domingo, 21 de agosto de 2016

KEYNES, É MAIS QUE A POLÍTICA, ESTÚPIDO!

Um assessor do ex-presidente americano Bill Clinton disse uma frase que se tornou famosa (“é a economia, estúpido!”) quando este atravessava uma campanha política e, seguindo o conselho do assessor (James Carville), acabou ganhando a eleição.
Pena que Keynes não tinha assessor. Se o tivesse, simplesmente o mesmo diria a ele: “é mais que a política, estúpido!” Explicando: antes da Grande Depressão dos anos 30 prevalecia a hegemonia da teoria econômica clássica no mundo capitalista – que, entre outras recomendações, primava pelo orçamento equilibrado dos governos. Pois bem, Keynes, diferentemente desta posição, recomendou, para debelar a Grande Depressão, que se fosse necessário, que os governos pagassem pessoas para enterrar e desenterrar garrafas – a fim de recuperar a demanda agregada da economia e acabar com a terrível crise que havia se instalado naquele momento histórico. O resultado de uma prática gastadora persistente resultou nas crises endividacionistas que presenciamos em parte importante das economias do mundo atual (pela sua magnitude relativa).
Há quem argumente que “nenhum economista de renome profissional ou respeitado pelo público (e isso inclui Keynes e a maioria de seus seguidores) jamais argumentou que o governo podia simplesmente iniciar o costume, como estratégia a longo prazo, de emitir continuamente ‘cheques sem fundos’ a fim de promover prosperidade nacional permanente.” Ou seja, o que Keynes teria recomendado (déficit público) seria apenas para as fases de depressão – de forma que nas fases de prosperidade tal déficit deveria ser combatido em função dos benefícios fiscais gerados pelo crescimento da economia. Ora, o que Keynes se esqueceu é que, em primeiro lugar, “o equilíbrio orçamentário exige, mesmo nas melhores condições, certo grau de dor e sacrifício” (vale dizer, contração do crescimento ou simplesmente recessão no futuro). Em segundo lugar, Keynes se esqueceu de que “a elaboração de uma macropolítica coerente e estável é sempre vítima das necessidades eleitorais” da população (que não admite remédios amargos, tendendo a eleger políticos “eleitoreiros”, que não resolverão os problemas, atacando-os de frente, mas apenas os empurrarão para o futuro, numa gravidade cada vez maior). Mais ainda: o grande defeito de Keynes é que ele não estudou a fundo as causas das crises, mas apenas recomendou um remédio artificial neutro (que na melhor das hipóteses dá com uma mão e tira com a outra, ou seja, se o déficit público for combatido em tempo hábil, gerações futuras pagarão pelo desatolamento de gerações passadas). Keynes, assim, ignorou as causas do atolamento técnico das gerações passadas. Aliás, como ele gerou as Grécias da vida, desconfio que ele não era inglês, mas grego (que cheira a filosofia... econômica... míope).
Eu não sou nenhum economista de renome mas já descobri quais são as VERDADEIRAS causas das crises. Como crise é um DESEQUILÍBRIO, tudo começa no mais importante de todos: o desequilíbrio reprodutivo dos pobres. Outros se seguem, viabilizados pelo já citado desequilíbrio reprodutivo dos pobres: má distribuição de renda; geração de subpoupanças (de um lado) e de superpoupanças (de outro lado); não criação de um organismo internacional que crie leis também internacionais que proíbam coisas do tipo paraísos fiscais, subsídios, adoção de moedas estrangeiras como moedas locais, restrição na aceitação de todas as moedas do mundo como moedas-reserva internacionais, adoção de câmbio que não seja o flutuante, por exemplo; não universalização da descriminalização do aborto (por conta da influência de religiões ultraburras); corrupção; educação e formação profissional precárias; políticas tributárias concentradoras de renda; etc. Enfim, existem mais subcausas que se originam na alta fecundidade dos pobres mas, por ora, fiquemos por aqui... e, pelo bem da humanidade, esqueçamos de Keynes de vez! (apesar de algumas microcontribuições positivas, suas macrocontribuições são negativas no seu grosso).

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