quarta-feira, 12 de outubro de 2016

12 pontos para você entender o funcionamento do voto distrital

Primeiro Ponto - Do jeito que tá, não dá

"Quem aqui foi eleito, mas quase não foi votado e entrou no vácuo de outro deputado, favor levantar a mão"
"Quem aqui foi eleito, mas quase não foi votado e entrou no vácuo de outro deputado, favor levantar a mão"
Nas últimas semanas, manifestações que nasceram da articulação à esquerda acabaram ganhando a adesão de multidões compostas por representantes de todo o espectro político brasileiro, inclusive do pessoal da extrema direita e daquela turma que grita "Anauê" com o braço esticado.
Foi desse jeito meio confuso que aportou, no Brasil, o Cisne Negro de Taleb, surpresa que deixou partidários de esquerda e de direita um bocado perdidos em suas tentativas de, pela retórica ou pela manipulação midiática, apropriarem-se de tal fenômeno.
Nessa diversidade de orientações políticas, poucos pontos em comum podem ser encontrados nas multidões que ocupam ruas e avenidas. Apenas uma coisa parece ser consensual: algo precisa ser mudado.
Do jeito que está, não dá mais.
Mas mudar o que, exatamente? Destruir tudo parece coisa de criança. Na verdade, o que a História nos ensinou é que, muitas vezes, pequenas e discretas mudanças podem ser muito mais efetivas do que radicais e repentinas transformações. Que nos diga a maquinazinha de Gutenberg. É preciso pensar muito bem antes de dar os primeiros passos, pois a direção a ser tomada é, às vezes, muito mais importante que a velocidade da mudança.
No começo de qualquer caminhada, uma pequena alteração na trajetória inicial pode, anos mais tarde, representar uma gigantesca diferença no destino final.

Segundo ponto - Estamos sozinhos nessa história

Estamos sozinhos, mas não solitários (Foto: Guilherme Burgos)
Estamos sozinhos, mas não solitários (Foto: Guilherme Burgos)
Foi aí que o pessoal que está no poder há mais tempo do que seria desejável para o fortalecimento de uma democracia jovem (independentemente dos méritos e deméritos de tais governantes) colocou em pauta a possibilidade de uma reforma política no Brasil. Sejam boas ou más as intenções por trás dessa proposta, ocorra ou não um plebiscito ou um referendo, o fato é que os holofotes finalmente se voltam para um assunto fundamental: o sistema eleitoral que nós, cidadãos, desejamos.
Quanto a esse ponto, independentemente de nossas inclinações ideológicas, se de direita ou esquerda, um fato devemos ter sempre em mente: as últimas pessoas que devemos consultar sobre esse assunto são os próprios congressistas. E porque isso? Porque eles são maus? Porque são ladrões? A resposta é muito mais simples e inclui congressistas honestos e corruptos: porque eles foram eleitos pelo sistema que está aí (e muitos deles diversas vezes reeleitos).
Portanto, esperar que os atuais congressistas nos esclareçam a questão com honestidade, ou que decidam espontaneamente alterar o sistema político que os beneficiou, é o mesmo que esperar que o vencedor de uma partida altere as regras de um jogo no qual ele já se tornou craque. É o mesmo, enfim, que incumbir a raposa de projetar um novo sistema de defesa para a proteção do nosso galinheiro.
Então, sinto muito: nós, cidadãos, estamos totalmente sozinhos nessa história. Precisamos descobrir por nós próprios qual o sistema político que nos convêm e, feita essa descoberta, exigir dos atuais congressistas a mudança desejada. Força já percebemos que não nos falta.
Este texto pretende colaborar e abrir um pouco mais de espaço para a discussão sobre nosso sistema político. E começamos com uma pergunta. O que é, afinal, voto distrital?
A melhor forma de começar a responder é explicando como funciona o sistema atual.

Terceiro ponto - O que é o Sistema Proporcional

O deputado federal Tiririca (PR), nas eleições de 2010, teve a maior votação do Brasil e “puxou” mais três candidatos que, sozinhos, não seriam eleitos
O deputado federal Tiririca (PR), nas eleições de 2010, teve a maior votação do Brasil e “puxou” mais três candidatos que, sozinhos, não seriam eleitos
O sistema proporcional é, hoje em dia, o sistema pelo qual elegemos Deputados Federais, Deputados Estaduais e Vereadores. Por ser o de mais fácil compreensão, vamos usar, como exemplo, a eleição de Deputados Federais.
Hoje, o eleitor vota em qualquer candidato de qualquer partido que concorra em seu Estado. O morador de Cacimbaúna do Sul pode votar em Aldegundo Percegonha, garboso candidato do Partido Urbanista, cuja carreira política esteve sempre vinculada a outra cidade, situada no extremo oposto do mesmo Estado. As razões para alguém votar em um sujeito, assim, tão distante de sua própria comunidade, podem ser várias: Aldegundo Percegonha pode ser bonitão, ou um grande artista, ou ter um bom discurso, ou ser um craque no futebol, e por aí vai.
No sistema proporcional, além disso, votar em um candidato significa votar, indiretamente, no partido do candidato (o tal "voto na legenda"). E isso acaba beneficiando outros candidatos desse partido, ainda que o eleitor não conheça nenhum deles e apenas queira votar no Aldegundo Percegonha, um cara simpático. Vamos explicar mais adiante como isso funciona, mas já tenha isso em mente agora.

Quarto ponto - A herança do vovô Getúlio para seus netinhos

"Pô... de nada"
"Pô... de nada"
No Brasil, esse sistema proporcional começou a ser montado a partir 1932, momento da ascensão de Getúlio Vargas ao poder. E foi montado com um objetivo claro. Nas palavras de Fábio Comparatoa intenção era criar um sistema eleitoral "duplamente fraco", tanto "pela ampla liberdade de criação de partidos" como "pela introdução de voto em candidatos individuais, e não em partidos" (em A Necessária Reformulação do Sistema Eleitoral  Brasileiro, ed. Del Rey, 1996). Todo mundo sabe o que aconteceu depois: Estado Novo, totalitarismo, repressão.
Trata-se de um sistema que, aparentemente, possibilita que pequenos partidos tenham acesso ao poder. Porém, a consequência prática é pulverizar a representação dos interesses da população em inúmeros partidos. Dividir para conquistar, uma técnica utilizada por Getúlio Vargas com muito sucesso, e que os militares empregaram décadas mais tarde, durante a Ditadura Militar, pouco antes de saírem do poder -- para tentar conter o avanço dos opositores ao regime.
E o resultado é o que vemos hoje no Brasil: um excessivo número de partidos, exigindo que os governantes costurem sua base parlamentar com a agulha dos favorecimentos pessoais, distribuindo cargos entre várias legendas para, através de acordos e apadrinhamentos, alinhavar o apoio do Poder Legislativo.
Além disso, o sistema proporcional faz com que os holofotes da campanha eleitoral estejam voltados para a pessoa de cada candidato, e não para o programa do partido, já que o eleitor pode escolher entre dezenas de candidatos de diversos partidos atuantes em todo seu estado, e isso abre demais o leque de opções.
Como diferenciar vários candidatos de um mesmo partido, senão ressaltando suas diferenças individuais, em detrimento do programa partidário? Essa é uma das causas daquele problema diagnosticado com precisão pelo Ministro Joaquim Barbosa, gostemos ou não das outras posturas do Ministro:

“Nós temos partidos de mentirinha. Nós não nos identificamos com os partidos que nos representam no Congresso, a não ser em casos excepcionais. Eu diria que o grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em nenhum dos partidos.

E nem pouco seus partidos e os seus líderes partidários têm interesse em ter consistência programática ou ideológica. Querem o poder pelo poder.”

Quinto ponto - Ganha um montão de votos e não se elege? Senta e chora

Em 2002, por exemplo, Enéas Carneiro conquistou 1,5 milhão de votos na eleição para deputado federal em São Paulo e levou para a Câmara outros quatro deputados do Prona. O último eleito do Prona naquela ocasião recebeu 382 votos
Em 2002, por exemplo, Enéas Carneiro conquistou 1,5 milhão de votos na eleição para deputado federal em São Paulo e levou para a Câmara outros quatro deputados do Prona. O último eleito do Prona naquela ocasião recebeu 382 votos
Algo muito curioso é que, no sistema proporcional, não basta um candidato obter determinado número de votos para que se consagre vencedor. É necessário mais. É preciso que seu partido, no somatório de todos os votos dados a seus candidatos, tenha recebido um determinado número mínimo de votos. Esse número mínimo de votos é conhecido como quociente eleitoral, e é obtido por meio de uma fórmula matemática aplicada a cada eleição, na qual se incluem o número de votos válidos e o número de vagas a serem preenchidas.
Mas deixemos os cálculos de lado. O que importa é que, se um partido não atingir esse "quociente eleitoral", nem mesmo seu candidato mais bem votado poderá ser eleito, ainda que esse candidato tenha conseguido um grande número de votos, inclusive superior ao de um rival cujo partido tenha, em sua totalidade, conseguido atingir aquele número mínimo de votos.
Essa é razão de partidos costumarem colocar como candidatos de sua legenda até mesmo pessoas sem chances concretas de vitória: o objetivo é arrebanhar, com pequenos candidatos, aquele número mínimo de votos que garantirá a efetiva eleição dos "candidatos com reais chances de vencer".
Afinal, se a dona da confeitaria da esquina de nossa for candidata, a gente acaba votando nele mesmo sabendo que não tem chances, porque ela é simpática e ainda faz um bolo de baba-de-moça que é uma delícia.

Sexto ponto - O "Efeito Barrichello" ou "Florentina de Jesus pra que tu me seduz"

Não, não esse efeito
Não, não esse efeito
Já dissemos que, quando o eleitor de Cacimbaúna do Sul vota em Aldegundo Percegonha, ele acaba, querendo ou não, também votando no Partido Urbanista, voto esse que beneficiará outros candidatos da legenda. É como se outros candidatos viessem atrás daquele com maior número de votos e aproveitassem o "vácuo" para vencer a resistência do ar.
Tipo “Fórmula 1”, tá ligado?
Em resumo, o que o TSE faz a cada eleição é calcular, com base no quociente eleitoral, o número de vagas a ser distribuída para cada partido que "venceu" a barreira representada por esse mesmo quociente eleitoral. Basicamente, divide-se o número total de votos dados a um partido por aquele número mínimo de votos necessários para eleger um deputado, e o resultado da divisão é o total de vagas destinado a esse partido.
Em outras palavras, cada vez que o número total de votos em um partido "bate" o "quociente eleitoral", sua legenda tem direito a mais uma vaga. O número de vagas resultante é o "quociente partidário", diferente para cada partido em uma eleição.
Com esse número de vagas nas mãos, cada partido deverá preencher as vagas a quem tem direito com seus candidatos, e isso na ordem decrescente de número de votos recebidos pelos candidatos de sua legenda.
É essa característica do sistema proporcional que explica, por exemplo, fenômenos curiosos como o caso do Delegado Protógenes e de outros dois candidatos que, em 2010, receberam um número pouco expressivo de votos mas, apesar disso, foram eleitos Deputados Federais por São Paulo.
Apesar de seu desempenho sofrível nas urnas, ingressaram na Câmara dos Deputados pela simples razão de que outro candidato de sua legenda, o Tiririca, ganhou tantos votos que, pelo cálculo do TSE, o partido tinha direito não só a uma vaga (a do Tiririca) mas a outras tantas vagas, que foram preenchidas por candidatos sem muito apoio dos eleitores.

Sétimo ponto - Ganhou só um voto, loser? Epa, parabéns Deputado!

Veja o caso do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP). Ele obteve em 2010 nada menos que 211 mil votos. Não atingiu o quociente eleitoral daquela eleição, que em São Paulo foi de 305 mil votos. Portanto, veio “puxado”, como se diz no jargão eleitoral *
Veja o caso do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP). Ele obteve em 2010 nada menos que 211 mil votos. Não atingiu o quociente eleitoral daquela eleição, que em São Paulo foi de 305 mil votos. Portanto, veio “puxado”, como se diz no jargão eleitoral *
*de acordo com a Revista Voto.
Outra curiosidade desse sistema é que, por sua lógica, é possível que um candidato seja eleito apesar de ter recebido apenas um voto: o seu -- ou, se for esquizofrênico, o de sua mãe. Isso pode ocorrer se a legenda tiver poucos candidatos, como é típico de partidos "nanicos", mas um deles for, por exemplo, alguma celebridade capaz de atrair milhões de votos.
Esses milhões de votos, digamos para simplificar, "sobram" e, no cálculo com base no quociente eleitoral, acabam garantido vagas para outros candidatos do partido, respeitada a ordem em que foram votados. É na verdade o tal quociente partidário. Se esse partido tiver poucos candidatos alistados na eleição, o último deles na ordem de votação, aquele que recebeu apenas um voto, acabará recebendo uma das vagas reservadas ao partido.

Oitavo ponto - Sistema Distrital puro não é coisa de nazista nem de virgem

"Votaê, molecada"
"Votaê, molecada"
O sistema distrital tem uma lógica diferente. Nele, o eleitor não pode votar em qualquer candidato que concorra a deputado em seu Estado, mas apenas nos candidatos inscritos pelos partidos em seu "distrito". Distrito, por sua vez, é uma subdivisão do Estado, que pode ser maior, menor ou do tamanho de um município, a depender de como será feita a divisão.
Outra diferença em relação ao sistema proporcional é que, no sistema distrital, cada partido só pode apresentar um candidato por distrito. Os vencedores da eleição são, simplesmente, aqueles candidatos que mais receberam votos em cada um dos distritos nos quais é dividido o Estado.
Portanto, cada distrito elege um candidato, e esse candidato é foi único que representou, no distrito, o seu partido.
Isso significa que, durante o mandato legislativo, todos os eleitores de determinado distrito sabem exatamente qual o candidato foi eleito por sua região. Ele tem nome, endereço e cara facilmente identificáveis por esses eleitores (mesmo pelos que votaram em outro candidato), e todos eles podem acompanhar sua atuação política de perto.
Além disso, há estreita associação entre o partido e o candidato: o distrito elegeu não apenas um indivíduo, mas apoiou determinado partido por ele representado.
Em razão disso, pode ocorrer uma situação interessante. O João da Silva acorda, passa na padaria e fala para o padeiro: "viu o que o bosta do teu candidato fez naquela votação do Congresso? Na próxima eleição, a gente tem que escolher outro partido".

Nono Ponto - Palhaços e representantes sectários têm poucas chances

"Mas aí cê me complica"
"Mas aí cê me complica"
É comum, no sistema proporcional, que determinadas classes profissionais elejam seu "representante" no Congresso. Afinal, o somatório dos votos desses profissionais espalhados pelo Estado pode garantir uma vaga para seu "colega". O mesmo pode ser dito em relação a alguma celebridade da mídia, cujos fãs, distribuídos no estado, formam o caminhão de votos necessários para chegar-se ao poder.
Uma das vantagens do sistema distrital é que fica muito mais difícil a eleição de candidatos apoiados por "grupos de interesses sectários" ou por fãs daquela celebridade engraçadinha que aparece na televisão. A razão é que esses eleitores estão, de regra, distribuídos por todo o Estado, mas não teriam força em um distrito específico, composto pelos moradores de alguns bairros ou municípios. Outra vantagem é eliminar aquela situação estranha, em que um candidato com pouquíssimos votos acaba sendo eleito por causa de um outro candidato de maior expressão.

Décimo ponto - Pureza demais é para aquela nossa tia beata e solteirona

"Lá em cima", ou se vota em um (partido) ou no outro
"Lá em cima", ou se vota em um (partido) ou no outro
Mas nem tudo são flores. Esse sistema, se aplicado de forma simples assim, pode resultar em alguns problemas. Um deles é a possibilidade de um partido obter mais da metade das vagas de deputado, embora tenha obtido menos da metade do total de votos no Estado inteiro -- ou seja, suas posições predominarão no Congresso, apesar de não ter o apoio da maioria da população.
A causa disso é simples.
Tenha em mente que, em cidades maiores, mais populosas, um pequeno partido pode receber muitos votos se considerado o total de votos do Estado (nessa perspectiva, muitos eleitores do Estado votaram no partido), mas poucos votos se considerarmos os votos dados a outros candidatos naquela grande cidade (em tal perspectiva, poucos eleitores na cidade votaram no partido).
E, afinal de contas, apenas o candidato mais bem votado no distrito é que leva a vaga, não importando o quão expressivo foi o número de votantes no segundo ou terceiro candidato.
Outro problema é a dificuldade de partidos minoritários ascenderem ao poder, pois um partido que tenha uma quantidade significativa de votos em todo Estado pode não conseguir, em nenhum distrito, votos suficientes para eleger sequer um candidato. A lógica é a mesma do problema anterior: a soma dos votos geral no Estado foi grande, mas em cada distrito não foi o bastante para dar o primeiro lugar ao seu candidato.
Na verdade, essa é uma das razões pelas quais se acredita que sistemas distritais acabam eliminando os pequenos partidos, que morrem "secos", e dando origem a sistemas bipartidários, como o que ocorre nos Estados Unidos, em que há apenas dois grandes partidos.

Décimo primeiro ponto - O que é o voto distrital "misto"

É para corrigir essas distorções que existe o sistema distrital que não é "puro", ou seja, o sistema distrital em que os candidatos não são eleitos apenas pela maioria dos votos em cada distrito. É o sistema dito "misto", pois mistura esse tipo de escolha do candidatos em distritos com outro tipo de escolha, feita não em candidatos, mas em partidos. Só que, diferente do sistema proporcional, o voto no partido é em separado, e não vinculado ao nome do candidato distrital.
Basicamente, ao votar para Deputado Federal, no sistema misto, o eleitor tem que votar duas vezes. O primeiro voto será em um candidato de seu distrito, o segundo será em um partido. No final das eleições, há duas espécies de vaga: aquelas destinadas aos vencedores em cada distrito, e outra destinada aos partidos que mais receberam voto em sua legenda. Mesmo se o partido não tiver obtido, em cada distrito, votos em número suficiente para eleger seus candidatos distritais, talvez consiga, no cômputo total dos votos feitos em sua legenda no Estado, algumas vagas no Congresso.
E como as vagas destinadas a esses votos dados aos partidos são preenchidas? Uma alternativa é deixar que o partido que ganhou a vaga decida livremente quem vai ocupá-la ("sistema da lista fechada").
Outra alternativa é deixar que os eleitores estabeleçam, na eleição mesmo, quais dos candidatos merecem ocupar essa vaga reservada ("sistema da lista aberta"). Uma terceira alternativa é a mistura das duas primeiras: os eleitores, em seu voto, limitam as escolhas dos partidos a uma lista de candidatos ("sistema da lista flexível").
O sistema distrital misto (e, principalmente, aquele da lista aberta), portanto, busca eliminar as desvantagens dos dois sistemas eleitorais, ao mesmo tempo em que apresenta as vantagens do sistema distrital.

Décimo segundo - Não gostou? Assiste na TV os outros mandarem por você

Lolz
"Muito complexo isso, cara! Democracia exige demais, pensei que era mais fácil. Achei que era só apertar uns botões e pronto (ou, no futuro, curtir um candidato no Facebook). Não tenho saco para pensar em partidos, eleições, essa coisa toda. No final das contas, são todos uns ladrões, né? Dizer que vou votar nulo porque são todos ladrões me livra de decidir algo e, ainda por cima, me faz parecer inteligente, um cara tão entendido de política que ficou cético.
Se, no vácuo da minha indiferença ou preguiça, surgir um líder autoritário levado ao poder pelos outros, não vou ter direito de reclamar - mas, pelo menos, vai dar para posar de entendido e dizer 'eu avisei'."
Pois é meu amigo. A democracia é complicada, tão complicada quanto mandar no seu próprio nariz, pagar suas contas, decidir a cada dia os rumos de seu futuro pessoal e profissional.
Mas se você acha que é melhor fazer como o cara de cinquenta anos que ainda mora com os pais, recebe mesada da aposentadoria do velho papai e deixa a mamãe de cabelos brancos arrumar a cama todas as  manhãs, por mim tudo bem: cada um tem sua concepção sobre o que é ser feliz.

publicado em 14 de Julho de 2013, 21:00
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Não escrevo por achar que tenho talento, sequer para dizer algo importante, e sim por autocomplacência e descaramento: de todos os vícios e extravagâncias tolerados socialmente, escrever é o mais inofensivo. Logo, deixe-me abusar, aqui e como editor no site Ano Zero.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

A cada sete segundos uma menina é forçada a se casar no mundo

Por ocasião do Dia Internacional da Menina, organização Save the Children lança alerta sobre casamento infantil de jovens com menos de 15 anos. Brasil é 102º no ranking, que tem Suécia em primeiro.

Menina vítima de casamento infantil no Irã
A cada sete segundos uma menina com menos de 15 anos de idade se casa no mundo, aponta um relatório divulgado pela ONG Save the Children nesta terça-feira (11/10), Dia Internacional da Menina. Crianças de até dez anos são forçadas a se casar, frequentemente com homens mais velhos, em países como Afeganistão, Iêmen, Índia e Somália.
A ONG afirma que o casamento infantil não apenas priva as jovens de educação e oportunidades, mas também aumenta o risco de morte ou danos no parto se elas têm filhos antes de que seu corpo esteja preparado.
"O casamento infantil dá início a um ciclo de desvantagens que nega às meninas os direitos mais básicos de aprender, se desenvolver e ser criança", afirma a presidente da Save the Children International, Helle Thorning-Schmidt.
"Meninas que se casam cedo demais frequentemente não podem ir à escola e estão mais propensas a sofrer violência doméstica, abuso e estupro. Elas engravidam e são expostas a doenças sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV", alerta.
O relatório "Até a última menina. Livres para viver, livres para aprender, livres de perigo" apresenta um ranking com 144 países, classificando-os do melhor para o pior para as garotas com base no casamento infantil, na educação, na gravidez na adolescência, na mortalidade materna e no número de legisladoras mulheres.
Níger, Chade, República Centro-Africana, Mali e Somália aparecem nos últimos lugares do ranking. O país mais bem classificado é a Suécia, seguida por  Finlândia, Noruega, Holanda e Bélgica.
O Brasil aparece em 102º, com o relatório chamando a atenção que o país, apesar de ter a renda per capita média-alta, apresenta altos níveis de gravidez na adolescência e casamentos de crianças. O Brasil, destaca o relatório, está apenas três posições acima do Haiti, por exemplo.
Pesquisadores afirmam que conflitos, pobreza e crises humanitárias são fatores que deixam meninas expostas ao casamento precoce. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que o número de mulheres que se casam antes dos 18 anos passe dos 700 milhões atuais para cerca de 950 milhões em 2030.
LPF/rtr/efe

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Abelhas entram na lista de espécies em risco de extinção (EUA)

As abelhas estão morrendo aos montes e muito rápido. O que tem deixado muita gente preocupada, já que elas são peças chave do nosso ecossistema. Na sexta-feira (30) o U.S. Fish and Wildlife Service (órgão semelhante ao Ibama) determinou que 7 espécies de abelhas da família Hylaeus precisam de proteção federal.
As abelhas são do Havaí e no começo do século 20 eram os insetos mais abundantes da região. Devido a perda de habitat, espécies invasivas e da mudança climática, elas já não são vistas com tanta frequência. Os humanos, inclusive, são um dos grandes responsáveispela destruição do habitat das abelhas.
A família Hylaeus está sendo prejudicada por sua própria espécie também. Uma abelha da Índia do mesmo gênero tem tomado conta do território – nidificando nos mesmos locais e competindo pelas mesmas flores.
Elas também enfrentam forte concorrência de “formigas aliens”, que são designadas dessa forma porque o Havaí não tem formigas nativas. Essas formigas comem as larvas das abelhas.
Jason Graham, entomologista da Universidade do Havaí, se tornou um dos principais especialistas de abelhas da região e desenvolveu uma colmeia artificial para ajudá-las com o problema das formigas. De acordo com a National Geographic:
“Estas colmeias artificiais são blocos de madeira pré-perfurados com furos do tamanho que as abelhas procuram para colocar os ovos” disse ele. O fio que junta os blocos de madeira com os galhos das árvores são cobertos com uma substância pegajosa que evita que predadores, como as formigas, entrem.
A criação ajuda, mas ainda não é o suficiente para evitar problemas com humanos, por exemplo. Colocá-las na lista de espécies em risco de extinção vai, pelo menos, proteger os habitats mais críticos.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Tratamento para câncer de próstata nem sempre é necessário, aponta pesquisa médica

Vigilância ativa
Apenas ficar de olho nos exames de acompanhamento do câncer de próstata resulta na mesma taxa de sobrevivência que tratar o câncer.
Esta é a conclusão de pesquisadores das universidades de Oxford e Bristol (Reino Unido), que alertam que muitos homens estão passando por procedimentos desnecessários que resultam em danos sérios à saúde e à qualidade de vida, como prejuízos à sua vida sexual e incontinência urinária.
A conclusão veio depois que eles acompanharam, durante 10 anos, 1.643 homens diagnosticados com pequenos cânceres de próstata. Os resultados mostraram a mesma taxa de sobrevivência de 99% após uma década entre aqueles que se submeteram a cirurgia e radioterapia e aqueles que simplesmente acompanharam o tumor por meio de exames de PSA.
Reconfortante
Os especialistas afirmam que os resultados são "extremamente reconfortantes" para os homens.
"É um problema global que os pacientes estejam sendo sobretratados," explica o Dr. Freddie Hamdy, coordenador do estudo. "É compreensível, se homens de 55 anos de idade recebem um diagnóstico de câncer, e eles têm uma família, podem não querer correr riscos."
O problema é que essa ansiedade pelo tratamento, para o caso dos pacientes sem tumores agressivos, gera prejuízos na forma de efeitos colaterais, sem praticamente trazer benefícios, diz o especialista.
Além dos 10 anos
As taxas de sobrevivência foram as mesmas entre o grupo do acompanhamento e do tratamento, mas o grupo do tratamento apresentou o dobro do risco de apresentar incontinência e problemas de impotência sexual, que ocorreram principalmente naqueles que passaram por uma cirurgia. A radioterapia aumentou o risco de problemas intestinais.
Mas há um preço para a opção da chamada vigilância ativa - o câncer da próstata progrediu em um em cada cinco casos (20%) do grupo de acompanhamento. Estes homens puderam ainda ser tratados, e não tiveram redução na expectativa de vida durante os 10 anos do estudo - mas a equipe afirma que sua sobrevivência poderá ser afetada a longo prazo, sendo necessários estudos de acompanhamento mais longos para aferir essa possibilidade.
"Esta foi a primeira vez que tratamentos de radioterapia, cirurgia e vigilância ativa foram comparados diretamente para o câncer de próstata. Cada tratamento tem diferentes impactos e efeitos, e precisamos seguimentos mais longos para ver como isso se equilibra além dos 10 anos," explicou o Dr. Jenny Donovan, coautor do trabalho.
Os resultados, publicados no New England Journal of Medicine, aplicam-se apenas aos tumores em estágio inicial - aqueles descobertos em um estágio mais avançado devem ser tratados prontamente, dizem os pesquisadores.

Ficar sozinho pode ser a melhor maneira de descansar

O que significa descansar
Os resultados de uma pesquisa em larga escala sobre o que as pessoas fazem para descansar indicam que, para se sentir plenamente descansado, ficar sozinho pode ser a melhor opção.
O "Teste do Descanso" foi uma pesquisa encomendada pela emissora britânica BBC a uma equipe internacional chefiada por pesquisadores da Universidade Durham (Inglaterra). Ao todo, participaram 18 mil pessoas de 134 países.
O objetivo era desvendar o que significa descansar para pessoas de diferentes partes do mundo. Afinal, o ato de descansar está longe de ter uma definição única e direta. Por exemplo, o verbo se aplica apenas para o corpo ou também para a mente?
Descansar sozinho
Uma das questões do teste perguntava quanto tempo as pessoas haviam descansado no dia anterior: A média foi de três horas e seis minutos.
E o que cada um faz para descansar ou durante suas horas de descanso? "Ler" foi a atividade vencedora, seguida de "Estar em um ambiente cheio de natureza", "Estar sozinho", "Ouvir música", e "Não fazer nada".
O que chama a atenção é que a maioria das atividades indicadas é feita em situações nas quais as pessoas estão a sós.
Encontrar amigos e familiares, conversar ou beber socialmente foram atividades que ficaram bem mais abaixo no ranking das "melhores para se descansar". Isso não significa que as pessoas que responderam ao teste não são sociáveis ou não gostam de estar com os outros, mas apenas que não veem isso necessariamente como uma forma efetiva de descanso.
Isto se aplica tanto no caso de pessoas extrovertidas - que muitas vezes são definidas como pessoas que recarregam suas energias quando estão cercadas por muita gente -, quanto de introvertidas. No ranking das pessoas extrovertidas, essas atividades sociais até apareceram mais para cima, mas ainda bem abaixo das atividades consideradas "solitárias".
A sós consigo mesmo
O motivo pelo qual as pessoas preferem estar sozinhas pode ser explicado pela resposta que elas deram quando perguntadas sobre o que vem à mente quando estão fazendo atividades diferentes.
"As pessoas disseram que, quando estão sozinhas, em geral elas focam mais naquilo que estão sentindo, no seu próprio corpo e nas próprias emoções", afirmou Ben Alderson-Day, coautor da pesquisa.
A ideia de que quando as pessoas estão sozinhas, elas estão mentalmente conversando consigo mesmas é verdadeira apenas em parte, ao que parece.
"As pessoas disseram que só estavam conversando com elas mesmas por 30% do tempo," disse Alderson-Day. "Há um indício de que, quando você está sozinho, além de se desligar das outras pessoas, tem a chance de se desligar do seu próprio monólogo interno também."
Os resultados completos da pesquisa só serão publicados no próximo ano.

É hora de abandonar o exame de toque retal

Relíquia médica
Parece estar em curso uma revolução em uma das principais questões envolvendo os cuidados com a Saúde do Homem.
Se, de um lado, os especialistas defendem que o tratamento para o câncer de próstata nem sempre é necessário, agora é a prevenção que está passando por uma reavaliação.
O temido exame de toque retal, para verificar indícios de câncer de próstata, e que costuma afastar tantos homens do consultório médico, está tendo sua eficácia contestada.
"As evidências sugerem que, na maioria dos casos, é hora de abandonar o exame de toque retal," explica o urologista Ryan Terlecki, da Escola de Medicina Wake Forest (EUA). "Nossas descobertas provavelmente serão bem recebidas tanto pelos pacientes quanto pelos médicos."
Terlecki afirma que o toque retal, que muitos urologistas já chamam de "relíquia clínica", submete um grande número de homens a exames invasivos e desconfortáveis em nome de um benefício mínimo.
Além disso, ele faz com que muitos homens fujam de qualquer campanha de prevenção do câncer da próstata.
Toque retal versus PSA
A questão que a equipe de Terlecki se colocou é se o exame de toque retal é necessário quando está disponível um outro teste mais preciso, que mede o antígeno específico da próstata (PSA) no sangue. O PSA é uma proteína que frequentemente atinge níveis elevados em homens com câncer da próstata.
A equipe revisou toda a literatura médica que permitisse essa comparação, juntamente com resultados de um ensaio de rastreio no qual 38.340 homens fizeram simultaneamente exames anuais de toque retal e testes de PSA por pelo menos três anos. Esses homens foram então acompanhados por até 13 anos.
Dentre todos, a equipe centrou sua atenção em 5.064 homens que tinham um teste de PSA normal, mas resultados "anormais" no toque retal.
Sem saída
Apenas 2% dos homens com exame retal considerado anormal tinham o que é conhecido como câncer de próstata clinicamente relevante, o que significa que ele pode precisar ser monitorado ou tratado - em outras palavras, o exame de toque retal identificou apenas 2% de casos não identificados pelo exame PSA.
"O exame de toque retal captura uma pequena população adicional de homens com câncer de próstata, mas também submete desnecessariamente um grande número de homens ao teste", concluiu Terlecki.
Por outro lado, outros estudos têm feito ressalvas à adoção do exame de PSA como rotina, devido justamente aos falsos positivos e aos sobretratamentos que ele induz.

sábado, 1 de outubro de 2016

O maior e mais bonito apego: apego à verdade

A verdade pode ser entendida como uma conspiração ou um magnetismo cósmico. Seria como seguirmos para a direção apontada pela bússola cósmica da correção (no campo religioso, o Tao, o caminho... da espontaneidade). Mas, a verdade não é retilínea nem feita somente de espontaneidade - como apontavam os taoistas. Ela necessita de um outro ingrediente importante: a inteligência. Assim, somente a inteligência espontânea é capaz de encaminharmo-nos para a meta final da verdade: o EQUILÍBRIO de longuíssimo prazo. E, neste, a espontaneidade pode ser aplicada no seu grau máximo, maximizando-se e enobrecendo-se, em consequência, a existência... pura (divina em todos os sentidos)!

LIVROS DE AUTOAJUDA? BAH!

Muitas pessoas perdem tempo comprando soluções simplistas de livros de autoajuda. Simplismo por simplismo, vou-lhes apresentar o livro de autoajuda mais sintético e eficaz do mundo. Trata-se de encarar a vida (ALGO... concreto, visível, palpável, sensível) em contraposição a uma opção de inutilidade, de INEXISTÊNCIA total. Assim, se TUDO O QUE CONHECEMOS, se tudo existe para experimentarmos... melhor do que não termos NADA para tal... de forma que a existência, apesar de às vezes imperfeita... é melhor que o nada... mesmo que ainda fosse perfeito (sic)... mas que não serve para nada, que NÃO TEM SENTIDO.