quinta-feira, 13 de abril de 2017

DÍVIDA PÚBLICA: CONJUNTURA E ESTRUTURA

ASPECTOS CONJUNTURAIS. São aspectos ocasionais. Podemos citar: desastres ou catástrofes naturais (secas severas, inundações severas, tufões, furacões, tsunamis, terremotos, etc.). Tais fatores demandam a ajuda do Estado para socorrer a população atingida pelos mesmos. É a indomável Natureza inflando a dívida pública que, a cada ocorrência daquela, tende a fazer crescer esta. (Podemos citar ainda, por exemplo, a corrupção.)
ASPECTOS ESTRUTURAIS. São os mais importantes, pois estão ligados a fatores co-irmãos de fatores econômicos, sendo o mais relevante deles o descontrole da natalidade ou superpopulação que, por sua vez, gera a concentração de renda no sistema capitalista de produção. Fruto dessa concentração, produção e consumo se afastam, negando-se, divorciando-se.  Então, para contornar o problema, os “sábios” políticos/empresários/economistas lançam mão de duas ferramentas principais: a guerra e a robotização ou maquinificação ou tecnificação ou elevação da composição orgânica do capital (sem se preocupar com a desconcentração da renda, a fim de mitigar o problema). A guerra, além do alto custo, tem a função de destruir para gerar uma demanda que está contida ou represada pela concentração da renda mundial. E, por outro lado, como já sabemos, a guerra também gera o problema da ocorrência de crises de desproporção – como a ocorrida nos anos 30, que redundou na Grande Depressão. Por sua vez, a elevação da composição orgânica do capital (robotização/maquinificação) e a consequente complexificação da produção tendem a materializar o distanciamento progressivo entre produção e consumo. É o caso de produtos cada vez mais caros e considerável parte da população cada vez mais pobre (em função da superpopulação e da substituição líquida de homens por máquinas... substituição esta que redunda em perda líquida de consumo agregado... e, em última análise, resulta na descoberta marxista da “Lei da Tendência Decrescente da Taxa de Lucro”... a qual, por sua vez, arrebenta nas mãos do Estado, o qual fica cada vez mais falido). Assim, o subconsumo é o fantasma decorrente dos dois fatores que acabamos de citar, os quais se respingam no desemprego (populacional e tecnológico). Aqui, nota-se como o homem se afasta de Deus, o inventor do método dialético ou da dependência entre opostos, e se narcisiza ou se independentiza. Aqui, o capital quer crescer tanto a ponto de atingir os céus e se divinizar, se purificar, se bastar a si mesmo, se absolutizar. Aqui, os polos opostos, que deviam se amar, parecem odiar-se. Aqui está o princípio do fim, da agonia futura do capitalismo, da maior Grande Depressão de todos os tempos que está por vir (pois não haverá Estado solvente para acudir o mercado tresloucado ou irracional, haja vista que a dívida pública global já atingiu a estratosférica ordem de 325% do PIB mundial em 2016). Uma outra fonte estrutural do endividamento público é o AUMENTO DA EXPECTATIVA DE VIDA da população do mundo, principalmente em função de avanços na medicina. Assim, o avanço da medicina para ampliar os anos de vida das pessoas significa uma maior complexidade de tal medicina, complexidade esta que tem implicação em maiores custos para o Estado - de forma que combater a degeneração humana em fases mais avançadas da vida torna-se muito mais oneroso para a sociedade e seu mantenedor, o Estado. Concluindo: Ou o homem aprende a controlar a sua natalidade e, com isto, desconcentrar a renda ou só nos resta esperar o pior. Quem viver, verá!

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