfiado
  • 250g de presunto picado
  • 300g de pernil de porco cozido e desfiado
  • Sal, pimenta do reino, cheiro verde picado e orégano a gosto
  • 3 xícaras (chá) de arroz cozido
  • 5 bananas-nanicas cortadas em rodelas
  • 200g de queijo mussarela

Modo de preparo:

Em uma panela, coloque a margarina, o alho, a cebola, a uva-passa, o frango, o presunto, o pernil, tempere com sal e pimenta a gosto e refogue bem. Misture tudo muito bem, coloque o cheiro-verde e misture de novo. Em uma vasilha grande, vá adicionando o arroz já cozido e mexa bem. Acrescente as bananas e misture. Arrume em um refratário, cubra com a mussarela e orégano a gosto. Asse por 20 minutos em forno médio preaquecido e sirva.

Receitas: Guia da Cozinha | Texto: Milena Garcia | Edição: Renata Rocha

 

Fonte: Portal Terra

 

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

2020: o ano em que o Brasil virou pária

 

Gestão desastrosa da pandemia e antagonismo com parceiros aceleraram isolamento do país, em processo celebrado pelo governo como conquista. Hoje, nenhuma nação da estatura do Brasil tem reputação tão ruim no mundo.

Brasilien Jair Bolsonaro und Ernesto Araujo

Bolsonaro e Ernesto Araújo. Juntos, os dois colocaram o Brasil numa posição de isolamento nunca vista desde a redemocratização

Em outubro, o ministro Ernesto Araújo disse que, se a atual política externa do Brasil "faz de nós um pária internacional, então que sejamos esse pária".

A fala de Araújo escancarou pelo segundo ano consecutivo o isolamento do país no cenário internacional, e que o quadro não vem ocorrendo por acidente, mas aparentemente como um projeto voluntário do governo Bolsonaro.

Em 2019, a diplomacia brasileira já havia se tornado uma "caixinha de surpresas" propensa a alimentar crises regulares, com desprezo ao multilateralismo e instituições internacionais.

Em 2020, em vez de reverter esse "novo curso" que só empurrou o país para um isolamento nunca visto desde a redemocratização, o governo trilhou o mesmo caminho, dobrando a aposta em cada crise e erodindo ainda mais o soft power acumulado pelo país nas últimas décadas.

O Brasil continuou a se distanciar dos seus vizinhos latino-americanos; foi na contramão de boa parte do mundo na gestão da pandemia de covid-19; fez apostas fracassadas como a manutenção de uma pretensa relação especial com Donald Trump; se viu excluído de debates onde o país costumava ter voz ativa, como a questão do meio ambiente; e reforçou uma política de hostilidade a grandes parceiros comerciais, como a União Europeia e a China.

"Nenhum país da estatura do Brasil tem reputação tão ruim", diagnosticou o diplomata Rubens Ricupero em abril. "A imagem positiva acabou", apontou Friedrich Prot von Kunow, presidente da Sociedade Brasil-Alemanha (DBG) e que foi embaixador no Brasil entre 2004 e 2009.

Mas a diplomacia da maior economia da América Latina já demonstrou não ligar para esses diagnósticos. "Esse pária aqui, esse Brasil, essa política do povo brasileiro, tem conseguido resultados", completou Araújo no seu discurso em outubro.

Entre os "resultados" da diplomacia bolsonarista estão: a continuidade da perda de apoio para o acordo entre Mercosul e União Europeia mesmo entre países europeus mais simpáticos ao pacto, como a Alemanha; e até a perspectiva da imposição de sanções internacionais ao país por causa da sua gestão relapsa do desmatamento.

Se em 2019 algumas das ações da diplomacia bolsonarista ainda provocavam alguma reação de setores do governo, temorosos de possíveis consequências econômicas, como as alas militar e do agronegócio, o mesmo não foi observado de 2020.

Araújo continuou a ter mão livre no Itamaraty para implementar sua agenda "antiglobalista” na máquina diplomática brasileira, endossando ataques de um dos filhos do presidente à China e transformando o ministério num palco de palestras para blogueiros propagadores de fake news.

A imagem do país como vilão ambiental continuou a se firmar no exterior, graças à persistência do desmatamento e a péssima repercussão de falas e ações do ministro Ricardo Salles, que reforçaram a pressão na Europa pelo boicote a produtos brasileiros.

Se houve alguma reação para frear a nova diplomacia bolsonarista, ela veio do Congresso brasileiro. Em dezembro, em uma derrota estrondosa para o Itamaraty bolsonarista, um embaixador indicado por Araújo para um posto em Genebra foi rejeitado pelo Senado por 37 votos a 0. Foi apenas a terceira rejeição do tipo na história da Casa. Apenas governos enfraquecidos como a segunda administração Dilma Rousseff (2015) e Jânio Quadros (1961) haviam sofrido derrotas similares em indicações para postos diplomáticos.

A cegueira em relação aos EUA

O alinhamento sem ressalvas ao EUA de Donald Trump se aprofundou em 2020. O governo colheu alguns frutos dessa aliança, como as assinaturas de um acordo militar e de tratados comerciais. No entanto, Brasília continuou a fazer concessões generosas – como isenções na importação de etanol dos EUA – e ainda teve que engolir medidas por Washington para reduzir a entrada de aço e alumínio brasileiros, que exemplificaram a relação desigual entre os dois países.

Bolsonaro também continuou a manifestar sua idolatria por Trump, torcendo abertamente pela reeleição do republicano, para o desânimo de diplomatas veteranos, que alertaram sobre os riscos de a bajulação do brasileiro queimar pontes com os democratas.

USA Trump und Bolsonaro geben sich die Hand

Bolsonaro e Trump em março. Brasileiro foi aos EUA para assinar acordo militar, mas viagem ganhou notoriedade pela quantidade membros da comitiva que voltaram com covid-19

Em 2019, Bolsonaro já havia exibido comportamento similar em relação às disputas presidenciais na Argentina e no Uruguai. No entanto, a atitude com a eleição nos EUA foi mais longe. Semanas antes do pleito, o governo Bolsonaro chegou a fornecer um palco em Roraima para que o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, fizesse um duro discurso contra o regime chavista, no que foi encarado como um gesto para conquistar o voto conservador latino no estado da Flórida.

Depois do pleito, Bolsonaro também endossou acusações sem provas de Trump de que a eleição foi marcada por fraudes. "Tenho minhas fontes", disse Bolsonaro. Pouco depois, a imprensa revelou qual seria essa "fonte": o embaixador do Brasil em Washington, Nestor Forster. Em vez de fornecer informações precisas sobre o que se passava nos EUA – algo que se espera de qualquer diplomata –, Forster simplesmente repassou o discurso repleto de fake news do líder republicano, mesmo diante da vitória incontestável do democrata Joe Biden, num sinal de como o serviço diplomático brasileiro foi contaminado pela visão fanática de Araújo.

Municiado com o que queria ouvir – e não com o que realmente se passava –, Bolsonaro se recusou por semanas a reconhecer a vitória de Biden, permanecendo em companhia de outros párias internacionais como a Rússia e Coreia do Norte. Quando o resultado foi oficializado pelo colégio eleitoral em 14 de dezembro, o Brasil foi o último país do G20 a finalmente reconhecer Biden.

A vitória democrata não marcou apenas uma decepção pessoal para Bolsonaro e Araújo. Também sinaliza mais problemas para o Brasil. Biden, que prometeu adotar uma política ambiental oposta a de Trump, chegou a mencionar em setembro a possibilidade de impor sanções ao Brasil por causa da má gestão do país na questão do desmatamento. Em resposta, Bolsonaro insinuou a possibilidade de um conflito militar entre o Brasil e o novo governo americano em relação à Amazônia.

Covid-19: na contramão do mundo

Em abril, ainda da primeira fase da pandemia, Araújo explicou como a diplomacia brasileira deveria encarar a pandemia. A prioridade não era a busca de cooperação internacional contra o coronavírus, mas o que o ministro chamou de "comunavírus", que seria uma conspiração "comunista-globalista de apropriação da pandemia para subverter completamente a democracia liberal e a economia de mercado".

O Brasil seguiu sem ressalvas o americano Trump em uma ofensiva contra a Organização Mundial da Saúde. O comportamento permaneceu intocado até mesmo depois da derrota eleitoral do republicano.

Mike Pompeo Ernesto Araújo

O americano Mike Pompeo e Araújo em Roraima. Governo Bolsonaro forneceu palco para que o secretário de Estado fizesse um afago no eleitorado latino da Flórida

Ao longo da pandemia, Bolsonaro também adotou um comportamento pessoal que emulou o roteiro inicialmente desenhado por Trump: minimizar o vírus, sabotar esforços de distanciamento e promover "curas" sem comprovação científica. Trump, no entanto, respondeu citando o Brasil como "mau exemplo" de gestão da pandemia, em parte para tirar o foco de suas próprias ações desastradas.

Mas Bolsonaro também logo superaria seu homólogo americano. Apesar de ter minimizado a covid-19, Trump direcionou recursos robustos para o desenvolvimento de uma vacina, que já começou a ser aplicada nos EUA.

Bolsonaro, em contraste, pouco fez para garantir a imunização em massa. O Brasil segue atrás até mesmo de outras nações da América Latina. "Não dou bola para isso”, disse Bolsonaro logo depois do Natal.

O líder brasileiro ainda tem alimentando paranoia sobre os imunizantes, afirmando que não pretende se vacinar. É o único chefe de estado ou de governo do mundo que vem agindo contra esforços de imunização em massa. O brasileiro também não manifestou interesse em participar de reuniões internacionais sobre a gestão da crise.

O comportamento rendeu a Bolsonaro comparações no exterior com outros líderes que preferiram ignorar a pandemia, como os ditadores de Belarus, Nicarágua e do Turcomenistão, outros personagens da "Aliança de Avestruz", como definiu o Financial Times.

Antagonismo renovado contra a China

Em 2019, o governo Bolsonaro já havia ensaiado atritos com a China, mas o comportamento foi interrompido após reclamações de exportadores, temerosos de alguma retaliação do maior parceiro comercial do país.

Em 2020, tais freios não fizeram diferença.  Em dois episódios distintos, em março e novembro, Eduardo Bolsonaro, o filho "03” do presidente –que atua muitas vezes como eminência parda do Itamaraty –, lançou ataques contra o governo chinês em questões como a gestão da pandemia e o 5G. Em abril, quando ainda ocupava o cargo de ministro da Educação, Abraham Weintraub, publicou um tuite racista que ridicularizou o sotaque chinês, acusando ainda o país asiático de planejar dominar o mundo. Como reforço, redes ligadas à família Bolsonaro espalharam mensagens xenófobas e paranoicas contra os chineses, como teorias conspiratórias de que o vírus havia sido criado em laboratório.

Os chineses, que por décadas exerceram uma diplomacia discreta, reagiram com uma fúria inédita em relação ao Brasil. Em março, o embaixador chinês no Brasil afirmou que Eduardo Bolsonaro havia contraído um "vírus mental”. Em novembro, a embaixada elevou o tom outra vez e disse que o Brasil poderia vir a "arcar com consequências negativas” caso persistisse nessa rota. Em vez de tentar acalmar a situação, o ministro Araújo repreendeu os chineses pela reação e pediu retratação.

A advertência provocou temores de alguma retaliação econômica, como as tarifas que Pequim impôs à Austrália ao longo do ano em produtos como cevada e carne bovina, no que foi encarado como uma reação de Pequim às críticas de autoridades australianas sobre a gestão da pandemia no país asiático.

Pouco caso em relação aos vizinhos

Antes mesmo de tomar posse, Bolsonaro e sua equipe manifestaram desprezo pelo Mercosul. Em 2019, o presidente chegou a afirmar que poderia retirar o Brasil do bloco caso a Argentina "criasse problemas" sob o governo de Alberto Férnandez. Em 2020, a relação com o maior parceiro comercial do Brasil na América do Sul não melhorou. Desde a posse de Férnandez, em dezembro de 2019, o líder brasileiro só foi conversar pela primeira vez com seu homólogo argentino no fim de novembro.

No segundo ano de governo, a diplomacia bolsonarista evitou até mesmo se aproximar de governos com quem poderia ter mais afinidade ideológica, como o colombiano Iván Duque e o chileno Sebastián Piñera. Foram raras as ocasiões em que Bolsonaro dialogou com os dois líderes em 2020.

Bolsonaro também evitou participar em dezembro de duas reuniões virtuais organizadas por Piñera que envolveram a Aliança para o Pacífico e o Foro para o Progresso e Desenvolvimento da América do Sul (Prosul), organização que o Brasil aderiu em 2019 durante o esvaziamento da Unasul. O objetivo do último encontro era discutir a propagação do coronavírus pela América do Sul.

Já o alinhamento automático do Brasil com os EUA esvaziaram outros mecanismos, como o Grupo de Lima (formado por 14 países da região), criado para encontrar uma solução para a crise da Venezuela. Hoje, o Brasil se limita a discutir a situação do país vizinho essencialmente com os EUA. Em janeiro, a diplomacia bolsonarista também decidiu retirar o Brasil da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que reúne 33 países.

Vilão ambiental, mais uma vez

Em 2020, a pandemia obscureceu a pauta ecológica, mas o derretimento da imagem brasileira na área persistiu, desta vez com o reforço das queimadas no Pantanal A fala de Ricardo Salles sobre aproveitar a crise para desmantelar regulamentos ambientais provocou ultraje entre organizações do exterior e parlamentares europeus.

Petições também foram lançadas na Alemanha e Reino Unido para pressionar redes de supermercado a boicotarem produtos brasileiros. As redes responderam ameaçando aderir ao boicote caso inciativas como a MP da grilagem" fossem aprovadas no Brasil. Em junho, foi a vez de 29 fundos de investimento e pensão, que administram US$ 4,1 trilhões, alertarem contra a o projeto e sobre o aumento do desmatamento no Brasil.

Em 2019 o governo brasileiro havia respondido iniciativas similares com insultos. Neste ano, ocorreram novas reações agressivas – como a bravata de Bolsonaro sobre a divulgação de uma lista de países que compram madeira ilegal do Brasil –, mas o governo tentou lançar algumas iniciativas para melhorar a imagem, que, porém, se revelaram amadoras.

Deutschland Berlin Greenpeace-Aktion am Auswärtigen Amt

Protesto do Greenpeace em Berlim contra a destruição da Amazônia. ONGs continuaram a ser alvos do governo Bolsonaro em 2020

No início de novembro, o vice-presidente Hamilton Mourão, que assumiu a tarefa de combater às queimadas, convidou embaixadores europeus para um giro pela Amazônia. A iniciativa não impressionou. O representante da Alemanha afirmou que a percepção alemã sobre a destruição da floresta não mudou.

Ao longo de 2020, os alemães e os noruegueses continuaram a bloquear recursos do Fundo Amazônia diante da falta de empenho brasileiro em combater o desmatamento e em reverter decisões unilaterais por parte de Brasília que mudaram a gestão dos recursos.

Ao mesmo tempo em que tentava cultivar os embaixadores, o governo brasileiro lançou uma campanha publicitária para questionar "interesses nem sempre claros na Amazônia”, insinuando que estrangeiros querem se apossar da floresta. Mourão, por sua vez, divulgou no Twitter um vídeo com texto em inglês que contestava a escala das queimadas na Amazônia – só que as imagens mostravam um mico-leão-dourado, animal típico da Mata Atlântica.

O país também continuou a perder espaço nas discussões internacionais sobre as mudanças climáticas, onde o país costumava ter uma voz ativa. Em dezembro, o país ficou de fora da lista de palestrantes da Cúpula da Ambição Climática 2020, organizada pela ONU. Em novembro, o Bolsonaro já tinha evitado participar de uma reunião do G20 sobre clima.

Em 2021, o país enfrenta a perspectiva de mais pressão internacional sobre o tema, especialmente com a chegada de um reforço no campo ambiental: o governo Biden, que promete recolocar os EUA na agenda de combate às mudanças climáticas.

A agonia do "grande trunfo" de 2019

A questão ambiental continuou a erodir o que foi promovido em 2019 pelo governo Bolsonaro como seu maior feito diplomático: a assinatura do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia. No ano passado, as queimadas, o desmatamento e a retórica agressiva de Bolsonaro já tinham alimentando a rejeição ao tratado em vários países da Europa.

No entanto, em 2020, o acordo começou a perder apoio até mesmo entre países europeus que ainda manifestavam entusiasmo pelo pacto, notadamente a Alemanha. Merkel disse em agosto que tinha "sérias dúvidas" sobre o tratado. Sua ministra da Agricultura foi mais explícita e se posicionou contra o acordo. O governo Merkel também admitiu em setembro que a cooperação com o governo federal brasileiro está sendo cada vez mais difícil.

Em junho, o parlamento da Holanda aprovou uma moção para que o governo rejeite o pacto, se juntando aos legislativos da Áustria e Valônia (região da Bélgica), que em 2019 já haviam tomado essa iniciativa.

Em outubro, foi a vez de o Parlamento Europeu apontar que não ratificará o acordo "na sua forma atual". Já a França, a principal opositora do pacto, reforçou sua posição com a divulgação de um relatório sobre potenciais efeitos do tratado sobre o meio ambiente. O país ainda lançou um plano para expandir o cultivo de leguminosas em solo francês e diminuir a dependência à soja brasileira.

Brasil encerra o ano sem saber se o pior já passou

Brasil

Desigualdade em ascensão, um governo sem um plano claro, uma economia debilitada, um país isolado: o Brasil de 2021 é uma verdadeira era das incertezas. O fundo do poço, dizem especialistas, pode ainda não ter chegado.

Brasilien Coronavirus | Todesopfer

Pandemia já deixou quase 200 mil mortos no país

Com um cenário político turbulento como pano de fundo, um presidente em constante conflito com outros poderes e incertezas sobre a chegada de uma vacina para a covid-19, os brasileiros chegam ao fim de 2020 sem saber se o pior da pandemia - e da crise econômica associada à ela - já passou no país, cada vez mais isolado internacionalmente.

"O ano de 2020 é surpreendente", avalia o economista Marcelo Neri, diretor da FGV Social. "O mercado de trabalho foi para o inferno, mas olhando para a renda de todas as fontes, a gente foi para o céu."

Entre os países emergentes, nenhum gastou tanto com auxílios como o Brasil, lembra Neri. E com esse auxílio emergencial, que chegou a 67 milhões de brasileiros, um terço da população, "a taxa de pobreza foi para o menor nível da historia documentada, depois de todos os índices terem piorado muito entre 2014 e 2019, os anos de grande recessão dos pobres."

"Com isso, 15 milhões de pessoas saíram da pobreza, comparado com 2019. A pirâmide de distribuição de renda nunca foi tão boa quanto em setembro de 2020", afirma. 

O governo, que se diz seguidor da Universidade de Chicago, foi mais para Cambridge e John Maynard Keynes, com sua política anticíclica. Só que o auxílio caiu pela metade, a partir de setembro, e com isso a pobreza aumentou 17% em um único mês. "Uma parte das pessoas que tinham saído da pobreza já voltaram", comenta o especialista. 

Agora, frente à segunda onda da pandemia, os caixas do governo já estão vazios, deixando a situação fiscal do Brasil deteriorada, com uma dívida bruta de mais de 90%. E ainda não há nada anunciado para substituir o auxílio emergencial, que se encerra em dezembro.

"O Brasil de 2021 agora é uma verdadeira era das incertezas máximas", diz Neri. E o resumo de 2020? "Olhamos para 2020 como uma espécie de um realismo fantástico sul-americano, uma situação muito ruim no mercado de trabalho que deve ditar o que acontece em 2021."

A natureza do governo Bolsonaro

"O Brasil está longe do fundo do poço", avalia o cientista político Marco Aurélio Nogueira. Para ele, o cenário político turbulento deve contribuir para a continuação da crise. "As guerras contra o Congresso e a Suprema Corte prosseguirão. Porque compõem um programa de trabalho do presidente, assim como os ataques à imprensa. Essa é a natureza do governo e da persona do presidente." 

Quanto mais as eleições de 2022 se aproximam, mais radical o presidente tende a ficar, acredita Nogueira. Para ele, o caso da vacina contra o coronavírus é emblemático. "Ele fala em união num dia, e grita contra a vacina no outro." Com isso, ele tenta dar sustento aos dois grupos que são importantes para seu plano de reeleição: a grande massa do povo, e os setores radicalizados do bolsonarismo.

E ainda haverá uma disputa dura sobre as duas presidências do Congresso, principalmente pela da Câmara, que definirá se o governo terá uma vida dura, se perder esta eleição, ou uma vida um pouco mais tranquila, caso consigo emplacar o próprio candidato.

Mas, mesmo assim, as tarefas para 2021 serão difíceis. "É um governo muito ruim, sem qualidade, sem capacidade de articulação, sem generosidade para com a sociedade", diz Nogueira. Isso, segundo ele, afeta todos os ministérios, mas, principalmente, os ministérios de Saúde e Educação e a área da cultura. 

"Mas o desgoverno também é muito prejudicial para o Meio Ambiente e para o relacionamento externo do Brasil. Não por acaso, são dois dos ministérios mais frágeis e mais carregados de problemas, mais criadores de atritos do governo Bolsonaro", comenta.

Lembrando que, em 2021, Bolsonaro não terá mais Donald Trump como aliado ideológico na Casa Branca. Joe Biden, por sua vez, deve se juntar aos europeus para pressionar o Brasil a investir na preservação ambiental. O novo presidente estadunidense já deixou claro que até pode pensar em sanções contra quem não protege o meio ambiente.

O resumo que Nogueira faz de 2020 é duro: "O governo deixou de lado o governar, não governou e tentou compensar essa falta de governança com uma exacerbação do discurso ideológico. Não poderia dar certo isso, sobretudo num país com tantos problemas como o Brasil".  

A dúvida da vacina

Para um ano de 2021 melhor que 2020, muito depende do sucesso da vacina no Brasil. Num ritmo de 600 mortes por dia, o Brasil se aproxima, atualmente, de 200 mil óbitos por covid-19. Mas até nesta área de vacinas, o Brasil está atrás.

"O Brasil tinha tudo para ser, provavelmente, o primeiro país da América Latina a vacinar sua população inteira, pois tem um dos melhores programas de imunização do mundo, e nós sabemos fazer vacina e sabemos fazer campanha de vacinação", diz a microbiologista Natália Pasternak Taschner, da USP. "A grande surpresa foi ver que o atual governo realmente conseguiu atrapalhar até o que a gente tinha de melhor, por falta de planejamento, por falta de gestão e por interesse político."

Assim, o Brasil começa 2021, segundo Pasternak, com uma superestrutura para a vacinação, mas sem vacina. "Não foram feitos acordos internacionais em números suficientes para garantir o número de doses necessárias para vacinar uma população tão grande como a nossa", diz. 

Neste momento, o governo brasileiro só fechou um contrato, com o laboratório AstraZeneca, cuja vacina vai atrasar. E o governo paulista tem um contrato com a chinesa Sinuvac, cuja vacina Coronavac ainda está cercada de dúvidas frente à sua eficácia. E que sofreu ataques fortes pelo governo de Jair Bolsonaro por ser a 'vacina chinesa".

"Provavelmente não vamos conseguir vacinas toda a população em 2021", avalia Pasternak. Mas ela espera que, pelo menos, será possível vacinar uma parte tão grande que "vamos poder retomar um pouco da nossa vida normal, da nossa economia, da nossa sociedade".

Podia ter sido melhor. "Não houve vontade política, e não houve - até este momento - uma conscientização da gravidade da situação. Nem pelo governo federal e nem por grande parte da população, como estamos vendo agora com as festas de final do ano", afirma. "As pessoas ainda não entenderam que elas tem um papel para cumprir na prevenção da doença. O comportamento delas pode definir como será o nosso ano de 2021." 

Para o economista Neri, o Brasil ainda não chegou no fundo do poço "Talvez a gente estivesse com a cara surpreendentemente para fora do poço. Só que a gente vai voltar para o poço. Podemos até chegar a um lugar mais baixo no fundo do poço do que a gente estava antes da crise", diz. Mas o economista não é só pessimista. "Às vezes, o Brasil, quando está na beira do abismo, começa a fazer coisas para não cair."

 

Boas razões para voltar à China em 2021

Governo incorporou na economia real mais de 700 milhões de pessoas nos últimos 40 anos
Outra boa razão para se voltar à China em 2021 é a segurança para frequentar eventos e viajar, graças ao controle sanitário realizado pelo país desde o início da pandemia

Quem quer se manter atualizado sobre o mercado chinês, precisa ir pelo a menos uma das feiras mais importantes que ocorrem no país, quase todas concentradas em Beijing, Shanghai, Yiwu, Shenzen, Guangzhou e Hong Kong. Há feiras ótimas também em Harbin, Chengdu, Nanjing, e até em Haikou, capital da ilha de Hainan, no extremo sul da China – onde funciona o centro de comercialização para produtos agrícolas tropicais internacionais, inaugurado há dois anos, e onde houve, de 18 a 20 de dezembro, a Feira Internacional de Inverno para Produtos Agrícolas Tropicais.

Uma das feiras mais significativas é a "China Industrial Internacional Fair", com a sua 23ª edição programada para 14 a 18 de setembro de 2021, no Centro Nacional de Exposições e Convenções (NECC), em Shanghai. Nesse mesmo local, de 5 a 10 de novembro, haverá a quarta edição da já importante Feira de Importação da China (CIIE), aposta governamental para aumentar as compras do mundo com menos intermediação e maior quantidade de fornecedores. E provavelmente no final de novembro, a 13ª edição da atrativa Feira de Investimentos no Exterior, em Beijing.

Há muitos outros bons motivos para voltar à China no próximo ano, a começar pelo fato de que o governo chinês anunciou há pouco ter tirado da pobreza e incorporado na economia real mais de 700 milhões de pessoas no total nos últimos 40 anos – nesse período, o país saiu da condição de economia menor do que a da Argentina, para a de maior do mundo (pela paridade do poder de compra), com avanços tão formidáveis em quase todas as áreas que ficou cansativo relacionar uma por uma. Outra boa notícia, de 15 de novembro, foi a assinatura do acordo de Parceria Econômica Regional Abrangente (RCEP, na sigla em inglês), liderada pela China e integrada pelo Japão, Coreia do Sul, Austrália, Nova Zelândia, Vietnã, Indonésia, Filipinas, e demais países participantes da Asean.

Quem se assustou com o megaprojeto chinês de logística mundial "Cinturão e Rota", inaugurado em 2015, e desde então integrando progressivamente os países da Ásia Central à Europa e à China, e por extensão à Coreia do Sul, Japão, Chile, Peru, Equador etc com o RCEP passa a ter a certeza de que o século 21 será – é – da Ásia/China. E a articulação interna dessa ofensiva comercial e de conectividade da China no mundo é expressa agora pelo seu 14º Plano Quinquenal (2021-2025).

Sempre que se comenta no Brasil sobre os planos quinquenais chineses, as pessoas se espantam – primeiro, porque planejam assim desde a década de 1950; segundo, porque são planejamentos de Estado, e não de governos; e, principalmente, porque eles executam o que planejam, e com frequência atingem a maioria das metas propostas. Detalhe: os planos nacionais são quinquenais, mas os de alguns setores vão mais longe, como, por exemplo, o de Ciência, Tecnologia e Inovação, que trabalha com horizonte de três décadas. Realmente, não é fácil aceitar que um país maior do que o Brasil, com 1,4 bilhão de pessoas, e segunda maior economia do mundo pela paridade cambial, planeje cinco anos de todas as áreas e consiga realizar as grandes questões planejadas.

Outra boa razão para se voltar à China em 2021 é a segurança para frequentar eventos e viajar, graças ao controle sanitário realizado pelo país desde o início da pandemia, capaz de evitar que aumentasse o número de vítimas fatais (4.634) – praticamente o mesmo de Santa Catarina (4.836)

 

Medicamento contra PARKINSON é produzido por tomates

28/12/2020

Redação do Diário da Saúde
Medicamento contra Parkinson é produzido por tomates
Tomates (congelados) enriquecidos com L-DOPA, o principal medicamento contra Parkinson.
[Imagem: Phil Robinson]

Tomate com medicamento contra Parkinson

Cientistas produziram um tomate enriquecido com o medicamento L-DOPA, usado contra a doença de Parkinson, mostrando o que pode se tornar uma nova fonte acessível de medicamentos essenciais.

Este novo uso dos tomateiros como fonte natural de L-DOPA também oferece benefícios para pessoas que sofrem efeitos adversos - incluindo náuseas e complicações comportamentais - da L-DOPA sintetizada quimicamente.

O tomate foi escolhido por ser uma cultura amplamente cultivada, que pode ser usada para produção em larga escala, potencialmente oferecendo uma fonte natural padronizada e controlada de L-DOPA.

O objetivo agora é criar uma linha de produção em que a L-DOPA seja extraída dos tomates e purificada para o produto farmacêutico.

"Então você poderia aumentar a escala a um custo relativamente baixo. Uma indústria local poderia preparar a L-DOPA a partir de tomates porque ela é solúvel e você pode fazer a extração. Então você poderia fazer um produto purificado de tecnologia relativamente baixa que poderia ser distribuído localmente," disse a professora Cathie Martin, do Centro John Innes (Reino Unido).

L-DOPA no tomate

Foi o pesquisador Dario Breitel quem teve a ideia de modificar o fruto do tomate introduzindo na planta um gene responsável pela síntese de L-DOPA na beterraba, onde ele atua na produção dos pigmentos betalaínas.

A L-DOPA é produzida a partir da tirosina, um aminoácido encontrado em muitos alimentos. A equipe inseriu no tomate um gene que codifica uma tirosinase, uma enzima que usa a tirosina para construir moléculas como a L-DOPA. Isso elevou o nível da substância especificamente na parte da fruta da planta e levou a rendimentos mais elevados do que aqueles associados à produção de L-DOPA em toda a planta.

Os níveis alcançados no fruto do tomate - 150 mg de L-DOPA por kg de tomate - foram comparáveis aos observados em outras plantas que acumulam L-DOPA, mas sem algumas das desvantagens conhecidas que impediram a produção metabólica da droga anteriormente.

L-DOPA

A L-DOPA é um aminoácido precursor da dopamina neuroquímica, sendo usada para compensar o suprimento de dopamina em pacientes com doença de Parkinson.

Também conhecida como levodopa, a L-DOPA tem sido a terapia padrão-ouro para a doença de Parkinson desde seu estabelecimento como medicamento, em 1967. É um dos medicamentos essenciais declarados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e seu valor de mercado está na casa das centenas de bilhões de dólares.

A forma mais comum da droga é produzida por síntese química, mas também existem fontes naturais - algumas plantas contêm quantidades mensuráveis da substância, principalmente nas sementes.

As mais estudadas são a mucuna-preta (Mucuna pruriens), que contém até 10% de L-DOPA em suas sementes. Mas ela é problemática porque a planta é coberta de pêlos urticantes que contêm mucuniana, que pode causar irritação e reações alérgicas nos trabalhadores do campo que fazem a colheita. Os próprios grãos causam níveis elevados de triptaminas, que podem causar alucinações em pacientes com a doença de Parkinson.

 

Por que os exercícios pesados são bons para quem tem problemas de coração?

 29/12/2020

Redação do Diário da Saúde
Por que problemas de coração adoram exercícios pesados?
Já se sabia que nem todos os tipos de atividade física são bons para o coração.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Exercícios para o coração

O treinamento intervalado de alta intensidade fortalece o coração ainda mais do que o exercício moderado.

O que tem intrigado os cientistas é que isso tem-se mostrado particularmente verdadeiro para pessoas que têm problemas cardíacos, aos quais, por décadas, foi dito para sequer se exercitarem.

Agora, pesquisadores afirmam ter encontrado várias respostas para o que torna os exercícios pesados tão eficazes para corações que já estão apresentando problemas.

"Nós descobrimos que o exercício melhora propriedades importantes, tanto na forma como as células do músculo cardíaco lidam com o cálcio, como na condução dos sinais elétricos no coração. Essas melhorias permitem que o coração bata mais vigorosamente, o que pode neutralizar distúrbios do ritmo cardíaco que apresentam risco de vida," disse o professor Tomas Stolen, na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia.

Como o coração bate

Para que o coração seja capaz de bater com força, de modo regular e sincronicamente, muitas funções precisam trabalhar juntas. Cada vez que o coração bate, o nó sinusal - o marcapasso natural do coração - envia impulsos elétricos para o resto do coração. Esses impulsos elétricos são chamados de potenciais de ação.

Todas as células do músculo cardíaco são envolvidas por uma membrana. Em repouso, a tensão elétrica no interior da membrana celular é negativa em comparação com a tensão externa. A diferença entre a voltagem externa e a interna da membrana celular é chamada de potencial de membrana em repouso.

Quando os potenciais de ação alcançam as células do músculo cardíaco, eles precisam superar o potencial de membrana em repouso de cada célula para despolarizar a parede celular. Quando isso acontece, o cálcio pode fluir para a célula por meio de canais na membrana celular.

Por que problemas de coração adoram exercícios pesados?
Se você não está preocupado só com o coração, saiba que, para viver mais, você deve se exercitar do seu jeito.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

É o cálcio que inicia a contração das células do músculo cardíaco. Quando esse processo está completo, o cálcio é transportado para fora da célula ou de volta para seu local de armazenamento, dentro de cada célula do músculo cardíaco. A partir daí, o cálcio está pronto para contribuir para uma nova contração na próxima vez que um potencial de ação surgir.

Se a condução elétrica do coração ou o sistema de gerenciamento de cálcio falhar, o risco é que menos células do músculo cardíaco se contraiam ou que a contração em cada célula seja fraca, fazendo os sinais elétricos se tornarem caóticos. O resultado disso é que as câmaras cardíacas começam a tremer.

"Todos esses processos são disfuncionais quando alguém tem insuficiência cardíaca. Os potenciais de ação duram muito tempo, o potencial de repouso das células é muito alto e a função de transporte dos canais de cálcio na parede celular não funciona. O cálcio então vaza constantemente de seus locais de armazenamento dentro de cada célula do músculo cardíaco," explicou Stolen.

Exercícios pesados para proteger o coração

É nesse ponto que entram as boas notícias: "Nossos resultados mostram que o treinamento intensivo pode reverter total ou parcialmente todas essas disfunções," disse Stolen.

O experimento envolveu animais de laboratório divididos em dois grupos: o primeiro foi submetido ao treinamento intervalado de alta intensidade, enquanto o segundo grupo fez exercícios mais calmos. Mas a única diferença estava no tempo, e não no esforço total: todos percorreram as mesmas distâncias, mas alguns o fizeram rapidamente, e os outros mais lentamente.

Embora todos os animais tenham se beneficiado dos exercícios, aqueles que fizeram o trabalho mais árduo, percorrendo as distâncias em menos tempo, apresentaram o maior nível de diversas melhorias de saúde, incluindo os já destacados benefícios ao coração.

Quando os pesquisadores tentaram induzir problemas cardíacos nos animais, aqueles submetidos ao treinamento intervalado de alta intensidade se mostraram imunes ao problema.

"Por exemplo, fomos capazes de induzir fibrilação cardíaca em cinco de oito animais após um período de exercício moderado, e sua capacidade de bombeamento melhorou apenas a metade do que no grupo de treinamento intervalado," contou Stolen.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Empadão de bacalhau descomplicado

28 dez 2020 
Guia da Cozinha - Empadão de bacalhau para um almoço delicioso e descomplicado
Guia da Cozinha - Empadão de bacalhau para um almoço delicioso e descomplicado
Foto: Guia da Cozinha

Este empadão de bacalhau vai te surpreender da primeira à última garfada! Prepare este prato incrível para toda a família e garanta uma refeição sem complicações e cheia de sabor. Veja o passo a passo e teste hoje mesmo!

Tempo: 1h (+30min de geladeira)
Rendimento: 8 porções
Dificuldade: fácil

Ingredientes de empadão de bacalhau

  • 3 xícaras (chá) de farinha de trigo
  • 1 colher (chá) de sal
  • 4 colheres (sopa) de manteiga
  • 1 ovo
  • 1/3 de xícara (chá) de água fria (aproximadamente)
  • Margarina e farinha de trigo para untar e enfarinhar
  • 1 gema para pincelar

Recheio

  • 3 colheres (sopa) de manteiga
  • 1 cebola picada
  • 3 xícaras (chá) de bacalhau dessalgado desfiado
  • 2 tomates sem sementes picados
  • 1/2 xícara (chá) de azeitona preta picada
  • 3 colheres (sopa) de cheiro verde picado
  • Sal a gosto
  • 1 xícara (chá) de queijo muçarela ralado

Modo de preparo

Misture a farinha de trigo com o sal e a manteiga até formar uma farofa. Adicione o ovo e a água, misturando até formar uma massa leve. Se preciso, adicione mais água. Cubra e leve à geladeira por 30 minutos.

Para o recheio, aqueça uma panela com a manteiga, em fogo médio, frite a cebola e o bacalhau até dourar levemente. Adicione o tomate, a azeitona, o cheiro-verde, tempere com sal e refogue por mais 2 minutos. Acrescente a muçarela, misture e desligue o fogo.

Retire a massa da geladeira e forre o fundo e a lateral de uma fôrma de aro removível de 24cm de diâmetro untada e enfarinhada com 2/3 da massa. Distribua o recheio e cubra com o restante da massa. Pincele com a gema e leve ao forno médio, preaquecido, por 30 minutos. Retire, desenforme e sirva.

COLABORAÇÃO: Adriana Rocha

 

Fonte: Portal Terra

 

domingo, 27 de dezembro de 2020

MÁSCARA bloqueia 99,9% das gotículas de saliva que transmitem o coronavírus, aponta estudo

 

MANJAR de coco com leite condensado: divino

 

27 dez 2020 
Guia da Cozinha - Manjar de coco com leite condensado: simplesmente divino!
Guia da Cozinha - Manjar de coco com leite condensado: simplesmente divino!
Foto: Guia da Cozinha

O manjar de coco com leite condensado tem aquele gostinho de casa de vó e é uma das sobremesas mais clássicas da nossa culinária. Além de toda a cremosidade, tem uma calda deliciosa pra acompanhar que deixa a receita ainda mais irresistível. Dê uma olhada no passo a passo do manjar de coco com leite condensado e garanta muitos elogios!

Tempo: 1h (+2h de geladeira)
Rendimento: 12
Dificuldade: fácil

Ingredientes do manjar de coco com leite condensado

  • 8 colheres (sopa) de amido de milho
  • 1 litro de leite
  • 1 xícara (chá) de leite condensado
  • 1 xícara (chá) de leite de coco
  • 200g de coco ralado

Calda

  • 2 xícaras (chá) de açúcar
  • 1 xícara (chá) de água
  • 200g de ameixa seca sem caroço
  • 1 cravo-da-índia
  • 1 canela em pau

Modo de preparo

Misture em uma panela o amido de milho dissolvido no leite, o leite condensado, o leite de coco e o coco ralado e leve ao fogo baixo, mexendo até engrossar. Despeje em uma fôrma de buraco no meio de 22cm de diâmetro umedecida com água e deixe esfriar. Leve à geladeira por 2 horas ou até que fique firme.

Para a calda, dissolva o açúcar na água e despeje em uma panela. Acrescente a ameixa, o cravo e a canela e leve ao fogo baixo por 15 minutos, sem mexer, ou até que a ameixa amoleça e a calda engrosse. Deixe esfriar.

Desenforme o manjar e cubra com a calda antes de servir.

COLABORAÇÃO: Mariana Maluf Boszczowski

 

Fonte: Portal Terra

GRATIDÃO: cura para as feridas emocionais

Praticar a gratidão faz bem à saúde. Entre os benefícios estão redução da pressão arterial, energia, fortalecimento do sistema imunológico e bom sono


27/12/2020 04:00
Com a vida tão imprevisível e sem controle, quando é possível escolher caminhos é preciso comemorar, investir e abraçar. Ser grato, praticar a gratidão é uma escolha pessoal e intransferível que provoca o bem em várias direções.

Luciene Bandeira, psicóloga e sócia da plataforma Psicologia viva, com formação em terapia cognitivo comportamental (TCC) e mestre em psicologia do desenvolvimento humano e processos socioeducativos, afirma que quando nos sentimos gratos os níveis de dopamina, neurotransmissor responsável pelo bem-estar, humor e prazer, aumentam, fazendo com que a gente se sinta mais alegre, leve e satisfeito. “Estudos mostram que a gratidão, por ser uma emoção positiva, nos torna mais resilientes, felizes, sociáveis, saudáveis e criativos. Além de reduzir as sensações e emoções negativas, como tristeza, dor e raiva.”

Continua depois da publicidade
Luciene Bandeira enfatiza que, entre os muitos benefícios de praticar a gratidão, é importante mencionar que a pessoa fica mais otimista, tem mais energia e entusiasmo, o sistema imunológico se fortalece, a pressão arterial diminui, a qualidade de sono melhora e ela acorda mais disposta. Assim como as emoções tóxicas como rancor, inveja, medo e raiva são ignoradas, reduzindo também a agressividade. A vida social se torna mais prazerosa e ativa, os níveis de estresse e depressão são reduzidos, bem como as sensações de isolamento, solidão e inadequação. “As pessoas se tornam mais compreensivas e empáticas, se comparam menos, já que a autoestima aumenta e são mais capazes de reconhecer e ficar felizes com o sucesso do outro”,  destaca.

 
Luciene Bandeira, psicóloga e sócia da plataforma Psicologia viva, diz que a gratidão torna a vida social mais prazerosa e ativa, além de controlar o estresse e a depressão (foto: Arquivo Pessoal)


NO LUTO E NA DOENÇA


A psicóloga explica que tudo isso, certamente, ajuda a passar por situações difíceis, como a pandemia, de uma maneira mais suave. “E mesmo em momentos e situações mais delicadas, como o luto ou adoecimento, podemos praticar a gratidão. Como olhando o lado positivo das situações ou evocando a lembrança de bons momentos, agradecendo por termos podido vivenciá-los com aquela pessoa.”
Mas Luciene Bandeira reconhece que tornar a gratidão um hábito pode ser difícil para algumas pessoas. “Por isso, muitas vezes a ajuda de um psicólogo se faz necessária. A gratidão é um sentimento, uma virtude, um valor que precisa ser cultivado e exercitado, independentemente de condições adversas. Ela é uma cura para as nossas feridas emocionais.”

Continua depois da publicidade

OS BENEFÍCIOS DA GRATIDÃO

 
(foto: wagnercvilela/Pixabay )

A psicóloga Marcia Luz, especializada em gestalterapia, lista várias formas criativas de praticar a gratidão. A proposta é cada um se divertir, se desafiar e colocar em jogo os ensinamentos da vida.

1 – Tenha crença em Deus ou seja qual for a sua, ainda que chame essa força maior de “poder da mente” ou “sintonia com o universo” e acredite que ela é o seu gancho para superar situações adversas.

2 – Tenha como meta da semana ligar ao menos uma vez para seus familiares para saber como estão e dizer que os ama.

3 – Crie listas que lhe mostrem as conquistas realizadas recentemente, isso lhe dará uma visão ampla das situações positivas que têm ocorrido em sua vida.

4 – Se você se sentir preparado, doe o seu tempo para a caridade e dê amor a quem não tem. Você verá que irá ganhar muito mais do que doará.

5 – Coloque, por alguns instantes, a mão em seu coração e sinta o som da vida. Agradeça a oportunidade de estar vivo naquele dia.

6 – Olhe-se no espelho todos os dias pela manhã e sinta orgulho da pessoa melhor que você é a cada dia.

7 – Sinta satisfação nas pequenas coisas, como, por exemplo, um dia lindo aberto de sol; muitos queriam poder estar no seu lugar.

8 – Faça com que qualquer situação de sua vida seja um presente, desde um mimo até uma hora a mais de sono.

9 – Crie um bloco de anotações ou uma espécie de diário da gratidão para que, a cada dia, você escreva coisas das quais se orgulha.

10 – Concentre-se nos seus sonhos dia após dia e foque nas formas de alcançá-lo.

11 – Repita em voz alta que você é grato por isso ou por aquilo.

12 – Agradeça pessoalmente os favores.

13 – Escreva cartas de agradecimento; mesmo que pareça antigo, acalenta o coração de quem recebe.

14 – Posicione-se de forma aberta à adversidade, sempre disposto a encarar com alegria o novo.

 

 

Fonte: Portal UAI