terça-feira, 30 de novembro de 2021

Ômicron: 4 perguntas ainda sem respostas sobre variante do coronavírus

Paciente sendo vacinado por profissional de saúde
Fabricantes de vacinas afirmaram ser possível readaptar imunizante para combater ômicron

A ômicron, a nova variante do coronavírus detectada na África do Sul, vem causando preocupação ao redor do mundo e deixando muitas perguntas em aberto.

Ela é mais transmíssivel? Quem já teve covid pode ser reinfectado por ela? Ela causa sintomas mais graves? E, principalmente, as vacinas atuais vão funcionar contra ela?

Por enquanto, ainda não temos todas as respostas. Ainda vai demorar algum tempo até que todos os detalhes dessa nova variante "altamente mutada" sejam conhecidos.

Mas já há pistas.

Na segunda-feira (29/11), a OMS (Organização Mundial da Saúde) disse que a ômicron representa um "risco muito alto" de surtos de infecções e provavelmente se espalhará ao redor do mundo, com "consequências graves" em alguns lugares.

Confira abaixo quatro perguntas ainda sem resposta sobre a ômicron.

Boris Johnson dá entrevista coletiva para revelar novas medidas, em Downing Street em 27 de novembro de 2021
Reino Unido anunciou novas medidas para combater nova variante do coronavírus detectada na África do Sul

1) A Ômicron é mais transmíssivel?

Ainda não há dados consolidados sobre a transmissibilidade da ômicron.

Mas cientistas temem que ela seja mais infecciosa do que outras variantes, embora mais estudos sejam necessários para comprovar isso.

A ômicron, originalmente conhecida como B.1.1.529, foi detectada na África do Sul e notificada à Organização Mundial da Saúde (OMS), em 24 de novembro.

Desde então, se espalhou para mais de uma dezena de países, muitos dos quais reimpuseram restrições de viagens para impedir a propagação da nova variante. O Brasil foi um deles.

Segundo a OMS, houve três picos de casos confirmados de covid na África do Sul até agora, o último dos quais se deveu predominantemente à variante delta, que causou a terceira onda na Europa e matou milhares de pessoas.

The British Broadcasting Corporation

Mas, nas últimas semanas, as infecções aumentaram substancialmente no país, coincidindo com a detecção da ômicron. O primeiro caso confirmado dessa nova variante foi de uma amostra coletada em 9 de novembro.

"Ainda não está claro se a ômicron é mais transmissível (por exemplo, mais facilmente transmitida de pessoa para pessoa) em comparação com outras variantes, incluindo a delta. O número de pessoas com diagnóstico positivo aumentou em áreas da África do Sul afetadas por esta variante, mas estudos epidemiológicos estão em andamento para entender se é por causa dela ou de outros fatores", disse a OMS em comunicado publicado em seu site.

O brasileiro Tulio de Oliveira, diretor do Centro para Resposta Epidêmica e Inovação da África do Sul, que descobriu a ômicron, escreveu no Twitter:

"Esta nova variante, B.1.1.529, parece se espalhar muito rápido! Em menos de 2 semanas agora domina todas as infecções após uma onda Delta devastadora na África do Sul".

2) Quem já pegou covid pode ser reinfectado pela ômicron?

Também não se sabe, mas, segundo a OMS, "evidências preliminares sugerem que pode haver um risco aumentado de reinfecção com a ômicron, em comparação com outras variantes de preocupação, mas as informações são limitadas".

Variante de preocupação é o termo usado pela OMS para descrever as variações do coronavírus que oferecem mais risco à saúde pública. Além da ômicron, as outras variantes de preocupação são alpha, beta, gamma (detectada inicialmente em Manaus) e delta.

3) A ômicron causa sintomas mais graves?

Em entrevista à BBC, Angelique Coetzee, a médica sul-africana que primeiro identificou a ômicron, disse que os pacientes infectados até o momento mostram "sintomas extremamente leves".

Mas, segundo ela, mais tempo ainda é necessário para avaliar o efeito em pessoas vulneráveis.

"Tudo começou com um paciente com sintomas leves. Ele dizia estar com um cansaço extremo nos dois últimos dias e tinha dores no corpo e um pouco de dor de cabeça. Nem sequer uma dor de garganta, mas algo como uma garganta arranhando. Sem tosse, nem perda de olfato ou paladar", afirmou ela.

Um homem e uma mulher no ônibus usando máscaras
Uso de máscaras é recomendado como medida individual para evitar propagação da covid por OMS

No entanto, especialistas lembram que observações médicas como a de Coetzee são importantes, mas não servem como evidências epidemiológicas.

O infectologista Richard Lessells, da Universidade de KwaZulu-Natal em Durban, na África do Sul, ressalva que "as observações dos médicos em campo são sempre importantes e nos apoiamos muito nelas, mas precisamos ser cautelosos ao confiar em dados preliminares de que todos os casos com esta variante são leves", escreveu ele no Twitter.

Segundo a OMS, ainda não está claro se a infecção pela ômicron causa doença mais grave em comparação com infecções por outras variantes.

"Dados preliminares sugerem que há taxas crescentes de hospitalização na África do Sul, mas isso pode ser devido ao aumento do número geral de pessoas que estão se infectando, e não devido a uma infecção específica pela ômicron", informou o comunicado publicado em seu site.

"Atualmente, não há informações que sugiram que os sintomas associados à ômicron sejam diferentes daqueles de outras variantes. As infecções notificadas inicialmente foram entre estudantes universitários — indivíduos mais jovens que tendem a ter uma doença mais branda — mas compreender o nível de gravidade da variante ômicron demorará dias ou várias semanas".

A OMS acrescentou ainda que "todas as variantes de COVID-19, incluindo a variante delta que é dominante em todo o mundo, podem causar doença grave ou morte".

4) As vacinas que temos disponíveis hoje em dia vão funcionar contra a Ômicron?

Quando a equipe do brasileiro Tulio de Oliveira fez o anúncio sobre a nova variante, falou sobre a possibilidade de reinfecção e escape do sistema imunológico.

Isso porque a ômicron tem 50 mutações em relação ao coronavírus original, detectado em Wuhan na China.

Dessas 50 mutações, 32 estão na proteína S (spike ou espícula em inglês), "chave" que o vírus usa para entrar nas células.

Algumas dessas mutações existem em outras variantes, mas não todas juntas em uma única, dizem cientistas.

Isso acabou alimentando temores de que a ômicron possa ser "a pior (variante) já existente".

"A ômicron tem um número sem precedentes de mutações na proteína spike, algumas das quais são preocupantes por seu impacto potencial na trajetória da pandemia", disse a OMS.

Vale lembrar que a maioria das vacinas, como a AstraZeneca, Pfizer e Janssen, injetam a proteína spike no organismo humano para ensiná-lo a combater o coronavírus. Portanto, podem não ser ideais para a defesa contra a nova variante, que tem mutações justamente nessa proteína, dizem cientistas.

Fabricantes de vacinas anunciaram que já estão trabalhando em versões específicas contra a ômicron, caso os imunizantes existentes não sejam eficazes contra essa nova variante.

A Pfizer disse que poderia readaptar suas vacinas em até 100 dias, se necessário.

Apesar disso, uma declaração pessimista do CEO da Moderna sacudiu os mercados.

Em entrevista ao Financial Times, Stephane Bancel previu uma "queda material" na eficácia das vacinas existentes e descartou a expectativa de que novas versões podem estar disponíveis em breve.

Já a CoronaVac, a mais prevalente no Brasil, que é uma vacina de tipo tradicional, feita a partir do vírus inteiro inativado da Sars-CoV-2, poderia apresentar uma vantagem em relação às demais, já que ela ensina o sistema imune a combater o vírus inteiro, e não apenas a proteína spike.

Mas tudo isso é pura especulação, pois ainda faltam pesquisas conclusivas sobre a eficácia das vacinas atuais no combate à ômicron.

A OMS informou que "está trabalhando com parceiros técnicos para entender o impacto potencial dessa variante em nossas contramedidas existentes, incluindo vacinas".

Segundo a agência, "as vacinas continuam sendo cruciais para reduzir doenças graves e morte, inclusive contra a variante circulante dominante, delta. As vacinas atuais permanecem eficazes contra doenças graves e morte".

Diante de tantas perguntas, há pelo menos uma certeza: os testes PCR disponíveis atualmente podem detectar a infecção pela ômicron.

Já estudos estão em andamento para determinar se há algum impacto em outros tipos de testes, incluindo testes de detecção rápida de antígenos.

Enquanto essas respostas ainda não chegam, a OMS recomenda medidas individuais para reduzir a propagação da covid-19: manter distância física de pelo menos 1 metro dos outros, usar máscara bem ajustada, abrir janelas para melhorar a ventilação; evitar espaços mal ventilados ou lotados; manter as mãos limpas; tossir ou espirrar no cotovelo ou tecido dobrado, e se vacinar.

'Perigosa e precária'

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, disse que o surgimento da ômicron mostrou como a situação era "perigosa e precária".

"A ômicron demonstra exatamente por que o mundo precisa de um novo acordo sobre pandemias", disse ele no início de uma assembleia de ministros da saúde que deverá iniciar negociações sobre tal acordo.

"Nosso sistema atual desincentiva os países de alertar outros sobre ameaças que inevitavelmente pousarão em suas costas."

O novo acordo global, previsto para maio de 2024, cobrirá questões como o compartilhamento de dados e sequências do genoma de vírus emergentes e de quaisquer vacinas potenciais derivadas de pesquisas.

 

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Nova variante Ômicron pode infectar mais e matar menos, dizem especialistas

Uma hipótese é de que a cepa do coronavírus surgiu em um imunodeprimido que abrigou a variante Alpha por muito tempo na África do Sul

Cristiane Segatto, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2021 | 05h00
Atualizado 29 de novembro de 2021 

A grande quantidade de mutações da Ômicron é fato inusitado que precisa ser investigado no Brasil, dizem cientistas ouvidos pelo Estadão. Descoberta na África do Sul, a nova variante do coronavírus apresenta 50 mutações. Cerca de 30 estão localizadas na chamada proteína spike, aquela que permite a entrada do vírus nas células humanas e é um dos principais alvos das vacinas contra a covid-19.

Uma primeira hipótese para a ocorrência de tantas mutações (três vezes mais do que o verificado na variante Delta) é a de que ela tenha se desenvolvido em um paciente imunodeprimido que abrigou a variante Alpha por muito tempo na África do Sul. Os testes detectam a Ômicron por ela não ter um gene específico – o mesmo da Alpha, segundo especialistas internacionais. “Nunca tínhamos visto uma variante com tantas mutações”, diz o professor Amilcar Tanuri, coordenador do Laboratório de Virologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

Tanuri diz ser adepto da hipótese de que os vírus emergentes tendem a se atenuar, conforme vão se espalhando pela população humana. A cada mutação, a tendência é a de que fiquem mais transmissíveis e menos letais. 

Gravidade 

Os primeiros relatos dos médicos da África do Sul indicam que o vírus se espalha rapidamente, mas sem grande número de casos graves. “Essa observação na África do Sul ainda é empírica, mas corrobora a hipótese de atenuação do vírus e aumento da transmissibilidade”, afirma o coordenador da UFRJ. 

“No Brasil, ainda não tivemos acesso à variante Ômicron para estudá-la”, diz Tanuri. “Assim que ela for detectada no País, a primeira coisa a ser feita é isolar o vírus e colocar em contato com o soro de pacientes vacinados aqui no Brasil e também infectados com a variante Delta”, afirma o virologista.

Dessa forma, será possível saber se ter superado outros coronavírus confere alguma imunidade (proteção cruzada) contra a Ômicron. A segunda pergunta que precisará ser respondida é como a nova variante vai se comportar. Ou seja: se ela vai substituir a Delta no Brasil, como parece estar fazendo na África. Como o vírus consegue ser transmitido com uma velocidade maior que o concorrente, ele vence a disputa. O anterior continua circulando, mas em menor proporção. Vale lembrar que a Delta acabou não causando um aumento de casos no Brasil – conforme muitos especialistas, por causa de uma combinação de vacinação e medidas sanitárias.

Persistência 

Segundo Tanuri, vários grupos publicaram o sequenciamento de vírus encontrados em pessoas que tiveram infecção persistente ou prolongada com as variantes anteriores. Em um estudo realizado na UFRJ com duas dezenas desses pacientes, os pesquisadores observaram que o acúmulo de mutações na proteína spike é proporcional ao tempo em que o vírus permanece no indivíduo.

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Passageira é testada para covid em aeroporto na África do Sul. Especialistas dizem que a variante Ômicron pode infectar mais e matar menos Foto: Phill Magakoe/AFP

Para o epidemiologia Cesar Victora, professor emérito da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), os relatos dos médicos da África do Sul podem ser um sinal de que o coronavírus está evoluindo como muitos outros vírus que são muito agressivos no início, mas se tornam atenuados com o tempo. “Pode ser que isso esteja acontecendo, o que seria uma boa notícia, mas ainda é cedo para saber”, afirma. 

Futuro 

O especialista considera que o País precisa ampliar seu sistema de monitoramento de variantes. “Temos de aumentar a capacidade. Ainda sequenciamos pouco. A variante pode já estar aqui e ainda não ter sido descoberta”, afirma o coordenador do comitê científico do Instituto Todos Pela Saúde.

 

sábado, 27 de novembro de 2021

'20 mil recebem R$ 230 bi sem pagar Imposto de Renda', diz secretário especial da Receita

José Tostes rebate as críticas ao projeto que estabelece a volta da taxação sobre dividendos de empresas

Entrevista com

José Tostes, secretário especial da Receita Federal

Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

03 de julho de 2021

BRASÍLIA - Diante da acusação de empresários de que a reforma do Imposto de Renda apresentada pelo governo elevaria a carga tributária, o secretário especial da Receita Federal, José Tostes, afirma que não se pode misturar a tributação de empresas com a de pessoas físicas e cita uma distorção na isenção de lucros e dividendos.

“Temos aqui apenas 20.858 pessoas, numa população de 210 milhões, que receberam R$ 230 bilhões sem pagar imposto”, afirma. Essas pessoas pagaram só 1,8% de todo o rendimento que receberam, argumenta Tostes.

Confira os principais trechos da entrevista:

A carga tributária do Brasil está em torno de 31%. A maior crítica é de que a Receita colocou muita gordura na proposta para aumentar a arrecadação.

Não concordamos com essa avaliação. Fizemos uma proposta para ter equilíbrio entre medidas que aumentam e que reduzem a arrecadação. Esses argumentos de que haverá aumento, precisamos avaliar de que forma estão sendo calculados. O não aumento da carga tributária é um princípio que o ministro Paulo Guedes colocou no início do seu trabalho.

Receita Federal
Tostes. Arrecadação vem do lucro maior de empresas Foto: Dida Sampaio/Estadão

A carga não aumenta?

De fato, a carga tributária não aumentou. Se essas medidas agora possibilitarem algum aumento de carga, não será por conta delas em si, porque, como nós estamos vendo, está havendo um aumento de arrecadação este ano que poderá ser utilizado para reduzir incidências tributárias no próximo ano. Estamos com resultados bastante auspiciosos de arrecadação este ano, e que não têm nada a ver com o aumento de impostos, de alíquotas ou alterações nas regras tributárias.

O sr. falou que não tem como saber como está sendo feita a conta do aumento de carga. A Receita também divulgou apenas parcialmente os números. Eles serão detalhados?

Sim. Estamos preparando uma nota exaustivamente detalhada, inclusive quanto a parâmetros, quanto às variáveis, quanto à metodologia utilizada. Veja que, por exemplo, a alíquota da pessoa jurídica está sendo reduzida para 29%, e está sendo extinta a isenção do Imposto de Renda incidente sobre a distribuição dos dividendos, com uma alíquota de 20%. Muitos comentários que revelam a preocupação com o aumento de carga tributária somando as duas alíquotas. Completamente errado esse cálculo. Não posso somar os 29% da pessoa jurídica com os 20% da distribuição dos dividendos. São tributos que incidem sobre contribuintes distintos, pessoa jurídica e pessoa física.

Mesmo assim, fica em 43%, o que os críticos acham alto.

Exatamente a mediana dos países da OCDE. É 43,75%. E aí você vai ver: os 29% que incidem sobre o lucro da pessoa jurídica estão um pouco acima da média da OCDE, e os 20% na distribuição de dividendos estão bem abaixo. 

O sr. pode dizer onde está o caráter distributivo da proposta?

As empresas estão tendo uma redução de impostos, de 34% para 29%. Isso é uma brutal redução de alíquota que incide sobre o setor produtivo. O que está sendo criado, como nova incidência, é sobre uma renda de pessoa física, sócio de pessoa jurídica, que é isento até hoje e vai passar a ser tributado em 20%, o que absolutamente não é novidade na maioria dos países. O Brasil antes de 1995 tinha exatamente este modelo de tributar a pessoa jurídica e tributar também a distribuição na pessoa física. Em 1995, optou por tributar só na jurídica e isentar a pessoa física. Agora, estamos avaliando voltar à situação anterior, usada hoje na maioria dos países. 

Há uma confusão entre empresa e pessoa física?

Claro. Se a pessoa jurídica obtiver um lucro, vai pagar pela proposta 29%. Se reinvestir no próprio negócio os seus lucros, se capitalizar, se expandir em termos de investimentos com o seu próprio lucro, a tributação acabou aí. Só vai haver a incidência dos 20% se este lucro for distribuído como rendimento à pessoa física do sócio. Se ela reinvestir o lucro no próprio negócio, na expansão empresarial, na geração de empregos, não vai haver tributação dos 20%. Então, é uma medida que estimula o reinvestimento na própria empresa.

Quem hoje recebe na pessoa física esses lucros e dividendos e por que há essa grita diante da proposta de tributação?

Os que recebem acima de 320 salários mínimos (mais de R$ 352 mil por mês). São 20.858, que recebem de rendimentos isentos R$ 230,81 bilhões. Não preciso dizer muito mais para identificar quem vai deixar de ser isento e vai pagar imposto a partir de agora. E mais ainda: se você somar os rendimentos tributáveis dessas 20.858 pessoas, que são apenas R$ 18 milhões tributados como salário e como rendimentos de trabalho, e os R$ 230 bilhões como dividendos e rendimentos isentos, essas 20.858 pessoas terminam por ter uma alíquota média de imposto de 1,8%. Ou seja, considerando todos os rendimentos que receberam, o imposto que elas pagaram representa 1,8%. Vamos mostrar os números e ver de fato quem vai ser afetado com esta medida. Nós temos aqui apenas 20.858 pessoas, numa população de 210 milhões, que receberam R$ 230 bilhões sem pagar imposto. Isentos de acordo com a legislação atual, não tem nada de ilegal aqui.

E o caso de contribuintes que detêm ações de empresas, estão na faixa até R$ 20 mil por mês, mas não terão isenção porque o incentivo só valerá para micro e pequenas empresas?

Esse público existe, mas sem dúvida é muito reduzido em relação ao conjunto. É um tema que estamos discutindo, e podemos fazer ajustes para aperfeiçoar a proposta.

Não há a preocupação de o projeto ficar uma “emenda pior do que o soneto”, como aconteceu com a MP da Eletrobrás?

Estamos já em interação com o Congresso. É claro que isso ainda vai ter desdobramentos na votação a partir das emendas que forem apresentadas, existe naturalmente a possibilidade de o texto ser alterado. Mas estamos na expectativa de que os princípios gerais e as regras mais importantes do projeto possam ter a aprovação no Congresso.

 

Piso salarial de professores brasileiros é o mais baixo entre 40 países, aponta estudo

Remunerações dos docentes ficam abaixo da média e atrás de outras nações latino-americanas, como Chile e México

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2021 | 06h00
Atualizado 16 de setembro de 2021 | 21h10

O piso salarial dos professores brasileiros nos anos finais do ensino fundamental é o mais baixo entre 40 países avaliados em um estudo da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado nesta quinta-feira, 16. Os rendimentos dos docentes brasileiros no início da carreira são menores do que os de professores em países como México, Colômbia e Chile.

De acordo com o relatório Education at a Glance 2021, os professores brasileiros têm salário inicial de 13,9 mil dólares anuais. Na Alemanha, por exemplo, o valor passa de 70 mil dólares. E é maior do que 20 mil dólares em países como Grécia, Colômbia e Chile. A conversão para comparação dos salários é feita usando a escala de paridade do poder de compra, que reflete o custo de vida nos países.

Sala de aula
Melhorar o sistema educacional público é fundamental para reduzir a desigualdade de renda no Brasil. Foto: Estadão

Em relação ao salário real, que inclui pagamentos adicionais, o valor médio recebido pelos brasileiros também está aquém da maioria dos países avaliados no relatório - só ultrapassa o que recebem os professores na Hungria e na Eslováquia. Os salários dependem de fatores como idade, nível de experiência e qualificação profissional.

No Brasil, segundo a OCDE, os salários reais médios dos professores são de 25.030 dólares anuais no nível pré-primário (que corresponde à educação infantil) e 25.366 dólares no nível primário (anos iniciais do ensino fundamental). Na média dos países da OCDE, os valores para as mesmas etapas são 40.707 dólares e 45.687 dólares, respectivamente.

 “Igualdade de oportunidades é um ingrediente chave para uma sociedade democrática forte e coesa. Diferentemente de políticas que podem combater as consequências, a educação pode atacar as raízes da desigualdade de oportunidades", disse nesta quinta-feira, 16, o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann. "Reforçar investimentos em uma educação melhor e mais relevante será fundamental para ajudar os países a oferecer prosperidade social e econômica de longo prazo", completou ele, durante o lançamento do relatório em Paris. 

Para a OCDE, o ambiente escolar influencia na decisão dos professores brasileiros de entrar e permanecer na profissão. “O tamanho das turmas diminuiu nos últimos anos no Brasil, mas os salários dos professores permanecem abaixo da média”, aponta o relatório.

Em relação ao tamanho das turmas, o estudo indica que o número de alunos nas salas tem caído de 2013 a 2019, passando de 23 para 20 estudantes nos anos iniciais do ensino fundamental - abaixo da média da OCDE (21).  Nos anos finais do fundamental, também houve queda, de 28 para 26, mas o número de alunos ainda é superior à média dos outros países (23).

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que "o excesso de professores atrapalha". Segundo ele, o Estado foi inchado após um concurso feito pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) para a contratação de 100 mil docentes. "Não vou entrar em detalhes, mas o Estado foi muito inchado. Não estou dizendo que não precisa de professor, mas o excesso atrapalha", disse o presidente a apoiadores ao retornar ao Palácio da Alvorada, em Brasília.

 Na conversa sobre educação pública, Bolsonaro afirmou que não existem mais "livros que os pais não gostariam que os filhos tomassem conhecimento na escola e não é pouca coisa, não". Em seguida, antes de criticar seleção e o excesso de educadores, o presidente ouviu de um deles: "Tem muito comunismo na escola, tem muito comunista lá dentro". / COLABOROU GUSTAVO PORTO

 

A relação entre genes e doenças

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Catálogo permitirá sequenciar o genoma do recém-nascido e prever parte de sua vida

Fernando Reinach*, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2021 

Faz vinte anos que o sequenciamento do primeiro genoma humano foi finalizado. Essa tarefa hercúlea custou 3 bilhões de dólares. A justificativa para o investimento foi que a sequência permitiria descobrir os genes envolvidos em cada uma das nossas doenças e características físicas. Entretanto, para conseguir parear genes e doenças é preciso sequenciar o genoma de muitas pessoas (coisa de 500 mil indivíduos). E mais, não podem ser pessoas selecionadas ao acaso, é necessário que se conheça todas as características dessas pessoas, desde seu peso, passando pela cor do olho, até os tumores que já teve. Quanto mais dados sobre as pessoas estiverem disponíveis, mais fácil relacionar as alterações em um gene a uma doença. Mas com um custo de 3 bilhões de dólares por pessoa esse projeto era inviável.

Agora a tecnologia evoluiu, e hoje, com 300 dólares, é possível sequenciar o genoma de uma pessoa (isso representa uma diminuição de custo de 10 milhões de vezes!). O projeto que era viável na teoria se tornou viável na prática.

Genoma Humano
Pesquisadores descobriram que é possível sequenciar o genoma de uma pessoa por um custo mais baixo Foto: Pixabay

Um grupo de cientistas publicou uma análise baseada no sequenciamento dos genes de 454.787 mil pessoas para as quais todos os dados médicos, físicos e mentais foram registrados em detalhe. Cada um dos milhares de genes, de cada uma dessas pessoas, foi sequenciado e as alterações encontradas foram relacionadas às características físicas e à história médica da pessoa. Usando métodos estatísticos, se um certo número de pessoas nesse grupo de 450 mil possui uma dada alteração genética, e essas pessoas são diabéticas, é possível saber que essa alteração se relaciona à diabetes. Os números desse estudo são acachapantes.

Nessas 450 mil pessoas foram detectadas 12,3 milhões de variações genéticas (cada pessoa tem ~250 alterações espalhadas pelos seus ~20 mil genes). Cada uma dessas variações foi comparada com as 3.994 características médicas registradas nessas pessoas (por exemplo: câncer de pele, diabetes, esquizofrenia, unha torta e assim por diante). Foram encontradas 8.865 associações significantes entre alterações genéticas e características das pessoas. Dessas associações 0,4% já eram conhecidas (como a mutação na globina que causa anemia falciforme ou mutações que já sabemos causar o câncer).

Todas as outras são novidades. Isso se deve ao fato que a maioria dessas mutações ocorre em menos de 1% das pessoas (são raras) e é somente analisando 450 mil pessoas que se obtém uma amostra suficientemente grande de pessoas com a mutação para se estudar sua associação a uma característica física ou doença. Entre as 8.865 associações, 3.704 eram associações binárias (onde a mutação está relacionada a uma doença, como o aparecimento ou não de um tipo específico de câncer). As 8.865 associações envolvem 564 genes humanos e 492 mutações.

Esse tipo de estudo é extremamente poderoso. Já gerou um enorme catálogo relacionando mutações às doenças. Os cientistas estimam que esse catálogo ficará quase completo quando o número de pessoas incluídas no estudo crescer para 4,5 milhões, de diversas etnias (nesse estudo só foram incluídos europeus) pois muitas das mutações são raras e foram encontradas em somente uma pessoa entre as 450 mil. Com esse catálogo será possível sequenciar o genoma de um recém-nascido e prever parte do que vai acontecer com ela durante a vida. Era isso que o projeto genoma humano prometeu quando foi iniciado por volta de 1995. Agora a promessa foi cumprida.

Mais informações: Exome sequencing and analysis of 454,787 UK Biobank participants. Nature

*É BIÓLOGO, PHD EM BIOLOGIA CELULAR E MOLECULAR PELA CORNELL UNIVERSITY E AUTOR DE A CHEGADA DO NOVO CORONAVÍRUS NO BRASIL; FOLHA DE LÓTUS, ESCORREGADOR DE MOSQUITO; E A LONGA MARCHA DOS GRILOS CANIBAIS

 

A inteligência artificial será capaz de aprender ética e moralidade?

Pesquisadores desenvolveram tecnologia de IA projetada para fazer julgamentos morais

27 nov 2021 
No filme '2001: Uma Odisseia no Espaço', a inteligência artificial HAL 9000 toma as decisões no lugar dos humanos
No filme '2001: Uma Odisseia no Espaço', a inteligência artificial HAL 9000 toma as decisões no lugar dos humanos
Foto: Reprodução / Estadão

Pesquisadores de um laboratório de inteligência artificial em Seattle chamado Instituto Allen para a Inteligência Artificial revelaram uma nova tecnologia no mês passado que foi projetada para fazer julgamentos morais. Eles a chamaram de Delfos, em homenagem ao oráculo religioso consultado pelos antigos gregos. Qualquer pessoa pode visitar o site da Delphi e solicitar uma norma ética.

Joseph Austerweil, psicólogo da Universidade de Wisconsin-Madison, testou a tecnologia usando alguns cenários simples. Quando perguntou se deveria matar uma pessoa para salvar outra, a Delphi respondeu que não. Quando perguntou se era certo matar uma pessoa para salvar outras 100, a máquina respondeu que sim. Então ele perguntou se deveria matar uma pessoa para salvar outras 101. Desta vez, a Delphi disse que não deveria.

Moralidade, ao que parece, é tão complicada para uma máquina quanto para o ser humano.

A Delphi, que recebeu mais de três milhões de visitas nas últimas semanas, é um projeto para resolver o que alguns veem como um grande problema nos modernos sistemas de IA — que podem ser tão falhos quanto as pessoas que os criam.

Sistemas de reconhecimento facial e assistentes digitais deixam transparecer preconceito contra mulheres e pessoas de cor. Redes sociais como Facebook e Twitter fracassaram em controlar o discurso de ódio, apesar da abrangente implantação de inteligência artificial. Algoritmos usados por tribunais, repartições de liberdade condicional e departamentos de polícia emitem recomendações de liberdade condicional e sentenças que podem parecer arbitrárias .

Um número cada vez maior de cientistas da computação e especialistas em ética está trabalhando para resolver esses problemas. E os criadores da Delphi esperam construir uma estrutura ética que possa ser instalada em qualquer serviço online, robô ou veículo.

"É um primeiro passo para tornar os sistemas de IA melhor informados eticamente, socialmente conscientes e culturalmente inclusivos", disse Yejin Choi, pesquisadora do Instituto Allen e professora de ciência da computação na Universidade de Washington que liderou o projeto.

A linguagem Delphi é fascinante, frustrante e perturbadora. É também um lembrete de que a moralidade de qualquer criação tecnológica é produto daqueles que a constroem. A questão é: quem ensina ética às máquinas do mundo? Pesquisadores de IA? Gerentes de produto? Mark Zuckerberg? Filósofos e psicólogos treinados? Legisladores?

Embora alguns tecnólogos tenham aplaudido a Dra. Choi e sua equipe por explorar uma área importante e espinhosa da pesquisa tecnológica, outros argumentaram que a própria ideia de uma máquina moral é absurda.

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"Isso não é algo que a tecnologia faz muito bem", disse Ryan Cotterell, um pesquisador de IA na ETH Zürich, universidade na Suíça, que se deparou com a Delphi em seus primeiros dias online.

A Delphi é o que os pesquisadores de inteligência artificial chamam de rede neural, um sistema matemático vagamente modelado na teia de neurônios no cérebro humano. É a mesma tecnologia que reconhece os comandos que você fala em seu smartphone e identifica pedestres e placas de rua à medida que carros autônomos percorrem as rodovias.

Uma rede neural aprende habilidades analisando grandes quantidades de dados. Ao localizar padrões em milhares de fotos de gatos, por exemplo, ela pode aprender a reconhecer um gato. A Delphi aprendeu a construir seu código moral ao analisar mais de 1,7 milhão de julgamentos éticos de seres humanos reais.

Depois de reunir milhões de cenários diários de sites e outras fontes, o Instituto Allen pediu aos funcionários de um serviço online - pessoas comuns pagas para fazer trabalho digital em empresas como a Amazon - que identificassem cada uma das questões como certa ou errada. Em seguida, inseriram todos esses dados na Delphi.

Em um artigo acadêmico que descreve o sistema, a Dra. Choi e sua equipe perguntaram a um grupo de juízes humanos - novamente, funcionários digitais - se achavam que os julgamentos éticos da Delphi eram precisos em até 92%. Depois de colocarem na Internet aberta, muitos outros concordaram que o sistema era surpreendentemente sábio.

Quando Patricia Churchland, filósofa da Universidade da California, em San Diego, perguntou se seria certo "deixar o próprio corpo para a ciência" ou mesmo "deixar o corpo do filho para a ciência", a Delphi disse que sim. Quando ela perguntou se era certo "condenar um homem acusado de estupro com base nas evidências de uma prostituta", a Delphi disse que não - resposta controversa, para se dizer o mínimo. Não obstante, ela ficou bastante impressionada com a capacidade de responder do sistema, embora soubesse que um especialista em ética humana pediria mais informações antes de fazer tais declarações.

Outros consideraram o sistema terrivelmente inconsistente, ilógico e ofensivo. Quando uma desenvolvedora de software se deparou com a Delphi, ela perguntou ao sistema se ela deveria morrer para não sobrecarregar seus amigos e família. O sistema disse que ela deveria. Se essa pergunta for feita ao Delphi agora se pode obter uma resposta diferente em uma versão atualizada do programa. Os usuários regulares da Delphi notaram que o sistema pode mudar de ideia de vez em quando. Tecnicamente, essas mudanças estão acontecendo porque o software Delphi tem sido atualizado.

A Delphi refletiu sobre as escolhas feitas por seus criadores. Isso incluía cenários éticos que eles escolheram para inserir no sistema e os funcionários online que escolheram para julgar esses cenários.

No futuro, pesquisadores poderão refinar o comportamento do sistema treinando-o com novos dados ou regras de codificação manual que substituam o comportamento aprendido em momentos-chave. Mas, independentemente de como essas pessoas constroem e modificam o sistema, ele sempre refletirá a visão de mundo dessas mesmas pessoas.

*Tradução de Anna Maria Dalle Luche

Estadão

 

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Vacinas dão "falsa sensação de segurança", alerta OMS

Vacinas reduzem a transmissão da variante delta do coronavírus em 40%, aponta OMS
25 de novembro de 2021

Alarmada por situação da pandemia na Europa, Organização Mundial da Saúde ressalta que vacinas salvam vidas, mas não impedem completamente a transmissão do coronavírus. "Mesmo vacinado, continue tomando precauções."  


Em meio a uma "falsa sensação de segurança" causada pela proteção oferecida por vacinas, a Europa voltou a ser o epicentro mundial da pandemia de covid-19, afirmou nesta quarta-feira (24/11) o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Em vídeo divulgado no Twitter, o diretor-geral da OMS afirmou: "Em muito países e comunidades, estamos preocupados com uma falsa sensação de segurança de que vacinas acabaram com a pandemia de covid-19 e de que as pessoas que estão vacinadas não precisam tomar nenhuma outra precaução."

Ele apontou que, antes do surgimento da variante delta do coronavírus, as vacinas contra a covid-19 reduziam a transmissão em cerca de 60%. "Com a delta, isso [a redução da transmissão] caiu para cerca de 40%."

A variante delta, mais contagiosa que a primeira cepa do Sars-Cov-2, é atualmente a versão do vírus dominante no mundo. De 845 mil sequenciamentos do vírus com base em amostras coletadas nos últimos dois meses e enviadas à iniciativa científica global GISAID, de compartilhamento de dados sobre as linhagens do Sars-Cov-2 em circulação, 99,8% eram da variante delta. A informação consta do relatório epidemiológico semanal da OMS.

"Vacinas não impedem completamente a transmissão"

"Vacinas salvam vidas, mas não impedem completamente a transmissão", ressaltou Ghebreyesus, pedindo que as pessoas  usem máscaras, mantenham distância, evitem aglomerações,e encontrem outras pessoas em ambientes ao ar livre, se possível, ou em ambientes fechados bem ventilados e lavem as mãos.

Além da vacina, tais medidas, segundo autoridades da OMS, continuam sendo uma ferramenta chave para frear a transmissão do coronavírus.

"Se você tomou a vacina, você corre um risco muito menor de desenvolver um quadro grave da doença ou até de morrer, mas ainda corre risco de ser infectado e de infectar outras pessoas", disse Ghebreyesus.

"Mesmo vacinado, continue tomando precauções para evitar ser infectado e infectar alguém que poderia morrer", alertou o diretor-geral da OMS.

Europa registra 60% das novas infecções

Segundo Ghebreyesus, na semana passada, mais de 60% dos casos de covid-19 registrados e mortes relacionadas à doença ocorreram na Europa. O número de novas infecções já está se traduzindo numa pressão insustentável para sistemas de saúde e na exaustão de funcionários, disse o diretor-geral da OMS.

Autoridades da OMS advertiram que o vírus Sars-Cov-2, causador da doença, continuará sendo intensamente disseminado no inverno europeu, num momento em que, motivadas pela época de festas de fim de ano, populações de vários países estão voltando a uma rotina de encontros sociais com níveis comparáveis aos do período pré-pandemia.

"Estamos de volta a níveis pré-pandêmicos de encontros sociais [na Europa], mesmo em meio ao aumento muito forte de novos casos e até em alguns países com forte pressão sobre seus sistemas de saúde", disse o diretor de emergências de saúde da OMS, Mike Ryan. "A verdade é que o vírus vai continuar sendo espalhado intensamente nesse tipo de ambiente."

rk/lf (Reuters, AFP, OTS)

 

Simpatia e confiabilidade vencem competência em seleções para equipes


  

23/11/2021

Redação do Diário da Saúde
Simpatia e confiabilidade vencem competência em seleções para equipes
Como lidar com colegas de trabalho inseguros?
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Competência versus confiabilidade

Você sempre apostou no seu conhecimento e na sua competência para procurar um bom emprego?

Talvez seja melhor revisar um pouco os seus conceitos.

Acontece que pessoas amigáveis e confiáveis têm maior probabilidade de serem selecionadas para equipes do que aquelas que são conhecidas apenas por suas habilidades, competência e reputação pessoal.

Embora as pessoas confiáveis e competentes sejam as mais procuradas no que diz respeito à montagem da equipe, a simpatia e a confiabilidade costumam ser fatores mais importantes do que a competência.

"Nós presumimos que as pessoas são selecionadas para equipes e forças-tarefa importantes devido ao conhecimento, capacidades e habilidades que trazem para a mesa. No entanto, esta pesquisa indica que as pessoas podem ser muitas vezes escolhidas porque os membros da equipe se sentem confortáveis com elas. As pessoas podem estar dispostas sacrificar um pouco em termos de desempenho para ter uma experiência de equipe realmente positiva," explica a professora Cynthia Maupin, da Universidade Binghamton (EUA).

Bons relacionamentos em primeiro lugar

Para chegar a essas conclusões, Maupin e seus colegas distribuíram alunos aleatoriamente em equipes no início do semestre para trabalhar em projetos e tarefas de classe. Perto do final do semestre, os alunos precisavam formar suas próprias equipes e avaliar por que selecionaram cada membro de seu grupo.

Os pesquisadores analisaram especificamente como os alunos sinalizavam seu capital humano - a capacidade de fazer bem suas tarefas - e seu capital social - o grau em que eram amigáveis e confiáveis para os outros.

Eles descobriram que aqueles que apresentavam competência e confiabilidade eram os mais solicitados quando se tratava de compor uma equipe.

"Como era de se esperar, qualquer um que fosse muito forte em termos de sinalizar seu capital humano e social era extremamente procurado. Eles estão fazendo todas as coisas certas para estabelecer que são confiáveis e bons trabalhadores," destacou Maupin.

No entanto, os pesquisadores descobriram que os alunos que apresentavam capital social apenas por meio de um tom de voz de apoio foram mais procurados do que aqueles que apenas sinalizaram sua competência, por meio do uso de um tom de voz mais firme.

"Nossos resultados sugerem que, quando as pessoas sentem que podem confiar em você, mesmo que você não seja necessariamente o melhor trabalhador, é mais provável que queiram trabalhar com você," disse Maupin. "Eles sabem que provavelmente haverá menos problemas interpessoais nesse caso."

 

Pressão arterial ideal ajuda nosso cérebro a envelhecer mais devagar


  

29/10/2021

Redação do Diário da Saúde
Pressão arterial ideal ajuda nosso cérebro a envelhecer mais devagar
Pressão elevada tem efeitos danosos sobre o cérebro.
[Imagem: Anya Wotton/ANU]

Pressão sobre o cérebro

Pessoas com pressão arterial elevada apresentam cérebros que aparentam uma idade fisiológica mais avançada e, portanto, menos saudáveis, aumentando o risco de doenças cardíacas, derrame cerebral e demência.

Os participantes com pressão arterial elevada, mas dentro da faixa normal, também tinham cérebros de aparência mais velha e apresentam aumento nos riscos de problemas de saúde.

Por outro lado, a pesquisa também descobriu que a pressão arterial ideal ajuda nosso cérebro a ficar pelo menos seis meses mais jovem do que nossa idade real.

Os pesquisadores agora estão pedindo que as diretrizes nacionais de saúde sejam atualizadas para refletir suas descobertas.

"Esse pensamento de que o cérebro de uma pessoa se torna menos saudável por causa da pressão alta mais tarde na vida não é totalmente verdade," disse o professor Nicolas Cherbuin, da Universidade Nacional da Austrália. "Esse problema começa mais cedo e começa em pessoas com pressão arterial normal."

A pressão arterial normal foi definida como uma pressão abaixo de 120/80, enquanto uma pressão arterial ideal e mais saudável foi estabelecida em 110/70.

Saúde do cérebro

A nova pesquisa veio depois que um grande estudo internacional descobriu que o número de pessoas com mais de 30 anos com pressão alta dobrou globalmente.

"É importante que introduzamos mudanças no estilo de vida e na dieta no início da vida para evitar que a pressão arterial suba muito, em vez de esperar que ela se torne um problema," disse o professor Walter Abhayaratna. "Comparado a uma pessoa com pressão alta de 135/85, alguém com uma leitura ideal de 110/70 tinha uma idade cerebral que aparenta ser seis meses mais jovem quando atinge a meia-idade."

 

Grafeno e níquel conseguem monitorar glicose pelo suor - sem picadas


  

26/11/2021

Redação do Diário da Saúde
Grafeno e níquel conseguem monitorar glicose pelo suor - sem picadas
Protótipo de sensor de glicose não-invasivo e vestível promete acabar com picadas.
[Imagem: Jia Zhu/Penn State]

Grafeno induzido por laser

Dispositivos não invasivos de monitoramento da glicose no organismo ainda não estão disponíveis comercialmente, o que continua forçando as pessoas com diabetes a coletar amostras de sangue ou implantar sensores sob a pele para medir seus níveis de açúcar no sangue.

A mais nova promessa para mudar essa realidade é este novo dispositivo vestível, capaz de detectar a glicose no suor.

Os pesquisadores construíram o aparelho primeiro criando grafeno induzido por laser, um material que consiste em camadas de carbono com a espessura de um único átomo. Com alta condutividade elétrica e um tempo de fabricação de apenas alguns segundos, a técnica parecia ser a ideal para construir o sensor - mas a coisa estava longe de estar pronta.

"O desafio aqui é que o grafeno induzido por laser não é sensível à glicose. Então, precisávamos depositar um material sensível à glicose sobre ele," contou o professor Huanyu Cheng, da Universidade do Estado da Pensilvânia (EUA).

Um pitada de metais

Existe uma forte correlação entre os níveis de glicose no suor e no sangue. Infelizmente a concentração de glicose no suor é cerca de 100 vezes menor do que a concentração no sangue.

A equipe encontrou a solução para detectar quantidades tão pequenas no metal níquel, que apresenta uma forte sensibilidade à glicose. O níquel foi combinado com ouro para reduzir os riscos potenciais de uma reação alérgica.

O trio grafeno-níquel-ouro funcionou melhor do que qualquer outra técnica tentada até agora, o que está deixando a equipe entusiasmada em transformar sua descoberta em um produto disponível para os portadores de diabetes.

"Queremos trabalhar com médicos e outros profissionais de saúde para ver como podemos aplicar essa tecnologia para o monitoramento diário de um paciente," disse Cheng. "Este sensor de glicose serve como um exemplo fundamental para mostrar que podemos melhorar a detecção de biomarcadores no suor em concentrações extremamente baixas."

 

Antivacinas, inverno e flexibilização: o que levou a Europa à quarta onda de covid-19?

Continente enfrenta níveis recordes de contaminação e pode registrar até 700 mil mortes adicionais até março do próximo ano, de acordo com a OMS

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2021 

A Europa experimenta novamente níveis recordes de casos de coronavírus, com previsão de registrar até 700 mil mortes adicionais por covid-19 nos próximos três meses, de acordo com dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde na última terça-feira, 23. 

A quarta onda da pandemia põe fim, ao menos parcialmente, à reabertura que ganhava força no continente, onde restaurantes e casas de shows funcionavam normalmente. Diversos países anunciaram novas restrições, enfurecendo parcelas da população que saíram às ruas para protestar contra as medidas.

Entenda o que levou a Europa à quarta onda de covid-19:

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Máscaras voltaram a ser obrigatórias ao ar livre em Portugal; Europa enfrenta quarta onda da pandemia de covid-19 Foto: Armando Franca/AP

Variante Delta

Atualmente, 99% dos casos de covid-19 no mundo são causados pela variante Delta, descoberta em outubro do ano passado na Índia. Altamente contagiosa, a variante é onipresente no continente europeu e uma das principais causas dos picos de contágio recentes, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Estagnação de campanhas de imunização

Na União Europeia, 67,7% da população está totalmente imunizada, embora os países do continente tenham há muito tempo doses suficientes para imunizar toda a sua população. 

Há uma verdadeira divisão leste-oeste, segundo dados do Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC). Na Europa Oriental, as taxas de imunização são extremamente baixas: 53% na Polônia, 45% na Eslováquia, 35% na Romênia e 24% na Bulgária. A Europa Ocidental tem melhores taxas de vacinação, embora os dados dentro dela não sejam homogêneos. Irlanda, Portugal, Dinamarca e Espanha, por exemplo, vacinaram cerca de ¾ de suas populações; Holanda, 68%; Alemanha, 67%; Grécia, 61% e Áustria, 58%.

Relaxamento de restrições

Conforme as campanhas de vacinação avançavam e os números de casos e mortes diminuíam, os países europeus começaram a passar por reaberturas econômicas e relaxamento de medidas restritivas -- em alguns países, como Portugal, o uso de máscara ao ar livre se tornou opcional, por exemplo.

Hesitantes e antivacinas

Em bolsões da Europa, a resistência à vacina se tornou a longa cauda dos movimentos nacionalistas populistas que sacudiram a política europeia por uma década. Protestos antivacina foram registrados em diversos países, como Itália, França, Holanda e Alemanha. Na Áustria, um recém-fundado partido anti-vacina ganhou três cadeiras em um Parlamento Estadual no norte, há muito um reduto da extrema direita. Na França e na Itália, os pontos críticos anti-vacinais permanecem onde os populistas nacionalistas dominam.

A Alemanha vive uma "pandemia dos não vacinados", alertou o ministro da Saúde, Jens Spahn, no começo de novembro. À época, cerca de 66,8% da população havia se vacinado. Uma pesquisa da Forsa encomendada pelo ministério da Saúde alemão revelou recentemente que 65% dos entrevistados que não estão vacinados não querem "de jeito nenhum" receber a vacina.

Na Europa Central e Oriental, pobreza, falta de educação sanitária e desinformação levam parcelas significativas da população a recusar vacinas contra a covid-19.

Proteção reduzida

É sabido que a eficácia das vacinas diminui com o tempo. De acordo com uma pesquisa citada recentemente na BBC, a Astrazeneca, por exemplo, reduz sintomas de covid em 66% logo após a segunda dose; esse número cai para 47% após cinco meses. No caso da Pfizer, os números caíram de 90% para 70%. Como as campanhas de vacinação na Europa se iniciaram no começo do ano e as doses de reforço ainda não estão estabelecidas, uma parcela significativa da população pode estar com proteção reduzida.

 

7 curiosidades sobre o corpo humano que você provavelmente não sabia

Já apresentamos os 10 mistérios do cérebro que ainda intrigam a ciência e as 10 coisas surpreendentes sobre o crânio, mas as outras partes do nosso corpo também possuem suas particularidades. Foi com isso em mente que separamos sete curiosidades sobre o corpo humano que você provavelmente ainda não sabia!

Bebês têm mais ossos que adultos

Se alguém perguntar quem tem mais ossos: um bebê ou um adulto, é muito provável que a resposta na ponta da língua seja a segunda opção. No entanto, não é bem assim. Enquanto uma pessoa adulta costuma ter 206 ossos, o bebê costuma ter cerca de 300 ossos. Acontece que, na fase inicial da vida, há vários ossos unidos por cartilagem, que se transformam em um único osso com a chegada da fase adulta. É o caso do crânio, por exemplo, que no recém nascido possui fontanelas — cartilagens entre alguns dos ossos da cabeça que ainda não se fundiram —, por isso ainda é tão frágil.

O arrepio é criado por músculos minúsculos

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Você provavelmente já sentiu o braço arrepiado involuntariamente, ao se sentir emocionado, excitado ou com medo. Isso acontece porque, diante dessas emoções, há uma liberação sanguínea de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina, que são neurotransmissores, parte da química produzida pelo nosso cérebro), estimulando os piloeretores, pequenos músculos que se contraem e causam a ereção dos pelos. Quando a temperatura diminui bruscamente, o arrepio acontece como uma forma fisiológica do organismo se proteger do frio.

O apêndice tem uma função importante

Ao contrário do que muitos pensam, o apêndice (uma pequena bolsa, em forma de tubo e com cerca de 10 cm, que está ligada à primeira parte do intestino grosso) tem uma função. Estudos já mencionaram que ele fabrica e armazena bactérias que auxiliam na digestão. Além disso, ele também possui células linfoides, que produzem anticorpos e ajudam nas defesas do organismo.

O corpo humano conta com curiosidades verdadeiramente intrigantes (Imagem: Nhia Moua/Unsplash)
O corpo humano conta com curiosidades verdadeiramente intrigantes (Imagem: Nhia Moua/Unsplash)

O ser humano só respira por uma narina de cada vez

Ao contrário do que parece, a respiração não é feita pelas duas narinas ao mesmo tempo. É por isso que, quando estamos com rinite ou gripe, apenas uma narina fica entupida por vez: é a que está descansando naquele momento. Se você parar para prestar atenção na sua respiração nesse momento, pode notar que há um lado puxando primeiro que o outro. Se você sentir isso em ambos os lados, você apenas captou o ciclo durante a transição.

Bebês quase não piscam

Outra curiosidade sobre o ser humano em sua primeira fase é que o intervalo entre uma piscada e outra é muito maior. Enquanto os adultos piscam de 10 a 15 vezes por minuto, os bebês não costumam piscar apenas uma vez a cada minuto! No máximo, três vezes durante esse período. Isso acontece, talvez, porque os bebês dormem muito mais que os adultos e, assim, seus olhos exigem menos lubrificação.

As pessoas produzem 0,7 litro de saliva por dia

A produção de saliva varia consideravelmente de pessoa para pessoa, mas em média a maioria dos seres humanos consegue produzir 0,7 litro de saliva por dia, o que é suficiente para encher duas banheiras por ano! Vale ressaltar que a saliva ajuda a matar bactérias e combater infecções, porque conta com uma proteína chamada histatina, que é conhecida como um agente antibacteriano.

O corpo humano brilha no escuro

Você já ouviu falar de bioluminescência? Trata-se da produção de luz por organismos vivos. Pode parecer loucura, mas o ser humano também brilha, em um processo semelhante chamado emissão de biofótons. As reações químicas em nossas células emitem pequenas quantidades de luz que já foram detectadas por cientistas em estudos anteriores, por meio de câmeras ultrassensíveis. Esse brilho emitido pelo corpo humano não pode ser visto a olho nu, porque é mil vezes mais fraco do que podemos detectar.

Fonte: Canaltech