terça-feira, 16 de maio de 2017

Previdência: Chile x Brasil

Enquanto o Brasil busca mudar a sua Previdência para, segundo o governo Michel Temer, combater um rombo fiscal que está se tornando insustentável para as contas públicas, o Chile, o primeiro país do mundo a privatizar o sistema de previdência, também enfrenta problemas com seu regime.
Sistema previdenciário do Chile foi inovador - mas hoje é alvo de críticas
Sistema previdenciário do Chile foi inovador - mas hoje é alvo de críticas
Foto: Getty Images / BBCBrasil.com
Reformado no início da década de 80, o sistema o país abandonou o modelo parecido com o que o Brasil tem hoje (e continuará tendo caso a proposta em tramitação no Congresso seja aprovada) - sob o qual os trabalhadores de carteira assinada colaboram com um fundo público que garante a aposentadoria, pensão e auxílio a seus cidadãos.
No lugar, o Chile colocou em prática algo que só existia em livros teóricos de economia: cada trabalhador faz a própria poupança, que é depositada em uma conta individual, em vez de ir para um fundo coletivo. Enquanto fica guardado, o dinheiro é administrado por empresas privadas, que podem investir no mercado financeiro.
Trinta e cinco anos depois, porém, o país vive uma situação insustentável, segundo sua própria presidente, Michelle Bachelet. O problema: o baixo valor recebido pelos aposentados.
A experiência chilena evidencia os desafios previdenciários ao redor do mundo e alimenta um debate de difícil resposta: qual é o modelo mais justo de Previdência?

Impopular

Como as reformas previdenciárias são polêmicas, impopulares e politicamente difíceis de fazer, não surpreende que essa mudança profunda - inédita no mundo - tenha sido feita pelo Chile em 1981, durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).
De acordo com o economista Kristian Niemietz, pesquisador do Institute of Economic Affairs ( IEA, Instituto de Assuntos Econômicos, em português), o ministro responsável pela mudança, José Piñera, teve a ideia de privatizar a previdência após ler o economista americano Milton Friedman (1912-2006), um dos maiores defensores do liberalismo econômico no século passado.
Hoje, todos os trabalhadores chilenos são obrigados a depositar ao menos 10% do salário por no mínimo 20 anos para se aposentar. A idade mínima para mulheres é 60 e para homens, 65. Não há contribuições dos empregadores ou do Estado.
Agora, quando o novo modelo começa a produzir os seus primeiros aposentados, o baixo valor das aposentadorias chocou: 90,9% recebem menos de 149.435 pesos (cerca de R$ 694,08). Os dados foram divulgados em 2015 pela Fundação Sol, organização independente chilena que analisa economia e trabalho, e fez os cálculos com base em informações da Superintendência de Pensões do governo.
O salário mínimo do Chile é de 264 mil pesos (cerca de R$ 1,226.20).
No ano passado, centenas de milhares de manifestantes foram às ruas da capital, Santiago, para protestar contra o sistema de previdência privado.
Como resposta, Bachelet, que já tinha alterado o sistema em 2008, propôs mudanças mais radicais, que podem fazer com que a Previdência chilena volte a ser mais parecida com a da era pré-Pinochet.

'Exemplo de livro'

De acordo com Niemietz, o modelo tradicional, adotado pela maioria dos países, incluindo o Brasil, é chamado por muitos economistas de "Pay as you go" (Pague ao longo da vida).
Ele foi criado pelo chanceler alemão Otto von Bismarck nos anos 1880, uma época em que os países tinham altas taxas de natalidade e mortalidade.
"Você tinha milhares de pessoas jovens o suficiente para trabalhar e apenas alguns aposentados, então o sistema era fácil de financiar. Mas conforme a expectativa de vida começou a crescer, as pessoas não morriam mais (em média) aos 67 anos, dois anos depois de se aposentar. Chegavam aos 70, 80 ou 90 anos de idade", disse o economista à BBC Brasil.
"Depois, dos anos 1960 em diante, as taxas de natalidade começaram a cair em países ocidentais. Quando isso acontece, você passa a ter uma população com muitos idosos e poucos jovens, e o sistema 'pay as you go' se torna insustentável", acrescentou.
Segundo Niemietz, a mudança implementada pelo Chile em 1981 era apenas um exemplo teórico nos livros de introdução à Economia.
"Em teoria, você teria um sistema em que cada geração economiza para sua própria aposentadoria, então o tamanho da geração seguinte não importa", afirmou ele, que é defensor do modelo.
Para ele, grande parte dos problemas enfrentados pelo Chile estão relacionados ao fato de que muitas pessoas não podem contribuir o suficiente para recolher o benefício depois - e que essa questão, muito atrelada ao trabalho informal, existiria qualquer que fosse o modelo adotado.
No Brasil, a reforma proposta pelo governo Temer mantém o modelo "Pay as you go", em que, segundo economistas como Niemietz, cada geração passa a conta para a geração seguinte.
Manifestantes chilenos protestaram no ano passado contra as AFPs (administradoras de fundos de pensão)
Manifestantes chilenos protestaram no ano passado contra as AFPs (administradoras de fundos de pensão)
Foto: Francisco Osorio/Flickr / BBCBrasil.com
Para reduzir o rombo fiscal, Temer busca convencer o Congresso a aumentar a idade mínima e o tempo mínimo de contribuição para se aposentar.
No parecer do deputado Arthur Maia (PPS-BA), relator da proposta, mulheres precisariam ter ao menos 62 anos e homens, 65 anos. São necessários 25 anos de contribuição para receber aposentadoria. Para pagamento integral, o tempo sobe para 40 anos.

Na prática

De acordo com o especialista Kaizô Beltrão, professor da Escola de Administração Pública e de Empresas da FGV Rio, várias vantagens teóricas do sistema chileno não se concretizaram.
Segundo ele, esperava-se que o dinheiro de aposentadorias chilenas poderia ser usado para fazer investimentos produtivos e que a concorrência entre fundos administradores de aposentadoria fariam com que cada pessoa procurasse a melhor opção para si.
Ele explica que, como as administradoras são obrigadas a cobrir taxas de retornos de investimentos que são muito baixas, há uma uniformização do investimentos. "A maior parte dos investimentos é feita em letras do Tesouro", diz.
As administradoras de fundos de pensão do Chile abocanham grande parte do valor da aposentadoria
As administradoras de fundos de pensão do Chile abocanham grande parte do valor da aposentadoria
Foto: Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil / BBCBrasil.com
Além disso, segundo Beltrão, "as pessoas não têm educação econômica suficiente" para fiscalizar o que está sendo feito pelas administradoras, chamadas AFPs (administradoras de fundos de pensão).
Essas cinco empresas juntas cuidam de um capital acumulado que corresponde a 69,6% do PIB do país, de acordo com dados de 2015 da OCDE (Organização para Desenvolvimento e Cooperação Econômica), grupo de 35 países mais desenvolvidos do qual o Chile faz parte.
As maiores críticas contra o sistema chileno se devem às AFPs, que abocanham grande parte do valor das aposentadorias das pessoas. De acordo com Beltrão, o valor pago às administradoras não é muito transparente, pois é cobrado junto ao valor de seguro em caso de acidentes.

Justo ou injusto?

A BBC Brasil perguntou ao especialista em desigualdade Marcelo Medeiros, professor da UnB (Universidade de Brasília) e pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e da Universidade Yale, qual modelo de previdência é o mais justo - o brasileiro ou o chileno.
"Justo ou injusto é uma questão mais complicada", disse. "O justo é você receber o que você poupou ou é reduzir a desigualdade? Dependendo da maneira de abordar esse problema, você pode ter respostas distintas."
De acordo com Medeiros, o que existe é uma resposta concreta para qual modelo gera mais desigualdade e qual gera menos desigualdade.
"A previdência privada só reproduz a desigualdade ao longo do tempo", explicou.
Segundo especialista, a Previdência no Brasil tende a replicar os salários anteriores
Segundo especialista, a Previdência no Brasil tende a replicar os salários anteriores
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil / BBCBrasil.com
O sistema "Pay as you go" brasileiro é comumente chamado de "solidário", pois todos os contribuintes do país colocam o dinheiro no mesmo fundo - que depois é redistribuído.
Mas Medeiros alerta para o fato de que a palavra "solidária" pode ser enganosa, pois um fundo comum não é garantia de que haverá redução da desigualdade.
"Esse fundo comum pode ser formado com todo mundo contribuindo a mesma coisa ou ele pode ser formado com os mais ricos contribuindo mais", explicou. "Além disso, tem a maneira como você usa o fundo. Você pode dar mais dinheiro para os mais ricos, você pode dar mais dinheiro para os mais pobres ou pode dar o mesmo valor para todo mundo", acrescentou.
Atualmente, o Brasil possui um fundo comum, mas tende, segundo o professor, a replicar a distribuição de renda anterior. "Ele dá mais mais dinheiro para quem é mais rico e menos para quem é mais pobre", disse.
"Se é justo ou injusto, isso é outra discussão, mas o sistema brasileiro replica a desigualdade passada no presente".

Reformas no Chile e no Brasil

As diferentes maneiras de se formar e gastar um fundo comum deveriam ser, segundo Medeiros, o foco da discussão da reforma no Brasil, cujo projeto de reforma enviado ao Congresso mantém o modelo "solidário", ou "pay as you go".
O pesquisador aponta que há quase um consenso de que o país precisa reformar sua Previdência. "A discussão é qual reforma deve ser feita."
Michelle Bachelet já tinha feito uma alteração da previdência do Chile em 2008
Michelle Bachelet já tinha feito uma alteração da previdência do Chile em 2008
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil / BBCBrasil.com
No Chile, Bachelet já tinha em 2008 dado um passo rumo a um modelo que mistura o privado e o público - criou uma categoria de aposentadoria mínima para trabalhadores de baixa renda financiada com dinheiro de impostos.
Agora, ela propõe aumentar a contribuição de 10% para 15% do salário. Desse adicional de 5%, 3 pontos percentuais iriam diretamente para as contas individuais e os outros 2 pontos percentuais iriam para um seguro de poupança coletiva. De acordo com o plano divulgado pelo governo, a proposta aumentaria as pensões em 20% em média.
Bachelet também propõe maiores regulamentações para as administradoras dos fundos, em sintonia com as demandas dos movimentos que protestaram no ano passado. Um dos grupos, por exemplo, chama-se "No+AFP" (Chega de AFP, em português).

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Debate sobre reforma trabalhista e da previdência

Em conferência em Oxford, Delaíde Arantes faz duras críticas à proposta aprovada pela Câmara. Projeto é defendido por diretor executivo do Banco Mundial. Reforma da Previdência também foi tema do debate.
Juíza Delaíde Arantes (dir.) fala no Brazil Forum Juíza Delaíde Arantes (dir.) fala no Brazil Forum
Durante uma palestra neste domingo (14/05) em Oxford, que abordou as controversas reformas trabalhistas e previdenciárias propostas pelo governo de Michel Temer, a ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Delaíde Arantes criticou duramente a proposta que modifica a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Para Arantes, a reforma trabalhista, aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de abril, retira todos os direitos de trabalhadores autônomos e terceirizados, além de, por meio de negociações coletivas, possibilitar essa precarização dos assalariados.
"Na reforma, não está listada como proibida a negociação coletiva para pactuar trabalho escravo, que, portanto, passa a ser permitido", alertou Arantes, ao abrir na conferência Brazil Forum a mesa que também reunia o diretor executivo do Banco Mundial para o Brasil, Otaviano Canuto, o copresidente do conselho de Administração do Itaú-Unibanco, Roberto Setúbal, e a economista da UFRJ e assessora econômica do Senado, Esther Dweck.
A juíza criticou principalmente a falta de debate na realização de uma reforma que altera "profundamente" a CLT, "num momento de vulnerabilidade política e de crise de legitimidade e de representação", e a aceleração nos trâmites do processo.
Arantes destacou, ainda, que o projeto original da reforma que foi debatido era composto de 20 artigos e o substitutivo aprovado na Câmara tem temas e matérias que não foram discutidos, ao propor alterações que abrangem 121 dispositivos da CLT.
A magistrada ressaltou que a mudança, da maneira como ela está sendo realizada, em tramitação de urgência e sem debate amplo, vai contra uma convenção da Organização Internacional de Trabalho (OIT) ratificada pelo Brasil. Por isso o Ministério Público do Trabalho solicitou uma consulta junto ao organismo internacional, ao denunciar o descumprimento do tratado pelo país.
Arantes igualmente criticou a reforma trabalhista que abrange o trabalhador rural, a qual regulamentaria condições análogas à escravidão.
Opiniões contrastantes em Oxford (da esq. para a dir.): Otaviano Canuto, Delaíde Arantes, Roberto Setúbal e Esther Dweck Opiniões contrastantes sobre a reforma trabalhista em Oxford (da esq. para a dir.): Otaviano Canuto, Delaíde Arantes, Roberto Setúbal e Esther Dweck
"Reforma para criar empregos"
Numa visão diferente da magistrada, o copresidente do conselho de Administração do Itaú-Unibanco Roberto Setúbal e o diretor executivo do Banco Mundial para o Brasil, Otaviano Canuto, defenderam as reformas que estão atualmente em trâmite.
Para Setúbal, a CLT impossibilita o aumento da produtividade, o que acaba com as chances de um crescimento econômico sustentável. "Atualmente ela é muito complexa, impossível cumpri-la com todos os detalhes. A atual legislação é muito burocrática e intervencionista ao extremo, e não favorece a criação de emprego", ressaltou.
Setúbal afirmou que o principal ponto da reforma é a flexibilização maior, com a possibilidade de negociação para ajuste da legislação de acordo com as necessidades de cada setor. O banqueiro argumentou que a mudança criará empregos.
"Nunca vamos conseguir resolver os problemas sociais sem uma legislação equilibrada que permita às empresas aumentarem a produção e criarem riquezas", destacou o Setúbal, acrescentando que é impossível cumprir a atual CLT, por ser extremamente complexa.
Argumento semelhante apresentou o diretor executivo do Banco Mundial para o Brasil, Otaviano Canuto, que defendeu também a flexibilização da relação entre empresas e funcionários para a geração de emprego e aumento da produtividade.
Segundo Canuto, a "anemia da produtividade" seria um dos principais males presentes da economia brasileira que contribui em peso para a crise atual no país. O outro problema seria a ausência de distribuição de riquezas. Com remédio para tratar a atual situação econômica do Brasil, o economista citou as duas principais reformas do governo Temer.
A assessora econômica do Senado, Esther Dweck, argumentou, porém, que a geração de emprego não depende das reformas. "Quem gera emprego não são empresários, é a demanda", alertou, afirmando que a atual CLT não é ruim no todo, mas precisa apenas de alguns ajustes.
"A preocupação é que se o remédio for errado, ele pode matar o paciente", comentou Dweck, em referência à palestra de Canuto. A economista argumentou que a produtividade tem que ser vista de maneira mais ampla e não agregada. Assim, teria ocorrido um aumento nos últimos anos.
Dweck destacou ainda que os acordos coletivos nunca ocorrerão de igual para igual, pois o empresário quase sempre tem melhores posições para negociar com trabalhadores que temem pelo emprego.
Reforma da Previdência
Tanto Dweck, quanto Canuto e Setúbal concordaram da necessidade de uma reforma previdenciária no Brasil. Para a economista da UFRJ, no entanto, ela não deveria estar sendo tramitada em caráter de urgência, com impactos a curto prazo, e sem um amplo debate entre a população.
Para a especialista, os principais problemas da reforma proposta por Temer são o tempo mínimo de contribuição de 25 anos, num "país com um mercado extremamente informal para os mais pobres"; os 40 anos para o acesso ao benefício integral; e o cálculo do benefício feito a partir da média de todos os salários e não excluindo os 20% mais baixos.
"A reforma proposta tem um efeito fiscal associado ao teto imposto", ressaltou em referência à proposta do governo, aprovada pelo Congresso, que limita os gastos federais por 20 anos.
Já Canuto afirmou que essa reforma deveria ter sido feita há 20 anos, devido à transição demográfica acelerada que ocorre no país: "O Brasil é muito mais generoso aos aposentados do que outros países avançados."
Setúbal argumenta que a mudança contribuirá para o ajuste de contas necessário para equilibro orçamentário, combatendo dessa maneira a estabilidade econômica do país.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

COMPOSIÇÃO 16



BENEFÍCIO

No limiar propício
Interrompe-se um sacrifício
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

No limiar de um beijo
Acende o desejo
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

No limiar de um querer
Depara-se com um sofrer
Mas depois experimenta-se um prazer
E experimenta-se um crescer

No limiar de um esforço
Faz-se tudo com alvoroço
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

No limiar de um amor
Arrebenta-se um clamor
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

No limiar de um engano
Rasga-se o pano
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício
Com cara de armistício


No limiar de uma prece
Uma bênção carece
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

No limiar de um regozijo
A Deus me dirijo
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

No limiar de uma canção
Uma profunda devoção
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

No limiar de um encontro
Um aconchego-monstro
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

No limiar da felicidade
O respeito à verdade
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

No limiar propício
Interrompe-se um sacrifício
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

No limiar de um beijo
Acende o desejo
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

No limiar de um querer
Depara-se com um sofrer
Mas depois experimenta-se um prazer
E experimenta-se um crescer

No limiar de um esforço
Faz-se tudo com alvoroço
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

No limiar de um amor
Arrebenta-se um clamor
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

No limiar de um engano
Rasga-se o pano
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício
Com cara de armistício


No limiar de uma prece
Uma bênção carece
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

No limiar de um regozijo
A Deus me dirijo
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

No limiar de uma canção
Uma profunda devoção
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

No limiar de um encontro
Um aconchego-monstro
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

No limiar da felicidade
O respeito à verdade
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

No limiar propício
Interrompe-se um sacrifício
Arquiteta-se uma arte, um artifício
E experimenta-se um benefício
Bene, bene... benefício

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Galáxias/criaturas abandonadas ou à deriva


Da mesma forma que nem todos os pais cuidam de seus filhos, nem todos os deuses (a partir de determinadas fases existenciais) cuidam de suas criações. Explicando: alguns deuses, movidos por uma ambição desmesurada, são tentados pela diabólico-extasiante experimentação da COMPLETUDE suicida ou inutilizante ou enlouquecedora ou irreversível. Assim, ao experimentar a complexidade/verdade em sua TOTALIDADE, tais deuses perdem a sanidade, autoinutilizando-se ao se transformarem em BURACOS NEGROS à deriva. Desta forma, nada mais legítimo que dar um brinde ao ateísmo em certas galáxias, filhas de deuses imprudentes. (Felizmente, não é o caso de nosso Deus e sua galáxia, a Via Láctea). Um abraço a todos!

domingo, 7 de maio de 2017

A megausina de energia solar encravada no deserto que pretende abastecer a Europa

O micro-ônibus atravessa um enorme planalto em uma estrada recém-pavimentada do deserto de Marrocos. O chão é de terra seca e está cheio de rachaduras.
Enorme complexo fica ao pé da cordilheira do Atlas, a 10 km de Ouarzazate
Enorme complexo fica ao pé da cordilheira do Atlas, a 10 km de Ouarzazate
Foto: Getty Images / BBCBrasil.com
Ainda assim, a região não parece tão desolada quanto já foi no passado. Neste ano, ela virou o lar de uma das maiores usinas solares do mundo.
Centenas de espelhos cruzados, cada um deles maior que um ônibus, estão enfileirados cobrindo 1,4 quilômetro quadrado de deserto, uma área do tamanho de 200 campos de futebol.
O enorme complexo está em um local ensolarado ao pé da cordilheira do Atlas, a 10 km de Ouarzazate, uma cidade cujo apelido significa "porta do deserto". Com cerca de 330 dias de sol por ano, é o lugar ideal.
Além de suprir as demandas domésticas de energia, o Marrocos espera um dia poder exportar energia solar à Europa. Essa usina tem o potencial para ajudar a definir o futuro energético da África e do mundo.
Centenas de enormes espelhos curvados estão enfileirados na usina
Centenas de enormes espelhos curvados estão enfileirados na usina
Foto: Getty Images / BBCBrasil.com
No dia da visita da reportagem da BBC, porém, o céu estava coberto de nuvens. "Nenhuma eletricidade será produzida hoje", disse Rachid Bayed, da Agência Marroquina de Energia Solar (Masen, na sigla em inglês), responsável por implementar o projeto.
Um dia de "folga" não os preocupa. Atualmente, a energia solar está sendo adotada por vários países que passaram a vê-la como a mais abundante fonte de energia limpa.
Essa usina marroquina é apenas uma entre várias outras na África, e outras parecidas estão sendo construídas no Oriente Médio, na Jordânia, nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita. O custo cada vez menor da energia solar a tornou uma alternativa viável mesmo nas regiões mais ricas em petróleo do mundo.
Noor 1, a primeira fase da usina marroquina, já ultrapassou expectativas em termos de quantidade de energia produzida. É um resultado encorajador para o objetivo do Marrocos de reduzir a produção de combustíveis fósseis ao focar em energias renováveis e ainda assim atender às necessidades domésticas, que crescem em 7% todos os anos.
A estabilidade do governo e da economia do Marrocos ajudou o país a conseguir investimento da União Europeia, que financiou 60% dos custos do projeto Ouarzazate.
Com cerca de 330 dias de sol ao ano, a região de Ouarzazate é um local ideal para a usina solar
Com cerca de 330 dias de sol ao ano, a região de Ouarzazate é um local ideal para a usina solar
Foto: Sandrine Ceurstemont / BBCBrasil.com
O país planeja gerar 14% de sua energia através do sol até 2020 e acrescentar outras fontes renováveis como vento e água ao plano com o objetivo de produzir 52% de sua própria energia até 2030.
Isso torna o Marrocos mais ou menos alinhado com países como o Reino Unido, que quer gerar 30% de sua eletricidade através de energias renováveis até o fim da década, e os Estados Unidos, onde o ex-presidente Barack Obama havia determinado índice de 20% até 2030.
Donald Trump ameaçou cortar o financiamento às energias renováveis, mas talvez suas ações não tenham grande impacto, já que muitas políticas são controladas por Estados e que grandes companhias já começaram a adotar fontes mais limpas e baratas.
Os refletores da usina geralmente podem ser ouvidos enquanto eles se movem para seguir o sol como um campo gigantesco de girassóis. Os espelhos filtram a energia do sol e esquenta um óleo sintético que segue por uma rede de canos.
As temperaturas podem chegar a 350ºC e o óleo quente é usado para produzir vapores de água em alta temperatura, alimentando um gerador movido a turbinas. "É o mesmo processo dos combustíveis fósseis, só que usamos o calor do sol como fonte", diz Bayed.
A usina continua gerando energia mesmo após o pôr do sol, quando a demanda chega ao pico. Parte dessa energia é guardada em reservatórios feitos de nitrato de sódio e potássio, o que mantém a produção por até mais três horas. Na próxima fase da usina, a produção continuará por até oito horas após o sol se pôr.
Quando estiver em força total, a usina empregará entre 50 e 100 funcionários
Quando estiver em força total, a usina empregará entre 50 e 100 funcionários
Foto: Sandrine Ceurstemont / BBCBrasil.com
Além de aumentar a produção de energia do Marrocos, o projeto Ouarzazate está ajudando a economia local. Cerca de 2 mil funcionários foram contratados durante os dois anos iniciais da construção, sendo que muitos deles são marroquinos.
Estradas foram construídas para criar acesso à planta e conectá-la às cidades mais próximas, ajudando as crianças a chegar até a escola. Além disso, uma grande quantidade de água foi levada ao complexo através de encanamentos, dando acesso a água para mais 33 vilarejos.
Masen também ensinou práticas sustentáveis a fazendeiros da área. No pequeno vilarejo de Asseghmou, a 48 km da cidade de Ouarzazate, a forma como ovelhas são criadas mudou.
A maioria dos fazendeiros ali dependiamm apenas de sua experiência, mas agora estão entrando em contato com técnicas mais confiáveis, como simplesmente separar os animais em suas gaiolas, o que está aumentando a produtividade.
A Masen também doou ovelhas para criação a 25 fazendas. "Agora eu tenho mais segurança nos alimentos", diz Chaoui, dono de uma fazenda local. E sua amendoeira está prosperando graças às dicas de cultivo.
Ainda assim, alguns locais se preocupam com a usina. Abdellatif, que viva na cidade de Zagora, 120 quilômetros ao sul dali, onde há taxas mais altas de desemprego, acha que Masen deveria se concentrar em criar empregos permanentes.
Ele tem amigos que foram contratados para trabalhar lá, mas apenas por alguns meses. Uma vez que entrar em operação total, a usina empregará entre 50 e 100 funcionários, apenas. "Os componentes da usina são feitos no exterior, mas seria melhor produzi-los aqui para gerar trabalho contínuo para os moradores locais", diz.
A usina solar usa uma enorme quantidade de água da represa El Mansour
A usina solar usa uma enorme quantidade de água da represa El Mansour
Foto: Sandrine Ceurstemont / BBCBrasil.com
Um problema maior é a enorme quantidade de água que a usina utiliza da represa de El Mansour Eddahbi. Nos últimos anos, a escassez de água tem sido um problema na região semidesértica e houve cortes no fornecimento.
A agricultura ao sul do Vale Draa depende da água da represa - ocasionalmente despejada no rio local, que geralmente é seco. O coordenador da usina, Mustapha Sellam, diz que a água usada pelo complexo representa 0,05% do abastecimento, pouco comparado à sua capacidade.
Ainda assim, o consumo da usina é o bastante para fazer uma diferença na vida dos fazendeiros locais, que já enfrentam dificuldades. É por isso que a usina está tentando reduzir a quantidade de água que consome, utilizando ar pressurizado para limpar os espelhos.
Além disso, a água usada para resfriar o vapor produzido pelos geradores é reutilizada para produzir mais eletricidade.
Há novas sessões da usina em construção no momento. A Noor 2 será parecida com a 1, mas a 3 terá um design diferente. Em vez de espelhos enfileirados, ela vai capturar e guardar a energia solar através de uma torre única, que acredita-se ser mais eficiente.
Sete milhares de espelhos retos serão dispostos ao redor da torre para capturar e refletir os raios de sol em direção a um capturador no topo dela, usando menos espaço do que as filas de espelhos exigem hoje. Sais derretidos no interior da torre vão capturar e armazenar o calor diretamente, sem a necessidade do óleo quente.
Sistemas parecidos já estão em uso na África do Sul, na Espanha e em alguns lugares nos Estados Unidos, como no deserto Mojave, na Califórnia e em Nevada. Mas, com uma altura de 26 metros, a estrutura de Ouarzazate será a mais alta do tipo no mundo inteiro.
A quantidade de sol da África pode tornar o continente um exportador de energia solar no futuro
A quantidade de sol da África pode tornar o continente um exportador de energia solar no futuro
Foto: Getty Images / BBCBrasil.com
Outras usinas similares estão em construção no Marrocos. O sucesso dessas usinas no Marrocos e na África do Sul podem incentivar outros países africanos a adotar a energia solar.
A África do Sul já entrou na lista dos dez maiores produtores de energia solar do mundo, e Ruanda tem a primeira usina do tipo no leste africano, criada em 2014. Há também planos de construção de usinas solares em Gana e Uganda.
O sol da África pode um dia transformar o continente em um exportador de energia para o resto do mundo. Ao menos Sellam tem grandes expectativas em relação a Noor. "Nosso principal objetivo é a independência energética, mas, se um dia estivermos produzindo a mais, podemos suprir outros países", diz.

sábado, 6 de maio de 2017

Tecnologia pode criar elite de super-humanos e massa de inúteis, diz autor de best-seller

Os avanços em tecnologia, genética e inteligência artificial podem transformar a desigualdade econômica em desigualdade biológica? O autor e historiador Yuval Noah Harari se fez essa pergunta.

O israelense Yuval Harari investiga a relação entre história e biologia, as diferenças essenciais entre o ser humano e outros animais e o rumo da história humana
O israelense Yuval Harari investiga a relação entre história e biologia, as diferenças essenciais entre o ser humano e outros animais e o rumo da história humana
Foto: Divulgação / BBCBrasil.com
Professor de História na Universidade Hebraica de Jerusalém, ele estuda o passado para olhar para o futuro. Autor de dois best-sellers, Sapiens: Uma breve história da humanidade (editora L&PM) e Homo Deus: Uma breve história do amanhã (editora Companhia das Letras), Harari foi entrevistado pelo programa The Inquiry , da BBC , sobre a possibilidade de a tecnologia alterar o mundo e a espécie humana.
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Leia o depoimento do professor à BBC :
"A desigualdade existe há no mínimo 30 mil anos. Os caçadores-coletores eram mais igualitários do que as sociedades subsequentes. Eles tinham poucas propriedades, e propriedade é um pré-requisito para desigualdade de longo prazo. Mas até eles tinham hierarquias.
Nos séculos 19 e 20, porém, algo mudou. Igualdade tornou-se um valor dominante na cultura humana em quase todo o mundo. Por quê?
Foi em parte devido à ascensão de novas ideologias como o humanismo, o liberalismo e o socialismo.
Mas também se tratava de mudanças tecnológicas e econômicas - que estavam ligadas a essas novas ideologias, claro.
De repente, a elite começou a precisar de um grande número de pessoas saudáveis e educadas para servir como soldados nos exércitos e como trabalhadores nas fábricas.
Os governos não forneciam educação e vacinação porque eram bondosos. Eles precisavam que as massas fossem úteis. Mas agora isso está mudando novamente.

Engenharia genética é hoje disseminada. Até onde ela poderá evoluir?
Engenharia genética é hoje disseminada. Até onde ela poderá evoluir?
Foto: Getty Images / BBCBrasil.com
Os melhores exércitos da atualidade demandam poucos soldados, mas altamente treinados e com equipamentos de alta tecnologia.
As fábricas também estão cada vez mais automatizadas.
Esse é um dos motivos pelos quais poderemos - num futuro não tão distante - ver a criação das sociedades mais desiguais que já existiram na história humana. E há outros motivos para temer esse futuro.
Com rápidos avanços em biotecnologia e bioengenharia, nós podemos chegar a um ponto em que, pela primeira vez na história, desigualdade econômica se torne desigualdade biológica.
Até agora, humanos tinham controle sobre o mundo ao seu redor. Eles podiam controlar rios, florestas, animais e plantas. Mas eles tinham muito pouco controle do mundo dentro deles.
Eles tinham capacidade limitada de manipular seus próprios corpos, cérebros e mentes. Eles não podiam evitar a morte. Talvez esse não seja sempre o caso.

Inteligência artificial está sendo vista como uma ameaça a levas de empregos humanos
Inteligência artificial está sendo vista como uma ameaça a levas de empregos humanos
Foto: Getty Images / BBCBrasil.com
Há duas maneiras principais de aprimorar humanos: ou você altera algo em sua estrutura biológica por meio de alteração de seu DNA, ou - o jeito mais radical - você combina partes orgânicas e inorgânicas, talvez conectando diretamente cérebros e computadores.
Os ricos - ao adquirir tais melhorias biológicas - poderiam se tornar literalmente melhores que os demais: mais inteligentes, saudáveis e com vidas mais longas.
Nesse ponto, será facil que essa classe "aprimorada" tenha poder. Pense desta forma: no passado, a nobreza tentou convencer as massas que eles eram superiores a todos os outros e que deveriam deter o poder. No futuro que estou descrevendo, eles realmente serão superiores às massas.
E como eles serão melhores que nós, fará mais sentido ceder a eles o poder e a prerrogativa de tomada de decisões.

Poderiam aqueles que controlam dados e algoritmos tornar-se a superclasse do futuro?
Poderiam aqueles que controlam dados e algoritmos tornar-se a superclasse do futuro?
Foto: Getty Images / BBCBrasil.com
Podemos também constatar que a ascensão da inteligência artificial - e não apenas automação - pode significar que grandes contingentes de pessoas, em todos os tipos de emprego, simplesmente perderão sua utilidade econômica.
Os dois processos casados - aprimoramento humano e ascensão de inteligência artificial - podem resultar na separação da humanidade em uma pequena classe de super-humanos e uma gigantesca subclasse de pessoas "inúteis".
Eis um exemplo concreto: pense no mercado de transporte.
Há centenas de motoristas de caminhões, táxis e ônibus no Reino Unido. Cada um deles comanda uma pequena parte do mercado de transporte, e todos ganham poder político em função disso. Eles podem se sindicalizar e, se o governo faz algo que não gostam, eles podem fazer uma greve e travar todo o sistema.
Agora, avance 30 anos no tempo. Todos os veículos conduzem a si próprios e uma corporação controla o algoritmo que comanda todo o mercado de transporte.
Todo o poder econômico e político previamente compartilhado por milhares agora está nas mãos de uma única corporação.

Ricos, diz autor, poderiam adquirir melhorias biológicas e se tornar literalmente melhores que os demais: mais inteligentes, saudáveis e longevos
Ricos, diz autor, poderiam adquirir melhorias biológicas e se tornar literalmente melhores que os demais: mais inteligentes, saudáveis e longevos
Foto: Getty Images / BBCBrasil.com
Depois que você perde sua importância econômica, o Estado perde ao menos um pouco do incentivo de investir em saúde, educação e bem-estar.
Seu futuro dependeria da boa vontade de uma pequena elite.
Talvez haja boa vontade mas, em tempo de de crise - como uma catástrofe climática -, seria muito fácil te descartar.
Tecnologia não é determinista. Ainda podemos fazer algo para lidar com tudo isso. Mas acho que deveríamos estar cientes de que descrevo um futuro possível. Se não gostamos dessa possibilidade, precisamos agir antes que seja tarde.
Existe mais um passo possível no caminho rumo à desigualdade previamente inimaginável.
A curto prazo, a autoridade pode se centrar em uma pequena elite que detenha e controle os algoritmos e os dados que os alimentam. A longo prazo, porém, a autoridade poderá se transferir completamente dos humanos aos algoritmos.
Quando uma inteligência artificial for mais inteligente que nós, toda a humanidade poderá se tornar inútil.
O que aconteceria depois disso? Não temos nenhuma ideia - literalmente não podemos imaginar. Como poderíamos? Estamos falando de uma inteligência muito maior do que a que a humanidade possui."

COMPOSIÇÃO 15

                                       A ENCRUZILHADA

Jurei à minha amada 
Fugir da encruzilhada
Mas não é tão simples assim
Não depende só de mim
Depende do destino da jornada
      (do destino da jornada)  
                (Refrão)

   A encruzilhada
Divide caminhos
Atrai espinhos
Descobre pergaminhos
Extrai feitiçozinhos
(Divide corações e encarcera emoções)

Atrasa o passo
Descompassa o compasso
Gera interrogações
Divide corações
(Divide corações e encarcera emoções)

Esparrama a manada
Cria uma cruzada
No limiar do dia
No teimar de uma mania
(Divide corações e encarcera emoções)
        
Jurei à minha amada 
Fugir da encruzilhada
Mas não é tão simples assim
Não depende só de mim
Depende do destino da jornada
      (do destino da jornada)  
                (Refrão)

          A encruzilhada
Divide perfeição e imperfeição
Divide bola e emoção
Divide escola e formação
Divide esmola e doação
(Divide corações e encarcera emoções)

Divide planeta e constelação
Divide secreta e secreção
Divide preta e coloração
Divide direta e direção
(Divide corações e encarcera emoções)

Divide amor e paixão
Divide calor e queimação
Divide rigor e privação
Divide estupor e feição
(Divide corações e encarcera emoções)
 
Jurei à minha amada 
Fugir da encruzilhada
Mas não é tão simples assim
Não depende só de mim
Depende do destino da jornada
      (do destino da jornada)  
                (Refrão)

A encruzilhada
Divide caminhos
Atrai espinhos
Descobre pergaminhos
Extrai feitiçozinhos
(Divide corações e encarcera emoções)

Atrasa o passo
Descompassa o compasso
Gera interrogações
Divide corações
(Divide corações e encarcera emoções)

Esparrama a manada
Cria uma cruzada
No limiar do dia
No teimar de uma mania
(Divide corações e encarcera emoções)
        
Jurei à minha amada 
Fugir da encruzilhada
Mas não é tão simples assim
Não depende só de mim
Depende do destino da jornada
      (do destino da jornada)  
                (Refrão)

          A encruzilhada
Divide perfeição e imperfeição
Divide bola e emoção
Divide escola e formação
Divide esmola e doação
(Divide corações e encarcera emoções)

Divide planeta e constelação
Divide secreta e secreção
Divide preta e coloração
Divide direta e direção
(Divide corações e encarcera emoções)

Divide amor e paixão
Divide calor e queimação
Divide rigor e privação
Divide estupor e feição
(Divide corações e encarcera emoções)
 
Jurei à minha amada 
Fugir da encruzilhada
Mas não é tão simples assim
Não depende só de mim
Depende do destino da jornada
      (do destino da jornada)  
                (Refrão)

Mas divide corações e encarcera emoções
Divide e encarcera
Divide e não se desespera
Mas divide corações e encarcera emoções
                    (Refrão final)



sexta-feira, 5 de maio de 2017

A reforma trabalhista, sem alarde, mira o trabalhador rural

Projeto promovido pela bancada ruralista quer alterar relações de trabalho no agronegócio, enfraquecendo fiscalização no ambiente rural. "É muito pior que legislação da ditadura", alerta especialista.
Brasilien - Ernte Zuckerrohr (Getty Images/AFP/ N. Almeida) Pelo projeto de lei, repouso semanal pode ser substituído por período contínuo de trabalho de até 18 dias
A bancada ruralista na Câmara se organiza para aprovar um projeto que altera profundamente as relações de trabalho no campo. De autoria do deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a proposta está tramitando silenciosamente na Câmara desde novembro, sem gerar o mesmo barulho que as reformas da Previdência e do regime dos trabalhadores urbanos. Seu teor, no entanto, não é menos controverso.
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"Trabalhador não pode ser tutelado pelo Estado"
Originalmente, a bancada queria incluir os pontos do projeto de lei 6442/2016 na já aprovada reforma trabalhista, mas foi avaliado que eles aumentariam a resistência ao projeto como um todo. Nilson Leitão resolveu então reempacotar os itens, que foram apresentados como um projeto de modernização da legislação que trata especificamente do trabalho rural, em vigor desde 1973. De acordo com o texto, os 21 artigos da atual legislação devem dar lugar a um calhamaço com mais de 160 itens. A proposta ainda aguarda a nomeação dos membros de uma comissão especial que vai discutir seu teor.
Na justificativa, Leitão não cita em nenhum momento a palavra "proteção" quando se refere aos trabalhadores rurais, mas é explícito ao afirmar que a nova legislação pretende "o aumento dos lucros e redução de custos". Também diz que as "as normas existentes são em grande medida subjetivas", o que deixaria o "produtor rural" em situação de "insegurança jurídica" diante da Justiça do Trabalho e dos fiscais.
Jornada de 12 horas
Os novos artigos querem permitir que as jornadas no campo possam ser esticadas por até 12 horas; que normas básicas de higiene, saúde e alimentação sejam ignoradas em determinadas condições; que o repouso semanal possa ser substituído por um período contínuo de trabalho de até 18 dias; que os produtores se livrem em um primeiro momento de serem multados por fiscais do trabalho, estabelecendo uma regra de dupla visita; deixa a fixação de regras para o uso de agrotóxicos exclusivamente a cargo do Ministério da Agricultura, ignorando as pastas da Saúde e do Trabalho.
Brasilien Reciclagem (inpev) Projeto também permite que trabalhadores com mais de 60 anos possam manipular agrotóxicos
Um dos artigos afirma que a CLT não deve ser aplicada subsidiariamente nas relações de trabalho rural e solidifica a permissão para terceirização geral no setor. Também há itens similares ao da reforma trabalhista, como acordos coletivos prevalecendo sobre a legislação, o fim da inclusão na jornada do tempo de deslocamento até o local de trabalho, e o estabelecimento do trabalho intermitente (em dias variados e conforme disponibilidade, sem precisar ser contínuo).
Para o professor de direito do trabalho Antonio Rodrigues de Freitas, da USP, o efeito principal da aprovação de um projeto desses seria enfraquecer de vez a fiscalização do trabalho no ambiente rural. Ele classifica a coisa toda como um "retrocesso" e diz que o projeto é muito pior do que a legislação de 1973, aprovada nos anos de chumbo do regime militar.
"A legislação de 73 pretendia acabar com a figura trágica do boia-fria e tirar o Brasil da posição de campeão de acidentes de trabalho. Os militares encaravam isso como ruim para a imagem do país. O projeto atual não tem essa preocupação e efetivamente sabota a fiscalização no campo e os mecanismos que desestimulam a existência dos boias-frias e do trabalho forçado no campo", afirmou. Ele também afirma ver com preocupação a expansão da terceirização no campo, que pode favorecer ainda mais a precarização do trabalho e abusos.
"Pagamento com comida"
Um artigo em especial já gerou controvérsia pública: o que trata da própria definição de trabalhador rural, ao afirmar que "emprego rural é toda pessoa física que (...) presta serviços de natureza não eventual a empregador rural (...) mediante salário ou remuneração de qualquer espécie". Essa "remuneração de qualquer espécie" foi interpretada por grupos que representam trabalhadores rurais como uma forma de simplesmente efetuar pagamento com comida e/ou moradia, sem envolver dinheiro, uma espécie de reinstituição da corveia medieval. 
Após o artigo ser tema de uma reportagem do jornal Valor, o deputado Leitão negou que trabalhadores possam ser pagos apenas com comida e moradia. Em nota, ele disse que o "salário é sagrado" e acusou os críticos do texto praticarem "terrorismo social” sem "sequer ler o texto". Um item do projeto, de fato, estabelece que o fornecimento de comida e moradia não pode superar entre e 20% e 25% do salário. Segundo o professor Freitas, ainda assim o texto do projeto pode eventualmente abrir uma brecha para que os trabalhadores possam ter o salário reduzido ou serem pagos apenas com comida.
Há outros pontos controversos. Um deles exime o empregador de fornecer banheiros ou água potável em condições de terreno de difícil acesso ou de "vegetação fechada". "Esse tipo de coisa é eloquente sobre a natureza retrógrada do projeto", opina Freitas.
Ainda segundo o professor, o projeto bate de frente com alguns artigos da Constituição e revela "ignorância em relação ao processo legislativo". "O projeto de lei tenta anular portarias. Isso não pode ser feito por meio de um PL", afirma. "Isso diz muito sobre a forma como a coisa está caminhando."
Bancada ruralista
Autor da proposta, Nilson Leitão teve quase 60% da sua campanha em 2014 financiada por empresas do agronegócio, segundo levantamento da agência Pública. Ao lado do atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-PR), outro membro da bancada ruralista, Leitão é um dos principais promotores da controversa PEC 215, que transfere para o Legislativo a competência de demarcar terras indígenas.
 
Assistir ao vídeo 01:39

Os países mais corruptos do mundo

Ele também é alvo de um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de participação na invasão de terras indígenas em Mato Grosso. Um membro da quadrilha disse em um diálogo gravado que o deputado havia pedido 30 lotes da invasão. Leitão nega as acusações. Ele também é o relator da CPI do Incra e da Funai. Seu relatório apresentado na quarta-feira (4/5) sugeriu a extinção da Funai e concluiu que a questão agrária se tornou "uma indústria do crime".
Diante da reação negativa ao projeto, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) lançou uma página de perguntas e respostas sobre os artigos. Os itens afirmam que as mudanças serão boas para os trabalhadores, produtores e consumidores. Afirma, por exemplo, que o pagamento pelas horas gastas com deslocamento "são uma anomalia que prejudica toda a sociedade, pois encarece o alimento que chega à casa das famílias brasileiras". Também compara a possibilidade de trabalho contínuo por até 18 dias com a situação de trabalhadores de navios e plataformas petrolíferas.
Procurador rejeita projeto
A página de perguntas e respostas foi a coisa mais próxima que a FPA fez de um debate público até agora. Nos últimos meses, o projeto só vem sendo discutido em reuniões que reúnem produtores, como a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). O Ministério Público do trabalho (MPT), que tem seu poder reduzido pelo projeto, reagiu e pediu a rejeição do projeto.
O procurador-geral do órgão, Ronaldo Couro Fleury, se queixa que propostas assim têm avançado sem qualquer discussão. "A aprovação de medidas que alteram substancialmente a legislação sem que outras perspectivas sejam consideradas, em nada contribui para construção de um ambiente de pacificação social no país."
Ele afirma ainda que a ideia de que as convenções coletivas possam se sobrepor à legislação vai acabar beneficiando os patrões. "A realidade brasileira demonstra que existe um imenso desequilíbrio entre a representação dos trabalhadores e a representação patronal, sobretudo no campo. Este desequilíbrio sempre foi mitigado pela existência de direitos mínimos previstos em lei", diz.
Para Freitas, é importante que a população conheça o teor do projeto, mas ele também afirma que os produtores devem tomar consciência que o texto é nocivo. "Nem todos os produtores rurais representam o atraso, muitos desejam uma legislação moderna e se livrar da imagem negativa. Mas do que jeito que está, esse projeto não beneficia o agricultor competente, mas premia o delinquente, aquele que foge da fiscalização, que não respeita normas e não assina a carteira dos funcionários", ressalta.

formato de campanha política correto e barato

E, como seria esse formato ou modelo de campanha política? Em primeiro lugar, permitir doações MODESTAS, tanto de empresas (de até cinquenta mil reais, por exemplo) quanto de pessoas físicas (de até dez mil reais, por exemplo). Em segundo lugar, adotar cláusula severa de barreiras, com o intuito de permitir a existência de poucos partidos  (e sem a idiotice de se preservar "partidos históricos" que não tenham votos). Em terceiro lugar, reduzir bastante o número de candidatos por partido, que modo que uns poucos, considerados os melhores de cada partido, teriam direito a aparecer na TV, usufruindo de bem mais tempo, que modo que o eleitor pudesse dispor de mais informações sobre os candidatos, antes de escolhê-los). Em quarto lugar, adotar o voto distrital misto. Em quinto lugar, complementar com financiamento público de campanha MÓDICO, de modo a permitir somente a propaganda exclusiva do candidato ARGUMENTANDO no rádio e televisão: ficaria proibido o uso de imagens de opinião de populares, animações de marketeiros; seriam proibidos também os comícios, as musiquinhas, a contratação de cabos eleitorais, a panfletagem. Assim, os candidatos não ganhariam eleições via emoção/marketing político/poder econômico, etc., mas somente com propostas - ou seja, através da palavra racionalizada. Este seria o modelo ideal para escolha do melhor candidato e para campanhas muito baratas e corretas/honestas/racionais.