sábado, 5 de junho de 2021

Crédito de carbono pode ser a nova moeda global

- Publicada em 21h00min, 03/06/2021
O sequestro do gás carbônico gera créditos monetizáveis por órgãos internacionais, que podem ser comercializados entre empresas

O sequestro do gás carbônico gera créditos monetizáveis por órgãos internacionais, que podem ser comercializados entre empresas


FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC
Pedro Carrizo, especial para o JC
Longe de estarem descoladas do espírito corporativo, gigantes como Microsoft, Apple, Volvo e Ifood têm investido em metas para neutralizar suas emissões de carbono até 2030. Esses são alguns exemplos de um mercado que entendeu, em boa parte e por pressão social, que o progresso não pode mais se sobrepor ao seu efeito colateral. Por isso, negócios de compra e venda de carbono, o vilão invisível que criamos e hoje nos ameaça, estão em alta. Inclusive no Rio Grande do Sul.
O mercado de carbono, que viveu tempos de baixa após a crise de 2008, já parece retomar com vigor o interesse de empresas em ativos sustentáveis. Mas o Brasil, que tem potencial para saciar a gana do mercado, tem ficado para trás na corrida do “ouro do futuro”, como entusiastas apelidam o crédito de carbono.
A moeda global da “revolução da sustentabilidade”, exclamada por Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA, deve mudar todas relações comerciais em curto tempo. “Uma mudança da magnitude da revolução industrial, mas com a velocidade da revolução digital”, disse o norte-americano, em recente evento promovido pelo Valor Econômico e Santander.
Nos negócios de CO2, a redução ou sequestro do gás gera créditos monetizáveis, certificados por órgãos internacionais, que podem ser comercializados entre empresas e servem para compensar o impacto ambiental de quem o compra. Cada um crédito de carbono equivale a uma tonelada de CO2 que deixou de ser emitida na atmosfera.
Nascido a partir do Protocolo de Quioto, de 1997, e renovado com o Tratado de Paris, de 2015, o mercado tem se desenvolvido em duas frentes: a regulada e a voluntária, da qual o Brasil faz parte. Porém, segundo especialistas, ele está passando por um momento de guinada, com a adoção de um novo modelo de certificação.
“O novo Acordo de Paris vem para regulamentar de vez esse mercado, está todo mundo aguardando por isso, pois vai aumentar a responsabilidade de países sem metas obrigatórias contra os gases de efeito estufa", diz Fábio Feldmann, ambientalista e fundador da ONG SOS Mata Atlântica.
Hoje em dia, no mercado regulado, os países ou territórios impõem metas obrigatórias de redução para cada setor produtivo. As empresas compram quando as metas são ultrapassadas e vendem quando emitem menos, sendo permitido apenas a comercialização de créditos entre empresas do mesmo território. Califórnia, Europa e parte da China são reguladas, por exemplo. As transações são feitas nas bolsas de valores internacionais neste modelo.
Já no mercado voluntário qualquer pessoa, empresa ou instituição pode vender ou comprar créditos de carbono certificados. As transações se dão em acordos bilaterais e, mais recentemente, por blockchain. E o valor varia muito conforme o tipo de projeto e o volume de créditos.
“Alguns projetos têm mais apelo do que outros. Os voltados à conservação de florestas às vezes podem ser mais interessantes para o marketing de uma empresa do que um projeto de geração de energia por queima controlada de metano, por exemplo”, explica Eduardo Baltar, diretor da consultoria gaúcha Ecofinance. Ambos modelos, regulado e voluntário, são tão complexos quanto imprescindíveis para a sustentabilidade.
Em resumo, reduzir a emissão de gases de efeito estufa já é um negócio que dá lucro e status para quem participa. Mercado que é avaliado em mais de R$ 1 bilhão por ano. Empresários e ambientalistas acreditam inclusive que o carbono será a commodity mais valiosa do futuro.

O que Brasil e RS tem a ver com isso?

O Brasil tem a maior capacidade de reflorestamento entre os países, uma matriz energética majoritariamente limpa e a maior floresta tropical do mundo, o que o coloca na liderança global do mercado de carbono, certo? Errado.
Somos o sétimo em geração de créditos no mercado voluntário de carbono. Mas já fomos o terceiro, quando o comércio começou, em meados de 2006. Em nível federal, projetos de regulação passam de mão em mão pelas pastas da Economia, Meio Ambiente e de Ciências e Tecnologia, mas não avançam. Apenas o RenovaBio, voltado à geração de biocombustíveis, é regulado com créditos vendidos no pregão eletrônico brasileiro.
“Há duas perspectivas: criar um mercado de carbono interno e há um grande potencial de exportação do crédito de carbono, usando como chamariz uma política de zero desmatamento”, diz Fábio Feldmann, ambientalista e fundador da ONG SOS Mata Atlântica. O Brasil pode ser para o mercado de CO2 o que a Arábia Saudita é para o mercado de petróleo, segundo Luiz Adaime, fundador e CEO da Moss, empresa brasileira que lançou o primeiro cripto ativo de carbono, comercializado por blockchain. “O País ainda certifica uma parcela ínfima de créditos de carbono em relação ao seu potencial”.
Focada em projetos ambientais de preservação na Amazônia, o ativo da Moss estreou ano passado e já é a principal criptomoeda brasileira no cenário internacional, com mais de 1,3 milhão de créditos comercializados.
Mas embora a imagem de uma floresta preservada apareça na cabeça da maioria que escuta falar em mercado de carbono, a preservação é uma parcela ínfima desse negócio – menos de 1%. A maior parte do bolo de créditos certificados no mundo é derivada de projetos de energia limpa. E é aí que entra o Rio Grande do Sul.
Embora possa parecer distante a relação entre o Estado e o mercado de CO2, foi no Pampa que esse negócio iniciou no Brasil. A primeira empresa brasileira a receber pela mitigação do CO2 foi a gaúcha Camil Alimentos, em 2006. Na época, a empresa vendeu por cerca de € 1,5 milhão seus créditos para a companhia holandesa BTG Biomass. Foram 207 mil créditos credenciados a partir da geração de bioenergia com a casca do arroz, na unidade industrial de Itaqui (RS).
De lá para cá, diversos outros projetos de sequestro de CO2 pipocam pelo Estado, com crescimento inclusive de consultorias que ajudam as empresas a certificar seus créditos de carbono, processo que é feito através de auditoria vinculada a órgãos internacionais e que calcula o quanto determinado projeto está deixando de emitir. “No Sul, há setores mais antenados ao mercado de carbono do que outros, como é o caso do setor energético, com foco na geração de biomassa e de energia eólica. O setor de resíduos também tem conseguido bons rendimentos vendendo seus créditos”, ressalta Eduardo Baltar, diretor da consultoria gaúcha Ecofinance, responsável por mais de 11 milhões de créditos negociados e 30 projetos de desenvolvimento limpo aprovados.

 

sexta-feira, 4 de junho de 2021

CHARGE

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"Bitcoin é dinheiro de mentira" diz presidente de banco russo

Continuando a tradição de entidades russas serem contra o Bitcoin, o presidente do VTB, maior grupo financeiro do país, Andrey Kostin, afirmou que a instituição “não gosta do Bitcoin”, afinal, para ele é como dinheiro de mentira.

A afirmação foi feita em uma recente entrevista à Bloomberg. Kostin falou um pouco sobre o que ele pensa das criptomoedas e até mesmo sobre como o banco está encarando as possibilidades das moedas digitais de bancos centrais.

Durante a entrevista, ele disse que sua posição (e a do VTB) não é muito positiva a criptomoeda por causa da natureza “de mentira”.

“Nós não gostamos de Bitcoin. Nós achamos que é como fazer dinheiro falso… tem alguém em algum lugar do mundo que está simplesmente minerando dinheiro… eles estão criando uma moeda falsa.”

Durante a entrevista ele chegou a comparar a mineração de criptomoedas com a forma que criminosos forjavam moedas falsas a era medieval. Claro, para quem entende como funciona a blockchain e o criptomercado, essa é uma comparação no mínimo desonesta.

Criar dinheiro “do nada” lembra muito mais as impressoras frenéticas de diferentes bancos centrais no mundo.

E falando sobre os bancos centrais, Kostin tocou no assunto das CBDCs, as moedas digitais emitidas por bancos centrais. Já nesse caso, o presidente do VTB não vê nenhum problema nas moedas digitais.

Rússia e a CBDC

No trecho destacado logo acima pela Bloomberg, Kostin fala que a situação das criptomoedas emitidas por bancos centrais é algo bem sério.

Ele destacou que a China está bem avançada nesse quesito, com o Yuan Digital. No entanto, as autoridades da Rússia estão “conversando” sobre a possibilidade de uma moeda do Banco Central.

“A questão de criptomoedas oficiais é bem importante. Alguns países estão bem avançados nesse quesito, como a China. Na Rússia estamos discutindo isso com o Banco Central, os bancos estão preocupados que o Banco Central diminuirá os clientes das instituições, mas chegamos em uma solução… nós ficaremos com os bancos e o Banco Central vai produzir e distribuir a criptomoeda digital.”

Ainda de acordo com o presidente do VTB, já existe uma equipe que está trabalhando “nos passos iniciais” da criptomoeda oficial do Rublo.

Ou seja, para Kostin, o Bitcoin não é uma boa ideia, mas a digitalização do setor financeiro, controlado pelos Bancos Centrais, é uma boa ideia.

Kostin mantém a ideia que muitos outros detratores do Bitcoin ainda possuem, que a moeda não tem valor porque não é controlada por uma entidade.

Fonte: Livecoins

 

terça-feira, 1 de junho de 2021

Criptomoedas

criptomoedas

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Tio Sam de olho
As autoridades financeiras dos Estados Unidos estão se preparando para adotar um papel mais ativo na regulamentação do mercado de criptomoedas, de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,8 trilhões).

Entenda: as criptos, por não serem reguladas, são bem vistas por investidores que visam proteção de qualquer intervenção estatal sobre seu patrimônio. Mas a maneira com que elas são comercializadas também abre brechas para lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas.

O que muda: o novo auditor desse setor no governo americano é considerado um “supervisor de banco no seu cerne”. Seu antecessor, indicado pela administração Trump - que incentivou o uso de moedas digitais -, fez carreira em bolsas de negociação de criptomoedas.

Montanha russa: em maio, o bitcoin acumula queda de 36,80% até sexta (28) após uma disparada de 776,6% de abril de 2020 a abril de 2021.
  • O maior tombo aconteceu há duas semanas, quando autoridades chinesas sinalizaram medidas de repressão sobre as criptos.
     
  • Analistas alertam que os ativos, pela grande volatilidade, não devem compor a maior parte da carteira.

 

CHARGE


CHARGE

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Por que os chineses não estão dispostos a ter mais filhos

Ásia

Após décadas de um estrito controle familiar, população da China pouco cresce. Aos poucos, governo abandonou limite de filhos e agora permite até três por família. Mas o esperado aumento da natalidade não vem.

Placar chinês de 1978, com pintura de casal com menina, propaganda da política do filho único

Placar chinês de 1978 faz propaganda da política do filho único

Você está se perguntando por que as famílias jovens no país mais populoso do mundo estão cansadas de ter filhos? A resposta é simples: qual casal tem vontade e força para cuidar de quatro idosos e três filhos ao mesmo tempo, além de enfrentar as pressões da carreira profissional?

Aqueles que poderiam ter filhos agora são, eles mesmos, quase exclusivamente filhos únicos. No final dos anos 1970, a China introduziu controles rígidos de natalidade, conhecidos como "política do filho único". E exatamente esses filhos únicos é que estão agora em uma posição intermediária extremamente desconfortável na pirâmide demográfica: não só têm que cuidar dos pais e sogros em idade avançada, como também criar seus próprios filhos.

Também na China a pirâmide populacional está de cabeça para baixo. Já há anos que as autoridades tentam enfrentar o processo de envelhecimento com pequenos passos. Foi só em 2016 que Pequim relaxou sua rígida política de filho único, depois de quase 40 anos. Desde então, as famílias puderam ter dois filhos. Mas o esperado baby boom não se materializou. Agora, três crianças são permitidas e até desejadas pelas autoridades.

Mas o esperado aumento da taxa de natalidade até agora não ocorreu devido a um fator decisivo: dinheiro. Conceber e dar à luz um filho é gratuito, mas depois tudo fica muito caro, ainda mais para financiar comida saudável para bebês após a série de escândalos envolvendo leite em pó que destruiu a confiança de jovens pais. Um quarto para cada filho é algo difícil nas metrópoles com aluguel e preços de imóveis nas alturas, ainda mais em bairros com boas escolas. Além disso, os gastos são altos com aulas de música e explicadores particulares. Para não falar nas despesas com férias na praia.

A China tenta otimizar seu sistema de previdência social com recursos financeiros substanciais, justamente para tentar liberar as famílias do ônus de cuidar de idosos e jovens. Mas, em muitos casos, os instrumentos do Estado têm apenas um efeito bastante limitado, de modo que, no fim das contas, as famílias acabam tendo de lidar com o problema elas mesmas. Os contribuintes acabam sendo, assim, duplamente onerados. A partir de agora devem continuar contribuindo financeiramente para a previdência social ao mesmo tempo que educam uma quantidade ainda maior de filhos.

A imagem tradicional da família no confucionismo, em que várias gerações vivem sob o mesmo teto, bate de frente com a realidade de uma classe média autoconfiante, caracterizada por uma atitude cada vez mais individualista. Ela quer mais liberdade, mais espaço próprio e mais tempo livre. Mas, como se sabe, os deveres dos pais são – independentemente do modelo social – o maior obstáculo à realização pessoal.

As autoridades na China querem reagir a isso com um pacote completo de medidas: vantagens fiscais para as famílias, melhor proteção à maternidade no trabalho, as licenças maternidade e paternidade no trabalho não devem mais representar um obstáculo à carreira, oportunidades educacionais iguais para as crianças nas cidades e nas áreas rurais. A China quer se preparar para o futuro por meio de um maior apoio às famílias.

Como esse enorme pacote será financiado? Nesse ponto, o politburo permanece vago e aponta para as autoridades regionais. Mas elas já estão altamente endividadas. Isso parece mais uma tarefa insolúvel. O politburo executa, mais uma vez, apenas uma política simbólica. Nas camas da República Popular da China, isso não vai mudar nada.

O jornalista da DW Dang Yuan escreve sob pseudônimo para proteger a si mesmo e à sua família.

 

Veja 35 hábitos que podem causar CÂNCER

Fidel Forato

Na luta contra o câncer no Brasil, mais de 220 mil pessoas vieram a óbito em decorrência da doença, somente em 2018, segundo os dados registrados pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer). Embora se use normalmente o nome no singular, é preciso lembrar que "o câncer" representa um conjunto de mais de 100 doenças diferentes que têm em comum, apenas, o crescimento descontrolado de células, invadindo tecidos, formando tumores e alterando o nosso DNA.

Para a ciência, as diferenças entre os tipos de câncer correspondem às diferentes células do corpo humano que elas afetam. Por exemplo, se as células tumorais se desenvolvem na pele ou em tecidos que recobrem órgãos, ossos e glândulas, são chamadas de carcinomas. Outro ponto que os diferencia é a velocidade com a qual se multiplicam e formam metástases — as lesões tumorais que se espalham pelo corpo.

Pesquisas listam 35 hábitos ou substâncias com potencial cancerígeno (Imagem: Reprodução/ Skeeze/Pixabay)
Pesquisas listam 35 hábitos ou substâncias com potencial cancerígeno (Imagem: Reprodução/ Skeeze/Pixabay)

Em um cenário que mais se parece com uma guerra, alguns casos de câncer, realmente, estão fora do controle humano, seja por fatores genéticos ou mudanças genéticas que sofremos ao longo da vida. Entretanto, evidências apontam que alguns comportamentos de risco ou uso de determinadas substâncias podem, sim, aumentar as chances de desenvolvimento de um câncer.

A seguir, você confere 35 agentes cancerígenos já conhecidos pela medicina e alguns suspeitos de causarem essas alterações, que podem ser fatais, no organismo humano.

35 fatores ligados ao aumento do risco de câncer

Um hábito potencialmente cancerígeno pode ser o consumo excessivo de açúcar (Imagem: Reprodução/ Hans Schwarzkopf/ Pixabay )
Um hábito potencialmente cancerígeno pode ser o consumo excessivo de açúcar (Imagem: Reprodução/ Hans Schwarzkopf/ Pixabay )

1. Açúcar: mais do que casos de diabetes, o consumo excessivo de açúcar pode danificar as células do organismo e aumentar o risco de câncer. Pior ainda, estudos recentes apontam que o açúcar pode estimular o crescimento de um tumor, porque as células tumorais usam essa substância como combustível. "O consumo hiperativo de açúcar pelas células cancerosas leva a um ciclo vicioso de estimulação contínua do desenvolvimento e crescimento do câncer", afirma o biólogo molecular Johan Thevelein.

2. Alimentos processados: segundo cientistas na França, há uma ligação entre as pessoas que consomem mais alimentos processados ​com os indivíduos que desenvolvem câncer. Entretanto, não se sabe qual é a origem dessa relação. Poderia ser, por exemplo, a embalagem utilizada ou ainda substâncias que prolonguem sua validade.

3. Fumar: pesquisa apontam há anos que a fumaça do tabaco contém cerca de 70 substâncias químicas cancerígenas. Infelizmente, isso também vale para os fumantes passivos — grupo que não fuma, mas acaba inalando a fumaça pelo ambiente. De acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos EUA, "os não fumantes expostos ao fumo passivo, em casa ou no trabalho, aumentam o risco de desenvolver câncer de pulmão em 20%-30%".

4. Talvez, o uso de vapes: mesmo que pesquisas nessa área ainda sejam recentes, há alguns sinais de que podem causar complicações no sistema respiratório. "Penso que existe um consenso emergente de que as células imunológicas do pulmão ficam um pouco perturbadas com a vaporização", explica o professor Robert Tarran, que estuda o tema na Universidade da Carolina do Norte.

5. Bronzeamento artificial: o consenso aqui é bastante “popular”. De acordo com a Fundação do Câncer de Pele (SCF), fundado nos EUA, indivíduos que realizam sessões de bronzeamento artificial antes dos 35 anos, aumentam o risco de desenvolver melanoma em 75%.

Entre os possíveis hábitos que podem causar câncer, está a exposição ao Sol sem proteção (Imagem: Reprodução/ Dimitris Vetsikas/ Pixabay )
Entre os possíveis hábitos que podem causar câncer, está a exposição ao Sol sem proteção (Imagem: Reprodução/ Dimitris Vetsikas/ Pixabay )

6. Esquecer o protetor solar: a exposição ao Sol, sem proteção, pode causar riscos para a saúde, como o câncer de pele por causa dos raios UV. Por isso, o Inca recomenda que "durante a exposição ao Sol sejam usados filtros com FPS 15 ou mais e que protejam também contra os raios UV-A".

7. Contato com produtos tóxicos no trabalho: no dia a dia, algumas pessoas lidam com substâncias cancerígenas para a realização de suas atividades profissionais, como pintores, fabricantes de borracha e, eventualmente, cabeleireiros. Dependendo do nível de exposição, da qualidade dos produtos usados e das condições de proteção, o risco de desenvolvimento de um câncer cresce.

8. Turno da noite: segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), parte da OMS, o trabalho noturno pode ser "provavelmente" cancerígeno para os funcionários. Isso porque os cientistas entendem que trabalhar fora do horário considerado normal pode afetar os ciclos circadianos naturais de sono e vigília do corpo.

9. Carvão: ainda nos riscos associados ao trabalho, há maiores chances do aparecimento da doença entre os mineradores de carvão. Entre os tipos mais comuns, estão: câncer nos pulmões; bexiga; e estômago. Uma das possíveis ideias é que isso ocorra por causa do pó de carvão inalado.

10. Arsênico: parte natural da crosta da Terra, é uma substância tóxica em sua forma inorgânica. Nessa formação pode ser encontrado até na água potável contaminada de alguns lugares como Bangladesh, na Ásia, ou em outras regiões onde os sistemas de irrigação para plantações utilizam água com arsênico.

Alguns alimentos, quando consumidos em excesso e quando há predisposição, podem favorecer o aparecimento de algum câncer c(Imagem: Reprodução/ Rudy and Peter Skitterians/ Pixabay)
Alguns alimentos, quando consumidos em excesso e quando há predisposição, podem favorecer o aparecimento de algum câncer c(Imagem: Reprodução/ Rudy and Peter Skitterians/ Pixabay)

11. Churrasco: carnes assadas em altas temperaturas favorecem a liberação de produtos químicos, como as aminas heterocíclicas (AHCs) e hidrocarbonos policíclicos aromáticos (HPAs). Segundo experimentos feitos em laboratório, esses produtos conseguem desencadear alterações no DNA que, por sua vez, podem aumentar o risco de câncer.

12. Álcool: segundo o Instituto Nacional do Câncer, nos EUA, "o risco de desenvolver câncer aumenta com a quantidade de álcool que uma pessoa ingere" e alguns dos tipos podem ser o de garganta e o de fígado, por exemplo. Nesse caso, é preciso observar a frequência e a regularidade do hábito, também.

13. Escapamento de motor à diesel: isso porque o óleo diesel é composto por mais de 30 componentes potencialmente cancerígenos, segundo a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC). Um dos riscos está em inalar partículas desse produto, após a combustão.

14. Sal e alimentos em conserva: o consumo excessivo de alimentos em conserva pode aumentar o risco de câncer de estômago, de acordo com a American Cancer Society. Por exemplo, um prato bastante popular na China, o peixe curado com sal, é rico em nitratos e nitritos, conhecidos carcinógenos em animais e que também aumentam o risco em humanos, já que podem danificar o DNA.

15. Carnes processadas: são potencialmente perigosos os alimentos como presunto, bacon e salsicha, segundo a OMS. Inclusive, um levantamento de 15 estudos sobre câncer de mama verificou que pessoas que consomem, com maior frequência, carnes processadas têm um maior risco em desenvolver câncer de mama. Em comparação com quem não consome, o risco está calculado em 9%, de acordo com artigo do International Journal of Cancer.

Inalar durante longos períodos resíduos de madeira pode ser um hábito cancerígeno (Imagem: Reprodução/ Joenomias/ Menno de Jong/ Pixabay )
Inalar durante longos períodos resíduos de madeira pode ser um hábito cancerígeno (Imagem: Reprodução/ Joenomias/ Menno de Jong/ Pixabay )

16. Poeira de madeira: o risco é potencializado para trabalhadores de serrarias e marceneiros, porque respiram com muita frequência essa poeira durante as etapas do trabalho. De acordo com o Inca, “há associação entre exposição a poeira de madeira e câncer de cavidade nasal, seios paranasais, laringe, pulmão, estômago, cólon e reto, leucemia, linfomas e mieloma múltiplo”.

17. Produtos usados no fraturamento hidráulico: pode parecer algo completamente distante, mas este é um método muito comum para a extração de combustíveis líquidos e gasosos do subsolo. É potencialmente perigoso para a saúde, porque nesse procedimento produtos químicos usados (como benzeno e formaldeído), conhecidamente causadores de câncer, podem ser liberados no ar e nas águas, contaminando a região.

18. Amianto: por muitos anos, o amianto foi utilizado na indústria pela sua abundância e baixo custo, inclusive na indústria da construção civil (como em telhas). Entretanto, passou a ser é classificado como um material reconhecidamente cancerígeno para os seres humanos, segundo o Inca. Atualmente, seu uso está proibido em uma série de países.

19. Alguns herbicidas usados na agricultura: com a diversa gama de produtos usada nas plantações, cada caso precisa ser analisado em suas particularidades. Entretanto, cada vez mais pesquisas sugerem que determinados produtos químicos, usados na agricultura, podem aumentar as chances do aparecimento de câncer em trabalhadores rurais. Recentemente, houve uma grande disputa judicial nos EUA entre agricultores e a produtora do herbicida glifosato.

20. Estrogênios: o câncer de mama, por exemplo, não tem uma causa única, mas alguns fatores estão relacionados ao aumento do risco de desenvolver a doença, como o estímulo de estrogênio, tanto de dentro do corpo quanto de fora, de maneira não controlada. Vale lembrar que esse é um nome para uma série de hormônios relacionados à ovulação e desenvolvimento de características femininas.

Alguns tipos de vírus podem aumentar os riscos do aparecimento de tumores (Imagem: Reprodução/ Pete Linforth/ Pixabay )
Alguns tipos de vírus podem aumentar os riscos do aparecimento de tumores (Imagem: Reprodução/ Pete Linforth/ Pixabay )

21. Vírus: ser infectado por alguns tipos específicos de vírus podem aumentar, de forma indireta, as chances de um câncer, já que podem desencadear alterações genéticas nas células humanas. São os casos dos vírus da Hepatite B e C, por exemplo.

22. Genética: dessa vez, não adianta fugir. Isso porque o risco de determinados cânceres podem ser transmitidos de uma geração para a outra. Nese sentido, alguns tipos de câncer de mama podem ser considerados genéticos. Para esses casos, o importante é o acompanhamento rotineiro do estado de saúde da pessoa.

23. Obesidade: pessoas com obesidade podem ter um aumento significativo no risco de desenvolverem alguns tipos de câncer, como os de reto, esôfago, mama, tireoide, rim e pâncreas. No total, são 13 tipos de câncer associados a essa condição, segundo o Inca.

24. Formaldeído: conhecido também pelo nome de formol, o formaldeído é potencialmente cancerígeno. Isso porque o formol evapora em condições normais de temperatura e o contato direto com grandes concentrações é altamente perigoso à saúde humana. Inclusive, no Brasil, a Anvisa propõe a substituição desse agente por vários produtos.

25. Impantes: introduzir objetos estranhos em seu corpo, como um implante mamário de silicone, pode elevar os riscos de câncer, segundo a IARC. Inclusive, pacientes norte-americanas já iniciaram uma ação coletiva contra uma empresa de próteses, após desenvolveram câncer supostamente ligado a operação de implante.

Inalar gases tóxicos pode ser um fator de risco para o aparecimento de câncer (Imagem: Reprodução/ Foto-Rabe/ Pixabay)
Inalar gases tóxicos pode ser um fator de risco para o aparecimento de câncer (Imagem: Reprodução/ Foto-Rabe/ Pixabay)

26. Gases tóxicos: respirar um ar contaminado com gases tóxicos durante anos pode levar ao desenvolvimento de um câncer. Isso porque podem contaminar, gradualmente, o sistema respiratório das pessoas e outros órgãos.

27. Fuligem: o mais perigoso nessa questão é a inalação de fuligem e outras partículas poluentes vindas de queimadas, associada a alguns tipos de câncer, como de pulmão, esôfago e bexiga. O risco, no entanto, é maior para aqueles que têm contato diário com esse ar contaminado, como limpadores de chaminé.

28. Sílica: esse mineral é natural e pode ser encontrado na composição de pedras e da areia, por exemplo. Entretanto, o problema é quando trabalhadores da construção civil e de mineradores inalam partículas de sílica cortando, serrando ou perfurando uma rocha. De acordo com o Inca, "trabalhadores expostos à sílica, quando comparados com a população em geral, possui risco 2 a 3 vezes maior a câncer de pulmão".

29. Radiação: os raios X e os raios gama são conhecidos por sua capacidade cancerígena. Essa ligação entre radiação e risco de câncer fica ainda mais clara, quando se pensa nas pessoas que foram expostas a altas doses de radiação em um acidente nuclear, como o Chernobyl. Por outro lado, há tratamentos contra cânceres usando altas doses de radiação. Aqui, tudo depende da forma e da exposição.

30. Inflamações crônicas: infecções de longo prazo e doenças intestinais que se prolongam para longos períodos, por exemplo, podem danificar, de forma singnificativa, o DNA de uma pessoa e, consequentemente, elevar as chances desse paciente desenvolver algum tipo de câncer.

Alguns tipos de plásticos, quando aquecidos, podem liberar substâncias cancerígenas (Imagem: Reprodução/ Hans Braxmeier/ Pixabay )
Alguns tipos de plásticos, quando aquecidos, podem liberar substâncias cancerígenas (Imagem: Reprodução/ Hans Braxmeier/ Pixabay )

31. Alguns plásticos: eles realmente são perigosos, especialmente, quando aquecidos com alimentos. Isso porque esse aquecimento pode liberar substâncias nocivas e, potencialmente, cancerígenas, como a dioxina, o bisfenol A (BPA) e os ftalatos. Como é difícil ter segurança quanto à presença ou não dessas substâncias nos plásticos, a recomendação, por exemplo, é nunca aquecer alimentos neles, muito menos fazer mamadeiras para crianças em recipientes com BPA. Muitos fabricantes já colocam nas embalagens de vasilhas, copos, garrafas e mamadeiras a inscrição "BPA Free", associando-a ao uso seguro do utensílio.

32. HPV: entre as infecções virais, o papilomavírus humano é uma família comum de vírus sexualmente transmissíveis e pode colaborar com o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como o peniano, o vaginal e o anal. Por esse motivo o CDC, nos EUA, recomend a vacinação contra o HPV para os jovens.

33. Refrigerantes: embora sejam um produto muito consumido, especialmente por crianças, alguns refrigerantes podem representar riscos para saúde. Isso porque contêm a substância 4-MI, classificada como possivelmente cancerígena pela IARC. É encontrada no corante Caramelo IV, muito usado nos processos de fabricação dessas bebidas.

34. Bebidas quentes: mais do que queimar a língua de uma pessoa, o consumo intenso de bebidas quentes pode elevar os riscos de câncer na garganta. Pesquisas realizadas na América do Sul e no Irã avaliaram os riscos desse consumo e confirmaram a hipótese. Entretanto, esse é um risco relativamente pequeno e bem simples de contornar.

35. Acrilamida: é uma substância que se forma quando alguns alimentos (como pães, biscoitos, batatas e café) são fritos, grelhados ou torrados em altas temperaturas. Ainda se discute se a substância e esses produtos, após passarem por esse processo, são realmente cancerígenos. De acordo com a IARC, são "carcinógenos prováveis".

Nem tudo está acabado

Embora haja uma lista consideravelmente grande de hábitos que possam se relacionar com o aparecimento do câncer, a boa notícia é que as taxas de sobrevivência ao câncer estão aumentando anualmente. Isso porque a detecção ocorre de forma muito mais precoce, há mais esforços de prevenção e melhores tratamentos disponíveis.

Nesse cenário, companhas contra o uso de tabaco e a favor do uso do protetor solar, incluindo uma série de exames preventivos, como o autoexame para câncer de mama, são eficazes para reduzir o número de casos fatais da doença. Além disso, acompanhamento médico regular é um importante fator para melhorar as chances de sobrevivência.

Mesmo que hábitos diários, como consumo de alimentos e comportamentos, possam contribuir para o desenvolvimento de determinados tipos de câncer, vale lembrar que os cientistas vivem uma busca constante por novas terapias e tratamentos contra uma das pelo menos 100 variações de câncer conhecidas.

Fonte: Canaltech

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Teste rápido APÓS VACINA contra covid: 4 razões para fugir dele, segundo cientistas

Com avanço da vacinação, ainda que lentamente, brasileiros têm buscado testes que medem anticorpos para supostamente checar se estão protegidos contra a covid-19. Entenda por que esses testes não são essa resposta, segundo pesquisadores.

1 jun 2021


'Teste sorológico rápido feito na farmácia não vai medir se a pessoa está protegida ou não após a vacina', diz Silvia Costa, da USP
'Teste sorológico rápido feito na farmácia não vai medir se a pessoa está protegida ou não após a vacina', diz Silvia Costa, da USP
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Tomei vacina contra a covid-19, fiz um teste rápido de anticorpos e deu negativo. Devo entender que a vacina não fez efeito?

Você não deve ter essa interpretação e nem mesmo deveria ter feito esse tipo de teste com essa finalidade, segundo cientistas.

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A BBC News Brasil ouviu especialistas em biologia, virologia e doenças infecciosas e explica, em quatro pontos, por que o teste rápido de anticorpos não deve ser usado como forma de "checar se a vacina fez efeito".

"Um teste sorológico rápido feito na farmácia não vai medir se a pessoa está protegida ou não após a vacina. Tome cuidado com isso", diz Silvia Costa, médica especialista em doenças infecciosas e professora da Universidade de São Paulo (USP).

A bióloga Natalia Pasternak, fundadora do Instituto Questão de Ciência, também faz este alerta.

"Testes rápidos de anticorpo de farmácia não servem para dar uma resposta individual, se você está protegido ou não. Eles não servem para isso, eles só servem para fazer análises populacionais. É jogar dinheiro fora e criar minhoca na cabeça. A pessoa vai ficar preocupada à toa."

E provoca: "Eu gostaria de saber quem levou os filhos pequenos, após tomar vacina contra sarampo, para fazer teste de anticorpo pra ver se a vacina pegou. Não, né, gente? A gente simplesmente vacina nossos filhos. É a mesma coisa."

A explicação sobre por que esses testes não são uma forma de verificar como seu corpo reagiu à vacina tem a ver com a baixa sensibilidade deles e com o fato de analisarem só um pedaço da resposta do sistema imunológico. Veja as quatro razões principais:

1. Testes rápidos de anticorpos foram elaborados contra infecção viral (e não vacina)

O virologista Flávio da Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV) e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que, primeiro, devemos lembrar que esses testes não foram desenvolvidos com a finalidade de checar como o corpo reagiu a vacinas.

"Esses testes foram todos construídos e testados contra infecções virais. Nenhum teste foi desenvolvido contra a vacina. Então há variações na resposta imune que os testes podem não pegar", resume o pesquisador, que integra o Comitê Permanente de Enfrentamento do Novo Coronavírus da UFMG.

Testes sorológicos, segundo os especialistas, têm papel importante do ponto de vista coletivo - quando são feitos em muitas pessoas em uma determinada comunidade, ajudam a responder sobre a circulação do vírus naquele ambiente.

"O teste sorológico é importante para ver quanto o vírus já circulou. Por exemplo, eu faço em Manaus, após a detecção da P1, e aí vejo, entre assintomáticos, quem já tem a sorologia positiva", explica Silvia Costa.

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Teste sorológico é importante para ver quanto o vírus já circulou em uma comunidade, por exemplo
Teste sorológico é importante para ver quanto o vírus já circulou em uma comunidade, por exemplo
Foto: Science Photo Library / BBC News Brasil

2. Rápidos, mas com baixa sensibilidade

O segundo ponto a ser levado em conta, quando se trata da tentativa de chegar a uma resposta individual, é que esses testes não vão além de uma resposta de "sim ou não".

"O teste de farmácia, rápido, é o menos sensível. Ele só tem uma vantagem: é rápido. Ele tem uma taxa de falso negativo elevada e, por ser um teste de verificação visual, a sensibilidade dele é menor", diz Fonseca.

Pasternak também aponta que esse tipo de teste tem taxa de erro alta e que depende de uma determinada quantidade de anticorpos para ser capaz de detectá-los na amostra de sangue.

"Mesmo que você não esteja dentro dessa faixa de erro - ou seja, o teste 'funcionou', mas não acusou anticorpos -, tem a questão da sensibilidade do teste, do quanto você precisa ter minimamente de anticorpos no sangue naquele momento que você testou para que o teste tenha capacidade de detectar", diz ela.

Esse é um dos motivos que explicam por que um resultado negativo nesses testes não significa necessariamente que você não tem anticorpos.

3. Só medem um componente da resposta imune

'O que disse que a vacina funciona são os testes clínicos de fase 3, quando a gente comparou grupo de pessoas vacinadas com grupo de pessoas não vacinadas', diz Pasternak
'O que disse que a vacina funciona são os testes clínicos de fase 3, quando a gente comparou grupo de pessoas vacinadas com grupo de pessoas não vacinadas', diz Pasternak
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Outra razão central pela qual os cientistas não recomendam o teste como forma de checar efeito da vacina é que eles só medem um componente da resposta do sistema imunológico.

"Há outros componentes da resposta imune que você não mede ao fazer teste sorológico. Ele mede simplesmente anticorpos", diz Fonseca.

Pasternak reforça que, mesmo para um corpo vacinado e preparado para reagir a uma infecção, o teste poderia dar negativo, já que ele mede só um componente da resposta imune.

"Esse teste não consegue dizer se você tem células de memória, se você tem resposta celular de linfócitos T… Ele só vai te dizer um tipo de anticorpo e só se a quantidade for detectável de acordo com a sensibilidade do teste. Isso não quer dizer que você não está protegido. Você pode estar cheio de células de memória, prontinhas para secretar um monte de anticorpos no seu sangue na hora que você tiver contato com o vírus", diz.

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Dependendo do teste e da vacina tomada, ele pode nem mesmo estar buscando identificar o elemento correto.

"Os testes de farmácia geralmente procuram anticorpos contra a proteína N, do núcleo capsídeo, e não a proteína S, da espícula, que é justamente a proteína que está presente na maior parte das vacinas. Então, todas as vacinas que trabalham com subunidade ou as vacinas genéticas vão gerar anticorpos contra a proteína S e isso não vai aparecer no teste de farmácia porque ele procura anticorpos contra a proteína N", explica Pasternak.

4. Comportamento do sistema imunológico não é estático

Outro ponto é que o resultado do teste seria uma fotografia do momento e não te daria uma garantia de como seu corpo estará amanhã ou depois, dizem os especialistas.

"O comportamento do sistema imunológico não é estático, ele é dinâmico. Então, se fizer um teste hoje, amanhã o resultado será diferente. Para chegar a uma conclusão, tem que ter pelo menos dois pontos - um comparando com outro, para entender a dinâmica", diz Fonseca.

Os pesquisadores ainda buscam identificar quanto tempo a vacina terá efeito em nosso corpo. Enquanto isso e com a circulação do vírus tão alta como está no Brasil, esclarecem que as pessoas devem confiar nos testes de eficácia das vacinas, além de tomar as duas doses e não abandonar medidas de proteção - como uso de máscaras, distanciamento social e evitar principalmente locais fechados.

"Quase todas as vacinas até o momento precisam de duas doses e essa proteção vai ocorrer após, pelo menos, duas semanas da segunda dose. Então, entre uma e outra, se o indivíduo tiver uma exposição, ele pode ter a doença e pode ser grave. Em menos de duas semanas após a segunda dose, também. Então as pessoas precisam continuar se protegendo", diz Silvia Costa.

Pasternak reforça que a eficácia da vacina já está testada e que as pessoas precisam entender que a vacinação é um movimento coletivo e não individual:

"Confie nos testes clínicos. O que disse que a vacina funciona são os testes clínicos de fase 3, quando a gente comparou grupo de pessoas vacinadas com grupo de pessoas não vacinadas. A vacina é uma atividade coletiva, não é uma atividade individual. Ela funciona na população: quanto maior o número de pessoas vacinadas, mais a doença deixa de circular e ficamos todos protegidos."

E os testes sorológicos de laboratório?

Testes sorológicos feitos em laboratórios são mais sensíveis que os de farmácia, mas também não servem para 'checar' vacina
Testes sorológicos feitos em laboratórios são mais sensíveis que os de farmácia, mas também não servem para 'checar' vacina
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Os testes sorológicos feitos em laboratórios são mais sensíveis que os de farmácia e podem, segundo os pesquisadores, mostrar resultados diferentes em relação aos resultados aferidos num teste rápido.

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Mesmo assim, não recomendam que as pessoas busquem esses testes com essa finalidade e sem acompanhamento médico.

"A sensibilidade do teste de um laboratório diagnóstico é muito maior, mas, de novo, só vai te dizer se você tem anticorpos, não vai te dizer que tipo de anticorpos são, não vai te dizer qual é a sua resposta celular, se você tem células de memória, então novamente você vai estar medindo apenas um aspecto da resposta imune, quando na verdade a resposta imune é muito mais ampla", diz Pasternak.

Silvia Costa diz que o resultado pode ser um relaxamento indevido ou uma preocupação desnecessária.

"As pessoas podem ficar preocupadas se o teste for negativo e ao contrário, também podem achar que são superprotegidas com um teste que não tem um significado de proteção. Então, não recomendamos a realização do teste sorológico após a vacina. Pode só criar esse estresse, essa preocupação."

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